Prudens quid pluma niger secundum

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18/05/12 e você acha que já passou por tudo

Já fazia algum tempo que não viajava em grupo, mas a galera que conheci aqui do Ayso Motociclismo e do Vitória MC estava insistindo para ir no encontro em São Mateus que é um dos principais no Espírito Santo. Para ser sincero isso para mim é de menos, importa sempre é a desculpa para pegar uma estrada, seja qual for. Mas estava um pouco apreensivo por pilotar com quem eu não sei como se comporta na estrada.
Não estou sendo rancoroso ou rotulando ninguém, mas no fim das contas cada um tem seu ritmo. E de tão mal acostumado por viajar sozinho, pensava se eu mesmo não seria uma má companhia. Bom, má companhia não fui, mas trouxe a chuva.
Combinamos de encontrar às 14:00 de sexta. Negociei uma folga no serviço, o tempo estava bom. Mas foi chegar no local de concentração e desce aquela garoazinha chata. O Chico me pergunta se não vou colocar capa de chuva. Cai alho! Esqueci em casa, deixa. Mas insistiu tanto que fui lá buscar e aproveitei para trocar o jeans surrado pela calça de cordura para evitar muita sujeira. Evitar mesmo nada, mas fica mais fácil de limpar depois.
Saímos de Vitória debaixo daquela garoa chata, mas nada impossível de sobreviver. De capa? Eu não. É engraçado que quando levo acabo não usando. E fomos até chegar em Fundão, uns poucos kms depois subindo a BR101. E o tempo secou. Maravilha, pensei, esse clima mais ameno e sem chuva. Perfeito, apesar do tempo ainda fechado.
Paramos uns 100km depois na metade do caminho. Teria ido direto se estivesse sozinho, mas é como falei, cada um tem seu ritmo e em grupo tem que respeitar o que o grupo decide.
Chegamos em Linhares e para nossa desagradável surpresa, a chuva resolveu apertar novamente. Dessa vez foi daquelas chuvas finas, que se acredita que não vai fazer diferença. E daí a pouco nada de diminuir a chuva. E depois escurece de vez. E aí caminhão jogando spray de lama na fuça. Bom, nessa altura do campeonato você que está aí se contornando no sofá pensando: “eu até queria comprar um moto”, vou ser sincero, não compre.
Mas como eu acho cada desaventura dessa um motivo para rir depois, lá estava eu e os demais completamente encharcados, se perguntando se não seria melhor fazer igual o camarada do sofá. Não seria não cai alho! Tomei vacina contra gripe exatamente para sobreviver nessas situações.
Chegamos e São Mateus estava debaixo d’água. As ruas onde estava o encontro alagadas. As ruas da pousada alagadas. Conseguimos chegar na pousada usando as calçadas porque na rua só de jetski. Diversão garantida. E chegar e ver o Viana sentado na varanda da pousada enrolado num cobertor foi o máximo. Depois de botar as roupas num varal improvisado e usar a água que ficou no coturno para encher a piscina, juntamos na entrada da pousada e improvisamos um churrasco, além de conhecer outros camaradas que também estavam na mesma pousada.
Por mim já estava de bom tamanho porque curto mesmo é a bangunça com a turma. Mas no dia seguinte, no sábado, fomos para o encontro, o tempo já estava firme lá em São Mateus. Quem veio de Vitória logo cedo nem pegou chuva, mas ao longo do dia ia chegando cada um mais ensopado que o outro devido a chuva na estrada. “Fantini, está chovendo para cacete!”. Tive que responder que ele não viu nada. Chuva de dia é mamão com açucar, de noite e com carreta, já é outro nível.
O encontro estava muito bem organizado, realmente faz jus a fama. Vale a pena. Bandas boas. Muita moto, muita loja de buginganga, muita gente. Muito bom. Saimos umas 10:00 da pousada e só voltamos às 03:00 da matina.
No domingo o povo me acorda desesperado. “Vamos embora mineiro que já são 10:00!”. Levantei correndo, tomei banho correndo, arrumei as coisas correndo, montei tudo na moto correndo e vendo todo mundo de boa, nenhuma moto montada, desconfiei. Olho o relógio, nem 08:30. Cai alho! Mas também tinham combinado de sair logo cedo por volta de 09:00.
O tempo estava agradável, nublado, mas sem chuva, temperatura no ponto. Vínhamos na maciota, 90-100km/h. Daí o estômago começou a reclamar da corrida na pousada para sair no horário. Devia ter me livrado de todo mal por lá mesmo. E agora ali no meio do nada em lugar algum. Segurei, mas não teve jeito, naquele ritmo de viagem e com a tarefa indelegável e a cada momento mais inadiável, não tinha jeito. Acelerei e deixei o povo para trás.
Encontrei um posto uns bons 50km depois. Suando frio. Aquela cara de mal encarado. É provável que o povo que estava no posto pensou, fudeu, o caboclo veio para quebrar a cara de alguém. Nem dei trela, corri para o banheiro e a vida ficou tranquila novamente. Lembrei do companheiro Nuanda e suas últimas crises de tarefa indelegável. Não é algo que se deseje ao seu pior inimigo.
Voltei para a estrada e fui reencontrar com o povo quase de volta em Vitória. Me desculpei por sumir do nada, mas depois de explicar o motivo entenderam. Ainda fechamos com um churrasco em um buteco de bairro.
Mas fique tranquilo que eu já estive sentado no sofá pensando em se comprava uma moto. A cada peripécia como as desse fim de semana, confirmo que foi uma boa decisão que tive.

Os Sonhos Podem Esperar…

Quando estamos vislumbrando uma motocicleta nova, um upgrade no mesmo estilo ou ate mesmo uma radical mudança de segmento, nos deparamos com muitas possibilidades. Possibilidades essas que confundem nossas mentes, turbinadas por propagandas virtuosas, criticas monstruosas, opiniões sorrateiras, em suma: uma tempestade de informações. Bem, o que pretendo dizer é o quanto escolher uma moto nova é foda…

Há aproximadamente um ano atrás comprei uma Dragstar, incentivado pelas boas criticas, reportagens e opinioes de amigos, que agradeço muito, pois fiz uma ótima aquisiçao.

Mudei de segmento, da Bigtrail para a Custom. Confesso ter saudades infinitas da vida de Bigtrail, mas me certifiquei que uma BT de pouca cilindrada não é aquilo tudo que seus sonhos esperam, assim como uma Custom de média cilindrada acaba por deixar a desejar ao mais afoitos por pressao no motor… Hoje uma BT nao deve ter menso de 800c de jeito algum… senao vira moto urbana e pra isso ja temos varias linhagen da Tornado rodando por aih.

Nao digo que a DS seja uma moto ruim, pelo contrario, acredito e percebo no dia-a-dia uma moto guerreira, forte, econômica, confortável e deveras estilosa. Mas quando se faz algumas viagens mais longas com garupatroa e malas, é perceptível que lhe falta forca, nota-se que ela trabalha no limite. O mesmo acontecia com a Xt600, muita agressividade quando sozinho, mas muito esfôrço quando pesada. Ambas são motos feitas, com certeza, para se usar sozinho na estrada… ou de garupa na cidade… e no caso da DS, os infinitos aclives de BH tem a matado aos poucos.

O que estou falando, parte da experiencia de um motociclista que usa suas motos no dia-dia, 7 dias por semana, opinões de uma pessoas que opta por não ter um carro e vive todas as situações possíveis sobre duas rodas. Minhas motos recebem revisao geral todos os anos e manutenção em dia.

Tenho certeza da versatilidade da DS650 nas ruas e aposto a própria XT sobre qualquer analise dela no dia-a-dia e garanto as duas na estrada se eu puder encher o cano. Tenho minhas duvidas quanto a satisfação de amigos que “rodam” constantemente com suas HD`s ou Custom maiores, devido a falta de jogo no transito. Percebo amigos e colegas, deixando suas motos se transformarem em samambaias de garagem e deixando de aprender cada dia um pouco mais sobre o que é pilotar… sobre o que é ser motociclista… pessoas que tremem na estrada…

E em resumo eu diria: pense bem nos uso que sua moto terá, sobre seu(ua) garupa e pese bem os custos a longo prazo, pois 5mil reais economizados na compra de uma moto, podem se tornar um martirio ate a proxima oportunidade de upgrade!!!

Agora é so esperar a formatura e me presentear com uma V-Rod… ou uma M1500cc… quem sabe uma BMW… uma KTM… uma versys… um velotrol… uma Drag trasnformada… !??!?! é… é foda mesmo!!!!

Os sonhos podem esperar… 

 

 

08/04/12 não se experimenta no sofa da sala

Já passava de 20:00 da noite de domingo quando finalmente cheguei em Vitória ES. Comecei a refletir sobre a viagem. Havia saído de São Paulo SP às 06:30 da manhã com um tempo frio que qualquer um consideraria continuar na cama, enquanto eu ali na infinitude da estrada. Atravessando o Rio de Janeiro RJ, já no calor de meio dia, porque tinha errado a saída da Dutra para a Av. Brasil, pude conhecer a cidade nada maravilhosa, com seus cortiços, ruas estreitas e gente estranha, tão diferente daquelas que insistem em nos mostrar na televisão. No final da tarde já ultrapassava a fronteira em direção ao Espírito Santo, somente para descobrir que muitos resolveram fazer o mesmo que eu, enfrentar a estrada no feriado. Enfrentei eles, o trânsito e a estrada noite adentro.

Viajar de moto não é algo que se experimenta sentado no sofá da sala olhando o tempo passar pela janela. Você decide literalmente experimentar o tempo, o espaço e toda a sorte ou infortúnios que a viagem resolver lhe proporcionar. Sua única participação é atravessar a estrada que liga um destino ao outro.

Helton e Gisele não deram muita bola para meu auto convite: “Camaradas, estou indo para Sampa, separem o sofá para mim”. Começaram a argumentar sobre planejar a visita e tal e… “Camaradas, basta cerveja na geladeira e Buddy Guy na vitrola.”. Dois dias antes de retornar, na sexta cedo já avançara um bom pedaço do Rio de Janeiro. Me lembrei da última vez que estive aqui, subindo a Serra das Araras, dona stefânia bufando o óleo velho e o filtro saturado de um teste de 10.000km. Vou dizer que aquela vez foi sofrida.

E tudo para estar com o Ghan num encontro em Penedo RJ. E como tinha um tempo que não visitava o velho amigo, achei por bem ligar para ele quando estivesse em terras bandeirantes. Se estivesse em casa, passaria para dar um abraço. A essa hora, o povo do clã que resolveu descer de Belo Horizonte MG – Agnelli, Fábio, Rachel, Rubens – já estava em peso na casa do Helton, churrasco na alta preparado pelo Bruno e eu na terceira parada já na Dutra após Rio de Janeiro RJ comendo uma esfirra. Sim, a estrada é ingrata. Mas eu gosto de esfirra.

O Ghan estava em casa e me recebeu em prantos:
- Fantini, KCT! Essa maldita prótese dentária! Não dá mais para me divertir arrancando os dentes com o alicate.
- Uai, se quiser te empresto aquele soco inglês que você me deu lá no Tibet. Resolve na hora.

Agradeci o café e o bom papo e continuei viagem até Vila Mariana, São Paulo SP, onde o povo do clã já estava em outra órbita. Ao menos me acompanharam em duas cervejas. Um grande feito considerando o castelo de latinhas vazias encostado na churrasqueira. Como diz o Nuanda: “esse povo bebe demais…”.

No sábado cedo convenci todo mundo a me acompanhar na General Osório. Tinha duas missões: a) comprar “uns trem” para dona stefânia e b) encontrar com os DOGs de Sampa. A missão (a) foi resolvida em pouco tempo e após visitar meia dúzia de lojas. Já a missão (b), bem, o desinfeliz do Ramone me passa um telefone que estava desligado. Para ajudar a loja da Warrior mudara de endereço e acabei não achando ela. Depois vim a saber que os camaradas não só ficaram me esperando como até me procuraram por lá. Agradeço a preocupação do grande Nishida e do Prof. Hirai por até me ligarem para saber se eu estava vivo. Sim, eu estava, foi somente um completo desencontro.

Depois de uma lasanha de almoço devidamente preparada pela Gisele (o Helton jura que foi ele quem fez), discutir políticas públicas com o Dr. Agnelli e o Dr. Rubens e todo mundo entrar em estado vegetativo para fazer a digestão, resolvi retomar a discussão filosófica da visita anterior com Sabbath, o gato, e seu novo companheiro, Led, o outro gato.

- Sr. Fantini, novamente em minha morada. Vejo que trouxe outros intrusos. Muito irritante.
- Sr. Sabbath, vejo que agora tem um companheiro de morada. Quem é o macho dessa história?
- Malditos humanos!!! Não se tem sossego nessa bagaça!!!
- (rachei)^3!!!

Mais tarde a turma insistiu para tomar mais uma última cerveja de despedida. Declinei. Precisava dormir para retornar no dia seguinte.

Pouco mais de 2.000km, 3 estados, não sei quantas cidades, ao menos 7 climas diferentes, um vazamento de óleo no retorno. Somente para se estar com os amigos. Não se experimenta isso sentado no sofá da sala olhando a paisagem passar pela janela.

25/02/12 somente para testar a abraçadeira

Ano passado fiz um escambo com o companheiro Hermano João, me desfazendo de um escape corneta que fazia a voz de dona stefânia desde que a conheci. Peguei um JJ de 2.1/2″ em troca. Fazia parte de uma decisão pessoal de tirar a roupagem “call me a lady” de dona stefânia e deixar ela mais “tell me I’m bitch”. E lá se foram alforjes, sissybar, setas (essas ainda falta trocar as traseiras), banco da garupa. Com o JJ rasgando o verbo, diversão garantida.
Mas como tudo não são flores, uma peça de acabamento do maledeto JJ atrapalha na hora de retirar a tampa para troca do filtro de óleo. E nessa de toda vez afrouxar a abraçadeira metálica (daquelas de parafuso) para tirar a peça, acho que na última viagem à Araxá MG, a danada arrebentou. Isso foi lá no natal, mas final de ano, compromissos em janeiro, visitas a Bhz, viagens pela empresa, me travavam a agenda para arrumar a bagaça. E a peça lá desbeiçada.
Consegui finalmente no último sábado cedo comprar abraçadeiras novas e me pus em mais uma ordinary mechanical class. Que cai alho! Não que fosse difícil montar a abraçadeira, mas a posição não ajudava em nada. Depois de quase perder o dedo indicador esquerdo e a paciência, a maledeta montou. Com todo o esforço feito, resolvi que devia testar se tinha ficado firme. Pensei na promessa de verificar a estrada para Prado BA para a turma de Bhz em função do encontro na outra semana.
Lá estava eu na lua de 13:00 subindo a BR101 sentido BA. Na bagagem somente a sacola de lona com uma muda de roupa e a bandeira do Clã. E a jaqueta! Sim, estava quente para cai alho e impossível de usar a jaqueta. Não, não recomendo isso para ninguém, afinal estava na estrada. Parei em Linhares ES e em seguida em Pedro Canário ES, quase na divisa com BA.
Até aqui a estrada ainda era conhecida e tirando a interminável reta a partir de Linhares ES que até dá dormência no olhos, somente está ruim mesmo o trecho após Pedro Canário ES até uns 15 a 20 km após a divisa. Havia bastante trânsito de treminhões típicos da região de eucaliptos para as empresas de celulose locais, mesmo sendo sábado após o carnaval.
Mas o que me preocupava mesmo era o calor. Estava mais quente que o normal para a época e região. Continuava sem jaqueta, usando só o colete sobre a camisa de malha cumprida. Passei o trevo de Nanuque MG / Nova Viçosa BA, sim aquele que me infurnei numa estrada de terra de 70 km até Nova Viçosa BA numa outra desaventura, e para a alegria da turma de Bhz que virá por Teófilo Otoni MG, a partir desse ponto a estrada está boa, exceto pela falta de acostamento. Basta ter atenção com o trânsito.
E o calor! Cai alho! De repente sumiu e não era por causa do fim do dia, ainda era umas 17:00 no horário de verão. Aí vi um lindo arco íris no lado direito do horizonte. Parei para tirar uma foto. Mirando a câmera vi a tempestade que se formou bem para onde a estrada apontava. Botei a jaqueta, afinal não tinha trago capa de chuva e fui. Foram uns bons 20 ou 30 km debaixo de chuva forte. Ainda bem, não aguentava mais o calor.
Logo apareceria Teixeira de Freitas BA e a saída para Prado BA. Essa estrada leva ainda a Alcobaça BA atravessando campos de eucaliptos e pastos. Bem a cara de estradinhas vicinais do interior de Minas. Muito gostoso esse trecho e com o sol já se pondo, foi um espetáculo a parte.
Prado BA parecia uma cidade fantasma, se tinha algum folião ali, tinha ido embora antes da quarta feira de cinzas. É bem pequena. Se for aparecer muita gente no encontro, vai ser um inferno. Paciência, já combinei de estar aqui novamente com o povo do Clã.
No domingo depois de uma ida rápida à praia para conhecer, peguei estrada para evitar o calor que passei no sábado (saindo depois do almoço). Passei rápido em Alcobaça BA só para conhecer, rendeu uma foto próximo a um farol. E de volta a estradinha agradável e em seguida na BR101. O sol continuava a pino e a água de coco em Pedro Canário ES não adiantou muito.
Resolvi rodar até Itaúnas ES, próximo de Conceição da Barra ES, famosa pelas dunas e pelo forró e parar para almoçar e fugir do sol de meio dia. Peraí, Fantini, li no guia turístico que para chegar lá tem que pegar estrada de terra. E daí? Depois é só jogar um balde de água na moto que lavou está novo. 20 km de pura diversão. Ainda não conhecia Itaúnas (e olha que o Nuanda já havia indicado a mais tempo) e que lugar agradável e muito bonito. Recomendo a visita. Fui com dona stefânia até próximo das dunas e só não avancei mais por causa da areia que começou a ficar fofa. Ia ser complicado manobrar ali.
Subi uma das dunas e mais a frente havia barracas na beira da praia. A calça jeans, o coturno e o calor escaldande me demoveram da idéia de andar uns bons 900 m ou mais até lá. Voltei para a cidade que fica do outro lado do rio e almocei num restaurante próximo a praça ou melhor dizendo gramado da matriz. Lembra muito o quadrado lá de Trancoso BA. Merece um visita com mais tempo na próxima empreitada.
Já eram 14:00 quando pequei a estrada novamente. Nada de abrandar o calor, vamos embora assim mesmo. Depois de pegar um trânsito razoável (pelo jeito haviam sim foliões que esticaram o carnaval), cheguei em Vitória ES no fim do dia.
E a abraçadeira? Alguém deve ter se perguntado. Bom não soltou nos quase 1.000 km de teste. Acho que ficou boa.

Moto parada, bolso furado!!

Há muito não posto nada… Simplesmente por ter caido na mesmice frenética de final de ano e entrega de projetos! Então hoje resolvi comentar sobre o final de semana passado que trouxe velhas energias de volta e levantou bastante poeira.

Já faz um bom tempo que, erroneamente, tenho deixado minha XT600 de lado e dado mais atenção a minha moto custom. Nao classifico como um erro, mas como uma distração! E na semana passada percebi que ela já não queria mais sair do estacionamento! Talvez parada total devido ao tempo sem rodar, talvez birra por ver que sua irmã gordinha estava sempre a passear.

Pois bem, depois de um bela fuçada e uma boa empurrada de moto por dois quarteirões até a oficina, descobrimos que o giglê de baixa tinha travado e logo mais a noite quando ela me deixou na mao, os contatos do relê de partida tb! Moto parada é prejuízo na certa…
Ok!!! Nada q uma mexidinha não resolvesse!!! Uma boa limpada e desoxidada nos contatos do chicote, uma troca de gasolina e limpeza de carburador e pronto!!!

Pois bem… Qdo a coloquei para rodar pensei: quer passear!? Quer rodar!? ENTÃO TOMA!!!

Parti para Rio Acima em busca de uma cachoeira que sabia que teria amigos lá! E fui me perder e me divertir nas estradas de terra e trilhas mais leves, com minha garupatroa junto!!! Passamos pela estrada do Viana, fomos ate cachoeira de Chicadona pegamos um caminho alternativo pela trilha e achamos a cachoeira Tinta Roxa e curtimos muito! Filamos o rango da mocada e vazamos!!

Foi uma tarde linda e cansativa!
Boas companhias e ótimos momentos….
Muita poeira… Muita saudade… Tudo de um valor inestimável!

Cuidem de suas motos! Elas valem o seu sorriso!!!

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Tríade Sudestina

Sem vir aqui nas últimas semanas, mas me organizando para postar com um ritmo melhor!

Final de 2011 sem férias, trabalhei sozinho debaixo de chuva enquanto todos da empresa viajaram durante as férias coletivas. Mas a emenda foi melhor que o soneto: já é final de janeiro, as estradas estão um pouco mais vazias, a chuvarada já passou, e irei tirar a última semana do mês para fazer um roteiro que há muito desejo. Roteiro destes que a gente guarda na manga para uma semaninha de folga que aparece de sopetão. Dona Onça está revisadinha, sedenta por uns bons 1.600km.

O roteiro em questão foi denominado pelo mestre como A TRÍADE SUDESTINA

BH - SP - RJ - BH

Fernão Dias, Rio-Santos, BR 040

BH – SP – RJ – BH

Quase full-Sudeste: das capitais sudestinas, apenas Vitória ficará de fora. Gostaria de esticar até lá e beber boas doses com camarada Fantini, mas a quase-uma-semana é mais curta do que eu gostaria que fosse. 

Quase uma semana para visitar amigos: – Verônica, Hellton e Gigi, Melão e Mosca em SP; Renata, minha irmã mineiroca no Rio. Intensivo de aniquilação de saudade.

OS CAMINHOS

A Fernão Dias, parceirona de uma tocada só, me fará chegar em SP antes das 14h da próxima terça, dia 24/01. Minha atração por esta rodovia é enorme, mas nela restrinjo meu olhar ao asfalto, ao retrovisor, aos caminhões e sinalizações. Feita para chegar. Só podia mesmo ir para São Paulo.

Rio-Santos: a promessa de paisagens paradisíacas, a maresia em quase todo o percurso, o perigo das curvas e a possibilidade de pernoitar em uma cidade a beira-mar me fizeram desistir da Dutra (irmã bastarda da Fernão Dias) e seguir por Caradhras.

BR 040: Volta monótona, chata, muitos buracos de Juiz de Fora até BH. Com exceção da Serra e dos primeiros 70km após o Rio de Janeiro, a única coisa bacana da viagem de volta será um pão com filé completo no Roselanches.

Tentarei postar durante a viagem.

Abraços do Broto.

It´s a nice day for a ride!

24/12/11 go ride on christmas time

Havia bastante tempo que não pegava uma estrada, desde agosto deste ano na ida a Penedo no RJ. Sim estive em Bhz MG logo em seguida, mas nem conta porque uma pane me fez deixar dona stefânia lá praticamente 1 mês inteiro para só buscá-la no final de setembro.
Em seguida uma revisão mal feita em uma concessionária de Vitória ES, deixou um quase crônico vazamento de óleo na tampa do filtro de óleo, o que me tirou a paciência nos meses seguintes até conseguir resolver na base da justiça com as próprias mãos. Saudade do tratamento digamos vip da concessionária de Mariana MG. Assim não vamos queimar a Yamaha, mas saibam que não vale a pena revisar a moto na concessionária de Vitória ES.
Mas também outros compromissos diminuiram minha cota de fins de semanas livres, tanto para fazer justiça com as próprias maõs, quanto para dar voltas mais longas, afinal fazer pose em todos os botecos da cidade, pagando de cara mau da motocicleta, foi o que não faltou. Tem gente que acha graça. Eu a cada dia me achava mais cômico e me perguntava aonde foram parar aqueles tempos de vento no peito e cheiro de asfalto?
E assim foi até conseguir uma janela com uma volta até Araxá MG para passar o Natal na casa de parentes. Casou perfeito, até na empresa houve folga na segunda (eta empresa danada de boa). Assim teria um dia para ir, um para curtir e um para voltar. Mas do que o necessário, afinal ficaria feliz com somente o dois dias de estrada.
Acordei no sábado cedo, véspera, imaginando que dali a pouco o povo do Clã estaria no tradicional Pré-Natal no Central, nossa confraternização de fim de ano no Mercado Central em Bhz MG, regada a muito fígado acebolado com jiló. Não dava para participar. 900km me separavam do meu destino.
A viagem começou bem, o clima estava ameno, bom ameno para Vitória ES, mas logo estaria subindo a BR262 na região serrana de ES, passando pela linda visão da Pedra Azul. É muito bonito, mas assim que comecei a contornar as sinuosas curvas morro acima um fria neblina tampou toda a paisagem. A couraça segurou a onda, mas lembrei da trupe Nuanda, Hermano e Broto congelando na estrada a caminho de Blumenau SC. Primeira parada em Ibatiba ES e a frente o tempo estava aberto, céu azul.
E que calor dos infernos! Não fosse já estar acostumado com essas surpresas agradáveis do clima numa viagem de moto, talvez tivesse desistido. E o tempo bom e calor me acompanharam até Abre Campo MG na segunda parada e continuaram até Mariana MG já na terceira parada. Mas Fantini, se estava subindo a BR262, como diabos foi parar em Mariana MG e não na BR381 em João Monlevade? Bom eu prefiro quebrar em Rio Casca MG e pegar a estrada por Ponte Nova MG. Além da paisagem bem mais agradável, o pouco trânsito faz a viagem render mais, apesar de ser um trecho mais comprido do que seguir direto até Bhz MG.
E por falar em calor, passei o último quebra mola de Cachoeiro do Campo MG e dá-lhe chuva. Como ainda era início de viagem resolvi arriscar continuar sem capa que secaria em seguida. Me palpite foi tão certo que 2km depois passou a chuva. Era uma tempestade local. E de novo o calor infernal, fiquei seco em questão de minutos. Mas como não pode faltar nada numa viagem de moto, logo após a barreira policial de Itabirito MG, o asfalto estava molhado por outra chuva passageira. A parte divertida é que nesse trecho até a BR040 é região de mineradoras, então imagine a chuva de lama que tomei de todos os carros e caminhões a frente. Realmente não é possível passar por isso pagando de cara mau nos botecos, mas para mim é o que há de melhor, reconhecer que o mundo não gira em volta do nosso umbigo e que devemos enfrentar o que nos vem a frente.
Na BR040 já na região de Nova Lima MG, foi possível dar uma boa esticada descendo a região do Vale da Mutuca. Na verdade aqui ainda é continuação da MG356 que vem desde Ouro Preto MG. Peguei a alça do anel rodoviário em direção a Contagem MG. Daí a pouco já estava em Betim MG. Antigamente eu seguia a BR381 e entrava lá na MG431 em direção a Itaúna MG, passava em Divinópolis MG pela MG050, para só depois baixar na BR262 de novo em Bom Despacho MG.
Mas queria conhecer a BR262 duplicada neste trecho. E assim sai direto depois de Betim MG para o (re)início da BR262 em direção ao Triângulo Mineiro, bem mais da metade da viagem para trás. E que trecho bom, asfalto novo, pista dupla. Torci o cano mesmo até Nova Serrana MG onde houve a quarta parada. O tempo continuava quente, mas havia sinais de chuva. Realmente esse tempo de mormaço não engana. Continuei. A pista dupla cessou, mas daqui para frente o trecho é praticamente todo reto, então nem precisa de pista dupla, quaquer caminhão que se pega no caminho, não demora muito para se ultrapassar.
Fiquei nesse transe, quando o viajar é mais que a viagem e passamos a perceber o entorno de outra forma, o quanto somos pequenos, o quanto nos entregamos as mesquinharias do dia a dia, enquanto ali estava a natureza mostrando toda a sua exuberância, indiferente à minha presença. A subida da Serra da Canastra então? Quando se via uma mar de morros sem fim abaixo, paisagem quebrada somente pela presença de um forte tempestade a frente, hora a estrada apontava para ela, hora desviava, como num jogo de bem-me-quer-mal-me-quer.
Estava tão extasiado que não percebi a km e dona stefânia começou a falhar. Ótimo, vira a chave da reserva. Só que já estava virada. Junior total! Daqui a pouco lá estava eu empurrando dona stefânia no acostamento (tinha visto um posto a pouco) e fui feliz da vida, ainda anestesiado com todo o conjunto da obra e ainda rindo da própria presepada. Pouco antes de uma subida, me aparece uma van daquelas equipes de wheeling (acrobacias de motos). O camarada parou e depois que expliquei meu drama, resolveu tomar uma providência e me ofereceu 2 litros da mais pura. Mais pura gasolina. Agradeci, foi o bastante para alcançar o posto na minha sexta parada, já que a pane seca foi a quinta.
Logo em seguida cheguei em Araxá MG, afinal faltavam somente 50km! Isso mesmo. No total 12h de viagem desde Vitória ES. Passei a noite de sábado e o domingo em excelente companhia, muita diversão e momentos de agradecimento.
Na segunda ainda de madrugada acordei todos da casa com os berros de dona stefânia (ainda tenho que dar um jeito de abafar esse JJ) e voltei para nosso terreiro natural. Estava aquele frio gostoso de antes de amanhecer e o clima indicava que viria chuva. Dito e feito, pouco depois do ponto onde houve a pane seca, lá estava eu parado tentando enfiar a capa de chuva, treco sem jeito. Foram uns bons 150km debaixo de chuva. A vantagem é que esse trecho é muita reta e mesmo a descida da Serra da Canastra é tranquila. Claro que os pneus Bridgestone se mostraram bem mais aderentes que os Pirelli originais, se quiser seguir um conselho, evite os Pirelli, sua aderência é péssima e já me deixaram em bons apuros no mesmo trecho.
Logo em seguida o sol de rachar e haja água de coco em cada parada de volta. Entre Mariana MG e Abre Campo MG foi muito tenso, pois já esta o pico do sol de meio dia. Mas como já passei muito mais raiva vendo a cerveja esquentar debaixo do telhado de amianto dos botecos de Parauapebas PA, mantive-me firme em meu intento. Lógico que em Abre Campo MG foram 3 garrafas de água para compensar, o que somado com os solavancos devido ao péssimo asfalto da BR262 descendo até a divisa do ES, me fizeram parar duas vezes para mijar na beira da estrada em seguida.
Realmente podem esticar o Rally dos Sertões para este trecho que nenhum trilheiro pode dizer que fica devendo a alguma estrada de terra rincão afora. Está realmente sofrível e deixa a pilotagem bastante tensa.
Dessa vez passei Ibatiba ES direto e fui parar em Venda Nova do Imigrante ES e faltavam apenas 120km até Vitória ES. Foram 2 estados, 7 rodovias, 30 cidades, 5 climas diferentes, 1 pane seca, 12 horas para ir, 12 horas para voltar, pouco mais de 1.800km. O corpo já estava reclamando a pouco mais de 150km atrás, mas o espírito iria adiante, com certeza!

Pensamentos de Como Encarar as Chuvas

Já fiz e ouvi varias vezes essa pergunta: Como Devo Encarar as Chuvas na Estrada!?
A resposta, agora, é simples: Com receio e aquecido!

Cheguei a essa conclusão ao final do dia 13/10/2011 quando rumávamos, e chegamos, a Blumenau-SC. Estávamos preparados para chuva leve, mas nao esperávamos rodar aproximadamente 500km sob tempestade. Foi tenso e frio!!!

As calcas e jaquetas, vendidas como impermeáveis, são preparadas para chuvas leves e curtos trechos. Fomos pegos pelo excesso de confiança nos equipamentos e acabamos ensopados. Rodamos algo entorno de 8h chovendo. Consegui manter o peito protegido, mas os braços quase congelaram. As mãos estavam protegidas por luvas de couro e, por baixo, por luvas de procedimento cirúrgico. Em uma cidadezinha qualquer, compramos moletom e roupas de chuva. Bem, na verdade apenas o Thiago comprou roupas de chuva enquanto eu e Hermann compramos Moletons para ajudar a aquecer, já que havia apenas uma capa disponível.

Diante de tudo que rolou pensei em compartilhar umas dicas, coisas básicas que podem ajudar!

Evite as chuvas se possível, é uma adversidade das mais incomodas e inseguras. O risco de acidente é eminente devido a pouca visibilidade (tanto sua, quanto dos demais veículos) e incomodo da umidade e frio.

Tenha a viseira do capacete limpa e desembaçada, mesmo que seja necessário abrir uma frestinha do capacete! Aconselho os produtos de limpeza que são facilmente encontrados hoje em dia. Quando a luz do dia brigar com as gotas da viseira utilize a viseira escura opcional ou um óculos escuro, quebrando os reflexos que podem incomodar.

Carregue consigo e de fácil acesso, um moleton reserva um conjunto de roupas de chuva com bolso externo para moedas do pedágio (estilo usado diariamente por motoboys). Acredite: é a melhor solução e de ótimo custo/benefício.

Proteja as mãos com luvas de borracha de procedimento cirúrgico. Elas mantém suas mãos secas e aquecidas! Vale a pena levar um par para cada parada, já que elas ficam nojentas!

Use roupas adequadas para o trecho em questão, dê preferencia para um velho e confortável jeans quando possível, em tempo seco! Abuse de calcas de cordura em tempos úmidos e chuvas leves! Vc se ajuda na limpeza e se aquece!

Nos dias e trechos mais frios ( serras, matas, etc ) use segunda-pele ou se prepare para um frio que vc nao pegou ainda. Tenha para você o conceito de conforto particular, em termos de temperatura. O grupo pode estar bem, mas você estar caminhando para uma hipotermia sem perceber.

Procure utilizar um coturno ou botas impermeaveis e caso nao seja possível, proteja seus pés com sacolas e jornal. Lembre-se que a água tb pode entrar pela parte superior da Bota.

Use jaquetas do seu tamanho, nao maiores ou menores. Couro ou cordura, mas sempre confortável. Compre sempre pensando que vc pode querer ou precisar usar uma blusa mais quente por baixo.

Dê preferencia para as vestes que já tem costume, evitando novidades que podem ser desagradáveis. Longos trechos montados em sua motocicleta sentindo algum incomodo, sendo perturbado por algo apertando, fincando, te esfriando, suando e etc, pode ser muito perigoso por alterar sua paciência, humor e atenção.

Cuide-se o máximo possível! Nao tenha medo de encarar a chuva!!

Vigie os outros carros o tempo todo! Evite as poças de agua e manchas de oleo! Evite sustos com os caminhões e as nevoas que levantam ao passar!!!

Em grupo mantenham-se unidos numa formação mais densa, pode nao parecer, mas é muito mais seguro. Mantenham a velocidade constante, evitando acelerações e frenagens bruscas! E tenha sempre certeza do que está fazendo!!!

No mais… Boa estrada!!!

Viajar em grupo é um pouco mais que colocar motos no asfalto!!!

Antes de iniciar a jornada de BH-Blumenau pesquisei muito na internet, em grupos e foruns de motociclismo, sobre dicas de condução, sinais, segredos e artimanhas para se viajar em grupo. Li na integra poucos dos artigos encontrados, talvez pela falta de tempo ou excesso de auto-confiança. Meu intuito era tentar corrigir algumas das falhas ocorridas na viagem à Vitoria (ES) meses atras, nada serio, mas que nos deixa receoso.

Partimos muito cedo e pouco combinamos sobre sinais e avisos, tudo nasceu naturalmente durante a estrada e em pouco tempo já estávamos em sintonia. Sinais de parada, ultrapassagem, redução de velocidade, pedido de atenção … Foram nascendo ali, a cada parada para reabastecimento e do entendimento das necessidades.

Percebi que mais importante que sinais, é sua atenção ao transito. Devemos nos ater aos retrovisores, perceber os acontecimentos a sua volta e respeitar as limitações do grupo.

Em resumo devemos nos comportar sequencialmente, repassando os sinais e agindo logo em seguida.

Ao ultrapassar devemos ter cautela e respeitar os espaços existentes, na rodovia e entre os veículos e caminhões! Não devemos arriscar, a viagem de moto por si só já é um trabalho de administração constante de riscos!

Em resumo, quem vai a frente do grupo, conduz o comboio, assim como a segurança de todos, dita o ritmo e os melhores momentos de se investir numa ultrapassagem, normalmente é quem define os melhores pontos e momentos de parada conhece a autonomia das demais motos.

Quem fecha a fila garante segurança na ultrapassagem por terceiros e protege o grupo contra os mais engraçadinhos, também auxiliando no ritmo.

Os demais devem manter o equilíbrio das funções, recebendo e repassando sinais e seguindo o ritmo com cautela, nao extrapolando limites e sempre ligados aos demais integrantes.

Com poucos quilômetros tudo isso torna-se automático, nasce então a sintonia que garante toda a tranqüilidade para que possamos viver o momento transcendental da viagem em grupo de motocicleta!

Simples… Em sintonia… Equilibrados… E 1500km não serão nada de mais!!

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