Prudens quid pluma niger secundum

21/12/12 christmas ride

Acho que vou considerar tornar a voltinha de natal algo tradicional. Ano passado estive em Araxá e este ano voltei para Bhz. Se daquela vez enfrentamos eu e saudosa dona stefânia uns bons 700 e poucos km com frio e chuva em cada trecho, dessa vez a nova companheira, srta hellen dawson, teve que enfrentar um escaldante início de verão.
Ao contrário de suas demais conterrâneas, acostumadas com frio e neve nessa época do ano em paragens mais ao norte do mundo, srta hellen dawson foi obrigada a sobreviver a uma viagem iniciada às 12:30. Não, não recomendo a ninguém, ainda mais se considerar que de Vitória a Bhz são pouco mais de 550km, o que deu para vencer em umas 7 horas e pouco. Eu sei que tem muita gente que gasta bem mais tempo e nem é questão de correr, é só questão de aproveitar a estrada.

Granjas reunidas em Bhz

Granjas reunidas em Bhz

Como era um horário bem atípico, sendo a tarde de uma sexta e véspera de natal, a estrada estava bem vazia. O que foi muito útil considerando que para nós dois aquilo era novidade. De um lado eu pela primeira vez a domar aquele exagero de motor em um trecho mais comprido, do outro a moto que acredito não ter ainda conhecido esse trajeto.
A primeira impressão é que realmente o sistema de suspensão “softail” cumpre com o que promete. Aliado a frente gorda, temos uma estabilidade incrível. Como estava muito acostumado com dona stefânia com sua menor altura, suspensão não tão confortável e o garfo dianteiro que não apresentava a mesma rigidez, fiquei realmente muito surpreso com a facilidade de contornar as curvas, algo que sempre preocupa em qualquer moto custom. Ainda mais deste tamanho.
Além disso o motor com fôlego. Fôlego? Melhor é dizer dois pulmões de folga. Foram pontos muito específicos em que tive que fazer uso da 4a marcha. Basicamente fiquei na 6a marcha, reduzindo para 5a quando um regime de rotação um pouco mais alto foi necessário para uma ou outra ultrapassagem. E isso subindo morro inclusive.
E naturalmente devem estar imaginando, o maluco subiu a serra, partindo meio dia, nessa lua, em cima de uma “big twin”, já era, fritou os bagos. Bom, neste caso, um providencial sistema de refrigeração de óleo, instalado pelo antigo proprietário foi de grande valia. Mas vale lembrar que a estrada aberta é o território dessas motos e portanto, o próprio vento se encarregara do recado. Ainda assim foi de grande valia atrás deste ou daquele caminhão onde fomos obrigados a reduzir o ritmo até conseguir ponto para ultrapassar.
Bom, todos estes pontos positivos, mas lógico que tem que ter algum revés, afinal nem tudo na vida são flores. E eu no alto dos meus 1,67m comecei a sentir a dolorosa adaptação a uma moto cuja ergonomia foi pensada para camaradas maiores. Com o banco original e uma grelha para levar a parca bagagem no lugar do banco de garupa, não conseguia achar um bom apoio lombar, o que me obrigou a segurar o corpo com os braços e pés.
Para os braços foi terrível, pois a fatboy vem com aquele maldito guidon cruiser. Que cai alho é aquele? Quem disse que aquela coisa é confortável? O pulso dobrado a viagem toda e ainda fazendo força para segurar o corpo contra o vento. O guidon já era, tinha dado alguma confiança, mas sem chance, terá que ser substituído. O guidon da heritage é o que tem mais me agradado em termos de visual e conforto, vou ter que arrumar um similar.
Para as pernas, bem, apesar do “desconforto” que sentia com as pedaleiras da antiga moto, não achei posição com as plataformas da atual. Isso eu ainda não pensei como resolver, ainda estou pensando numa solução a respeito. Mas acredito que um daqueles bancos que te mantêm mais a frente possam ajudar bastante, coisa que vou ter que olhar.
E nessas horas valeria a pena estar debaixo da neve só para ter uma revenda que realmente prestasse para verificar as peças antes de comprar algo no escuro e esperar pacientemente pela entrega.
Mas de modo geral e comprovado na viagem de volta, já na terça, apesar das várias dores que apareceram pelo corpo todo rsrs, não tem discussão sobre a ciclística e força do motor. E como acaba se trabalhando numa rotação relativamente baixa, o consumo também ficou muito bom comparado com a velocidade média e alguns tiros que dei aproveitando os trechos de reta e estrada vazia.
Só continuo com minha opinião que não justifica o valor que se cobra numa moto nova, mesmo com a opção de utilizar óleo lubrificante para motor diesel em seu motor.
Ah! E sim, se você também mora no litoral, sugiro adquirir o radiador de óleo (que se danem os puristas!), pois realmente terminar uma viagem de pouco mais de 550km com uma panela de óleo fritando debaixo do banco num calor de 40oC não é coisa que desejo para meu pior inimigo.

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Uma resposta

  1. Roberto Gomes de Araujo

    Muito boa suas considerações sobre a nova motoca meu caro Fantini. Vai ajudar em muito aos futuros aspirantes a Harleyros a pensarem a respeito destes pequenos reveses.

    4 de janeiro de 2013 às 18:07

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