Prudens quid pluma niger secundum

03/02/13 a rota do lagarto e um pouco mais

Foi final de janeiro agora que a Brojeta, vulgo Juliana, prima do Brojo, aproveitou que pegaria um ponte aérea em VIX para retornar para Bhz depois de longos dias de parmegiana nas praias de Iriri e me chamou para um encontro à mineira, ou seja, num buteco.
– Fantini, esse doutorado ainda me mata, preciso achar alguma coisa que fale sobre as interações das pessoas no dia a dia das calçadas gerando conhecimento e, velho, porque estou perguntando isso a um engenheiro?
Pensei em dizer “já consultou o Mestre Grilo?”, mas estava inspirado:
– Já leu “Emergência – A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares” de Steven Johnson? Tem um capítulo inteiro falando sobre isso aí.
Agradeceu, mas não pagou a conta do buteco. Mulheres.
Mais de semana depois, o Fernandinho da Ayso estava reclamando sobre o mal tempo e que estava foda de passear de moto. Mandei ele tirar a bunda mole do sofá e simplesmente pegar a moto e sair por aí. E a partir dessa rápida conversa e sem muita intenção, meio que surgiu a idéia de um pulo até a Rota do Lagarto em Pedra Azul.
– Você topa, Fantini?
– Uai, porque não? Marca aí.
De repente já tinha uns 15 caboclos confirmados e assim como Johnson comenta no livro, de uma interação simples começa a surgir uma ordenação complexa, sem que houvesse alguma liderança ali direcionando o caminho. E aí o que era uma volta até a Rota do Lagarto passou a ser um passeio completo com direito a Festa da Uva em São Bento de Urânia, almoço em Venda Nova do Imigrante e retorno através de Santa Tereza. Cai alho! Nada mal hein, Fernandinho?

O tempo estava ruim

O tempo estava ruim

Cheguei uns 15 minutos mais cedo no ponto de encontro em Camburi porque precisava abastecer a srta. Hellen Dawson, havia uns 4 caboclos que nunca vi mais gordos. E nem se podia dizer que era por causa do mal tempo de domingo. O que estava travando o povo em casa era mesmo o Sambão do Povo na noite anterior, até o Chico parecia japonês com os olhinhos fechados. E aí olho de novo (tudo bem que com 1 hora de atraso) e já estávamos sendo incomodados pelos frentistas porque praticamente fechamos o posto.
Aquilo me deu um frio na barriga lembrando do episódio em Ribeirão Preto SP, quando num ultra mega blaster super bonde de mais de 150 motos (eu no fundo como sempre), começa a chover e metade dos barrigas verdes me param no meio da rodovia para botar capa de chuva. Até hoje a cena de travar os freios da antiga companheira dona stefânia vendo no retrovisor o carro parar a um centímetro de nós me dá calafrios. Ainda bem que choveu canivete e já lavou a calça na mesma hora.

Querendo criar ordem na bagaça

Querendo criar ordem na bagaça

Apesar de confiar na ordem surgindo a partir da base, seguindo o mesmo Johnson, resolvi acrescentar mais umas pequenas regras na condução do grupo, basicamente o que interessa: onde seriam as próximas paradas e distribuição das motos para permitir quem quizesse esticar e quem quizesse andar mais tranquilo convivece em paz. Porque tinha de tudo ali, de CBR 1000 a Biz.
– Fantini, a Biz é da menina do caixa do posto.
– Uai, foi mal então. Essa jabiraca está aí no meio, também!
E assim nós fomos subindo a BR262. Segui atrás em praticamente toda a primeira perna do trajeto, fazendo questão de acompanhar os menos apressados para que não ficassem muito para trás. Primeira parada Posto do Café na entrada para Araguaia. Faltou café.

Faltou café

Faltou café

Passamos rapidamente em São Bento de Urânia para aproveitar um pouco da Festa da Uva. Tirando o fato de dois “guardinhas de trânsito” lá me importunarem enquanto parava a moto na sombra, valeu a visita pelo trecho de estradinha vicinal com curvas bem fechadas. Ainda mais agora que estou praticando as dicas da “Cornering Bible“. Sim, custom também faz curva se você aprender como.

Entrada para Rota do Lagarto

Entrada para Rota do Lagarto

Em seguida mais um trecho da BR262 até a entrada da Rota do Lagarto em Pedra Azul. Posso afirmar que chega a ser tão linda quanto o singelo trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco em Minas. Mas os 30km da estrada real tem algo que aqui em Pedra Azul não tem, tem Minas. E aí já viu, mineiro é patriota até sob tortura. Mas recomendo demais a estradinha da Rota do Lagarto, inclusive vou lá novamente com calma para tirar algumas fotos. Para quem como eu acha que moto foi feita para rodar em qualquer canto, a saída até a BR262 está sendo recapeada e então está só no cascalho. Fino!

Venda Nova do Imigrante

Venda Nova do Imigrante

Voltamos em seguida para a BR262 para alcançar Venda Nova do Imigrante e parar para o almoço. Nesse ponto, parte do comboio debandou, alguns voltando direto para Vitória, outros almoçando em outro ponto. Mas grande parte ficou e fomos então em direção a Santa Tereza. Este trecho de estrada vicinal estava fantástico. Curvas na dose certa com raios variando entre médios e fechados. Não suportei, deixei o espírito tiozão para trás junto com a poeira na cara dos pobres colegas de bonde e fui avançando com srta. Hellen Dawson até a cabeça do comboio. Andei um bom trecho forçando o contra esterço e o controle de aceleração até onde as plataformas permitiam. Diversão garantida. Mas aí percebi que estava abusando andando junto com os mais empolgados e voltei para o segundo grupo onde estavam as trails. O Well do Vitória MC ficou pasmado com o fato de eu conseguir gastar toda a circunferência do largo pneu traseiro. Sim, o pneu largo deixa a dirigibilidade em segundo plano em nome da estética. Com um pouco de paciência e muita prática, dá para se conviver com os dois. Mas, caros companheiros de leitura, não tentem isso em casa, é perigoso para cai alho!

O Well ficou com as pernas bambas

O Well ficou com as pernas bambas

Paramos em Santa Maria de Jetibá porque parte do povo havia ficado muito para trás (viu porque não pode se sair correndo por aí se achando o rei da cocada preta?). Depois viemos a saber que a moto de alguém tinha soltado a corrente. Resolvemos esperar um pouco apesar de que havia chegado a notícia para seguirmos viagem.

Santa Maria de Jetibá

Santa Maria de Jetibá

Nisso um camarada nativo se aproxima e faz a pergunta óbvia que já deixa a gente tenso porque lá vem enxurrada de perguntas esdrúxulas:

– É quantas cilindradas?
– Corre muito não é? Alcança qual velocidade?
– É correia ao invés de corrente, que coisa estranha!
– Tenho um terreno de 250m2 para vender. 65mil. Interessa?

boy that escalated quickly

boy that escalated quickly

– O que?! Cai alho! Boy, that escalated quickly.

Nisso resolvi assaltar o posto onde estávamos, de repente consigo dar uma entrada no terreno que o cara ofereceu.

tentando me tornar 1%

tentando me tornar 1%

Como o povo cuja moto parou não vinha de jeito nenhum e a tentativa de assalto foi frustada porque de 1% não tenho nem o patchzinho, resolvemos pegar estrada e retornar para Vitória. Acabou que passamos direto por Santa Tereza. Direto por assim dizer, porque vai ter que fazer zigue zague assim lá na casa do capeta! O caras querem mesmo que a gente conheça a cidade.
Chegando em Vitória cada um indo para seu bairro, exceto o colega do Vitória MC, Courrier salvo engano, que teve que voltar à barreira policial para pegar o documento da moto porque foi fichado em função do farol de xenon da naked dele. E srta. Hellen Dawson nos sacolejos lá da saída da Rota do Lagarto tinha queimado novamente a porcaria da lanterna traseira (vou ter que botar um led) passou batido. Ninguém pára moto custom. Foi mal aí.

Amigos e iniciativa, não precisa mais nada

Amigos e iniciativa, não precisa mais nada

E assim aquilo que era só para ser uma voltinha com os amigos acabou se transformando num grande passeio e certeza de outros mais a seguir. Steven Johnson tinha razão.

5 Respostas

  1. Fernando Carletti

    Muito bom parabéns !!!!
    Faremos outros !

    4 de fevereiro de 2013 às 22:20

  2. Só um protesto! Fui vetado no meu caldo de cana caiana 750ml em Santa Maria, vamos ter que voltar lá pra beber! Até o Próximo! Um Abraço!

    5 de fevereiro de 2013 às 09:54

    • Foi para o seu próprio bem.
      Você já está com muita retenção de líquido.
      Rsrsrsrsrsrs!!!
      Abraço!

      5 de fevereiro de 2013 às 10:40

  3. Pingback: 04/05/13 festa pomerana em santa maria de jetibá | Clã do Gallo Preto

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