Prudens quid pluma niger secundum

22/06/13 o caboclo chegou aos cinquenta, vamos ver se alcançamos ele

Sábado por volta de 10:00 da manhã. Encontro o Maia em uma cidadela minúscula do Rio de Janeiro, Casimiro de Abreu, eu acho. Um posto qualquer para trocar um idéia enquanto tomamos um café. Afinal, se tem gente que vai na padaria ali da esquina, nós também podemos!
Ele já vinha de ontem, rodado a noite (vai gostar) e eu tinha saído de Vitória ES no início do dia. Estávamos lá discutindo sobre as últimas peripécias e acabo me lembrando que fim de semana passado acabara de chegar de um passeio de 15 dias e já estava novamente na estrada para dar um pulo ali em São José dos Campos SP. Cansativo? Talvez, mas era por um nobre motivo.
Daí a pouco já estávamos comendo asfalto novamente atravessando a BR101 para alcançar a cidade maravilhosa através da Ponte Rio Niterói. Era seguir um pedaço da Avenida Brasil e alcançar a Rodovia Presidente Dutra. Rodar já é bom por si só, indiferente da estrada ou destino (quando se tem algum) e acaba ficando ainda mais divertido na companhia de amigos.
Principalmente subindo a Serra das Araras quando a moto de um distinto aí sai arrastando plataforma em 11 de cada 10 curvas que haviam. Sério, teve uma hora que olhei para trás e não acreditava na quantidade de fagulha de aço sendo lixado que uma moto pode gerar. Segundo ele estava fazendo de propósito.
Mas também sorriu de uma orelha a outra quando comentei que pegaríamos a Rodovia Carvalho Pinto pouco antes de chegar ao destino. Desde que entramos na Dutra estava reclamando por não saber onde estão os radares e que o motor estava esquentando e que precisa esticar, mas estava com medo de levar multa. Esses caboclos de “speed” são foda.
Como a Carvalho Pinto não tem muito trânsito e já sabia a localização dos pardais, somente liguei o pisca alerta. Pronto, foi o suficiente para o “até então pacato professor universitário” despejar potência na roda e poder se aproximar da experiência de pilotar um Supermarine Spitfire dividindo o céu de guerra com um Messerschmitt BF109. Treme tudo, o olho lagrimeja, a garganta seca, o asfalto ganha outra dimensão.
Por volta de 16:00 e alguma coisa alcançamos o portão da casa do velho rabugento. Sim, rodamos esses quase 1.000km só para dar um abraço no caboclo que neste exato momento completou 50 anos sobre duas rodas. Não precisa dizer mais nada a não ser: “vamos ver se alcançamos ele”.

– Não falei, Maia, 16:00 a gente chegava aqui? Devia ter apostado hein?
– Olha a desfaçatez da criatura! São 16:40, não 16:00! Apostar o que?
– Bom, a gente perdeu muito tempo na Serra das Araras, melhor treinar as curvas.

Bom, o velho rabugento já tinha ido para o boteco lá onde estava comemorando junto com o outros caboclos que conheço de outros carnavais. Mas também foi bacana finalmente ver o focinho feio de outros que até então só havia trocado mensagens pelos fóruns da vida. Uma pena que como alguns eram de São Paulo e haviam chegado mais cedo, já estavam de partida.

E assim ficamos lá curtindo os amigos e o frio. Ok, o problema foi que os dois manés aqui passaram no hotel e voltaram sem jaqueta. Quando chegou por volta de sei lá qual hora da madrugada, velho, foi tenso.
Ok, Fantini, mas quem é esse tal de velho rabugento aí? Ah! Deixa ele mesmo se apresentar.

50 anos de motociclismo do Ghan

Se você não ficou com vontade de fazer o mesmo e algum dia alcançar a mesma quantidade de tempo sobre duas rodas, bom, vende sua moto e vai procurar outro passatempo, tipo tricô.
No domingo de manhã ainda pegamos uma rebarba do café na oficina do João da Triumph, lá na Motos do Porão. Sem mencionar a pessoa fantástica que o caboclo é, o lugar é um Museu do Louvre para quem quer saber o que é moto. E naturalmente recepção digna de rei. Bão dimais!
Partimos para Sampa em seguida, ia deixar o Maia pernoitar na casa do Casal Tavares enquanto tive que atender uma intimação judicial.
Na segunda estava de volta a Vitória ES e tinha ao menos uma certeza: 50 anos, agora nós temos uma meta.

2 Respostas

  1. É moto…… assim o cara (fantini) aparece aqui no goiás e 2 semanas depois a gente encontra esse mineirim no 50 anos do amigo GHAN , não tem preço essa satisfação de encontrar e reencontrar os amigos. By Alessandro

    12 de outubro de 2013 às 17:23

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