Prudens quid pluma niger secundum

Próximo do céu escarlate: 13/09/19 Syavrubesi a Kyirong

O dia amanheceu nublado e tinha a leve esperança de que ficasse assim e sem chuva. Ledo engano, enquanto tomávamos café aguardando o horário em que a fronteira abre, 08:00 no Nepal e 10:00 no Tibet. Opa, espera aí Fantini, que magia negra é essa?!?!? Fiquem tranquilos, é o mesmo horário, somente fusos diferentes, ok, considerando que vamos simplesmente atravessar uma fronteira terrestre, a única justificativa é que o Tibet segue o horário comercial de Beijing. Melhor nem questionar.

Naturalmente que as roupas continuavam ensopadas e para evitar ensopar outro par de roupas, resolvi colocar as mesmas. O único porém seria a calça jeans. Peguei uma calça de segunda pele para segurar a onda e o catalão vendo a situação, me emprestou uma calça semi impermeável para servir de segunda barreira. O jeans molhado foi por cima. No próximo hotel, se continuar com chuva na estrada, realmente precisamos arrumar uma fogueira para secar as roupas.

A botina também ensopada foi resolvido com o providencial truque de colocar um saco plástico em cima da meia, também dica bem lembrada pelo catalão. Que sujeito bacana ele!

Já ajustado o relógio para o horário do Tibet, por volta de 10:30 fomos para o acesso da fronteira. É interessante ver a nova e imponente ponte de concreto onde antes havia uma pequena ponte de pedra levada pelo tempo ou pelo próprio rio. Por recomendação do guia, não tiramos fotos.

Passadas duas horas de espera, recebemos a boa notícia. O escritório chinês fecharia para almoço. Então descemos a pé até uma pequena bodega, basicamente uma espécie de carrinho de pipoca encostado em um grande pedra com um monte de chapas de zinco fazendo cobertura. De qualquer maneira a tia dona do esquema foi muito simpática e enquanto a turma tomou um café com leite, fiquei no chá preto original do Nepal.

Finalmente o escritório abriu e após as devidas formalidades fomos liberados por volta de 15:30. Um ponto de atenção é que um dos colegas levava um daqueles livros guia sobre Nepal, Tibet e região e o livro foi confiscado, portanto se tiver um, decore o conteúdo e deixe em casa antes de resolver atravessar a fronteira.

A bagagem foi transferida para um pequeno caminhão de apoio e fomos apresentados para o novo guia deste lado. Seguiríamos por mais 24km morro acima (aproximadamente 2.700m) com o único porém de ter que seguir o caminhão em função de dois checkpoints no caminho. Uma pena, estrada linda, vários pontos para fotos e tivemos que nos contentar com algumas na parada do checkpoint.

Agora é interessante como infraestutura é algo que a China considera vital. Quando estive em Shanghai e região já achei algo fora do comum. Aqui, bastou atravessar para o Tibet, a lama, enxurrada e pedras soltas dão lugar a um asfalto completamente perfeito.

Em pontos onde houve deslizamentos, eles simplesmente criaram um túnel de concreto para absorver os impactos onde não foi possível fazer ancoramento. Onde era o ancoramento, dava para construir um prédio inteiro com o concreto que usaram.

E então chegamos na cidade de Kyirong. Novamente o foco em infraestrutura: uma cidade bem de interior mesmo, aparentemente pequena e com todas as ruas asfaltadas e saneamento básico. Fora um sinal em cada esquina, isso mesmo, em cada esquina. Acredito que vamos pegar só estrada boa daqui por diante.

Paramos para mais um chá próximo ao hotel, guardamos nossas coisas e fizemos uma hora antes de ir para o almoço / jantar (ou ajantarado para quem é das antigas). Entre os nomes mais diferentes possíveis tinha um tal chicken sizzler, que na foto parecia saboroso. A diversão foi a entrega do prato. Ele vem naquele esquema chapa quente para a mesa e a cena da garçonete trazendo aquela bomba de fumaça ao longo do salão foi um show à parte.

Após alguns comentários do guia sobre o dia seguinte, voltamos para o hotel para descansar.

Veja a peripécia de ontem aqui. Continue comigo nessa viagem aqui.

2 Respostas

  1. Pingback: Próximo do céu escarlate: 14/09/19 Kyirong a Saga | Clã do Gallo Preto

  2. Pingback: Próximo do céu escarlate: 12/09/19 Kathmandu a Syavrubesi | Clã do Gallo Preto

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