Prudens quid pluma niger secundum

Próximo do céu escarlate: 14/09/19 Kyirong a Saga

Apesar do quarto do hotel ser bem ajeitado, o colchão era meio duro. Quem sofreu mesmo foi o catalão que está dividindo o quarto, me mostrou o colchão dele e parecia uma tábua.

Como sempre deixamos uma parte da cortina aberta, uma certa hora da madrugada acordei com um luz estranha vindo da rua e custei a entender que a variação entre verde, amarelo e vermelho era o bendito do sinal lá da esquina, bem na altura da janela do quarto. Caramba, me senti no apartamento fuleiro do Moloch (veja a graphic novel Watchmen).

Na sequência foram os chineses ou tibetanos, agora já não sei mais, que aproveitaram a sexta para sábado para ficar na rua até tarde. Povo barulhento igual escape aberto de moto numa falação infinita, daí a pouco quando acordei mesmo por volta das 06:30, os cornildos continuavam lá na rua falando alto até virar do avesso. Que isso!

O banheiro era legal por ser aquele estilo que temos no Brasil de pia, privada e chuveiro tudo junto. O único porém é que a privada era daquela bacia turca no chão e a porcaria do chuveiro apontada bem em cima. A sorte foi que consegui girar o tubo e mirar o chuveiro em outro quanto para conseguir espaço para tomar banho.

Após o café da manhã, tivemos uma espécie de manhã livre em Kyirong, a super cidade do interior, uma vez que sairíamos apenas após o almoço. O guia explicou sua estratégia para podermos descansar bem, pois teríamos o primeiro contato com altitude próxima dos 5.000m.

Além disso indicou a necessidade de pegar mais permissões para garantir nossa passagem na estrada, realmente há muitos controles aqui. Para se ter uma ideia, deixamos nossos passaportes na recepção ontem e até agora não recebemos de volta, enquanto fazem registro na polícia local.

Saindo após o almoço e com a expectativa do guia de fazermos o trecho de 350km em umas 5h (acho que vou gastar mais ao parar para tirar fotos), devido ao fuso que acompanha Beijing, como percebemos ontem, escurece bem tarde e ainda chegaremos com dia claro.

A volta pela cidade se resumiu a dar uma volta nos dois quarteirões ao redor do hotel e ver as lojas de coisas normais, nenhum imã de geladeira à vista, e visitar o monastério budista local. O monastério é bem interessante e fizeram um super praça bem em frente com um super telão gigante. Bem vindo a China.

Efetivamente saímos por volta de 14:00 e distância passou para 180km e após rodar numa estrada maravilhosa, eu espero que a gente esteja em Saga.

A estrada começou no pé do vale e se na cidade em que estávamos se via montanhas verdes e um clima mais úmido, agora aos poucos vou dando lugar a um clima seco e montanhas que mais pareciam pilha de estéril (termo de mineração). Um visão inusitada, porque havia um rio correndo no pé desse vale e a estrada ia margeando o mesmo, paisagem bem interessante e diferente de tudo que já tinha visto até então.

Seguimos até um checkpoint militar que foi praticamente zero de dificuldade pelo tanto de recomendação que o guia havia feito. O legal que nesse ponto havia uma cidadela antiga com aquela arquitetura milenar, não tivemos tempo de ir lá conferir para melhores ângulos de foto.

Daqui por diante seguíramos até o ponto mais alto dessa estrada, subindo num zigue-zague divertido. A paisagem também ganhou pouco mais de verde até alcançarmos 5.230m de altitude.

O frio apertou um pouco e a preocupação com o mal de altitude foi zero, uma vez que já estava tomando o remédio fazia dois dias conforme dica do peruano.

A partir deste ponto mais alto continuamos na estrada descendo aproximadamente 10km até um altiplano, onde pegamos uma saída à esquerda em direção a Saga. Logo na sequência paramos para um lanche e café quente para recuperar do frio.

Houve uma pequena serra novamente com os zigue-zagues divertidos e novamente um altiplano. Quase chegando na cidade, houve um desvio por um trecho de cascalho e terra, nada demais. Paramos para abastecer logo que voltou o asfalto e na sequência chegamos no hotel. Sim, o guia confirmou, chegamos em Saga.

Está razoavelmente frio e andamos a pé até um restaurante chinês, onde o guia escolheu uma coletânea de pratos. Nem deu tempo de tirar uma foto, porque a medida em que os pratos chegavam, a galera atacava. Estava muito bom.

Veja a peripécia de ontem aqui. Continue comigo nessa viagem aqui.

2 Respostas

  1. Pingback: Próximo do céu escarlate: 13/09/19 Syavrubesi a Kyirong | Clã do Gallo Preto

  2. Pingback: Próximo do céu escarlate: 15/09/19 Saga a Sakya | Clã do Gallo Preto

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