Prudens quid pluma niger secundum

Próximo do céu escarlate: 18/09/19 Lhasa

Dessa vez não foi preciso acordar tão cedo, porque a van para o City tour sairia somente 09:30. A ideia de hoje segundo o guia seria visitar um monastério pela manhã e outro à tarde.

A parte ruim é que a van parece ter o mesmo problema de que um Chevrolet Vectra que tive. Uma conexão do sistema de combustível não veda direito e o vapor de gasolina entra pelo sistema de ventilação. Aí você imagina o perfume para uma pequena viagem de 45km ou 1h30m.

Vista da cidade de Lhasa

Ao menos deu tempo do guia contar um pouco da história de Lhasa e seu povo. Uma coisa interessante é que é tradição ir aos templos pela manhã limpar a mente e o coração e ir nas casas de chá à tarde para confraternizar. Portanto há muitos monastérios e ao menos umas 1.000 casas de chá.

A primeira visita foi no Drepung Monastery que fica bem localizado na encosta de uma montanha com uma ótima vista para o vale, fonte de água, acesso limitado, etc. ou seja, isso era mais uma cidade fortaleza que querem nos enganar dizendo que é um monastério.

Brincadeiras e considerações a parte, o lugar é gigante e foi, até a construção do famoso Potala Palace, a residência oficial do Dalai Lama. Ah, não seria isso então um castelo ou palácio, Fantini? Pois é, deixa na miúda. A construção tem lá seus 300 ou mais anos.

Vistas do imponente Drepung Monastery
A cozinha local era uma parte viva da história do monastério.

Boa parte das áreas internas são proibidas para fotografias e basicamente são salões e mais salões (exceto pela antiga residência oficial do Dalai Lama) adornados com centenas de estátuas e pinturas das várias manifestações de Buda. Uma parte interessante é que o budismo original nasceu na Índia e não tendo muito espaço devido à força do hinduísmo, acabou se assentando no Tibet e partes do Nepal.

Além disso, parte das crenças, budismo e hinduísmo se misturam e é possível ver similaridades em algumas das pinturas e estátuas existentes no monastério.

No caminho para o próximo monastério, entramos num túnel quilométrico muito mais bem conservado que o túnel da Lagoinha em Belo Horizonte. Fico imaginando qual a fonte de investimento, pois por onde rodamos até o momento, só vi indústria de turismo.

Almoçamos em um self-service do mal na porta do segundo monastério. Aliás comida muito boa, fora os chicken nuggets que aqui vem com um palitinho de picolé. É bem interessante, não fosse a questão de gerar mais lixo.

O próximo “monastério” chama-se Sera Monastery, tão gigante quanto o primeiro e ainda com mais cara de que foi realmente uma cidade / castelo no passado. Neste visitamos um salão onde haviam três mandalas feitas de areia colorida. Uma incrível obra no requinte de detalhes e novamente sem poder tirar foto. A melhor aproximação seria os “tapetes” feitos durante a semana santa em algumas cidades do interior de Minas.

Novamente outro monastério que mais parece uma cidade estado antiga

Na sequência de salões, uma grata surpresa, estão realizando o processo de revitalização das incríveis e detalhadas pinturas nas paredes. Neste foi possível ver a riqueza de detalhes que no primeiro monastério estavam apagados pela câmara de poeira e gordura.

Visão das ricas pinturas espalhadas ao longo das paredes dos salões internos

Depois um salão com mais representações das manifestações de Buda, agora com adornos diferentes, inclusive a inusitada presença de dois dragões segurando esferas. Seriam duas esferas de dragão perdidas por aí? Goku ficaria louco. Uma pena não poder tirar uma foto, porque indiferente de crença, essas obras eram realmente incríveis na riqueza de detalhes.

Finalmente fomos assistir ao debate entre os monges que ocorre às 15:00 e seria o ápice da visita. Interessante que os monges tibetanos já a centenas de anos tem o modelo de debate entre os mais novos e os mais velhos como processo de aprendizagem das escrituras sagradas e a gente só foi se dar conta disso a poucos anos, alterando o modelo do professor que ficam falando sozinho, enquanto os alunos escutam e anotam calados sem sequer questionar o que está sendo dito.

Esse monge estava bem empolgado e aparentemente desafiou bem os mestres.

Voltamos para o hotel e como ainda estava cedo, aproveitei para lavar as meias e cuecas, já que o hotel não lava roupas de baixo. Logo em seguida a turma resolveu dar um volta nos arredores do hotel, uma vez que estamos na parte antiga da cidade.

Pegamos uma ruela e fomos caminhando de ruela em ruela com suas lojinhas até chegar num posto de controle policial, após passar, aquela visão incrível de realmente chegar no centro antigo de Lhasa. Sensacional.

Fomos caminhado na Barkhor Street seguindo o fluxo que sempre caminha no sentido horário (aparentemente a rua é circular, até chegar na praça principal e o templo budista Jokhang considerado o mais sagrado pelos tibetanos. Não sem antes parar em algumas lojas aleatoriamente, quando cada um dos caboclos encontrava algo de seu interesse.

Fiquei preocupado por um bom tempo, por não achar nunca uma loja que vendesse imãs de geladeira. Com muita dificuldade achei uma pequena banca onde a moça tinha alguns e consegui completar a missão principal. Na sequência achei uma loja de incensos, porque já sei que um certo carioca lá em Moçambique vai me cobrar.

Continuamos caminhando até achar o restaurante que fica no topo do telhado de um dos prédios conforme dica que o catalão viu com seus contatos. Ao chegar lá, minguem animou a comer e ficamos na cerveja mesmo. Sim, aquela cervejinha fraca Lhasa Beer e ainda quente. Imagina uma das nossas cervejas de milho, quente, final de festa. É a mesma coisa. Ao menos a vista do restaurante compensa.

Voltamos para o hotel através das ruelas com algumas paradas estratégicas em mais lojinhas. Na verdade a turma decidiu ir direto para o jantar e fomos novamente no restaurante de ontem. Dessa vez vou experimentar o strogonoff de Yak.

Veja a peripécia de ontem aqui. Continue comigo nessa viagem aqui.

2 Respostas

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