Prudens quid pluma niger secundum

Próximo do céu escarlate: 21/09/19 Shigatse a Tingri

Tentamos novamente sair às 07:30, nem sei porque ainda acredito nisso, rsrsrs. Para sair da cidade, bastava pegar a rua a direita do hotel (a que tem o templo gigante) e seguir direto que eventualmente estaríamos na estrada.

Estava bem frio e o guia nos deixou ir por conta os primeiros 100km até um ponto de encontro para tomar café.

Parada estratégica para esquentar o corpo com um café

Depois mais 50km para abastecer e fazer o checkpoint. Até então seguíamos a mesma estrada que usamos para chegar em Shigatse a partir de Saga, neste ponto pegamos uma saída à esquerda para fazer um trecho novo.

Seriam mais uns 80km até o próximo checkpoint onde aguardaríamos o caminhão e o guia. Se já estava frio pela manhã, neste trecho, até surgir os sol por trás das grandes montanhas que cercavam a estrada, fez mais frio ainda.

Teríamos mais uma passagem, dessa vez a 5.240m. O motor da moto sofreu nos últimos 2km de subida, até pensei que teria que empurrar a moto.

Que ponto bacana. E o que parecia ser uma chuva fina, era na verdade pequenos flocos de neve, que experiência legal. Até que chegaram os vendedores ambulantes que ficam ali esperando os turistas, conseguiram me tirar do sério e sai antes de tirar mais fotos.

A vantagem é que logo adiante havia um ponto para captar a beleza da região. Rodamos morro abaixo contornando as montanhas e acompanhando o rio abaixo, passando por pequenos vilarejos até chegar no checkpoint por volta de 12:30.

Ficamos esperando o caminhão e uns dos caboclos da Nova Zelândia cuja moto deu pane na caixa logo após a passagem. Chegaram uns 20min depois e enquanto o mecânico abria o motor para ver o que era, aproveitamos para almoçar. Alguns compraram macarrão instantâneo, eu fiquei no biscoito recheado do mal feito na Rússia.

Biscoito recheado do mal feito na Rússia

Depois de 1h desmontando o motor, aparentemente a alavanca da caixa havia quebrado e precisamos esperar um pouco mais até conseguirem realizar um reparo.

São 15 para 16:00 e ainda estamos aguardando o conserto, sentados num restaurante logo após o checkpoint, praticamente cochilei esse tempo todo, afinal não tem muito mais o que fazer a não ser aguardar. As 16:20 desistiram e colocaram a moto no caminhão. Como escurece tarde, ficou decidido que vamos para o Everest Base Camp assim mesmo.

Pegamos a saída para o parque. Seriam 25km subindo o morro, 25km descendo e 25km pelo vale atravessando os pequenos vilarejos. De cara ao chegar ao topo da passagem a 5.200m, damos de cara com a Cordilheira do Himalaia lá no fundo. Que vista fantástica!

Após 75km, chegamos ao ponto onde se pega o ônibus para chegar no Base Camp. É interessante porque o ônibus é elétrico e alcançou 80km/h subindo o resto do morro até o Base Camp.

Já nesse último trecho de estrada, somos agraciados com a visão do dito cujo, céu limpo e ele lá desnudado: o Everest!

O Base Camp é uma coleção de barracas toscas e ainda bem que não vamos dormir aqui. Imaginei o frio infernal que deve fazer.

Sem mais delongas, vamos ao dono do espetáculo. Segundo o Canadense da turma, existe 10% de chance do tempo estar aberto para se conseguir ver o Everest. Bom, mais aberto do que estava, só se estivesse fazendo calor. Incrível, conseguimos chegar no dia em que o céu estava totalmente azul.

O nosso guia comentou que foi a primeira vez que viu o Everest com tempo tão limpo
O amigo peruano que quase perdeu o espetáculo, ainda bem que convenci ele a vir conosco

Gastamos uns bons 30 minutos entre admiração e aguardar o ônibus para descer de volta a onde estavam as motos. Efetivamente saímos para estrada já as 21:00. Agora valeu cada segundo excedido.

Como já estava escuro, o guia recomendou que seguíssemos o caminhão, por mim tinha ido de boa que o farol da moto estava suficiente. E lá fomos, até um dado momento em que o motorista pegou uma saída à esquerda numa estrada de terra.

Segundo ele, era um atalho através da velha estrada para Tingri que teria apenas 60km. Considerando que era mais ou menos isso até sair na estrada principal lá na entrada do parque e depois ainda tinha mais uns 70km na rodovia, resolvemos ir pela dica do motorista.

A estrada estava boa, exceto por um ou outro buraco e depressões, mais do que esperado numa estrada de terra e assim seguimos na frente do caminhão. A questão é que estava um breu danado. Tão escuro que numa bifurcação que ficamos na dúvida e esperamos o caminhão para o motorista indicar o caminho, quando desligamos os faróis, vimos a via láctea inteira. Que espetáculo! Pena que todos estavam sem bateria no celular e não houve registro.

Uma vez indicado o caminho, continuamos seguindo aos trancos e solavancos, principalmente nos aquedutos que estavam sempre acima do nível da estrada e se não prestasse atenção, o salto poderia jogar no chão.

Daí a pouco começa uma leve subida de serra com algumas curvas traiçoeiras e de repente a estrada me pega morro abaixo. Nada demais, né? Exceto que era estrada de terra (depois de ver algumas máquinas no caminho, concluí que era o sublastro da reforma da estrada), um breu danado, sem placa, solavancos sem fim. Quando olhei que já estava beirando os 60km/h, vi que era demais. Lá na frente, três companheiros mais empolgados desciam a lenha acelerando as motos. É muita coragem numa estrada desconhecida.

Em fim alcançamos os asfalto 60km depois (rapaz, o motorista tinha razão) e por não saber o caminho do hotel, ficamos aguardando no acostamento até o caminhão aparecer uns 20 minutos depois. Isso já era mais de 22:00.

Chegamos no hotel, todos exauridos e ninguém reclamou do frio, da hora, do desgaste, afinal era um preço pequeno a pagar pelo espetáculo que que o dono do topo do mundo nos mostrou.

Veja a peripécia de ontem aqui. Continue comigo nessa viagem aqui.

2 Respostas

  1. Pingback: Próximo do céu escarlate: 20/09/19 Lhasa a Shigatse | Clã do Gallo Preto

  2. Pingback: Próximo do céu escarlate: 22/09/19 Tingri a Kyirong | Clã do Gallo Preto

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s