Prudens quid pluma niger secundum

Falando pelo Cotovelos

15/12/13 o outro lado da mesma cidade

Para mais de 2 anos que moro em Vitória ES. Há lugares da cidade que nunca havia pisado. Sim, nossa vida corrida atual, compromissos ou simplesmente a comodidade de ficar dentro do círculo daquilo que é conhecido, nos retira oportunidades de novas perspectivas.

Vitória é uma ilha e o mapa indica avenidas suficientes para dar uma volta completa em seu entorno. Porque não?

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Só conhecia a metade de cá que tem vista para o mar. O outro lado, era um lado oculto, escondido na sombra do morro que toma grande parte do território da ilha.
Comecei pelo Sambão do Povo, uma miniatura da Sapucaí que se alcança ao não atravessar a 2a ponte. A partir daí os pontos turísticos são escassos e a placas não indicam claramente para onde se vai. Era melhor usar os instintos e manter o morro sempre a sua direita.

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Daí a pouco a saída para a Ilha das Caieiras, famoso pelos restaurantes que brigam entre si pelo título de melhor moqueca. Um deck de madeira a beira do rio, esquecido pelas autoridades públicas serve de palco para a fraterna disputa. Três garçonetes de uniforme diferente me abordam.
Me contentei com a que tinha o prato individual (encarar um moqueca sozinho seria tenso). Até porque sendo um domingo após sexta-feira treze, almoçar um filé de cação a treze reais seria mais que adequado.

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O “moleque” maior de idade que estava vigiando os carros me zoou quando fui pegar Srta. Hellen Dawson de volta.
– Doutor, gente passa a tarde inteira aí. O senhor comeu em pé?
Ri da molecagem, mas ainda havia mais um resto de desconhecido a desbravar.
Atravessei então um trecho em que a cidade deixava de ser cidade. Um completo oposto ao que se vê de prosperidade e avanços imobiliários.

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Era quase uma fazenda distante da concreta cidade. Onde ainda nenhuma torre de apartamentos apertados ousara nascer.
Veremos por quanto tempo restará assim.


19/05/13 cavaleiros medievais

Antes de continuar, porque não colocar um som na vitrola?

A um tempo atrás eu havia comparado nossa atitude de viajar rincões afora numa moto a aquela dos cavaleiros medievais, que portando seus cavalos atravessavam reinos e alcançavam terras distantes.
Quando retornavam, traziam algo além das cicatrizes e peles calcinadas pelas intempéries que enfrentavam. Traziam também a experiência de ter vivenciado outras paragens, outras culturas, e de seus relatos dessas terras maravilhosas, nascia o fascínio que os aldeãos (que nunca teriam a oportunidade de conhecer um mundo além de suas cercas) nutriam por estes cavaleiros e que se tornou sua maior imagem que nos passam tantos contos e histórias.

Motoqueiros ou cavaleiros medievais?

Motoqueiros ou cavaleiros medievais?

Ao menos é o que me vem a cabeça para tentar explicar porque causamos o mesmo facínio nas pessoas. Sim, muitos irão questionar o porque de suportarmos tanto desconforto que uma viagem de moto proporciona (na verdade é exatamente o contrário, já comentei sobre isso), mas sempre ficam nos olhando com aquela cara de “gostaria também de ter a oportunidade (coragem) de ultrapassar minhas cercas e me lançar ao desconhecido”.
Dito isso, retorno a uma discussão técnica que tenho vivenciado com o Maia. Ele um “novato” que já fez viagens que até deus duvida no pouco tempo de moto e sendo um ex-pacato professor de direito, defende o direito que todo e qualquer indivíduo tem de adquirir o que bem entender e ainda utilizar ou não utilizar tal bem da maneira que achar mais adequada. Sim, fiz esse rodeio todo para comentar a respeito do que torna alguém motociclista (ou motoqueiro como tenho preferido ultimamente), na minha mais humilde opinião.
Comprar o veiculo e se fantasiar ao bel prazer de uma forma que mais me parece inconscientemente criada por modelos de marketing e por este fascínio que comento acima (e as vezes pouco ou nada a ver com o indivíduo), na minha humilde opinião não torna alguém motoqueiro. Bom, talvez motociclista, sim aquele que faz questão de se destacar de pobres almas que não tem a mesma oportunidade de usar moto somente por prazer e sim para ganhar o suado pão.
E até bem pouco tempo atrás não tinha tal consentimento, mas das discussões com o Maia, acredito que aqueles que vivem de criticar o comportamento deste ou daquele motociclista ou motoqueiro, seja pela oportunidade de usar marca A ou B de moto, seja  por usar para ir na padaria, pequenos eventos ou levar na oficina em outro estado também não sejam motociclistas ou motoqueiros.
Cai alho, Fantini! Então o que diabos você acha que te faz motociclista ou motoqueiro?

Nós e outras figuras que causam fascínio

Nós e outras figuras que causam fascínio

Serei sincero, eu mesmo não tinha certeza. Só soube num dia em que peguei a saudosa dona stefânia a partir de Mariana MG onde morava na época e sai por aí. Comecei em Bhz (porque tinha compromissos da pena preta), em seguida voltei para Ouro Preto MG só para passar no trecho da estrada real até Ouro Branco MG, a partir da BR040 fui a Petrópolis RJ. Num posto em Entre Rios RJ, o frentista me indicou um encontro em Rio das Flores RJ.

Estrada Real

Estrada Real

– Pega essa estrada aqui na divisa entre Minas e Rio e segue uns 50km. – me aconselhou.
Cheguei já no inicio da noite. Parei no posto da cidade e me aproximei de outros motociclistas que ali estavam.
– Bão? Aqui onde é o encontro? Sabem de lugar para dormir aqui?
Me olharam de cima a abaixo.
– Mas você está sozinho? Veio de onde?
Contei por onde tinha passado.
– Você é doido? me questionaram completamente atônitos.
– Não, sou motoqueiro (a bem da verdade, eu disse que era motociclista).
Estava batizado.
Assim, voltando ao assunto, se você ainda não se lançou ao desconhecido estrada afora, sem destino definido, com o único e simples intuito de curtir o que a viagem lhe apresentar e assim ganhar algumas cicatrizes e calcinações na pele. Sem ter sua alma acrescida por novas experiências em paragens nunca vistas. Me desculpe, amigo, mas você não tem o direito de tomar para si o fascínio que os antigos cavaleiros medievais criaram nos aldeões.


Esteja em Sintonia…

Dia desses, mais precisamente ao dia 14 de setembro de 2012, parti para Monte Verde acompanhado de alguns amigos e minha “garupatroa” onde num dado momento da estrada percebi que me faltava sintonia. Não sintonia com o grupo, nem com a estrada, uma sintonia comigo, eu estava tenso e incomodado.

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Via-me ali, como que em terceira pessoa: no fervor da estrada, temperado pelo calor escaldante, guiado pela trilha sonora composta pelo som da explosão dos motores e escapes, sendo aconchegado pelo vento que aos poucos diminuía minha ansiedade em chegar! Ansiedade essa que me contundia, que deixava mais ligado ao mundo real do meu dia-a-dia e me afastava de aproveitar aquele momento de sonho, sonho de liberdade e vida!

Aos poucos percebi que estava “puxando” num ritmo exagerado, talvez ate mesmo perigoso pela sobrecarga da moto! Perigoso por estar carregando em mim as preocupações que não podem ser resolvidas no banco de uma moto a 120 km/h e então, ainda lentamente meu corpo foi se soltando e a magia da estrada pôde dominar minha alma, a cada quilometro rodado me libertando da prisão criada por mim mesmo ao viver uma rotina tão pesada.

E então, no instante em que eu e minha moto éramos um só, apenas se deixando compor aquele comboio que completava a bucólica paisagem da liberdade, pude me sintonizar e viver todas as sensações através do esmaecer de uma testa franzida e um leve sorriso para mim mesmo.

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Esteja em sintonia com sua alma: Viaje mais! Liberte-se!


28/08/12 o que se vê e o que se sente

Lá em idos de fevereiro precisei testar um par de abraçadeiras novas que substituiu as danificadas do acabamento do escape de dona stefânia. Volta rápida, um pulo entre Vitória ES e Prado BA.
Quase chegando em Prado BA, avistei uma bela de uma tempestade formada a frente, o que fazia um perfeito contraste com o horizonte limpo de céu azul que deixava para trás a cada km avançado.
Acabei parando para tirar uma foto. Algumas paisagens não se modificam com o tempo, mas está com certeza era só ali, naquele dado instante, naquele dado lugar, única.

Resolvi falar a respeito da sensação que tive nessa pequena experiência porque a alguns dias atrás o companheiro Nuanda comentou o quanto a foto ficou bacana. Em seguida outros amigos comentaram também, em um processo muito interessante de emergência a partir de algumas poucas interações simples em um ponto comum sem que houvesse alguma ordem definida. Trindade faria um contraponto: “Isso é muito complexo.”.
Portanto voltemos à foto. Três coisas me chamaram a atenção quando parei para tirar a foto. A primeira é o que comentei acima, algumas experiências são tão singulares no tempo e no espaço que não haverá outra oportunidade para vivenciá-las, portanto aproveite o momento.
A segunda questão é a respeito da simplicidade com que a vida se mostra. Se estivermos com os olhos cerrados pelas falsas necessidades que tantas vezes nos empurram goela abaixo todos os dias, perdemos a oportunidade de sermos plenos com as coisas pequenas. Não é preciso muito para ser feliz.
A terceira é a respeito do passo e que não devemos ficar parados no tempo. Ao olhar para trás temos sempre um tempo claro de certezas e portos seguros. A frente tudo é desconhecido e pode parecer sombrio. Mas na vida precisamos seguir o passo a frente e enfrentar os desafios que ela nos apresenta.


Os Sonhos Podem Esperar…

Quando estamos vislumbrando uma motocicleta nova, um upgrade no mesmo estilo ou ate mesmo uma radical mudança de segmento, nos deparamos com muitas possibilidades. Possibilidades essas que confundem nossas mentes, turbinadas por propagandas virtuosas, criticas monstruosas, opiniões sorrateiras, em suma: uma tempestade de informações. Bem, o que pretendo dizer é o quanto escolher uma moto nova é foda…

Há aproximadamente um ano atrás comprei uma Dragstar, incentivado pelas boas criticas, reportagens e opinioes de amigos, que agradeço muito, pois fiz uma ótima aquisiçao.

Mudei de segmento, da Bigtrail para a Custom. Confesso ter saudades infinitas da vida de Bigtrail, mas me certifiquei que uma BT de pouca cilindrada não é aquilo tudo que seus sonhos esperam, assim como uma Custom de média cilindrada acaba por deixar a desejar ao mais afoitos por pressao no motor… Hoje uma BT nao deve ter menso de 800c de jeito algum… senao vira moto urbana e pra isso ja temos varias linhagen da Tornado rodando por aih.

Nao digo que a DS seja uma moto ruim, pelo contrario, acredito e percebo no dia-a-dia uma moto guerreira, forte, econômica, confortável e deveras estilosa. Mas quando se faz algumas viagens mais longas com garupatroa e malas, é perceptível que lhe falta forca, nota-se que ela trabalha no limite. O mesmo acontecia com a Xt600, muita agressividade quando sozinho, mas muito esfôrço quando pesada. Ambas são motos feitas, com certeza, para se usar sozinho na estrada… ou de garupa na cidade… e no caso da DS, os infinitos aclives de BH tem a matado aos poucos.

O que estou falando, parte da experiencia de um motociclista que usa suas motos no dia-dia, 7 dias por semana, opinões de uma pessoas que opta por não ter um carro e vive todas as situações possíveis sobre duas rodas. Minhas motos recebem revisao geral todos os anos e manutenção em dia.

Tenho certeza da versatilidade da DS650 nas ruas e aposto a própria XT sobre qualquer analise dela no dia-a-dia e garanto as duas na estrada se eu puder encher o cano. Tenho minhas duvidas quanto a satisfação de amigos que “rodam” constantemente com suas HD`s ou Custom maiores, devido a falta de jogo no transito. Percebo amigos e colegas, deixando suas motos se transformarem em samambaias de garagem e deixando de aprender cada dia um pouco mais sobre o que é pilotar… sobre o que é ser motociclista… pessoas que tremem na estrada…

E em resumo eu diria: pense bem nos uso que sua moto terá, sobre seu(ua) garupa e pese bem os custos a longo prazo, pois 5mil reais economizados na compra de uma moto, podem se tornar um martirio ate a proxima oportunidade de upgrade!!!

Agora é so esperar a formatura e me presentear com uma V-Rod… ou uma M1500cc… quem sabe uma BMW… uma KTM… uma versys… um velotrol… uma Drag trasnformada… !??!?! é… é foda mesmo!!!!

Os sonhos podem esperar…