Prudens quid pluma niger secundum

Uncategorized

Esteja em Sintonia…

Dia desses, mais precisamente ao dia 14 de setembro de 2012, parti para Monte Verde acompanhado de alguns amigos e minha “garupatroa” onde num dado momento da estrada percebi que me faltava sintonia. Não sintonia com o grupo, nem com a estrada, uma sintonia comigo, eu estava tenso e incomodado.

20120925-113940.jpg

Via-me ali, como que em terceira pessoa: no fervor da estrada, temperado pelo calor escaldante, guiado pela trilha sonora composta pelo som da explosão dos motores e escapes, sendo aconchegado pelo vento que aos poucos diminuía minha ansiedade em chegar! Ansiedade essa que me contundia, que deixava mais ligado ao mundo real do meu dia-a-dia e me afastava de aproveitar aquele momento de sonho, sonho de liberdade e vida!

Aos poucos percebi que estava “puxando” num ritmo exagerado, talvez ate mesmo perigoso pela sobrecarga da moto! Perigoso por estar carregando em mim as preocupações que não podem ser resolvidas no banco de uma moto a 120 km/h e então, ainda lentamente meu corpo foi se soltando e a magia da estrada pôde dominar minha alma, a cada quilometro rodado me libertando da prisão criada por mim mesmo ao viver uma rotina tão pesada.

E então, no instante em que eu e minha moto éramos um só, apenas se deixando compor aquele comboio que completava a bucólica paisagem da liberdade, pude me sintonizar e viver todas as sensações através do esmaecer de uma testa franzida e um leve sorriso para mim mesmo.

20120925-114216.jpg

Esteja em sintonia com sua alma: Viaje mais! Liberte-se!

Anúncios

13/03/11 muito além da alvorada

Há um certo estranhamento toda vez que pegamos a estrada. Afinal porque viajamos? Qual a nossa necessidade? O que realmente nos impulsiona? Nada mais injusto que questionar a um motociclista porque enfrentamos tanto “desconforto”? O próprio conceito de conforto é variável. Conforto transcende simplesmente uma cabine refrigerada, música em sistemas de dvd multimídia e toda a parafernália de segurança passiva e ativa de um automóvel se quisermos comparar friamente os dois meios de transporte mais individuais. Cabe o parênteses que viagens em ônibus coletivo podem ser muito interessantes quando se está em um grupo animado. Mas voltando a palavra conforto, muitos de nós motociclistas afirmarão categoricamente que o cheiro do asfalto, da poeira, do mato em volta, o calor, o frio, a chuva, mosquitos, besouros e toda a sorte de estímulos que recebemos diretamente no peito (e na fuça para os adeptos do capacete aberto) é incrivelmente confortável. Mas ao diabo, como? Pegunta o incauto leitor. Bem, isso tem haver com a experiência, o ser humano é um ser que precisa experimentar para desenvolver, para sentir-se vivo. Nosso cérebro se alimenta de estímulos e sensações. Quanto mais, mais o cérebro se desenvolve e isso quem diz são os textos científicos, não este humilde cronista. Portanto a experiência é o conforto. Assim nada mais confortável que tomar um banho de lama daquele maldito caminhão a frente porque ainda não houve janela para ultrapassá-lo. Nada mais confortável que sentir a neblina gelada até os seus ossos enquanto tenta dissernir o trajeto no meio do branco insólito. Nada mais confortável que dividir os infortúnios, desaventuras e sim as bonanças de cada viajem realizada com os amigos. No final, usando a propaganda de certo sabão em pó, a vida é para ser vivida e as estradas para serem enfrentadas. Para toda a sujeira e até estrume de vaca que vier a te atingir, basta um bom banho. Este fim de semana, após longo hiato, fiz uma curta viagem de Mariana a Bhz na sexta a noite e depois retornei no domingo pela manhã. A mesma estrada, a mesma distância, porém o simples fato de ir num sentido e depois ao contrário e o próprio horário (a ida a noite e o retorno logo pela manhã) trouxeram conforto extraordinário e experiências complexas. Não teria vivido tão intensamente a viagem se estivesse em outro meio de transporte mais “confortável”. Lembro até de dormir no banco de carro ao estar de passageiro e perder a paisagem. Mas de moto sempre podemos ver o pôr do sol ou a alvorada e muito além. Mas porque realmente pegamos a estrada? Nenhum motociclista será capaz de explicar com palavras (eu bem que me esforcei aqui), porém venha conosco e veja com seus próprios olhos.


05/02/11 enquanto isso

Enquanto isso, tendo uma estrada, uma moto, amigos para visitar e lugares em que ainda não estivemos, vamos tocando.


08/11/10 como se preparar para uma viagem de moto

Nestes últimos meses participei de vários encontros organizados por amigos e chego a achar engraçado a quase militar preparação para fazer algo tão simples quanto pegar estrada de moto. Simples, será?
Liguei para um amigo de São José dos Campos:
– Camarada, qual a dica de preparação para uma viagem de moto?
– Preparação? KCT, acho que ponho o colete e subo na moto.
Cai alho, não tão simples, afinal nem todo mundo tem tantos anos jovem.
De modo geral garanto que o que realmente interessa é conhecer a si próprio, seus limites físicos, e sua moto, sua autonomia e ciclística. Isso é fundamental para definir qual o máximo rodar em um só dia e de quanto em quanto tempo parar. O mínimo é parar para reabastecer, mas também você pode querer parar para tirar umas fotos ou simplesmente respirar o ar do local que passa.
Mas de qualquer maneira sugiro no mínimo manter a manutenção da moto em dia. Uma coisa é ficar preso no meio da cidade por alguma pane, outra bem mais complicada é ficar preso no meio do nada em lugar algum e pior: no meio da viagem. Manter a moto em boas condições elimina a maioria das surpresas na estrada.
O segundo ponto é ao menos verificar as cidades por onde vai passar e conferir as condições das estradas. Para isso temos algumas informações interessantes no site do DNIT e ainda conferir com a Polícia Rodoviária pode ajudar bastante. Também vale a pena conferir com outros companheiros. Isso permite prever possíveis paradas para reabastecimento ou ainda um pernoite. Durante a viagem, caminhoneiros podem ajudar também com dicas sobre a estrada.
Finalmente definir se vai sozinho ou com algum companheiro. Neste ponto é que ocorrem as maiores dificuldades. Sempre é bom dividir a estrada com a turma, mas nem sempre conseguimos dividir o mesmo ritmo de viagem.
No final o importante é pegar estrada, a cada viagem se aprende algo mais, para na próxima sofrer menos e se divertir mais.


16/05/2010 breve comentário

Sempre repudiei aqueles incapazes de vencer os próprios vícios. Seja bebida, cigarro ou entorpecentes mesmo, esses vícios malignos, assim como os jogos de azar e ainda outros pequenos vícios. Não aceitava alguém ser incapaz de viver a vida sem esses subterfúgios. Quando comecei a andar de moto ainda com pequenas cilindradas até meu acidente sobre duas rodas, também não conseguia compreender o fascínio que tal veículo desperta em nós. Só a partir do momento em que enfiei o pé na lama fazendo trilhas com dorothéia e em seguida enfrentei mais de 1.000km de asfalto com dona stefânia passei a sentir o agravante poder do vício. É estranho e angustiante sentir falta da terrível vertigem de se equilibrar em pêndulo numa curva mesmo em baixa velocidade ou ainda a témivel sensação de vazio sobre os pés ao pular um mísero murundum de terra. Essa saudável labirintite artificial causada pelo andar de moto consegue ser mais forte que qualquer outro elemento para tornar alguém adicto. E nem falei dos outros meros mortais que comos nós se deixam levar por essa maligna maquinaria por rincões afora e que por acaso cruzam nosso caminho e ali deste improvável encontro nasce instatânea empatia. Alguns ainda ousam a singela e verdadeira amizade. Deveriam fazer leis proibindo o uso incidental de uma moto, deveriam banir este sonho amargo de nossos corações, deveriam avisar aos incautos o seu poder sedutor. Sua insensata capacidade de perverter a alma humana a se deixar levar pelos conselhos cornijas. Não, meu amigo, não sou mais capaz de abandonar esse vício. Sou fraco para tal e lhe rogo, não se deixe levar por seus encantos. É uma armadilha.


29/11/09 pequena observação sobre a imensidão

ah… a estrada!

reino daqueles que exercitam sua própria liberdade
campo de batalha daqueles que derrotam os próprios medos
terreiro de quintal onde criamos laços de amizade
onde as leis da solidariedade valem mais que as do feudo

não importa sua cavalaria, não importam suas armas
ao menos uma vez escute companheiro cornija
cerre o punho, torça o cano e sinta o vento na cara