Prudens quid pluma niger secundum

* Viajando em Grupo

22/06/13 o caboclo chegou aos cinquenta, vamos ver se alcançamos ele

Sábado por volta de 10:00 da manhã. Encontro o Maia em uma cidadela minúscula do Rio de Janeiro, Casimiro de Abreu, eu acho. Um posto qualquer para trocar um idéia enquanto tomamos um café. Afinal, se tem gente que vai na padaria ali da esquina, nós também podemos!
Ele já vinha de ontem, rodado a noite (vai gostar) e eu tinha saído de Vitória ES no início do dia. Estávamos lá discutindo sobre as últimas peripécias e acabo me lembrando que fim de semana passado acabara de chegar de um passeio de 15 dias e já estava novamente na estrada para dar um pulo ali em São José dos Campos SP. Cansativo? Talvez, mas era por um nobre motivo.
Daí a pouco já estávamos comendo asfalto novamente atravessando a BR101 para alcançar a cidade maravilhosa através da Ponte Rio Niterói. Era seguir um pedaço da Avenida Brasil e alcançar a Rodovia Presidente Dutra. Rodar já é bom por si só, indiferente da estrada ou destino (quando se tem algum) e acaba ficando ainda mais divertido na companhia de amigos.
Principalmente subindo a Serra das Araras quando a moto de um distinto aí sai arrastando plataforma em 11 de cada 10 curvas que haviam. Sério, teve uma hora que olhei para trás e não acreditava na quantidade de fagulha de aço sendo lixado que uma moto pode gerar. Segundo ele estava fazendo de propósito.
Mas também sorriu de uma orelha a outra quando comentei que pegaríamos a Rodovia Carvalho Pinto pouco antes de chegar ao destino. Desde que entramos na Dutra estava reclamando por não saber onde estão os radares e que o motor estava esquentando e que precisa esticar, mas estava com medo de levar multa. Esses caboclos de “speed” são foda.
Como a Carvalho Pinto não tem muito trânsito e já sabia a localização dos pardais, somente liguei o pisca alerta. Pronto, foi o suficiente para o “até então pacato professor universitário” despejar potência na roda e poder se aproximar da experiência de pilotar um Supermarine Spitfire dividindo o céu de guerra com um Messerschmitt BF109. Treme tudo, o olho lagrimeja, a garganta seca, o asfalto ganha outra dimensão.
Por volta de 16:00 e alguma coisa alcançamos o portão da casa do velho rabugento. Sim, rodamos esses quase 1.000km só para dar um abraço no caboclo que neste exato momento completou 50 anos sobre duas rodas. Não precisa dizer mais nada a não ser: “vamos ver se alcançamos ele”.

– Não falei, Maia, 16:00 a gente chegava aqui? Devia ter apostado hein?
– Olha a desfaçatez da criatura! São 16:40, não 16:00! Apostar o que?
– Bom, a gente perdeu muito tempo na Serra das Araras, melhor treinar as curvas.

Bom, o velho rabugento já tinha ido para o boteco lá onde estava comemorando junto com o outros caboclos que conheço de outros carnavais. Mas também foi bacana finalmente ver o focinho feio de outros que até então só havia trocado mensagens pelos fóruns da vida. Uma pena que como alguns eram de São Paulo e haviam chegado mais cedo, já estavam de partida.

E assim ficamos lá curtindo os amigos e o frio. Ok, o problema foi que os dois manés aqui passaram no hotel e voltaram sem jaqueta. Quando chegou por volta de sei lá qual hora da madrugada, velho, foi tenso.
Ok, Fantini, mas quem é esse tal de velho rabugento aí? Ah! Deixa ele mesmo se apresentar.

50 anos de motociclismo do Ghan

Se você não ficou com vontade de fazer o mesmo e algum dia alcançar a mesma quantidade de tempo sobre duas rodas, bom, vende sua moto e vai procurar outro passatempo, tipo tricô.
No domingo de manhã ainda pegamos uma rebarba do café na oficina do João da Triumph, lá na Motos do Porão. Sem mencionar a pessoa fantástica que o caboclo é, o lugar é um Museu do Louvre para quem quer saber o que é moto. E naturalmente recepção digna de rei. Bão dimais!
Partimos para Sampa em seguida, ia deixar o Maia pernoitar na casa do Casal Tavares enquanto tive que atender uma intimação judicial.
Na segunda estava de volta a Vitória ES e tinha ao menos uma certeza: 50 anos, agora nós temos uma meta.

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02/06/13 a morte da bezerra pt04

Segunda feira, a diária a vencer e você acorda assustado com o telefone do quarto tocando, logo cedo igual havia solicitado na noite anterior. Hotel multi estrelas é outra categoria. Observa a cama desarrumada e a toalha molhada no chão, a copeira que se vire, eu vim andar de moto. O colega do café da manhã lhe passara um telefone de um camarada que poderia te receber e mostrar a cidade: “Quem? Olha, hoje é segunda, estou ocupado, fica difícil ajudar gente desconhecida. O Zé não me disse nada sobre você vir aqui.”
– É sério isso Fantini? Fantini? Uai, arrumando o apto?
Tudo bem, diárias grátis são uma coisa, agradecer a hospitalidade é outra, ainda mais quando se está entre amigos. Nem o Batman pediu, já estava com o aspirador em punhos dando uma geral no apto de Caldas Novas GO.
– Não entendi, quando você vem aqui em casa em Sampa, tudo bem que não faz bagunça, mas nunca passou aspirador.
– Helton, você é aspirante. Sossega.
Após deixar tudo do jeito que encontramos, juntamos as tralhas, se bem que só precisei juntar a única sacola que está me acompanhando desde quinta passada para rumarmos para Goiânia GO, afinal ainda devia um abraço nos demais integrantes da família Carvalho: Fantasma, esposa e filhos.
Havia um caminho subindo direto a GO352, mas o Batman chamou a atenção que o caminho pela GO153 seria mais adequado. E assim pegamos a GO213 ao invés da GO139 e logo já estaríamos na estrada principal rumo a Goiânia GO que alcançamos antes do almoço.
– Pena hein, Fantini. Segunda, o pessoal trabalhando, nem puderam te receber igual o outro camarada.
Muito pelo contrário, não só fizeram questão de me receber e que recepção, digna de um rei, que até fiquei lisonjeado. Se você ainda não entendeu, vamos repetir, motociclismo é isso, pegar estradas por aí e encontrar amigos, nada mais.
E assim, não satisfeito em preocupar com a morte da bezerra sozinho, arrastei toda a família Carvalho para essa terrível preocupação.
– Você ainda não percebeu o real valor deste fatídico evento, a bezerra morta, o sustento de uma família da roça.
– Helton, você é aspirante. Sossega.
No dia seguinte tive a oportunidade de conhecer as instalações da FFTuning, negócio do Batman e Fantasma, especializado em peças de decoração para veículos como aerofólios, saias laterais e demais itens para alegria de qualquer fã de carro tunado.
Na verdade tudo isso, a viagem a Três Ranchos GO, ficar ciceroneando o Batman, participar da recepção e em seguida pagar um almoço para os dois irmãos, era somente pano de fundo para meu real e infalível intento.
– Viu, gostei da carretinha, quanto quer nela?
– Fantini, não está a venda.
– Cai alho!!!

visita infrutífera

visita infrutífera

A visita a Goiânia GO fora infrutífera. Como assim não está a venda, como assim?!? Ao me mostrarem o Todinho, o cachorrinho que guarda a empresa, me convenci de que não estavam de brincadeira.

filhote de belzebu disfarçado de cachorro

filhote de belzebu disfarçado de cachorro

Ainda tomei um pouco do tempo do Batman para fecharmos a conta e fazermos uma resenha da aventura. Resolvemos que tudo poderia ser resumido na seguinte frase: “Ah, não, não! Pára! É mentira. É mentira!”. Trincamos.
Na quarta de madrugada ainda fez questão de acordar para se despedir. Pessoas assim, ele, o irmão e toda a família Carvalho, só encontramos procurando estrada afora, acho difícil encontrar no café da manhã de sábado.

– Olha a desfaçatez da criatura. Aristóteles foi claro em seu livro Ética à Nicômaco: “Depende de nós praticarmos atos nobres ou vis; e se é isso que se entende por ser bom ou mal, então depende de nós sermos virtuosos ou viciosos.”.  A virtude aristotélica consiste no esmero esforço do equilíbrio entre os vícios da falta e do excesso. Em posição de destaque se encontra a amizade, como virtude necessária no compartilhamento da felicidade.

– Maia, você é novato. Sossega!
Aí você que está me acompanhando nessa vida ingrata questiona:
– Hora de voltar para Vitória ES, Fantini?
– Vou nada. Vou para São Paulo SP.
– São Paulo?!?
– Ainda há muito com o que me preocupar.


01/06/13 a morte da bezerra pt03

Você acorda com os primeiros raios solares atravessando a cortina de seda, mas o quarto ainda está com pouca claridade e a cama macia e confortável convida para mais um cochilo. Realmente foi uma excelente escolha a recomendação do colega do café da manhã de sábado. Nem parece que viajou de moto, o corpo está descansado. Poderia fazer isso a cada três meses. Deixa o médico descobrir que rodou de moto! Melhor já planejar o próximo evento, vamos abrir o tablet e usar o wifi do hotel para conferir.
– Nossa, Fantini, confortável isso hein? Mas, peraí, que cara virada é essa?
Como um bom blues, sábado acordei com aquela sensação de que nem devia ter saído da cama e que todos os demônios poderiam rir da minha cara que festejaria com eles. Talvez não devesse ter tomado aquela última latinha. Teria sido melhor tomar mais umas duas ou três e teria chegado junto com o desinfeliz do Batman e não teria que passar parte da madrugada do lado de fora do portão.

Escreva seu próprio blues

Escreva seu próprio blues

É meu amigo, uma viagem de moto é ingrata, não há hotéis de luxo, não há conforto, nem decepção.
Olho para o Nelsão e já começo a rir.
– Ôôô, mineiro atrevido, que foi?
– Cai alho, Nelsão. Você tirando maior onda de que estava tomando absolut. Que porra de garrafa de natasha vazia é essa no seu alforje?
– Ôôôôôôôôôôôôôôô!!!!
Trinquei!
O Batman já havia dado a dica de subirmos para Caldas Novas GO, então comecei a juntar as tralhas. Por volta de 11:30 já estávamos com tudo pronto. E o tempo nublado fechando.
Nelsão ainda insistiu para ratear o café, mas negociamos o churrasco do dia anterior que pagamos na casa do pessoal do Mojorider. Então, duas estadias com café da manhã, saíram pela bagatela de zero reais. Bem melhor que o hotel de luxo de sabe lá quantas estrelas estrelares.
Despedimos e fomos rumo a Catalão GO que atravessamos com o objetivo de pegar o caminho para Ipameri GO através da GO330 e em seguida rumar para Caldas Novas GO pela GO213. O tempo continuava nublado o que deixava a temperatura agradável. Afinal os dois heróis aqui estavam sentindo o peso da madrugada insone. Paramos para abastecer ainda em Catalão GO e beber uma água com gás foi providencial.
Então a estrada. Olha-se para um lado e fazenda a perder de vista, olha para o outro lado e mais fazenda que não tem fim. Atravessamos quilômetros sem ver qualquer tipo de aglomeração que significasse que havia alguma coisa ali além de pastagem e plantação. Aí como já estava deixando bem claro, veio a chuva. Sem dó e sem piedade.
Como o Batman foi mais prevenido, já saiu com a capa de chuva. Eu como sempre teimoso, estava sem. Pensei em acenar para parar e botar a capa, mas depois lembrei que ela se encontrava junto do forro térmico da jaqueta.
– Lá em Vitória, Fantini?!?
– Isso mesmo. Cai alho.
Ainda bem que os novos pneus, um par de Michelin Commander (não ganho para fazer propaganda, mas o pneu é bom) cumpriram seu papel no asfalto razoável, cheio de poeira fina que com a chuva formou aquela fina lama. Somente tive um susto numa reta em pequeno declive em que errei a aceleração e a roda traseira destracionou. Nada impossível de corrigir, mas era melhor esquecer a calça e botas encharcadas e ficar mais atento.
– Mas Fantini. Cordura costuma segurar um pouco a água.
Mas viajei com dois pares de calça. Um jeans para a estrada e um jeans para passear onde estivesse. Aliás, chamo a atenção que apesar de estarmos no início da epopeia de 15 dias, trouxe apenas uma sacola pequena, o que daria para sobreviver uma semana sem precisar lavar a muda de roupa. Sim, é preciso ser fiel as origens. Enquanto isso, Batman mostrava que para carregar tanta bugiganga, era preciso mais que um cinto de utilidades.

Não é fácil ser herói

Não é fácil ser herói

Chegamos no condomínio onde ele tinha apartamento, saímos para providenciar a cerveja e o café da manhã.
– Padrinho, vamos ficar aqui na piscina do condomínio mesmo.
Não quis discutir, afinal era visita, mas talvez um dos tais parques fosse uma boa pedida.

foi um clube parecido com este que ele chamou de piscina

foi um clube parecido com este que ele chamou de piscina

Ainda bem que não insisti, pois o diabo do condomínio tinha um clube privativo completo. E por incrível que possa parecer, dois ogros de barba por fazer, sujos de viagem, com um isopor de cerveja conseguiram chamar a atenção.
– Padrinho, você parece amuleto, vou te convidar para vir aqui de novo.
– Ah, não, não! Pára! É mentira. É mentira!
Trincamos!

para que sabe se lá quantas estrelas?

para que sabe se lá quantas estrelas?

E assim ficamos o fim de semana em Caldas Novas GO. Piscina, água quente, vista agradável, cerveja gelada, botecos legais a noite. Tinha até o bauru da fórmula secreta de família. Comecei a me preocupar.
– Com o que Fantini?
– Uai! Com a morte da bezerra!


04/05/13 festa pomerana em santa maria de jetibá

A última tentativa de viagem longa com a srta. Hellen Dawson tinha furado por causa da pane elétrica lá em 28/03. Alguém deve estar se perguntando se logo que voltei de Sampa (já que fui de carro) tive a oportunidade de verificar o que era. Bom, claro que não, porque cheguei de Sampa e praticamente peguei avião em direção a Santiago numa viagem combinada com o Dedé, meu irmão que não vai mais ao médico, ele só vai no borracheiro.

Mas antes de continuar a leitura, recomendamos botar na vitrola um Hoodoo Gurus.

Anexando terrenos andinos

Anexando terrenos andinos

Só fui verificar qual era o motivo de srta. Hellen Dawson empacar no dia 16/04. Isso mesmo mais de 15 dias depois. Para você ver o quanto eu gosto de andar de moto. No final era somente a bateria descarregada por ter ficado com o farol ligado na noite anterior brigando para montar o bagageiro. Resolvi o problema da bateria com uma recarga e preventivamente comprei o famoso cabo de chupeta para o caso de nova emergência.
Como teve a 3a6a! logo em seguida, só fui conseguir uma janela para andar de moto no início de maio. Ligo para o Maia.
– Franga, vamos rodar no sábado.
– Agora só ando com cara de speed.
– Sério? Que cai alho!
– Na verdade nem eles me alcançam agora.
E pensar que o cara era um pacato professor universitário.
Só se convenceu quando comentei da festa pomerana que outro camarada avisou que teria em Santa Maria de Jetibá ES.

Pomerisch Fest 2013

Pomerisch Fest 2013

Mas insistiu para encontramos numa padaria.
– Temos que manter as aparências. Sábado é dia de ir de HD na padaria.
O clima de início de inverno tornou muito mais agradável os passeios aqui na região de Vitória ES. Já não está mais aquele calor infernal e dá até para usar jaqueta de novo. Apesar que acabei indo com a blusa de flanela mesmo.

Mas a jaqueta estava lá para qualquer eventualidade

Mas a jaqueta estava lá para qualquer eventualidade

Subimos pela BR101 sentido norte e na altura de Fundão ES, pegamos a estrada vicinal para Santa Tereza ES. A cada vez que passo nessa estrada, agrado mais dela. Trecho na medida exata para rodar. Curvas para todos os gostos (ok, algumas não são para quem tem medo) e a bucólica Santa Tereza ES.

Estradinha agradável demais da conta

Estradinha agradável demais da conta

Como iríamos um pouco mais adiante, pegamos a saída para outra estradinha vicinal em direção a Santa Maria de Jetibá ES, passando por Garrafão ES. Essa estrada conheci na volta do lagarto e da outra vez havia alguns buracos para atrapalhar o traçado de outra estrada divertida com suas curvas e mais curvas. Mas custom não faz curva, alguém vai argumentar. Realmente não faz não, então a gente força um tiquim só.

Será que estou usando a moto corretamente?

Será que estou usando a moto corretamente?

Mas então Fantini, sofreu para acompanhar o ultra mega blaster dragonzoide motor de 200.000 cavaladas estrelares do companheiro Maia. Companheiro Maia? Uai, é mesmo, cadê o Maia? Tive que parar no acostamento e esperar.
– Velho, estou arrastando as plataformas em toda curva.
– Uai, o estágio 2 não vem com contra-esterço automático também não?
Bom, ele quis me bater. O problema é que tinha que me alcançar primeiro.
Santa Maria de Jetibá ES é tão bucólica quanto Santa Tereza ES, mas a festa pomerana estava agitando a cidade. Ao menos era o que dizia em alto e bom som naqueles alto falantes espalhados em cada poste. Paramos numa farmácia para perguntar sobre hospedagem. Não, não me perguntem se seria mais fácil perguntar no posto, mas a atendente com roupa típica era bem mais simpática que qualquer frentista.
Assim como as caixas do supermercado e todas as mulheres da cidade. De repente comecei a achar que realmente estava na Alemanha, não só pelos trajes, mas porque todo mundo era praticamente ariano.
Como conseguimos uma vaga no hotel local, largamos as motos no estacionamento, compramos um joaquim daniel e fomos aproveitar a festa. Estava bacana mesmo e a banda que tocou anos 80 foi fina. E vai ter alemã assim lá na Alemanha!

Estaríamos na Alemanha?

Estaríamos na Alemanha?

No dia seguinte decidimos voltar pela BR262, então seguimos mais um pouco até o trevo de Afonso Cláudio ES. Como eu disse acima, fizemos ao contrário o trecho que rodamos na volta do lagarto. Mas agora estava bem mais divertido, todos os buracos tapados e jogando poeira no filtro de ar de alto desempenho da Lily Monster. Se continuar assim o coitado do Maia vai ter que voltar a usar capacete fechado.
Fechamos com a descida de Serra Azul ES até Vitória ES. Na verdade fomos em Vila Velha ES para azucrinar o Chico um pouco, já que ele gosta de trabalhar dia sim e dia também.
Valeu a pena demais e é um passeio que dá para fazer em um dia, já que não chega a somar 300km ida e volta a partir de Vitória ES. Recomendo.


08/03/13 era para ser mais um teste de abraçadeira

A um pouco mais de um ano atrás estive em Prado BA com o objetivo de verificar se as abraçadeiras que havia trocado do acabamento do escape da saudosa dona stefânia haviam ficado firmes. Sabe como é, essas coisas tem que ser verificadas e nada como uma voltinha de 450km para ter certeza de que havia ficado bem montado.
Ainda tinha combinado de verificar as condições do asfalto para a turma que subiria de Bhz na semana seguinte. Eu também tinha a intenção de voltar no outro fim de semana, mas uma pane na bobina fez dona stefânia ir para o estaleiro e me obrigar a encontrar com o povo de carro mesmo.
Estávamos eu, Nuanda e Hermano, representando o povo do clã e mais três casais amigos nossos que não têm clube. Nos divertimos bastante e sei que tiveram um agradável passeio por terem vindo juntos e voltado juntos.
Dessa vez fui com o pessoal daqui de Vitória: Chico, Marcão e Nilza e o maluco do Jansen, cada um carregando sua bandeira, mas dividindo os mesmos momentos na estrada. Somente o Jansen que teve que voltar um dia antes devido a compromissos de trabalho.

viagem em grupo

viagem em grupo

Ah! E tinha o Maia, mas o doido resolveu viajar a noite sozinho. O que que eu posso fazer se o desinfeliz quer passar por todo e qualquer rito de passagem para ficar citando Nietzsche. Espero que não resolva também pegar uma estrada de terra a noite. Se bem que depois levo ele lá no trecho que já fiz a noite, que sai da BR101 até Nova Viçosa BA, só para ver se ele tem braço mesmo.

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

Como estou com a missão de acabar de vez com os pneus da srta. Hellen Dawson, a voltinha de 450km vinha a calhar, ainda mais que há um grande trecho de reta sem fim para alegria da maioria dos donos de custom. Para minha sorte, há uma pá de curvas para todos os gostos e velocidades, assim poderia gastar também a lateral dos pneus.
E ainda precisava saber se as abraçadeiras do escape novo, trocado na semana anterior, estavam bem fixadas.

nenhuma peça do escape caiu até aqui

nenhuma peça do escape caiu até aqui

Como todo encontro é basicamente a mesma coisa, basta dizer que em Prado BA se tem a praia à disposição. Mas considerando o péssimo atendimento local, cai alho Fantini, pega leve. Ok, considerando o péssimo atendimento que tivemos na barraca que ficamos, acho que era Barraca do Toti, ter a paisagem da praia salvou.
O Maia havia nos dado a missão de conversar com o tal Joaquim Gente Fina, infelizmente e apesar de não ter faltado assunto, ficou ainda um dedo de prosa para terminar com o distinto.

o joaquim gente fina

o joaquim gente fina

Retornamos no domingo. O mesmo calor escaldante da viagem na sexta. Não, não tente isso em casa, mas resolvi ir somente com uma calça e uma blusa jeans surrada e o velho e bom colete do clã para me proteger. Aí, alguém vai levantar o manto da segurança pessoal, que devia dar o bom exemplo e o cai alho a quatro. A única resposta que tenho é que sim, em Minas uso segunda pele, jaqueta, calça de cordura, mas lá o clima permite. A 40°C a sombra, é melhor ir com uma roupa mais arejada para não desidratar e desmaiar em cima da moto.
E deve ter sido o que aconteceu com um casal que o Maia (ele voltou um pouco mais cedo que nós) encontrou estatelado no chão. Procurou saber se estavam bem e se precisavam de alguma coisa. Responderam que não precisava se preocupar, mas pediram que avisasse o companheiro de clube deles.
E lá foi o carismático Maia de posto em posto até achar o distinto 100km depois.
– Cara, pediram para avisar que seu amigo, Daniel, se acidentou.
– Mesmo, nó, que pena. Mas 100kms atrás, né? Tá longe, não adianta nada eu voltar lá, vou seguir.
Por sorte e porque o Maia é um cara de paz, outro membro desse pseudo motoclube também não sofreu um acidente.
Além de realmente estar abismado com a situação, eu não sei o que faria com um espírito de porco desses se tivesse ouvido isso.
Fiquei pensando no ótimo passeio que tivemos a um ano atrás, no passeio desse fim de semana. Fora as outras pequenas voltas que tive aqui por perto de Vitória com o pessoal bacana que tenho conhecido aqui. Mas a cada dia que vejo essas pessoas fantasiadas, menos me cobro por preferir viajar “sozinho”.

Não viajo sozinho

Não viajo sozinho

Afinal, enquanto estiver carregando a fúnebre flâmula, sei que sempre o povo do clã viaja comigo e nunca, nunca abandonamos ninguém.


03/02/13 a rota do lagarto e um pouco mais

Foi final de janeiro agora que a Brojeta, vulgo Juliana, prima do Brojo, aproveitou que pegaria um ponte aérea em VIX para retornar para Bhz depois de longos dias de parmegiana nas praias de Iriri e me chamou para um encontro à mineira, ou seja, num buteco.
– Fantini, esse doutorado ainda me mata, preciso achar alguma coisa que fale sobre as interações das pessoas no dia a dia das calçadas gerando conhecimento e, velho, porque estou perguntando isso a um engenheiro?
Pensei em dizer “já consultou o Mestre Grilo?”, mas estava inspirado:
– Já leu “Emergência – A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares” de Steven Johnson? Tem um capítulo inteiro falando sobre isso aí.
Agradeceu, mas não pagou a conta do buteco. Mulheres.
Mais de semana depois, o Fernandinho da Ayso estava reclamando sobre o mal tempo e que estava foda de passear de moto. Mandei ele tirar a bunda mole do sofá e simplesmente pegar a moto e sair por aí. E a partir dessa rápida conversa e sem muita intenção, meio que surgiu a idéia de um pulo até a Rota do Lagarto em Pedra Azul.
– Você topa, Fantini?
– Uai, porque não? Marca aí.
De repente já tinha uns 15 caboclos confirmados e assim como Johnson comenta no livro, de uma interação simples começa a surgir uma ordenação complexa, sem que houvesse alguma liderança ali direcionando o caminho. E aí o que era uma volta até a Rota do Lagarto passou a ser um passeio completo com direito a Festa da Uva em São Bento de Urânia, almoço em Venda Nova do Imigrante e retorno através de Santa Tereza. Cai alho! Nada mal hein, Fernandinho?

O tempo estava ruim

O tempo estava ruim

Cheguei uns 15 minutos mais cedo no ponto de encontro em Camburi porque precisava abastecer a srta. Hellen Dawson, havia uns 4 caboclos que nunca vi mais gordos. E nem se podia dizer que era por causa do mal tempo de domingo. O que estava travando o povo em casa era mesmo o Sambão do Povo na noite anterior, até o Chico parecia japonês com os olhinhos fechados. E aí olho de novo (tudo bem que com 1 hora de atraso) e já estávamos sendo incomodados pelos frentistas porque praticamente fechamos o posto.
Aquilo me deu um frio na barriga lembrando do episódio em Ribeirão Preto SP, quando num ultra mega blaster super bonde de mais de 150 motos (eu no fundo como sempre), começa a chover e metade dos barrigas verdes me param no meio da rodovia para botar capa de chuva. Até hoje a cena de travar os freios da antiga companheira dona stefânia vendo no retrovisor o carro parar a um centímetro de nós me dá calafrios. Ainda bem que choveu canivete e já lavou a calça na mesma hora.

Querendo criar ordem na bagaça

Querendo criar ordem na bagaça

Apesar de confiar na ordem surgindo a partir da base, seguindo o mesmo Johnson, resolvi acrescentar mais umas pequenas regras na condução do grupo, basicamente o que interessa: onde seriam as próximas paradas e distribuição das motos para permitir quem quizesse esticar e quem quizesse andar mais tranquilo convivece em paz. Porque tinha de tudo ali, de CBR 1000 a Biz.
– Fantini, a Biz é da menina do caixa do posto.
– Uai, foi mal então. Essa jabiraca está aí no meio, também!
E assim nós fomos subindo a BR262. Segui atrás em praticamente toda a primeira perna do trajeto, fazendo questão de acompanhar os menos apressados para que não ficassem muito para trás. Primeira parada Posto do Café na entrada para Araguaia. Faltou café.

Faltou café

Faltou café

Passamos rapidamente em São Bento de Urânia para aproveitar um pouco da Festa da Uva. Tirando o fato de dois “guardinhas de trânsito” lá me importunarem enquanto parava a moto na sombra, valeu a visita pelo trecho de estradinha vicinal com curvas bem fechadas. Ainda mais agora que estou praticando as dicas da “Cornering Bible“. Sim, custom também faz curva se você aprender como.

Entrada para Rota do Lagarto

Entrada para Rota do Lagarto

Em seguida mais um trecho da BR262 até a entrada da Rota do Lagarto em Pedra Azul. Posso afirmar que chega a ser tão linda quanto o singelo trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco em Minas. Mas os 30km da estrada real tem algo que aqui em Pedra Azul não tem, tem Minas. E aí já viu, mineiro é patriota até sob tortura. Mas recomendo demais a estradinha da Rota do Lagarto, inclusive vou lá novamente com calma para tirar algumas fotos. Para quem como eu acha que moto foi feita para rodar em qualquer canto, a saída até a BR262 está sendo recapeada e então está só no cascalho. Fino!

Venda Nova do Imigrante

Venda Nova do Imigrante

Voltamos em seguida para a BR262 para alcançar Venda Nova do Imigrante e parar para o almoço. Nesse ponto, parte do comboio debandou, alguns voltando direto para Vitória, outros almoçando em outro ponto. Mas grande parte ficou e fomos então em direção a Santa Tereza. Este trecho de estrada vicinal estava fantástico. Curvas na dose certa com raios variando entre médios e fechados. Não suportei, deixei o espírito tiozão para trás junto com a poeira na cara dos pobres colegas de bonde e fui avançando com srta. Hellen Dawson até a cabeça do comboio. Andei um bom trecho forçando o contra esterço e o controle de aceleração até onde as plataformas permitiam. Diversão garantida. Mas aí percebi que estava abusando andando junto com os mais empolgados e voltei para o segundo grupo onde estavam as trails. O Well do Vitória MC ficou pasmado com o fato de eu conseguir gastar toda a circunferência do largo pneu traseiro. Sim, o pneu largo deixa a dirigibilidade em segundo plano em nome da estética. Com um pouco de paciência e muita prática, dá para se conviver com os dois. Mas, caros companheiros de leitura, não tentem isso em casa, é perigoso para cai alho!

O Well ficou com as pernas bambas

O Well ficou com as pernas bambas

Paramos em Santa Maria de Jetibá porque parte do povo havia ficado muito para trás (viu porque não pode se sair correndo por aí se achando o rei da cocada preta?). Depois viemos a saber que a moto de alguém tinha soltado a corrente. Resolvemos esperar um pouco apesar de que havia chegado a notícia para seguirmos viagem.

Santa Maria de Jetibá

Santa Maria de Jetibá

Nisso um camarada nativo se aproxima e faz a pergunta óbvia que já deixa a gente tenso porque lá vem enxurrada de perguntas esdrúxulas:

– É quantas cilindradas?
– Corre muito não é? Alcança qual velocidade?
– É correia ao invés de corrente, que coisa estranha!
– Tenho um terreno de 250m2 para vender. 65mil. Interessa?

boy that escalated quickly

boy that escalated quickly

– O que?! Cai alho! Boy, that escalated quickly.

Nisso resolvi assaltar o posto onde estávamos, de repente consigo dar uma entrada no terreno que o cara ofereceu.

tentando me tornar 1%

tentando me tornar 1%

Como o povo cuja moto parou não vinha de jeito nenhum e a tentativa de assalto foi frustada porque de 1% não tenho nem o patchzinho, resolvemos pegar estrada e retornar para Vitória. Acabou que passamos direto por Santa Tereza. Direto por assim dizer, porque vai ter que fazer zigue zague assim lá na casa do capeta! O caras querem mesmo que a gente conheça a cidade.
Chegando em Vitória cada um indo para seu bairro, exceto o colega do Vitória MC, Courrier salvo engano, que teve que voltar à barreira policial para pegar o documento da moto porque foi fichado em função do farol de xenon da naked dele. E srta. Hellen Dawson nos sacolejos lá da saída da Rota do Lagarto tinha queimado novamente a porcaria da lanterna traseira (vou ter que botar um led) passou batido. Ninguém pára moto custom. Foi mal aí.

Amigos e iniciativa, não precisa mais nada

Amigos e iniciativa, não precisa mais nada

E assim aquilo que era só para ser uma voltinha com os amigos acabou se transformando num grande passeio e certeza de outros mais a seguir. Steven Johnson tinha razão.


261\13 sempre desconfie de um maia

Eu ainda me questiono porque tantas pessoas levaram a sério a tal profecia Maia e de que o mundo acabaria mesmo em 22\12\12. Aliás o que não falta é profeta e profecia dizendo que o mundo vai acabar algum dia. Bom, talvez algum dia desses eles acertem, até lá prefiro desconfiar de qualquer Maia e aceitar a única certeza que realmente temos. Então aproveite a vida.
Na quarta feira anterior estava eu lá no point organizado pelo pessoal do Bad Service aqui em Vitória ES. Hellen Dawson presa na oficina, por causa de uma estúpida mola de pedal de descanço que resolveu quebrar do nada. Então estava com a Noviça Rebelde.
O camarada se apresenta, todo pomposo:
– Alex Maia. Muito Prazer.
– Bão? Fantini, Gustavo Fantini.
– O nome não é estranho, você está no forum HD?
– Uai, estou.
– Do clã, não é?
– Sim, eu mesmo.
Daí fui descobrir que o camarada até já leu essas presepadas que escrevo e ainda disse que eram boas. Uai, a gente fica até lisonjeado. Mas tive que discordar quando comentou que tinha tirado a carteira agora e já comprado uma moto grande. Nada contra, muito menos a favor, somente acho que é perigoso. Então sempre recomendo começar com uma moto menor.
Mas apesar de toda aparência “coxa”, o Maia era gente boa e merecia um pouco de crédito quando perguntou por onde eu costumava rodar.
– Uai, deixa pré agendado aí para sábado. Vamos lá no Posto do Café. Coisa rápida.
Só depois fui lembrar que não tinha moto para rodar. A sorte é que finalmente o pessoal da oficina do Chico tinha encontrado uma mola adequada para o bendito pedal de descanço. Não que andar por aí com um cardarço segurando o pedal seja depreciativo, mas sabe como é nesse universo da HD.

Ernest Hemingway tentou fazer uma 3a6a!

Ernest Hemingway tentou fazer uma 3a6a!

Combinei com o Maia o horário de 10:00 no sábado, mas acabei atrasando por causa do treino de remo que fiz antes. E lá estava nosso intrépido camarada lendo Ernest Hemingway num posto de gasolina tosco de Cariacica, nem quis comentar. Somente falei que seria melhor, em função do meu atraso, aterar o plano e dar um pulo em Domingos Martins para ver a tal Sommerfest da comunidade alemã lá.

Sommerfest

– Mas qual velocidade nós vamos? (sim, que pergunta mais “coxa”)
– Uai, vamos pegar leve, 80 está de bom tamanho.
Chegamos em Domingos Martins e para minha grata surpresa não tive que socorrer ninguém que, tipo, tivesse atravessado uma curva direto na perigosa velocidade de 60km/h. E naturalmente paramos o trânsito com nossas HDs reluzentes. Sim, tive que segurar o trânsito enquanto o Maia manobrava a moto para parar numa vaga que cabia até uma Dogde Ram. Viu porque é importante começar com uma moto pequena?

Vaga apertada

Vaga apertada

Como eu disse, o camarada era gente boa e aí a gente até abstrai. Mas depois de ter um tempo para conversar e entender a história do sujeito, dono de um opala aqui, ou do tal fiat 147 vs porsche acolá (http://youtu.be/24ixx6_gwQY), comecei a acreditar que não era de todo errado o Maia pular logo numa moto grande, apesar de não recomendar isso a ninguém.
Mas o que me fez realmente acreditar que o cara tem futuro foi quando sugeriu que a festa compensava virar a noite e simplesmente arrumamos um muquifo para dormir. Muquifo sim, porque todos os hotéis e pousadas estavam lotados e conseguimos negociar dois quartos na casa de um nativo lá. A parte engraçada foi encontrar com conhecidos e na hora de ver preço de estadia, descobrir que havíamos pagado metade por um lugar bem mais perto.
Por mais improvável que possa parecer, até encontramos com o pessoal do Pecadores MC de Saquarema, todos de speed. Não pude deixar de zoar a posição “bunda arrebidada” de pilotagem deles. Sim, prefiro ser “cadeirante”.
Muito chopp (agora liberado já que não precisava voltar no mesmo dia), chucrute, loiras, outras loiras, mais loiras e quando estava cansado de ver, mais umas loiras e uma morena, fiquei me questionando como aquele mundaréu de gente se espremia na praça principal para ouvir música típica alemã para lá de meia noite.

Começou assim

Começou assim

Nem era 07:00 da matina direito, acordo com o Maia incomodando por mensagem.
– Temos que tirar as motos da rua, vai ter uma apresentação de tratores alegóricos.
Cai alho! Sim, você leu direito, tratores alegóricos.

Trator Alégorico

Trator Alégorico

– Maia, como é que você sabe disso?
– Bem, lembra aquela história do nível sete?
– Lembro.
– Então. Rolou um nível seis com plus. Estou voltando a pé da casa de um pessoal.
Filho de uma boa mãe! Sempre desconfie de um Maia.


16/12/12 alguem tem que ficar de boa

Semana passada havia vindo sozinho até o Posto do Café no que podemos dizer ter sido o debut de srta. Hellen Dawson, a americazinha que usurpou o lugar de dona stefânia. Hoje voltei novamente com o companheiro Chico, afinal ele precisava de um esticada de moto, porque vai gostar de trabalhar.
Saímos por volta de 09:30 lá do bairro República em Vitória para alcançar o Posto do Café que fica na beirada da BR262 e marca a saída para as cidades de Araguaia e Alfredo Chaves. O interessante do Espírito Santo é que com pouco mais de 50km sai da região litorânea e se emburaca numa região serrana de clima mais ameno.

Portal para a região de Araguaia e Alfredo Chaves

Ainda bem, pois como na semana anterior, hoje também o clima estava agradável. Agradável se você for de alguma espécie animal de sangue frio, porque estava tenso manter a temperatura normal de 36oC ao custo de muito suor. Como eu sou um camarada que acredita que se deve andar protegido, passei um protetor solar, porque jaqueta sem chance. Além do que, sempre se pode usar um protetor da linha baby cujo cheiro agradável até disfarça o cheiro de gasolina típico após um voltinha dessas.

Exemplo das curvas da região

Exemplo das curvas da região

Enquanto tomávamos um suco de laranja para rebater a perda de líquidos e aproveitávamos o pão de sal com queijo minas passado na chapa, decidimos descer a estradinha vicinal até Alfredo Chaves, passando por Araguaia e com um pulo em Mathilde. Além de uma paisagem agradável de serra, ainda tinha uma série de curvas típicas para treinar o braço.

Estação abandonada de Mathilde antes da reforma

Paramos em Mathilde para ver a antiga estação ferroviária. Reformada e transformada num espécie de memorial e homenagem aos antigos funcionários da rede. Boa mesmo é uma foto antiga com um tiozão oferecendo uma dose de cachaça no meio do povo que estava em frente a estação.

Estação após reforma

Estação após reforma

Desde 1925, bebe inferno!

Desde 1925, bebe inferno!

Passamos ainda por dentro da cidade, onde há ainda um pequeno balneário no rio que corta a região. Infraestrutura bacana que vale pena curtir num fim de semana com direito a chalé e tudo. Mas como Mathilde é uma cidade de primeira, quando engatamos a segunda, já havia acabado.
E desembocou numa bela de uma estrada de terra. Meus olhos até brilharam, afinal eu sou da turma que “mete bem na terra”. Mas como o Chico trocou recentemente de moto, largando uma trail para tirar onda de esportiva, teve que pagar pau e demos meia volta. Cai alho! Voltarei aqui sozinho só para descobrir até onde a estrada vai.

Para quem mete bem na terra

Para quem mete bem na terra

Voltamos para a estrada vicinal e logo alcançamos Alfredo Chaves e em seguida a BR101 já próximo ao trevo de Guarapari de onde pegamos a Rodovia do Sol e o calor escaldante. Almoçamos já de volta em Vitória.
Como o Chico tinha que trabalhar, resolvi pegar um refrescante no Bar do Pezão. Afinal, alguém tem que ficar de boa nessa vida.


29/09/12 a necessária arte de desplanejar

Eu meio que havia esquecido dona stefânia na oficina do Chico desde a última viagem até Monte Verde MG. Não que houvesse algum problema mecânico (apesar que já é hora da revisão básica com troca de óleo), foi somente para tirar a sujeira que ficou com a chuva fina que peguei na ida.
E aí estou lá vendo o Chico comentando da volta até São Fidelis RJ e que o pessoal da turma dele não podia ir. Tinha reservado quarto duplo e tudo. Mas teria que ir sozinho. Bom, a vantagem de ser motoqueiro é que se decide as viagens na base da oportunidade e não em planejamentos minuciosos: “Aqui, vou com você, precisa chorar mais não.”
No meio da semana confirmei somente a hora de saída no sábado. Como ele tem que cuidar da loja, teríamos que sair a partir de 13:00. Sem problema, afinal seria somente uma perna de 300km. Viagem curta. Aproveitei para resolver uns trem que precisava e que acabei não resolvendo nenhum deles por motivos alheios a minha vontade. Rsrs. Incrível como as coisas são e por isso que já faz tempo que não ligo muito para programações exatas. Algo inclusive que gerou uma discussão com um amigo a respeito da dinâmica da vida.
Mas voltemos a viagem real. Por volta de 12:40 já estávamos cortando a BR101 por sugestão minha. O Chico até pensou em ir pela 3a ponte e Rodovia do Sol e eu: “pagar pedágio para quê?”. Paramos rapidamente no trevo da BR262 para que ele ligasse a goPro. Sim, dessa fez teremos este humilde escriba estrelando um filme no asfalto.
E lá ia eu fazendo toda a pose na filmagem, cortando o asfalto com critério, querendo demonstrar o uso da correta aproximação de curva, contra esterço e tudo que o valha. E eis que São Pedro resolve colaborar com nossa demonstração de pilotagem em estrada e desce uma bela duma chuva. Nem foi muito forte assim. Mas ao menos mostrou algo importante neste caso: diminua a velocidade.
Pouco após o trevo de Guarapari ES, um acidente feio com uma carreta de leite em pó. Ao menos dessa vez não praguejei tanto os catadores, quanto na vez do acidente em Rio Bonito RJ, quando um monte de desinfeliz tentava ser atropelado para catar água sanitária. Demos sorte de poder passar através da inhaca, pois os bombeiros fecharam a pista em seguida.
O que foi até útil, afinal continuamos debaixo da chuva, mas ao menos não tivemos trânsito pesado. Na primeira parada no Posto JR, uns 20km antes da divisa ES RJ e os dois pintos molhados faziam a alegria das atônitas atendentes da lanchonete. Aposto que elas pensaram que assim não andam de moto. Tem gente que conta um monte de lorota que lava a alma (nem sei como se sempre se fica imundo com o pó do asfalto). A verdade é que a chuva na estrada é uma plena lição de humildade. Não importa quem você seja.
Mas como a vida é boa em cima de uma moto, no trecho seguinte já no estado do RJ o clima estava limpo e o sol quebrou nosso galho para nos deixar secos novamente. Passamos um pedaço de Campos RJ e pegamos a estrada em direção a São Fidelis RJ. Que estrada agradável. E olha que passei aqui ano passado no maior aperto voltando de Penedo RJ com o óleo velho, filtro saturado e dona stefânia fritando e não pude aproveitar tanto quanto dessa vez. Recomendo o trecho para todos.

chegamos em sao fidelis

chegamos em sao fidelis

Chegamos são e salvos, mas com a cueca molhada ainda. Foi o tempo de botar a conversa em dia com o Well do Vitória MC que já estava por lá desde sexta e fomos na pousada tomar uma ducha e botar uma cueca seca. Sou motoqueiro, mas sou limpinho! E a noite prometia. Bons shows e diversão garantida como a turma daqui de Vitória que estava por lá. Ainda tive a oportunidade de conhecer nativos da região, pessoal muito gente fina.
No domingo ficamos eu e Chico avaliando se subíamos até Nova Friburgo RJ para conhecer ou se vazávamos de vez. A distância e o horário nos fizeram deixar Nova Friburgo RJ para uma próxima oportunidade. Mas para compensar resolvemos subir de volta a Vitória ES pela estrada que corta o litoral. Basicamente após a saída de Campos RJ, pega-se um trevo em direção a São Francisco de alguma coisa que não lembro mais e pronto, lá estávamos nós numa estrada digna de uma viagem de moto.
Sem certeza de postos, sem realmente saber o caminho correto e principalmente, sem muita correria. Foi uma das melhores opções que tivemos. Pois neste exato momento se rasga qualquer planejamento e se deixa guiar pelo que o asfalto vai apresentando. Uma usina de álcool aqui, uma cidade de calçamento acolá, uma ponte da divisa RJ ES que desemboca numa estrada de terra e…

divisa RJ ES

divisa RJ ES

a ponte

a ponte

alegria, alegria

alegria, alegria

Cara, sacanagem, não deu nem 1km de estrada de terra. Já estava jogando a mão para o céu pela diversão quando vi o asfalto novamente, pena. Mas já compensou a quase emoção e a lembrança da estrada de terra noite adentro na visita a Nova Viçosa BA ano passado. O Chico sugeriu a gente conhecer a praia que fica ali na divisa. Aparentemente é um lugar bonito.

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

Em seguida viemos cortando a chamada Rodovia do Sol que vai atravessando todas as cidades de veraneio que se tem direito no ES: Marataízes, Itapemirim, Iriri, Piúma, Anchieta, Meaípe, Guarapari para ao final alcançar Vila Velha e desembocar novamente em Vitória a partir da 3a ponte. Se uma estrada de moto já é agradável, uma estrada de moto com o oceano a seu lado é mágico.
Ainda bem que não planejei nada, pois teria voltado pela BR101 mesmo e perdido isso tudo.


Nota

22/09/12 quando o vento não vem

Antes de iniciar a leitura carregue: show me how to live

Esse fim de semana, como fazemos religiosamente toda terceira sexta de todo santo mês dos últimos doze anos, o povo do clã se encontrou no Bar do Repa na República Federativa do Estado Independente do Marajó. Nossa liturgia mensal carrega muita história de uma amizade que ultrapassou qualquer explicação lógica para aqueles que não tem amigos de verdade.

bar do repa

bar do repa

Morando em Vitória ES nos últimos 12 meses e até um pouco distante da RFEIM, o que me obriga a chegar bem mais tarde do que gostaria devido aos contantes atrasos da malha aérea (rsrs, sim eu também uso avião de vez em quando), lá estava eu com aqueles que a ferro e fogo conquistei e vice e versa. Bem sabe o McGuila.
O companheiro Garga me chega a plena 01:00 da matina para avisar: “meu pessoal do Rasta vai batizar novos integrantes, você tem que estar presente, já falei com o Nuanda também”. Uai, uma grande honra, afinal o pessoal do Rasta Brasil MC tem nosso maior respeito por sua história verdadeira de clube e irmandade.
– Quando? Que eu me programo para vir com dona stefânia.
– Amanhã. 08:00 a gente encontra na boca do anel ali no viaduto São Francisco.
– Cai alho!!!
Não se pode negar um convite de um irmão, ainda mais quando é o Garga, afinal ele é uma grande pessoa. Grande mesmo e não vale a pena contrariar.
Uma dose e meia de café preto depois lá estava eu no sábado pela manhã seguindo o Garga e o Jamaica em direção a Ipoema MG. No caminho os demais integrantes do Rasta se juntaram a nós. Peraí, Fantini, você veio de avião. Então traiu o movimento motoqueiro e trouxe dona stefânia de carreto? Claro que não! Fui de carro alugado mesmo.

o carro alugado, um estranho no ninho

o carro alugado, um estranho no ninho

Para quem não conhece (como eu também só tinha ouvido falar), Ipoema MG é um distrito de Itabira MG na beira (por assim dizer) da BR381. Cara, que lugar lindo. Serra e mais serra e mais serra. O distrito em si é bem simples, mas quem está interessado nisso quando se tem um pedaço tão representativo do que é Minas e seus mares de morro e suas cachoeiras para passear?

o mar de morros sem fim

o mar de morros sem fim

coisa comum para os lados de cá

coisa comum para os lados de cá

esse trem desse tamanho já não é tão comum, mas é bão também

esse trem desse tamanho já não é tão comum, mas é bão também

E nesse mar de morros nos infurnamos numa estrada de terra sem fim e sem… Peraí, Fantini, moto na terra, tô com nojinho. Problema seu.

você também devia experimentar

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Porque nesse infindável mar de poeira paramos numa ponto qualquer para que a cerimônia de batismo ocorresse. Sem bandas, sem brindes, sem alvoroço. Uma cerimônia verdadeira de uma irmandade verdadeira.
um ponto qualquer, mas não qualquer ponto

um ponto qualquer, mas não qualquer ponto

Como representante da outra irmandade verdadeira, nosso querido clã, tive que manter a compostura. Por fora não havia vento ao meu redor, mas por dentro um turbilhão de emoções em função daquele singelo ritual me faziam lembrar de todos que eu tenho na mais alta estima e consideração.

quando o vento não vem

quando o vento não vem

Um muito obrigado aos nossos irmãos do Rasta Brasil MC por nos lembrar do que realmente importa.