Prudens quid pluma niger secundum

* Viajando em Grupo

14/09/12 quem sabe se experimenta com uma full hd

Eu estava na loja / oficina do Chico essa semana comentando sobre como dona stefânia tinha ficado suja no pulo a Monte Verde MG (deixei ela lá para lavar) e aproveitando o dedo de prosa fui conferir a data e a quilometragem da última geral para saber se já era hora de trocar o óleo do cardan.
Ele começou a rir que era uma absurdo só me conhecer a 6 meses e já estar na hora de trocar o óleo do cardan que é a cada 10.000km. Sim, 10.000km de viagens em 6 meses, mais um bocado de boas amizades no mesmo período, como o grande Chico ou a própria Pagu, daqui de Vitória ES.
Mas os últimos 2.000km dessa empreitada somaram na última viagem no fim de semana que passou, com a volta ali na esquina de Monte Verde MG a convite da turma dos DOGs de Bhz, Carlão da Carlinha e Matheus da Zelda. O povo do clã resolveu ir em peso, inclusive o povo que não é DACS (ainda), afinal o clã nasceu bem antes da paixão de alguns por motoqueirismo.
Uma das vantagens de uma viagem longa é experimentar vários climas num mesmo dia, coisa que não se percebe numa viagem de carro hermeticamente fechado em seu ar condicionado e som de dvd. Na estrada o ar é que te condiciona a aceitar o frio do sereno da madrugada ao sair, combinado com o calor escaldante do sol a pino no meio dia, para te entregar a temperatura amena do fim de tarde. Com sorte ainda pode ser presenteado com um pôr do sol.

um pôr do sol de presente

um pôr do sol de presente

Juro que dá para ver da janela do apartamento. Basta dependurar sua tv full hd na janela e escolher algum canal com belas imagens.

talvez fique bom na full hd

talvez fique bom na full hd

No caminho tive a infelicidade de parar em Oliveira MG, porque senão teria uma pane seca em seguida. Não quis arriscar voltar empurrando dona stefânia e ficar com sede. A água de lá não é muito benta. Que o diga o Broto Jr.
E o asfalto em si, tanto da BR262, quanto da BR381, estava convidativo, com uma dose adequada de curvas que tornam a viagem mais animada, já que particularmente não curto muito as infindáveis retas de alguns trechos da BR101 das últimas empreitadas.
Cheguei e já encontrei o pessoal a toda na pousada com mais de meia grade e meia animando a conversa, foi difícil entrar no ritmo. O evento em si ainda estava vazio na noite de sexta e o jeito foi continuar na pousada. Após Mestre Trindade desempenhar seus ofícios de desperdício de bebida e ainda discutirmos ufologia até acabar com as cervejas importadas que o Helton trouxe, resolvemos dormir. Até porque o Carlão da Carlinha já estava para reclamar que não entendia para que tanto barulho as duas da matina.

Vista da Pousada Locanda Belvedere

Vista da Pousada Locanda Belvedere

No sábado o calor estava demais durante o dia e acabou que a turma se espalhou para conhecer a cidade. Monte Verde MG tem uns passeios legais de cavalo, caminhada, trekking e quadricíclo. Ah! Tem aeroporto para quem quiser ir de avião e enviar a moto por carreto. Parte de turma resolveu ir para o quadricíclo, parte resolveu dar uma descansada para a noite e eu fiquei lá passeando com a velha heineken mesmo porque estava com preguiça. Até encontrei com o Peralta e foi bom saber que apesar do susto em Penedo RJ já estava ali para contar a história.
Ainda peguei um resto de final de tarde do evento, com uma banda muito boa cover do Iron Maiden (tinha até o Eddie!) e depois fui dormir. Não deu para ver como foi o evento a noite e madrugada adentro porque já havia combinado com a dona da pousada que ia acordar mais cedo no domingo só para me preparar um café.

Eddie e a Infinity Dreams

Eddie e a Infinity Dreams

Domingo cedo, aquela serração fina e cortante, o vento gelado, atravessei a área do evento que não estava com vontade de pegar o desvio que deixaram por uma estradinha de terra e já estava descendo a sinosa estrada que dá acesso a Monte Verde MG. Parei para ver o nascer do sol, mesmo que seja possível ver na tv full hd.

o sol de um novo dia

o sol de um novo dia

Na volta tive que fazer uma parada emergencial devido a uma tarefa indelegável, o que atrapalhou um pouco a programação que tinha traçado de paradas de abastecimento. Poderia ter segurado até o posto em Oliveira MG, mas se tomando a água já complica, imagina se bate na bunda, aí fudeu de vez. Melhor não arriscar.

aqui é melhor ficar com sede

aqui é melhor ficar com sede

Belo Horizonte MG e metade da viagem ficavam para trás na subida da perigosa BR381 no trecho até João Monlevade MG. O engraçado é que vi dois acidentes de caminhão na reta no trecho Bhz – Sampa, provavelmente porque o motorista dormiu, não tem explicação. Enquato isso na chamada rodovia da morte, nada de mais, graças a um bocado de radares bem posicionados antes das curvas mais travadas.
Final do dia e fazia a última parada em Venda Nova do Imigrante ES, o tempo escureceu e desci a região serrana do ES praticamente no faro. Porque ora era o farol de dona stefânia que não ajudava no breu danado, ora era algum desinfeliz que subia no sentido contrário com o farol alto.
Não importa, completei mais 10.000km de estradas, dando motivo para o Nuanda continuar a me chamar de “iron butt”, estive junto do povo do clã num ótimo fim de semana, ajudei o Carlão da Carlinha a manter sua ranzinice e ainda economizei a grana que teria que gastar numa tv full hd. Perfeito.


07/09/12 copacabana esse fim de semana o mar sou eu

A nova onda agora é comprar uma moto, uma passagem de avião e uma entrada de evento que garante o translado da moto de carretinha enquanto você viaja no conforto dos ares. Tudo muito bacana e granfino. No maior estilo motociclista que se tem direito. Dizem que até se ganha um brinde: tédio.
Como motoqueiro que sou, ainda prefiro vivenciar a estrada e suas incondizentes nuances de clima ao longo do dia, durante um trajeto longo. Fora os mosquistos, sujeira, a possibilidade de uma pane seca e mais uns trocentos itens, caso se inclua quebrar a unha encravada na lista.

sobre peso

sobre peso

Não tão cedo dessa vez como de costume, afinal estava levando garupa, lá estavámos eu e dona stefânia descendo a BR101 em direção a cidade maravilhosa. Aproveitamos o convite de amigos para aproveitar o feriado da pátria e porque não, uma pisada na areia de copacabana. Porque entrar na água já é outra história.
Enquanto vivenciava o calor escaldante que sempre faz no trecho a partir de Campos, pensei na aeromoça servindo o terceiro copo d’água para meu companheiro que faz o mesmo trecho por avião. Acho que vou juntar uns amigos e montar uma empresa de translado de motos: “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”. Pensa bem, viajamos de moto e ainda ganhando. Vou amadurecer a idéia.

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

O rio de janeiro continua a mesma coisa de sempre. Inclusive qualquer lugar para mim é copacabana como na foto. E para minha surpresa, o pessoal que nos recebeu acha que copacabana se tornou uma farofa só. Bem, concordo que estava lotado, mas convenhamos, era feriado. Gostaria ainda de pontuar um restaurante árabe que nos indicaram, não sei o que Faraj, muito bom. Não lembro a rua, mas é nos arredores da entrada da estação de metrô Cantagalo. Bom, salvo engano, mas qualquer coisa é ali no pé da Pavão Pavãozinho.
Sim, estávamos próximos da entrada do morro. Inclusive tem um albergue legal nessa entrada principal. Fora um bocado de botecos legais, bem cariocas, nas quadras próximas. Uma pena que não tinha mineiros suficientes para me acompanhar no chopp gelado.

faltou mineiro

faltou mineiro

No dia seguinte, estava de carona e isso foi um erro, passamos por um trecho do rio que não conhecia, contornando a Pedra da Gávea para sair na Barra da Tijuca. Antes disso tem uma estrada que vem rodeando o penhasco lá que não guardei o nome e o mar lá embaixo. Simplesmente fantástico. Vou ter que ir de novo só para passear ali com dona stefânia que ficou abandonada o feriado todo. Bom motivo para encontrar com o Marcelo que dessa vez não teve como.
No retorno saímos bem mais tarde que o de costume e já esperando pelo alegre sol na região entre Rio Bonito e Campos. Não sem motivo o posto que costumo parar neste trecho se chama Oásis. Mas no domingo estava excepcionalmente mais quente que o normal. Tenho certeza que os companheiros Cidão, Bart e Mikele vão dizer que eu não vi nada até atravessar o deserto, mas estava quente para cai alho!
Indiferente disso tudo, estrada perfeita, feriado muito bom, sendo muito bem recebido pelo pessoal que nos convidou para um fim de semana bacana. E dona stefânia não reclamou nem de ser abandonada na rua ou ter que carregar mais peso na estrada.
Mas é provável que reclame se eu resolver abrir a “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”, afinal não vai gostar de me ver rasgando asfalto por aí com outra motocicleta.


18/05/12 e você acha que já passou por tudo

Já fazia algum tempo que não viajava em grupo, mas a galera que conheci aqui do Ayso Motociclismo e do Vitória MC estava insistindo para ir no encontro em São Mateus que é um dos principais no Espírito Santo. Para ser sincero isso para mim é de menos, importa sempre é a desculpa para pegar uma estrada, seja qual for. Mas estava um pouco apreensivo por pilotar com quem eu não sei como se comporta na estrada.
Não estou sendo rancoroso ou rotulando ninguém, mas no fim das contas cada um tem seu ritmo. E de tão mal acostumado por viajar sozinho, pensava se eu mesmo não seria uma má companhia. Bom, má companhia não fui, mas trouxe a chuva.
Combinamos de encontrar às 14:00 de sexta. Negociei uma folga no serviço, o tempo estava bom. Mas foi chegar no local de concentração e desce aquela garoazinha chata. O Chico me pergunta se não vou colocar capa de chuva. Cai alho! Esqueci em casa, deixa. Mas insistiu tanto que fui lá buscar e aproveitei para trocar o jeans surrado pela calça de cordura para evitar muita sujeira. Evitar mesmo nada, mas fica mais fácil de limpar depois.
Saímos de Vitória debaixo daquela garoa chata, mas nada impossível de sobreviver. De capa? Eu não. É engraçado que quando levo acabo não usando. E fomos até chegar em Fundão, uns poucos kms depois subindo a BR101. E o tempo secou. Maravilha, pensei, esse clima mais ameno e sem chuva. Perfeito, apesar do tempo ainda fechado.
Paramos uns 100km depois na metade do caminho. Teria ido direto se estivesse sozinho, mas é como falei, cada um tem seu ritmo e em grupo tem que respeitar o que o grupo decide.
Chegamos em Linhares e para nossa desagradável surpresa, a chuva resolveu apertar novamente. Dessa vez foi daquelas chuvas finas, que se acredita que não vai fazer diferença. E daí a pouco nada de diminuir a chuva. E depois escurece de vez. E aí caminhão jogando spray de lama na fuça. Bom, nessa altura do campeonato você que está aí se contornando no sofá pensando: “eu até queria comprar um moto”, vou ser sincero, não compre.
Mas como eu acho cada desaventura dessa um motivo para rir depois, lá estava eu e os demais completamente encharcados, se perguntando se não seria melhor fazer igual o camarada do sofá. Não seria não cai alho! Tomei vacina contra gripe exatamente para sobreviver nessas situações.
Chegamos e São Mateus estava debaixo d’água. As ruas onde estava o encontro alagadas. As ruas da pousada alagadas. Conseguimos chegar na pousada usando as calçadas porque na rua só de jetski. Diversão garantida. E chegar e ver o Viana sentado na varanda da pousada enrolado num cobertor foi o máximo. Depois de botar as roupas num varal improvisado e usar a água que ficou no coturno para encher a piscina, juntamos na entrada da pousada e improvisamos um churrasco, além de conhecer outros camaradas que também estavam na mesma pousada.
Por mim já estava de bom tamanho porque curto mesmo é a bangunça com a turma. Mas no dia seguinte, no sábado, fomos para o encontro, o tempo já estava firme lá em São Mateus. Quem veio de Vitória logo cedo nem pegou chuva, mas ao longo do dia ia chegando cada um mais ensopado que o outro devido a chuva na estrada. “Fantini, está chovendo para cacete!”. Tive que responder que ele não viu nada. Chuva de dia é mamão com açucar, de noite e com carreta, já é outro nível.
O encontro estava muito bem organizado, realmente faz jus a fama. Vale a pena. Bandas boas. Muita moto, muita loja de buginganga, muita gente. Muito bom. Saimos umas 10:00 da pousada e só voltamos às 03:00 da matina.
No domingo o povo me acorda desesperado. “Vamos embora mineiro que já são 10:00!”. Levantei correndo, tomei banho correndo, arrumei as coisas correndo, montei tudo na moto correndo e vendo todo mundo de boa, nenhuma moto montada, desconfiei. Olho o relógio, nem 08:30. Cai alho! Mas também tinham combinado de sair logo cedo por volta de 09:00.
O tempo estava agradável, nublado, mas sem chuva, temperatura no ponto. Vínhamos na maciota, 90-100km/h. Daí o estômago começou a reclamar da corrida na pousada para sair no horário. Devia ter me livrado de todo mal por lá mesmo. E agora ali no meio do nada em lugar algum. Segurei, mas não teve jeito, naquele ritmo de viagem e com a tarefa indelegável e a cada momento mais inadiável, não tinha jeito. Acelerei e deixei o povo para trás.
Encontrei um posto uns bons 50km depois. Suando frio. Aquela cara de mal encarado. É provável que o povo que estava no posto pensou, fudeu, o caboclo veio para quebrar a cara de alguém. Nem dei trela, corri para o banheiro e a vida ficou tranquila novamente. Lembrei do companheiro Nuanda e suas últimas crises de tarefa indelegável. Não é algo que se deseje ao seu pior inimigo.
Voltei para a estrada e fui reencontrar com o povo quase de volta em Vitória. Me desculpei por sumir do nada, mas depois de explicar o motivo entenderam. Ainda fechamos com um churrasco em um buteco de bairro.
Mas fique tranquilo que eu já estive sentado no sofá pensando em se comprava uma moto. A cada peripécia como as desse fim de semana, confirmo que foi uma boa decisão que tive.


Viajar em grupo é um pouco mais que colocar motos no asfalto!!!

Antes de iniciar a jornada de BH-Blumenau pesquisei muito na internet, em grupos e foruns de motociclismo, sobre dicas de condução, sinais, segredos e artimanhas para se viajar em grupo. Li na integra poucos dos artigos encontrados, talvez pela falta de tempo ou excesso de auto-confiança. Meu intuito era tentar corrigir algumas das falhas ocorridas na viagem à Vitoria (ES) meses atras, nada serio, mas que nos deixa receoso.

Partimos muito cedo e pouco combinamos sobre sinais e avisos, tudo nasceu naturalmente durante a estrada e em pouco tempo já estávamos em sintonia. Sinais de parada, ultrapassagem, redução de velocidade, pedido de atenção … Foram nascendo ali, a cada parada para reabastecimento e do entendimento das necessidades.

Percebi que mais importante que sinais, é sua atenção ao transito. Devemos nos ater aos retrovisores, perceber os acontecimentos a sua volta e respeitar as limitações do grupo.

Em resumo devemos nos comportar sequencialmente, repassando os sinais e agindo logo em seguida.

Ao ultrapassar devemos ter cautela e respeitar os espaços existentes, na rodovia e entre os veículos e caminhões! Não devemos arriscar, a viagem de moto por si só já é um trabalho de administração constante de riscos!

Em resumo, quem vai a frente do grupo, conduz o comboio, assim como a segurança de todos, dita o ritmo e os melhores momentos de se investir numa ultrapassagem, normalmente é quem define os melhores pontos e momentos de parada conhece a autonomia das demais motos.

Quem fecha a fila garante segurança na ultrapassagem por terceiros e protege o grupo contra os mais engraçadinhos, também auxiliando no ritmo.

Os demais devem manter o equilíbrio das funções, recebendo e repassando sinais e seguindo o ritmo com cautela, nao extrapolando limites e sempre ligados aos demais integrantes.

Com poucos quilômetros tudo isso torna-se automático, nasce então a sintonia que garante toda a tranqüilidade para que possamos viver o momento transcendental da viagem em grupo de motocicleta!

Simples… Em sintonia… Equilibrados… E 1500km não serão nada de mais!!


24/10/11 mas bá, esse guri estais a falar de ti

Nosso amigo comunicólogo tentando ser charmoso:

http://download.sgr.globo.com/sgr-mp3/cbn/2011/colunas/papo_111024.mp3


Pequena nota sobre o Tempo na viagem

Em princípio, uma viagem rende mais quando realizada solitariamente. No entanto, o fato de não estar cercado pelos camaradas, não vê-los à frente ou mesmo buscá-los nos retrovisores, faz com que o tempo da viagem passe mais devagar.

Pomerode - SC - Brasil

Pomerode - SC - Brasil


04/06/11 visita ao juquinha

Quase teríamos um bonde antológico subindo para Serra do Cipó para um bate e volta sugerido pelo Hermano João a mais tempo. Tudo combinado, deixei os apetrechos organizados para partir sábado de manhã de Mariana para Bhz. Toda vez me lembro do comentário de um camarada a meu respeito: “Fantini, você é o único cara que eu conheço que viaja para viajar de moto”. Ele tem razão, toda vez que combino com alguém, tenho que me deslocar primeiro, para depois realmente passear.
Para o diabo! Mesmo o conhecido trajeto pela MG356 cortando o caminho para Ouro Preto, somado ao aumento de volume de trânsito com a interdição da saída da BR262/381 em Bhz com a queda da ponte sobre o Rio das Velhas, ou o frio cortante que fazia às 07:00 da matina, não impedem de considerar o deslocamento inicial parte do passeio.
E ainda aproveitei, já que o trecho é conhecido, para aprimorar o contorno de curvas com a utilização de contra-esterço e controle da aceleração. Se você ainda não faz isso e acha que é só subir numa moto e pronto, considere aproveitar todo e qualquer trecho para treinar e aprimorar sua condução. Seu anjo da guarda agradece.
O Nuanda já tinha avisado que compromissos de trabalho haviam reduzido seu fim de semana a somente o domingo. Mas foi chato receber a mensagem do Broto Jr indicando que não poderia vir mais devido a falecimento de um parente. Não pode nem se apresentar no tradicional café da manhã na padaria em frente ao Condomínio JK na Rua Timbiras – tradicional porque era de lá que partíamos para as trilhas e nossa farra na lama.
A atendente perguntou ao Nuanda se queria beber alguma coisa e ele: “pode deixar, vou pegar uma coquinha”. Voltou com um pet de 2 litros. Cai alho!
Partimos eu e Hermano João em direção a Lagoa Santa. Perguntou se iríamos pela Pedro I, mas sugeri irmos pela Cristiano Machado mesmo, até porque precisava abastecer porque meu passeio tinha iniciado a 130km atrás. O trânsito na Praça Raul Soares e depois no pequeno trecho da Andradas / Teresa Cristina até o Complexo da Lagoinha foi tranquilo. Na Cristiano Machado, o que incomoda mesmo é a obrigação de manter a velocidade no máximo a 60km/h. Não rende.
Pegamos a Linha Verde (antiga MG10) e assim pudemos sentir o vento no peito e o cheiro de asfalto. Apesar das críticas e das reclamações inerentes de quem foi expulso da região da Savassi para os lados de cá, ainda acho que o Centro Administrativo Trancredo Neves é uma obra a ser aplaudida pela sua beleza. Acho que um dia vou marcar um passeio só para tirar umas fotos com o imponente conjunto servindo de pano de fundo.
Chegamos a Lagoa Santa e me lembrei de sua aparência de cidade satélite pacada da época em que trabahava na região a bem mais de 9 anos atrás. Hoje tomada pela explosão imobilária de condomínios verdes e pelo trânsito de sitiantes de fim de semana, sua travessia para finalmente pegar a estrada para Serra do Cipó é um certo incômodo. Não importa, o destino justificava qualquer incômodo.
Serra do Cipó. O clima, a beleza natural, as corredezas sobre pedras do rio logo na entrada da região, a imponente serra. Um espetáculo a parte. Uma pena que seria somente um bate e volta, aqui merece um bate e fica para aproveitar o movimento noturno (tinha até um boteco que teria um show de jazz). Bom, mas aí lembrei do trânsito em Lagoa Santa na saída no domingo, rsrsrs e achei melhor o bate e volta saindo no sábado num horário atípico ao rush.
Subimos um trecho da serra para tirar fotos nos mirantes. Não é só as fotos que se tira. É também de se tirar o fôlego! Não, não tivemos que empurrar as motos por pane seca (abastecemos na saída de Bhz), mas a vista é maravilhosa e o mar de morros se estende até aonde a vista alcança.
Já era mais de meio dia e achamos prudente almoçar para voltar em seguida, pois havia a festa junina do Thiago Aguiar a noite. Resolvemos pegar o frango com quiabo a R$10,00 na Taberna do Léo. Recomendo demais. Eu e Hermano João comemos, comemos, empurramos comida para dentro e ainda sobrou. E além de farto, delicioso. Nada a se comparar com a minguada refeição em Honório Bicalho de outras desaventuras.
Mas além do ótimo prato e excelente atendimento, o ponto alto seria a chegada de três pseudos em suas máquinas cromadas e personalizadas com peças originais de fábrica. Tinha um que ostentava jaqueta, capacete, calça, bota, camiseta, bandana e até cueca da marca. Sinceridade, está para nascer gente mais caricata! É capaz de nunca terem pegados um viagem longa, afinal a discussão deles era que a jaqueta esquentava demais. Cai alho! Se eu fosse contar que já torrei debaixo de sol quente para em seguida atravessar 100km debaixo de chuva era capaz de me dizerem que isso não é motociclismo. Rachei! Mas gosto é gosto.
Após o kilo e alguns comentários sobre uma possível visita a Blumenau na Oktober Fest, voltamos e a estrada novamente nos apresentou sua singela combinação de fundo azul escuro com linhas amarelas e brancas. Às vezes numa reta a se perder de vista, em outras logo se perdia o que havia adiante no contorno da curva, até que o belo horizonte surgisse a nossa frente.
Beleza, mas e o Juquinha? Esqueceram de visitá-lo, não? Pois é, não achamos o dito cujo, teremos que voltar a Serra do Cipó outro dia.


25/06/10 de volta ao dentista

A região da Estrada Real, que concentra as cidades históricas de Minas da época do ciclo do ouro, tem um clima muito interessante no inverno. Por incrível que pareça faz calor durante o dia, a ponto de incomodar ficar exposto ao sol. Já à noite, a temperatura cai bruscamente e, ao arrepio de alguns amigos meus, faço uso do velho e bom cachecol. Considerando esse clima e não podendo perder o Tiradentes Motorfest no fim de semana (afinal seria um revival da primeira viagem com dona stefãnia), me programei para encontrar com amigos de Bhz, Nuanda, Ebin e Broto Jr, no sábado de manhã e descer para o dentista por volta de 09:00 no Posto Chefão na saída para o RJ. No final do dia subiria para Itaúna, pois também estava devendo uma visita (só tem quase um ano) a outro amigo, Flávio, que mora lá. Sexta logo cedo, aguardando reunião no escritório da empresa em Bhz (a unidade que trabalho fica em Mariana e nem precisa comentar que sai de madrugada de carro para estar cedo em Bhz), me aparece mensagem do Nuanda: “Fui”. Ca ialho, pensei, foi para onde diabos? Liguei para perguntar, não atendeu, mesmo depois de três tentativas. A resposta só vim a saber no meio da reunião com outra mensagem dele: “Tiradentes está demais, gente bonita e chopp da Krug. Se eu fosse você viria agora também”. A vantagem de nossos amigos e que podemos maldizê-los sem que isso gere qualquer intriga, portanto maldito Nuanda, isso lá é mensagem que se manda para alguém que está no meio de uma reunião discutindo um bocado de assuntos, menos moto? Depois ainda insistiu: “Já arrumei um quarto barato para passar a noite. Vem hoje mesmo”. Cai alho, vou dizer que foi um dos dias mais longos que já passei no escritório. Nem o interlúdio com aquela pelada que a seleção fez contra Portugal salvou. Finalmente 17:00 e estou livre. Livre? Bom, livre para voltar para Mariana. Uma ducha rápida (na verdade um chuveiro quente porque já estava frio), separa o essencial na bolsa de sissy-bar, três cuecas, quatro pares de meia, moleton, cachecol (lógico) e umas duas mudas de roupa. Armadura no corpo e pé na estrada. Já eram umas 20:00 quando sai de Mariana em direção a Tiradentes. Tanto o trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco e depois a interligação entre Congonhas e São João Del Rey, são estradas lindas com uma paisagem merecedora de muitas fotos. Bom, isso de dia, a noite e nesta época do ano, eu me perguntava se seria possível o Motul 5100 deixar de ser sintético e dona stefânia voltasse a ferver debaixo das minhas pernas como na época do Yamalube. Tudo bem, tudo bem, não serei tão rabugento, a lua cheia estava linda e era a cereja do bolo. OK, do sorvete. Em compensação acho que estou preparado para qualquer incursão ao Sul do país. Fora que companheiro cornija ficou lá encolhido, praguejando o frio, e nem me incomodou. Mais de 22:00 e chegava em São João Del Rey. Confirmei com o Nuanda onde encontrá-lo em Tiradentes e para lá fui, pela estrada velha mesmo, para o arrepio dos meus ossos que na conjunção do frio com os solavancos realmente pareceu que partiriam a qualquer momento. Tudo bem, o abraço do velho amigo ao encontrármos resolveu o problema. Tiradentes estava demais e principalmente a tenda da Krug Beer estava demais. Podem nossos amigos paulistas exaltar o Pinguim ou nossos companheiros cariocas aplaudir a Devassa, mas Krug Beer é cosa nostra! Chopp perfeito. Fora o camarada na voz e violão que estava muito engraçado com um repertório bem variado, passeando por vários clássicos. Ficamos lá com uma galera que o Nuanda conheceu durante o dia, pessoal muito bacana que vieram de speed. Antes disso, ainda vi o Tuí e o Alexandre Moreira lá na tenda da Motostreet. Por volta das 02:30 consideramos que já era hora de dar um tempo, mesmo porque o show acabara. No caminho para ir embora, não é que vemos novamente o Alexandre, agora acompanhado do Russo. Conseguiram nos segurar até depois de 04:00 da matina contando as peripécias do Russo para sair de Riberão Preto até Tiradentes. Não sei como ele conseguiu, mas deu uma boa volta por dentro da Lagoa de Furnas (até usou balsa), ficou perdido em estrada de terra, uma piada. Estava com a menina que conheçou em Riberão da época do passeio Dragueiro em Jardinópolis. Dois ótimos camaradas. Sábado de manhã, por volta de 07:30 fui agraciado com uma ligação do serviço bem no meio do meu sono embelezador. Informação sobre como estava o andamento de uma obra da empresa. A boa educação me impediu de falar que não queria saber daquilo naquele exato momento, mas foi uma informação pertinente. Segundo tempo de sono, 09:30 liga o Ebin: “Aqui, o Broto Jr não apareceu, como fazemos?”, “Larga a franga para trás” respondi e desliguei. Novamente a vantagem dos amigos é que podemos desligar na cara que ninguém deixa de te pagar cerveja por causa disso. Acordei mesmo por volta de 10:00. Banho e a surpresa de um super café na porta do quarto. Até que a “pousada” que o Nuanda arrumou era muito fina. No outro quarto tinha uma camarada com uma BMW, gente fina, mas não guardei o nome. Voltamos para o encontro e daqui a pouco esbarro com o Peninha, que estava meio com pressa e desapareceu na multidão. Mais um pouco e lá está o Ajota perdidão no meio do povo. Grande Ajota, companheiro de estrada e de muito encontros. Me confidenciou que já estava de olho numa moça de Goiânia. “Mas, Ajota, e a moça de Uberlândia?”, “Fantini, motociclista gosta de uma estrada, temos que ter vários destinos”. Realmente ele tem razão. Demos uma volta pelo evento e como eu disse o calor do dia começou a incomodar. Nenhuma notícia do Ebin ainda. Liguei, fizeram um pit-stop em São João Del Rey. Encontramos novamente a galera de speed de ontem. Vim a saber que uns deles queria mais que todo mundo se fodesse, explico, é dono de motel. Pouco depois de 14:00 despedimos do pessoal, dei um último abraço no Ajota e eu e Nuanda pegamos estrada. Ele tinha compromisso em Bhz e eu ainda tinha mais um asfalto até Itaúna. De dia a vista da estrada entre são João Del Rey e Congonhas é um espetáculo, viemos até num ritmo mais lento, lembrei-me do PE-49. Fomos assim até pouco depois de Lagoa Dourada, onde aceleramos o ritmo pois havia ficado um pouco tarde para nossos objetivos finais. Como ainda estava sem almoço um pequena parada em Congonhas para um pão de queijo. Despedi do Muamba, apesar que ainda dividiríamos a BR040 até o Anel Rodoviário, onde eu desceria para a Cidade Industrial e depois pegaria a Fernão Dias e ele desceria direto para Bhz pela Nossa Senhora do Carmo. Já sozinho na Fernão Dias, passei pelo velho caminho de sempre até Itaúna, passando por Igarapé e depois Itatiauçu. Quando parei para reabastecer na saída de Bhz, o frio já começara a cortar e melhorei minha condição térmica com um cachecol (sim, já deve ter alguém comentando: “cai alho de cachecol, Fantini”, mas faz muita diferença no frio). Cheguei na casa do amigo Flávio e a festa de aniversário da filha dele já estava bombando. O bom foi rever a Michele, uma amiga lá de Itaúna, linda como sempre. Aliás ela estava muito arrumada no vestido de festa e o brutamontes de jardim aqui (no alto dos meus 1,67m) com a armadura toda imunda por uma chuva de barro que tomei de uma carreta na estrada. Um cena típica de qualquer ser motoandante. Muita cerveja depois e ao fim da festa, lá estava eu capotado na cama improvisada na sala da casa. Tudo perfeito. Assisti aos dois excelentes jogos do domingo. Alemanha e Inglaterra, para mim até o momento o melhor jogo da Copa, e Argentina e México. Em seguida despedi do Flávio e família, missão Itaúna cumprida. Novamente a solidão do asfalto em direção a Mariana. Solidão? Lá estava eu com dona stefânia e companheiro cornija, este impagável e novamente praguejando o frio. Emprestei para ele o cachecol.


15/08/09 royal highway

Olha só como é a vida. O que estava combinado era somente rodar quase sem destino no sábado – na verdade tinha programado finalmente fazer o trecho da estrada real entre Ouro Branco e Ouro Preto – junto com o grande Broto Jr que ainda está se acostumando com sua imperial Viragosa 535.

Bem, cumprindo com minha vida de morador do interior, viajei para Bhz na sexta. Daí a pouco o Broto Jr me liga. Já imaginei: “lá vem ele mijar para trás de novo”. Qual nada, um amigo nosso ia tocar com sua banda no covil dos Vutu’s e não podíamos perder. Quem sou eu para discutir com um amigo, também motociclista, e que ainda me chama para um show de rock numa sede de Motoclube?

Chegamos lá e tenho que reconhecer que o local está muito fino, parabéns para a galera do Vutu’s. Para quem quiser conferir, fica na R. São Paulo 1480 próximo a Av. Bias Fortes no centro. A parte divertida é que o local era uma antiga boite (ou puteiro para os mais ávidos). Sou suspeito para falar do show, afinal a banda Metalzone é de pessoal amigo de longa data, mas para quem curte um black sabbath ou um motorhead pode ir no próximo show de olhos vendados.

Antes de meia noite Broto Jr decide ir embora: “Vou descançar para amanhã.” Até mais e fiquei pensando… Amanhã? E o que diabos tem amanhã? Cai alho, o passeio na estrada real. Acho que as doses de guaraná antartica me deixaram meio grogue. O melhor era ir para casa também e descançar para o sábado.

Às 08:00 em ponto, conforme combinado, lá estava o Broto Jr na porta de casa (quero dizer casa dos meus pais). Logo de cara vi o cabo do hodômetro da Viragosa solto e providenciei o reparo. “Pô, Gustavo, começamos bem, hein?”. Calma, Deus cuida bem dos seus bons filhos, e toda a má sorte foi descarregada neste cabo solto que já está OK. Partimos para a estrada.

Subimos a BR040 em direção a Ouro Branco. Primeiro pit-stop no Topo do Mundo na Serra da Moeda para uma sessão de fotos. Volto a recomendar pela vista e pelo clima. Bom, para aqueles que andam reclamando da rebeldia dos cabelos (saem e não voltam), recomendo não retirar o capacete ou ainda treinar com seu mestre jedi para retirar o capacete e colocar imediatamente um boné. O vento que no local é excelente para a prática de paraglide, também é conhecido por levar os cabelos embora. Sinceridade, se amarrasse uma pipa no sissy bar, era capaz de levantar a dona stefânia.

Voltamos para a estrada, deixamos para a trás a maravilhosa vista e trocamos o vento de arrancar os cabelos pelo vento no peito. Se bem que somente eu troquei, afinal Broto Jr colocou uma bolha na Viragosa. Não sei se dona stefânia ficaria bonita com uma, mas eu prefiro mesmo o vento no peito.

No Viaduto das Almas, as obras para algum dia ligar o novo viaduto já pronto com a pista da BR040 (dizem que entregam em 2010) atrasam um pouco a viagem. Eu não ligo, afinal se já é perigoso de carro passar próximo a caminhões e escavadeiras, de moto então. Já imaginou tomar uma conchada de escavadeira bem no meio da viseira? Fria.

Finalmente Congonhas e logo em seguida a saída para Ouro Branco. Em Ouro Branco um necessário pipi-stop. E então a parte mais esperada, o minúsculo, mas fantástico trecho de 30km da estrada real entre Ouro Branco e Ouro Preto. Reduzimos a marcha e fomos tranquilamente nos atentando a cada detalhe. A vista é algo a parte e a estrada através da serra é um espetáculo.

Paramos próximo a uma das antigas pontes de pedra da estrada original (ficam fora do asfalto para o trãnsito não danificar) para uma sessão de fotos. Se não me engano são no total 5 pontes. Se considerar que foram erguidas a uns 300 anos atrás e ainda estarem lá, temos que respeitar a capacidade dos antigos arquitetos e operários. Eu particularmente acho algo para se orgulhar do ser humano, apesar de todos os nossos defeitos e pecados.

Em seguida passamos em frente a saída para Lavras Novas e continuamos em direção a Ouro Preto. Um novo pit-stop na Praça Tiradentes. Atenção dessa vez foi só pit-stop, não venham nos chamar de vândalos e pessoas sem pudor que se aliviam num patrimônio histórico. Tinha uma galera grande lá também a passeio de moto, provavelmente a caminho de um moto encontro que estava tendo em Ponte Nova.

Seguimos para Mariana onde almoçamos para repor a energia. Como eu tinha que participar de um seminário no domingo e segunda em Bhz e não podia ir com dona stefânia, deixei ela em Mariana e subi de volta para Bhz, acompanhando Broto Jr de picareta.

Com a vontade satisfeita com relação ao passeio na estrada real, ficou uma sensação de que deixamos algo para trás… Ah, é! Foi a má sorte lá no cabo do hodômetro solto.