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30/05/13 a morte da bezerra pt01

O que se pode dizer sobre uma viagem de moto que já não tenha sido dito? Alguém sempre tem uma dica, qual moto é melhor para isso, qual moto melhor para aquilo, o que levar, que tipo de roupa usar, quantos quilômetros se avançar por dia e inúmeras outras amenidades que se encontra por aí na opinião dos mais entendidos de plantão e comentaristas de revistas especializadas no assunto.
Talvez aquele camarada que você encontre no café da manhã todo sábado, lhe passe recomendações fundamentais de segurança e indumentária, qual a maneira correta de conduzir a motocicleta e, pasmém, um código completo de sinalizações para indicar o que há de perigo na pista quando se anda em comboio.
E você, Fantini, se preocupa com esse tipo de coisas?
– Desculpe… falou comigo?
– Sim, você não se preocupa com…
– Ah! Sim, estou muito preocupado. Preocupado com a morte da bezerra!
E olha que o Helton, nosso novo aspirante, comentou bastante sobre este evento fatídico, mas deixa isso para quando chegarmos em São Paulo.
– São Paulo! Vai rodar bem então.
– Talvez, mas primeiro vamos para Goiás.
– Goiás?!?

Divisa Minas - Goiás por Araguari

Divisa Minas – Goiás por Araguari

Eu já estava a caminho de Uberlândia MG, após passar o trevo de Araxá MG. Vinha desde Vitória ES quando sai quinta por volta de 05:45 da matina. Estava prestes a ter uma pane seca quando finalmente surgiu uma cidadezinha chamada Santa Luciana MG. Estava difícil controlar a mão trêmula e congelada pelo vento e umidade da chuva fina, quase uma névoa, que vinha me acompanhando desde a divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais.
Como era uma chuva bem fina, não chegava a molhar o asfalto, somente ia umedecendo a roupa a ponto de que a sensação de frio chegava ao limite do intolerável. A segunda pele tentava fazer seu papel em vão e comecei a imaginar a oportunidade de comprar um colete de lã fino para usar sob a jaqueta.
Comecei a rir, afinal a jaqueta tem um forro térmico. Um forro térmico que ficou em Vitória ES, dentro da caixa no armário onde está desde que mudei para o clima infernal do litoral capixaba e arredores. Cai alho!
Cheguei em Uberlândia MG por volta de 18:30 conforme previsto. O Aurélio Batman que me aguardava em Três Ranhos GO já estava conhecendo meio mundo no encontro lá (o que nos proporcionou um bocado de cervejas grátis, diga-se de passagem). Mas como é que um camarada anda mais de 1.000km em apenas 13 horas?

Encontro em Três Ranchos GO

Encontro em Três Ranchos GO

Bom, como sai cedo, consegui encaixar a subida da serra até Realeza MG com o trânsito de mineiros descendo de Bhz para a praia. Daí em diante não peguei trânsito praticamente algum, o que dá para fazer a viagem render bem. E também tem a facilidade de já conhecer a estrada, uma vantagem que só tem quem usa sua moto para ir além das esquinas do bairro. Recomendo.
O último trecho entre Uberlândia MG e Três Ranchos GO, pelo contrário, era completamente desconhecido. Conferi o mapa, passaria por Araguari MG, divisa e Catalão GO. Mas uns 200km. Fichinha para quem já tinha feito 1.000km? Mais ou menos pois a partir de 18:30 já havia escurecido bem e para quem já passou por isso, sabe o quanto é ingrato viajar de moto a noite quando o céu está nublado. É um bréu do cai alho! E em estrada desconhecida, melhor ir “na manteiga” como recomenda Mestre Grilão.
Por volta de 21:30 cheguei em Três Ranchos GO e já fui direto para o encontro. Mal parei Hellen Dawson e já tinha um caboclo cabeludo me gritando.
– Porra, padrinho! Veio mesmo. Vem cá mostrar para esses caras aqui que você veio mesmo.
Grande Aurélio Batman. Figura, nos conhecemos em 2009 num outro encontro em Goiânia GO. Preciso professor da arte dos embates. Nunca esquecerei sua técnica de posicionamento estratégico em botecos.
Já tinha conhecido meio mundo do evento. Tudo bem que meio mundo do evento não passava de meia dúzia de gatos pingados. Primeiro evento em cidade pequena é assim mesmo. Mas garantiu boas risadas e muita cerveja.

O pessoal aqui prefere jetski

O pessoal aqui prefere jetski

E aí vem o Nelsão, incrédulo.
– Você não veio de Vitória ES hoje não. Não tem como.
– Uai, é tranquilo, basta acordar cedo, pegar a moto e seguir a direção até aqui.
Na verdade acho que ninguém acreditava que um camarada fosse capaz de rodar mais de 1.000km em um dia, na verdade somou uns 1.300km (quase um iron butt sem fazer muita firula que fazem por aí), somente para encontrar um velho amigo. Bom, se você também não acredita, venda sua moto e procure outro passatempo. Pois é disso que é feito motociclismo, rodar e encontrar amigos. Nada mais.

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