Prudens quid pluma niger secundum

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17/05/16 novas pontes

Para mais de ano, comentei aqui sobre a importância da construção de pontes nas nossas relações sociais. Alguém mais afobado vai dizer que isso é muito fácil em se tratando do Fantini. Não só veemente nego, como assumo que isso faz parte de uma decisão pessoal de transformação. Eu era um cara fechado e resolvi não ser mais e sei como não é fácil criar pontes.

Mas você já está aí encucado porque queria ler alguma aventura ou peripécia após longo tempo sem que o humilde aqui escrevesse uma frase sequer é dá de cara com esse papo furado de livro de auto-ajuda.

Pois bem, existe todo o mito de que andar de moto transforma a pessoa. Posso afirmar que te transforma numa pessoa mais suja depois de 1h debaixo de chuva com caminhões levantando água suja na Serra do Cafezal na Regis Bittencurt ou mais fedorenta após 1h no asfalto escaldante da região sul de minas quando entre 11:00 e 14:00 você está lá no meio da Fernão Dias.

Dizer que andar de moto vai te tornar uma pessoa mais legal, somente porque agora tira fotos de tirar o fôlego na estrada. Fotos são para ter boas lembranças, mesmo se for usar os filtros de algum aplicativo para melhorar as fotos de celular.

Foto de paisagem e comida. Duas vezes mais hipster.

Foto de paisagem e comida. Duas vezes mais hipster.


Depois desse tempo razoável sobre duas rodas (e desejo que ainda continue por muito mais tempo, afinal temos que alcançar o Ghan), descobri que ando de moto é para atravessar pontes e alcançar algum amigo, antigo ou novo, que o caminho da vida foi me apresentando para filar comida. Sério.

O famoso Ghan, reza a lenda que aprendou o sorriso interior em Cleveland

O famoso Ghan, reza a lenda que aprendou o sorriso interior em Cleveland

Em todas as viagens e passeios em que não estava caçando alguma estrada nova (onde normalmente estou sozinho), foi para visitar alguém e filar um rango, uma cama e uma ducha. Agora eu lhe pergunto: isso é realmente uma tremenda cara de pau que inventei ou porque tive a felicidade de encontrar pessoas que o santo bateu?

É assim vamos tocando a toada, fazendo aquilo que o ser humano como ser social sempre fez: se relacionar, receber e ser recebido, pavimentando pontes através do respeito, mas que para os habitantes das grandes cidades é a última novidade ou trend, porque essa vida corrida e isolada os fez esquecer disso.

Um agradecimento especial a todos os amigos que me receberam nos últimos dias: Guy Correa em Formiga MG, Tiago Conte em Conselheiro Lafaiete MG, Ghan e família em São José dos Campos SP e Agnelli Cordeiro em Curitiba PR. E naturalmente desculpas aos que não pude visitar neste mesmo período. Não faltarão oportunidades!

Com a benção daquele que tem a pena preta!

Com a benção daquele que tem a pena preta!


Foram 1 semana e alguns dias, 3 estados, 7 cidades, 10 rodovias, mais de 3.000km.

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10/06/13 adeus à bezerra

Uma parede de neblina insistia em se manter a minha frente. Isso porque já havia avançado bem a BR381 Fernão Dias em direção a Bhz. Acredito que dava para ver aproximadamente uns 10 metros a frente e olhe lá.
Mas, Fantini, de São Paulo a Belo Horizonte é um trecho curto, poderia ter saído mais tarde e evitado o frio cortante da manhã. Bem, isso não estava nos planos de Sabbath, o gato, e eu preferia não ter um hemorragia interna sem explicação.
E se o motor funcionando em temperatura adequada foi a salvação no trânsito travado de São Paulo, agora na neblina gelada senti até saudade do tempo em que cozinhava os bagos em cima da panela de óleo abaixo do banco de Hellen Dawson. Até lembrei da primeira vez que peguei um tempo de inverno com a saudosa dona stefânia a noite, retornando de Bhz para Mariana, idos de 2009. Naquela noite parei umas três vezes e fiquei abraçado no motor em funcionamento antes que pegasse um pneumonia. É, há coisas mais perigosas na vida do que um gato metido a besta.
Cheguei em Bhz na hora do almoço e após rever mãe e descarregar as tralhas na casa do imperador, fui finalmente comprar um capacete novo. O velho zeus aberto companheiro de muitas desaventuras já apresentava sinais dos kms sob chuva, sol, frio, besouro e toda sorte de sujeira possível. Teve até um passarinho suicida que deu um razante na viseira certa vez.

Infelizmente não havia uma cor mais espalhafatosa

Infelizmente não havia uma cor mais espalhafatosa

Em seguida já estava convocando o povo do clã para homenagear nossa querida bezerra morta. Tentamos ir no Vintage 13, mas como era segunda, estava fechado. E assim ficamos no Amarelinho da Savassi mesmo.

Preocupado

Preocupado

Na terça fiquei por conta da família, já que na quarta tinha encaixado uma visita para o Flávio lá em Itaúna MG. Como Itaúna MG fica logo ali a uns 100kms, não tinha motivo para sair muito cedo e finalmente pude pegar um clima agradável para curtir a estrada.
Pena o trecho curto, descendo a BR381 Fernão Dias sentido São Paulo, para logo após a Serra da Pedra Grande em Igarapé MG, pegar a MG431 sentido MG050. Outra opção seria subir a BR262 após Betim MG e pegar a MG050 na altura de Mateus Leme, mas sempre prefiro o caminho da serra por ter uma sequência bacana de curvas.
Já encontrei com o Flávio no supermercado, abastecemos de cerveja e carne e pronto, mais dois dias de preocupação com a coitada da bezerra. Um ótimo adeus à bendita.
E até aqui basicamente pilotando por estradas cuja maioria eram mais que conhecidas, paisagens que apesar das repetidas vezes, não me canso nunca de rever. Sim, desde quinta, dia 30/05 entregue ao que o clima e o asfalto me oferecessem e aproveitando a recepção calorosa de todos os amigos e irmãos. Não sei bem o que dizer a respeito a não ser: experimente também.

#vem para estrada

#vem para estrada


30/05/13 a morte da bezerra pt01

O que se pode dizer sobre uma viagem de moto que já não tenha sido dito? Alguém sempre tem uma dica, qual moto é melhor para isso, qual moto melhor para aquilo, o que levar, que tipo de roupa usar, quantos quilômetros se avançar por dia e inúmeras outras amenidades que se encontra por aí na opinião dos mais entendidos de plantão e comentaristas de revistas especializadas no assunto.
Talvez aquele camarada que você encontre no café da manhã todo sábado, lhe passe recomendações fundamentais de segurança e indumentária, qual a maneira correta de conduzir a motocicleta e, pasmém, um código completo de sinalizações para indicar o que há de perigo na pista quando se anda em comboio.
E você, Fantini, se preocupa com esse tipo de coisas?
– Desculpe… falou comigo?
– Sim, você não se preocupa com…
– Ah! Sim, estou muito preocupado. Preocupado com a morte da bezerra!
E olha que o Helton, nosso novo aspirante, comentou bastante sobre este evento fatídico, mas deixa isso para quando chegarmos em São Paulo.
– São Paulo! Vai rodar bem então.
– Talvez, mas primeiro vamos para Goiás.
– Goiás?!?

Divisa Minas - Goiás por Araguari

Divisa Minas – Goiás por Araguari

Eu já estava a caminho de Uberlândia MG, após passar o trevo de Araxá MG. Vinha desde Vitória ES quando sai quinta por volta de 05:45 da matina. Estava prestes a ter uma pane seca quando finalmente surgiu uma cidadezinha chamada Santa Luciana MG. Estava difícil controlar a mão trêmula e congelada pelo vento e umidade da chuva fina, quase uma névoa, que vinha me acompanhando desde a divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais.
Como era uma chuva bem fina, não chegava a molhar o asfalto, somente ia umedecendo a roupa a ponto de que a sensação de frio chegava ao limite do intolerável. A segunda pele tentava fazer seu papel em vão e comecei a imaginar a oportunidade de comprar um colete de lã fino para usar sob a jaqueta.
Comecei a rir, afinal a jaqueta tem um forro térmico. Um forro térmico que ficou em Vitória ES, dentro da caixa no armário onde está desde que mudei para o clima infernal do litoral capixaba e arredores. Cai alho!
Cheguei em Uberlândia MG por volta de 18:30 conforme previsto. O Aurélio Batman que me aguardava em Três Ranhos GO já estava conhecendo meio mundo no encontro lá (o que nos proporcionou um bocado de cervejas grátis, diga-se de passagem). Mas como é que um camarada anda mais de 1.000km em apenas 13 horas?

Encontro em Três Ranchos GO

Encontro em Três Ranchos GO

Bom, como sai cedo, consegui encaixar a subida da serra até Realeza MG com o trânsito de mineiros descendo de Bhz para a praia. Daí em diante não peguei trânsito praticamente algum, o que dá para fazer a viagem render bem. E também tem a facilidade de já conhecer a estrada, uma vantagem que só tem quem usa sua moto para ir além das esquinas do bairro. Recomendo.
O último trecho entre Uberlândia MG e Três Ranchos GO, pelo contrário, era completamente desconhecido. Conferi o mapa, passaria por Araguari MG, divisa e Catalão GO. Mas uns 200km. Fichinha para quem já tinha feito 1.000km? Mais ou menos pois a partir de 18:30 já havia escurecido bem e para quem já passou por isso, sabe o quanto é ingrato viajar de moto a noite quando o céu está nublado. É um bréu do cai alho! E em estrada desconhecida, melhor ir “na manteiga” como recomenda Mestre Grilão.
Por volta de 21:30 cheguei em Três Ranchos GO e já fui direto para o encontro. Mal parei Hellen Dawson e já tinha um caboclo cabeludo me gritando.
– Porra, padrinho! Veio mesmo. Vem cá mostrar para esses caras aqui que você veio mesmo.
Grande Aurélio Batman. Figura, nos conhecemos em 2009 num outro encontro em Goiânia GO. Preciso professor da arte dos embates. Nunca esquecerei sua técnica de posicionamento estratégico em botecos.
Já tinha conhecido meio mundo do evento. Tudo bem que meio mundo do evento não passava de meia dúzia de gatos pingados. Primeiro evento em cidade pequena é assim mesmo. Mas garantiu boas risadas e muita cerveja.

O pessoal aqui prefere jetski

O pessoal aqui prefere jetski

E aí vem o Nelsão, incrédulo.
– Você não veio de Vitória ES hoje não. Não tem como.
– Uai, é tranquilo, basta acordar cedo, pegar a moto e seguir a direção até aqui.
Na verdade acho que ninguém acreditava que um camarada fosse capaz de rodar mais de 1.000km em um dia, na verdade somou uns 1.300km (quase um iron butt sem fazer muita firula que fazem por aí), somente para encontrar um velho amigo. Bom, se você também não acredita, venda sua moto e procure outro passatempo. Pois é disso que é feito motociclismo, rodar e encontrar amigos. Nada mais.


19/05/13 cavaleiros medievais

Antes de continuar, porque não colocar um som na vitrola?

A um tempo atrás eu havia comparado nossa atitude de viajar rincões afora numa moto a aquela dos cavaleiros medievais, que portando seus cavalos atravessavam reinos e alcançavam terras distantes.
Quando retornavam, traziam algo além das cicatrizes e peles calcinadas pelas intempéries que enfrentavam. Traziam também a experiência de ter vivenciado outras paragens, outras culturas, e de seus relatos dessas terras maravilhosas, nascia o fascínio que os aldeãos (que nunca teriam a oportunidade de conhecer um mundo além de suas cercas) nutriam por estes cavaleiros e que se tornou sua maior imagem que nos passam tantos contos e histórias.

Motoqueiros ou cavaleiros medievais?

Motoqueiros ou cavaleiros medievais?

Ao menos é o que me vem a cabeça para tentar explicar porque causamos o mesmo facínio nas pessoas. Sim, muitos irão questionar o porque de suportarmos tanto desconforto que uma viagem de moto proporciona (na verdade é exatamente o contrário, já comentei sobre isso), mas sempre ficam nos olhando com aquela cara de “gostaria também de ter a oportunidade (coragem) de ultrapassar minhas cercas e me lançar ao desconhecido”.
Dito isso, retorno a uma discussão técnica que tenho vivenciado com o Maia. Ele um “novato” que já fez viagens que até deus duvida no pouco tempo de moto e sendo um ex-pacato professor de direito, defende o direito que todo e qualquer indivíduo tem de adquirir o que bem entender e ainda utilizar ou não utilizar tal bem da maneira que achar mais adequada. Sim, fiz esse rodeio todo para comentar a respeito do que torna alguém motociclista (ou motoqueiro como tenho preferido ultimamente), na minha mais humilde opinião.
Comprar o veiculo e se fantasiar ao bel prazer de uma forma que mais me parece inconscientemente criada por modelos de marketing e por este fascínio que comento acima (e as vezes pouco ou nada a ver com o indivíduo), na minha humilde opinião não torna alguém motoqueiro. Bom, talvez motociclista, sim aquele que faz questão de se destacar de pobres almas que não tem a mesma oportunidade de usar moto somente por prazer e sim para ganhar o suado pão.
E até bem pouco tempo atrás não tinha tal consentimento, mas das discussões com o Maia, acredito que aqueles que vivem de criticar o comportamento deste ou daquele motociclista ou motoqueiro, seja pela oportunidade de usar marca A ou B de moto, seja  por usar para ir na padaria, pequenos eventos ou levar na oficina em outro estado também não sejam motociclistas ou motoqueiros.
Cai alho, Fantini! Então o que diabos você acha que te faz motociclista ou motoqueiro?

Nós e outras figuras que causam fascínio

Nós e outras figuras que causam fascínio

Serei sincero, eu mesmo não tinha certeza. Só soube num dia em que peguei a saudosa dona stefânia a partir de Mariana MG onde morava na época e sai por aí. Comecei em Bhz (porque tinha compromissos da pena preta), em seguida voltei para Ouro Preto MG só para passar no trecho da estrada real até Ouro Branco MG, a partir da BR040 fui a Petrópolis RJ. Num posto em Entre Rios RJ, o frentista me indicou um encontro em Rio das Flores RJ.

Estrada Real

Estrada Real

– Pega essa estrada aqui na divisa entre Minas e Rio e segue uns 50km. – me aconselhou.
Cheguei já no inicio da noite. Parei no posto da cidade e me aproximei de outros motociclistas que ali estavam.
– Bão? Aqui onde é o encontro? Sabem de lugar para dormir aqui?
Me olharam de cima a abaixo.
– Mas você está sozinho? Veio de onde?
Contei por onde tinha passado.
– Você é doido? me questionaram completamente atônitos.
– Não, sou motoqueiro (a bem da verdade, eu disse que era motociclista).
Estava batizado.
Assim, voltando ao assunto, se você ainda não se lançou ao desconhecido estrada afora, sem destino definido, com o único e simples intuito de curtir o que a viagem lhe apresentar e assim ganhar algumas cicatrizes e calcinações na pele. Sem ter sua alma acrescida por novas experiências em paragens nunca vistas. Me desculpe, amigo, mas você não tem o direito de tomar para si o fascínio que os antigos cavaleiros medievais criaram nos aldeões.


28/03/13 a aventura so começa quando algo da errado

Havia já algum tempo que devia uma visita ao Helton, companheiro do clã que mora em São Paulo. A mais ou menos um mês atrás deixamos marcado para o feriado da Semana Santa. Ficou ainda mais tranquilo de ir quando descobri que a empresa resolveu, além da sexta feira, abrir uma folga também na quinta. Perfeito.
Nisso o Maia estava naquele frenesi danado, o que comumente chamamos de fogo no brioco, para acertar o recém adquirido mastertune. E ainda tinha cismado de passar para o tal estágio dois lá com o Paulinho Henn em Campinas.
– E o que diabos é estágio dois? questionei.
– Coisa simples, se troca o comando de válvulas.
– Cai alho.
Realmente concordo que a mapa de injeção original das HDs é muito ruim (coisa para atender legislação de consumo e emissões), o que praticamente mata o motor de 1600cc. E assim tive a idéia de aproveitar o ensejo e fazer o remapeamento da srta. Hellen Dawson.
Nuanda, velho companheiro de batalhas barrentas e a sua maneira responsável por hoje existir o DACS no clã (falo sobre isso novamente numa próxima oportunidade), ainda pretendia fazer uma surpresa ao aparecer do nada lá em Sampa. Pronto, estava tudo organizado.
Srta. Hellen Dawson vinha de um banho de loja considerável, pois aproveitando o par de sapatos novos da Michelin, resolvi dar uma geral na pintura, cromados e rodas. E lá se foi polimento em tudo, modéstia as favas ficou muito bom o serviço na Ayso Motos. Além da nova tatuagem providenciada com o Mestre Marcio Langer. Melhor que isso somente cromando tudo novamente como fez o Chassis com sua Shadow (e essa ficou igual zero km, linda).

Hellen Dawson e sua nova tatuagem

Hellen Dawson e sua nova tatuagem

Na quarta a noite deixei tudo montado e organizado. Quer dizer, apanhei para montar de volta a grelha do bagageiro, pois seu encaixe não bate com o do banco novo. Era acordar cedo na quinta, 04:30 da matina para ser preciso e zarpar rumo à paulicéia. Toda a parafernália de proteção que se tem direito, já que estava chovendo lá fora, viro a chave central, desligo o mata motor, todas as luzes de espia se acendem e se apagam indicando tudo sob controle. Só dar a partida e ouvir a música do escape curto (outro mimo comprado para a menina recentemente).
Então Fantini, só dar a partida. Fantini? A partida.
– Estou tentando! Cai alho! Estou tentando!
Uma, duas, três. A parafernália de proteção começa a pesar e a segunda pele que deveria manter o frio distante começa a se tornar uma sauna. Olha aqui, olha acolá, dá a partida e um “tec-tec-tec” elétrico e maldito do lado esquerdo abaixo do banco. E nada. Bom e isso porque na noite anterior estava funcionando de boa. Cai alho!
Pensei em desmontar a parte elétrica para verificar o que era, provavelmente pelo tipo de sintoma o relé de partida ou a bateria (fiquei com o farol ligado montando a maldita grelha), mas o suor escorrendo dentro do capacete e a frustação daquela melindrada de Srta. Hellen Dawson, empacando feito uma mula de carga só porque estava chovendo, me fez negar tudo aquilo que acredito, subir em casa, tirar toda a couraça, tomar uma ducha, vestir uma bermuda e ir com a Noviça Rebelde, a picape que tomou lugar da antiga Picareta.
Já estava na altura do Rio quando vi a mensagem do Nuanda confirmando que a dragstar dele também havia apresentado problema. Só que mecânico, carburador afogando e moto sem força na alta. Já pensei no giclê de alta. Depois não consegui falar com ele para saber se precisava de ajuda. Isso porque estava na BR101 vindo de Vitória e ele descendo a BR262 (Fernão Dias) a partir de Bhz. E qual o problema? Se precisasse, atravessava no meio das estradinhas vicinais e salvava ele lá onde estivesse. Ou então poderia acabar de negar de vez o que consideramos ser o clã e botar fogo na fúnebre flâmula.

fúnebre flâmula

fúnebre flâmula

E o Maia? A essa altura lá na oficina em Campinas estava se divertindo botando fogo do escape e fazendo o Joaquim Daniel dançar ao som do velho e bom V2. Filho de uma boa mãe!
Cheguei em Sampa e, como sempre, me perdi para chegar na casa do Helton. E olha que não é tão difícil assim chegar na casa dele em Vila Mariana. Depois de errar três vezes porque fui confiar mais no GPS do que na minha memória, instinto e placas (sim, todas indicavam perfeitamente o caminho se tivesse seguido), uma hora depois encontrava com os dois irmãos.
Estendemos a fúnebre flâmula e pronto, um posto avançado do conclave marajoense estava formado. A RFEIM existe onde um membro do clã estiver. O Musquito, outro companheiro que também resolveu morar na selva de pedra nos acompanhou noite adentro, dividindo nossas histórias e mentiras e muita Heineken. Quer dizer, o franga do Musquito trouxe skol.
Como sexta era feriado, decidimos que não tinha muito o que fazer quanto a moto do Nuanda, até porque não tinha ferramentas para verificar o maldito carburador. Começamos a verificar as opções que tinhámos, um reboque de volta a Bhz ficaria muito caro. Mas caro mesmo era demover Nuanda de voltar com a moto naquele estado. Não era seguro.
– Não vou deixar em oficina aqui não, preciso da moto no dia a dia.
Com muito custo conseguimos convencê-lo que poderia pegar a Honda Biz emprestada do Gustavinho.

A honda biz do Gustavinho

– Essa eu queria filmar e…
– Helton, cai alho! Sossega!
Incomodei o camarada Nishida, grande Nishida, para saber se conseguia algum mecânico próximo. Arrumou logo três opções e ainda verificou novamente um reboque para Bhz. Realmente o coração é muito maior que a pessoa. Se bem que ele é baixinho igual eu. Rsrs.
Na sexta a noite fomos encontrar com a Nina, capitã das fumos que vieram de Bhz para o Lollapalooza, e fomos parar lá na tal Vila Madalena. Como estava todo mundo virado de viagem (no caso delas) e cachaçada (a gente), não sobrevimemos ao segundo buteco. É a vai idade. Antigamente durávamos no mínimo três butecos. Mas vai lá.
No sábado cedo, ok, quase cedo, já estávamos na GO a procura de uma oficina para deixar a dragstar do Nuanda. Isso porque as opções que o Nishida passou, coitado, furaram o olho do japonês e estavam fechadas. Pergunta daqui e de lá, descobrimos uma oficina que poderia atender, mas ficava para o lado da Av Cruzeiro do Sul. Não me perguntem detalhes, já viram lá no início que não consigo chegar nem em Vila Mariana sem ficar perdido. Bom, basta indicar que é a Podium Motos. O pessoal foi muito cordial, mas a atendente foi cética.
– Só poderemos olhar a moto segunda.
Eu pensando menos mal, já que conseguimos uma oficina, Nuanda com uma lágrima nos olhos e o Helton já ia zoar novamente a história da Honda Bis. Cai alho! Sossega Helton!
Fomos caçar algo para tapar a fome, não tinha mais o que fazer. Quando já estava acabando o exagerado pastel de 30cm da lanchonete que não lembro o nome, já lá de volta para os lados de Vila Mariana, o telefone do Nuanda toca.
– Ah! Sim, é o Rafael, tá, sério, tá, então tá. Daqui uma hora? Tá, então tá.
– Nem precisa falar, pela sua expressão é da oficina, só falta dizer que a moto está pronta? perguntei.
Olha só, eu sou muito pé atrás com São Paulo. Acho o custo de vida, a tensão do dia a dia atribulado, o trânsito caótico, bom, o conjunto da obra algo que não me agrada. Mas descobrir que uma oficina desmonta o carburador, limpa, regula, monta de novo e entrega num intervalo de três horas (ou menos), isso porque era sábado após um feriado, me faz queimar a língua.
Não é que a moto ficou boa. Alguém vai dizer que a gente deveria ter resolvido por conta própria. Sim, concordo, mas como já havia dito, não possuíamos as ferramentas para tal. Os puristas que nos perdoem.
Resolvido a pior parte, vou saber do Maia se estava tudo bem.
– Velho, instalei um freio novo já que você reclamou que o original não estava muito adequado para a nova potência da moto.
– Mas como assim, era só regular, não precisava trocar.
– É que agora a Lily Monster passa dos 200.
Desliguei o telefone. E pensar que até um mês atrás o cara era um pacato professor universitário.
No domingo cada um caçou seu rumo. Nuanda subiu para Bhz e eu desci a Dutra para o Rio para em seguida pegar a BR101. O Helton acho que ainda estava dormindo quando cheguei em Vitória. O Maia? Velho deve ter chegado no dia anterior ao ultrapassar a barreira do tempo e o espaço. Cai alho!
Srta. Hellen Dawson estava lá impassível. Perdeu a oportunidade de receber fôlego novo com o remapeamento da injeção, mocinha maldita. Mas é assim mesmo, a aventura só começa quando algo dá errado. Se bem que preferi todas as vezes que algo deu errado no meio da viagem e não antes de começá-la.


21/12/12 christmas ride

Acho que vou considerar tornar a voltinha de natal algo tradicional. Ano passado estive em Araxá e este ano voltei para Bhz. Se daquela vez enfrentamos eu e saudosa dona stefânia uns bons 700 e poucos km com frio e chuva em cada trecho, dessa vez a nova companheira, srta hellen dawson, teve que enfrentar um escaldante início de verão.
Ao contrário de suas demais conterrâneas, acostumadas com frio e neve nessa época do ano em paragens mais ao norte do mundo, srta hellen dawson foi obrigada a sobreviver a uma viagem iniciada às 12:30. Não, não recomendo a ninguém, ainda mais se considerar que de Vitória a Bhz são pouco mais de 550km, o que deu para vencer em umas 7 horas e pouco. Eu sei que tem muita gente que gasta bem mais tempo e nem é questão de correr, é só questão de aproveitar a estrada.

Granjas reunidas em Bhz

Granjas reunidas em Bhz

Como era um horário bem atípico, sendo a tarde de uma sexta e véspera de natal, a estrada estava bem vazia. O que foi muito útil considerando que para nós dois aquilo era novidade. De um lado eu pela primeira vez a domar aquele exagero de motor em um trecho mais comprido, do outro a moto que acredito não ter ainda conhecido esse trajeto.
A primeira impressão é que realmente o sistema de suspensão “softail” cumpre com o que promete. Aliado a frente gorda, temos uma estabilidade incrível. Como estava muito acostumado com dona stefânia com sua menor altura, suspensão não tão confortável e o garfo dianteiro que não apresentava a mesma rigidez, fiquei realmente muito surpreso com a facilidade de contornar as curvas, algo que sempre preocupa em qualquer moto custom. Ainda mais deste tamanho.
Além disso o motor com fôlego. Fôlego? Melhor é dizer dois pulmões de folga. Foram pontos muito específicos em que tive que fazer uso da 4a marcha. Basicamente fiquei na 6a marcha, reduzindo para 5a quando um regime de rotação um pouco mais alto foi necessário para uma ou outra ultrapassagem. E isso subindo morro inclusive.
E naturalmente devem estar imaginando, o maluco subiu a serra, partindo meio dia, nessa lua, em cima de uma “big twin”, já era, fritou os bagos. Bom, neste caso, um providencial sistema de refrigeração de óleo, instalado pelo antigo proprietário foi de grande valia. Mas vale lembrar que a estrada aberta é o território dessas motos e portanto, o próprio vento se encarregara do recado. Ainda assim foi de grande valia atrás deste ou daquele caminhão onde fomos obrigados a reduzir o ritmo até conseguir ponto para ultrapassar.
Bom, todos estes pontos positivos, mas lógico que tem que ter algum revés, afinal nem tudo na vida são flores. E eu no alto dos meus 1,67m comecei a sentir a dolorosa adaptação a uma moto cuja ergonomia foi pensada para camaradas maiores. Com o banco original e uma grelha para levar a parca bagagem no lugar do banco de garupa, não conseguia achar um bom apoio lombar, o que me obrigou a segurar o corpo com os braços e pés.
Para os braços foi terrível, pois a fatboy vem com aquele maldito guidon cruiser. Que cai alho é aquele? Quem disse que aquela coisa é confortável? O pulso dobrado a viagem toda e ainda fazendo força para segurar o corpo contra o vento. O guidon já era, tinha dado alguma confiança, mas sem chance, terá que ser substituído. O guidon da heritage é o que tem mais me agradado em termos de visual e conforto, vou ter que arrumar um similar.
Para as pernas, bem, apesar do “desconforto” que sentia com as pedaleiras da antiga moto, não achei posição com as plataformas da atual. Isso eu ainda não pensei como resolver, ainda estou pensando numa solução a respeito. Mas acredito que um daqueles bancos que te mantêm mais a frente possam ajudar bastante, coisa que vou ter que olhar.
E nessas horas valeria a pena estar debaixo da neve só para ter uma revenda que realmente prestasse para verificar as peças antes de comprar algo no escuro e esperar pacientemente pela entrega.
Mas de modo geral e comprovado na viagem de volta, já na terça, apesar das várias dores que apareceram pelo corpo todo rsrs, não tem discussão sobre a ciclística e força do motor. E como acaba se trabalhando numa rotação relativamente baixa, o consumo também ficou muito bom comparado com a velocidade média e alguns tiros que dei aproveitando os trechos de reta e estrada vazia.
Só continuo com minha opinião que não justifica o valor que se cobra numa moto nova, mesmo com a opção de utilizar óleo lubrificante para motor diesel em seu motor.
Ah! E sim, se você também mora no litoral, sugiro adquirir o radiador de óleo (que se danem os puristas!), pois realmente terminar uma viagem de pouco mais de 550km com uma panela de óleo fritando debaixo do banco num calor de 40oC não é coisa que desejo para meu pior inimigo.


27/10/12 pontes

Escrevi recentemente para um irmão a respeito da importância da criação de pontes entre as pessoas e como admirava essa capacidade nele. De uns tempos para cá tenho batalhado muito esse tipo de coisa e tenho certeza que o motoqueirismo tenha facilitado desenvolver essa faculdade em quem, como eu, não nasceu com ela.
Eu queria e precisava simplesmente retirar a cera dos sapatos novos de dona stefânia. Realmente a inveja mata, mas no caso foi só o bom exemplo do Christian que me deixou com vontade de aproveitar a necessidade de troca dos pneus para colocar um par de faixas brancas. Christian, meu muito obrigado por me deixar na pilha ao ver o resultado na sua moto. E dona stefânia também agradece.
E lá estava eu confabulando para onde ir, tinha planos de ver uns negócios em Sampa e aproveitar para visitar o velho Ghan e de quebra o casal Tavares (nossos irmãos de clã), mas precisaria de mais prazo. Havia ainda um pequeno encontro aqui em Vitória mesmo para ir com o Chico. Ou o churrasco da Pagu. E finalmente tinha o Outubro Negro, festa do calendário oficial do clã em Bhz.
O que quero dizer é que se não estivesse exercitando a difícil mas necessária arte de construir pontes, é provável que teria que ir somente ali no posto do café sozinho mesmo.
Assim resolvi fazer uma surpresa ao irmão Nuanda, indo de supetão para Bhz, afinal somente 600km, viagem rápida. E com certeza teria bastante asfalto para tirar a cera do pneu novo de dona stefânia. A surpresa quase deu certo (houve boatos da minha ida), mas no final vendo a alegria do Nuanda com minha presença compensou ficar só no refrigerante e água para ter condições de voltar no dia seguinte. Isso mesmo, sai sábado cedo, fui na festa, voltei para Casa do Imperador, dormi, domingo cedo já estava voltando. Atravessando pontes estrada afora e pavimentando mais ainda a que tenho com meu querido irmão de clã.


E naturalmente que reencontrar todos os demais irmãos do clã também foi especial, mas azar o de vocês, o aniversário era dele.
Mas como sempre tem algo de inusitado para tornar as viagens mais divertidas, logo na primeira parada em Ibatiba, observando dona stefânia com suas meias de seda, sexy e bandida, vi que os retentores das duas bengalas estavam melejando. Maravilha, aquele buraco subindo a serra doeu mais que na minha coluna. Após alguns cálculos resolvi seguir viagem. Na ida nem atrapalhou muito, exceto em algumas curvas do trecho entre João Monlevade e Bhz, onde percebia que a suspensão já estava um pouco dura para as manobras.
Na volta é que foi a sensação. Lembrei de um outro camarada reclamando sobre dor nas costas. Acho que ele teria morrido no meu lugar. O asfalto da BR381 / BR262 em Minas foi recapeado recentemente e não tem buracos, mas as costelas, invisíveis a olho nu, mas bem sensíveis numa moto custom com perda de óleo nas bengalas, estavam demais. Eu fui contando os solavancos e acho que atingi um recorde pessoal de 35 solavancos por quilômetro. A certo momento pensei até que estava montado na dorothéia e não em dona stefânia. A coisa só melhorou quanto alcancei o Espírito Santo. Com menos trânsito de caminhões, o asfalto está menos desnivelado e assim consegui reduzir a média de solavancos.
Enfim, não foi necessário nenhum analgésico para minha grata surpresa. Tudo bem que tem a praia para dar uma boa relaxada pós viagem, ainda mais nesse calor e com horário de verão.
Ou talvez seja só resultado da sensação de atravessar as pontes que criamos com as pessoas que amamos de coração.


Nota

22/09/12 quando o vento não vem

Antes de iniciar a leitura carregue: show me how to live

Esse fim de semana, como fazemos religiosamente toda terceira sexta de todo santo mês dos últimos doze anos, o povo do clã se encontrou no Bar do Repa na República Federativa do Estado Independente do Marajó. Nossa liturgia mensal carrega muita história de uma amizade que ultrapassou qualquer explicação lógica para aqueles que não tem amigos de verdade.

bar do repa

bar do repa

Morando em Vitória ES nos últimos 12 meses e até um pouco distante da RFEIM, o que me obriga a chegar bem mais tarde do que gostaria devido aos contantes atrasos da malha aérea (rsrs, sim eu também uso avião de vez em quando), lá estava eu com aqueles que a ferro e fogo conquistei e vice e versa. Bem sabe o McGuila.
O companheiro Garga me chega a plena 01:00 da matina para avisar: “meu pessoal do Rasta vai batizar novos integrantes, você tem que estar presente, já falei com o Nuanda também”. Uai, uma grande honra, afinal o pessoal do Rasta Brasil MC tem nosso maior respeito por sua história verdadeira de clube e irmandade.
– Quando? Que eu me programo para vir com dona stefânia.
– Amanhã. 08:00 a gente encontra na boca do anel ali no viaduto São Francisco.
– Cai alho!!!
Não se pode negar um convite de um irmão, ainda mais quando é o Garga, afinal ele é uma grande pessoa. Grande mesmo e não vale a pena contrariar.
Uma dose e meia de café preto depois lá estava eu no sábado pela manhã seguindo o Garga e o Jamaica em direção a Ipoema MG. No caminho os demais integrantes do Rasta se juntaram a nós. Peraí, Fantini, você veio de avião. Então traiu o movimento motoqueiro e trouxe dona stefânia de carreto? Claro que não! Fui de carro alugado mesmo.

o carro alugado, um estranho no ninho

o carro alugado, um estranho no ninho

Para quem não conhece (como eu também só tinha ouvido falar), Ipoema MG é um distrito de Itabira MG na beira (por assim dizer) da BR381. Cara, que lugar lindo. Serra e mais serra e mais serra. O distrito em si é bem simples, mas quem está interessado nisso quando se tem um pedaço tão representativo do que é Minas e seus mares de morro e suas cachoeiras para passear?

o mar de morros sem fim

o mar de morros sem fim

coisa comum para os lados de cá

coisa comum para os lados de cá

esse trem desse tamanho já não é tão comum, mas é bão também

esse trem desse tamanho já não é tão comum, mas é bão também

E nesse mar de morros nos infurnamos numa estrada de terra sem fim e sem… Peraí, Fantini, moto na terra, tô com nojinho. Problema seu.

você também devia experimentar

você também devia experimentar

Porque nesse infindável mar de poeira paramos numa ponto qualquer para que a cerimônia de batismo ocorresse. Sem bandas, sem brindes, sem alvoroço. Uma cerimônia verdadeira de uma irmandade verdadeira.
um ponto qualquer, mas não qualquer ponto

um ponto qualquer, mas não qualquer ponto

Como representante da outra irmandade verdadeira, nosso querido clã, tive que manter a compostura. Por fora não havia vento ao meu redor, mas por dentro um turbilhão de emoções em função daquele singelo ritual me faziam lembrar de todos que eu tenho na mais alta estima e consideração.

quando o vento não vem

quando o vento não vem

Um muito obrigado aos nossos irmãos do Rasta Brasil MC por nos lembrar do que realmente importa.


14/09/12 quem sabe se experimenta com uma full hd

Eu estava na loja / oficina do Chico essa semana comentando sobre como dona stefânia tinha ficado suja no pulo a Monte Verde MG (deixei ela lá para lavar) e aproveitando o dedo de prosa fui conferir a data e a quilometragem da última geral para saber se já era hora de trocar o óleo do cardan.
Ele começou a rir que era uma absurdo só me conhecer a 6 meses e já estar na hora de trocar o óleo do cardan que é a cada 10.000km. Sim, 10.000km de viagens em 6 meses, mais um bocado de boas amizades no mesmo período, como o grande Chico ou a própria Pagu, daqui de Vitória ES.
Mas os últimos 2.000km dessa empreitada somaram na última viagem no fim de semana que passou, com a volta ali na esquina de Monte Verde MG a convite da turma dos DOGs de Bhz, Carlão da Carlinha e Matheus da Zelda. O povo do clã resolveu ir em peso, inclusive o povo que não é DACS (ainda), afinal o clã nasceu bem antes da paixão de alguns por motoqueirismo.
Uma das vantagens de uma viagem longa é experimentar vários climas num mesmo dia, coisa que não se percebe numa viagem de carro hermeticamente fechado em seu ar condicionado e som de dvd. Na estrada o ar é que te condiciona a aceitar o frio do sereno da madrugada ao sair, combinado com o calor escaldante do sol a pino no meio dia, para te entregar a temperatura amena do fim de tarde. Com sorte ainda pode ser presenteado com um pôr do sol.

um pôr do sol de presente

um pôr do sol de presente

Juro que dá para ver da janela do apartamento. Basta dependurar sua tv full hd na janela e escolher algum canal com belas imagens.

talvez fique bom na full hd

talvez fique bom na full hd

No caminho tive a infelicidade de parar em Oliveira MG, porque senão teria uma pane seca em seguida. Não quis arriscar voltar empurrando dona stefânia e ficar com sede. A água de lá não é muito benta. Que o diga o Broto Jr.
E o asfalto em si, tanto da BR262, quanto da BR381, estava convidativo, com uma dose adequada de curvas que tornam a viagem mais animada, já que particularmente não curto muito as infindáveis retas de alguns trechos da BR101 das últimas empreitadas.
Cheguei e já encontrei o pessoal a toda na pousada com mais de meia grade e meia animando a conversa, foi difícil entrar no ritmo. O evento em si ainda estava vazio na noite de sexta e o jeito foi continuar na pousada. Após Mestre Trindade desempenhar seus ofícios de desperdício de bebida e ainda discutirmos ufologia até acabar com as cervejas importadas que o Helton trouxe, resolvemos dormir. Até porque o Carlão da Carlinha já estava para reclamar que não entendia para que tanto barulho as duas da matina.

Vista da Pousada Locanda Belvedere

Vista da Pousada Locanda Belvedere

No sábado o calor estava demais durante o dia e acabou que a turma se espalhou para conhecer a cidade. Monte Verde MG tem uns passeios legais de cavalo, caminhada, trekking e quadricíclo. Ah! Tem aeroporto para quem quiser ir de avião e enviar a moto por carreto. Parte de turma resolveu ir para o quadricíclo, parte resolveu dar uma descansada para a noite e eu fiquei lá passeando com a velha heineken mesmo porque estava com preguiça. Até encontrei com o Peralta e foi bom saber que apesar do susto em Penedo RJ já estava ali para contar a história.
Ainda peguei um resto de final de tarde do evento, com uma banda muito boa cover do Iron Maiden (tinha até o Eddie!) e depois fui dormir. Não deu para ver como foi o evento a noite e madrugada adentro porque já havia combinado com a dona da pousada que ia acordar mais cedo no domingo só para me preparar um café.

Eddie e a Infinity Dreams

Eddie e a Infinity Dreams

Domingo cedo, aquela serração fina e cortante, o vento gelado, atravessei a área do evento que não estava com vontade de pegar o desvio que deixaram por uma estradinha de terra e já estava descendo a sinosa estrada que dá acesso a Monte Verde MG. Parei para ver o nascer do sol, mesmo que seja possível ver na tv full hd.

o sol de um novo dia

o sol de um novo dia

Na volta tive que fazer uma parada emergencial devido a uma tarefa indelegável, o que atrapalhou um pouco a programação que tinha traçado de paradas de abastecimento. Poderia ter segurado até o posto em Oliveira MG, mas se tomando a água já complica, imagina se bate na bunda, aí fudeu de vez. Melhor não arriscar.

aqui é melhor ficar com sede

aqui é melhor ficar com sede

Belo Horizonte MG e metade da viagem ficavam para trás na subida da perigosa BR381 no trecho até João Monlevade MG. O engraçado é que vi dois acidentes de caminhão na reta no trecho Bhz – Sampa, provavelmente porque o motorista dormiu, não tem explicação. Enquato isso na chamada rodovia da morte, nada de mais, graças a um bocado de radares bem posicionados antes das curvas mais travadas.
Final do dia e fazia a última parada em Venda Nova do Imigrante ES, o tempo escureceu e desci a região serrana do ES praticamente no faro. Porque ora era o farol de dona stefânia que não ajudava no breu danado, ora era algum desinfeliz que subia no sentido contrário com o farol alto.
Não importa, completei mais 10.000km de estradas, dando motivo para o Nuanda continuar a me chamar de “iron butt”, estive junto do povo do clã num ótimo fim de semana, ajudei o Carlão da Carlinha a manter sua ranzinice e ainda economizei a grana que teria que gastar numa tv full hd. Perfeito.


02/07/11 consulta rápida no dentista

Fazem quinze dias que mudei de estado e cidade, vindo parar em Vitória no Espírito Santo. Vamos ver se dessa vez eu paro quieto num canto, empresa nova, vida nova, mas não vem ao caso. Havia trago boa parte da mudança (algumas coisas foram parar em Bhz porque na nova república já havia alguns móveis), mas dona stefânia, tadinha ficou para traz em Mariana. Não satisfeito em abandoná-la a própria sorte durante esses quinze dias, ainda moveram a coitada de garagem, porque na antiga república, a dona resolvera reformar a alvenaria e terminar o revestimento. E eu aqui na fila do embarque para pegar o avião para Bhz com toda a parafernália – capacete, jaqueta, coturno, alfoje, fora o kit de sobrevivência ao relento – protagonista de cenas insólitas, ao menos que você, caro amigo, já tenha visto algum motociclista nesta situação desconfortável. No check-in aceitaram que eu levasse as tralhas como bagagem de mão, menos mal. Depois de um pequeno atraso, embarque. Tive que pedir desculpas aos demais passageiros porque não conseguia enfiar o maldito alforje no compartimento de bagagem e antes que a comissária reclamasse, enfiei ele entre as pernas. O que já é desconfortável, ficou mais ainda. Seriam os 50min mais longos de minha vida, não fosse a sorte de sobrar um assento exatamente ao meu lado! Ser motociclista com fama de mal encarado, tem suas vantagens! Então fomos nós, eu e meu alforje, cada um em seu assento devidamente alojados. No desembarque pai estava lá para me dar carona, bem, quase, perdera o celular que achamos em seguida e sumiu lá no saguão. Encontramos com a mãe do Hugo, ele estava chegando para férias em Bhz (consegue estar mais distante que eu morando no Acre) e não podia deixar de esperar para dar um abraço no velho amigo. Puta coincidência. Igual uma vez em Iriri. Bem, essa de Iriri, foi mais coincidência ainda (mas é outro causo). Retorno para Bhz, família junta, uma visão geral das reformas lá em casa e se esbaldar na melhor feijoada da cidade que fica no quarteirão seguinte lá da rua. Além de bom, é barato. E ainda temos que brigar com a cozinheira para ela colocar pouca comida no prato feito. Muitos amigos já penduraram as chuteiras depois do prato cheio. Pena que o prazo era pouco para ainda pegar um trupico. Pai me levou até Mariana e a ansiedade já era grande. “Acha que ela vai funcionar?” perguntou com seu sutil sarcasmo de sempre. “Cai alho! Claro que vai.” Na verdade gastei mais tempo chamando a proprietária do estacionamento onde dona stefânia estava, do que tentando ligá-la depois dos quinze dias apagada. Uai, ela ligou depois de seis meses sem minha presença enquanto estava no Pará e dessa vez só engasgou para fazer charme. Maravilha de ronco em seguida! Despedi de pai e fui para São João Del Rey. Já havia solicitado um canto no terraço da casa do Daniel Spectro, do Filhos da Revolução, e apesar do incômodo durante o translado aéreo, o kit relento viria bem a calhar. Viria nada! O desinfeliz não deixou eu curtir o espírito da coisa e me alojou num quarto com chuveiro quente e tudo. Muito agradecido, como sempre, pela hospitalidade do companheiro e família. A única ressalva era trazê-lo de volta hoje, porque ontem tinha chegado cedo de Tiradentes, cinco da matina. “Ao menos traz o pão da próxima vez”, reclamaram seus familiares. Depois do café e prosa, fomos para Tiradentes. Estava bombando, estava cheio, estava demais. Achei o povo do Clã por telefone, estavam no Dona Xepa esperando a bóia, cai alho, já era mais de oito da noite, aonde é que eu estava que gastei tanto tempo para chegar? Tentei falar com o Macedo por telefone e nada, só caixa postal, então galera do Rio, fica para próxima. Achei o Billy e o 02, do Banished, e o Peralta do Dogs. O Peralta estava tomando coca-cola! Cara consciente, mas reza a lenda que a cada latinha que comprava, ganhava dois misteriosos copinhos de dose. Galera de sampa, desculpe o pouco tempo de prosa, mas tinha que encontrar com o povo do Clã. Lá estavam Hermano João, Broto “Billie Jean” Jr e Nuanda e suas respectivas. Bom, Broto Jr com sua respectiva baixa resistência ao alcóol protagonizando nossa felicidade. Diga-se de passagem que o tal estabelecimento Dona Xepa é muito bom, bom demais se seu objetivo é ficar mais de hora esperando uma porção de batata frita, linguiça e costelinha. Tudo bem que o evento estava lotado, mas dentro da bodega estava vazio. Com essa demora também, está explicado. Até o chopp já chegava quente na mesa após 5min de translado entre a bomba e a mesa. Todos comidos, fomos para a tenda da Krug Bier, onde o camarada de 4 anos seguidos faz seu show de voz e violão interminável e sem intervalos. O cara deve ter um pacto com algum santo para conseguir ficar direto sem parar, muito bom e o repertório atendia, conforme Hermano João, “gregos e troianos”. “Espartanos também” acrescentei. Ainda encontramos o Ebin, do Rasta Brasil. Saudade quando esse cara tinha moto! “Vamos esperar até janeiro”, frisou comigo. Ademais, estava excepcional! Mesmo para mim que foi uma consulta rápida ao dentista, no dia seguinte cedo viria para Vitória. E quem não foi, simplesmente perdeu! Ah! E o Daniel Spectro sumiu no meio da multidão, minha sorte é que ele resolveu chegar logo depois de mim e evitou que seu pessoal puxasse minha orelha. Eta rapaz danado esse! Born to be uai!