Prudens quid pluma niger secundum

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01/01/15 The voortrekker 06

Acordei por volta de 09:00 do dia 01/01 e depois da tarefa indelegável e de um bom banho, arrumei as tralhas e já estava de partida por volta de 11:00. Não vi o Chico e só mais tarde trocamos mensagens, mas fica aqui o abraço e agradecimento pela estadia.

Saída para a estrada N1

Saída para a estrada N1

A estrada N1 que liga Cape Town e Joanesburgo tem aproximadamente 1.400km e por mais que a oportunidade de um “iron butt” era interessante, estava meio tarde para tanto. E se dessa vez não teve chuva, a volta do calor quase de deserto tornou a estrada infindavelmente reta um desafio a mais.

Logo na saída de Cape Town, se atravessa uma região de montanhas

Logo na saída de Cape Town, se atravessa uma região de montanhas

Esse é um dos motivos pelos quais considero viajar de moto algo espiritual. Não se sabe o que teremos pela frente. Ok, tudo aqui era novidade, não é isso. Mesmo em estradas conhecidas, o clima, a estrada em si, que tipo de paisagem, tudo isso ocorre ao largo de nosso controle e exceto pelo destino que se aponta e pela hora que se decide partir, tudo o mais existe indiferente da nossa presença. E isso, em minha pequena opinião, é uma grande lição de humildade.

O kilométrico túnel sob as montanhas

O kilométrico túnel sob as montanhas

 

Região das vinículas

Região das vinículas

 

Outra vinícula. Engraçada que nenhuma tinha o nome para saber qual vinho produzia

Outra vinícula. Engraçada que nenhuma tinha o nome para saber qual vinho produzia

 

Um reta sem fim e o tempo quente e seco

Um reta sem fim e o tempo quente e seco

Aproveitando para fugir do calor por alguns instantes

Aproveitando para fugir do calor por alguns instantes

 

 

 

A preocupação é genuína, muito calor na estrada

A preocupação é genuína, muito calor na estrada

 

As nuvens esqueceram de fazer sombra e queriam somente aparecer na foto

As nuvens esqueceram de fazer sombra e queriam somente aparecer na foto

Paisagem agreste

Paisagem agreste

Mas com sua beleza própria

Mas com sua beleza própria

Já eram mais de 17:00 e o sol castigando como se fosse meio dia

Já eram mais de 17:00 e o sol castigando como se fosse meio dia

A única nuvem que teve pena deste humilde vivente

A única nuvem que teve pena deste humilde vivente

A sombra comprida sinalizava a chegada do pôr do sol

A sombra comprida sinalizava a chegada do pôr do sol

E assim tivemos um belo pôr do sol na estrada por volta das 19:30 e finalmente pousamos na cidade de Colesberg.

O primeiro pôr do sol do ano

O primeiro pôr do sol do ano

Pôr do sol na estrada é sempre algo mágico

Pôr do sol na estrada é sempre algo mágico

No dia 02/01, mais uma madrugada insone para assistir a aurora e de energia renovada alcançar Joanesburgo por volta de 11:00.

Saindo de Colesberg

Saindo de Colesberg

A caminho de Johanesburgo

A caminho de Johanesburgo

O prazer de ver uma aurora, não importa onde se está

O prazer de ver uma aurora, não importa onde se está

O majestoso sol iniciando um novo dia

O majestoso sol iniciando um novo dia

Novamente a paisagem agreste

Novamente a paisagem agreste

De volta à província de Gauteng

De volta à província de Gauteng

Após um providencial almoço, devolvi a moto para o pessoal da Motorrad Executive Rentals e descobri que fui um dos clientes que mais rodou em tão pouco tempo ao redor da África do Sul. Nada mal. Agora é pegar o ônibus de volta a Maputo, de lá o vôo para Nampula e finalmente a van até Nacala.

O pessoal não acreditou quando falei que ia rodar muito com a moto

O pessoal não acreditou quando falei que ia rodar muito com a moto

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Três rodovias nacionais, cinco cidades, sete províncias, dez dias, 4.266km. África do Sul, território anexado. RFEIM / CdGP / DACS.

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29/12/14 The voortrekker 05

Ainda eram umas 14:00 do dia 28/12 quando cheguei em Cape Town e larguei as tralhas no Atlantic Point. Depois de um banho quente, aproveitei a boa localização do hostel e dei um pulo a pé em Cape Waterfront.

Me lembrou, guardadas as devidas proporções, o conceito de renovação do Cais das Docas em Belém do Pará. Enquanto lá aproveitaram um dos galpões para criar um misto de lojas e botecos, aqui pegaram praticamente todo o porto antigo (há um novo construído bem ao lado) e transformaram em atração turística para todos os gostos.

Shoppings, lojas de artesanato, restaurantes, mercado, botecos, prédios antigos restaurados, passeios de barco e helicóptero, tinha até pedinte e ripongas. Ah, os ripongas eram turistas também, nem me ofereceram artesanato.

Prédio do antigo posto de administração do porto

Prédio do antigo posto de administração do porto

No dia 29/12 resolvi rodar de moto até a Table Mountain e descobri que o topo mesmo só no bondinho (fila impossível) ou trilha (estava sem roupa adequada) e me contentei com a vista ali do meio do morro que já era surreal.

No pé da Table Moutain

No pé da Table Moutain

Para chegar no topo tinha que pegar o bonde

Para chegar no topo tinha que pegar o bonde

Lion's Head e Signal Hill

Lion’s Head e Signal Hill

Aproveitei para ir na Signal Hill, onde há um mirante bacana e de lá aprumei para Camps Bay, a praia badalada da cidade (não, não entrei no mar, rsrs). A noite foi reservada para a tal Long Street e seus botecos na companhia do povo do hostel.

Vistas de Cape Town

Vistas de Cape Town

Vistas do Estádio e Water Front a partir da Signal Hill

Vistas do Estádio e Water Front a partir da Signal Hill

Table Moutain a partir da Signal Hill

Table Moutain a partir da Signal Hill

Caminho alternativo para Camps Bay

Caminho alternativo para Camps Bay

 

Vistas de Camps Bay

Vistas de Camps Bay

 

Camps Bay

Camps Bay

 Dia 30/12, o Chico mais um casal de brasileiros chamaram para ir ao World of Birds em Hout Bay, na ida de ônibus vi aquela paisagem de filme com um estrada cortando o morro na beira do mar (já tinha passeio no dia seguinte). Fechamos com o pôr do sol em Camps Bay (fodástico) e um churrasco leve no hostel.

 

Paisagem de filme

Paisagem de filme

 

Relativa longa caminhada

Relativa longa caminhada

 

Travessia estelar

Travessia estelar

 

No ninho da coruja

No ninho da coruja

Qual é?!? Me deixa aqui de boa.

Qual é?!? Me deixa aqui de boa.

 

Pôr do sol em Camps Bay

Pôr do sol em Camps Bay

Acho que não dá para ver isso do sofá da sala

Acho que não dá para ver isso do sofá da sala

Dia 31/12 era a despedida, portanto tinha vários pontos a visitar. Comecei com a estrada entre Camps Bay e Hout Bay, só para ficar lá babando. Em seguida peguei o caminho para o Parque de Cape Point, onde fica o famigerado Cabo da Boa Esperança e na outra ponta o farol que separa os dois oceanos, Atlântico e Índico. Lugares fantásticos. O parque todo inclusive.

A caminho de Hout Bay a partir de Camps Bay

A caminho de Hout Bay a partir de Camps Bay

A caminho de Hout Bay

Vista de Hout Bay

Hout Bay

Noordhoek Beach

 

De repente estamos no interior de Minas de novo.

De repente estamos no interior de Minas de novo.

Simon's Town, já quase na boca do Parque de Cape Point

Simon’s Town, já quase na boca do Parque de Cape Point

Resolvi pegar uma rota alternativa

Resolvi pegar uma rota alternativa

 

Sim, você está vendo uma bateria anti navios

Sim, você está vendo uma bateria anti navios

Uma base da marinha

Uma base da marinha

De volta ao vórtice espaço temporal Minas Gerais

De volta ao vórtice espaço temporal Minas Gerais

Portão principal do parque

Portão principal do parque

Paisagem "continental" do parque

Paisagem “continental” do parque

Seguindo em direção ao farol

Seguindo em direção ao farol

 

Subindo um zilhão de degraus até o farol

Subindo um zilhão de degraus até o farol

E ainda falta mais degrau até o farol

E ainda falta mais degrau até o farol

 

Aí você descobre que o farol não funciona, o real é outro mais além.

Aí você descobre que o farol não funciona, o real é outro mais além.

O farol real lá no pé da encosta do outro lado

O farol real lá no pé da encosta do outro lado

Mas a vista compensou. Para se ter uma idéia, cheguei por aquela estrada no canto direito

Mas a vista compensou. Para se ter uma idéia, cheguei por aquela estrada no canto direito

Quando se tenta bancar um fotógrafo e tirar uma foto para postal

Quando se tenta bancar um fotógrafo e tirar uma foto para postal

A trilha segura até o farol real. Me lembrou algumas trilhas que fiz de moto em Macacos MG

A trilha segura até o farol real. Me lembrou algumas trilhas que fiz de moto em Macacos MG

O outro lado do farol antigo

O outro lado do farol antigo

Quase um "tilt shift" sem querer não fosse o dedo do fotógrafo

Quase um “tilt shift” sem querer não fosse o dedo do fotógrafo

Chega de farol e vamos para o Cabo da Boa Esperança

Chega de farol e vamos para o Cabo da Boa Esperança

Estradinha na beira do oceano. De leve.

Estradinha na beira do oceano. De leve.

Olha ele aí, Cabo da Boa Esperança

Olha ele aí, Cabo da Boa Esperança

E você achava que só ia vê-lo nos livros de geografia e história

E você achava que só ia vê-lo nos livros de geografia e história

Despedindo do parque de Cape Point, lugar fantástico

Despedindo do parque de Cape Point, lugar fantástico

 

Voltando para Camps Bay pela Chapman's Peak Road

Voltando para Camps Bay pela Chapman’s Peak Road

E você achava que só veria estrada assim em filme

E você achava que só veria estrada assim em filme

 

Olha aonde a estrada passa, surreal

Olha aonde a estrada passa, surreal

Hout Bay lá no fundo

Hout Bay lá no fundo

 Voltei pois tinha comprado um ticket do bonde da Table Mountain e não ia perder essa. De certa maneira, noves fora e tudo o mais, cheguei no final do dia para poder acompanhar o espetáculo do ultimo pôr do sol do ano, do topo da montanha e com o sol se pondo no mar. Eu nem tenho palavras.

Esperando o bondinho para subir a Table Moutain

Esperando o bondinho para subir a Table Moutain

 

Vista da Lion's Head e Signal Hill de dentro do bonde

Vista da Lion’s Head e Signal Hill de dentro do bonde

Maquete da Table Mountain

Maquete da Table Mountain

Vista de Cape Town a partir da Table Mountain

Vista de Cape Town a partir da Table Mountain

Vista de Camps Bay a partir da Table Mountain

Vista de Camps Bay a partir da Table Mountain

O último pôr do sol do ano

O último pôr do sol do ano

 

Fechando com chave de ouro

Fechando com chave de ouro

 Ainda cheguei a tempo de acompanhar o povo do hostel para a virada do ano. Eu já estava satisfeito e com a cabeça no retorno, mas já que o Chico conseguiu uma mesa de graça num boteco próximo, custava nada ir lá devolver o agrado pagando a bebida.

Como diria Maquiavel, “la virtù, la fortuna”.

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28/12/14 The voortrekker 04

Você acorda com aquele cheiro de mofo no quarto de quinta categoria e agradece por ao menos ter uma cama para descansar. São 04:00 da matina de 28/12 e depois de organizar as tralhas, você repara no tempo nublado e já espera outro dia debaixo de chuva.

Ao menos posso contar vantagem que passei frio na África do Sul e ninguém vai acreditar.

Saída de Port Elizabeth

Saída de Port Elizabeth

Seriam mais 770 km ainda na N2 entre Port Elizabeth e Cape Town (o destino final dessa empreitada). E em pouco tempo já estava encharcado novamente e concentrando todo o meu ki para suportar o frio sem tremedeira.

Para os mais puritanos não foram exatamente o ABS ou o controle de tração da BMW os principais responsáveis pela segurança nestes dois trechos debaixo de chuva, mas sim a manopla com aquecimento. Lembro do caboclo da Motorrad Executive Rentals sendo categórico de que eu não precisaria deste item.

Mas o real desconforto que a chuva trouxe foi impedir apreciar com mais calma a paisagem em volta, ouso dizer uma das estradas mais bonitas em que pilotei. Em vários pontos foi impossível parar para tirar mais fotos e se for para alguma vez reclamar de chuva na estrada, essa seria uma.

Um dos viadutos sobre as encostas do Parque Tsitsikamma

Um dos viadutos sobre as encostas do Parque Tsitsikamma

Reza a lenda que o povo faz bungee jumping nesse penhasco.

Reza a lenda que o povo faz bungee jumping nesse penhasco.

Aproveitando os poucos trechos em que a chuva deu trégua

Aproveitando os poucos trechos em que a chuva deu trégua

A grama do vizinho não é tão verde assim.

A grama do vizinho não é tão verde assim.

No pé da última serra.

No pé da última serra.

E o tempo ruim foi nos acompanhando até subir e atravessar a ultima serra para finalmente encontrar o poderoso céu azul nos últimos 50 km até Cape Town. Provavelmente não teria o mesmo sentimento de “chegar num lugar fantástico” não fosse a chuva nos últimos dois dias. Até porque bastou 15 min para ficar completamente seco.

Tchau chuva!

Tchau chuva!

Talvez isso explique porque vale a pena viajar de moto debaixo de chuva.

Talvez isso explique porque vale a pena viajar de moto debaixo de chuva.

A famigerada Table Mountain

A famigerada Table Mountain

Mandei uma mensagem para o Chico, o amigo de Belo Horizonte que resolveu passar um meio ano sabático em Cape Town. Ele acabou angariando uma vaga no hostel onde está trabalhando, o Atlantic Point Backpackers, e assim cancelei a reserva que havia feito em outro hostel.

Fantini, dessa vez você teve sorte. Nada. Até agora, toda a sorte de acontecimentos foram dominados e transformados em oportunidades.

Encontrando com o Chico

Encontrando com o Chico

Bom e Cape Town? Cape Town vale toda e qualquer artimanha que você crie para vir aqui visitar, seja meio ano sabático, seja aproveitar que já está por estas bandas. Recomendo.

Vistas do Water Front

Vistas do Water Front

Passeando pelo Water Front

Passeando pelo Water Front

A proposta de renovação do antigo porto foi muito interessante

A proposta de renovação do antigo porto foi muito interessante

Prédio do antigo posto de administração do porto

Prédio do antigo posto de administração do porto

Torre do relógio do porto

Torre do relógio do porto

Table Mountain com seu forro de nuvens

Table Mountain com seu forro de nuvens

Capitão Michael Jakson

Capitão Michael Jakson

Da série somente em Cape Town

Da série somente em Cape Town

Para fechar o dia

Para fechar o dia

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27/12/14 The voortrekker 03

Havia chovido bem na noite anterior e o tempo amanheceu nublado no dia 27/12. O trecho de hoje entre Durban e Port Elizabeth seria o mais comprido, com praticamente 900 km e um clima mais ameno era bem-vindo. Novamente acordo 04:00 da matina e antes das 05:00 já estava na estrada N2 rumo ao meu destino.

Partindo pela manhã

Partindo pela manhã

Para minha ingrata surpresa começou a garoa fina, dai a pouco a chuva e finalmente chuva forte. Ao longo da viagem toda ficou variando entre nublado, chuva fina e chuva forte. O incauto já deve estar pensando aí o saco de parar toda hora para colocar e tirar a capa de chuva. E aí que lhe pergunto: “Que diabos de capa de chuva?!? Tipo a que está guardada lá em Vitória?”

Tempo nublado

Tempo nublado

De vez em quando a chuva dava uma trégua

De vez em quando a chuva dava uma trégua

E assim em cada parada para abastecer e comer alguma coisa, eu era a atração geral, com a menina da faxina secando o chão por onde eu caminhava. Quase ofereceram uma placa de “cuidado, piso escorregadio” para eu levar comigo.

E quando eu ia praguejando o frio úmido, na subida de uma serra desce aquela neblina fechada. Não sei se foi mais difícil adivinhar o que havia a frente ou segurar a tremedeira para não desequilibrar a moto. E para você que ao passar por isso, estaciona a moto, desiste e clama pelos deuses porque amarga sina, continuei um pouco mais somente para encontrar a visão do paraíso.

Paisagem insólita

Paisagem insólita

Sim, bem aqui no meio da África do Sul tinha aquilo que qualquer mineiro mais se alegra, um’paisage assim iguazin mina’geraes, sô. Iguazin dimai’da’conta. Trem’bão’dimais, ten’basi’naun!

Uai, sô, só’faltô us’cumpadi, u’forn’di’lenha i daquel’amarguinha. Ai’ia’cê assim, bão’dimai’da’conta.

África Gerais

África Gerais

Minas do Sul

Minas do Sul

A partir daí, recarregada a energia com aquela insólita paisagem, que se dane o trânsito caótico em três cidades de beira de estrada (igualzin Manhuaçu, Uai) e a chuva que nos acompanhou até pouco antes de chegar a Port Elizabeth por volta de 17:30. Pensei naquele banho quente e encontrar um boteco bacana.

Na boca de Port Elizabeth

Na boca de Port Elizabeth

Primeiro hotel que o GPS indicou não existia. O segundo lotado. Assim o terceiro, o quarto, o quinto, o quinto dos infernos, todos lotados. Tentei os hostels e nada. Que diabo de lugar é esse?!? Parece que a reforma da beira da praia deu um glamour e virou a febre do momento.

Nisso já era quase 19:00 e eu lá sem um pouso. Resolvi procurar nos hotéis mais distantes e lá fui seguindo o GPS que me entregou numa boca de fumo do capeta. Tenso. Procurei outros hostels nesse pedaço mais afastado e nada, nisso volta a chuva.

Confesso que fiquei preocupado e depois de mais algumas tentativas em vão, achei um motel tosco, chamado Hunter’s Retreat, numa estrada vicinal, não fazia a mínima idéia de onde estava e foi lá que fiquei já por volta de 21:00 todo encharcado.

Para minha alegria não tinha chuveiro, somente uma banheira tosca. Enchi ela de água quente e mergulhei no banho turco. A roupa não teve jeito, muito encharcada, torci do jeito que deu já sabendo que não secaria (ao menos tinha outra muda de calça jeans e camisa).

É meu amigo, vá jogar banco imobiliário no conforto de casa, viajar de moto é mais tenso que cair no Jardim Europa com 04 hotéis. Pensando bem, ao menos no banco imobiliário teria hotéis.

De Durban a Port Elizabeth

De Durban a Port Elizabeth

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26/12/14 The voortrekker 02

Johanesburgo e a África do Sul em geral são locais de disparidade social profunda e mesmo que Mandela tenha feito realizações importantes ao acabar com o apartheid, fica claro que ainda há um longo caminho entre o conforto de Sadton e a decadência do velho centro.

O importante é que a organização herdada dos ingleses é algo muito útil ao país e é visível o tanto que as coisas funcionam bem. Ponto para as estradas, tudo bem que peguei as três principais nessa aventura, N1, N2 e N3, mas as secundárias não deixam a desejar conforme relatos de outras pessoas.

Então vamos a estrada de vez? No dia 26/12, agradecido pela acolhida do Tinoco e família, acordei as 04:00, juntei as tralhas na moto e fui. O destino do dia seria a cidade de Durban através da N3, onde há a maior população indiana fora da Índia. A explicação? Na época os ingleses precisavam de trabalhadores nas fazendas de cana de açúcar e os africanos se recusaram, resultando numa das primeiras importações de mão de obra da história.

Saída para Durban

Saída para Durban

Diante do calor razoável, a paisagem ia se abrindo a minha frente. Confesso que levou algum tempo para cair a ficha: “estou pilotando pela África do Sul, cai alho!”. E o misto de crença e descrença, sonho e realidade, se materializavam em morros nunca vistos e um tapete de asfalto cinzento.

Morros nunca vistos até então

Morros nunca vistos até então

E nessa batida, lá ia eu em meio as caravanas de picapes, vans, ônibus, todos puxando um trailler ou carretinha. A turma aqui gosta mesmo dos esquemas aventura no meio do mato. Inclusive, não faltam lojas com esta finalidade. Prato cheio para quem curte um camping.

Depois que a ficha cai, ainda é surpreendente

Depois que a ficha cai, ainda é surpreendente

Pilotando na mão inglesa

Pilotando na mão inglesa

Meu tapete vermelho é o asfalto

Meu tapete vermelho é o asfalto

O GPS (assim como na Malásia, preferi o ajudante para indicar o caminho dentro das cidades) me entregou no centro de Durban e infelizmente não consegui um ponto para parar e tirar fotos dos prédios. Havia gente demais nas ruas, bem como carros e vans (o transporte público daqui) demais e estava perigoso. Uma pena, é uma arquitetura que merecia registro para ajudar a lembrança depois, paciência. Achei uma das praias sem querer e peguei um hambúrguer de lanche. O Dedé vai reclamar, mas não, não entrei no mar. Ainda precisava achar uma cama e assim encontrei o Smith’s Cottage num topo de morro. Lugar simpático e os donos muito atenciosos. Até ganhei uma lavagem grátis das roupas.

Na orla de Durban

Na orla de Durban

Aproveitei o resto de tempo livre (já tinha decidido por acordar cedo no dia seguinte e continuar viagem) para conhecer um ótimo restaurante italiano e um pub fino nos arredores.

Smith's Cottage

Smith’s Cottage

Da série em Durban e nunca mais

Da série em Durban e nunca mais

Boa também

Boa também

 Tinha saído por volta de 05:00 da manhã de Joanesburgo e alcancei Durban por volta de 15:00, uns 575 km depois.

De Johanesburgo a Durban pela N3

De Johanesburgo a Durban pela N3

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22/12/14 The voortrekker 01

Já era 30/12 quando uma das hóspedes do hostel em que estava em Cape Town viu minha tatuagem no braço esquerdo e perguntou o que significava. Embora ela não conhecesse “O Príncipe” de Nicolai Maquiavel, compreendeu o motivo da tatuagem indicar “La Virtù, La Fortuna”, ou a virtude e a sorte. Maquiavel, embora mal interpretado, é claro ao dizer que ao príncipe virtuoso não importa a sorte, ele dominará qualquer oportunidade.

E assim lá estava eu, vindo a trabalho em Moçambique, um país ainda em construção, não teve como retornar ao Brasil no período de Natal e Ano Novo. Mas como precisava carimbar o meu visto e assim sair do país, estava lá uma oportunidade a ser dominada.

Naturalmente que você já sabe que o Fantini planeja em detalhes toda e qualquer viagem de moto, tipo aproveito uma data, vejo quantos dias disponíveis, olho o mapa, quantos km e pronto.

Mas e o hotel?!?! E a moto?!? Detalhes. Para quem conhece a sina de mochileiro, sabe muito bem que não faltam albergues com uma cama disponível, mesmo no feriado mais badalado e mesmo para um destino muito procurado. Assumo que só fiz a reserva em Joanesburgo e Cape Town por insistência de um amigo e a contra gosto. Já as demais cidades do caminho, mantive o que sempre fiz, chego lá e procuro um lugar para dormir. Particularmente só tive dificuldade em Port Elizabeth.

A moto foi outra história e ponto para o pessoal da Motorrad Executive Rentals, não só atenderam meu pedido de última hora, como me entregaram uma moto em perfeitas condições. Uma BMW F700GS, que de início me senti desconfortável, mesmo sendo o modelo rebaixado de fábrica, por não conseguir apoiar bem os pés. Ao longo da viagem, se mostrou um conjunto excelente de mecânica e para o desespero do Nuanda, sim, recomendo a moto para todos, mas continua minha preferência por Srta Hellen Dawson.

A viagem começou mesmo no dia 22/12 em Nacala, pegando a van de madrugada para o vôo de ligação entre Nampula e Maputo que seria somente a tarde. Em Maputo peguei ônibus da Intercape para Joanesburgo (esse quase perdi por atraso do vôo e teimosia do taxista). No dia 23/12 de madrugada estava no centro velho de Joanesburgo e de lá um taxi para o Monte Fourways Hostel.

Descansei um pouco e peguei a moto ainda de manhã. Aproveitei para comprar uma rede elástica para prender a bagagem, pois o bauleto seria insuficiente (mesmo que tenha trago somente a mochila e uma bolsa pequena).

Companheira da vez

Companheira da vez

Em seguida encontrei com o colega da empresa que conheci em Nacala e por estas inexplicáveis razões, o santo bateu e assim fora convidado a passar o Natal com a família dele. Até que tem explicação, o caboclo é carioca, viveu em JNB devido ao emprego numa empresa de mísseis e casou com uma indiana nascida na África do Sul e hoje trabalha na mineração, improvável assim, o santo tem que bater mesmo.

Monte Casino - misto de casino, hotel e shopping

Monte Casino – misto de casino, hotel e shopping

Loja de motos em Johanesburgo

Loja de motos em Johanesburgo

Um das várias pilhas de estéril da minas de ouro em Johanesburgo

Um das várias pilhas de estéril das minas de ouro em Johanesburgo

Soccer City

Soccer City

No final, longe de casa, tive a oportunidade de passar um excelente Natal com a família do Tinoco, conhecendo um pouco da história dos indianos na África do Sul e experimentando os sabores típicos de seus temperos (ok, a língua continua queimada devido ao curry picante).

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