Prudens quid pluma niger secundum

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01/02/14 desdobramentos de uma ida à padaria mais próxima

Basicamente já passou de um ano que Hellen Dawson tem sido minha companheira de desventuras, ao invés do malfadado sofá da sala. Na verdade foi em dezembro agora, mas entre outros compromissos e a agitada agenda de festejos de fim de ano, não foi possível dar a menina uma comemoração digna.

Semana passada observei que a padaria da esquina havia passado por uma reforma, bem, pensei com meus botões, vamos lá conferir. Assim sábado cedo, preparei toda a parafernália e aproveitando que Hellen Dawson finalmente tomara um banho (acho que tinha uns 2 ou 3 meses que não lavava), lá me fui em direção à padaria. Como Bilbo Baggins bradei: “I’m going on an adventure!”.

O ronco alto perturbou os vizinhos, o cheiro de gasolina se espalhou pelo ar e passados exatos dois quarteirões ou algo em torno de uns 300m, alcançava meu lendário destino. E para minha grata surpresa, a padaria agora tinha um buffet de café da manhã! Não preciso mais correr o risco de me deslocar para outro bairro onde havia uma padaria mais chique conforme dica de um amigo ortopedista.

Um pão francês com presunto e queijo e uma água de coco depois, acabara-se minha saga. Sim, completada esta árdua missão, me sentido um grande homem, olhei para Hellen Dawson e quase me emocionei! Que grande motociclista eu sou!

Mas aí a ficha caiu e me voltei a minha insignificância de motoqueiro. Sabe, daqueles que usam a moto. Lembrei da última ida ao Bad Service comentando sobre a visita ao Mosteiro Zen em Ibiruçu (comentaremos a respeito em seguida), o Marcelão me deu a dica de que em Buenos Aires havia também uma bela subida de morro onde se tinha uma boa vista da orla de Guarapari. Você não leu incorretamente, estamos falando daquele vórtice espaço temporal que existe no trevo de Guarapari na BR101 que te leva a Buenos Aires.

A 1a visita a Buenos Aires

A 1a visita a Buenos Aires

Resolvera ir pela orla mesmo, ao invés do já batido caminho passando pela Rodovia do Contorno. E lá fui eu já a pleno sol escaldante de 10:30 atravessando trânsito daqui de Jardim Camburi até a Segunda Ponte. E você achando que o trânsito no centro de Vitória seria o ápice, encontra a BR262 em manutenção e meia pista. Dessa vez foi tenso, afinal, além da temperatura ambiente, ainda havia a temperatura do motor rodando sem vento suficiente. Seria um problema, mas, bom, ao menos dois médicos que eu conheço, esse ortopedista e outro psiquiatra, indicam moto como um excelente tratamento para a maioria das doenças e eu não vou discutir com especialistas.

De volta a BR101 e lá vamos nós entre os caminhões e carros que insistem em rodar num sábado, se bem que o país não pode parar e nem todo mundo pode se dar o luxo de largar a visita à padaria para trás. Apesar do calor infernal, o verão trás cores novas à paisagem local e as várias fazendas que marginam a BR101 estavam exuberantes, assim como os conjuntos de morros estilo “pão de açúcar” típicos da região. A energia é fantástica e você compreende porque seus dois amigos médicos recomendam andar de moto.

Chego ao trevo onde se encontra o vórtice temporal e pego a estrada vicinal em direção a Buenos Aires. Que estrada bacana e que paisagem espetacular. Primeira parada em frente a Pedra do Elefante, achei fantástico. E voltamos a estrada vicinal e lá vamos subindo morro. Não é nenhuma serra assassina, mas tem lá seu charme. Fiquei encucado, afinal onde estava a tal vista da orla de Guarapari. Que se dane, tudo em volta já compensava, paisagem muito bacana.

Dentro do vórtice

Dentro do vórtice

Pedra do Elefante

Pedra do Elefante

E assim cheguei na cidade. E vejo uma placa indicando o caminho para uma cachoeira. Nesse calor, boa pedida. Enveredei mais uns 3km de estrada de terra batida de leve e cheguei na trilha que levava até a cachoeira.

já que a moto estava limpa

já que a moto estava limpa

logo ali

logo ali

A cachoeira

A cachoeira

Depois de ficar ali somente apreciando a natureza e o som revigorante da queda d’água e lembrar de outras aventuras nas entranhas de Minas visitando cachoeiras desconhecidas, tive que voltar a realidade e caçar algum lugar para comer porque já era quase 13:00. Mas e o café da manhã, Fantini? Bom, ficou lá na padaria e depois de uns 70km de estrada, eu mereço almoçar, também sou filho de Deus. Lembrei que havia um restaurante bacana um pouco antes da cidade e me encaminhei para lá. Como sábado, domingo e feriado é dia de almoçar tira-gosto conforme o sábio conselho de Dr. Hugo, fiquei na porção mesmo. Recomendo demais o local.

sábado, domingo e feriado é dia de almoçar tira-gosto

sábado, domingo e feriado é dia de almoçar tira-gosto

Em seguida peguei o caminho de volta e para minha grata surpresa fui presenteado com a vista da orla de Guarapari, linda. Pena que não dava parar por falta de acostamento e ser uma descida. Bom, isso significa que se você quiser ver também, esqueça as fotos dos outros, pare de comer essa coxinha aí na padaria e venha ver com seus próprios olhos.


14/06/13 hellen in the sky with diamonds

Desci a Serra de Ouro Branco com a alma renovada e certo de que Hellen Dawson não se acanharia jamais para qualquer estrada que surgisse em nosso caminho. E assim fomos em direção a Diamantina MG através da BR040. Esse era um destino planejado a mais tempo e adiado por várias vezes porque o objetivo era alcançá-lo na companhia do companheiro Ajota, desde a vez que descemos de Brasília DF a Belo Horizonte MG lá em idos de 2009. Infelizmente não pude deixar passar essa oportunidade de tempo.
Para maioria que não entende ou simplesmente não faz a mínima ideia do que possa ser um ritual de passagem, não vai conseguir compreender porque se antes de subir a serra ainda titubeava com o novo fôlego de Hellen Dawson após as regulagens feitas com o pessoal da Garage Henn, agora tinha total confiança e conseguia sentir as reações da moto com muito mais precisão. Acredito que todos devem encontrar seu próprio rito e atravessar essa linha invisível.

Hora de ligar a vitrola!

E assim, divagando sobre essas estranhezas de si mesmo, vamos alcançando a saída para Curvelo MG e apontando a direção final para nosso destino. Naturalmente aproveitando alguns trechos de reta sem fim e sem trânsito para sentir que uma moto custom realmente não foi feita para andar em alta velocidade. Mas também fiquei bem próximo da sensação de estar num velho Supermarine Spitfire dividindo o céu de guerra com um Messerschmitt BF109.

altos planos

altos planos

Pegamos então um trecho da BR135 para em seguida avançar sobre a BR259 e finalmente fechar com a BR367. Enquanto isso ia raciocinando o quanto era engraçado não lembrar de nenhuma paisagem daquela de outros carnavais, fruto de viajar de carro ou ônibus. E isso é o interessante da viagem de moto, mesmo com todos os, digamos, revezes, passar numa estrada e guardar toda ela em sua memória, seus cheiros, cores, poeira e insetos que vão grudando na viseira, compensam o, digamos, desconforto.

então diamantina

então diamantina

Então Diamantina MG. Rodei um pouco pela cidade, ao menos onde o calçamento e ladeiras permitiram levar Hellen Dawson com segurança até parar para arrumar um local para dormir. “Ah! Fantini, porque não marcou antes aquele hotel com hidromassagem?” Porque aí não teria a oportunidade de conseguir um Hostel incrivelmente barato, confortável e com uma vista fantástica.

vista a perder de vista

vista a perder de vista

Diferente da época do carnaval do inferno, a cidade estava tranquila e sua paisagem bucólica de cidade histórica brigava praticamente de igual para igual com Ouro Preto MG, a não ser pelo fato de que os botecos daqui não tinham a mesma quantidade de estudantes ripongas que se encontra lá. Exceto se eu tenha parado nos botecos errados.

não adianta ter igreja, no carnaval o povo quer abraçar o capeta!

não adianta ter igreja, no carnaval o povo quer abraçar o capeta!

No sábado resolvi conhecer o tal Parque Estadual do Rio Preto que fica na cidade próxima de São Gonçalo do Rio Preto MG. O folheto já deixava claro: 15km de estrada de terra. Meus olhos até brilharam e Hellen Dawson já estava empoeirada mesmo.

sujeira leve

sujeira leve

a caminho do parque

a caminho do parque

quase na portaria

quase na portaria

Depois de 15km de paisagem de pequenas chácaras e pontes estreitas, chegaríamos na entrada do parque. O vigia da portaria me deu as boas vindas e me explicou rapidamente sobre o parque. Teria que seguir mais 5km onde encontraria a sede e o guia para comentar sobre mais detalhes. Eu havia achado o vigia meio desconfortável comigo e fiquei encucado com aquilo. Será que o cara não foi com minha cara e…
De repente me vi numa descida íngrime e vertiginosa que terminava numa curva fechada. Em seguida um bocado de camelos e aí areia fofa, mais camelos. Não satisfeito, sobe um barranco, agora sobe outro em curva, sobe mais, desce, atravessa uma ponte velha, mais uma. Vou ser sincero, não foi fácil e agora entendia o olhar carrancudo do vigia, não estava acreditando que eu ia mesmo passar nessa estradinha equilibrando 350kg entre duas rodas. Mas compensou, o parque é muito bonito. Pena que como cheguei tarde, perdi os passeios a pé guiados pelas trilhas e tive que me contentar com um almoço quilombola. Uma carne de lata típica de interior de Minas. Fino!

valeu a pena

valeu a pena

Como não inventaram teleporte ainda, aproveitei a energia do almoço para cortar de volta aquela estradinha através do parque. Perigosa, uma pena, tive que concentrar muito mais na pista do que apreciar a paisagem. Paciência. Aproveitei ainda mais um pouco da vida noturna bucólica e no domingo cedo apontei para Vitória ES.
A parte ruim depois que se roda relativamente muito pelas mesmas estradas é que vai se perdendo aquele gosto amargo da falta de direção e as angustiantes dúvidas sobre qual saída pegar neste ou naquele entroncamento. E naturalmente encher os olhos com paragens exóticas ainda desconhecidas. E assim estávamos na BR259, atravessando a região do Serro MG. Agora entendi porque senti tanto frio nos outros trechos que passei nos últimos quinze dias.
Não havia uma nova paisagem para se embasbacar e assim o frio chamava toda a atenção. Não era o caso agora. Mesmo os malditos desvios por dentro de cidadezinhas minúsculas com ruas de calçamento de fazer bater o fim de curso da suspensão, ou quase seguir numa rodovia errada por ter se confundido no meio das ruelas sem placa de outra cidadela, se perder em curvas jamais vistas até então, tudo isso prendia toda a atenção e nem liguei para o tanto que devo ter congelado atravessando serração e neblina.
E eventualmente tivemos uma tarefa indelegável que se tornou inadiável pouco após passar por Guanhães MG. Tem gente que leva uma bagulhada de tralhas em viagens: capa de chuva, luva para verão, luva para inverno, kit de ferramentas (que as vezes não sabe usar), vacina de pneu, bússola, rádio comunicador, pneu reserva. Mas esquece do essencial papel higiênico! Não que eu tenha que ter parado no acostamento, surgiu um posto providencial, mas quem disse que tinha papel no maldito banheiro? Cai alho! Então a única coisa que realmente não pode faltar no seu alforje é um rolo do velho e bom papel higiênico.
Daí por diante, a viagem ficou mais leve, o dia já avançava e após Governador Valadares tivemos a grata companhia do Rio Doce logo ali na beira da estrada. Pouco antes de atravessar a divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, uma última parada em Resplendor MG. Pouco mais de 200km e chegaríamos em Vitória ES pela BR101.

divisa Minas - Espírito Santo

divisa Minas – Espírito Santo

Tivemos então desde o início em 30/05 até o final em 16/06: 4 estados, 18 dias, 25 rodovias, 60 horas de viagem, 42 cidades, 4.876km, todos os amigos, irmãos e família que visitei. Não precisou mais nada. Se bem que mais uns dias de folga dava para esticar um pouco mais. Deixemos para uma próxima oportunidade, enquanto houver amigos, moto e estradas que ainda não conhecemos, vamos tocando.

Vitória ES, Ibatiba ES, Abre Campo MG, Caeté MG, Belo Horizonte MG, Bom Despacho MG, Araxá MG, Santa Luciana MG, Uberlândia MG, Araguari MG, Catalão GO, Três Ranchos GO, Ipameri GO, Caldas Novas GO, Goiânia GO, Itumbiara GO, Uberlândia MG, Uberaba MG, Ribeirão Preto SP, Campinas SP, São José dos Campos SP, São Paulo SP, Campinas SP, São Paulo SP, Extrema MG, Pouso Alegre MG, Três Corações MG, Belo Horizonte MG, Itaúna MG, Itabirito MG, Ouro Preto MG, Ouro Branco MG, Sete Lagoas MG, Curvelo MG, Gouveia MG, Diamantina MG, São Gonçalo do Rio Preto MG, Diamantina MG, Presidente Kubitschek MG, Serro MG, Guanhães MG, Governador Valadares MG, Resplendor MG, Aimorés MG, Baixo Guandu ES, Colatina ES, João Neiva ES, Vitóra ES.

BR101, BR262, BR381, BR262, BR452, BR050, GO330, GO213, BR153, BR365, BR050, Rodovia Anhanguera, Rodovia Dom Pedro I, Rodovia Presidente Dutra, Rodovia dos Bandeirantes, Rodovia Fernão Dias, BR381, MG431, BR356, MG129, MG443, BR040, BR135, BR259, BR367, MG214, BR367, BR259, Rodovia Pedro Nolasco, BR101.


30/05/13 a morte da bezerra pt01

O que se pode dizer sobre uma viagem de moto que já não tenha sido dito? Alguém sempre tem uma dica, qual moto é melhor para isso, qual moto melhor para aquilo, o que levar, que tipo de roupa usar, quantos quilômetros se avançar por dia e inúmeras outras amenidades que se encontra por aí na opinião dos mais entendidos de plantão e comentaristas de revistas especializadas no assunto.
Talvez aquele camarada que você encontre no café da manhã todo sábado, lhe passe recomendações fundamentais de segurança e indumentária, qual a maneira correta de conduzir a motocicleta e, pasmém, um código completo de sinalizações para indicar o que há de perigo na pista quando se anda em comboio.
E você, Fantini, se preocupa com esse tipo de coisas?
– Desculpe… falou comigo?
– Sim, você não se preocupa com…
– Ah! Sim, estou muito preocupado. Preocupado com a morte da bezerra!
E olha que o Helton, nosso novo aspirante, comentou bastante sobre este evento fatídico, mas deixa isso para quando chegarmos em São Paulo.
– São Paulo! Vai rodar bem então.
– Talvez, mas primeiro vamos para Goiás.
– Goiás?!?

Divisa Minas - Goiás por Araguari

Divisa Minas – Goiás por Araguari

Eu já estava a caminho de Uberlândia MG, após passar o trevo de Araxá MG. Vinha desde Vitória ES quando sai quinta por volta de 05:45 da matina. Estava prestes a ter uma pane seca quando finalmente surgiu uma cidadezinha chamada Santa Luciana MG. Estava difícil controlar a mão trêmula e congelada pelo vento e umidade da chuva fina, quase uma névoa, que vinha me acompanhando desde a divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais.
Como era uma chuva bem fina, não chegava a molhar o asfalto, somente ia umedecendo a roupa a ponto de que a sensação de frio chegava ao limite do intolerável. A segunda pele tentava fazer seu papel em vão e comecei a imaginar a oportunidade de comprar um colete de lã fino para usar sob a jaqueta.
Comecei a rir, afinal a jaqueta tem um forro térmico. Um forro térmico que ficou em Vitória ES, dentro da caixa no armário onde está desde que mudei para o clima infernal do litoral capixaba e arredores. Cai alho!
Cheguei em Uberlândia MG por volta de 18:30 conforme previsto. O Aurélio Batman que me aguardava em Três Ranhos GO já estava conhecendo meio mundo no encontro lá (o que nos proporcionou um bocado de cervejas grátis, diga-se de passagem). Mas como é que um camarada anda mais de 1.000km em apenas 13 horas?

Encontro em Três Ranchos GO

Encontro em Três Ranchos GO

Bom, como sai cedo, consegui encaixar a subida da serra até Realeza MG com o trânsito de mineiros descendo de Bhz para a praia. Daí em diante não peguei trânsito praticamente algum, o que dá para fazer a viagem render bem. E também tem a facilidade de já conhecer a estrada, uma vantagem que só tem quem usa sua moto para ir além das esquinas do bairro. Recomendo.
O último trecho entre Uberlândia MG e Três Ranchos GO, pelo contrário, era completamente desconhecido. Conferi o mapa, passaria por Araguari MG, divisa e Catalão GO. Mas uns 200km. Fichinha para quem já tinha feito 1.000km? Mais ou menos pois a partir de 18:30 já havia escurecido bem e para quem já passou por isso, sabe o quanto é ingrato viajar de moto a noite quando o céu está nublado. É um bréu do cai alho! E em estrada desconhecida, melhor ir “na manteiga” como recomenda Mestre Grilão.
Por volta de 21:30 cheguei em Três Ranchos GO e já fui direto para o encontro. Mal parei Hellen Dawson e já tinha um caboclo cabeludo me gritando.
– Porra, padrinho! Veio mesmo. Vem cá mostrar para esses caras aqui que você veio mesmo.
Grande Aurélio Batman. Figura, nos conhecemos em 2009 num outro encontro em Goiânia GO. Preciso professor da arte dos embates. Nunca esquecerei sua técnica de posicionamento estratégico em botecos.
Já tinha conhecido meio mundo do evento. Tudo bem que meio mundo do evento não passava de meia dúzia de gatos pingados. Primeiro evento em cidade pequena é assim mesmo. Mas garantiu boas risadas e muita cerveja.

O pessoal aqui prefere jetski

O pessoal aqui prefere jetski

E aí vem o Nelsão, incrédulo.
– Você não veio de Vitória ES hoje não. Não tem como.
– Uai, é tranquilo, basta acordar cedo, pegar a moto e seguir a direção até aqui.
Na verdade acho que ninguém acreditava que um camarada fosse capaz de rodar mais de 1.000km em um dia, na verdade somou uns 1.300km (quase um iron butt sem fazer muita firula que fazem por aí), somente para encontrar um velho amigo. Bom, se você também não acredita, venda sua moto e procure outro passatempo. Pois é disso que é feito motociclismo, rodar e encontrar amigos. Nada mais.


04/05/13 festa pomerana em santa maria de jetibá

A última tentativa de viagem longa com a srta. Hellen Dawson tinha furado por causa da pane elétrica lá em 28/03. Alguém deve estar se perguntando se logo que voltei de Sampa (já que fui de carro) tive a oportunidade de verificar o que era. Bom, claro que não, porque cheguei de Sampa e praticamente peguei avião em direção a Santiago numa viagem combinada com o Dedé, meu irmão que não vai mais ao médico, ele só vai no borracheiro.

Mas antes de continuar a leitura, recomendamos botar na vitrola um Hoodoo Gurus.

Anexando terrenos andinos

Anexando terrenos andinos

Só fui verificar qual era o motivo de srta. Hellen Dawson empacar no dia 16/04. Isso mesmo mais de 15 dias depois. Para você ver o quanto eu gosto de andar de moto. No final era somente a bateria descarregada por ter ficado com o farol ligado na noite anterior brigando para montar o bagageiro. Resolvi o problema da bateria com uma recarga e preventivamente comprei o famoso cabo de chupeta para o caso de nova emergência.
Como teve a 3a6a! logo em seguida, só fui conseguir uma janela para andar de moto no início de maio. Ligo para o Maia.
– Franga, vamos rodar no sábado.
– Agora só ando com cara de speed.
– Sério? Que cai alho!
– Na verdade nem eles me alcançam agora.
E pensar que o cara era um pacato professor universitário.
Só se convenceu quando comentei da festa pomerana que outro camarada avisou que teria em Santa Maria de Jetibá ES.

Pomerisch Fest 2013

Pomerisch Fest 2013

Mas insistiu para encontramos numa padaria.
– Temos que manter as aparências. Sábado é dia de ir de HD na padaria.
O clima de início de inverno tornou muito mais agradável os passeios aqui na região de Vitória ES. Já não está mais aquele calor infernal e dá até para usar jaqueta de novo. Apesar que acabei indo com a blusa de flanela mesmo.

Mas a jaqueta estava lá para qualquer eventualidade

Mas a jaqueta estava lá para qualquer eventualidade

Subimos pela BR101 sentido norte e na altura de Fundão ES, pegamos a estrada vicinal para Santa Tereza ES. A cada vez que passo nessa estrada, agrado mais dela. Trecho na medida exata para rodar. Curvas para todos os gostos (ok, algumas não são para quem tem medo) e a bucólica Santa Tereza ES.

Estradinha agradável demais da conta

Estradinha agradável demais da conta

Como iríamos um pouco mais adiante, pegamos a saída para outra estradinha vicinal em direção a Santa Maria de Jetibá ES, passando por Garrafão ES. Essa estrada conheci na volta do lagarto e da outra vez havia alguns buracos para atrapalhar o traçado de outra estrada divertida com suas curvas e mais curvas. Mas custom não faz curva, alguém vai argumentar. Realmente não faz não, então a gente força um tiquim só.

Será que estou usando a moto corretamente?

Será que estou usando a moto corretamente?

Mas então Fantini, sofreu para acompanhar o ultra mega blaster dragonzoide motor de 200.000 cavaladas estrelares do companheiro Maia. Companheiro Maia? Uai, é mesmo, cadê o Maia? Tive que parar no acostamento e esperar.
– Velho, estou arrastando as plataformas em toda curva.
– Uai, o estágio 2 não vem com contra-esterço automático também não?
Bom, ele quis me bater. O problema é que tinha que me alcançar primeiro.
Santa Maria de Jetibá ES é tão bucólica quanto Santa Tereza ES, mas a festa pomerana estava agitando a cidade. Ao menos era o que dizia em alto e bom som naqueles alto falantes espalhados em cada poste. Paramos numa farmácia para perguntar sobre hospedagem. Não, não me perguntem se seria mais fácil perguntar no posto, mas a atendente com roupa típica era bem mais simpática que qualquer frentista.
Assim como as caixas do supermercado e todas as mulheres da cidade. De repente comecei a achar que realmente estava na Alemanha, não só pelos trajes, mas porque todo mundo era praticamente ariano.
Como conseguimos uma vaga no hotel local, largamos as motos no estacionamento, compramos um joaquim daniel e fomos aproveitar a festa. Estava bacana mesmo e a banda que tocou anos 80 foi fina. E vai ter alemã assim lá na Alemanha!

Estaríamos na Alemanha?

Estaríamos na Alemanha?

No dia seguinte decidimos voltar pela BR262, então seguimos mais um pouco até o trevo de Afonso Cláudio ES. Como eu disse acima, fizemos ao contrário o trecho que rodamos na volta do lagarto. Mas agora estava bem mais divertido, todos os buracos tapados e jogando poeira no filtro de ar de alto desempenho da Lily Monster. Se continuar assim o coitado do Maia vai ter que voltar a usar capacete fechado.
Fechamos com a descida de Serra Azul ES até Vitória ES. Na verdade fomos em Vila Velha ES para azucrinar o Chico um pouco, já que ele gosta de trabalhar dia sim e dia também.
Valeu a pena demais e é um passeio que dá para fazer em um dia, já que não chega a somar 300km ida e volta a partir de Vitória ES. Recomendo.


28/03/13 a aventura so começa quando algo da errado

Havia já algum tempo que devia uma visita ao Helton, companheiro do clã que mora em São Paulo. A mais ou menos um mês atrás deixamos marcado para o feriado da Semana Santa. Ficou ainda mais tranquilo de ir quando descobri que a empresa resolveu, além da sexta feira, abrir uma folga também na quinta. Perfeito.
Nisso o Maia estava naquele frenesi danado, o que comumente chamamos de fogo no brioco, para acertar o recém adquirido mastertune. E ainda tinha cismado de passar para o tal estágio dois lá com o Paulinho Henn em Campinas.
– E o que diabos é estágio dois? questionei.
– Coisa simples, se troca o comando de válvulas.
– Cai alho.
Realmente concordo que a mapa de injeção original das HDs é muito ruim (coisa para atender legislação de consumo e emissões), o que praticamente mata o motor de 1600cc. E assim tive a idéia de aproveitar o ensejo e fazer o remapeamento da srta. Hellen Dawson.
Nuanda, velho companheiro de batalhas barrentas e a sua maneira responsável por hoje existir o DACS no clã (falo sobre isso novamente numa próxima oportunidade), ainda pretendia fazer uma surpresa ao aparecer do nada lá em Sampa. Pronto, estava tudo organizado.
Srta. Hellen Dawson vinha de um banho de loja considerável, pois aproveitando o par de sapatos novos da Michelin, resolvi dar uma geral na pintura, cromados e rodas. E lá se foi polimento em tudo, modéstia as favas ficou muito bom o serviço na Ayso Motos. Além da nova tatuagem providenciada com o Mestre Marcio Langer. Melhor que isso somente cromando tudo novamente como fez o Chassis com sua Shadow (e essa ficou igual zero km, linda).

Hellen Dawson e sua nova tatuagem

Hellen Dawson e sua nova tatuagem

Na quarta a noite deixei tudo montado e organizado. Quer dizer, apanhei para montar de volta a grelha do bagageiro, pois seu encaixe não bate com o do banco novo. Era acordar cedo na quinta, 04:30 da matina para ser preciso e zarpar rumo à paulicéia. Toda a parafernália de proteção que se tem direito, já que estava chovendo lá fora, viro a chave central, desligo o mata motor, todas as luzes de espia se acendem e se apagam indicando tudo sob controle. Só dar a partida e ouvir a música do escape curto (outro mimo comprado para a menina recentemente).
Então Fantini, só dar a partida. Fantini? A partida.
– Estou tentando! Cai alho! Estou tentando!
Uma, duas, três. A parafernália de proteção começa a pesar e a segunda pele que deveria manter o frio distante começa a se tornar uma sauna. Olha aqui, olha acolá, dá a partida e um “tec-tec-tec” elétrico e maldito do lado esquerdo abaixo do banco. E nada. Bom e isso porque na noite anterior estava funcionando de boa. Cai alho!
Pensei em desmontar a parte elétrica para verificar o que era, provavelmente pelo tipo de sintoma o relé de partida ou a bateria (fiquei com o farol ligado montando a maldita grelha), mas o suor escorrendo dentro do capacete e a frustação daquela melindrada de Srta. Hellen Dawson, empacando feito uma mula de carga só porque estava chovendo, me fez negar tudo aquilo que acredito, subir em casa, tirar toda a couraça, tomar uma ducha, vestir uma bermuda e ir com a Noviça Rebelde, a picape que tomou lugar da antiga Picareta.
Já estava na altura do Rio quando vi a mensagem do Nuanda confirmando que a dragstar dele também havia apresentado problema. Só que mecânico, carburador afogando e moto sem força na alta. Já pensei no giclê de alta. Depois não consegui falar com ele para saber se precisava de ajuda. Isso porque estava na BR101 vindo de Vitória e ele descendo a BR262 (Fernão Dias) a partir de Bhz. E qual o problema? Se precisasse, atravessava no meio das estradinhas vicinais e salvava ele lá onde estivesse. Ou então poderia acabar de negar de vez o que consideramos ser o clã e botar fogo na fúnebre flâmula.

fúnebre flâmula

fúnebre flâmula

E o Maia? A essa altura lá na oficina em Campinas estava se divertindo botando fogo do escape e fazendo o Joaquim Daniel dançar ao som do velho e bom V2. Filho de uma boa mãe!
Cheguei em Sampa e, como sempre, me perdi para chegar na casa do Helton. E olha que não é tão difícil assim chegar na casa dele em Vila Mariana. Depois de errar três vezes porque fui confiar mais no GPS do que na minha memória, instinto e placas (sim, todas indicavam perfeitamente o caminho se tivesse seguido), uma hora depois encontrava com os dois irmãos.
Estendemos a fúnebre flâmula e pronto, um posto avançado do conclave marajoense estava formado. A RFEIM existe onde um membro do clã estiver. O Musquito, outro companheiro que também resolveu morar na selva de pedra nos acompanhou noite adentro, dividindo nossas histórias e mentiras e muita Heineken. Quer dizer, o franga do Musquito trouxe skol.
Como sexta era feriado, decidimos que não tinha muito o que fazer quanto a moto do Nuanda, até porque não tinha ferramentas para verificar o maldito carburador. Começamos a verificar as opções que tinhámos, um reboque de volta a Bhz ficaria muito caro. Mas caro mesmo era demover Nuanda de voltar com a moto naquele estado. Não era seguro.
– Não vou deixar em oficina aqui não, preciso da moto no dia a dia.
Com muito custo conseguimos convencê-lo que poderia pegar a Honda Biz emprestada do Gustavinho.

A honda biz do Gustavinho

– Essa eu queria filmar e…
– Helton, cai alho! Sossega!
Incomodei o camarada Nishida, grande Nishida, para saber se conseguia algum mecânico próximo. Arrumou logo três opções e ainda verificou novamente um reboque para Bhz. Realmente o coração é muito maior que a pessoa. Se bem que ele é baixinho igual eu. Rsrs.
Na sexta a noite fomos encontrar com a Nina, capitã das fumos que vieram de Bhz para o Lollapalooza, e fomos parar lá na tal Vila Madalena. Como estava todo mundo virado de viagem (no caso delas) e cachaçada (a gente), não sobrevimemos ao segundo buteco. É a vai idade. Antigamente durávamos no mínimo três butecos. Mas vai lá.
No sábado cedo, ok, quase cedo, já estávamos na GO a procura de uma oficina para deixar a dragstar do Nuanda. Isso porque as opções que o Nishida passou, coitado, furaram o olho do japonês e estavam fechadas. Pergunta daqui e de lá, descobrimos uma oficina que poderia atender, mas ficava para o lado da Av Cruzeiro do Sul. Não me perguntem detalhes, já viram lá no início que não consigo chegar nem em Vila Mariana sem ficar perdido. Bom, basta indicar que é a Podium Motos. O pessoal foi muito cordial, mas a atendente foi cética.
– Só poderemos olhar a moto segunda.
Eu pensando menos mal, já que conseguimos uma oficina, Nuanda com uma lágrima nos olhos e o Helton já ia zoar novamente a história da Honda Bis. Cai alho! Sossega Helton!
Fomos caçar algo para tapar a fome, não tinha mais o que fazer. Quando já estava acabando o exagerado pastel de 30cm da lanchonete que não lembro o nome, já lá de volta para os lados de Vila Mariana, o telefone do Nuanda toca.
– Ah! Sim, é o Rafael, tá, sério, tá, então tá. Daqui uma hora? Tá, então tá.
– Nem precisa falar, pela sua expressão é da oficina, só falta dizer que a moto está pronta? perguntei.
Olha só, eu sou muito pé atrás com São Paulo. Acho o custo de vida, a tensão do dia a dia atribulado, o trânsito caótico, bom, o conjunto da obra algo que não me agrada. Mas descobrir que uma oficina desmonta o carburador, limpa, regula, monta de novo e entrega num intervalo de três horas (ou menos), isso porque era sábado após um feriado, me faz queimar a língua.
Não é que a moto ficou boa. Alguém vai dizer que a gente deveria ter resolvido por conta própria. Sim, concordo, mas como já havia dito, não possuíamos as ferramentas para tal. Os puristas que nos perdoem.
Resolvido a pior parte, vou saber do Maia se estava tudo bem.
– Velho, instalei um freio novo já que você reclamou que o original não estava muito adequado para a nova potência da moto.
– Mas como assim, era só regular, não precisava trocar.
– É que agora a Lily Monster passa dos 200.
Desliguei o telefone. E pensar que até um mês atrás o cara era um pacato professor universitário.
No domingo cada um caçou seu rumo. Nuanda subiu para Bhz e eu desci a Dutra para o Rio para em seguida pegar a BR101. O Helton acho que ainda estava dormindo quando cheguei em Vitória. O Maia? Velho deve ter chegado no dia anterior ao ultrapassar a barreira do tempo e o espaço. Cai alho!
Srta. Hellen Dawson estava lá impassível. Perdeu a oportunidade de receber fôlego novo com o remapeamento da injeção, mocinha maldita. Mas é assim mesmo, a aventura só começa quando algo dá errado. Se bem que preferi todas as vezes que algo deu errado no meio da viagem e não antes de começá-la.


08/03/13 era para ser mais um teste de abraçadeira

A um pouco mais de um ano atrás estive em Prado BA com o objetivo de verificar se as abraçadeiras que havia trocado do acabamento do escape da saudosa dona stefânia haviam ficado firmes. Sabe como é, essas coisas tem que ser verificadas e nada como uma voltinha de 450km para ter certeza de que havia ficado bem montado.
Ainda tinha combinado de verificar as condições do asfalto para a turma que subiria de Bhz na semana seguinte. Eu também tinha a intenção de voltar no outro fim de semana, mas uma pane na bobina fez dona stefânia ir para o estaleiro e me obrigar a encontrar com o povo de carro mesmo.
Estávamos eu, Nuanda e Hermano, representando o povo do clã e mais três casais amigos nossos que não têm clube. Nos divertimos bastante e sei que tiveram um agradável passeio por terem vindo juntos e voltado juntos.
Dessa vez fui com o pessoal daqui de Vitória: Chico, Marcão e Nilza e o maluco do Jansen, cada um carregando sua bandeira, mas dividindo os mesmos momentos na estrada. Somente o Jansen que teve que voltar um dia antes devido a compromissos de trabalho.

viagem em grupo

viagem em grupo

Ah! E tinha o Maia, mas o doido resolveu viajar a noite sozinho. O que que eu posso fazer se o desinfeliz quer passar por todo e qualquer rito de passagem para ficar citando Nietzsche. Espero que não resolva também pegar uma estrada de terra a noite. Se bem que depois levo ele lá no trecho que já fiz a noite, que sai da BR101 até Nova Viçosa BA, só para ver se ele tem braço mesmo.

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

Como estou com a missão de acabar de vez com os pneus da srta. Hellen Dawson, a voltinha de 450km vinha a calhar, ainda mais que há um grande trecho de reta sem fim para alegria da maioria dos donos de custom. Para minha sorte, há uma pá de curvas para todos os gostos e velocidades, assim poderia gastar também a lateral dos pneus.
E ainda precisava saber se as abraçadeiras do escape novo, trocado na semana anterior, estavam bem fixadas.

nenhuma peça do escape caiu até aqui

nenhuma peça do escape caiu até aqui

Como todo encontro é basicamente a mesma coisa, basta dizer que em Prado BA se tem a praia à disposição. Mas considerando o péssimo atendimento local, cai alho Fantini, pega leve. Ok, considerando o péssimo atendimento que tivemos na barraca que ficamos, acho que era Barraca do Toti, ter a paisagem da praia salvou.
O Maia havia nos dado a missão de conversar com o tal Joaquim Gente Fina, infelizmente e apesar de não ter faltado assunto, ficou ainda um dedo de prosa para terminar com o distinto.

o joaquim gente fina

o joaquim gente fina

Retornamos no domingo. O mesmo calor escaldante da viagem na sexta. Não, não tente isso em casa, mas resolvi ir somente com uma calça e uma blusa jeans surrada e o velho e bom colete do clã para me proteger. Aí, alguém vai levantar o manto da segurança pessoal, que devia dar o bom exemplo e o cai alho a quatro. A única resposta que tenho é que sim, em Minas uso segunda pele, jaqueta, calça de cordura, mas lá o clima permite. A 40°C a sombra, é melhor ir com uma roupa mais arejada para não desidratar e desmaiar em cima da moto.
E deve ter sido o que aconteceu com um casal que o Maia (ele voltou um pouco mais cedo que nós) encontrou estatelado no chão. Procurou saber se estavam bem e se precisavam de alguma coisa. Responderam que não precisava se preocupar, mas pediram que avisasse o companheiro de clube deles.
E lá foi o carismático Maia de posto em posto até achar o distinto 100km depois.
– Cara, pediram para avisar que seu amigo, Daniel, se acidentou.
– Mesmo, nó, que pena. Mas 100kms atrás, né? Tá longe, não adianta nada eu voltar lá, vou seguir.
Por sorte e porque o Maia é um cara de paz, outro membro desse pseudo motoclube também não sofreu um acidente.
Além de realmente estar abismado com a situação, eu não sei o que faria com um espírito de porco desses se tivesse ouvido isso.
Fiquei pensando no ótimo passeio que tivemos a um ano atrás, no passeio desse fim de semana. Fora as outras pequenas voltas que tive aqui por perto de Vitória com o pessoal bacana que tenho conhecido aqui. Mas a cada dia que vejo essas pessoas fantasiadas, menos me cobro por preferir viajar “sozinho”.

Não viajo sozinho

Não viajo sozinho

Afinal, enquanto estiver carregando a fúnebre flâmula, sei que sempre o povo do clã viaja comigo e nunca, nunca abandonamos ninguém.


03/02/13 a rota do lagarto e um pouco mais

Foi final de janeiro agora que a Brojeta, vulgo Juliana, prima do Brojo, aproveitou que pegaria um ponte aérea em VIX para retornar para Bhz depois de longos dias de parmegiana nas praias de Iriri e me chamou para um encontro à mineira, ou seja, num buteco.
– Fantini, esse doutorado ainda me mata, preciso achar alguma coisa que fale sobre as interações das pessoas no dia a dia das calçadas gerando conhecimento e, velho, porque estou perguntando isso a um engenheiro?
Pensei em dizer “já consultou o Mestre Grilo?”, mas estava inspirado:
– Já leu “Emergência – A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares” de Steven Johnson? Tem um capítulo inteiro falando sobre isso aí.
Agradeceu, mas não pagou a conta do buteco. Mulheres.
Mais de semana depois, o Fernandinho da Ayso estava reclamando sobre o mal tempo e que estava foda de passear de moto. Mandei ele tirar a bunda mole do sofá e simplesmente pegar a moto e sair por aí. E a partir dessa rápida conversa e sem muita intenção, meio que surgiu a idéia de um pulo até a Rota do Lagarto em Pedra Azul.
– Você topa, Fantini?
– Uai, porque não? Marca aí.
De repente já tinha uns 15 caboclos confirmados e assim como Johnson comenta no livro, de uma interação simples começa a surgir uma ordenação complexa, sem que houvesse alguma liderança ali direcionando o caminho. E aí o que era uma volta até a Rota do Lagarto passou a ser um passeio completo com direito a Festa da Uva em São Bento de Urânia, almoço em Venda Nova do Imigrante e retorno através de Santa Tereza. Cai alho! Nada mal hein, Fernandinho?

O tempo estava ruim

O tempo estava ruim

Cheguei uns 15 minutos mais cedo no ponto de encontro em Camburi porque precisava abastecer a srta. Hellen Dawson, havia uns 4 caboclos que nunca vi mais gordos. E nem se podia dizer que era por causa do mal tempo de domingo. O que estava travando o povo em casa era mesmo o Sambão do Povo na noite anterior, até o Chico parecia japonês com os olhinhos fechados. E aí olho de novo (tudo bem que com 1 hora de atraso) e já estávamos sendo incomodados pelos frentistas porque praticamente fechamos o posto.
Aquilo me deu um frio na barriga lembrando do episódio em Ribeirão Preto SP, quando num ultra mega blaster super bonde de mais de 150 motos (eu no fundo como sempre), começa a chover e metade dos barrigas verdes me param no meio da rodovia para botar capa de chuva. Até hoje a cena de travar os freios da antiga companheira dona stefânia vendo no retrovisor o carro parar a um centímetro de nós me dá calafrios. Ainda bem que choveu canivete e já lavou a calça na mesma hora.

Querendo criar ordem na bagaça

Querendo criar ordem na bagaça

Apesar de confiar na ordem surgindo a partir da base, seguindo o mesmo Johnson, resolvi acrescentar mais umas pequenas regras na condução do grupo, basicamente o que interessa: onde seriam as próximas paradas e distribuição das motos para permitir quem quizesse esticar e quem quizesse andar mais tranquilo convivece em paz. Porque tinha de tudo ali, de CBR 1000 a Biz.
– Fantini, a Biz é da menina do caixa do posto.
– Uai, foi mal então. Essa jabiraca está aí no meio, também!
E assim nós fomos subindo a BR262. Segui atrás em praticamente toda a primeira perna do trajeto, fazendo questão de acompanhar os menos apressados para que não ficassem muito para trás. Primeira parada Posto do Café na entrada para Araguaia. Faltou café.

Faltou café

Faltou café

Passamos rapidamente em São Bento de Urânia para aproveitar um pouco da Festa da Uva. Tirando o fato de dois “guardinhas de trânsito” lá me importunarem enquanto parava a moto na sombra, valeu a visita pelo trecho de estradinha vicinal com curvas bem fechadas. Ainda mais agora que estou praticando as dicas da “Cornering Bible“. Sim, custom também faz curva se você aprender como.

Entrada para Rota do Lagarto

Entrada para Rota do Lagarto

Em seguida mais um trecho da BR262 até a entrada da Rota do Lagarto em Pedra Azul. Posso afirmar que chega a ser tão linda quanto o singelo trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco em Minas. Mas os 30km da estrada real tem algo que aqui em Pedra Azul não tem, tem Minas. E aí já viu, mineiro é patriota até sob tortura. Mas recomendo demais a estradinha da Rota do Lagarto, inclusive vou lá novamente com calma para tirar algumas fotos. Para quem como eu acha que moto foi feita para rodar em qualquer canto, a saída até a BR262 está sendo recapeada e então está só no cascalho. Fino!

Venda Nova do Imigrante

Venda Nova do Imigrante

Voltamos em seguida para a BR262 para alcançar Venda Nova do Imigrante e parar para o almoço. Nesse ponto, parte do comboio debandou, alguns voltando direto para Vitória, outros almoçando em outro ponto. Mas grande parte ficou e fomos então em direção a Santa Tereza. Este trecho de estrada vicinal estava fantástico. Curvas na dose certa com raios variando entre médios e fechados. Não suportei, deixei o espírito tiozão para trás junto com a poeira na cara dos pobres colegas de bonde e fui avançando com srta. Hellen Dawson até a cabeça do comboio. Andei um bom trecho forçando o contra esterço e o controle de aceleração até onde as plataformas permitiam. Diversão garantida. Mas aí percebi que estava abusando andando junto com os mais empolgados e voltei para o segundo grupo onde estavam as trails. O Well do Vitória MC ficou pasmado com o fato de eu conseguir gastar toda a circunferência do largo pneu traseiro. Sim, o pneu largo deixa a dirigibilidade em segundo plano em nome da estética. Com um pouco de paciência e muita prática, dá para se conviver com os dois. Mas, caros companheiros de leitura, não tentem isso em casa, é perigoso para cai alho!

O Well ficou com as pernas bambas

O Well ficou com as pernas bambas

Paramos em Santa Maria de Jetibá porque parte do povo havia ficado muito para trás (viu porque não pode se sair correndo por aí se achando o rei da cocada preta?). Depois viemos a saber que a moto de alguém tinha soltado a corrente. Resolvemos esperar um pouco apesar de que havia chegado a notícia para seguirmos viagem.

Santa Maria de Jetibá

Santa Maria de Jetibá

Nisso um camarada nativo se aproxima e faz a pergunta óbvia que já deixa a gente tenso porque lá vem enxurrada de perguntas esdrúxulas:

– É quantas cilindradas?
– Corre muito não é? Alcança qual velocidade?
– É correia ao invés de corrente, que coisa estranha!
– Tenho um terreno de 250m2 para vender. 65mil. Interessa?

boy that escalated quickly

boy that escalated quickly

– O que?! Cai alho! Boy, that escalated quickly.

Nisso resolvi assaltar o posto onde estávamos, de repente consigo dar uma entrada no terreno que o cara ofereceu.

tentando me tornar 1%

tentando me tornar 1%

Como o povo cuja moto parou não vinha de jeito nenhum e a tentativa de assalto foi frustada porque de 1% não tenho nem o patchzinho, resolvemos pegar estrada e retornar para Vitória. Acabou que passamos direto por Santa Tereza. Direto por assim dizer, porque vai ter que fazer zigue zague assim lá na casa do capeta! O caras querem mesmo que a gente conheça a cidade.
Chegando em Vitória cada um indo para seu bairro, exceto o colega do Vitória MC, Courrier salvo engano, que teve que voltar à barreira policial para pegar o documento da moto porque foi fichado em função do farol de xenon da naked dele. E srta. Hellen Dawson nos sacolejos lá da saída da Rota do Lagarto tinha queimado novamente a porcaria da lanterna traseira (vou ter que botar um led) passou batido. Ninguém pára moto custom. Foi mal aí.

Amigos e iniciativa, não precisa mais nada

Amigos e iniciativa, não precisa mais nada

E assim aquilo que era só para ser uma voltinha com os amigos acabou se transformando num grande passeio e certeza de outros mais a seguir. Steven Johnson tinha razão.


21/12/12 christmas ride

Acho que vou considerar tornar a voltinha de natal algo tradicional. Ano passado estive em Araxá e este ano voltei para Bhz. Se daquela vez enfrentamos eu e saudosa dona stefânia uns bons 700 e poucos km com frio e chuva em cada trecho, dessa vez a nova companheira, srta hellen dawson, teve que enfrentar um escaldante início de verão.
Ao contrário de suas demais conterrâneas, acostumadas com frio e neve nessa época do ano em paragens mais ao norte do mundo, srta hellen dawson foi obrigada a sobreviver a uma viagem iniciada às 12:30. Não, não recomendo a ninguém, ainda mais se considerar que de Vitória a Bhz são pouco mais de 550km, o que deu para vencer em umas 7 horas e pouco. Eu sei que tem muita gente que gasta bem mais tempo e nem é questão de correr, é só questão de aproveitar a estrada.

Granjas reunidas em Bhz

Granjas reunidas em Bhz

Como era um horário bem atípico, sendo a tarde de uma sexta e véspera de natal, a estrada estava bem vazia. O que foi muito útil considerando que para nós dois aquilo era novidade. De um lado eu pela primeira vez a domar aquele exagero de motor em um trecho mais comprido, do outro a moto que acredito não ter ainda conhecido esse trajeto.
A primeira impressão é que realmente o sistema de suspensão “softail” cumpre com o que promete. Aliado a frente gorda, temos uma estabilidade incrível. Como estava muito acostumado com dona stefânia com sua menor altura, suspensão não tão confortável e o garfo dianteiro que não apresentava a mesma rigidez, fiquei realmente muito surpreso com a facilidade de contornar as curvas, algo que sempre preocupa em qualquer moto custom. Ainda mais deste tamanho.
Além disso o motor com fôlego. Fôlego? Melhor é dizer dois pulmões de folga. Foram pontos muito específicos em que tive que fazer uso da 4a marcha. Basicamente fiquei na 6a marcha, reduzindo para 5a quando um regime de rotação um pouco mais alto foi necessário para uma ou outra ultrapassagem. E isso subindo morro inclusive.
E naturalmente devem estar imaginando, o maluco subiu a serra, partindo meio dia, nessa lua, em cima de uma “big twin”, já era, fritou os bagos. Bom, neste caso, um providencial sistema de refrigeração de óleo, instalado pelo antigo proprietário foi de grande valia. Mas vale lembrar que a estrada aberta é o território dessas motos e portanto, o próprio vento se encarregara do recado. Ainda assim foi de grande valia atrás deste ou daquele caminhão onde fomos obrigados a reduzir o ritmo até conseguir ponto para ultrapassar.
Bom, todos estes pontos positivos, mas lógico que tem que ter algum revés, afinal nem tudo na vida são flores. E eu no alto dos meus 1,67m comecei a sentir a dolorosa adaptação a uma moto cuja ergonomia foi pensada para camaradas maiores. Com o banco original e uma grelha para levar a parca bagagem no lugar do banco de garupa, não conseguia achar um bom apoio lombar, o que me obrigou a segurar o corpo com os braços e pés.
Para os braços foi terrível, pois a fatboy vem com aquele maldito guidon cruiser. Que cai alho é aquele? Quem disse que aquela coisa é confortável? O pulso dobrado a viagem toda e ainda fazendo força para segurar o corpo contra o vento. O guidon já era, tinha dado alguma confiança, mas sem chance, terá que ser substituído. O guidon da heritage é o que tem mais me agradado em termos de visual e conforto, vou ter que arrumar um similar.
Para as pernas, bem, apesar do “desconforto” que sentia com as pedaleiras da antiga moto, não achei posição com as plataformas da atual. Isso eu ainda não pensei como resolver, ainda estou pensando numa solução a respeito. Mas acredito que um daqueles bancos que te mantêm mais a frente possam ajudar bastante, coisa que vou ter que olhar.
E nessas horas valeria a pena estar debaixo da neve só para ter uma revenda que realmente prestasse para verificar as peças antes de comprar algo no escuro e esperar pacientemente pela entrega.
Mas de modo geral e comprovado na viagem de volta, já na terça, apesar das várias dores que apareceram pelo corpo todo rsrs, não tem discussão sobre a ciclística e força do motor. E como acaba se trabalhando numa rotação relativamente baixa, o consumo também ficou muito bom comparado com a velocidade média e alguns tiros que dei aproveitando os trechos de reta e estrada vazia.
Só continuo com minha opinião que não justifica o valor que se cobra numa moto nova, mesmo com a opção de utilizar óleo lubrificante para motor diesel em seu motor.
Ah! E sim, se você também mora no litoral, sugiro adquirir o radiador de óleo (que se danem os puristas!), pois realmente terminar uma viagem de pouco mais de 550km com uma panela de óleo fritando debaixo do banco num calor de 40oC não é coisa que desejo para meu pior inimigo.


16/12/12 alguem tem que ficar de boa

Semana passada havia vindo sozinho até o Posto do Café no que podemos dizer ter sido o debut de srta. Hellen Dawson, a americazinha que usurpou o lugar de dona stefânia. Hoje voltei novamente com o companheiro Chico, afinal ele precisava de um esticada de moto, porque vai gostar de trabalhar.
Saímos por volta de 09:30 lá do bairro República em Vitória para alcançar o Posto do Café que fica na beirada da BR262 e marca a saída para as cidades de Araguaia e Alfredo Chaves. O interessante do Espírito Santo é que com pouco mais de 50km sai da região litorânea e se emburaca numa região serrana de clima mais ameno.

Portal para a região de Araguaia e Alfredo Chaves

Ainda bem, pois como na semana anterior, hoje também o clima estava agradável. Agradável se você for de alguma espécie animal de sangue frio, porque estava tenso manter a temperatura normal de 36oC ao custo de muito suor. Como eu sou um camarada que acredita que se deve andar protegido, passei um protetor solar, porque jaqueta sem chance. Além do que, sempre se pode usar um protetor da linha baby cujo cheiro agradável até disfarça o cheiro de gasolina típico após um voltinha dessas.

Exemplo das curvas da região

Exemplo das curvas da região

Enquanto tomávamos um suco de laranja para rebater a perda de líquidos e aproveitávamos o pão de sal com queijo minas passado na chapa, decidimos descer a estradinha vicinal até Alfredo Chaves, passando por Araguaia e com um pulo em Mathilde. Além de uma paisagem agradável de serra, ainda tinha uma série de curvas típicas para treinar o braço.

Estação abandonada de Mathilde antes da reforma

Paramos em Mathilde para ver a antiga estação ferroviária. Reformada e transformada num espécie de memorial e homenagem aos antigos funcionários da rede. Boa mesmo é uma foto antiga com um tiozão oferecendo uma dose de cachaça no meio do povo que estava em frente a estação.

Estação após reforma

Estação após reforma

Desde 1925, bebe inferno!

Desde 1925, bebe inferno!

Passamos ainda por dentro da cidade, onde há ainda um pequeno balneário no rio que corta a região. Infraestrutura bacana que vale pena curtir num fim de semana com direito a chalé e tudo. Mas como Mathilde é uma cidade de primeira, quando engatamos a segunda, já havia acabado.
E desembocou numa bela de uma estrada de terra. Meus olhos até brilharam, afinal eu sou da turma que “mete bem na terra”. Mas como o Chico trocou recentemente de moto, largando uma trail para tirar onda de esportiva, teve que pagar pau e demos meia volta. Cai alho! Voltarei aqui sozinho só para descobrir até onde a estrada vai.

Para quem mete bem na terra

Para quem mete bem na terra

Voltamos para a estrada vicinal e logo alcançamos Alfredo Chaves e em seguida a BR101 já próximo ao trevo de Guarapari de onde pegamos a Rodovia do Sol e o calor escaldante. Almoçamos já de volta em Vitória.
Como o Chico tinha que trabalhar, resolvi pegar um refrescante no Bar do Pezão. Afinal, alguém tem que ficar de boa nessa vida.


24/11/12 capital do petroleo

Estive de carro a contragosto em São Lourenço MG no feriado de finados para encontrar com o povo do fórum DOGs. Isso porque no final de outubro havia estourado os retentores e empenado a roda dianteira de dona stefânia na visita a Bhz. Na oficina o Chico me perguntou como consegui pilotar com a moto naquela condição, com as bengalas completamente sem óleo. “Ainda bem que foi no final da viagem já na volta, não é?” ele perguntou. Quase caiu para trás quando disse que tinha passado num buraco logo subindo a serra no início da viagem, um dia antes.
Apesar de novamente ir num encontro de motos sem moto (joselito sem motão total), sempre é uma boa oportunidade de conhecer pessoas bacanas e lá estava o Zeca do RJ para me chamar para o encontro em Macaé. Tive que declinar inicialmente porque não tinha achado hotel ou pousada para ficar. Complicado. Para ser sincero não sei para que o povo tem essa mania de ficar marcando tudo com antecedência, perde até um pouco da graça da viagem, mas cada um é cada um.
Já estava preparando para ir para uma confraternização geral da empresa onde trabalho, quando a filha do Freitas, outro amigo do povo do Répteis aqui de Vila Velha me ligou querendo saber se eu ia a Macaé. Comentei que não tinha mais vagas em pousadas e ela insistiu, vamos de camping. Não tenho barraca, mocinha. Não tinha problema pois ela tinha barraca. Mulher quando quer carona nem adianta discutir.
Não fosse a previsão de chuva no sábado segundo o climatempo, eu começava a pensar, já tendo avançado a fronteira entre ES e RJ, se realmente seria possível chover. Não havia uma sequer nuvem no céu. Cai alho que dia quente. O jeans surrado estava de boa, mas a jaqueta realmente estava tenso. Devia ter vindo só com uma camisa de manga cumprida. Paciência.
Acho que a única vez que vi uma estrutura de evento tão grande foi no Brasília Moto Capital em idos de 2007, eu e Nuanda atravessando o centro oeste (de carro rsrsrsrsrsrs, nessa época só fazíamos trilha) de Bhz até o Distrito Federal. Passei a primeira entrada do evento, puto por ter errado e continuei dando a volta. E continuei dando a volta, continuei dando a volta, aí mais um pouco e aí uma placa: “entrada mais a frente”. Velho, cabia um Mineirão inteiro mais estacionamento no lugar. Três palcos. Megalomania total.
O calor impedia de fazer qualquer coisa, inclusive montar a barraca foi na base do missão dada é missão cumprida. E ainda nenhum sinal de umidade. Teriam nossos amigos do climatempo se enganado? A primeira cerveja estava quente e a coisa somente mellhorou depois que troquei de boteco (tinha uma centena lá) e passei a tomar uma budzinha na temperatura ideal.
Havia o palco principal onde teria o Nazareth. O palco 2 bem em frente a área dos botecos que se mostrou o melhor inclusive na seleção de bandas (todas muito boas) e o palco 3 lá no fundão do outro lado onde estava rolando o shows mais pesados, inclusive com a diversão garantida do João Gordo e o povo do RDP. Excelente show. Mas e o Nazareth, Fantini? Não gosto então podia nem ter que ficou do mesmo tamanho.
Por volta de 18:00 finalmente São Pedro deixou de sacanear o povo do climatempo e aquele tempo fechado foi chegando devagar até que quando escureceu de vez e já se podia sentir a umidade no ar, começou aquela ventania típica de tempestade. Lembrei que não tinha travado tanto assim a bendita barraca e fui lá correndo encaixar mais travas. E nisso voando barraca, voando banner, voando bandeira, voou até um barbudinho magricela que estava lá de bobeira. Chuva mesmo nem foi tão forte assim para entrada triunfal que ela vez, ficou naquelas chuvinhas chatas que começam, param, recomeçam, diminuem, aumentam e vão até de madrugada.
Nesse interim encontrei com as figuras carimbadas daqui do ES, que estão em todas. De bobeira numa das lojas lá me aparecem o Bart e o Samuka que estavam olhando anéis (sei). Não me perguntem porque. Em seguida ainda achamos o Macedo com seu pessoal do Águias, aproveitei para filar um joaquim daniel e saber dos planos dele e Bart de subir o Atacama. Boa viagem camaradas.
Não achei foi o Zeca, deve estar puto comigo a essa hora. Rsrsrsrs!
Por volta de 03:00 da matina fui durmir já me preparando para o chão duro (sim, tinhámos barraca, mas quem disse que tinha colchão?). Finalmente quando consegui pegar no sono, antes de 05:00 uns desinfelizes que não sabem fechar acampamento e ir embora de boa, começam uma algazarra. Ainda tentei cochilar mais um pouco. Sem sucesso. Cai alho! O jeito era levantar também e ajeitar as tralhas para pegar estrada de volta.
O tempo estava nublado, mas sem sinal de chuva. Ótimo, compensaria o calor do sábado. Viagem mais que tranquila, pouco trânsito. E lá veio ela, nossa velha companheira chuvinha chata de estrada. Nos pegou da divisa até próximo de Iconha, mas era chuva muito fina e de boa, nem incomodou. Como tinha que deixar a filha do Freitas em Vila Velha, após Iconha, peguei a saída para Piúma e assim a Rodovia do Sol.
Não foi uma boa idéia, porque a chuva que havia passado completamente nos pegou no trecho entre Piúma e Meaípe, aí desandou, não pela chuva um pouco mais forte, mas pelos carros jogando o spray de lama e areia na cara. Sei que já tem gente aí se contorcendo no sofá, mas como eu digo, não se vê isso da janela do apartamento. Aí é uma escolha entre uma vida pacata e tediosa ou um pouco de sujeira, diversão e um banho ao final da viagem.


27/10/12 pontes

Escrevi recentemente para um irmão a respeito da importância da criação de pontes entre as pessoas e como admirava essa capacidade nele. De uns tempos para cá tenho batalhado muito esse tipo de coisa e tenho certeza que o motoqueirismo tenha facilitado desenvolver essa faculdade em quem, como eu, não nasceu com ela.
Eu queria e precisava simplesmente retirar a cera dos sapatos novos de dona stefânia. Realmente a inveja mata, mas no caso foi só o bom exemplo do Christian que me deixou com vontade de aproveitar a necessidade de troca dos pneus para colocar um par de faixas brancas. Christian, meu muito obrigado por me deixar na pilha ao ver o resultado na sua moto. E dona stefânia também agradece.
E lá estava eu confabulando para onde ir, tinha planos de ver uns negócios em Sampa e aproveitar para visitar o velho Ghan e de quebra o casal Tavares (nossos irmãos de clã), mas precisaria de mais prazo. Havia ainda um pequeno encontro aqui em Vitória mesmo para ir com o Chico. Ou o churrasco da Pagu. E finalmente tinha o Outubro Negro, festa do calendário oficial do clã em Bhz.
O que quero dizer é que se não estivesse exercitando a difícil mas necessária arte de construir pontes, é provável que teria que ir somente ali no posto do café sozinho mesmo.
Assim resolvi fazer uma surpresa ao irmão Nuanda, indo de supetão para Bhz, afinal somente 600km, viagem rápida. E com certeza teria bastante asfalto para tirar a cera do pneu novo de dona stefânia. A surpresa quase deu certo (houve boatos da minha ida), mas no final vendo a alegria do Nuanda com minha presença compensou ficar só no refrigerante e água para ter condições de voltar no dia seguinte. Isso mesmo, sai sábado cedo, fui na festa, voltei para Casa do Imperador, dormi, domingo cedo já estava voltando. Atravessando pontes estrada afora e pavimentando mais ainda a que tenho com meu querido irmão de clã.


E naturalmente que reencontrar todos os demais irmãos do clã também foi especial, mas azar o de vocês, o aniversário era dele.
Mas como sempre tem algo de inusitado para tornar as viagens mais divertidas, logo na primeira parada em Ibatiba, observando dona stefânia com suas meias de seda, sexy e bandida, vi que os retentores das duas bengalas estavam melejando. Maravilha, aquele buraco subindo a serra doeu mais que na minha coluna. Após alguns cálculos resolvi seguir viagem. Na ida nem atrapalhou muito, exceto em algumas curvas do trecho entre João Monlevade e Bhz, onde percebia que a suspensão já estava um pouco dura para as manobras.
Na volta é que foi a sensação. Lembrei de um outro camarada reclamando sobre dor nas costas. Acho que ele teria morrido no meu lugar. O asfalto da BR381 / BR262 em Minas foi recapeado recentemente e não tem buracos, mas as costelas, invisíveis a olho nu, mas bem sensíveis numa moto custom com perda de óleo nas bengalas, estavam demais. Eu fui contando os solavancos e acho que atingi um recorde pessoal de 35 solavancos por quilômetro. A certo momento pensei até que estava montado na dorothéia e não em dona stefânia. A coisa só melhorou quanto alcancei o Espírito Santo. Com menos trânsito de caminhões, o asfalto está menos desnivelado e assim consegui reduzir a média de solavancos.
Enfim, não foi necessário nenhum analgésico para minha grata surpresa. Tudo bem que tem a praia para dar uma boa relaxada pós viagem, ainda mais nesse calor e com horário de verão.
Ou talvez seja só resultado da sensação de atravessar as pontes que criamos com as pessoas que amamos de coração.


29/09/12 a necessária arte de desplanejar

Eu meio que havia esquecido dona stefânia na oficina do Chico desde a última viagem até Monte Verde MG. Não que houvesse algum problema mecânico (apesar que já é hora da revisão básica com troca de óleo), foi somente para tirar a sujeira que ficou com a chuva fina que peguei na ida.
E aí estou lá vendo o Chico comentando da volta até São Fidelis RJ e que o pessoal da turma dele não podia ir. Tinha reservado quarto duplo e tudo. Mas teria que ir sozinho. Bom, a vantagem de ser motoqueiro é que se decide as viagens na base da oportunidade e não em planejamentos minuciosos: “Aqui, vou com você, precisa chorar mais não.”
No meio da semana confirmei somente a hora de saída no sábado. Como ele tem que cuidar da loja, teríamos que sair a partir de 13:00. Sem problema, afinal seria somente uma perna de 300km. Viagem curta. Aproveitei para resolver uns trem que precisava e que acabei não resolvendo nenhum deles por motivos alheios a minha vontade. Rsrs. Incrível como as coisas são e por isso que já faz tempo que não ligo muito para programações exatas. Algo inclusive que gerou uma discussão com um amigo a respeito da dinâmica da vida.
Mas voltemos a viagem real. Por volta de 12:40 já estávamos cortando a BR101 por sugestão minha. O Chico até pensou em ir pela 3a ponte e Rodovia do Sol e eu: “pagar pedágio para quê?”. Paramos rapidamente no trevo da BR262 para que ele ligasse a goPro. Sim, dessa fez teremos este humilde escriba estrelando um filme no asfalto.
E lá ia eu fazendo toda a pose na filmagem, cortando o asfalto com critério, querendo demonstrar o uso da correta aproximação de curva, contra esterço e tudo que o valha. E eis que São Pedro resolve colaborar com nossa demonstração de pilotagem em estrada e desce uma bela duma chuva. Nem foi muito forte assim. Mas ao menos mostrou algo importante neste caso: diminua a velocidade.
Pouco após o trevo de Guarapari ES, um acidente feio com uma carreta de leite em pó. Ao menos dessa vez não praguejei tanto os catadores, quanto na vez do acidente em Rio Bonito RJ, quando um monte de desinfeliz tentava ser atropelado para catar água sanitária. Demos sorte de poder passar através da inhaca, pois os bombeiros fecharam a pista em seguida.
O que foi até útil, afinal continuamos debaixo da chuva, mas ao menos não tivemos trânsito pesado. Na primeira parada no Posto JR, uns 20km antes da divisa ES RJ e os dois pintos molhados faziam a alegria das atônitas atendentes da lanchonete. Aposto que elas pensaram que assim não andam de moto. Tem gente que conta um monte de lorota que lava a alma (nem sei como se sempre se fica imundo com o pó do asfalto). A verdade é que a chuva na estrada é uma plena lição de humildade. Não importa quem você seja.
Mas como a vida é boa em cima de uma moto, no trecho seguinte já no estado do RJ o clima estava limpo e o sol quebrou nosso galho para nos deixar secos novamente. Passamos um pedaço de Campos RJ e pegamos a estrada em direção a São Fidelis RJ. Que estrada agradável. E olha que passei aqui ano passado no maior aperto voltando de Penedo RJ com o óleo velho, filtro saturado e dona stefânia fritando e não pude aproveitar tanto quanto dessa vez. Recomendo o trecho para todos.

chegamos em sao fidelis

chegamos em sao fidelis

Chegamos são e salvos, mas com a cueca molhada ainda. Foi o tempo de botar a conversa em dia com o Well do Vitória MC que já estava por lá desde sexta e fomos na pousada tomar uma ducha e botar uma cueca seca. Sou motoqueiro, mas sou limpinho! E a noite prometia. Bons shows e diversão garantida como a turma daqui de Vitória que estava por lá. Ainda tive a oportunidade de conhecer nativos da região, pessoal muito gente fina.
No domingo ficamos eu e Chico avaliando se subíamos até Nova Friburgo RJ para conhecer ou se vazávamos de vez. A distância e o horário nos fizeram deixar Nova Friburgo RJ para uma próxima oportunidade. Mas para compensar resolvemos subir de volta a Vitória ES pela estrada que corta o litoral. Basicamente após a saída de Campos RJ, pega-se um trevo em direção a São Francisco de alguma coisa que não lembro mais e pronto, lá estávamos nós numa estrada digna de uma viagem de moto.
Sem certeza de postos, sem realmente saber o caminho correto e principalmente, sem muita correria. Foi uma das melhores opções que tivemos. Pois neste exato momento se rasga qualquer planejamento e se deixa guiar pelo que o asfalto vai apresentando. Uma usina de álcool aqui, uma cidade de calçamento acolá, uma ponte da divisa RJ ES que desemboca numa estrada de terra e…

divisa RJ ES

divisa RJ ES

a ponte

a ponte

alegria, alegria

alegria, alegria

Cara, sacanagem, não deu nem 1km de estrada de terra. Já estava jogando a mão para o céu pela diversão quando vi o asfalto novamente, pena. Mas já compensou a quase emoção e a lembrança da estrada de terra noite adentro na visita a Nova Viçosa BA ano passado. O Chico sugeriu a gente conhecer a praia que fica ali na divisa. Aparentemente é um lugar bonito.

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

Em seguida viemos cortando a chamada Rodovia do Sol que vai atravessando todas as cidades de veraneio que se tem direito no ES: Marataízes, Itapemirim, Iriri, Piúma, Anchieta, Meaípe, Guarapari para ao final alcançar Vila Velha e desembocar novamente em Vitória a partir da 3a ponte. Se uma estrada de moto já é agradável, uma estrada de moto com o oceano a seu lado é mágico.
Ainda bem que não planejei nada, pois teria voltado pela BR101 mesmo e perdido isso tudo.


14/09/12 quem sabe se experimenta com uma full hd

Eu estava na loja / oficina do Chico essa semana comentando sobre como dona stefânia tinha ficado suja no pulo a Monte Verde MG (deixei ela lá para lavar) e aproveitando o dedo de prosa fui conferir a data e a quilometragem da última geral para saber se já era hora de trocar o óleo do cardan.
Ele começou a rir que era uma absurdo só me conhecer a 6 meses e já estar na hora de trocar o óleo do cardan que é a cada 10.000km. Sim, 10.000km de viagens em 6 meses, mais um bocado de boas amizades no mesmo período, como o grande Chico ou a própria Pagu, daqui de Vitória ES.
Mas os últimos 2.000km dessa empreitada somaram na última viagem no fim de semana que passou, com a volta ali na esquina de Monte Verde MG a convite da turma dos DOGs de Bhz, Carlão da Carlinha e Matheus da Zelda. O povo do clã resolveu ir em peso, inclusive o povo que não é DACS (ainda), afinal o clã nasceu bem antes da paixão de alguns por motoqueirismo.
Uma das vantagens de uma viagem longa é experimentar vários climas num mesmo dia, coisa que não se percebe numa viagem de carro hermeticamente fechado em seu ar condicionado e som de dvd. Na estrada o ar é que te condiciona a aceitar o frio do sereno da madrugada ao sair, combinado com o calor escaldante do sol a pino no meio dia, para te entregar a temperatura amena do fim de tarde. Com sorte ainda pode ser presenteado com um pôr do sol.

um pôr do sol de presente

um pôr do sol de presente

Juro que dá para ver da janela do apartamento. Basta dependurar sua tv full hd na janela e escolher algum canal com belas imagens.

talvez fique bom na full hd

talvez fique bom na full hd

No caminho tive a infelicidade de parar em Oliveira MG, porque senão teria uma pane seca em seguida. Não quis arriscar voltar empurrando dona stefânia e ficar com sede. A água de lá não é muito benta. Que o diga o Broto Jr.
E o asfalto em si, tanto da BR262, quanto da BR381, estava convidativo, com uma dose adequada de curvas que tornam a viagem mais animada, já que particularmente não curto muito as infindáveis retas de alguns trechos da BR101 das últimas empreitadas.
Cheguei e já encontrei o pessoal a toda na pousada com mais de meia grade e meia animando a conversa, foi difícil entrar no ritmo. O evento em si ainda estava vazio na noite de sexta e o jeito foi continuar na pousada. Após Mestre Trindade desempenhar seus ofícios de desperdício de bebida e ainda discutirmos ufologia até acabar com as cervejas importadas que o Helton trouxe, resolvemos dormir. Até porque o Carlão da Carlinha já estava para reclamar que não entendia para que tanto barulho as duas da matina.

Vista da Pousada Locanda Belvedere

Vista da Pousada Locanda Belvedere

No sábado o calor estava demais durante o dia e acabou que a turma se espalhou para conhecer a cidade. Monte Verde MG tem uns passeios legais de cavalo, caminhada, trekking e quadricíclo. Ah! Tem aeroporto para quem quiser ir de avião e enviar a moto por carreto. Parte de turma resolveu ir para o quadricíclo, parte resolveu dar uma descansada para a noite e eu fiquei lá passeando com a velha heineken mesmo porque estava com preguiça. Até encontrei com o Peralta e foi bom saber que apesar do susto em Penedo RJ já estava ali para contar a história.
Ainda peguei um resto de final de tarde do evento, com uma banda muito boa cover do Iron Maiden (tinha até o Eddie!) e depois fui dormir. Não deu para ver como foi o evento a noite e madrugada adentro porque já havia combinado com a dona da pousada que ia acordar mais cedo no domingo só para me preparar um café.

Eddie e a Infinity Dreams

Eddie e a Infinity Dreams

Domingo cedo, aquela serração fina e cortante, o vento gelado, atravessei a área do evento que não estava com vontade de pegar o desvio que deixaram por uma estradinha de terra e já estava descendo a sinosa estrada que dá acesso a Monte Verde MG. Parei para ver o nascer do sol, mesmo que seja possível ver na tv full hd.

o sol de um novo dia

o sol de um novo dia

Na volta tive que fazer uma parada emergencial devido a uma tarefa indelegável, o que atrapalhou um pouco a programação que tinha traçado de paradas de abastecimento. Poderia ter segurado até o posto em Oliveira MG, mas se tomando a água já complica, imagina se bate na bunda, aí fudeu de vez. Melhor não arriscar.

aqui é melhor ficar com sede

aqui é melhor ficar com sede

Belo Horizonte MG e metade da viagem ficavam para trás na subida da perigosa BR381 no trecho até João Monlevade MG. O engraçado é que vi dois acidentes de caminhão na reta no trecho Bhz – Sampa, provavelmente porque o motorista dormiu, não tem explicação. Enquato isso na chamada rodovia da morte, nada de mais, graças a um bocado de radares bem posicionados antes das curvas mais travadas.
Final do dia e fazia a última parada em Venda Nova do Imigrante ES, o tempo escureceu e desci a região serrana do ES praticamente no faro. Porque ora era o farol de dona stefânia que não ajudava no breu danado, ora era algum desinfeliz que subia no sentido contrário com o farol alto.
Não importa, completei mais 10.000km de estradas, dando motivo para o Nuanda continuar a me chamar de “iron butt”, estive junto do povo do clã num ótimo fim de semana, ajudei o Carlão da Carlinha a manter sua ranzinice e ainda economizei a grana que teria que gastar numa tv full hd. Perfeito.


07/09/12 copacabana esse fim de semana o mar sou eu

A nova onda agora é comprar uma moto, uma passagem de avião e uma entrada de evento que garante o translado da moto de carretinha enquanto você viaja no conforto dos ares. Tudo muito bacana e granfino. No maior estilo motociclista que se tem direito. Dizem que até se ganha um brinde: tédio.
Como motoqueiro que sou, ainda prefiro vivenciar a estrada e suas incondizentes nuances de clima ao longo do dia, durante um trajeto longo. Fora os mosquistos, sujeira, a possibilidade de uma pane seca e mais uns trocentos itens, caso se inclua quebrar a unha encravada na lista.

sobre peso

sobre peso

Não tão cedo dessa vez como de costume, afinal estava levando garupa, lá estavámos eu e dona stefânia descendo a BR101 em direção a cidade maravilhosa. Aproveitamos o convite de amigos para aproveitar o feriado da pátria e porque não, uma pisada na areia de copacabana. Porque entrar na água já é outra história.
Enquanto vivenciava o calor escaldante que sempre faz no trecho a partir de Campos, pensei na aeromoça servindo o terceiro copo d’água para meu companheiro que faz o mesmo trecho por avião. Acho que vou juntar uns amigos e montar uma empresa de translado de motos: “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”. Pensa bem, viajamos de moto e ainda ganhando. Vou amadurecer a idéia.

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

O rio de janeiro continua a mesma coisa de sempre. Inclusive qualquer lugar para mim é copacabana como na foto. E para minha surpresa, o pessoal que nos recebeu acha que copacabana se tornou uma farofa só. Bem, concordo que estava lotado, mas convenhamos, era feriado. Gostaria ainda de pontuar um restaurante árabe que nos indicaram, não sei o que Faraj, muito bom. Não lembro a rua, mas é nos arredores da entrada da estação de metrô Cantagalo. Bom, salvo engano, mas qualquer coisa é ali no pé da Pavão Pavãozinho.
Sim, estávamos próximos da entrada do morro. Inclusive tem um albergue legal nessa entrada principal. Fora um bocado de botecos legais, bem cariocas, nas quadras próximas. Uma pena que não tinha mineiros suficientes para me acompanhar no chopp gelado.

faltou mineiro

faltou mineiro

No dia seguinte, estava de carona e isso foi um erro, passamos por um trecho do rio que não conhecia, contornando a Pedra da Gávea para sair na Barra da Tijuca. Antes disso tem uma estrada que vem rodeando o penhasco lá que não guardei o nome e o mar lá embaixo. Simplesmente fantástico. Vou ter que ir de novo só para passear ali com dona stefânia que ficou abandonada o feriado todo. Bom motivo para encontrar com o Marcelo que dessa vez não teve como.
No retorno saímos bem mais tarde que o de costume e já esperando pelo alegre sol na região entre Rio Bonito e Campos. Não sem motivo o posto que costumo parar neste trecho se chama Oásis. Mas no domingo estava excepcionalmente mais quente que o normal. Tenho certeza que os companheiros Cidão, Bart e Mikele vão dizer que eu não vi nada até atravessar o deserto, mas estava quente para cai alho!
Indiferente disso tudo, estrada perfeita, feriado muito bom, sendo muito bem recebido pelo pessoal que nos convidou para um fim de semana bacana. E dona stefânia não reclamou nem de ser abandonada na rua ou ter que carregar mais peso na estrada.
Mas é provável que reclame se eu resolver abrir a “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”, afinal não vai gostar de me ver rasgando asfalto por aí com outra motocicleta.


28/08/12 o que se vê e o que se sente

Lá em idos de fevereiro precisei testar um par de abraçadeiras novas que substituiu as danificadas do acabamento do escape de dona stefânia. Volta rápida, um pulo entre Vitória ES e Prado BA.
Quase chegando em Prado BA, avistei uma bela de uma tempestade formada a frente, o que fazia um perfeito contraste com o horizonte limpo de céu azul que deixava para trás a cada km avançado.
Acabei parando para tirar uma foto. Algumas paisagens não se modificam com o tempo, mas está com certeza era só ali, naquele dado instante, naquele dado lugar, única.

Resolvi falar a respeito da sensação que tive nessa pequena experiência porque a alguns dias atrás o companheiro Nuanda comentou o quanto a foto ficou bacana. Em seguida outros amigos comentaram também, em um processo muito interessante de emergência a partir de algumas poucas interações simples em um ponto comum sem que houvesse alguma ordem definida. Trindade faria um contraponto: “Isso é muito complexo.”.
Portanto voltemos à foto. Três coisas me chamaram a atenção quando parei para tirar a foto. A primeira é o que comentei acima, algumas experiências são tão singulares no tempo e no espaço que não haverá outra oportunidade para vivenciá-las, portanto aproveite o momento.
A segunda questão é a respeito da simplicidade com que a vida se mostra. Se estivermos com os olhos cerrados pelas falsas necessidades que tantas vezes nos empurram goela abaixo todos os dias, perdemos a oportunidade de sermos plenos com as coisas pequenas. Não é preciso muito para ser feliz.
A terceira é a respeito do passo e que não devemos ficar parados no tempo. Ao olhar para trás temos sempre um tempo claro de certezas e portos seguros. A frente tudo é desconhecido e pode parecer sombrio. Mas na vida precisamos seguir o passo a frente e enfrentar os desafios que ela nos apresenta.


05/08/12 revelações

Uma das bandas prediletas, afinal passei a adolescência e conheci meus melhores amigos ao som da mesma, é o Pearl Jam. E nada como refletir sobre a última viagem ao som de “Present Tense”. Eddie Vedder e companhia solta em alto e bom tom: “It makes much more sense to live in the present tense”. E a cada dia que passa, é isso que vejo ao pegar a estrada. Não sabemos exatamente o que nos espera, se o asfalto vai estar bom ou ruim, se vai fazer frio ou calor, se vai chover ou não, mesmo que o climatempo dê uma dica.
Novamente como tenho feito ultimamente e honrando o legado daqueles que vieram antes de nós a rasgar o asfalto, decidi ir de última hora a Penedo RJ. Havia um encontro ao lado de casa na Serra ES, mas assim como zoei a carismática Pagu, não vale a pena rodar só na esquina do quarteirão.
E também devia uma visita a turma de SP e RJ do fórum DOG. Aproveitei a desistência do Big Lou e negociei dividir o quarto com o Samuel Crisostomo no hotel que a turma ficaria em Resende RJ, uns 15km do evento. Uma pena saber somente quando cheguei no boteco lá na boca do evento (onde sempre encontramos) que havia um camping legal do lado.
Tive o grande prazer de conhecer o Monstro, o ferroviário que na verdade dirige caminhão. Comentei sobre uma oportunidade numa transportadora de um amigo meu que faz carga de minério, mas ele ficou na dúvida se prefere levar ferro até em Tupi ou até em Juá. Ainda teve o Henriquinho que trouxe toda a família, só não trouxe a sogra porque aí seria demais. Grande camarada que tem mais km nas costas do que muito boca aberta por aí.
Aí me aparece o Figueira. Bom, ele estava conversando com o mestre Ghan e foi fácil reconhecer pela bandeira rosa estampada no colete. “Minha filha que trouxe de Capetown, um luxo!”. O pior que a franga cismou comigo, me pagou cerveja, me pagou tira gosto, me convidou para dormir com ele. O que a idade faz com as pessoas. Reza a lenda que foi ver estrelas no telescópio da dona do camping.


Em seguida chegou a tropa de choque do fórum e foi um grande prazer finalmente conhecer o Macedo (o enrolado que me deixou na mão na vez que estive no Rio no show do Paul, rsrs). Camarada gente fina. Estava acompanhando do Bart, outra figura.
Aí me aparece ele, o meu ídolo mor, meu salvador, mestre Nishida! Sim, o camarada que me doou o par de bullets que enfeita a roupa “tell me i’m bitch” de dona stefânia. Ajoelhei, reverenciei, beijei a mão. Aí a esposa dele reclama: “é melhor deixar de ser bom samaritano com esses motoqueiros”.
Os demais eram Aldo e esposa, o Roberto (que comprou a samamabaia de garagem e agora botou ela para rodar) e esposa (muito simpática inclusive), Zota (que é melhor não ser sorteado com um capacete) e esposa, Emerson e filha. Pior que agora não lembro se era Emerson mesmo, esse pessoal de HD não se mistura com gentalha igual eu. Teve ainda mais dois casais que tive a displicência de não guardar os nomes. Me desculpem, mas a falta de dormir e o abuso de 700km reduziram minha memória.
Nem entrei no encontro, fiquei por ali no boteco com o pessoal só contando lorota e ouvindo mentira. Não tem coisa melhor. Fechamos a noite com um churrasco no hotel. Bom, não durei muito tempo pois estava meio cansado e ia acordar cedo novamente para voltar para Vitória ES. Mesmo porque o papo estava meio estranho. Eu esperando discutir sobre moto, carro, motor, acessório ou o que valha e o pessoal me vem com uma votação sobre homem deve mijar sentado. Eles que são paulistas que se entendam.
Novamente foi um grande prazer estar com essas figuras, mesmo que por poucas horas. Ah! E o Samuel? Nem vi. Pagou o quarto para mim e parece que ia dormir lá na rua do evento. Quando acordei de manhã cedo, lá estava o cara capotado de bruços. Cachaça antes de matar, humilha. Tenso.
Quanto a estrada, no sábado não entendi como havia tanto trânsito logo cedo. Cai alho que tinha caminhão demais no trecho capixaba da BR101. Já próximo do Rio em São Gonçalo e depois na Dutra, lá estavam os cariocas a fazer engarrafamento. Porque esse povo não fica em casa dormindo? Que se dane! A vista e as curvas na Serra das Araras compensam qualquer pista travada de carros e caminhões.


Já no domingo foi um pouco mais tranquilo até próximo de Rio Bonito RJ, onde um caminhão derrubou uma carga de água sanitária e um monte de miseráveis paravam o carro no meio da pista e atravessavam estrada sem olhar para os lados para roubar garrafas de água sanitária. Água sanitária! Em que ponto nós chegamos. A partir daí até Vitória ES, novamente trânsito nas proximidades de cada cidade.
Frio de manhã cedo e calor escaldande ao longo de meio dia. Não importa, a estrada se mostra como ela é, indiferente do que você espera. Nossa única e real autonomia é fazer o corpo acompanhar o espírito enquanto saboremos a paisagem.


15/07/12 não dá para defender

Sábado passado e neste domingo resolvi dar umas esticadas rápidas com dona stefânia já que não tinha como ir muito longe devido a outros compromissos. E falo de passeio curto mesmo, 70km subindo a BR262 até o Posto do Café no sábado e hoje um tiro de 50km até o trevo de Guarapari para tirar uma foto ao lado da emblemática e praticamente esfinge placa indicando que por uma estrada vicinal se chega a Buenos Aires! Decifra este vórtice espaço temporal.

Viagem de moto é isso, curtir a estrada, sem estresse, sem compromisso, ir a um lugar para tomar um suco e comer um pão com queijo quente ou simplesmente pousar naquela referência improvável que você passa várias vezes em função de alguma outra viagem.
Na semana passada, assumo que resolvi subir para o posto do café de última hora. Estava na loja do Chico, vou lá quase todo sábado bater um papo com o amigo e ver as motos em exposição. Sai de lá por volta de 11:00 e resolvi ir tomar o bendito suco. A questão é que como não estava nada programado (exatamente do jeito que eu gosto), estava somente de jeans surrado e camiseta. Confesso que no meio da subida, quando o clima da serra aperta, dá vontade de dar um tapa na própria cara por ser tão estúpido de estar sem jaqueta. Não por causa da proteção, mas por causa do frio mesmo.
Passa por mim uma leva de “motociclistas”, com suas máquinas maravilhosas de mais de 1.000cc e suas parafernálias de segurança. Todos esbaldando as marcas coloridas das jaquetas e calças e botinas e capacetes. E eu lá com o jeans surrado e camiseta. Passaram por mim de nariz em pé, se sentindo os deuses do olimpo. Até que um deles, perceptivelmente barriga verde e ainda mais travado com tanta roupa erra uma aproximação da fila de carros, quase cai e derruba todo mundo como num boliche.
Em seguida vem uns dois ou três “motoqueiros”, no mesmo estado que eu, jeans, camiseta, um moletom surrado por serem mais espertos, nas suas CGzinhas ou BROSzinhas com a namorada subindo a serra provavelmente para visitar algum parente ou coisa que o valha. Exceto pelo fato de não terem condição de fazer uma ultrapassagem mais rápida, estão ali, rodando seus kms e ouso dizer que somam mais kms nas costas do que muito dito “motociclista” que se faz questão de não ser colocado no mesmo, digamos, patamar que a turma da baixa cilindrada.
Tenho certeza que a turma das motos grandes que passou por mim deve ter achado um absurdo eu estar numa rodovia só de camiseta. Eu já acho um absurdo um camarada botar na cabeça de um conhecido que este deve comprar moto e toda a sorte de badulaque de “segurança” para começar a viver e as vezes o sujeito nem leva jeito para coisa. Deve ter sido o caso do distinto lá que quase jogou a turma toda no chão. E nessa hora, não é capacete e jaqueta cara que te salva.
Quer ter segurança ao andar de moto? Respeite os limites da estrada, os limites da sua máquina e os limites do seu corpo. Sai mais barato que muito badulaque de grife que tem por aí e posso afirmar que funciona muito mais.
Mas aí hoje no domingo, já voltando do passeio até a placa que indica que Buenos Aires é logo ali pegando uma estrada vicinal no trevo de Guarapari, venho pelo BR101 já em Cariacica. Novamente só de jeans e camiseta. Vi o motoqueiro com sua CG guerreira a minha frente. Vi também uns cachorros meio que perdidos, como sempre ficam tentando atravessar a pista. Já diminui para dar espaço para o camarada a minha frente diminuir, o básico de sempre.
Ele passa os cachorros, eu também, aí ele quase pára, no meio da rodovia e olha para trás para xingar os cachorros. Isso mesmo. Xingar os cachorros! Como bem imaginou o Nelo, deve ter sido algo do tipo: “O CACHORRO DO CARALHO, SAI DA PISTA, A CADELA DA SUA MÃE NÃO TE EDUCOU?” ou coisa que o valha. Cai alho!
Acredito que se fossem os distintos “motociclistas” da semana passada a minha frente, teríamos um belo de um engavetamento, por todos, o “motoqueiro” e os “motociclistas” que cito, não estarem e nem se preocuparem em estar preparados para situações como essa. Ou mais ainda, devidamente atentos e com habilidade necessária para não criar situações como essas. Ainda bem que os velhos e bons reflexos do tempo de trilha fizeram seu papel de anjo da guarda novamente e consegui sair de fino do maldito a minha frente. Mas como passei pela esquerda dele e com uma urrada forte da dona stefânia para ter tração suficiente para equilibrar a manobra, é provável que ele tenha caído na rodovia com o susto.
Alguém deve querer saber: “Mas ele caiu mesmo, Fantini?”
Não sei. Eu não olho para trás para xingar.


10/06/12 missão itaguara

Fúnebre Flâmula

Quando você se encontra embaixo daquela chuva fina que parece que não vai acabar nunca, pára num posto para abastecer e pensa: “ótimo, essa é a última perna da viagem de volta para casa”, você passa a se questionar o motivo de tanto sacrifício.
A moça do caixa vendo minha situação ainda quis tornar aquela sina mais branda: “O pessoal que está vindo de Vitória disse que a chuva começou lá. Aqui estava tranquilo até agora, a chuva deve estar subindo a serra. Não deve ter mais quando descer.” Eu sabia que ela não tinha muita razão, exceto pelo fato da falta de sentido de cair chuva em pleno Junho, afinal a região serrana do Espírito Santo mantém o mesmo clima entre Ibatiba e Viana. E eu vinha debaixo de chuva desde que comecei a subir a serra. E descendo a chuva me acompanhou até Vitória. Um novo recorde pessoal de estrada na chuva e sem capa. Para a alegria de um companheiro, molhei até a cueca!
Mas aí você se pergunta o que diabos estou fazendo ali? Já tinha um tempo que devia uma visita ao companheiro Isaac em Itaguara MG, onde ele mora durante a semana devido ao trabalho. Não só pela visita ao irmão de clã, mas porque tinha que lhe entregar nossa fúnebre flâmula. Fiquei feliz pela confirmação do Broto Jr que apareceria por lá também, precisava falar com ele. O Nuanda nos trocou pelo Camping & Rock e Hermano estava viajando a trabalho.
Não importa, estava ali, a alguns quilometros de casa (apesar que considero a viagem minha casa), após algumas horas subindo a BR262 e em seguida a Fernão Dias, na companhia dos velhos frangos, conversando sobre o tempo, o espaço, relações sazonais e é claro políticas públicas. Com um pouco mais de discussões como essa já poderemos escrever uma tese de sociologia.
Ainda aproveitei para visitar a família em Belo Horizonte MG. Dedé, meu irmão não só de clã, como de sangue, inventara um churrasco da turma dele. Fui lá para curtir a tarde de sábado antes de descançar para o retorno no domingo. Foi bacana demais não só pela galera do Dedé, todos assíduos frequentadores do borracheiro, mas por encontrar o Binho, um dos amigos leitores dessas histórias para boi dormir que eu escrevo.
Falando sobre a estrada mesmo, bem, o trecho pior até então, que é o entorno de Manhuaçu está sendo recapeado. Isso é um alívio, pois o asfalto nesse ponto estava muito ruim. Na ida resolvi passar por João Monleavade MG, ao invés do caminho de sempre por Ponte Nova MG, só para variar. Apesar da distância mais curta, continua um trecho muito perigoso pelo traçado das curvas e topografia, além do trânsito intenso. Vale a pena evitar.
Na volta, o trecho entre Belo Horizonte MG e Mariana MG, velho conhecido, exige um pouco de atenção devido as obras de recuperação de desmoronamentos em função das chuvas do verão. Mas nada que assuste, basta estar de olhos abertos. E um frio considerável, tanto na vinda como no retorno. Principalmente depois de ficar molhado até a cueca. Cai alho!
Então porque tanto sacrifício? Porque estar ali? A cada abraço dos irmãos que visitamos descobrimos que quem tem um “para quê”, enfrenta qualquer “como”.


18/05/12 e você acha que já passou por tudo

Já fazia algum tempo que não viajava em grupo, mas a galera que conheci aqui do Ayso Motociclismo e do Vitória MC estava insistindo para ir no encontro em São Mateus que é um dos principais no Espírito Santo. Para ser sincero isso para mim é de menos, importa sempre é a desculpa para pegar uma estrada, seja qual for. Mas estava um pouco apreensivo por pilotar com quem eu não sei como se comporta na estrada.
Não estou sendo rancoroso ou rotulando ninguém, mas no fim das contas cada um tem seu ritmo. E de tão mal acostumado por viajar sozinho, pensava se eu mesmo não seria uma má companhia. Bom, má companhia não fui, mas trouxe a chuva.
Combinamos de encontrar às 14:00 de sexta. Negociei uma folga no serviço, o tempo estava bom. Mas foi chegar no local de concentração e desce aquela garoazinha chata. O Chico me pergunta se não vou colocar capa de chuva. Cai alho! Esqueci em casa, deixa. Mas insistiu tanto que fui lá buscar e aproveitei para trocar o jeans surrado pela calça de cordura para evitar muita sujeira. Evitar mesmo nada, mas fica mais fácil de limpar depois.
Saímos de Vitória debaixo daquela garoa chata, mas nada impossível de sobreviver. De capa? Eu não. É engraçado que quando levo acabo não usando. E fomos até chegar em Fundão, uns poucos kms depois subindo a BR101. E o tempo secou. Maravilha, pensei, esse clima mais ameno e sem chuva. Perfeito, apesar do tempo ainda fechado.
Paramos uns 100km depois na metade do caminho. Teria ido direto se estivesse sozinho, mas é como falei, cada um tem seu ritmo e em grupo tem que respeitar o que o grupo decide.
Chegamos em Linhares e para nossa desagradável surpresa, a chuva resolveu apertar novamente. Dessa vez foi daquelas chuvas finas, que se acredita que não vai fazer diferença. E daí a pouco nada de diminuir a chuva. E depois escurece de vez. E aí caminhão jogando spray de lama na fuça. Bom, nessa altura do campeonato você que está aí se contornando no sofá pensando: “eu até queria comprar um moto”, vou ser sincero, não compre.
Mas como eu acho cada desaventura dessa um motivo para rir depois, lá estava eu e os demais completamente encharcados, se perguntando se não seria melhor fazer igual o camarada do sofá. Não seria não cai alho! Tomei vacina contra gripe exatamente para sobreviver nessas situações.
Chegamos e São Mateus estava debaixo d’água. As ruas onde estava o encontro alagadas. As ruas da pousada alagadas. Conseguimos chegar na pousada usando as calçadas porque na rua só de jetski. Diversão garantida. E chegar e ver o Viana sentado na varanda da pousada enrolado num cobertor foi o máximo. Depois de botar as roupas num varal improvisado e usar a água que ficou no coturno para encher a piscina, juntamos na entrada da pousada e improvisamos um churrasco, além de conhecer outros camaradas que também estavam na mesma pousada.
Por mim já estava de bom tamanho porque curto mesmo é a bangunça com a turma. Mas no dia seguinte, no sábado, fomos para o encontro, o tempo já estava firme lá em São Mateus. Quem veio de Vitória logo cedo nem pegou chuva, mas ao longo do dia ia chegando cada um mais ensopado que o outro devido a chuva na estrada. “Fantini, está chovendo para cacete!”. Tive que responder que ele não viu nada. Chuva de dia é mamão com açucar, de noite e com carreta, já é outro nível.
O encontro estava muito bem organizado, realmente faz jus a fama. Vale a pena. Bandas boas. Muita moto, muita loja de buginganga, muita gente. Muito bom. Saimos umas 10:00 da pousada e só voltamos às 03:00 da matina.
No domingo o povo me acorda desesperado. “Vamos embora mineiro que já são 10:00!”. Levantei correndo, tomei banho correndo, arrumei as coisas correndo, montei tudo na moto correndo e vendo todo mundo de boa, nenhuma moto montada, desconfiei. Olho o relógio, nem 08:30. Cai alho! Mas também tinham combinado de sair logo cedo por volta de 09:00.
O tempo estava agradável, nublado, mas sem chuva, temperatura no ponto. Vínhamos na maciota, 90-100km/h. Daí o estômago começou a reclamar da corrida na pousada para sair no horário. Devia ter me livrado de todo mal por lá mesmo. E agora ali no meio do nada em lugar algum. Segurei, mas não teve jeito, naquele ritmo de viagem e com a tarefa indelegável e a cada momento mais inadiável, não tinha jeito. Acelerei e deixei o povo para trás.
Encontrei um posto uns bons 50km depois. Suando frio. Aquela cara de mal encarado. É provável que o povo que estava no posto pensou, fudeu, o caboclo veio para quebrar a cara de alguém. Nem dei trela, corri para o banheiro e a vida ficou tranquila novamente. Lembrei do companheiro Nuanda e suas últimas crises de tarefa indelegável. Não é algo que se deseje ao seu pior inimigo.
Voltei para a estrada e fui reencontrar com o povo quase de volta em Vitória. Me desculpei por sumir do nada, mas depois de explicar o motivo entenderam. Ainda fechamos com um churrasco em um buteco de bairro.
Mas fique tranquilo que eu já estive sentado no sofá pensando em se comprava uma moto. A cada peripécia como as desse fim de semana, confirmo que foi uma boa decisão que tive.


08/04/12 não se experimenta no sofa da sala

CdGP DACS

Já passava de 20:00 da noite de domingo quando finalmente cheguei em Vitória ES. Comecei a refletir sobre a viagem. Havia saído de São Paulo SP às 06:30 da manhã com um tempo frio que qualquer um consideraria continuar na cama, enquanto eu ali na infinitude da estrada. Atravessando o Rio de Janeiro RJ, já no calor de meio dia, porque tinha errado a saída da Dutra para a Av. Brasil, pude conhecer a cidade nada maravilhosa, com seus cortiços, ruas estreitas e gente estranha, tão diferente daquelas que insistem em nos mostrar na televisão. No final da tarde já ultrapassava a fronteira em direção ao Espírito Santo, somente para descobrir que muitos resolveram fazer o mesmo que eu, enfrentar a estrada no feriado. Enfrentei eles, o trânsito e a estrada noite adentro.

Viajar de moto não é algo que se experimenta sentado no sofá da sala olhando o tempo passar pela janela. Você decide literalmente experimentar o tempo, o espaço e toda a sorte ou infortúnios que a viagem resolver lhe proporcionar. Sua única participação é atravessar a estrada que liga um destino ao outro.

Helton e Gisele não deram muita bola para meu auto convite: “Camaradas, estou indo para Sampa, separem o sofá para mim”. Começaram a argumentar sobre planejar a visita e tal e… “Camaradas, basta cerveja na geladeira e Buddy Guy na vitrola.”. Dois dias antes de retornar, na sexta cedo já avançara um bom pedaço do Rio de Janeiro. Me lembrei da última vez que estive aqui, subindo a Serra das Araras, dona stefânia bufando o óleo velho e o filtro saturado de um teste de 10.000km. Vou dizer que aquela vez foi sofrida.

E tudo para estar com o Ghan num encontro em Penedo RJ. E como tinha um tempo que não visitava o velho amigo, achei por bem ligar para ele quando estivesse em terras bandeirantes. Se estivesse em casa, passaria para dar um abraço. A essa hora, o povo do clã que resolveu descer de Belo Horizonte MG – Agnelli, Fábio, Rachel, Rubens – já estava em peso na casa do Helton, churrasco na alta preparado pelo Bruno e eu na terceira parada já na Dutra após Rio de Janeiro RJ comendo uma esfirra. Sim, a estrada é ingrata. Mas eu gosto de esfirra.

O Ghan estava em casa e me recebeu em prantos:
– Fantini, KCT! Essa maldita prótese dentária! Não dá mais para me divertir arrancando os dentes com o alicate.
– Uai, se quiser te empresto aquele soco inglês que você me deu lá no Tibet. Resolve na hora.

Agradeci o café e o bom papo e continuei viagem até Vila Mariana, São Paulo SP, onde o povo do clã já estava em outra órbita. Ao menos me acompanharam em duas cervejas. Um grande feito considerando o castelo de latinhas vazias encostado na churrasqueira. Como diz o Nuanda: “esse povo bebe demais…”.

No sábado cedo convenci todo mundo a me acompanhar na General Osório. Tinha duas missões: a) comprar “uns trem” para dona stefânia e b) encontrar com os DOGs de Sampa. A missão (a) foi resolvida em pouco tempo e após visitar meia dúzia de lojas. Já a missão (b), bem, o desinfeliz do Ramone me passa um telefone que estava desligado. Para ajudar a loja da Warrior mudara de endereço e acabei não achando ela. Depois vim a saber que os camaradas não só ficaram me esperando como até me procuraram por lá. Agradeço a preocupação do grande Nishida e do Prof. Hirai por até me ligarem para saber se eu estava vivo. Sim, eu estava, foi somente um completo desencontro.

Depois de uma lasanha de almoço devidamente preparada pela Gisele (o Helton jura que foi ele quem fez), discutir políticas públicas com o Dr. Agnelli e o Dr. Rubens e todo mundo entrar em estado vegetativo para fazer a digestão, resolvi retomar a discussão filosófica da visita anterior com Sabbath, o gato, e seu novo companheiro, Led, o outro gato.

– Sr. Fantini, novamente em minha morada. Vejo que trouxe outros intrusos. Muito irritante.
– Sr. Sabbath, vejo que agora tem um companheiro de morada. Quem é o macho dessa história?
– Malditos humanos!!! Não se tem sossego nessa bagaça!!!
– (rachei)^3!!!

Mais tarde a turma insistiu para tomar mais uma última cerveja de despedida. Declinei. Precisava dormir para retornar no dia seguinte.

Pouco mais de 2.000km, 3 estados, não sei quantas cidades, ao menos 7 climas diferentes, um vazamento de óleo no retorno. Somente para se estar com os amigos. Não se experimenta isso sentado no sofá da sala olhando a paisagem passar pela janela.


25/02/12 somente para testar a abraçadeira

Ano passado fiz um escambo com o companheiro Hermano João, me desfazendo de um escape corneta que fazia a voz de dona stefânia desde que a conheci. Peguei um JJ de 2.1/2″ em troca. Fazia parte de uma decisão pessoal de tirar a roupagem “call me a lady” de dona stefânia e deixar ela mais “tell me I’m bitch”. E lá se foram alforjes, sissybar, setas (essas ainda falta trocar as traseiras), banco da garupa. Com o JJ rasgando o verbo, diversão garantida.
Mas como tudo não são flores, uma peça de acabamento do maledeto JJ atrapalha na hora de retirar a tampa para troca do filtro de óleo. E nessa de toda vez afrouxar a abraçadeira metálica (daquelas de parafuso) para tirar a peça, acho que na última viagem à Araxá MG, a danada arrebentou. Isso foi lá no natal, mas final de ano, compromissos em janeiro, visitas a Bhz, viagens pela empresa, me travavam a agenda para arrumar a bagaça. E a peça lá desbeiçada.
Consegui finalmente no último sábado cedo comprar abraçadeiras novas e me pus em mais uma ordinary mechanical class. Que cai alho! Não que fosse difícil montar a abraçadeira, mas a posição não ajudava em nada. Depois de quase perder o dedo indicador esquerdo e a paciência, a maledeta montou. Com todo o esforço feito, resolvi que devia testar se tinha ficado firme. Pensei na promessa de verificar a estrada para Prado BA para a turma de Bhz em função do encontro na outra semana.
Lá estava eu na lua de 13:00 subindo a BR101 sentido BA. Na bagagem somente a sacola de lona com uma muda de roupa e a bandeira do Clã. E a jaqueta! Sim, estava quente para cai alho e impossível de usar a jaqueta. Não, não recomendo isso para ninguém, afinal estava na estrada. Parei em Linhares ES e em seguida em Pedro Canário ES, quase na divisa com BA.
Até aqui a estrada ainda era conhecida e tirando a interminável reta a partir de Linhares ES que até dá dormência no olhos, somente está ruim mesmo o trecho após Pedro Canário ES até uns 15 a 20 km após a divisa. Havia bastante trânsito de treminhões típicos da região de eucaliptos para as empresas de celulose locais, mesmo sendo sábado após o carnaval.
Mas o que me preocupava mesmo era o calor. Estava mais quente que o normal para a época e região. Continuava sem jaqueta, usando só o colete sobre a camisa de malha cumprida. Passei o trevo de Nanuque MG / Nova Viçosa BA, sim aquele que me infurnei numa estrada de terra de 70 km até Nova Viçosa BA numa outra desaventura, e para a alegria da turma de Bhz que virá por Teófilo Otoni MG, a partir desse ponto a estrada está boa, exceto pela falta de acostamento. Basta ter atenção com o trânsito.
E o calor! Cai alho! De repente sumiu e não era por causa do fim do dia, ainda era umas 17:00 no horário de verão. Aí vi um lindo arco íris no lado direito do horizonte. Parei para tirar uma foto. Mirando a câmera vi a tempestade que se formou bem para onde a estrada apontava. Botei a jaqueta, afinal não tinha trago capa de chuva e fui. Foram uns bons 20 ou 30 km debaixo de chuva forte. Ainda bem, não aguentava mais o calor.
Logo apareceria Teixeira de Freitas BA e a saída para Prado BA. Essa estrada leva ainda a Alcobaça BA atravessando campos de eucaliptos e pastos. Bem a cara de estradinhas vicinais do interior de Minas. Muito gostoso esse trecho e com o sol já se pondo, foi um espetáculo a parte.
Prado BA parecia uma cidade fantasma, se tinha algum folião ali, tinha ido embora antes da quarta feira de cinzas. É bem pequena. Se for aparecer muita gente no encontro, vai ser um inferno. Paciência, já combinei de estar aqui novamente com o povo do Clã.
No domingo depois de uma ida rápida à praia para conhecer, peguei estrada para evitar o calor que passei no sábado (saindo depois do almoço). Passei rápido em Alcobaça BA só para conhecer, rendeu uma foto próximo a um farol. E de volta a estradinha agradável e em seguida na BR101. O sol continuava a pino e a água de coco em Pedro Canário ES não adiantou muito.
Resolvi rodar até Itaúnas ES, próximo de Conceição da Barra ES, famosa pelas dunas e pelo forró e parar para almoçar e fugir do sol de meio dia. Peraí, Fantini, li no guia turístico que para chegar lá tem que pegar estrada de terra. E daí? Depois é só jogar um balde de água na moto que lavou está novo. 20 km de pura diversão. Ainda não conhecia Itaúnas (e olha que o Nuanda já havia indicado a mais tempo) e que lugar agradável e muito bonito. Recomendo a visita. Fui com dona stefânia até próximo das dunas e só não avancei mais por causa da areia que começou a ficar fofa. Ia ser complicado manobrar ali.
Subi uma das dunas e mais a frente havia barracas na beira da praia. A calça jeans, o coturno e o calor escaldande me demoveram da idéia de andar uns bons 900 m ou mais até lá. Voltei para a cidade que fica do outro lado do rio e almocei num restaurante próximo a praça ou melhor dizendo gramado da matriz. Lembra muito o quadrado lá de Trancoso BA. Merece um visita com mais tempo na próxima empreitada.
Já eram 14:00 quando pequei a estrada novamente. Nada de abrandar o calor, vamos embora assim mesmo. Depois de pegar um trânsito razoável (pelo jeito haviam sim foliões que esticaram o carnaval), cheguei em Vitória ES no fim do dia.
E a abraçadeira? Alguém deve ter se perguntado. Bom não soltou nos quase 1.000 km de teste. Acho que ficou boa.


24/12/11 go ride on christmas time

Havia bastante tempo que não pegava uma estrada, desde agosto deste ano na ida a Penedo no RJ. Sim estive em Bhz MG logo em seguida, mas nem conta porque uma pane me fez deixar dona stefânia lá praticamente 1 mês inteiro para só buscá-la no final de setembro.
Em seguida uma revisão mal feita em uma concessionária de Vitória ES, deixou um quase crônico vazamento de óleo na tampa do filtro de óleo, o que me tirou a paciência nos meses seguintes até conseguir resolver na base da justiça com as próprias mãos. Saudade do tratamento digamos vip da concessionária de Mariana MG. Assim não vamos queimar a Yamaha, mas saibam que não vale a pena revisar a moto na concessionária de Vitória ES.
Mas também outros compromissos diminuiram minha cota de fins de semanas livres, tanto para fazer justiça com as próprias maõs, quanto para dar voltas mais longas, afinal fazer pose em todos os botecos da cidade, pagando de cara mau da motocicleta, foi o que não faltou. Tem gente que acha graça. Eu a cada dia me achava mais cômico e me perguntava aonde foram parar aqueles tempos de vento no peito e cheiro de asfalto?
E assim foi até conseguir uma janela com uma volta até Araxá MG para passar o Natal na casa de parentes. Casou perfeito, até na empresa houve folga na segunda (eta empresa danada de boa). Assim teria um dia para ir, um para curtir e um para voltar. Mas do que o necessário, afinal ficaria feliz com somente o dois dias de estrada.
Acordei no sábado cedo, véspera, imaginando que dali a pouco o povo do Clã estaria no tradicional Pré-Natal no Central, nossa confraternização de fim de ano no Mercado Central em Bhz MG, regada a muito fígado acebolado com jiló. Não dava para participar. 900km me separavam do meu destino.
A viagem começou bem, o clima estava ameno, bom ameno para Vitória ES, mas logo estaria subindo a BR262 na região serrana de ES, passando pela linda visão da Pedra Azul. É muito bonito, mas assim que comecei a contornar as sinuosas curvas morro acima um fria neblina tampou toda a paisagem. A couraça segurou a onda, mas lembrei da trupe Nuanda, Hermano e Broto congelando na estrada a caminho de Blumenau SC. Primeira parada em Ibatiba ES e a frente o tempo estava aberto, céu azul.
E que calor dos infernos! Não fosse já estar acostumado com essas surpresas agradáveis do clima numa viagem de moto, talvez tivesse desistido. E o tempo bom e calor me acompanharam até Abre Campo MG na segunda parada e continuaram até Mariana MG já na terceira parada. Mas Fantini, se estava subindo a BR262, como diabos foi parar em Mariana MG e não na BR381 em João Monlevade? Bom eu prefiro quebrar em Rio Casca MG e pegar a estrada por Ponte Nova MG. Além da paisagem bem mais agradável, o pouco trânsito faz a viagem render mais, apesar de ser um trecho mais comprido do que seguir direto até Bhz MG.
E por falar em calor, passei o último quebra mola de Cachoeiro do Campo MG e dá-lhe chuva. Como ainda era início de viagem resolvi arriscar continuar sem capa que secaria em seguida. Me palpite foi tão certo que 2km depois passou a chuva. Era uma tempestade local. E de novo o calor infernal, fiquei seco em questão de minutos. Mas como não pode faltar nada numa viagem de moto, logo após a barreira policial de Itabirito MG, o asfalto estava molhado por outra chuva passageira. A parte divertida é que nesse trecho até a BR040 é região de mineradoras, então imagine a chuva de lama que tomei de todos os carros e caminhões a frente. Realmente não é possível passar por isso pagando de cara mau nos botecos, mas para mim é o que há de melhor, reconhecer que o mundo não gira em volta do nosso umbigo e que devemos enfrentar o que nos vem a frente.
Na BR040 já na região de Nova Lima MG, foi possível dar uma boa esticada descendo a região do Vale da Mutuca. Na verdade aqui ainda é continuação da MG356 que vem desde Ouro Preto MG. Peguei a alça do anel rodoviário em direção a Contagem MG. Daí a pouco já estava em Betim MG. Antigamente eu seguia a BR381 e entrava lá na MG431 em direção a Itaúna MG, passava em Divinópolis MG pela MG050, para só depois baixar na BR262 de novo em Bom Despacho MG.
Mas queria conhecer a BR262 duplicada neste trecho. E assim sai direto depois de Betim MG para o (re)início da BR262 em direção ao Triângulo Mineiro, bem mais da metade da viagem para trás. E que trecho bom, asfalto novo, pista dupla. Torci o cano mesmo até Nova Serrana MG onde houve a quarta parada. O tempo continuava quente, mas havia sinais de chuva. Realmente esse tempo de mormaço não engana. Continuei. A pista dupla cessou, mas daqui para frente o trecho é praticamente todo reto, então nem precisa de pista dupla, quaquer caminhão que se pega no caminho, não demora muito para se ultrapassar.
Fiquei nesse transe, quando o viajar é mais que a viagem e passamos a perceber o entorno de outra forma, o quanto somos pequenos, o quanto nos entregamos as mesquinharias do dia a dia, enquanto ali estava a natureza mostrando toda a sua exuberância, indiferente à minha presença. A subida da Serra da Canastra então? Quando se via uma mar de morros sem fim abaixo, paisagem quebrada somente pela presença de um forte tempestade a frente, hora a estrada apontava para ela, hora desviava, como num jogo de bem-me-quer-mal-me-quer.
Estava tão extasiado que não percebi a km e dona stefânia começou a falhar. Ótimo, vira a chave da reserva. Só que já estava virada. Junior total! Daqui a pouco lá estava eu empurrando dona stefânia no acostamento (tinha visto um posto a pouco) e fui feliz da vida, ainda anestesiado com todo o conjunto da obra e ainda rindo da própria presepada. Pouco antes de uma subida, me aparece uma van daquelas equipes de wheeling (acrobacias de motos). O camarada parou e depois que expliquei meu drama, resolveu tomar uma providência e me ofereceu 2 litros da mais pura. Mais pura gasolina. Agradeci, foi o bastante para alcançar o posto na minha sexta parada, já que a pane seca foi a quinta.
Logo em seguida cheguei em Araxá MG, afinal faltavam somente 50km! Isso mesmo. No total 12h de viagem desde Vitória ES. Passei a noite de sábado e o domingo em excelente companhia, muita diversão e momentos de agradecimento.
Na segunda ainda de madrugada acordei todos da casa com os berros de dona stefânia (ainda tenho que dar um jeito de abafar esse JJ) e voltei para nosso terreiro natural. Estava aquele frio gostoso de antes de amanhecer e o clima indicava que viria chuva. Dito e feito, pouco depois do ponto onde houve a pane seca, lá estava eu parado tentando enfiar a capa de chuva, treco sem jeito. Foram uns bons 150km debaixo de chuva. A vantagem é que esse trecho é muita reta e mesmo a descida da Serra da Canastra é tranquila. Claro que os pneus Bridgestone se mostraram bem mais aderentes que os Pirelli originais, se quiser seguir um conselho, evite os Pirelli, sua aderência é péssima e já me deixaram em bons apuros no mesmo trecho.
Logo em seguida o sol de rachar e haja água de coco em cada parada de volta. Entre Mariana MG e Abre Campo MG foi muito tenso, pois já esta o pico do sol de meio dia. Mas como já passei muito mais raiva vendo a cerveja esquentar debaixo do telhado de amianto dos botecos de Parauapebas PA, mantive-me firme em meu intento. Lógico que em Abre Campo MG foram 3 garrafas de água para compensar, o que somado com os solavancos devido ao péssimo asfalto da BR262 descendo até a divisa do ES, me fizeram parar duas vezes para mijar na beira da estrada em seguida.
Realmente podem esticar o Rally dos Sertões para este trecho que nenhum trilheiro pode dizer que fica devendo a alguma estrada de terra rincão afora. Está realmente sofrível e deixa a pilotagem bastante tensa.
Dessa vez passei Ibatiba ES direto e fui parar em Venda Nova do Imigrante ES e faltavam apenas 120km até Vitória ES. Foram 2 estados, 7 rodovias, 30 cidades, 5 climas diferentes, 1 pane seca, 12 horas para ir, 12 horas para voltar, pouco mais de 1.800km. O corpo já estava reclamando a pouco mais de 150km atrás, mas o espírito iria adiante, com certeza!


02/07/11 consulta rápida no dentista

Fazem quinze dias que mudei de estado e cidade, vindo parar em Vitória no Espírito Santo. Vamos ver se dessa vez eu paro quieto num canto, empresa nova, vida nova, mas não vem ao caso. Havia trago boa parte da mudança (algumas coisas foram parar em Bhz porque na nova república já havia alguns móveis), mas dona stefânia, tadinha ficou para traz em Mariana. Não satisfeito em abandoná-la a própria sorte durante esses quinze dias, ainda moveram a coitada de garagem, porque na antiga república, a dona resolvera reformar a alvenaria e terminar o revestimento. E eu aqui na fila do embarque para pegar o avião para Bhz com toda a parafernália – capacete, jaqueta, coturno, alfoje, fora o kit de sobrevivência ao relento – protagonista de cenas insólitas, ao menos que você, caro amigo, já tenha visto algum motociclista nesta situação desconfortável. No check-in aceitaram que eu levasse as tralhas como bagagem de mão, menos mal. Depois de um pequeno atraso, embarque. Tive que pedir desculpas aos demais passageiros porque não conseguia enfiar o maldito alforje no compartimento de bagagem e antes que a comissária reclamasse, enfiei ele entre as pernas. O que já é desconfortável, ficou mais ainda. Seriam os 50min mais longos de minha vida, não fosse a sorte de sobrar um assento exatamente ao meu lado! Ser motociclista com fama de mal encarado, tem suas vantagens! Então fomos nós, eu e meu alforje, cada um em seu assento devidamente alojados. No desembarque pai estava lá para me dar carona, bem, quase, perdera o celular que achamos em seguida e sumiu lá no saguão. Encontramos com a mãe do Hugo, ele estava chegando para férias em Bhz (consegue estar mais distante que eu morando no Acre) e não podia deixar de esperar para dar um abraço no velho amigo. Puta coincidência. Igual uma vez em Iriri. Bem, essa de Iriri, foi mais coincidência ainda (mas é outro causo). Retorno para Bhz, família junta, uma visão geral das reformas lá em casa e se esbaldar na melhor feijoada da cidade que fica no quarteirão seguinte lá da rua. Além de bom, é barato. E ainda temos que brigar com a cozinheira para ela colocar pouca comida no prato feito. Muitos amigos já penduraram as chuteiras depois do prato cheio. Pena que o prazo era pouco para ainda pegar um trupico. Pai me levou até Mariana e a ansiedade já era grande. “Acha que ela vai funcionar?” perguntou com seu sutil sarcasmo de sempre. “Cai alho! Claro que vai.” Na verdade gastei mais tempo chamando a proprietária do estacionamento onde dona stefânia estava, do que tentando ligá-la depois dos quinze dias apagada. Uai, ela ligou depois de seis meses sem minha presença enquanto estava no Pará e dessa vez só engasgou para fazer charme. Maravilha de ronco em seguida! Despedi de pai e fui para São João Del Rey. Já havia solicitado um canto no terraço da casa do Daniel Spectro, do Filhos da Revolução, e apesar do incômodo durante o translado aéreo, o kit relento viria bem a calhar. Viria nada! O desinfeliz não deixou eu curtir o espírito da coisa e me alojou num quarto com chuveiro quente e tudo. Muito agradecido, como sempre, pela hospitalidade do companheiro e família. A única ressalva era trazê-lo de volta hoje, porque ontem tinha chegado cedo de Tiradentes, cinco da matina. “Ao menos traz o pão da próxima vez”, reclamaram seus familiares. Depois do café e prosa, fomos para Tiradentes. Estava bombando, estava cheio, estava demais. Achei o povo do Clã por telefone, estavam no Dona Xepa esperando a bóia, cai alho, já era mais de oito da noite, aonde é que eu estava que gastei tanto tempo para chegar? Tentei falar com o Macedo por telefone e nada, só caixa postal, então galera do Rio, fica para próxima. Achei o Billy e o 02, do Banished, e o Peralta do Dogs. O Peralta estava tomando coca-cola! Cara consciente, mas reza a lenda que a cada latinha que comprava, ganhava dois misteriosos copinhos de dose. Galera de sampa, desculpe o pouco tempo de prosa, mas tinha que encontrar com o povo do Clã. Lá estavam Hermano João, Broto “Billie Jean” Jr e Nuanda e suas respectivas. Bom, Broto Jr com sua respectiva baixa resistência ao alcóol protagonizando nossa felicidade. Diga-se de passagem que o tal estabelecimento Dona Xepa é muito bom, bom demais se seu objetivo é ficar mais de hora esperando uma porção de batata frita, linguiça e costelinha. Tudo bem que o evento estava lotado, mas dentro da bodega estava vazio. Com essa demora também, está explicado. Até o chopp já chegava quente na mesa após 5min de translado entre a bomba e a mesa. Todos comidos, fomos para a tenda da Krug Bier, onde o camarada de 4 anos seguidos faz seu show de voz e violão interminável e sem intervalos. O cara deve ter um pacto com algum santo para conseguir ficar direto sem parar, muito bom e o repertório atendia, conforme Hermano João, “gregos e troianos”. “Espartanos também” acrescentei. Ainda encontramos o Ebin, do Rasta Brasil. Saudade quando esse cara tinha moto! “Vamos esperar até janeiro”, frisou comigo. Ademais, estava excepcional! Mesmo para mim que foi uma consulta rápida ao dentista, no dia seguinte cedo viria para Vitória. E quem não foi, simplesmente perdeu! Ah! E o Daniel Spectro sumiu no meio da multidão, minha sorte é que ele resolveu chegar logo depois de mim e evitou que seu pessoal puxasse minha orelha. Eta rapaz danado esse! Born to be uai!