Prudens quid pluma niger secundum

Posts com tag “BR367

14/06/13 hellen in the sky with diamonds

Desci a Serra de Ouro Branco com a alma renovada e certo de que Hellen Dawson não se acanharia jamais para qualquer estrada que surgisse em nosso caminho. E assim fomos em direção a Diamantina MG através da BR040. Esse era um destino planejado a mais tempo e adiado por várias vezes porque o objetivo era alcançá-lo na companhia do companheiro Ajota, desde a vez que descemos de Brasília DF a Belo Horizonte MG lá em idos de 2009. Infelizmente não pude deixar passar essa oportunidade de tempo.
Para maioria que não entende ou simplesmente não faz a mínima ideia do que possa ser um ritual de passagem, não vai conseguir compreender porque se antes de subir a serra ainda titubeava com o novo fôlego de Hellen Dawson após as regulagens feitas com o pessoal da Garage Henn, agora tinha total confiança e conseguia sentir as reações da moto com muito mais precisão. Acredito que todos devem encontrar seu próprio rito e atravessar essa linha invisível.

Hora de ligar a vitrola!

E assim, divagando sobre essas estranhezas de si mesmo, vamos alcançando a saída para Curvelo MG e apontando a direção final para nosso destino. Naturalmente aproveitando alguns trechos de reta sem fim e sem trânsito para sentir que uma moto custom realmente não foi feita para andar em alta velocidade. Mas também fiquei bem próximo da sensação de estar num velho Supermarine Spitfire dividindo o céu de guerra com um Messerschmitt BF109.

altos planos

altos planos

Pegamos então um trecho da BR135 para em seguida avançar sobre a BR259 e finalmente fechar com a BR367. Enquanto isso ia raciocinando o quanto era engraçado não lembrar de nenhuma paisagem daquela de outros carnavais, fruto de viajar de carro ou ônibus. E isso é o interessante da viagem de moto, mesmo com todos os, digamos, revezes, passar numa estrada e guardar toda ela em sua memória, seus cheiros, cores, poeira e insetos que vão grudando na viseira, compensam o, digamos, desconforto.

então diamantina

então diamantina

Então Diamantina MG. Rodei um pouco pela cidade, ao menos onde o calçamento e ladeiras permitiram levar Hellen Dawson com segurança até parar para arrumar um local para dormir. “Ah! Fantini, porque não marcou antes aquele hotel com hidromassagem?” Porque aí não teria a oportunidade de conseguir um Hostel incrivelmente barato, confortável e com uma vista fantástica.

vista a perder de vista

vista a perder de vista

Diferente da época do carnaval do inferno, a cidade estava tranquila e sua paisagem bucólica de cidade histórica brigava praticamente de igual para igual com Ouro Preto MG, a não ser pelo fato de que os botecos daqui não tinham a mesma quantidade de estudantes ripongas que se encontra lá. Exceto se eu tenha parado nos botecos errados.

não adianta ter igreja, no carnaval o povo quer abraçar o capeta!

não adianta ter igreja, no carnaval o povo quer abraçar o capeta!

No sábado resolvi conhecer o tal Parque Estadual do Rio Preto que fica na cidade próxima de São Gonçalo do Rio Preto MG. O folheto já deixava claro: 15km de estrada de terra. Meus olhos até brilharam e Hellen Dawson já estava empoeirada mesmo.

sujeira leve

sujeira leve

a caminho do parque

a caminho do parque

quase na portaria

quase na portaria

Depois de 15km de paisagem de pequenas chácaras e pontes estreitas, chegaríamos na entrada do parque. O vigia da portaria me deu as boas vindas e me explicou rapidamente sobre o parque. Teria que seguir mais 5km onde encontraria a sede e o guia para comentar sobre mais detalhes. Eu havia achado o vigia meio desconfortável comigo e fiquei encucado com aquilo. Será que o cara não foi com minha cara e…
De repente me vi numa descida íngrime e vertiginosa que terminava numa curva fechada. Em seguida um bocado de camelos e aí areia fofa, mais camelos. Não satisfeito, sobe um barranco, agora sobe outro em curva, sobe mais, desce, atravessa uma ponte velha, mais uma. Vou ser sincero, não foi fácil e agora entendia o olhar carrancudo do vigia, não estava acreditando que eu ia mesmo passar nessa estradinha equilibrando 350kg entre duas rodas. Mas compensou, o parque é muito bonito. Pena que como cheguei tarde, perdi os passeios a pé guiados pelas trilhas e tive que me contentar com um almoço quilombola. Uma carne de lata típica de interior de Minas. Fino!

valeu a pena

valeu a pena

Como não inventaram teleporte ainda, aproveitei a energia do almoço para cortar de volta aquela estradinha através do parque. Perigosa, uma pena, tive que concentrar muito mais na pista do que apreciar a paisagem. Paciência. Aproveitei ainda mais um pouco da vida noturna bucólica e no domingo cedo apontei para Vitória ES.
A parte ruim depois que se roda relativamente muito pelas mesmas estradas é que vai se perdendo aquele gosto amargo da falta de direção e as angustiantes dúvidas sobre qual saída pegar neste ou naquele entroncamento. E naturalmente encher os olhos com paragens exóticas ainda desconhecidas. E assim estávamos na BR259, atravessando a região do Serro MG. Agora entendi porque senti tanto frio nos outros trechos que passei nos últimos quinze dias.
Não havia uma nova paisagem para se embasbacar e assim o frio chamava toda a atenção. Não era o caso agora. Mesmo os malditos desvios por dentro de cidadezinhas minúsculas com ruas de calçamento de fazer bater o fim de curso da suspensão, ou quase seguir numa rodovia errada por ter se confundido no meio das ruelas sem placa de outra cidadela, se perder em curvas jamais vistas até então, tudo isso prendia toda a atenção e nem liguei para o tanto que devo ter congelado atravessando serração e neblina.
E eventualmente tivemos uma tarefa indelegável que se tornou inadiável pouco após passar por Guanhães MG. Tem gente que leva uma bagulhada de tralhas em viagens: capa de chuva, luva para verão, luva para inverno, kit de ferramentas (que as vezes não sabe usar), vacina de pneu, bússola, rádio comunicador, pneu reserva. Mas esquece do essencial papel higiênico! Não que eu tenha que ter parado no acostamento, surgiu um posto providencial, mas quem disse que tinha papel no maldito banheiro? Cai alho! Então a única coisa que realmente não pode faltar no seu alforje é um rolo do velho e bom papel higiênico.
Daí por diante, a viagem ficou mais leve, o dia já avançava e após Governador Valadares tivemos a grata companhia do Rio Doce logo ali na beira da estrada. Pouco antes de atravessar a divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, uma última parada em Resplendor MG. Pouco mais de 200km e chegaríamos em Vitória ES pela BR101.

divisa Minas - Espírito Santo

divisa Minas – Espírito Santo

Tivemos então desde o início em 30/05 até o final em 16/06: 4 estados, 18 dias, 25 rodovias, 60 horas de viagem, 42 cidades, 4.876km, todos os amigos, irmãos e família que visitei. Não precisou mais nada. Se bem que mais uns dias de folga dava para esticar um pouco mais. Deixemos para uma próxima oportunidade, enquanto houver amigos, moto e estradas que ainda não conhecemos, vamos tocando.

Vitória ES, Ibatiba ES, Abre Campo MG, Caeté MG, Belo Horizonte MG, Bom Despacho MG, Araxá MG, Santa Luciana MG, Uberlândia MG, Araguari MG, Catalão GO, Três Ranchos GO, Ipameri GO, Caldas Novas GO, Goiânia GO, Itumbiara GO, Uberlândia MG, Uberaba MG, Ribeirão Preto SP, Campinas SP, São José dos Campos SP, São Paulo SP, Campinas SP, São Paulo SP, Extrema MG, Pouso Alegre MG, Três Corações MG, Belo Horizonte MG, Itaúna MG, Itabirito MG, Ouro Preto MG, Ouro Branco MG, Sete Lagoas MG, Curvelo MG, Gouveia MG, Diamantina MG, São Gonçalo do Rio Preto MG, Diamantina MG, Presidente Kubitschek MG, Serro MG, Guanhães MG, Governador Valadares MG, Resplendor MG, Aimorés MG, Baixo Guandu ES, Colatina ES, João Neiva ES, Vitóra ES.

BR101, BR262, BR381, BR262, BR452, BR050, GO330, GO213, BR153, BR365, BR050, Rodovia Anhanguera, Rodovia Dom Pedro I, Rodovia Presidente Dutra, Rodovia dos Bandeirantes, Rodovia Fernão Dias, BR381, MG431, BR356, MG129, MG443, BR040, BR135, BR259, BR367, MG214, BR367, BR259, Rodovia Pedro Nolasco, BR101.