Prudens quid pluma niger secundum

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13/06/13 renascimento

Ainda me restavam quatro preciosos dias de viagem e tendo conseguido organizar uma visita a praticamente todo mundo e passeado por estradas praticamente conhecidas, era momento de encontrar comigo mesmo e em seguida partir para o desconhecido logo ali após uma encruzilhada. Desculpe, mas depois que se descobre que “uma viagem só vale a pena quando ela te transforma”, acabamos por buscar novas fornalhas e malearmos nossa alma novamente.

Porque não colocar uma música na vitrola?

Mas antes era prudente pedir a benção (que se mostrou necessária em seguida) daquele que tem a pena preta. E assim, saindo de Itaúna MG, rumei para a entrada de Ouro Preto MG. A velha MG431 que liga Itaúna MG com a BR381 Fernão Dias ficava cada minuto mais distante a medida em que avançava sobre a BR356. Naturalmente que tivemos o velho e bom banho de lama de mineração dos caminhões que trafegam na região de Itabirito MG, nos ensina a sermos humildes.
No trevo entre Ouro Preto MG e Mariana MG pego direção desta última, mas apenas para descer um pequeno trecho de serra até o bairro de Bauxita (não é uma serra do rio do rastro mas tem lá suas traiçoeiras curvas) e de lá pegar a bipolar MG129 ou MG443, que já que não sabe qual sigla deve ter, carinhosamente mantemos sua nomenclatura original de Estrada Real. Um trecho de apenas 32km da estrada completa entre Ouro Preto MG e Ouro Branco MG.

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

Era ainda idos de 2009 quando passei aqui a primeira vez com a saudosa dona stefânia e não tendo culhões para subir para Lavras Novas MG (tem um trevo mais ou menos na metade do trecho), acabei resolvendo subir por um outro trevo, mais a frente que desembocaria num conjunto de antenas.
Imaginei, uai, antenas, deve ser um topo de morro legal com um vista boa e lá me enfiei, moto e tudo. O pedaço de asfalto não durou mais que 200m e me vi enfrentando pela primeira vez uma estrada de terra com uma moto custom. Muita gente teria torcido o nariz, mas lembrei do que significava o DACS para o clã e me embrenhei vereda adentro.

serra de ouro branco

serra de ouro branco

Eventualmente, após pegar um entroncamento errado aqui, outro ali, rodar meio que perdido e lembrando que não tinha tanto combustível assim, consegui acertar o caminho serra acima. Uma estradinha de terra para matar saudade de dorothéia, companheira dos tempos de trilha, com aqueles belos rasgos de enchurrada que insistiam em dividir a atenção com o horizonte mágico a minha volta.

vai dizer que não sentiria saudades também?

vai dizer que não sentiria saudades também?

Praticamente um ano depois, eu acho, levei Nuanda lá também, ele ainda tinha a XT e ficou embasbacado de como eu conseguia subir naquela estrada com dona stefânia. Mas ao longo do caminho ele entendeu de onde tirava a motivação necessária para ir cada metro adiante. No topo do morro, apreciando a alvorada e além, decidimos oficializar que a Divisão de Ações Ciclísticas Sujas do Clã do Gallo Preto, ou DACS para os íntimos, deveria ser reconhecida onde estivéssemos, fosse asfalto ou terra.

estrada real

estrada real

E era essa tradição toda que Srta. Hellen Dawson tinha agora a sua disposição para não se mostrar acanhada a enfrentar uma estrada digna de suas antepassadas que estiveram na segunda guerra mundial (ou você realmente acha que naquela época tinha maxi big ultra mega blaster trail dos infernos?). Naturalmente que os 100kg ou mais a mais do que dona stefânia e também considerando que dessa vez tinha bagagem traziam um tempero para o trem.

subindo a serra

subindo a serra

ainda falta muito?

ainda falta muito?

há algo mais entre o céu e a terra

há algo mais entre o céu e a terra

no topo

no topo

E lá em cima chegamos, para a incredulidade de uma casal que descia num uno velho e parou para me perguntar se eu estava perdido enquanto tirava umas fotos.

Não havia como explicar para eles o quanto eu estava realmente me encontrando.

perdido?

perdido?

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14/09/12 quem sabe se experimenta com uma full hd

Eu estava na loja / oficina do Chico essa semana comentando sobre como dona stefânia tinha ficado suja no pulo a Monte Verde MG (deixei ela lá para lavar) e aproveitando o dedo de prosa fui conferir a data e a quilometragem da última geral para saber se já era hora de trocar o óleo do cardan.
Ele começou a rir que era uma absurdo só me conhecer a 6 meses e já estar na hora de trocar o óleo do cardan que é a cada 10.000km. Sim, 10.000km de viagens em 6 meses, mais um bocado de boas amizades no mesmo período, como o grande Chico ou a própria Pagu, daqui de Vitória ES.
Mas os últimos 2.000km dessa empreitada somaram na última viagem no fim de semana que passou, com a volta ali na esquina de Monte Verde MG a convite da turma dos DOGs de Bhz, Carlão da Carlinha e Matheus da Zelda. O povo do clã resolveu ir em peso, inclusive o povo que não é DACS (ainda), afinal o clã nasceu bem antes da paixão de alguns por motoqueirismo.
Uma das vantagens de uma viagem longa é experimentar vários climas num mesmo dia, coisa que não se percebe numa viagem de carro hermeticamente fechado em seu ar condicionado e som de dvd. Na estrada o ar é que te condiciona a aceitar o frio do sereno da madrugada ao sair, combinado com o calor escaldante do sol a pino no meio dia, para te entregar a temperatura amena do fim de tarde. Com sorte ainda pode ser presenteado com um pôr do sol.

um pôr do sol de presente

um pôr do sol de presente

Juro que dá para ver da janela do apartamento. Basta dependurar sua tv full hd na janela e escolher algum canal com belas imagens.

talvez fique bom na full hd

talvez fique bom na full hd

No caminho tive a infelicidade de parar em Oliveira MG, porque senão teria uma pane seca em seguida. Não quis arriscar voltar empurrando dona stefânia e ficar com sede. A água de lá não é muito benta. Que o diga o Broto Jr.
E o asfalto em si, tanto da BR262, quanto da BR381, estava convidativo, com uma dose adequada de curvas que tornam a viagem mais animada, já que particularmente não curto muito as infindáveis retas de alguns trechos da BR101 das últimas empreitadas.
Cheguei e já encontrei o pessoal a toda na pousada com mais de meia grade e meia animando a conversa, foi difícil entrar no ritmo. O evento em si ainda estava vazio na noite de sexta e o jeito foi continuar na pousada. Após Mestre Trindade desempenhar seus ofícios de desperdício de bebida e ainda discutirmos ufologia até acabar com as cervejas importadas que o Helton trouxe, resolvemos dormir. Até porque o Carlão da Carlinha já estava para reclamar que não entendia para que tanto barulho as duas da matina.

Vista da Pousada Locanda Belvedere

Vista da Pousada Locanda Belvedere

No sábado o calor estava demais durante o dia e acabou que a turma se espalhou para conhecer a cidade. Monte Verde MG tem uns passeios legais de cavalo, caminhada, trekking e quadricíclo. Ah! Tem aeroporto para quem quiser ir de avião e enviar a moto por carreto. Parte de turma resolveu ir para o quadricíclo, parte resolveu dar uma descansada para a noite e eu fiquei lá passeando com a velha heineken mesmo porque estava com preguiça. Até encontrei com o Peralta e foi bom saber que apesar do susto em Penedo RJ já estava ali para contar a história.
Ainda peguei um resto de final de tarde do evento, com uma banda muito boa cover do Iron Maiden (tinha até o Eddie!) e depois fui dormir. Não deu para ver como foi o evento a noite e madrugada adentro porque já havia combinado com a dona da pousada que ia acordar mais cedo no domingo só para me preparar um café.

Eddie e a Infinity Dreams

Eddie e a Infinity Dreams

Domingo cedo, aquela serração fina e cortante, o vento gelado, atravessei a área do evento que não estava com vontade de pegar o desvio que deixaram por uma estradinha de terra e já estava descendo a sinosa estrada que dá acesso a Monte Verde MG. Parei para ver o nascer do sol, mesmo que seja possível ver na tv full hd.

o sol de um novo dia

o sol de um novo dia

Na volta tive que fazer uma parada emergencial devido a uma tarefa indelegável, o que atrapalhou um pouco a programação que tinha traçado de paradas de abastecimento. Poderia ter segurado até o posto em Oliveira MG, mas se tomando a água já complica, imagina se bate na bunda, aí fudeu de vez. Melhor não arriscar.

aqui é melhor ficar com sede

aqui é melhor ficar com sede

Belo Horizonte MG e metade da viagem ficavam para trás na subida da perigosa BR381 no trecho até João Monlevade MG. O engraçado é que vi dois acidentes de caminhão na reta no trecho Bhz – Sampa, provavelmente porque o motorista dormiu, não tem explicação. Enquato isso na chamada rodovia da morte, nada de mais, graças a um bocado de radares bem posicionados antes das curvas mais travadas.
Final do dia e fazia a última parada em Venda Nova do Imigrante ES, o tempo escureceu e desci a região serrana do ES praticamente no faro. Porque ora era o farol de dona stefânia que não ajudava no breu danado, ora era algum desinfeliz que subia no sentido contrário com o farol alto.
Não importa, completei mais 10.000km de estradas, dando motivo para o Nuanda continuar a me chamar de “iron butt”, estive junto do povo do clã num ótimo fim de semana, ajudei o Carlão da Carlinha a manter sua ranzinice e ainda economizei a grana que teria que gastar numa tv full hd. Perfeito.


10/06/12 missão itaguara

Fúnebre Flâmula

Quando você se encontra embaixo daquela chuva fina que parece que não vai acabar nunca, pára num posto para abastecer e pensa: “ótimo, essa é a última perna da viagem de volta para casa”, você passa a se questionar o motivo de tanto sacrifício.
A moça do caixa vendo minha situação ainda quis tornar aquela sina mais branda: “O pessoal que está vindo de Vitória disse que a chuva começou lá. Aqui estava tranquilo até agora, a chuva deve estar subindo a serra. Não deve ter mais quando descer.” Eu sabia que ela não tinha muita razão, exceto pelo fato da falta de sentido de cair chuva em pleno Junho, afinal a região serrana do Espírito Santo mantém o mesmo clima entre Ibatiba e Viana. E eu vinha debaixo de chuva desde que comecei a subir a serra. E descendo a chuva me acompanhou até Vitória. Um novo recorde pessoal de estrada na chuva e sem capa. Para a alegria de um companheiro, molhei até a cueca!
Mas aí você se pergunta o que diabos estou fazendo ali? Já tinha um tempo que devia uma visita ao companheiro Isaac em Itaguara MG, onde ele mora durante a semana devido ao trabalho. Não só pela visita ao irmão de clã, mas porque tinha que lhe entregar nossa fúnebre flâmula. Fiquei feliz pela confirmação do Broto Jr que apareceria por lá também, precisava falar com ele. O Nuanda nos trocou pelo Camping & Rock e Hermano estava viajando a trabalho.
Não importa, estava ali, a alguns quilometros de casa (apesar que considero a viagem minha casa), após algumas horas subindo a BR262 e em seguida a Fernão Dias, na companhia dos velhos frangos, conversando sobre o tempo, o espaço, relações sazonais e é claro políticas públicas. Com um pouco mais de discussões como essa já poderemos escrever uma tese de sociologia.
Ainda aproveitei para visitar a família em Belo Horizonte MG. Dedé, meu irmão não só de clã, como de sangue, inventara um churrasco da turma dele. Fui lá para curtir a tarde de sábado antes de descançar para o retorno no domingo. Foi bacana demais não só pela galera do Dedé, todos assíduos frequentadores do borracheiro, mas por encontrar o Binho, um dos amigos leitores dessas histórias para boi dormir que eu escrevo.
Falando sobre a estrada mesmo, bem, o trecho pior até então, que é o entorno de Manhuaçu está sendo recapeado. Isso é um alívio, pois o asfalto nesse ponto estava muito ruim. Na ida resolvi passar por João Monleavade MG, ao invés do caminho de sempre por Ponte Nova MG, só para variar. Apesar da distância mais curta, continua um trecho muito perigoso pelo traçado das curvas e topografia, além do trânsito intenso. Vale a pena evitar.
Na volta, o trecho entre Belo Horizonte MG e Mariana MG, velho conhecido, exige um pouco de atenção devido as obras de recuperação de desmoronamentos em função das chuvas do verão. Mas nada que assuste, basta estar de olhos abertos. E um frio considerável, tanto na vinda como no retorno. Principalmente depois de ficar molhado até a cueca. Cai alho!
Então porque tanto sacrifício? Porque estar ali? A cada abraço dos irmãos que visitamos descobrimos que quem tem um “para quê”, enfrenta qualquer “como”.


Tríade Sudestina

Sem vir aqui nas últimas semanas, mas me organizando para postar com um ritmo melhor!

Final de 2011 sem férias, trabalhei sozinho debaixo de chuva enquanto todos da empresa viajaram durante as férias coletivas. Mas a emenda foi melhor que o soneto: já é final de janeiro, as estradas estão um pouco mais vazias, a chuvarada já passou, e irei tirar a última semana do mês para fazer um roteiro que há muito desejo. Roteiro destes que a gente guarda na manga para uma semaninha de folga que aparece de sopetão. Dona Onça está revisadinha, sedenta por uns bons 1.600km.

O roteiro em questão foi denominado pelo mestre como A TRÍADE SUDESTINA

BH - SP - RJ - BH

Fernão Dias, Rio-Santos, BR 040

BH – SP – RJ – BH

Quase full-Sudeste: das capitais sudestinas, apenas Vitória ficará de fora. Gostaria de esticar até lá e beber boas doses com camarada Fantini, mas a quase-uma-semana é mais curta do que eu gostaria que fosse. 

Quase uma semana para visitar amigos: – Verônica, Hellton e Gigi, Melão e Mosca em SP; Renata, minha irmã mineiroca no Rio. Intensivo de aniquilação de saudade.

OS CAMINHOS

A Fernão Dias, parceirona de uma tocada só, me fará chegar em SP antes das 14h da próxima terça, dia 24/01. Minha atração por esta rodovia é enorme, mas nela restrinjo meu olhar ao asfalto, ao retrovisor, aos caminhões e sinalizações. Feita para chegar. Só podia mesmo ir para São Paulo.

Rio-Santos: a promessa de paisagens paradisíacas, a maresia em quase todo o percurso, o perigo das curvas e a possibilidade de pernoitar em uma cidade a beira-mar me fizeram desistir da Dutra (irmã bastarda da Fernão Dias) e seguir por Caradhras.

BR 040: Volta monótona, chata, muitos buracos de Juiz de Fora até BH. Com exceção da Serra e dos primeiros 70km após o Rio de Janeiro, a única coisa bacana da viagem de volta será um pão com filé completo no Roselanches.

Tentarei postar durante a viagem.

Abraços do Broto.

It´s a nice day for a ride!


24/10/11 mas bá, esse guri estais a falar de ti

Nosso amigo comunicólogo tentando ser charmoso:

http://download.sgr.globo.com/sgr-mp3/cbn/2011/colunas/papo_111024.mp3


Tiradentes 2011 – Fotos

CLIQUE AQUI!!


Blumenau – BH: Volta Solitária PT 01

De maneira inversa a uma lógica textual clássica (se é que nos preocupemos com isso neste espaço), neste meu primeiro texto sobre Blumenau 2011 irei mais concluir do que introduzir, descrever ou listar eventos de forma cronológica.

Não que exista um real motivo para isso. Talvez porque a viagem não acabou – Rafael Leander e Hermann John ainda estão na estrada, e o meu retorno prematuro e solitário fora previamente definido por compromissos profissionais. E apenas juntos conseguiremos uma descrição de tudo.

Se quiser ir mais além, e levar em consideração o texto do Gustavo Fantini (leia aqui), posso dizer que a viagem nunca acabará, já que “uma viagem só vale a pena se ela te transforma”.

Se uma viagem nos transforma, é porque ela se instalou em nosso corpo, alma e mente. Suas marcas não fogem pelo ralo junto à água suja a escorrer logo na lavagem que retira das motos o barro, a poeira de asfalto, o minério e os insetos esmagados.

O caldo grosso que escorre nos primeiros jatos de água é apenas a sujeira. Sujeira essa que pode sim revelar, após sua retirada, algum tipo de marca mais ou menos permanente – como um inesperado arranhão no tanque que estava misturado ao barro seco. E só.

As verdadeiras marcas em nós tatuadas por uma viagem capaz de nos transformar ultrapassam todas as camadas da pele. Devem envolver não só auto-superação (como já relatado aqui), mas proporcionar reflexões que superem as faixas do asfalto.

O caminho pode deixar marcas mais significativas do que o destino.

Belo Horizonte – Blumenau. Do nosso ponto de encontro para a partida até o albergue no qual nos hospedamos, nós percorremos 1.195km (pela marcação da minha moto). Destes, 590km até São Paulo, 190km até Registro, interior de SP, cidade na qual pernoitamos após a primeira jornada. De BH até SP a viagem fluiu muito bem. Sem sustos por parte dos barbeiros de plantão ou adversidades climáticas.

Já os 190km restantes até Registro (nosso ponto programadado para pouso), nos presenteou com um grande congestionamento e chuva razoavelmente fina nos quilômetros finais. O que não diminuiu os 780km de nossa primeira jornada.

Os 415km do dia seguinte foram marcados por tempestades, caminhões, roupas e botas encharcadas, capas de chuva rasgadas pelo vento. Sem contar nas serras que não levam o nome “azeite” de graça, na neblina e no frio cortantes, mesmo em uma tarde de céu claro.

Como disse, meu retorno foi prematuro. Após dois dias de viagem com Muamba e Hermann, passei três noites em Blumenau (o que renderá postagens futuras mais específicas). Chegamos à cidade no início da noite de Quinta (13/10), e parti sozinho para a viagem de volta no Domingo, dia 16/10. Acordei tarde e saí ainda sem café, por volta das 13h. Às 14h00, parei para almoçar na estrada. Aproveitei o buffet de saladas e comi apenas alimentos mais leves. Uma barra de cereal complementou o desjejum tardio.

O ideal em uma viagem dessas é parar o suficiente apenas para suas necessidades – desidratação e hidratação, como diz Fantini, e um lanche rápido para não pesar o estômago. Esticar as pernas, um alongamento leve, pronto. Mas, desta vez, eu prolonguei bem mais o pit-stop. Não foi algo consciente.

A saída de sopetão ainda não tinha permitido que minha ficha caísse, até então. Eu estava no início de uma viagem de 1.200km, na qual eu gastaria duas jornadas sobre a moto, atravessaria quatro Estados, enfrentaria estradas lotadas, caminhões e SUVs ensandecidos, muita, muita chuva, e sozinho. E não imaginava que o game mode VERY HARD seria realmente tenso. D.A.C.S. puro.

A ficha caiu ainda durante a refeição. O frio na barriga me causou leve enjôo, e preferi não comer o naco de carne que servi no prato. Muita coisa passou rapidamente pela minha cabeça naquele momento: chutar o balde, voltar para o albergue e continuar a viagem com os camaradas; despachar a moto e pegar um avião (calma, foi apenas uma brincadeira).

Me perguntei se realmente conseguiria. Me questionei se estava preparado fisicamente e, principalmente, psicologicamente. Não obtive respostas. Eu já sabia que estas encontraria apenas na estrada. Conferi rapidamente alguns apertos na moto, verifiquei a gambiarra que estava segurando a placa, montei Dona Onça e parti de vez.

Logo nos primeiros quilômetros de uma estradinha local que levaria até a BR 101 eu já tive o primeiro baque: a ausência dos companheiros à frente e nos retrovisores. Eu “puxei a fila” por quase todos os quilômetros da viagem de ida. Alí, Hermann e Muamba se alternaram na cobertura de nossa retaguarda. E saber que alguém em quem você confia e possui entrosamento está te “cobrindo” transmite uma segurança imensa durante o exercício da “função” de “batedor”.

Mas, como disse, naquele momento eu estava sozinho. (https://gallopreto.wordpress.com/category/tempo-e-viagem/)

Continua…


02/07/11 consulta rápida no dentista

Fazem quinze dias que mudei de estado e cidade, vindo parar em Vitória no Espírito Santo. Vamos ver se dessa vez eu paro quieto num canto, empresa nova, vida nova, mas não vem ao caso. Havia trago boa parte da mudança (algumas coisas foram parar em Bhz porque na nova república já havia alguns móveis), mas dona stefânia, tadinha ficou para traz em Mariana. Não satisfeito em abandoná-la a própria sorte durante esses quinze dias, ainda moveram a coitada de garagem, porque na antiga república, a dona resolvera reformar a alvenaria e terminar o revestimento. E eu aqui na fila do embarque para pegar o avião para Bhz com toda a parafernália – capacete, jaqueta, coturno, alfoje, fora o kit de sobrevivência ao relento – protagonista de cenas insólitas, ao menos que você, caro amigo, já tenha visto algum motociclista nesta situação desconfortável. No check-in aceitaram que eu levasse as tralhas como bagagem de mão, menos mal. Depois de um pequeno atraso, embarque. Tive que pedir desculpas aos demais passageiros porque não conseguia enfiar o maldito alforje no compartimento de bagagem e antes que a comissária reclamasse, enfiei ele entre as pernas. O que já é desconfortável, ficou mais ainda. Seriam os 50min mais longos de minha vida, não fosse a sorte de sobrar um assento exatamente ao meu lado! Ser motociclista com fama de mal encarado, tem suas vantagens! Então fomos nós, eu e meu alforje, cada um em seu assento devidamente alojados. No desembarque pai estava lá para me dar carona, bem, quase, perdera o celular que achamos em seguida e sumiu lá no saguão. Encontramos com a mãe do Hugo, ele estava chegando para férias em Bhz (consegue estar mais distante que eu morando no Acre) e não podia deixar de esperar para dar um abraço no velho amigo. Puta coincidência. Igual uma vez em Iriri. Bem, essa de Iriri, foi mais coincidência ainda (mas é outro causo). Retorno para Bhz, família junta, uma visão geral das reformas lá em casa e se esbaldar na melhor feijoada da cidade que fica no quarteirão seguinte lá da rua. Além de bom, é barato. E ainda temos que brigar com a cozinheira para ela colocar pouca comida no prato feito. Muitos amigos já penduraram as chuteiras depois do prato cheio. Pena que o prazo era pouco para ainda pegar um trupico. Pai me levou até Mariana e a ansiedade já era grande. “Acha que ela vai funcionar?” perguntou com seu sutil sarcasmo de sempre. “Cai alho! Claro que vai.” Na verdade gastei mais tempo chamando a proprietária do estacionamento onde dona stefânia estava, do que tentando ligá-la depois dos quinze dias apagada. Uai, ela ligou depois de seis meses sem minha presença enquanto estava no Pará e dessa vez só engasgou para fazer charme. Maravilha de ronco em seguida! Despedi de pai e fui para São João Del Rey. Já havia solicitado um canto no terraço da casa do Daniel Spectro, do Filhos da Revolução, e apesar do incômodo durante o translado aéreo, o kit relento viria bem a calhar. Viria nada! O desinfeliz não deixou eu curtir o espírito da coisa e me alojou num quarto com chuveiro quente e tudo. Muito agradecido, como sempre, pela hospitalidade do companheiro e família. A única ressalva era trazê-lo de volta hoje, porque ontem tinha chegado cedo de Tiradentes, cinco da matina. “Ao menos traz o pão da próxima vez”, reclamaram seus familiares. Depois do café e prosa, fomos para Tiradentes. Estava bombando, estava cheio, estava demais. Achei o povo do Clã por telefone, estavam no Dona Xepa esperando a bóia, cai alho, já era mais de oito da noite, aonde é que eu estava que gastei tanto tempo para chegar? Tentei falar com o Macedo por telefone e nada, só caixa postal, então galera do Rio, fica para próxima. Achei o Billy e o 02, do Banished, e o Peralta do Dogs. O Peralta estava tomando coca-cola! Cara consciente, mas reza a lenda que a cada latinha que comprava, ganhava dois misteriosos copinhos de dose. Galera de sampa, desculpe o pouco tempo de prosa, mas tinha que encontrar com o povo do Clã. Lá estavam Hermano João, Broto “Billie Jean” Jr e Nuanda e suas respectivas. Bom, Broto Jr com sua respectiva baixa resistência ao alcóol protagonizando nossa felicidade. Diga-se de passagem que o tal estabelecimento Dona Xepa é muito bom, bom demais se seu objetivo é ficar mais de hora esperando uma porção de batata frita, linguiça e costelinha. Tudo bem que o evento estava lotado, mas dentro da bodega estava vazio. Com essa demora também, está explicado. Até o chopp já chegava quente na mesa após 5min de translado entre a bomba e a mesa. Todos comidos, fomos para a tenda da Krug Bier, onde o camarada de 4 anos seguidos faz seu show de voz e violão interminável e sem intervalos. O cara deve ter um pacto com algum santo para conseguir ficar direto sem parar, muito bom e o repertório atendia, conforme Hermano João, “gregos e troianos”. “Espartanos também” acrescentei. Ainda encontramos o Ebin, do Rasta Brasil. Saudade quando esse cara tinha moto! “Vamos esperar até janeiro”, frisou comigo. Ademais, estava excepcional! Mesmo para mim que foi uma consulta rápida ao dentista, no dia seguinte cedo viria para Vitória. E quem não foi, simplesmente perdeu! Ah! E o Daniel Spectro sumiu no meio da multidão, minha sorte é que ele resolveu chegar logo depois de mim e evitou que seu pessoal puxasse minha orelha. Eta rapaz danado esse! Born to be uai!


25/06/10 de volta ao dentista

A região da Estrada Real, que concentra as cidades históricas de Minas da época do ciclo do ouro, tem um clima muito interessante no inverno. Por incrível que pareça faz calor durante o dia, a ponto de incomodar ficar exposto ao sol. Já à noite, a temperatura cai bruscamente e, ao arrepio de alguns amigos meus, faço uso do velho e bom cachecol. Considerando esse clima e não podendo perder o Tiradentes Motorfest no fim de semana (afinal seria um revival da primeira viagem com dona stefãnia), me programei para encontrar com amigos de Bhz, Nuanda, Ebin e Broto Jr, no sábado de manhã e descer para o dentista por volta de 09:00 no Posto Chefão na saída para o RJ. No final do dia subiria para Itaúna, pois também estava devendo uma visita (só tem quase um ano) a outro amigo, Flávio, que mora lá. Sexta logo cedo, aguardando reunião no escritório da empresa em Bhz (a unidade que trabalho fica em Mariana e nem precisa comentar que sai de madrugada de carro para estar cedo em Bhz), me aparece mensagem do Nuanda: “Fui”. Ca ialho, pensei, foi para onde diabos? Liguei para perguntar, não atendeu, mesmo depois de três tentativas. A resposta só vim a saber no meio da reunião com outra mensagem dele: “Tiradentes está demais, gente bonita e chopp da Krug. Se eu fosse você viria agora também”. A vantagem de nossos amigos e que podemos maldizê-los sem que isso gere qualquer intriga, portanto maldito Nuanda, isso lá é mensagem que se manda para alguém que está no meio de uma reunião discutindo um bocado de assuntos, menos moto? Depois ainda insistiu: “Já arrumei um quarto barato para passar a noite. Vem hoje mesmo”. Cai alho, vou dizer que foi um dos dias mais longos que já passei no escritório. Nem o interlúdio com aquela pelada que a seleção fez contra Portugal salvou. Finalmente 17:00 e estou livre. Livre? Bom, livre para voltar para Mariana. Uma ducha rápida (na verdade um chuveiro quente porque já estava frio), separa o essencial na bolsa de sissy-bar, três cuecas, quatro pares de meia, moleton, cachecol (lógico) e umas duas mudas de roupa. Armadura no corpo e pé na estrada. Já eram umas 20:00 quando sai de Mariana em direção a Tiradentes. Tanto o trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco e depois a interligação entre Congonhas e São João Del Rey, são estradas lindas com uma paisagem merecedora de muitas fotos. Bom, isso de dia, a noite e nesta época do ano, eu me perguntava se seria possível o Motul 5100 deixar de ser sintético e dona stefânia voltasse a ferver debaixo das minhas pernas como na época do Yamalube. Tudo bem, tudo bem, não serei tão rabugento, a lua cheia estava linda e era a cereja do bolo. OK, do sorvete. Em compensação acho que estou preparado para qualquer incursão ao Sul do país. Fora que companheiro cornija ficou lá encolhido, praguejando o frio, e nem me incomodou. Mais de 22:00 e chegava em São João Del Rey. Confirmei com o Nuanda onde encontrá-lo em Tiradentes e para lá fui, pela estrada velha mesmo, para o arrepio dos meus ossos que na conjunção do frio com os solavancos realmente pareceu que partiriam a qualquer momento. Tudo bem, o abraço do velho amigo ao encontrármos resolveu o problema. Tiradentes estava demais e principalmente a tenda da Krug Beer estava demais. Podem nossos amigos paulistas exaltar o Pinguim ou nossos companheiros cariocas aplaudir a Devassa, mas Krug Beer é cosa nostra! Chopp perfeito. Fora o camarada na voz e violão que estava muito engraçado com um repertório bem variado, passeando por vários clássicos. Ficamos lá com uma galera que o Nuanda conheceu durante o dia, pessoal muito bacana que vieram de speed. Antes disso, ainda vi o Tuí e o Alexandre Moreira lá na tenda da Motostreet. Por volta das 02:30 consideramos que já era hora de dar um tempo, mesmo porque o show acabara. No caminho para ir embora, não é que vemos novamente o Alexandre, agora acompanhado do Russo. Conseguiram nos segurar até depois de 04:00 da matina contando as peripécias do Russo para sair de Riberão Preto até Tiradentes. Não sei como ele conseguiu, mas deu uma boa volta por dentro da Lagoa de Furnas (até usou balsa), ficou perdido em estrada de terra, uma piada. Estava com a menina que conheçou em Riberão da época do passeio Dragueiro em Jardinópolis. Dois ótimos camaradas. Sábado de manhã, por volta de 07:30 fui agraciado com uma ligação do serviço bem no meio do meu sono embelezador. Informação sobre como estava o andamento de uma obra da empresa. A boa educação me impediu de falar que não queria saber daquilo naquele exato momento, mas foi uma informação pertinente. Segundo tempo de sono, 09:30 liga o Ebin: “Aqui, o Broto Jr não apareceu, como fazemos?”, “Larga a franga para trás” respondi e desliguei. Novamente a vantagem dos amigos é que podemos desligar na cara que ninguém deixa de te pagar cerveja por causa disso. Acordei mesmo por volta de 10:00. Banho e a surpresa de um super café na porta do quarto. Até que a “pousada” que o Nuanda arrumou era muito fina. No outro quarto tinha uma camarada com uma BMW, gente fina, mas não guardei o nome. Voltamos para o encontro e daqui a pouco esbarro com o Peninha, que estava meio com pressa e desapareceu na multidão. Mais um pouco e lá está o Ajota perdidão no meio do povo. Grande Ajota, companheiro de estrada e de muito encontros. Me confidenciou que já estava de olho numa moça de Goiânia. “Mas, Ajota, e a moça de Uberlândia?”, “Fantini, motociclista gosta de uma estrada, temos que ter vários destinos”. Realmente ele tem razão. Demos uma volta pelo evento e como eu disse o calor do dia começou a incomodar. Nenhuma notícia do Ebin ainda. Liguei, fizeram um pit-stop em São João Del Rey. Encontramos novamente a galera de speed de ontem. Vim a saber que uns deles queria mais que todo mundo se fodesse, explico, é dono de motel. Pouco depois de 14:00 despedimos do pessoal, dei um último abraço no Ajota e eu e Nuanda pegamos estrada. Ele tinha compromisso em Bhz e eu ainda tinha mais um asfalto até Itaúna. De dia a vista da estrada entre são João Del Rey e Congonhas é um espetáculo, viemos até num ritmo mais lento, lembrei-me do PE-49. Fomos assim até pouco depois de Lagoa Dourada, onde aceleramos o ritmo pois havia ficado um pouco tarde para nossos objetivos finais. Como ainda estava sem almoço um pequena parada em Congonhas para um pão de queijo. Despedi do Muamba, apesar que ainda dividiríamos a BR040 até o Anel Rodoviário, onde eu desceria para a Cidade Industrial e depois pegaria a Fernão Dias e ele desceria direto para Bhz pela Nossa Senhora do Carmo. Já sozinho na Fernão Dias, passei pelo velho caminho de sempre até Itaúna, passando por Igarapé e depois Itatiauçu. Quando parei para reabastecer na saída de Bhz, o frio já começara a cortar e melhorei minha condição térmica com um cachecol (sim, já deve ter alguém comentando: “cai alho de cachecol, Fantini”, mas faz muita diferença no frio). Cheguei na casa do amigo Flávio e a festa de aniversário da filha dele já estava bombando. O bom foi rever a Michele, uma amiga lá de Itaúna, linda como sempre. Aliás ela estava muito arrumada no vestido de festa e o brutamontes de jardim aqui (no alto dos meus 1,67m) com a armadura toda imunda por uma chuva de barro que tomei de uma carreta na estrada. Um cena típica de qualquer ser motoandante. Muita cerveja depois e ao fim da festa, lá estava eu capotado na cama improvisada na sala da casa. Tudo perfeito. Assisti aos dois excelentes jogos do domingo. Alemanha e Inglaterra, para mim até o momento o melhor jogo da Copa, e Argentina e México. Em seguida despedi do Flávio e família, missão Itaúna cumprida. Novamente a solidão do asfalto em direção a Mariana. Solidão? Lá estava eu com dona stefânia e companheiro cornija, este impagável e novamente praguejando o frio. Emprestei para ele o cachecol.


15/08/09 royal highway

Olha só como é a vida. O que estava combinado era somente rodar quase sem destino no sábado – na verdade tinha programado finalmente fazer o trecho da estrada real entre Ouro Branco e Ouro Preto – junto com o grande Broto Jr que ainda está se acostumando com sua imperial Viragosa 535.

Bem, cumprindo com minha vida de morador do interior, viajei para Bhz na sexta. Daí a pouco o Broto Jr me liga. Já imaginei: “lá vem ele mijar para trás de novo”. Qual nada, um amigo nosso ia tocar com sua banda no covil dos Vutu’s e não podíamos perder. Quem sou eu para discutir com um amigo, também motociclista, e que ainda me chama para um show de rock numa sede de Motoclube?

Chegamos lá e tenho que reconhecer que o local está muito fino, parabéns para a galera do Vutu’s. Para quem quiser conferir, fica na R. São Paulo 1480 próximo a Av. Bias Fortes no centro. A parte divertida é que o local era uma antiga boite (ou puteiro para os mais ávidos). Sou suspeito para falar do show, afinal a banda Metalzone é de pessoal amigo de longa data, mas para quem curte um black sabbath ou um motorhead pode ir no próximo show de olhos vendados.

Antes de meia noite Broto Jr decide ir embora: “Vou descançar para amanhã.” Até mais e fiquei pensando… Amanhã? E o que diabos tem amanhã? Cai alho, o passeio na estrada real. Acho que as doses de guaraná antartica me deixaram meio grogue. O melhor era ir para casa também e descançar para o sábado.

Às 08:00 em ponto, conforme combinado, lá estava o Broto Jr na porta de casa (quero dizer casa dos meus pais). Logo de cara vi o cabo do hodômetro da Viragosa solto e providenciei o reparo. “Pô, Gustavo, começamos bem, hein?”. Calma, Deus cuida bem dos seus bons filhos, e toda a má sorte foi descarregada neste cabo solto que já está OK. Partimos para a estrada.

Subimos a BR040 em direção a Ouro Branco. Primeiro pit-stop no Topo do Mundo na Serra da Moeda para uma sessão de fotos. Volto a recomendar pela vista e pelo clima. Bom, para aqueles que andam reclamando da rebeldia dos cabelos (saem e não voltam), recomendo não retirar o capacete ou ainda treinar com seu mestre jedi para retirar o capacete e colocar imediatamente um boné. O vento que no local é excelente para a prática de paraglide, também é conhecido por levar os cabelos embora. Sinceridade, se amarrasse uma pipa no sissy bar, era capaz de levantar a dona stefânia.

Voltamos para a estrada, deixamos para a trás a maravilhosa vista e trocamos o vento de arrancar os cabelos pelo vento no peito. Se bem que somente eu troquei, afinal Broto Jr colocou uma bolha na Viragosa. Não sei se dona stefânia ficaria bonita com uma, mas eu prefiro mesmo o vento no peito.

No Viaduto das Almas, as obras para algum dia ligar o novo viaduto já pronto com a pista da BR040 (dizem que entregam em 2010) atrasam um pouco a viagem. Eu não ligo, afinal se já é perigoso de carro passar próximo a caminhões e escavadeiras, de moto então. Já imaginou tomar uma conchada de escavadeira bem no meio da viseira? Fria.

Finalmente Congonhas e logo em seguida a saída para Ouro Branco. Em Ouro Branco um necessário pipi-stop. E então a parte mais esperada, o minúsculo, mas fantástico trecho de 30km da estrada real entre Ouro Branco e Ouro Preto. Reduzimos a marcha e fomos tranquilamente nos atentando a cada detalhe. A vista é algo a parte e a estrada através da serra é um espetáculo.

Paramos próximo a uma das antigas pontes de pedra da estrada original (ficam fora do asfalto para o trãnsito não danificar) para uma sessão de fotos. Se não me engano são no total 5 pontes. Se considerar que foram erguidas a uns 300 anos atrás e ainda estarem lá, temos que respeitar a capacidade dos antigos arquitetos e operários. Eu particularmente acho algo para se orgulhar do ser humano, apesar de todos os nossos defeitos e pecados.

Em seguida passamos em frente a saída para Lavras Novas e continuamos em direção a Ouro Preto. Um novo pit-stop na Praça Tiradentes. Atenção dessa vez foi só pit-stop, não venham nos chamar de vândalos e pessoas sem pudor que se aliviam num patrimônio histórico. Tinha uma galera grande lá também a passeio de moto, provavelmente a caminho de um moto encontro que estava tendo em Ponte Nova.

Seguimos para Mariana onde almoçamos para repor a energia. Como eu tinha que participar de um seminário no domingo e segunda em Bhz e não podia ir com dona stefânia, deixei ela em Mariana e subi de volta para Bhz, acompanhando Broto Jr de picareta.

Com a vontade satisfeita com relação ao passeio na estrada real, ficou uma sensação de que deixamos algo para trás… Ah, é! Foi a má sorte lá no cabo do hodômetro solto.