Prudens quid pluma niger secundum

Posts com tag “dona stefânia

13/06/13 renascimento

Ainda me restavam quatro preciosos dias de viagem e tendo conseguido organizar uma visita a praticamente todo mundo e passeado por estradas praticamente conhecidas, era momento de encontrar comigo mesmo e em seguida partir para o desconhecido logo ali após uma encruzilhada. Desculpe, mas depois que se descobre que “uma viagem só vale a pena quando ela te transforma”, acabamos por buscar novas fornalhas e malearmos nossa alma novamente.

Porque não colocar uma música na vitrola?

Mas antes era prudente pedir a benção (que se mostrou necessária em seguida) daquele que tem a pena preta. E assim, saindo de Itaúna MG, rumei para a entrada de Ouro Preto MG. A velha MG431 que liga Itaúna MG com a BR381 Fernão Dias ficava cada minuto mais distante a medida em que avançava sobre a BR356. Naturalmente que tivemos o velho e bom banho de lama de mineração dos caminhões que trafegam na região de Itabirito MG, nos ensina a sermos humildes.
No trevo entre Ouro Preto MG e Mariana MG pego direção desta última, mas apenas para descer um pequeno trecho de serra até o bairro de Bauxita (não é uma serra do rio do rastro mas tem lá suas traiçoeiras curvas) e de lá pegar a bipolar MG129 ou MG443, que já que não sabe qual sigla deve ter, carinhosamente mantemos sua nomenclatura original de Estrada Real. Um trecho de apenas 32km da estrada completa entre Ouro Preto MG e Ouro Branco MG.

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

Era ainda idos de 2009 quando passei aqui a primeira vez com a saudosa dona stefânia e não tendo culhões para subir para Lavras Novas MG (tem um trevo mais ou menos na metade do trecho), acabei resolvendo subir por um outro trevo, mais a frente que desembocaria num conjunto de antenas.
Imaginei, uai, antenas, deve ser um topo de morro legal com um vista boa e lá me enfiei, moto e tudo. O pedaço de asfalto não durou mais que 200m e me vi enfrentando pela primeira vez uma estrada de terra com uma moto custom. Muita gente teria torcido o nariz, mas lembrei do que significava o DACS para o clã e me embrenhei vereda adentro.

serra de ouro branco

serra de ouro branco

Eventualmente, após pegar um entroncamento errado aqui, outro ali, rodar meio que perdido e lembrando que não tinha tanto combustível assim, consegui acertar o caminho serra acima. Uma estradinha de terra para matar saudade de dorothéia, companheira dos tempos de trilha, com aqueles belos rasgos de enchurrada que insistiam em dividir a atenção com o horizonte mágico a minha volta.

vai dizer que não sentiria saudades também?

vai dizer que não sentiria saudades também?

Praticamente um ano depois, eu acho, levei Nuanda lá também, ele ainda tinha a XT e ficou embasbacado de como eu conseguia subir naquela estrada com dona stefânia. Mas ao longo do caminho ele entendeu de onde tirava a motivação necessária para ir cada metro adiante. No topo do morro, apreciando a alvorada e além, decidimos oficializar que a Divisão de Ações Ciclísticas Sujas do Clã do Gallo Preto, ou DACS para os íntimos, deveria ser reconhecida onde estivéssemos, fosse asfalto ou terra.

estrada real

estrada real

E era essa tradição toda que Srta. Hellen Dawson tinha agora a sua disposição para não se mostrar acanhada a enfrentar uma estrada digna de suas antepassadas que estiveram na segunda guerra mundial (ou você realmente acha que naquela época tinha maxi big ultra mega blaster trail dos infernos?). Naturalmente que os 100kg ou mais a mais do que dona stefânia e também considerando que dessa vez tinha bagagem traziam um tempero para o trem.

subindo a serra

subindo a serra

ainda falta muito?

ainda falta muito?

há algo mais entre o céu e a terra

há algo mais entre o céu e a terra

no topo

no topo

E lá em cima chegamos, para a incredulidade de uma casal que descia num uno velho e parou para me perguntar se eu estava perdido enquanto tirava umas fotos.

Não havia como explicar para eles o quanto eu estava realmente me encontrando.

perdido?

perdido?


10/06/13 adeus à bezerra

Uma parede de neblina insistia em se manter a minha frente. Isso porque já havia avançado bem a BR381 Fernão Dias em direção a Bhz. Acredito que dava para ver aproximadamente uns 10 metros a frente e olhe lá.
Mas, Fantini, de São Paulo a Belo Horizonte é um trecho curto, poderia ter saído mais tarde e evitado o frio cortante da manhã. Bem, isso não estava nos planos de Sabbath, o gato, e eu preferia não ter um hemorragia interna sem explicação.
E se o motor funcionando em temperatura adequada foi a salvação no trânsito travado de São Paulo, agora na neblina gelada senti até saudade do tempo em que cozinhava os bagos em cima da panela de óleo abaixo do banco de Hellen Dawson. Até lembrei da primeira vez que peguei um tempo de inverno com a saudosa dona stefânia a noite, retornando de Bhz para Mariana, idos de 2009. Naquela noite parei umas três vezes e fiquei abraçado no motor em funcionamento antes que pegasse um pneumonia. É, há coisas mais perigosas na vida do que um gato metido a besta.
Cheguei em Bhz na hora do almoço e após rever mãe e descarregar as tralhas na casa do imperador, fui finalmente comprar um capacete novo. O velho zeus aberto companheiro de muitas desaventuras já apresentava sinais dos kms sob chuva, sol, frio, besouro e toda sorte de sujeira possível. Teve até um passarinho suicida que deu um razante na viseira certa vez.

Infelizmente não havia uma cor mais espalhafatosa

Infelizmente não havia uma cor mais espalhafatosa

Em seguida já estava convocando o povo do clã para homenagear nossa querida bezerra morta. Tentamos ir no Vintage 13, mas como era segunda, estava fechado. E assim ficamos no Amarelinho da Savassi mesmo.

Preocupado

Preocupado

Na terça fiquei por conta da família, já que na quarta tinha encaixado uma visita para o Flávio lá em Itaúna MG. Como Itaúna MG fica logo ali a uns 100kms, não tinha motivo para sair muito cedo e finalmente pude pegar um clima agradável para curtir a estrada.
Pena o trecho curto, descendo a BR381 Fernão Dias sentido São Paulo, para logo após a Serra da Pedra Grande em Igarapé MG, pegar a MG431 sentido MG050. Outra opção seria subir a BR262 após Betim MG e pegar a MG050 na altura de Mateus Leme, mas sempre prefiro o caminho da serra por ter uma sequência bacana de curvas.
Já encontrei com o Flávio no supermercado, abastecemos de cerveja e carne e pronto, mais dois dias de preocupação com a coitada da bezerra. Um ótimo adeus à bendita.
E até aqui basicamente pilotando por estradas cuja maioria eram mais que conhecidas, paisagens que apesar das repetidas vezes, não me canso nunca de rever. Sim, desde quinta, dia 30/05 entregue ao que o clima e o asfalto me oferecessem e aproveitando a recepção calorosa de todos os amigos e irmãos. Não sei bem o que dizer a respeito a não ser: experimente também.

#vem para estrada

#vem para estrada


19/05/13 cavaleiros medievais

Antes de continuar, porque não colocar um som na vitrola?

A um tempo atrás eu havia comparado nossa atitude de viajar rincões afora numa moto a aquela dos cavaleiros medievais, que portando seus cavalos atravessavam reinos e alcançavam terras distantes.
Quando retornavam, traziam algo além das cicatrizes e peles calcinadas pelas intempéries que enfrentavam. Traziam também a experiência de ter vivenciado outras paragens, outras culturas, e de seus relatos dessas terras maravilhosas, nascia o fascínio que os aldeãos (que nunca teriam a oportunidade de conhecer um mundo além de suas cercas) nutriam por estes cavaleiros e que se tornou sua maior imagem que nos passam tantos contos e histórias.

Motoqueiros ou cavaleiros medievais?

Motoqueiros ou cavaleiros medievais?

Ao menos é o que me vem a cabeça para tentar explicar porque causamos o mesmo facínio nas pessoas. Sim, muitos irão questionar o porque de suportarmos tanto desconforto que uma viagem de moto proporciona (na verdade é exatamente o contrário, já comentei sobre isso), mas sempre ficam nos olhando com aquela cara de “gostaria também de ter a oportunidade (coragem) de ultrapassar minhas cercas e me lançar ao desconhecido”.
Dito isso, retorno a uma discussão técnica que tenho vivenciado com o Maia. Ele um “novato” que já fez viagens que até deus duvida no pouco tempo de moto e sendo um ex-pacato professor de direito, defende o direito que todo e qualquer indivíduo tem de adquirir o que bem entender e ainda utilizar ou não utilizar tal bem da maneira que achar mais adequada. Sim, fiz esse rodeio todo para comentar a respeito do que torna alguém motociclista (ou motoqueiro como tenho preferido ultimamente), na minha mais humilde opinião.
Comprar o veiculo e se fantasiar ao bel prazer de uma forma que mais me parece inconscientemente criada por modelos de marketing e por este fascínio que comento acima (e as vezes pouco ou nada a ver com o indivíduo), na minha humilde opinião não torna alguém motoqueiro. Bom, talvez motociclista, sim aquele que faz questão de se destacar de pobres almas que não tem a mesma oportunidade de usar moto somente por prazer e sim para ganhar o suado pão.
E até bem pouco tempo atrás não tinha tal consentimento, mas das discussões com o Maia, acredito que aqueles que vivem de criticar o comportamento deste ou daquele motociclista ou motoqueiro, seja pela oportunidade de usar marca A ou B de moto, seja  por usar para ir na padaria, pequenos eventos ou levar na oficina em outro estado também não sejam motociclistas ou motoqueiros.
Cai alho, Fantini! Então o que diabos você acha que te faz motociclista ou motoqueiro?

Nós e outras figuras que causam fascínio

Nós e outras figuras que causam fascínio

Serei sincero, eu mesmo não tinha certeza. Só soube num dia em que peguei a saudosa dona stefânia a partir de Mariana MG onde morava na época e sai por aí. Comecei em Bhz (porque tinha compromissos da pena preta), em seguida voltei para Ouro Preto MG só para passar no trecho da estrada real até Ouro Branco MG, a partir da BR040 fui a Petrópolis RJ. Num posto em Entre Rios RJ, o frentista me indicou um encontro em Rio das Flores RJ.

Estrada Real

Estrada Real

– Pega essa estrada aqui na divisa entre Minas e Rio e segue uns 50km. – me aconselhou.
Cheguei já no inicio da noite. Parei no posto da cidade e me aproximei de outros motociclistas que ali estavam.
– Bão? Aqui onde é o encontro? Sabem de lugar para dormir aqui?
Me olharam de cima a abaixo.
– Mas você está sozinho? Veio de onde?
Contei por onde tinha passado.
– Você é doido? me questionaram completamente atônitos.
– Não, sou motoqueiro (a bem da verdade, eu disse que era motociclista).
Estava batizado.
Assim, voltando ao assunto, se você ainda não se lançou ao desconhecido estrada afora, sem destino definido, com o único e simples intuito de curtir o que a viagem lhe apresentar e assim ganhar algumas cicatrizes e calcinações na pele. Sem ter sua alma acrescida por novas experiências em paragens nunca vistas. Me desculpe, amigo, mas você não tem o direito de tomar para si o fascínio que os antigos cavaleiros medievais criaram nos aldeões.


08/03/13 era para ser mais um teste de abraçadeira

A um pouco mais de um ano atrás estive em Prado BA com o objetivo de verificar se as abraçadeiras que havia trocado do acabamento do escape da saudosa dona stefânia haviam ficado firmes. Sabe como é, essas coisas tem que ser verificadas e nada como uma voltinha de 450km para ter certeza de que havia ficado bem montado.
Ainda tinha combinado de verificar as condições do asfalto para a turma que subiria de Bhz na semana seguinte. Eu também tinha a intenção de voltar no outro fim de semana, mas uma pane na bobina fez dona stefânia ir para o estaleiro e me obrigar a encontrar com o povo de carro mesmo.
Estávamos eu, Nuanda e Hermano, representando o povo do clã e mais três casais amigos nossos que não têm clube. Nos divertimos bastante e sei que tiveram um agradável passeio por terem vindo juntos e voltado juntos.
Dessa vez fui com o pessoal daqui de Vitória: Chico, Marcão e Nilza e o maluco do Jansen, cada um carregando sua bandeira, mas dividindo os mesmos momentos na estrada. Somente o Jansen que teve que voltar um dia antes devido a compromissos de trabalho.

viagem em grupo

viagem em grupo

Ah! E tinha o Maia, mas o doido resolveu viajar a noite sozinho. O que que eu posso fazer se o desinfeliz quer passar por todo e qualquer rito de passagem para ficar citando Nietzsche. Espero que não resolva também pegar uma estrada de terra a noite. Se bem que depois levo ele lá no trecho que já fiz a noite, que sai da BR101 até Nova Viçosa BA, só para ver se ele tem braço mesmo.

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

Como estou com a missão de acabar de vez com os pneus da srta. Hellen Dawson, a voltinha de 450km vinha a calhar, ainda mais que há um grande trecho de reta sem fim para alegria da maioria dos donos de custom. Para minha sorte, há uma pá de curvas para todos os gostos e velocidades, assim poderia gastar também a lateral dos pneus.
E ainda precisava saber se as abraçadeiras do escape novo, trocado na semana anterior, estavam bem fixadas.

nenhuma peça do escape caiu até aqui

nenhuma peça do escape caiu até aqui

Como todo encontro é basicamente a mesma coisa, basta dizer que em Prado BA se tem a praia à disposição. Mas considerando o péssimo atendimento local, cai alho Fantini, pega leve. Ok, considerando o péssimo atendimento que tivemos na barraca que ficamos, acho que era Barraca do Toti, ter a paisagem da praia salvou.
O Maia havia nos dado a missão de conversar com o tal Joaquim Gente Fina, infelizmente e apesar de não ter faltado assunto, ficou ainda um dedo de prosa para terminar com o distinto.

o joaquim gente fina

o joaquim gente fina

Retornamos no domingo. O mesmo calor escaldante da viagem na sexta. Não, não tente isso em casa, mas resolvi ir somente com uma calça e uma blusa jeans surrada e o velho e bom colete do clã para me proteger. Aí, alguém vai levantar o manto da segurança pessoal, que devia dar o bom exemplo e o cai alho a quatro. A única resposta que tenho é que sim, em Minas uso segunda pele, jaqueta, calça de cordura, mas lá o clima permite. A 40°C a sombra, é melhor ir com uma roupa mais arejada para não desidratar e desmaiar em cima da moto.
E deve ter sido o que aconteceu com um casal que o Maia (ele voltou um pouco mais cedo que nós) encontrou estatelado no chão. Procurou saber se estavam bem e se precisavam de alguma coisa. Responderam que não precisava se preocupar, mas pediram que avisasse o companheiro de clube deles.
E lá foi o carismático Maia de posto em posto até achar o distinto 100km depois.
– Cara, pediram para avisar que seu amigo, Daniel, se acidentou.
– Mesmo, nó, que pena. Mas 100kms atrás, né? Tá longe, não adianta nada eu voltar lá, vou seguir.
Por sorte e porque o Maia é um cara de paz, outro membro desse pseudo motoclube também não sofreu um acidente.
Além de realmente estar abismado com a situação, eu não sei o que faria com um espírito de porco desses se tivesse ouvido isso.
Fiquei pensando no ótimo passeio que tivemos a um ano atrás, no passeio desse fim de semana. Fora as outras pequenas voltas que tive aqui por perto de Vitória com o pessoal bacana que tenho conhecido aqui. Mas a cada dia que vejo essas pessoas fantasiadas, menos me cobro por preferir viajar “sozinho”.

Não viajo sozinho

Não viajo sozinho

Afinal, enquanto estiver carregando a fúnebre flâmula, sei que sempre o povo do clã viaja comigo e nunca, nunca abandonamos ninguém.


21/12/12 christmas ride

Acho que vou considerar tornar a voltinha de natal algo tradicional. Ano passado estive em Araxá e este ano voltei para Bhz. Se daquela vez enfrentamos eu e saudosa dona stefânia uns bons 700 e poucos km com frio e chuva em cada trecho, dessa vez a nova companheira, srta hellen dawson, teve que enfrentar um escaldante início de verão.
Ao contrário de suas demais conterrâneas, acostumadas com frio e neve nessa época do ano em paragens mais ao norte do mundo, srta hellen dawson foi obrigada a sobreviver a uma viagem iniciada às 12:30. Não, não recomendo a ninguém, ainda mais se considerar que de Vitória a Bhz são pouco mais de 550km, o que deu para vencer em umas 7 horas e pouco. Eu sei que tem muita gente que gasta bem mais tempo e nem é questão de correr, é só questão de aproveitar a estrada.

Granjas reunidas em Bhz

Granjas reunidas em Bhz

Como era um horário bem atípico, sendo a tarde de uma sexta e véspera de natal, a estrada estava bem vazia. O que foi muito útil considerando que para nós dois aquilo era novidade. De um lado eu pela primeira vez a domar aquele exagero de motor em um trecho mais comprido, do outro a moto que acredito não ter ainda conhecido esse trajeto.
A primeira impressão é que realmente o sistema de suspensão “softail” cumpre com o que promete. Aliado a frente gorda, temos uma estabilidade incrível. Como estava muito acostumado com dona stefânia com sua menor altura, suspensão não tão confortável e o garfo dianteiro que não apresentava a mesma rigidez, fiquei realmente muito surpreso com a facilidade de contornar as curvas, algo que sempre preocupa em qualquer moto custom. Ainda mais deste tamanho.
Além disso o motor com fôlego. Fôlego? Melhor é dizer dois pulmões de folga. Foram pontos muito específicos em que tive que fazer uso da 4a marcha. Basicamente fiquei na 6a marcha, reduzindo para 5a quando um regime de rotação um pouco mais alto foi necessário para uma ou outra ultrapassagem. E isso subindo morro inclusive.
E naturalmente devem estar imaginando, o maluco subiu a serra, partindo meio dia, nessa lua, em cima de uma “big twin”, já era, fritou os bagos. Bom, neste caso, um providencial sistema de refrigeração de óleo, instalado pelo antigo proprietário foi de grande valia. Mas vale lembrar que a estrada aberta é o território dessas motos e portanto, o próprio vento se encarregara do recado. Ainda assim foi de grande valia atrás deste ou daquele caminhão onde fomos obrigados a reduzir o ritmo até conseguir ponto para ultrapassar.
Bom, todos estes pontos positivos, mas lógico que tem que ter algum revés, afinal nem tudo na vida são flores. E eu no alto dos meus 1,67m comecei a sentir a dolorosa adaptação a uma moto cuja ergonomia foi pensada para camaradas maiores. Com o banco original e uma grelha para levar a parca bagagem no lugar do banco de garupa, não conseguia achar um bom apoio lombar, o que me obrigou a segurar o corpo com os braços e pés.
Para os braços foi terrível, pois a fatboy vem com aquele maldito guidon cruiser. Que cai alho é aquele? Quem disse que aquela coisa é confortável? O pulso dobrado a viagem toda e ainda fazendo força para segurar o corpo contra o vento. O guidon já era, tinha dado alguma confiança, mas sem chance, terá que ser substituído. O guidon da heritage é o que tem mais me agradado em termos de visual e conforto, vou ter que arrumar um similar.
Para as pernas, bem, apesar do “desconforto” que sentia com as pedaleiras da antiga moto, não achei posição com as plataformas da atual. Isso eu ainda não pensei como resolver, ainda estou pensando numa solução a respeito. Mas acredito que um daqueles bancos que te mantêm mais a frente possam ajudar bastante, coisa que vou ter que olhar.
E nessas horas valeria a pena estar debaixo da neve só para ter uma revenda que realmente prestasse para verificar as peças antes de comprar algo no escuro e esperar pacientemente pela entrega.
Mas de modo geral e comprovado na viagem de volta, já na terça, apesar das várias dores que apareceram pelo corpo todo rsrs, não tem discussão sobre a ciclística e força do motor. E como acaba se trabalhando numa rotação relativamente baixa, o consumo também ficou muito bom comparado com a velocidade média e alguns tiros que dei aproveitando os trechos de reta e estrada vazia.
Só continuo com minha opinião que não justifica o valor que se cobra numa moto nova, mesmo com a opção de utilizar óleo lubrificante para motor diesel em seu motor.
Ah! E sim, se você também mora no litoral, sugiro adquirir o radiador de óleo (que se danem os puristas!), pois realmente terminar uma viagem de pouco mais de 550km com uma panela de óleo fritando debaixo do banco num calor de 40oC não é coisa que desejo para meu pior inimigo.


24/11/12 capital do petroleo

Estive de carro a contragosto em São Lourenço MG no feriado de finados para encontrar com o povo do fórum DOGs. Isso porque no final de outubro havia estourado os retentores e empenado a roda dianteira de dona stefânia na visita a Bhz. Na oficina o Chico me perguntou como consegui pilotar com a moto naquela condição, com as bengalas completamente sem óleo. “Ainda bem que foi no final da viagem já na volta, não é?” ele perguntou. Quase caiu para trás quando disse que tinha passado num buraco logo subindo a serra no início da viagem, um dia antes.
Apesar de novamente ir num encontro de motos sem moto (joselito sem motão total), sempre é uma boa oportunidade de conhecer pessoas bacanas e lá estava o Zeca do RJ para me chamar para o encontro em Macaé. Tive que declinar inicialmente porque não tinha achado hotel ou pousada para ficar. Complicado. Para ser sincero não sei para que o povo tem essa mania de ficar marcando tudo com antecedência, perde até um pouco da graça da viagem, mas cada um é cada um.
Já estava preparando para ir para uma confraternização geral da empresa onde trabalho, quando a filha do Freitas, outro amigo do povo do Répteis aqui de Vila Velha me ligou querendo saber se eu ia a Macaé. Comentei que não tinha mais vagas em pousadas e ela insistiu, vamos de camping. Não tenho barraca, mocinha. Não tinha problema pois ela tinha barraca. Mulher quando quer carona nem adianta discutir.
Não fosse a previsão de chuva no sábado segundo o climatempo, eu começava a pensar, já tendo avançado a fronteira entre ES e RJ, se realmente seria possível chover. Não havia uma sequer nuvem no céu. Cai alho que dia quente. O jeans surrado estava de boa, mas a jaqueta realmente estava tenso. Devia ter vindo só com uma camisa de manga cumprida. Paciência.
Acho que a única vez que vi uma estrutura de evento tão grande foi no Brasília Moto Capital em idos de 2007, eu e Nuanda atravessando o centro oeste (de carro rsrsrsrsrsrs, nessa época só fazíamos trilha) de Bhz até o Distrito Federal. Passei a primeira entrada do evento, puto por ter errado e continuei dando a volta. E continuei dando a volta, continuei dando a volta, aí mais um pouco e aí uma placa: “entrada mais a frente”. Velho, cabia um Mineirão inteiro mais estacionamento no lugar. Três palcos. Megalomania total.
O calor impedia de fazer qualquer coisa, inclusive montar a barraca foi na base do missão dada é missão cumprida. E ainda nenhum sinal de umidade. Teriam nossos amigos do climatempo se enganado? A primeira cerveja estava quente e a coisa somente mellhorou depois que troquei de boteco (tinha uma centena lá) e passei a tomar uma budzinha na temperatura ideal.
Havia o palco principal onde teria o Nazareth. O palco 2 bem em frente a área dos botecos que se mostrou o melhor inclusive na seleção de bandas (todas muito boas) e o palco 3 lá no fundão do outro lado onde estava rolando o shows mais pesados, inclusive com a diversão garantida do João Gordo e o povo do RDP. Excelente show. Mas e o Nazareth, Fantini? Não gosto então podia nem ter que ficou do mesmo tamanho.
Por volta de 18:00 finalmente São Pedro deixou de sacanear o povo do climatempo e aquele tempo fechado foi chegando devagar até que quando escureceu de vez e já se podia sentir a umidade no ar, começou aquela ventania típica de tempestade. Lembrei que não tinha travado tanto assim a bendita barraca e fui lá correndo encaixar mais travas. E nisso voando barraca, voando banner, voando bandeira, voou até um barbudinho magricela que estava lá de bobeira. Chuva mesmo nem foi tão forte assim para entrada triunfal que ela vez, ficou naquelas chuvinhas chatas que começam, param, recomeçam, diminuem, aumentam e vão até de madrugada.
Nesse interim encontrei com as figuras carimbadas daqui do ES, que estão em todas. De bobeira numa das lojas lá me aparecem o Bart e o Samuka que estavam olhando anéis (sei). Não me perguntem porque. Em seguida ainda achamos o Macedo com seu pessoal do Águias, aproveitei para filar um joaquim daniel e saber dos planos dele e Bart de subir o Atacama. Boa viagem camaradas.
Não achei foi o Zeca, deve estar puto comigo a essa hora. Rsrsrsrs!
Por volta de 03:00 da matina fui durmir já me preparando para o chão duro (sim, tinhámos barraca, mas quem disse que tinha colchão?). Finalmente quando consegui pegar no sono, antes de 05:00 uns desinfelizes que não sabem fechar acampamento e ir embora de boa, começam uma algazarra. Ainda tentei cochilar mais um pouco. Sem sucesso. Cai alho! O jeito era levantar também e ajeitar as tralhas para pegar estrada de volta.
O tempo estava nublado, mas sem sinal de chuva. Ótimo, compensaria o calor do sábado. Viagem mais que tranquila, pouco trânsito. E lá veio ela, nossa velha companheira chuvinha chata de estrada. Nos pegou da divisa até próximo de Iconha, mas era chuva muito fina e de boa, nem incomodou. Como tinha que deixar a filha do Freitas em Vila Velha, após Iconha, peguei a saída para Piúma e assim a Rodovia do Sol.
Não foi uma boa idéia, porque a chuva que havia passado completamente nos pegou no trecho entre Piúma e Meaípe, aí desandou, não pela chuva um pouco mais forte, mas pelos carros jogando o spray de lama e areia na cara. Sei que já tem gente aí se contorcendo no sofá, mas como eu digo, não se vê isso da janela do apartamento. Aí é uma escolha entre uma vida pacata e tediosa ou um pouco de sujeira, diversão e um banho ao final da viagem.


27/10/12 pontes

Escrevi recentemente para um irmão a respeito da importância da criação de pontes entre as pessoas e como admirava essa capacidade nele. De uns tempos para cá tenho batalhado muito esse tipo de coisa e tenho certeza que o motoqueirismo tenha facilitado desenvolver essa faculdade em quem, como eu, não nasceu com ela.
Eu queria e precisava simplesmente retirar a cera dos sapatos novos de dona stefânia. Realmente a inveja mata, mas no caso foi só o bom exemplo do Christian que me deixou com vontade de aproveitar a necessidade de troca dos pneus para colocar um par de faixas brancas. Christian, meu muito obrigado por me deixar na pilha ao ver o resultado na sua moto. E dona stefânia também agradece.
E lá estava eu confabulando para onde ir, tinha planos de ver uns negócios em Sampa e aproveitar para visitar o velho Ghan e de quebra o casal Tavares (nossos irmãos de clã), mas precisaria de mais prazo. Havia ainda um pequeno encontro aqui em Vitória mesmo para ir com o Chico. Ou o churrasco da Pagu. E finalmente tinha o Outubro Negro, festa do calendário oficial do clã em Bhz.
O que quero dizer é que se não estivesse exercitando a difícil mas necessária arte de construir pontes, é provável que teria que ir somente ali no posto do café sozinho mesmo.
Assim resolvi fazer uma surpresa ao irmão Nuanda, indo de supetão para Bhz, afinal somente 600km, viagem rápida. E com certeza teria bastante asfalto para tirar a cera do pneu novo de dona stefânia. A surpresa quase deu certo (houve boatos da minha ida), mas no final vendo a alegria do Nuanda com minha presença compensou ficar só no refrigerante e água para ter condições de voltar no dia seguinte. Isso mesmo, sai sábado cedo, fui na festa, voltei para Casa do Imperador, dormi, domingo cedo já estava voltando. Atravessando pontes estrada afora e pavimentando mais ainda a que tenho com meu querido irmão de clã.


E naturalmente que reencontrar todos os demais irmãos do clã também foi especial, mas azar o de vocês, o aniversário era dele.
Mas como sempre tem algo de inusitado para tornar as viagens mais divertidas, logo na primeira parada em Ibatiba, observando dona stefânia com suas meias de seda, sexy e bandida, vi que os retentores das duas bengalas estavam melejando. Maravilha, aquele buraco subindo a serra doeu mais que na minha coluna. Após alguns cálculos resolvi seguir viagem. Na ida nem atrapalhou muito, exceto em algumas curvas do trecho entre João Monlevade e Bhz, onde percebia que a suspensão já estava um pouco dura para as manobras.
Na volta é que foi a sensação. Lembrei de um outro camarada reclamando sobre dor nas costas. Acho que ele teria morrido no meu lugar. O asfalto da BR381 / BR262 em Minas foi recapeado recentemente e não tem buracos, mas as costelas, invisíveis a olho nu, mas bem sensíveis numa moto custom com perda de óleo nas bengalas, estavam demais. Eu fui contando os solavancos e acho que atingi um recorde pessoal de 35 solavancos por quilômetro. A certo momento pensei até que estava montado na dorothéia e não em dona stefânia. A coisa só melhorou quanto alcancei o Espírito Santo. Com menos trânsito de caminhões, o asfalto está menos desnivelado e assim consegui reduzir a média de solavancos.
Enfim, não foi necessário nenhum analgésico para minha grata surpresa. Tudo bem que tem a praia para dar uma boa relaxada pós viagem, ainda mais nesse calor e com horário de verão.
Ou talvez seja só resultado da sensação de atravessar as pontes que criamos com as pessoas que amamos de coração.


29/09/12 a necessária arte de desplanejar

Eu meio que havia esquecido dona stefânia na oficina do Chico desde a última viagem até Monte Verde MG. Não que houvesse algum problema mecânico (apesar que já é hora da revisão básica com troca de óleo), foi somente para tirar a sujeira que ficou com a chuva fina que peguei na ida.
E aí estou lá vendo o Chico comentando da volta até São Fidelis RJ e que o pessoal da turma dele não podia ir. Tinha reservado quarto duplo e tudo. Mas teria que ir sozinho. Bom, a vantagem de ser motoqueiro é que se decide as viagens na base da oportunidade e não em planejamentos minuciosos: “Aqui, vou com você, precisa chorar mais não.”
No meio da semana confirmei somente a hora de saída no sábado. Como ele tem que cuidar da loja, teríamos que sair a partir de 13:00. Sem problema, afinal seria somente uma perna de 300km. Viagem curta. Aproveitei para resolver uns trem que precisava e que acabei não resolvendo nenhum deles por motivos alheios a minha vontade. Rsrs. Incrível como as coisas são e por isso que já faz tempo que não ligo muito para programações exatas. Algo inclusive que gerou uma discussão com um amigo a respeito da dinâmica da vida.
Mas voltemos a viagem real. Por volta de 12:40 já estávamos cortando a BR101 por sugestão minha. O Chico até pensou em ir pela 3a ponte e Rodovia do Sol e eu: “pagar pedágio para quê?”. Paramos rapidamente no trevo da BR262 para que ele ligasse a goPro. Sim, dessa fez teremos este humilde escriba estrelando um filme no asfalto.
E lá ia eu fazendo toda a pose na filmagem, cortando o asfalto com critério, querendo demonstrar o uso da correta aproximação de curva, contra esterço e tudo que o valha. E eis que São Pedro resolve colaborar com nossa demonstração de pilotagem em estrada e desce uma bela duma chuva. Nem foi muito forte assim. Mas ao menos mostrou algo importante neste caso: diminua a velocidade.
Pouco após o trevo de Guarapari ES, um acidente feio com uma carreta de leite em pó. Ao menos dessa vez não praguejei tanto os catadores, quanto na vez do acidente em Rio Bonito RJ, quando um monte de desinfeliz tentava ser atropelado para catar água sanitária. Demos sorte de poder passar através da inhaca, pois os bombeiros fecharam a pista em seguida.
O que foi até útil, afinal continuamos debaixo da chuva, mas ao menos não tivemos trânsito pesado. Na primeira parada no Posto JR, uns 20km antes da divisa ES RJ e os dois pintos molhados faziam a alegria das atônitas atendentes da lanchonete. Aposto que elas pensaram que assim não andam de moto. Tem gente que conta um monte de lorota que lava a alma (nem sei como se sempre se fica imundo com o pó do asfalto). A verdade é que a chuva na estrada é uma plena lição de humildade. Não importa quem você seja.
Mas como a vida é boa em cima de uma moto, no trecho seguinte já no estado do RJ o clima estava limpo e o sol quebrou nosso galho para nos deixar secos novamente. Passamos um pedaço de Campos RJ e pegamos a estrada em direção a São Fidelis RJ. Que estrada agradável. E olha que passei aqui ano passado no maior aperto voltando de Penedo RJ com o óleo velho, filtro saturado e dona stefânia fritando e não pude aproveitar tanto quanto dessa vez. Recomendo o trecho para todos.

chegamos em sao fidelis

chegamos em sao fidelis

Chegamos são e salvos, mas com a cueca molhada ainda. Foi o tempo de botar a conversa em dia com o Well do Vitória MC que já estava por lá desde sexta e fomos na pousada tomar uma ducha e botar uma cueca seca. Sou motoqueiro, mas sou limpinho! E a noite prometia. Bons shows e diversão garantida como a turma daqui de Vitória que estava por lá. Ainda tive a oportunidade de conhecer nativos da região, pessoal muito gente fina.
No domingo ficamos eu e Chico avaliando se subíamos até Nova Friburgo RJ para conhecer ou se vazávamos de vez. A distância e o horário nos fizeram deixar Nova Friburgo RJ para uma próxima oportunidade. Mas para compensar resolvemos subir de volta a Vitória ES pela estrada que corta o litoral. Basicamente após a saída de Campos RJ, pega-se um trevo em direção a São Francisco de alguma coisa que não lembro mais e pronto, lá estávamos nós numa estrada digna de uma viagem de moto.
Sem certeza de postos, sem realmente saber o caminho correto e principalmente, sem muita correria. Foi uma das melhores opções que tivemos. Pois neste exato momento se rasga qualquer planejamento e se deixa guiar pelo que o asfalto vai apresentando. Uma usina de álcool aqui, uma cidade de calçamento acolá, uma ponte da divisa RJ ES que desemboca numa estrada de terra e…

divisa RJ ES

divisa RJ ES

a ponte

a ponte

alegria, alegria

alegria, alegria

Cara, sacanagem, não deu nem 1km de estrada de terra. Já estava jogando a mão para o céu pela diversão quando vi o asfalto novamente, pena. Mas já compensou a quase emoção e a lembrança da estrada de terra noite adentro na visita a Nova Viçosa BA ano passado. O Chico sugeriu a gente conhecer a praia que fica ali na divisa. Aparentemente é um lugar bonito.

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

Em seguida viemos cortando a chamada Rodovia do Sol que vai atravessando todas as cidades de veraneio que se tem direito no ES: Marataízes, Itapemirim, Iriri, Piúma, Anchieta, Meaípe, Guarapari para ao final alcançar Vila Velha e desembocar novamente em Vitória a partir da 3a ponte. Se uma estrada de moto já é agradável, uma estrada de moto com o oceano a seu lado é mágico.
Ainda bem que não planejei nada, pois teria voltado pela BR101 mesmo e perdido isso tudo.


14/09/12 quem sabe se experimenta com uma full hd

Eu estava na loja / oficina do Chico essa semana comentando sobre como dona stefânia tinha ficado suja no pulo a Monte Verde MG (deixei ela lá para lavar) e aproveitando o dedo de prosa fui conferir a data e a quilometragem da última geral para saber se já era hora de trocar o óleo do cardan.
Ele começou a rir que era uma absurdo só me conhecer a 6 meses e já estar na hora de trocar o óleo do cardan que é a cada 10.000km. Sim, 10.000km de viagens em 6 meses, mais um bocado de boas amizades no mesmo período, como o grande Chico ou a própria Pagu, daqui de Vitória ES.
Mas os últimos 2.000km dessa empreitada somaram na última viagem no fim de semana que passou, com a volta ali na esquina de Monte Verde MG a convite da turma dos DOGs de Bhz, Carlão da Carlinha e Matheus da Zelda. O povo do clã resolveu ir em peso, inclusive o povo que não é DACS (ainda), afinal o clã nasceu bem antes da paixão de alguns por motoqueirismo.
Uma das vantagens de uma viagem longa é experimentar vários climas num mesmo dia, coisa que não se percebe numa viagem de carro hermeticamente fechado em seu ar condicionado e som de dvd. Na estrada o ar é que te condiciona a aceitar o frio do sereno da madrugada ao sair, combinado com o calor escaldante do sol a pino no meio dia, para te entregar a temperatura amena do fim de tarde. Com sorte ainda pode ser presenteado com um pôr do sol.

um pôr do sol de presente

um pôr do sol de presente

Juro que dá para ver da janela do apartamento. Basta dependurar sua tv full hd na janela e escolher algum canal com belas imagens.

talvez fique bom na full hd

talvez fique bom na full hd

No caminho tive a infelicidade de parar em Oliveira MG, porque senão teria uma pane seca em seguida. Não quis arriscar voltar empurrando dona stefânia e ficar com sede. A água de lá não é muito benta. Que o diga o Broto Jr.
E o asfalto em si, tanto da BR262, quanto da BR381, estava convidativo, com uma dose adequada de curvas que tornam a viagem mais animada, já que particularmente não curto muito as infindáveis retas de alguns trechos da BR101 das últimas empreitadas.
Cheguei e já encontrei o pessoal a toda na pousada com mais de meia grade e meia animando a conversa, foi difícil entrar no ritmo. O evento em si ainda estava vazio na noite de sexta e o jeito foi continuar na pousada. Após Mestre Trindade desempenhar seus ofícios de desperdício de bebida e ainda discutirmos ufologia até acabar com as cervejas importadas que o Helton trouxe, resolvemos dormir. Até porque o Carlão da Carlinha já estava para reclamar que não entendia para que tanto barulho as duas da matina.

Vista da Pousada Locanda Belvedere

Vista da Pousada Locanda Belvedere

No sábado o calor estava demais durante o dia e acabou que a turma se espalhou para conhecer a cidade. Monte Verde MG tem uns passeios legais de cavalo, caminhada, trekking e quadricíclo. Ah! Tem aeroporto para quem quiser ir de avião e enviar a moto por carreto. Parte de turma resolveu ir para o quadricíclo, parte resolveu dar uma descansada para a noite e eu fiquei lá passeando com a velha heineken mesmo porque estava com preguiça. Até encontrei com o Peralta e foi bom saber que apesar do susto em Penedo RJ já estava ali para contar a história.
Ainda peguei um resto de final de tarde do evento, com uma banda muito boa cover do Iron Maiden (tinha até o Eddie!) e depois fui dormir. Não deu para ver como foi o evento a noite e madrugada adentro porque já havia combinado com a dona da pousada que ia acordar mais cedo no domingo só para me preparar um café.

Eddie e a Infinity Dreams

Eddie e a Infinity Dreams

Domingo cedo, aquela serração fina e cortante, o vento gelado, atravessei a área do evento que não estava com vontade de pegar o desvio que deixaram por uma estradinha de terra e já estava descendo a sinosa estrada que dá acesso a Monte Verde MG. Parei para ver o nascer do sol, mesmo que seja possível ver na tv full hd.

o sol de um novo dia

o sol de um novo dia

Na volta tive que fazer uma parada emergencial devido a uma tarefa indelegável, o que atrapalhou um pouco a programação que tinha traçado de paradas de abastecimento. Poderia ter segurado até o posto em Oliveira MG, mas se tomando a água já complica, imagina se bate na bunda, aí fudeu de vez. Melhor não arriscar.

aqui é melhor ficar com sede

aqui é melhor ficar com sede

Belo Horizonte MG e metade da viagem ficavam para trás na subida da perigosa BR381 no trecho até João Monlevade MG. O engraçado é que vi dois acidentes de caminhão na reta no trecho Bhz – Sampa, provavelmente porque o motorista dormiu, não tem explicação. Enquato isso na chamada rodovia da morte, nada de mais, graças a um bocado de radares bem posicionados antes das curvas mais travadas.
Final do dia e fazia a última parada em Venda Nova do Imigrante ES, o tempo escureceu e desci a região serrana do ES praticamente no faro. Porque ora era o farol de dona stefânia que não ajudava no breu danado, ora era algum desinfeliz que subia no sentido contrário com o farol alto.
Não importa, completei mais 10.000km de estradas, dando motivo para o Nuanda continuar a me chamar de “iron butt”, estive junto do povo do clã num ótimo fim de semana, ajudei o Carlão da Carlinha a manter sua ranzinice e ainda economizei a grana que teria que gastar numa tv full hd. Perfeito.


07/09/12 copacabana esse fim de semana o mar sou eu

A nova onda agora é comprar uma moto, uma passagem de avião e uma entrada de evento que garante o translado da moto de carretinha enquanto você viaja no conforto dos ares. Tudo muito bacana e granfino. No maior estilo motociclista que se tem direito. Dizem que até se ganha um brinde: tédio.
Como motoqueiro que sou, ainda prefiro vivenciar a estrada e suas incondizentes nuances de clima ao longo do dia, durante um trajeto longo. Fora os mosquistos, sujeira, a possibilidade de uma pane seca e mais uns trocentos itens, caso se inclua quebrar a unha encravada na lista.

sobre peso

sobre peso

Não tão cedo dessa vez como de costume, afinal estava levando garupa, lá estavámos eu e dona stefânia descendo a BR101 em direção a cidade maravilhosa. Aproveitamos o convite de amigos para aproveitar o feriado da pátria e porque não, uma pisada na areia de copacabana. Porque entrar na água já é outra história.
Enquanto vivenciava o calor escaldante que sempre faz no trecho a partir de Campos, pensei na aeromoça servindo o terceiro copo d’água para meu companheiro que faz o mesmo trecho por avião. Acho que vou juntar uns amigos e montar uma empresa de translado de motos: “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”. Pensa bem, viajamos de moto e ainda ganhando. Vou amadurecer a idéia.

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

O rio de janeiro continua a mesma coisa de sempre. Inclusive qualquer lugar para mim é copacabana como na foto. E para minha surpresa, o pessoal que nos recebeu acha que copacabana se tornou uma farofa só. Bem, concordo que estava lotado, mas convenhamos, era feriado. Gostaria ainda de pontuar um restaurante árabe que nos indicaram, não sei o que Faraj, muito bom. Não lembro a rua, mas é nos arredores da entrada da estação de metrô Cantagalo. Bom, salvo engano, mas qualquer coisa é ali no pé da Pavão Pavãozinho.
Sim, estávamos próximos da entrada do morro. Inclusive tem um albergue legal nessa entrada principal. Fora um bocado de botecos legais, bem cariocas, nas quadras próximas. Uma pena que não tinha mineiros suficientes para me acompanhar no chopp gelado.

faltou mineiro

faltou mineiro

No dia seguinte, estava de carona e isso foi um erro, passamos por um trecho do rio que não conhecia, contornando a Pedra da Gávea para sair na Barra da Tijuca. Antes disso tem uma estrada que vem rodeando o penhasco lá que não guardei o nome e o mar lá embaixo. Simplesmente fantástico. Vou ter que ir de novo só para passear ali com dona stefânia que ficou abandonada o feriado todo. Bom motivo para encontrar com o Marcelo que dessa vez não teve como.
No retorno saímos bem mais tarde que o de costume e já esperando pelo alegre sol na região entre Rio Bonito e Campos. Não sem motivo o posto que costumo parar neste trecho se chama Oásis. Mas no domingo estava excepcionalmente mais quente que o normal. Tenho certeza que os companheiros Cidão, Bart e Mikele vão dizer que eu não vi nada até atravessar o deserto, mas estava quente para cai alho!
Indiferente disso tudo, estrada perfeita, feriado muito bom, sendo muito bem recebido pelo pessoal que nos convidou para um fim de semana bacana. E dona stefânia não reclamou nem de ser abandonada na rua ou ter que carregar mais peso na estrada.
Mas é provável que reclame se eu resolver abrir a “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”, afinal não vai gostar de me ver rasgando asfalto por aí com outra motocicleta.


28/08/12 o que se vê e o que se sente

Lá em idos de fevereiro precisei testar um par de abraçadeiras novas que substituiu as danificadas do acabamento do escape de dona stefânia. Volta rápida, um pulo entre Vitória ES e Prado BA.
Quase chegando em Prado BA, avistei uma bela de uma tempestade formada a frente, o que fazia um perfeito contraste com o horizonte limpo de céu azul que deixava para trás a cada km avançado.
Acabei parando para tirar uma foto. Algumas paisagens não se modificam com o tempo, mas está com certeza era só ali, naquele dado instante, naquele dado lugar, única.

Resolvi falar a respeito da sensação que tive nessa pequena experiência porque a alguns dias atrás o companheiro Nuanda comentou o quanto a foto ficou bacana. Em seguida outros amigos comentaram também, em um processo muito interessante de emergência a partir de algumas poucas interações simples em um ponto comum sem que houvesse alguma ordem definida. Trindade faria um contraponto: “Isso é muito complexo.”.
Portanto voltemos à foto. Três coisas me chamaram a atenção quando parei para tirar a foto. A primeira é o que comentei acima, algumas experiências são tão singulares no tempo e no espaço que não haverá outra oportunidade para vivenciá-las, portanto aproveite o momento.
A segunda questão é a respeito da simplicidade com que a vida se mostra. Se estivermos com os olhos cerrados pelas falsas necessidades que tantas vezes nos empurram goela abaixo todos os dias, perdemos a oportunidade de sermos plenos com as coisas pequenas. Não é preciso muito para ser feliz.
A terceira é a respeito do passo e que não devemos ficar parados no tempo. Ao olhar para trás temos sempre um tempo claro de certezas e portos seguros. A frente tudo é desconhecido e pode parecer sombrio. Mas na vida precisamos seguir o passo a frente e enfrentar os desafios que ela nos apresenta.


18/05/12 e você acha que já passou por tudo

Já fazia algum tempo que não viajava em grupo, mas a galera que conheci aqui do Ayso Motociclismo e do Vitória MC estava insistindo para ir no encontro em São Mateus que é um dos principais no Espírito Santo. Para ser sincero isso para mim é de menos, importa sempre é a desculpa para pegar uma estrada, seja qual for. Mas estava um pouco apreensivo por pilotar com quem eu não sei como se comporta na estrada.
Não estou sendo rancoroso ou rotulando ninguém, mas no fim das contas cada um tem seu ritmo. E de tão mal acostumado por viajar sozinho, pensava se eu mesmo não seria uma má companhia. Bom, má companhia não fui, mas trouxe a chuva.
Combinamos de encontrar às 14:00 de sexta. Negociei uma folga no serviço, o tempo estava bom. Mas foi chegar no local de concentração e desce aquela garoazinha chata. O Chico me pergunta se não vou colocar capa de chuva. Cai alho! Esqueci em casa, deixa. Mas insistiu tanto que fui lá buscar e aproveitei para trocar o jeans surrado pela calça de cordura para evitar muita sujeira. Evitar mesmo nada, mas fica mais fácil de limpar depois.
Saímos de Vitória debaixo daquela garoa chata, mas nada impossível de sobreviver. De capa? Eu não. É engraçado que quando levo acabo não usando. E fomos até chegar em Fundão, uns poucos kms depois subindo a BR101. E o tempo secou. Maravilha, pensei, esse clima mais ameno e sem chuva. Perfeito, apesar do tempo ainda fechado.
Paramos uns 100km depois na metade do caminho. Teria ido direto se estivesse sozinho, mas é como falei, cada um tem seu ritmo e em grupo tem que respeitar o que o grupo decide.
Chegamos em Linhares e para nossa desagradável surpresa, a chuva resolveu apertar novamente. Dessa vez foi daquelas chuvas finas, que se acredita que não vai fazer diferença. E daí a pouco nada de diminuir a chuva. E depois escurece de vez. E aí caminhão jogando spray de lama na fuça. Bom, nessa altura do campeonato você que está aí se contornando no sofá pensando: “eu até queria comprar um moto”, vou ser sincero, não compre.
Mas como eu acho cada desaventura dessa um motivo para rir depois, lá estava eu e os demais completamente encharcados, se perguntando se não seria melhor fazer igual o camarada do sofá. Não seria não cai alho! Tomei vacina contra gripe exatamente para sobreviver nessas situações.
Chegamos e São Mateus estava debaixo d’água. As ruas onde estava o encontro alagadas. As ruas da pousada alagadas. Conseguimos chegar na pousada usando as calçadas porque na rua só de jetski. Diversão garantida. E chegar e ver o Viana sentado na varanda da pousada enrolado num cobertor foi o máximo. Depois de botar as roupas num varal improvisado e usar a água que ficou no coturno para encher a piscina, juntamos na entrada da pousada e improvisamos um churrasco, além de conhecer outros camaradas que também estavam na mesma pousada.
Por mim já estava de bom tamanho porque curto mesmo é a bangunça com a turma. Mas no dia seguinte, no sábado, fomos para o encontro, o tempo já estava firme lá em São Mateus. Quem veio de Vitória logo cedo nem pegou chuva, mas ao longo do dia ia chegando cada um mais ensopado que o outro devido a chuva na estrada. “Fantini, está chovendo para cacete!”. Tive que responder que ele não viu nada. Chuva de dia é mamão com açucar, de noite e com carreta, já é outro nível.
O encontro estava muito bem organizado, realmente faz jus a fama. Vale a pena. Bandas boas. Muita moto, muita loja de buginganga, muita gente. Muito bom. Saimos umas 10:00 da pousada e só voltamos às 03:00 da matina.
No domingo o povo me acorda desesperado. “Vamos embora mineiro que já são 10:00!”. Levantei correndo, tomei banho correndo, arrumei as coisas correndo, montei tudo na moto correndo e vendo todo mundo de boa, nenhuma moto montada, desconfiei. Olho o relógio, nem 08:30. Cai alho! Mas também tinham combinado de sair logo cedo por volta de 09:00.
O tempo estava agradável, nublado, mas sem chuva, temperatura no ponto. Vínhamos na maciota, 90-100km/h. Daí o estômago começou a reclamar da corrida na pousada para sair no horário. Devia ter me livrado de todo mal por lá mesmo. E agora ali no meio do nada em lugar algum. Segurei, mas não teve jeito, naquele ritmo de viagem e com a tarefa indelegável e a cada momento mais inadiável, não tinha jeito. Acelerei e deixei o povo para trás.
Encontrei um posto uns bons 50km depois. Suando frio. Aquela cara de mal encarado. É provável que o povo que estava no posto pensou, fudeu, o caboclo veio para quebrar a cara de alguém. Nem dei trela, corri para o banheiro e a vida ficou tranquila novamente. Lembrei do companheiro Nuanda e suas últimas crises de tarefa indelegável. Não é algo que se deseje ao seu pior inimigo.
Voltei para a estrada e fui reencontrar com o povo quase de volta em Vitória. Me desculpei por sumir do nada, mas depois de explicar o motivo entenderam. Ainda fechamos com um churrasco em um buteco de bairro.
Mas fique tranquilo que eu já estive sentado no sofá pensando em se comprava uma moto. A cada peripécia como as desse fim de semana, confirmo que foi uma boa decisão que tive.


08/04/12 não se experimenta no sofa da sala

CdGP DACS

Já passava de 20:00 da noite de domingo quando finalmente cheguei em Vitória ES. Comecei a refletir sobre a viagem. Havia saído de São Paulo SP às 06:30 da manhã com um tempo frio que qualquer um consideraria continuar na cama, enquanto eu ali na infinitude da estrada. Atravessando o Rio de Janeiro RJ, já no calor de meio dia, porque tinha errado a saída da Dutra para a Av. Brasil, pude conhecer a cidade nada maravilhosa, com seus cortiços, ruas estreitas e gente estranha, tão diferente daquelas que insistem em nos mostrar na televisão. No final da tarde já ultrapassava a fronteira em direção ao Espírito Santo, somente para descobrir que muitos resolveram fazer o mesmo que eu, enfrentar a estrada no feriado. Enfrentei eles, o trânsito e a estrada noite adentro.

Viajar de moto não é algo que se experimenta sentado no sofá da sala olhando o tempo passar pela janela. Você decide literalmente experimentar o tempo, o espaço e toda a sorte ou infortúnios que a viagem resolver lhe proporcionar. Sua única participação é atravessar a estrada que liga um destino ao outro.

Helton e Gisele não deram muita bola para meu auto convite: “Camaradas, estou indo para Sampa, separem o sofá para mim”. Começaram a argumentar sobre planejar a visita e tal e… “Camaradas, basta cerveja na geladeira e Buddy Guy na vitrola.”. Dois dias antes de retornar, na sexta cedo já avançara um bom pedaço do Rio de Janeiro. Me lembrei da última vez que estive aqui, subindo a Serra das Araras, dona stefânia bufando o óleo velho e o filtro saturado de um teste de 10.000km. Vou dizer que aquela vez foi sofrida.

E tudo para estar com o Ghan num encontro em Penedo RJ. E como tinha um tempo que não visitava o velho amigo, achei por bem ligar para ele quando estivesse em terras bandeirantes. Se estivesse em casa, passaria para dar um abraço. A essa hora, o povo do clã que resolveu descer de Belo Horizonte MG – Agnelli, Fábio, Rachel, Rubens – já estava em peso na casa do Helton, churrasco na alta preparado pelo Bruno e eu na terceira parada já na Dutra após Rio de Janeiro RJ comendo uma esfirra. Sim, a estrada é ingrata. Mas eu gosto de esfirra.

O Ghan estava em casa e me recebeu em prantos:
– Fantini, KCT! Essa maldita prótese dentária! Não dá mais para me divertir arrancando os dentes com o alicate.
– Uai, se quiser te empresto aquele soco inglês que você me deu lá no Tibet. Resolve na hora.

Agradeci o café e o bom papo e continuei viagem até Vila Mariana, São Paulo SP, onde o povo do clã já estava em outra órbita. Ao menos me acompanharam em duas cervejas. Um grande feito considerando o castelo de latinhas vazias encostado na churrasqueira. Como diz o Nuanda: “esse povo bebe demais…”.

No sábado cedo convenci todo mundo a me acompanhar na General Osório. Tinha duas missões: a) comprar “uns trem” para dona stefânia e b) encontrar com os DOGs de Sampa. A missão (a) foi resolvida em pouco tempo e após visitar meia dúzia de lojas. Já a missão (b), bem, o desinfeliz do Ramone me passa um telefone que estava desligado. Para ajudar a loja da Warrior mudara de endereço e acabei não achando ela. Depois vim a saber que os camaradas não só ficaram me esperando como até me procuraram por lá. Agradeço a preocupação do grande Nishida e do Prof. Hirai por até me ligarem para saber se eu estava vivo. Sim, eu estava, foi somente um completo desencontro.

Depois de uma lasanha de almoço devidamente preparada pela Gisele (o Helton jura que foi ele quem fez), discutir políticas públicas com o Dr. Agnelli e o Dr. Rubens e todo mundo entrar em estado vegetativo para fazer a digestão, resolvi retomar a discussão filosófica da visita anterior com Sabbath, o gato, e seu novo companheiro, Led, o outro gato.

– Sr. Fantini, novamente em minha morada. Vejo que trouxe outros intrusos. Muito irritante.
– Sr. Sabbath, vejo que agora tem um companheiro de morada. Quem é o macho dessa história?
– Malditos humanos!!! Não se tem sossego nessa bagaça!!!
– (rachei)^3!!!

Mais tarde a turma insistiu para tomar mais uma última cerveja de despedida. Declinei. Precisava dormir para retornar no dia seguinte.

Pouco mais de 2.000km, 3 estados, não sei quantas cidades, ao menos 7 climas diferentes, um vazamento de óleo no retorno. Somente para se estar com os amigos. Não se experimenta isso sentado no sofá da sala olhando a paisagem passar pela janela.


25/02/12 somente para testar a abraçadeira

Ano passado fiz um escambo com o companheiro Hermano João, me desfazendo de um escape corneta que fazia a voz de dona stefânia desde que a conheci. Peguei um JJ de 2.1/2″ em troca. Fazia parte de uma decisão pessoal de tirar a roupagem “call me a lady” de dona stefânia e deixar ela mais “tell me I’m bitch”. E lá se foram alforjes, sissybar, setas (essas ainda falta trocar as traseiras), banco da garupa. Com o JJ rasgando o verbo, diversão garantida.
Mas como tudo não são flores, uma peça de acabamento do maledeto JJ atrapalha na hora de retirar a tampa para troca do filtro de óleo. E nessa de toda vez afrouxar a abraçadeira metálica (daquelas de parafuso) para tirar a peça, acho que na última viagem à Araxá MG, a danada arrebentou. Isso foi lá no natal, mas final de ano, compromissos em janeiro, visitas a Bhz, viagens pela empresa, me travavam a agenda para arrumar a bagaça. E a peça lá desbeiçada.
Consegui finalmente no último sábado cedo comprar abraçadeiras novas e me pus em mais uma ordinary mechanical class. Que cai alho! Não que fosse difícil montar a abraçadeira, mas a posição não ajudava em nada. Depois de quase perder o dedo indicador esquerdo e a paciência, a maledeta montou. Com todo o esforço feito, resolvi que devia testar se tinha ficado firme. Pensei na promessa de verificar a estrada para Prado BA para a turma de Bhz em função do encontro na outra semana.
Lá estava eu na lua de 13:00 subindo a BR101 sentido BA. Na bagagem somente a sacola de lona com uma muda de roupa e a bandeira do Clã. E a jaqueta! Sim, estava quente para cai alho e impossível de usar a jaqueta. Não, não recomendo isso para ninguém, afinal estava na estrada. Parei em Linhares ES e em seguida em Pedro Canário ES, quase na divisa com BA.
Até aqui a estrada ainda era conhecida e tirando a interminável reta a partir de Linhares ES que até dá dormência no olhos, somente está ruim mesmo o trecho após Pedro Canário ES até uns 15 a 20 km após a divisa. Havia bastante trânsito de treminhões típicos da região de eucaliptos para as empresas de celulose locais, mesmo sendo sábado após o carnaval.
Mas o que me preocupava mesmo era o calor. Estava mais quente que o normal para a época e região. Continuava sem jaqueta, usando só o colete sobre a camisa de malha cumprida. Passei o trevo de Nanuque MG / Nova Viçosa BA, sim aquele que me infurnei numa estrada de terra de 70 km até Nova Viçosa BA numa outra desaventura, e para a alegria da turma de Bhz que virá por Teófilo Otoni MG, a partir desse ponto a estrada está boa, exceto pela falta de acostamento. Basta ter atenção com o trânsito.
E o calor! Cai alho! De repente sumiu e não era por causa do fim do dia, ainda era umas 17:00 no horário de verão. Aí vi um lindo arco íris no lado direito do horizonte. Parei para tirar uma foto. Mirando a câmera vi a tempestade que se formou bem para onde a estrada apontava. Botei a jaqueta, afinal não tinha trago capa de chuva e fui. Foram uns bons 20 ou 30 km debaixo de chuva forte. Ainda bem, não aguentava mais o calor.
Logo apareceria Teixeira de Freitas BA e a saída para Prado BA. Essa estrada leva ainda a Alcobaça BA atravessando campos de eucaliptos e pastos. Bem a cara de estradinhas vicinais do interior de Minas. Muito gostoso esse trecho e com o sol já se pondo, foi um espetáculo a parte.
Prado BA parecia uma cidade fantasma, se tinha algum folião ali, tinha ido embora antes da quarta feira de cinzas. É bem pequena. Se for aparecer muita gente no encontro, vai ser um inferno. Paciência, já combinei de estar aqui novamente com o povo do Clã.
No domingo depois de uma ida rápida à praia para conhecer, peguei estrada para evitar o calor que passei no sábado (saindo depois do almoço). Passei rápido em Alcobaça BA só para conhecer, rendeu uma foto próximo a um farol. E de volta a estradinha agradável e em seguida na BR101. O sol continuava a pino e a água de coco em Pedro Canário ES não adiantou muito.
Resolvi rodar até Itaúnas ES, próximo de Conceição da Barra ES, famosa pelas dunas e pelo forró e parar para almoçar e fugir do sol de meio dia. Peraí, Fantini, li no guia turístico que para chegar lá tem que pegar estrada de terra. E daí? Depois é só jogar um balde de água na moto que lavou está novo. 20 km de pura diversão. Ainda não conhecia Itaúnas (e olha que o Nuanda já havia indicado a mais tempo) e que lugar agradável e muito bonito. Recomendo a visita. Fui com dona stefânia até próximo das dunas e só não avancei mais por causa da areia que começou a ficar fofa. Ia ser complicado manobrar ali.
Subi uma das dunas e mais a frente havia barracas na beira da praia. A calça jeans, o coturno e o calor escaldande me demoveram da idéia de andar uns bons 900 m ou mais até lá. Voltei para a cidade que fica do outro lado do rio e almocei num restaurante próximo a praça ou melhor dizendo gramado da matriz. Lembra muito o quadrado lá de Trancoso BA. Merece um visita com mais tempo na próxima empreitada.
Já eram 14:00 quando pequei a estrada novamente. Nada de abrandar o calor, vamos embora assim mesmo. Depois de pegar um trânsito razoável (pelo jeito haviam sim foliões que esticaram o carnaval), cheguei em Vitória ES no fim do dia.
E a abraçadeira? Alguém deve ter se perguntado. Bom não soltou nos quase 1.000 km de teste. Acho que ficou boa.


24/12/11 go ride on christmas time

Havia bastante tempo que não pegava uma estrada, desde agosto deste ano na ida a Penedo no RJ. Sim estive em Bhz MG logo em seguida, mas nem conta porque uma pane me fez deixar dona stefânia lá praticamente 1 mês inteiro para só buscá-la no final de setembro.
Em seguida uma revisão mal feita em uma concessionária de Vitória ES, deixou um quase crônico vazamento de óleo na tampa do filtro de óleo, o que me tirou a paciência nos meses seguintes até conseguir resolver na base da justiça com as próprias mãos. Saudade do tratamento digamos vip da concessionária de Mariana MG. Assim não vamos queimar a Yamaha, mas saibam que não vale a pena revisar a moto na concessionária de Vitória ES.
Mas também outros compromissos diminuiram minha cota de fins de semanas livres, tanto para fazer justiça com as próprias maõs, quanto para dar voltas mais longas, afinal fazer pose em todos os botecos da cidade, pagando de cara mau da motocicleta, foi o que não faltou. Tem gente que acha graça. Eu a cada dia me achava mais cômico e me perguntava aonde foram parar aqueles tempos de vento no peito e cheiro de asfalto?
E assim foi até conseguir uma janela com uma volta até Araxá MG para passar o Natal na casa de parentes. Casou perfeito, até na empresa houve folga na segunda (eta empresa danada de boa). Assim teria um dia para ir, um para curtir e um para voltar. Mas do que o necessário, afinal ficaria feliz com somente o dois dias de estrada.
Acordei no sábado cedo, véspera, imaginando que dali a pouco o povo do Clã estaria no tradicional Pré-Natal no Central, nossa confraternização de fim de ano no Mercado Central em Bhz MG, regada a muito fígado acebolado com jiló. Não dava para participar. 900km me separavam do meu destino.
A viagem começou bem, o clima estava ameno, bom ameno para Vitória ES, mas logo estaria subindo a BR262 na região serrana de ES, passando pela linda visão da Pedra Azul. É muito bonito, mas assim que comecei a contornar as sinuosas curvas morro acima um fria neblina tampou toda a paisagem. A couraça segurou a onda, mas lembrei da trupe Nuanda, Hermano e Broto congelando na estrada a caminho de Blumenau SC. Primeira parada em Ibatiba ES e a frente o tempo estava aberto, céu azul.
E que calor dos infernos! Não fosse já estar acostumado com essas surpresas agradáveis do clima numa viagem de moto, talvez tivesse desistido. E o tempo bom e calor me acompanharam até Abre Campo MG na segunda parada e continuaram até Mariana MG já na terceira parada. Mas Fantini, se estava subindo a BR262, como diabos foi parar em Mariana MG e não na BR381 em João Monlevade? Bom eu prefiro quebrar em Rio Casca MG e pegar a estrada por Ponte Nova MG. Além da paisagem bem mais agradável, o pouco trânsito faz a viagem render mais, apesar de ser um trecho mais comprido do que seguir direto até Bhz MG.
E por falar em calor, passei o último quebra mola de Cachoeiro do Campo MG e dá-lhe chuva. Como ainda era início de viagem resolvi arriscar continuar sem capa que secaria em seguida. Me palpite foi tão certo que 2km depois passou a chuva. Era uma tempestade local. E de novo o calor infernal, fiquei seco em questão de minutos. Mas como não pode faltar nada numa viagem de moto, logo após a barreira policial de Itabirito MG, o asfalto estava molhado por outra chuva passageira. A parte divertida é que nesse trecho até a BR040 é região de mineradoras, então imagine a chuva de lama que tomei de todos os carros e caminhões a frente. Realmente não é possível passar por isso pagando de cara mau nos botecos, mas para mim é o que há de melhor, reconhecer que o mundo não gira em volta do nosso umbigo e que devemos enfrentar o que nos vem a frente.
Na BR040 já na região de Nova Lima MG, foi possível dar uma boa esticada descendo a região do Vale da Mutuca. Na verdade aqui ainda é continuação da MG356 que vem desde Ouro Preto MG. Peguei a alça do anel rodoviário em direção a Contagem MG. Daí a pouco já estava em Betim MG. Antigamente eu seguia a BR381 e entrava lá na MG431 em direção a Itaúna MG, passava em Divinópolis MG pela MG050, para só depois baixar na BR262 de novo em Bom Despacho MG.
Mas queria conhecer a BR262 duplicada neste trecho. E assim sai direto depois de Betim MG para o (re)início da BR262 em direção ao Triângulo Mineiro, bem mais da metade da viagem para trás. E que trecho bom, asfalto novo, pista dupla. Torci o cano mesmo até Nova Serrana MG onde houve a quarta parada. O tempo continuava quente, mas havia sinais de chuva. Realmente esse tempo de mormaço não engana. Continuei. A pista dupla cessou, mas daqui para frente o trecho é praticamente todo reto, então nem precisa de pista dupla, quaquer caminhão que se pega no caminho, não demora muito para se ultrapassar.
Fiquei nesse transe, quando o viajar é mais que a viagem e passamos a perceber o entorno de outra forma, o quanto somos pequenos, o quanto nos entregamos as mesquinharias do dia a dia, enquanto ali estava a natureza mostrando toda a sua exuberância, indiferente à minha presença. A subida da Serra da Canastra então? Quando se via uma mar de morros sem fim abaixo, paisagem quebrada somente pela presença de um forte tempestade a frente, hora a estrada apontava para ela, hora desviava, como num jogo de bem-me-quer-mal-me-quer.
Estava tão extasiado que não percebi a km e dona stefânia começou a falhar. Ótimo, vira a chave da reserva. Só que já estava virada. Junior total! Daqui a pouco lá estava eu empurrando dona stefânia no acostamento (tinha visto um posto a pouco) e fui feliz da vida, ainda anestesiado com todo o conjunto da obra e ainda rindo da própria presepada. Pouco antes de uma subida, me aparece uma van daquelas equipes de wheeling (acrobacias de motos). O camarada parou e depois que expliquei meu drama, resolveu tomar uma providência e me ofereceu 2 litros da mais pura. Mais pura gasolina. Agradeci, foi o bastante para alcançar o posto na minha sexta parada, já que a pane seca foi a quinta.
Logo em seguida cheguei em Araxá MG, afinal faltavam somente 50km! Isso mesmo. No total 12h de viagem desde Vitória ES. Passei a noite de sábado e o domingo em excelente companhia, muita diversão e momentos de agradecimento.
Na segunda ainda de madrugada acordei todos da casa com os berros de dona stefânia (ainda tenho que dar um jeito de abafar esse JJ) e voltei para nosso terreiro natural. Estava aquele frio gostoso de antes de amanhecer e o clima indicava que viria chuva. Dito e feito, pouco depois do ponto onde houve a pane seca, lá estava eu parado tentando enfiar a capa de chuva, treco sem jeito. Foram uns bons 150km debaixo de chuva. A vantagem é que esse trecho é muita reta e mesmo a descida da Serra da Canastra é tranquila. Claro que os pneus Bridgestone se mostraram bem mais aderentes que os Pirelli originais, se quiser seguir um conselho, evite os Pirelli, sua aderência é péssima e já me deixaram em bons apuros no mesmo trecho.
Logo em seguida o sol de rachar e haja água de coco em cada parada de volta. Entre Mariana MG e Abre Campo MG foi muito tenso, pois já esta o pico do sol de meio dia. Mas como já passei muito mais raiva vendo a cerveja esquentar debaixo do telhado de amianto dos botecos de Parauapebas PA, mantive-me firme em meu intento. Lógico que em Abre Campo MG foram 3 garrafas de água para compensar, o que somado com os solavancos devido ao péssimo asfalto da BR262 descendo até a divisa do ES, me fizeram parar duas vezes para mijar na beira da estrada em seguida.
Realmente podem esticar o Rally dos Sertões para este trecho que nenhum trilheiro pode dizer que fica devendo a alguma estrada de terra rincão afora. Está realmente sofrível e deixa a pilotagem bastante tensa.
Dessa vez passei Ibatiba ES direto e fui parar em Venda Nova do Imigrante ES e faltavam apenas 120km até Vitória ES. Foram 2 estados, 7 rodovias, 30 cidades, 5 climas diferentes, 1 pane seca, 12 horas para ir, 12 horas para voltar, pouco mais de 1.800km. O corpo já estava reclamando a pouco mais de 150km atrás, mas o espírito iria adiante, com certeza!


02/07/11 consulta rápida no dentista

Fazem quinze dias que mudei de estado e cidade, vindo parar em Vitória no Espírito Santo. Vamos ver se dessa vez eu paro quieto num canto, empresa nova, vida nova, mas não vem ao caso. Havia trago boa parte da mudança (algumas coisas foram parar em Bhz porque na nova república já havia alguns móveis), mas dona stefânia, tadinha ficou para traz em Mariana. Não satisfeito em abandoná-la a própria sorte durante esses quinze dias, ainda moveram a coitada de garagem, porque na antiga república, a dona resolvera reformar a alvenaria e terminar o revestimento. E eu aqui na fila do embarque para pegar o avião para Bhz com toda a parafernália – capacete, jaqueta, coturno, alfoje, fora o kit de sobrevivência ao relento – protagonista de cenas insólitas, ao menos que você, caro amigo, já tenha visto algum motociclista nesta situação desconfortável. No check-in aceitaram que eu levasse as tralhas como bagagem de mão, menos mal. Depois de um pequeno atraso, embarque. Tive que pedir desculpas aos demais passageiros porque não conseguia enfiar o maldito alforje no compartimento de bagagem e antes que a comissária reclamasse, enfiei ele entre as pernas. O que já é desconfortável, ficou mais ainda. Seriam os 50min mais longos de minha vida, não fosse a sorte de sobrar um assento exatamente ao meu lado! Ser motociclista com fama de mal encarado, tem suas vantagens! Então fomos nós, eu e meu alforje, cada um em seu assento devidamente alojados. No desembarque pai estava lá para me dar carona, bem, quase, perdera o celular que achamos em seguida e sumiu lá no saguão. Encontramos com a mãe do Hugo, ele estava chegando para férias em Bhz (consegue estar mais distante que eu morando no Acre) e não podia deixar de esperar para dar um abraço no velho amigo. Puta coincidência. Igual uma vez em Iriri. Bem, essa de Iriri, foi mais coincidência ainda (mas é outro causo). Retorno para Bhz, família junta, uma visão geral das reformas lá em casa e se esbaldar na melhor feijoada da cidade que fica no quarteirão seguinte lá da rua. Além de bom, é barato. E ainda temos que brigar com a cozinheira para ela colocar pouca comida no prato feito. Muitos amigos já penduraram as chuteiras depois do prato cheio. Pena que o prazo era pouco para ainda pegar um trupico. Pai me levou até Mariana e a ansiedade já era grande. “Acha que ela vai funcionar?” perguntou com seu sutil sarcasmo de sempre. “Cai alho! Claro que vai.” Na verdade gastei mais tempo chamando a proprietária do estacionamento onde dona stefânia estava, do que tentando ligá-la depois dos quinze dias apagada. Uai, ela ligou depois de seis meses sem minha presença enquanto estava no Pará e dessa vez só engasgou para fazer charme. Maravilha de ronco em seguida! Despedi de pai e fui para São João Del Rey. Já havia solicitado um canto no terraço da casa do Daniel Spectro, do Filhos da Revolução, e apesar do incômodo durante o translado aéreo, o kit relento viria bem a calhar. Viria nada! O desinfeliz não deixou eu curtir o espírito da coisa e me alojou num quarto com chuveiro quente e tudo. Muito agradecido, como sempre, pela hospitalidade do companheiro e família. A única ressalva era trazê-lo de volta hoje, porque ontem tinha chegado cedo de Tiradentes, cinco da matina. “Ao menos traz o pão da próxima vez”, reclamaram seus familiares. Depois do café e prosa, fomos para Tiradentes. Estava bombando, estava cheio, estava demais. Achei o povo do Clã por telefone, estavam no Dona Xepa esperando a bóia, cai alho, já era mais de oito da noite, aonde é que eu estava que gastei tanto tempo para chegar? Tentei falar com o Macedo por telefone e nada, só caixa postal, então galera do Rio, fica para próxima. Achei o Billy e o 02, do Banished, e o Peralta do Dogs. O Peralta estava tomando coca-cola! Cara consciente, mas reza a lenda que a cada latinha que comprava, ganhava dois misteriosos copinhos de dose. Galera de sampa, desculpe o pouco tempo de prosa, mas tinha que encontrar com o povo do Clã. Lá estavam Hermano João, Broto “Billie Jean” Jr e Nuanda e suas respectivas. Bom, Broto Jr com sua respectiva baixa resistência ao alcóol protagonizando nossa felicidade. Diga-se de passagem que o tal estabelecimento Dona Xepa é muito bom, bom demais se seu objetivo é ficar mais de hora esperando uma porção de batata frita, linguiça e costelinha. Tudo bem que o evento estava lotado, mas dentro da bodega estava vazio. Com essa demora também, está explicado. Até o chopp já chegava quente na mesa após 5min de translado entre a bomba e a mesa. Todos comidos, fomos para a tenda da Krug Bier, onde o camarada de 4 anos seguidos faz seu show de voz e violão interminável e sem intervalos. O cara deve ter um pacto com algum santo para conseguir ficar direto sem parar, muito bom e o repertório atendia, conforme Hermano João, “gregos e troianos”. “Espartanos também” acrescentei. Ainda encontramos o Ebin, do Rasta Brasil. Saudade quando esse cara tinha moto! “Vamos esperar até janeiro”, frisou comigo. Ademais, estava excepcional! Mesmo para mim que foi uma consulta rápida ao dentista, no dia seguinte cedo viria para Vitória. E quem não foi, simplesmente perdeu! Ah! E o Daniel Spectro sumiu no meio da multidão, minha sorte é que ele resolveu chegar logo depois de mim e evitou que seu pessoal puxasse minha orelha. Eta rapaz danado esse! Born to be uai!


09/04/11 o que te faz motociclista

Basta comprar uma moto e pegar uma estrada, certo? Apesar de ter feito exatamente esta dobradinha fundamental, para mim ainda faltava alguma coisa.
E esta alguma coisa era a experiência visceral de uma viagem de moto em seus fundamentos: o destino é a estrada e não o lugar. Afinal não deve haver lugar para ir, deve haver apenas o trajeto. Qual trajeto afinal? Nenhum. Apenas pegue a moto e vá e foi o que eu fiz.
Quando estava saindo, mandei uma mensagem para um amigo de Petrópolis, avisando que passaria por lá. No primeiro abastecimento, já distante do ponto de partida, vi uma mensagem dele de que não estava em casa. Comecei a achar a coisa interessante.
O intento, mesmo com a pouca bagagem, era aproveitar a cidade do companheiro, sua presença e tornar as coisas mais fáceis. Opa! Isso não é visceral! Então o simples fato de ele não poder me receber, tornou a viagem única. E assim me fui. Era uma estrada que ainda não conhecia e desta vez nem verifiquei no mapa possíveis postos de combustível. Estava disposto a enfrentar o que o destino me apresentasse.
Começou a esfriar e o tempo ficara nublado. Adivinha se eu trouxe algo além da roupa que usava: a segunda pele (ok, não tão hardcore), o jeans, a jaqueta, o coturno comum e uma muda de cueca e meias? Isso mesmo, não trouxe. Apenas toalha e sabonete (rsrsrsrsrsrsrs, só faltou o petit gateau).
E nisso me dou conta que nenhum posto de combustível surgiu até agora. Mais de 215km desde a última parada, começo a ficar preocupado. Engraçado que nas outras viagens já estaria dando sinais de precisar da reserva. Vou verificar a torneira de combustível, estava na posição de reserva. Diacho! Tudo bem que estava disposto a tudo, mas rezei para não ter pane seca.
Finalmente o posto no início do RJ. O frentista me pergunta se também vou a Rio das Flores, já que havia um encontro de motos lá. Nem sei onde fica a cidade. Como se chega? Ah, volta até a divisa com MG, pega a saída, depois mais 50km na estrada vicinal. Parecia uma boa idéia e tinha tudo a ver com o objetivo do fim de semana.
Só que queria ver Petrópolis assim mesmo, voltaria em seguida para a tal Rio das Flores. O frio começou a incomodar na região serrana de RJ. Cheguei ao centro histórico de Petrópolis e achei um tanto bucólico. Pensei novamente sobre o encontro em Rio das Flores ou se desceria mais um pouco e em seguida emburacasse para SP.
Resolvi ir para o encontro, fiz meia dúzia de contas e fui sem reabastecer. Peguei a tal saída na divisa com MG. Já era fim de tarde. Agora ao frio, somou-se o lusco-fusco e uma garoa. Basta botar capa de chuva. Qual? Esqueceu que não trouxe? Sim, neste momento senti o espírito da coisa. Somente eu e dona stefânia, num lugar desconhecido e em condições adversas e novamente o risco de pane seca. Motociclismo de verdade.
Consegui chegar a Rio das Flores. No posto me aproximo de outros motociclistas. E o tal encontro, onde é? Tem pousada aqui perto? Olharam para mim e perguntaram atônitos:

– Mas você está sozinho?
– Uai, estou.
– Veio de onde?
– Estou rodando desde ontem, comecei em Mariana, fui a Bhz, sai para a Estrada Real, passei ali em Petrópolis e me deram a dica desse encontro aqui.
– Você é doido?
– Não, sou motociclista.

Nossa risada foi sensacional. Estava finalmente batizado.


08/04/11 cavalo de tróia

Fazia muito tempo que não rodava com dona stefânia a perambular estrada afora. Tinha decidido que este fim de semana seria somente eu, ela, a estrada e qualquer destino. Já estive em muitas estradas, mas em todas havia um porque, um motivo, um intento, um convite.
Dessa vez queria o essencial, uma viagem de moto visceral. Pouca bagagem (uma muda de cueca e meias) e pegando os desvios que surgissem, onde escuresse procuraria abrigo. Mas como temos obrigações da vida de semi-casado, na sexta a noite subi para Bhz. No sábado cedo sairia para onde desse na telha.
A noite estava agradável e fiquei pensando nesses camaradas que se enveredam sulamérica afora com toda uma parafernália de equipe de apoio. Será que realmente tem graça ter a certeza de que será salvo em qualquer aperto? Viagens de moto não fazem diferença se você não viajar por entre as profundezas de si mesmo. E lá não há equipe de apoio que te socorra, você estará sozinho.
Quase no trevo de Ouro Preto / Mariana um susto, um cavalo parado no meio da pista, ali no escuro (tem hora que as mil luminárias da picareta fazem falta) já que o farol da dona stefânia é pouco. Acho que desviei, porque senti o impacto. Que impacto se estava inteiro?
Parei no acostamento, aliás simplesmente parei. Não era o acostamento, não era nada, achei que tinha fechado os olhos. O sangue estava quente com a adrenalina. Onde é que eu estava, cadê a estrada?
De repente a paisagem retornou ou meus olhos acostumaram com a escuridão, mas não era mais o trevo. Não há palavras para descrever o que vi, vertiginoso, íngrime e ao mesmo tempo plano. Outro plano, nenhuma latitude.
Uma voz sem rosto ou forma me confronta:

– O homem está condenado, vide suas ações, não há expiação. Aqui é o seu destino.

Não me conti e comecei a rir. A voz me retruca:

– Quão impertinente e inoportuno, tens conhecimento do que estais a afrontar?

– Eu não. Mas motociclistas não tem destino! – eu disse.

Um clarão e a buzina de um caminhão me fazem voltar a si. Estava no acostamento do trevo novamente. E não estava sozinho. Com o clarão, vi a carcaça do cavalo derrubada no asfalto, inerte.
Não esperei porque, motivo, intento ou convite. Acelerei para Bhz, qualquer destino era melhor que ficar ali parado.


25/06/10 de volta ao dentista

A região da Estrada Real, que concentra as cidades históricas de Minas da época do ciclo do ouro, tem um clima muito interessante no inverno. Por incrível que pareça faz calor durante o dia, a ponto de incomodar ficar exposto ao sol. Já à noite, a temperatura cai bruscamente e, ao arrepio de alguns amigos meus, faço uso do velho e bom cachecol. Considerando esse clima e não podendo perder o Tiradentes Motorfest no fim de semana (afinal seria um revival da primeira viagem com dona stefãnia), me programei para encontrar com amigos de Bhz, Nuanda, Ebin e Broto Jr, no sábado de manhã e descer para o dentista por volta de 09:00 no Posto Chefão na saída para o RJ. No final do dia subiria para Itaúna, pois também estava devendo uma visita (só tem quase um ano) a outro amigo, Flávio, que mora lá. Sexta logo cedo, aguardando reunião no escritório da empresa em Bhz (a unidade que trabalho fica em Mariana e nem precisa comentar que sai de madrugada de carro para estar cedo em Bhz), me aparece mensagem do Nuanda: “Fui”. Ca ialho, pensei, foi para onde diabos? Liguei para perguntar, não atendeu, mesmo depois de três tentativas. A resposta só vim a saber no meio da reunião com outra mensagem dele: “Tiradentes está demais, gente bonita e chopp da Krug. Se eu fosse você viria agora também”. A vantagem de nossos amigos e que podemos maldizê-los sem que isso gere qualquer intriga, portanto maldito Nuanda, isso lá é mensagem que se manda para alguém que está no meio de uma reunião discutindo um bocado de assuntos, menos moto? Depois ainda insistiu: “Já arrumei um quarto barato para passar a noite. Vem hoje mesmo”. Cai alho, vou dizer que foi um dos dias mais longos que já passei no escritório. Nem o interlúdio com aquela pelada que a seleção fez contra Portugal salvou. Finalmente 17:00 e estou livre. Livre? Bom, livre para voltar para Mariana. Uma ducha rápida (na verdade um chuveiro quente porque já estava frio), separa o essencial na bolsa de sissy-bar, três cuecas, quatro pares de meia, moleton, cachecol (lógico) e umas duas mudas de roupa. Armadura no corpo e pé na estrada. Já eram umas 20:00 quando sai de Mariana em direção a Tiradentes. Tanto o trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco e depois a interligação entre Congonhas e São João Del Rey, são estradas lindas com uma paisagem merecedora de muitas fotos. Bom, isso de dia, a noite e nesta época do ano, eu me perguntava se seria possível o Motul 5100 deixar de ser sintético e dona stefânia voltasse a ferver debaixo das minhas pernas como na época do Yamalube. Tudo bem, tudo bem, não serei tão rabugento, a lua cheia estava linda e era a cereja do bolo. OK, do sorvete. Em compensação acho que estou preparado para qualquer incursão ao Sul do país. Fora que companheiro cornija ficou lá encolhido, praguejando o frio, e nem me incomodou. Mais de 22:00 e chegava em São João Del Rey. Confirmei com o Nuanda onde encontrá-lo em Tiradentes e para lá fui, pela estrada velha mesmo, para o arrepio dos meus ossos que na conjunção do frio com os solavancos realmente pareceu que partiriam a qualquer momento. Tudo bem, o abraço do velho amigo ao encontrármos resolveu o problema. Tiradentes estava demais e principalmente a tenda da Krug Beer estava demais. Podem nossos amigos paulistas exaltar o Pinguim ou nossos companheiros cariocas aplaudir a Devassa, mas Krug Beer é cosa nostra! Chopp perfeito. Fora o camarada na voz e violão que estava muito engraçado com um repertório bem variado, passeando por vários clássicos. Ficamos lá com uma galera que o Nuanda conheceu durante o dia, pessoal muito bacana que vieram de speed. Antes disso, ainda vi o Tuí e o Alexandre Moreira lá na tenda da Motostreet. Por volta das 02:30 consideramos que já era hora de dar um tempo, mesmo porque o show acabara. No caminho para ir embora, não é que vemos novamente o Alexandre, agora acompanhado do Russo. Conseguiram nos segurar até depois de 04:00 da matina contando as peripécias do Russo para sair de Riberão Preto até Tiradentes. Não sei como ele conseguiu, mas deu uma boa volta por dentro da Lagoa de Furnas (até usou balsa), ficou perdido em estrada de terra, uma piada. Estava com a menina que conheçou em Riberão da época do passeio Dragueiro em Jardinópolis. Dois ótimos camaradas. Sábado de manhã, por volta de 07:30 fui agraciado com uma ligação do serviço bem no meio do meu sono embelezador. Informação sobre como estava o andamento de uma obra da empresa. A boa educação me impediu de falar que não queria saber daquilo naquele exato momento, mas foi uma informação pertinente. Segundo tempo de sono, 09:30 liga o Ebin: “Aqui, o Broto Jr não apareceu, como fazemos?”, “Larga a franga para trás” respondi e desliguei. Novamente a vantagem dos amigos é que podemos desligar na cara que ninguém deixa de te pagar cerveja por causa disso. Acordei mesmo por volta de 10:00. Banho e a surpresa de um super café na porta do quarto. Até que a “pousada” que o Nuanda arrumou era muito fina. No outro quarto tinha uma camarada com uma BMW, gente fina, mas não guardei o nome. Voltamos para o encontro e daqui a pouco esbarro com o Peninha, que estava meio com pressa e desapareceu na multidão. Mais um pouco e lá está o Ajota perdidão no meio do povo. Grande Ajota, companheiro de estrada e de muito encontros. Me confidenciou que já estava de olho numa moça de Goiânia. “Mas, Ajota, e a moça de Uberlândia?”, “Fantini, motociclista gosta de uma estrada, temos que ter vários destinos”. Realmente ele tem razão. Demos uma volta pelo evento e como eu disse o calor do dia começou a incomodar. Nenhuma notícia do Ebin ainda. Liguei, fizeram um pit-stop em São João Del Rey. Encontramos novamente a galera de speed de ontem. Vim a saber que uns deles queria mais que todo mundo se fodesse, explico, é dono de motel. Pouco depois de 14:00 despedimos do pessoal, dei um último abraço no Ajota e eu e Nuanda pegamos estrada. Ele tinha compromisso em Bhz e eu ainda tinha mais um asfalto até Itaúna. De dia a vista da estrada entre são João Del Rey e Congonhas é um espetáculo, viemos até num ritmo mais lento, lembrei-me do PE-49. Fomos assim até pouco depois de Lagoa Dourada, onde aceleramos o ritmo pois havia ficado um pouco tarde para nossos objetivos finais. Como ainda estava sem almoço um pequena parada em Congonhas para um pão de queijo. Despedi do Muamba, apesar que ainda dividiríamos a BR040 até o Anel Rodoviário, onde eu desceria para a Cidade Industrial e depois pegaria a Fernão Dias e ele desceria direto para Bhz pela Nossa Senhora do Carmo. Já sozinho na Fernão Dias, passei pelo velho caminho de sempre até Itaúna, passando por Igarapé e depois Itatiauçu. Quando parei para reabastecer na saída de Bhz, o frio já começara a cortar e melhorei minha condição térmica com um cachecol (sim, já deve ter alguém comentando: “cai alho de cachecol, Fantini”, mas faz muita diferença no frio). Cheguei na casa do amigo Flávio e a festa de aniversário da filha dele já estava bombando. O bom foi rever a Michele, uma amiga lá de Itaúna, linda como sempre. Aliás ela estava muito arrumada no vestido de festa e o brutamontes de jardim aqui (no alto dos meus 1,67m) com a armadura toda imunda por uma chuva de barro que tomei de uma carreta na estrada. Um cena típica de qualquer ser motoandante. Muita cerveja depois e ao fim da festa, lá estava eu capotado na cama improvisada na sala da casa. Tudo perfeito. Assisti aos dois excelentes jogos do domingo. Alemanha e Inglaterra, para mim até o momento o melhor jogo da Copa, e Argentina e México. Em seguida despedi do Flávio e família, missão Itaúna cumprida. Novamente a solidão do asfalto em direção a Mariana. Solidão? Lá estava eu com dona stefânia e companheiro cornija, este impagável e novamente praguejando o frio. Emprestei para ele o cachecol.


16/05/2010 breve comentário

Sempre repudiei aqueles incapazes de vencer os próprios vícios. Seja bebida, cigarro ou entorpecentes mesmo, esses vícios malignos, assim como os jogos de azar e ainda outros pequenos vícios. Não aceitava alguém ser incapaz de viver a vida sem esses subterfúgios. Quando comecei a andar de moto ainda com pequenas cilindradas até meu acidente sobre duas rodas, também não conseguia compreender o fascínio que tal veículo desperta em nós. Só a partir do momento em que enfiei o pé na lama fazendo trilhas com dorothéia e em seguida enfrentei mais de 1.000km de asfalto com dona stefânia passei a sentir o agravante poder do vício. É estranho e angustiante sentir falta da terrível vertigem de se equilibrar em pêndulo numa curva mesmo em baixa velocidade ou ainda a témivel sensação de vazio sobre os pés ao pular um mísero murundum de terra. Essa saudável labirintite artificial causada pelo andar de moto consegue ser mais forte que qualquer outro elemento para tornar alguém adicto. E nem falei dos outros meros mortais que comos nós se deixam levar por essa maligna maquinaria por rincões afora e que por acaso cruzam nosso caminho e ali deste improvável encontro nasce instatânea empatia. Alguns ainda ousam a singela e verdadeira amizade. Deveriam fazer leis proibindo o uso incidental de uma moto, deveriam banir este sonho amargo de nossos corações, deveriam avisar aos incautos o seu poder sedutor. Sua insensata capacidade de perverter a alma humana a se deixar levar pelos conselhos cornijas. Não, meu amigo, não sou mais capaz de abandonar esse vício. Sou fraco para tal e lhe rogo, não se deixe levar por seus encantos. É uma armadilha.


15/08/09 royal highway

Olha só como é a vida. O que estava combinado era somente rodar quase sem destino no sábado – na verdade tinha programado finalmente fazer o trecho da estrada real entre Ouro Branco e Ouro Preto – junto com o grande Broto Jr que ainda está se acostumando com sua imperial Viragosa 535.

Bem, cumprindo com minha vida de morador do interior, viajei para Bhz na sexta. Daí a pouco o Broto Jr me liga. Já imaginei: “lá vem ele mijar para trás de novo”. Qual nada, um amigo nosso ia tocar com sua banda no covil dos Vutu’s e não podíamos perder. Quem sou eu para discutir com um amigo, também motociclista, e que ainda me chama para um show de rock numa sede de Motoclube?

Chegamos lá e tenho que reconhecer que o local está muito fino, parabéns para a galera do Vutu’s. Para quem quiser conferir, fica na R. São Paulo 1480 próximo a Av. Bias Fortes no centro. A parte divertida é que o local era uma antiga boite (ou puteiro para os mais ávidos). Sou suspeito para falar do show, afinal a banda Metalzone é de pessoal amigo de longa data, mas para quem curte um black sabbath ou um motorhead pode ir no próximo show de olhos vendados.

Antes de meia noite Broto Jr decide ir embora: “Vou descançar para amanhã.” Até mais e fiquei pensando… Amanhã? E o que diabos tem amanhã? Cai alho, o passeio na estrada real. Acho que as doses de guaraná antartica me deixaram meio grogue. O melhor era ir para casa também e descançar para o sábado.

Às 08:00 em ponto, conforme combinado, lá estava o Broto Jr na porta de casa (quero dizer casa dos meus pais). Logo de cara vi o cabo do hodômetro da Viragosa solto e providenciei o reparo. “Pô, Gustavo, começamos bem, hein?”. Calma, Deus cuida bem dos seus bons filhos, e toda a má sorte foi descarregada neste cabo solto que já está OK. Partimos para a estrada.

Subimos a BR040 em direção a Ouro Branco. Primeiro pit-stop no Topo do Mundo na Serra da Moeda para uma sessão de fotos. Volto a recomendar pela vista e pelo clima. Bom, para aqueles que andam reclamando da rebeldia dos cabelos (saem e não voltam), recomendo não retirar o capacete ou ainda treinar com seu mestre jedi para retirar o capacete e colocar imediatamente um boné. O vento que no local é excelente para a prática de paraglide, também é conhecido por levar os cabelos embora. Sinceridade, se amarrasse uma pipa no sissy bar, era capaz de levantar a dona stefânia.

Voltamos para a estrada, deixamos para a trás a maravilhosa vista e trocamos o vento de arrancar os cabelos pelo vento no peito. Se bem que somente eu troquei, afinal Broto Jr colocou uma bolha na Viragosa. Não sei se dona stefânia ficaria bonita com uma, mas eu prefiro mesmo o vento no peito.

No Viaduto das Almas, as obras para algum dia ligar o novo viaduto já pronto com a pista da BR040 (dizem que entregam em 2010) atrasam um pouco a viagem. Eu não ligo, afinal se já é perigoso de carro passar próximo a caminhões e escavadeiras, de moto então. Já imaginou tomar uma conchada de escavadeira bem no meio da viseira? Fria.

Finalmente Congonhas e logo em seguida a saída para Ouro Branco. Em Ouro Branco um necessário pipi-stop. E então a parte mais esperada, o minúsculo, mas fantástico trecho de 30km da estrada real entre Ouro Branco e Ouro Preto. Reduzimos a marcha e fomos tranquilamente nos atentando a cada detalhe. A vista é algo a parte e a estrada através da serra é um espetáculo.

Paramos próximo a uma das antigas pontes de pedra da estrada original (ficam fora do asfalto para o trãnsito não danificar) para uma sessão de fotos. Se não me engano são no total 5 pontes. Se considerar que foram erguidas a uns 300 anos atrás e ainda estarem lá, temos que respeitar a capacidade dos antigos arquitetos e operários. Eu particularmente acho algo para se orgulhar do ser humano, apesar de todos os nossos defeitos e pecados.

Em seguida passamos em frente a saída para Lavras Novas e continuamos em direção a Ouro Preto. Um novo pit-stop na Praça Tiradentes. Atenção dessa vez foi só pit-stop, não venham nos chamar de vândalos e pessoas sem pudor que se aliviam num patrimônio histórico. Tinha uma galera grande lá também a passeio de moto, provavelmente a caminho de um moto encontro que estava tendo em Ponte Nova.

Seguimos para Mariana onde almoçamos para repor a energia. Como eu tinha que participar de um seminário no domingo e segunda em Bhz e não podia ir com dona stefânia, deixei ela em Mariana e subi de volta para Bhz, acompanhando Broto Jr de picareta.

Com a vontade satisfeita com relação ao passeio na estrada real, ficou uma sensação de que deixamos algo para trás… Ah, é! Foi a má sorte lá no cabo do hodômetro solto.