Prudens quid pluma niger secundum

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13/06/13 renascimento

Ainda me restavam quatro preciosos dias de viagem e tendo conseguido organizar uma visita a praticamente todo mundo e passeado por estradas praticamente conhecidas, era momento de encontrar comigo mesmo e em seguida partir para o desconhecido logo ali após uma encruzilhada. Desculpe, mas depois que se descobre que “uma viagem só vale a pena quando ela te transforma”, acabamos por buscar novas fornalhas e malearmos nossa alma novamente.

Porque não colocar uma música na vitrola?

Mas antes era prudente pedir a benção (que se mostrou necessária em seguida) daquele que tem a pena preta. E assim, saindo de Itaúna MG, rumei para a entrada de Ouro Preto MG. A velha MG431 que liga Itaúna MG com a BR381 Fernão Dias ficava cada minuto mais distante a medida em que avançava sobre a BR356. Naturalmente que tivemos o velho e bom banho de lama de mineração dos caminhões que trafegam na região de Itabirito MG, nos ensina a sermos humildes.
No trevo entre Ouro Preto MG e Mariana MG pego direção desta última, mas apenas para descer um pequeno trecho de serra até o bairro de Bauxita (não é uma serra do rio do rastro mas tem lá suas traiçoeiras curvas) e de lá pegar a bipolar MG129 ou MG443, que já que não sabe qual sigla deve ter, carinhosamente mantemos sua nomenclatura original de Estrada Real. Um trecho de apenas 32km da estrada completa entre Ouro Preto MG e Ouro Branco MG.

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

Era ainda idos de 2009 quando passei aqui a primeira vez com a saudosa dona stefânia e não tendo culhões para subir para Lavras Novas MG (tem um trevo mais ou menos na metade do trecho), acabei resolvendo subir por um outro trevo, mais a frente que desembocaria num conjunto de antenas.
Imaginei, uai, antenas, deve ser um topo de morro legal com um vista boa e lá me enfiei, moto e tudo. O pedaço de asfalto não durou mais que 200m e me vi enfrentando pela primeira vez uma estrada de terra com uma moto custom. Muita gente teria torcido o nariz, mas lembrei do que significava o DACS para o clã e me embrenhei vereda adentro.

serra de ouro branco

serra de ouro branco

Eventualmente, após pegar um entroncamento errado aqui, outro ali, rodar meio que perdido e lembrando que não tinha tanto combustível assim, consegui acertar o caminho serra acima. Uma estradinha de terra para matar saudade de dorothéia, companheira dos tempos de trilha, com aqueles belos rasgos de enchurrada que insistiam em dividir a atenção com o horizonte mágico a minha volta.

vai dizer que não sentiria saudades também?

vai dizer que não sentiria saudades também?

Praticamente um ano depois, eu acho, levei Nuanda lá também, ele ainda tinha a XT e ficou embasbacado de como eu conseguia subir naquela estrada com dona stefânia. Mas ao longo do caminho ele entendeu de onde tirava a motivação necessária para ir cada metro adiante. No topo do morro, apreciando a alvorada e além, decidimos oficializar que a Divisão de Ações Ciclísticas Sujas do Clã do Gallo Preto, ou DACS para os íntimos, deveria ser reconhecida onde estivéssemos, fosse asfalto ou terra.

estrada real

estrada real

E era essa tradição toda que Srta. Hellen Dawson tinha agora a sua disposição para não se mostrar acanhada a enfrentar uma estrada digna de suas antepassadas que estiveram na segunda guerra mundial (ou você realmente acha que naquela época tinha maxi big ultra mega blaster trail dos infernos?). Naturalmente que os 100kg ou mais a mais do que dona stefânia e também considerando que dessa vez tinha bagagem traziam um tempero para o trem.

subindo a serra

subindo a serra

ainda falta muito?

ainda falta muito?

há algo mais entre o céu e a terra

há algo mais entre o céu e a terra

no topo

no topo

E lá em cima chegamos, para a incredulidade de uma casal que descia num uno velho e parou para me perguntar se eu estava perdido enquanto tirava umas fotos.

Não havia como explicar para eles o quanto eu estava realmente me encontrando.

perdido?

perdido?


10/06/13 adeus à bezerra

Uma parede de neblina insistia em se manter a minha frente. Isso porque já havia avançado bem a BR381 Fernão Dias em direção a Bhz. Acredito que dava para ver aproximadamente uns 10 metros a frente e olhe lá.
Mas, Fantini, de São Paulo a Belo Horizonte é um trecho curto, poderia ter saído mais tarde e evitado o frio cortante da manhã. Bem, isso não estava nos planos de Sabbath, o gato, e eu preferia não ter um hemorragia interna sem explicação.
E se o motor funcionando em temperatura adequada foi a salvação no trânsito travado de São Paulo, agora na neblina gelada senti até saudade do tempo em que cozinhava os bagos em cima da panela de óleo abaixo do banco de Hellen Dawson. Até lembrei da primeira vez que peguei um tempo de inverno com a saudosa dona stefânia a noite, retornando de Bhz para Mariana, idos de 2009. Naquela noite parei umas três vezes e fiquei abraçado no motor em funcionamento antes que pegasse um pneumonia. É, há coisas mais perigosas na vida do que um gato metido a besta.
Cheguei em Bhz na hora do almoço e após rever mãe e descarregar as tralhas na casa do imperador, fui finalmente comprar um capacete novo. O velho zeus aberto companheiro de muitas desaventuras já apresentava sinais dos kms sob chuva, sol, frio, besouro e toda sorte de sujeira possível. Teve até um passarinho suicida que deu um razante na viseira certa vez.

Infelizmente não havia uma cor mais espalhafatosa

Infelizmente não havia uma cor mais espalhafatosa

Em seguida já estava convocando o povo do clã para homenagear nossa querida bezerra morta. Tentamos ir no Vintage 13, mas como era segunda, estava fechado. E assim ficamos no Amarelinho da Savassi mesmo.

Preocupado

Preocupado

Na terça fiquei por conta da família, já que na quarta tinha encaixado uma visita para o Flávio lá em Itaúna MG. Como Itaúna MG fica logo ali a uns 100kms, não tinha motivo para sair muito cedo e finalmente pude pegar um clima agradável para curtir a estrada.
Pena o trecho curto, descendo a BR381 Fernão Dias sentido São Paulo, para logo após a Serra da Pedra Grande em Igarapé MG, pegar a MG431 sentido MG050. Outra opção seria subir a BR262 após Betim MG e pegar a MG050 na altura de Mateus Leme, mas sempre prefiro o caminho da serra por ter uma sequência bacana de curvas.
Já encontrei com o Flávio no supermercado, abastecemos de cerveja e carne e pronto, mais dois dias de preocupação com a coitada da bezerra. Um ótimo adeus à bendita.
E até aqui basicamente pilotando por estradas cuja maioria eram mais que conhecidas, paisagens que apesar das repetidas vezes, não me canso nunca de rever. Sim, desde quinta, dia 30/05 entregue ao que o clima e o asfalto me oferecessem e aproveitando a recepção calorosa de todos os amigos e irmãos. Não sei bem o que dizer a respeito a não ser: experimente também.

#vem para estrada

#vem para estrada


19/05/13 cavaleiros medievais

Antes de continuar, porque não colocar um som na vitrola?

A um tempo atrás eu havia comparado nossa atitude de viajar rincões afora numa moto a aquela dos cavaleiros medievais, que portando seus cavalos atravessavam reinos e alcançavam terras distantes.
Quando retornavam, traziam algo além das cicatrizes e peles calcinadas pelas intempéries que enfrentavam. Traziam também a experiência de ter vivenciado outras paragens, outras culturas, e de seus relatos dessas terras maravilhosas, nascia o fascínio que os aldeãos (que nunca teriam a oportunidade de conhecer um mundo além de suas cercas) nutriam por estes cavaleiros e que se tornou sua maior imagem que nos passam tantos contos e histórias.

Motoqueiros ou cavaleiros medievais?

Motoqueiros ou cavaleiros medievais?

Ao menos é o que me vem a cabeça para tentar explicar porque causamos o mesmo facínio nas pessoas. Sim, muitos irão questionar o porque de suportarmos tanto desconforto que uma viagem de moto proporciona (na verdade é exatamente o contrário, já comentei sobre isso), mas sempre ficam nos olhando com aquela cara de “gostaria também de ter a oportunidade (coragem) de ultrapassar minhas cercas e me lançar ao desconhecido”.
Dito isso, retorno a uma discussão técnica que tenho vivenciado com o Maia. Ele um “novato” que já fez viagens que até deus duvida no pouco tempo de moto e sendo um ex-pacato professor de direito, defende o direito que todo e qualquer indivíduo tem de adquirir o que bem entender e ainda utilizar ou não utilizar tal bem da maneira que achar mais adequada. Sim, fiz esse rodeio todo para comentar a respeito do que torna alguém motociclista (ou motoqueiro como tenho preferido ultimamente), na minha mais humilde opinião.
Comprar o veiculo e se fantasiar ao bel prazer de uma forma que mais me parece inconscientemente criada por modelos de marketing e por este fascínio que comento acima (e as vezes pouco ou nada a ver com o indivíduo), na minha humilde opinião não torna alguém motoqueiro. Bom, talvez motociclista, sim aquele que faz questão de se destacar de pobres almas que não tem a mesma oportunidade de usar moto somente por prazer e sim para ganhar o suado pão.
E até bem pouco tempo atrás não tinha tal consentimento, mas das discussões com o Maia, acredito que aqueles que vivem de criticar o comportamento deste ou daquele motociclista ou motoqueiro, seja pela oportunidade de usar marca A ou B de moto, seja  por usar para ir na padaria, pequenos eventos ou levar na oficina em outro estado também não sejam motociclistas ou motoqueiros.
Cai alho, Fantini! Então o que diabos você acha que te faz motociclista ou motoqueiro?

Nós e outras figuras que causam fascínio

Nós e outras figuras que causam fascínio

Serei sincero, eu mesmo não tinha certeza. Só soube num dia em que peguei a saudosa dona stefânia a partir de Mariana MG onde morava na época e sai por aí. Comecei em Bhz (porque tinha compromissos da pena preta), em seguida voltei para Ouro Preto MG só para passar no trecho da estrada real até Ouro Branco MG, a partir da BR040 fui a Petrópolis RJ. Num posto em Entre Rios RJ, o frentista me indicou um encontro em Rio das Flores RJ.

Estrada Real

Estrada Real

– Pega essa estrada aqui na divisa entre Minas e Rio e segue uns 50km. – me aconselhou.
Cheguei já no inicio da noite. Parei no posto da cidade e me aproximei de outros motociclistas que ali estavam.
– Bão? Aqui onde é o encontro? Sabem de lugar para dormir aqui?
Me olharam de cima a abaixo.
– Mas você está sozinho? Veio de onde?
Contei por onde tinha passado.
– Você é doido? me questionaram completamente atônitos.
– Não, sou motoqueiro (a bem da verdade, eu disse que era motociclista).
Estava batizado.
Assim, voltando ao assunto, se você ainda não se lançou ao desconhecido estrada afora, sem destino definido, com o único e simples intuito de curtir o que a viagem lhe apresentar e assim ganhar algumas cicatrizes e calcinações na pele. Sem ter sua alma acrescida por novas experiências em paragens nunca vistas. Me desculpe, amigo, mas você não tem o direito de tomar para si o fascínio que os antigos cavaleiros medievais criaram nos aldeões.


08/03/13 era para ser mais um teste de abraçadeira

A um pouco mais de um ano atrás estive em Prado BA com o objetivo de verificar se as abraçadeiras que havia trocado do acabamento do escape da saudosa dona stefânia haviam ficado firmes. Sabe como é, essas coisas tem que ser verificadas e nada como uma voltinha de 450km para ter certeza de que havia ficado bem montado.
Ainda tinha combinado de verificar as condições do asfalto para a turma que subiria de Bhz na semana seguinte. Eu também tinha a intenção de voltar no outro fim de semana, mas uma pane na bobina fez dona stefânia ir para o estaleiro e me obrigar a encontrar com o povo de carro mesmo.
Estávamos eu, Nuanda e Hermano, representando o povo do clã e mais três casais amigos nossos que não têm clube. Nos divertimos bastante e sei que tiveram um agradável passeio por terem vindo juntos e voltado juntos.
Dessa vez fui com o pessoal daqui de Vitória: Chico, Marcão e Nilza e o maluco do Jansen, cada um carregando sua bandeira, mas dividindo os mesmos momentos na estrada. Somente o Jansen que teve que voltar um dia antes devido a compromissos de trabalho.

viagem em grupo

viagem em grupo

Ah! E tinha o Maia, mas o doido resolveu viajar a noite sozinho. O que que eu posso fazer se o desinfeliz quer passar por todo e qualquer rito de passagem para ficar citando Nietzsche. Espero que não resolva também pegar uma estrada de terra a noite. Se bem que depois levo ele lá no trecho que já fiz a noite, que sai da BR101 até Nova Viçosa BA, só para ver se ele tem braço mesmo.

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

Como estou com a missão de acabar de vez com os pneus da srta. Hellen Dawson, a voltinha de 450km vinha a calhar, ainda mais que há um grande trecho de reta sem fim para alegria da maioria dos donos de custom. Para minha sorte, há uma pá de curvas para todos os gostos e velocidades, assim poderia gastar também a lateral dos pneus.
E ainda precisava saber se as abraçadeiras do escape novo, trocado na semana anterior, estavam bem fixadas.

nenhuma peça do escape caiu até aqui

nenhuma peça do escape caiu até aqui

Como todo encontro é basicamente a mesma coisa, basta dizer que em Prado BA se tem a praia à disposição. Mas considerando o péssimo atendimento local, cai alho Fantini, pega leve. Ok, considerando o péssimo atendimento que tivemos na barraca que ficamos, acho que era Barraca do Toti, ter a paisagem da praia salvou.
O Maia havia nos dado a missão de conversar com o tal Joaquim Gente Fina, infelizmente e apesar de não ter faltado assunto, ficou ainda um dedo de prosa para terminar com o distinto.

o joaquim gente fina

o joaquim gente fina

Retornamos no domingo. O mesmo calor escaldante da viagem na sexta. Não, não tente isso em casa, mas resolvi ir somente com uma calça e uma blusa jeans surrada e o velho e bom colete do clã para me proteger. Aí, alguém vai levantar o manto da segurança pessoal, que devia dar o bom exemplo e o cai alho a quatro. A única resposta que tenho é que sim, em Minas uso segunda pele, jaqueta, calça de cordura, mas lá o clima permite. A 40°C a sombra, é melhor ir com uma roupa mais arejada para não desidratar e desmaiar em cima da moto.
E deve ter sido o que aconteceu com um casal que o Maia (ele voltou um pouco mais cedo que nós) encontrou estatelado no chão. Procurou saber se estavam bem e se precisavam de alguma coisa. Responderam que não precisava se preocupar, mas pediram que avisasse o companheiro de clube deles.
E lá foi o carismático Maia de posto em posto até achar o distinto 100km depois.
– Cara, pediram para avisar que seu amigo, Daniel, se acidentou.
– Mesmo, nó, que pena. Mas 100kms atrás, né? Tá longe, não adianta nada eu voltar lá, vou seguir.
Por sorte e porque o Maia é um cara de paz, outro membro desse pseudo motoclube também não sofreu um acidente.
Além de realmente estar abismado com a situação, eu não sei o que faria com um espírito de porco desses se tivesse ouvido isso.
Fiquei pensando no ótimo passeio que tivemos a um ano atrás, no passeio desse fim de semana. Fora as outras pequenas voltas que tive aqui por perto de Vitória com o pessoal bacana que tenho conhecido aqui. Mas a cada dia que vejo essas pessoas fantasiadas, menos me cobro por preferir viajar “sozinho”.

Não viajo sozinho

Não viajo sozinho

Afinal, enquanto estiver carregando a fúnebre flâmula, sei que sempre o povo do clã viaja comigo e nunca, nunca abandonamos ninguém.


21/12/12 christmas ride

Acho que vou considerar tornar a voltinha de natal algo tradicional. Ano passado estive em Araxá e este ano voltei para Bhz. Se daquela vez enfrentamos eu e saudosa dona stefânia uns bons 700 e poucos km com frio e chuva em cada trecho, dessa vez a nova companheira, srta hellen dawson, teve que enfrentar um escaldante início de verão.
Ao contrário de suas demais conterrâneas, acostumadas com frio e neve nessa época do ano em paragens mais ao norte do mundo, srta hellen dawson foi obrigada a sobreviver a uma viagem iniciada às 12:30. Não, não recomendo a ninguém, ainda mais se considerar que de Vitória a Bhz são pouco mais de 550km, o que deu para vencer em umas 7 horas e pouco. Eu sei que tem muita gente que gasta bem mais tempo e nem é questão de correr, é só questão de aproveitar a estrada.

Granjas reunidas em Bhz

Granjas reunidas em Bhz

Como era um horário bem atípico, sendo a tarde de uma sexta e véspera de natal, a estrada estava bem vazia. O que foi muito útil considerando que para nós dois aquilo era novidade. De um lado eu pela primeira vez a domar aquele exagero de motor em um trecho mais comprido, do outro a moto que acredito não ter ainda conhecido esse trajeto.
A primeira impressão é que realmente o sistema de suspensão “softail” cumpre com o que promete. Aliado a frente gorda, temos uma estabilidade incrível. Como estava muito acostumado com dona stefânia com sua menor altura, suspensão não tão confortável e o garfo dianteiro que não apresentava a mesma rigidez, fiquei realmente muito surpreso com a facilidade de contornar as curvas, algo que sempre preocupa em qualquer moto custom. Ainda mais deste tamanho.
Além disso o motor com fôlego. Fôlego? Melhor é dizer dois pulmões de folga. Foram pontos muito específicos em que tive que fazer uso da 4a marcha. Basicamente fiquei na 6a marcha, reduzindo para 5a quando um regime de rotação um pouco mais alto foi necessário para uma ou outra ultrapassagem. E isso subindo morro inclusive.
E naturalmente devem estar imaginando, o maluco subiu a serra, partindo meio dia, nessa lua, em cima de uma “big twin”, já era, fritou os bagos. Bom, neste caso, um providencial sistema de refrigeração de óleo, instalado pelo antigo proprietário foi de grande valia. Mas vale lembrar que a estrada aberta é o território dessas motos e portanto, o próprio vento se encarregara do recado. Ainda assim foi de grande valia atrás deste ou daquele caminhão onde fomos obrigados a reduzir o ritmo até conseguir ponto para ultrapassar.
Bom, todos estes pontos positivos, mas lógico que tem que ter algum revés, afinal nem tudo na vida são flores. E eu no alto dos meus 1,67m comecei a sentir a dolorosa adaptação a uma moto cuja ergonomia foi pensada para camaradas maiores. Com o banco original e uma grelha para levar a parca bagagem no lugar do banco de garupa, não conseguia achar um bom apoio lombar, o que me obrigou a segurar o corpo com os braços e pés.
Para os braços foi terrível, pois a fatboy vem com aquele maldito guidon cruiser. Que cai alho é aquele? Quem disse que aquela coisa é confortável? O pulso dobrado a viagem toda e ainda fazendo força para segurar o corpo contra o vento. O guidon já era, tinha dado alguma confiança, mas sem chance, terá que ser substituído. O guidon da heritage é o que tem mais me agradado em termos de visual e conforto, vou ter que arrumar um similar.
Para as pernas, bem, apesar do “desconforto” que sentia com as pedaleiras da antiga moto, não achei posição com as plataformas da atual. Isso eu ainda não pensei como resolver, ainda estou pensando numa solução a respeito. Mas acredito que um daqueles bancos que te mantêm mais a frente possam ajudar bastante, coisa que vou ter que olhar.
E nessas horas valeria a pena estar debaixo da neve só para ter uma revenda que realmente prestasse para verificar as peças antes de comprar algo no escuro e esperar pacientemente pela entrega.
Mas de modo geral e comprovado na viagem de volta, já na terça, apesar das várias dores que apareceram pelo corpo todo rsrs, não tem discussão sobre a ciclística e força do motor. E como acaba se trabalhando numa rotação relativamente baixa, o consumo também ficou muito bom comparado com a velocidade média e alguns tiros que dei aproveitando os trechos de reta e estrada vazia.
Só continuo com minha opinião que não justifica o valor que se cobra numa moto nova, mesmo com a opção de utilizar óleo lubrificante para motor diesel em seu motor.
Ah! E sim, se você também mora no litoral, sugiro adquirir o radiador de óleo (que se danem os puristas!), pois realmente terminar uma viagem de pouco mais de 550km com uma panela de óleo fritando debaixo do banco num calor de 40oC não é coisa que desejo para meu pior inimigo.


24/11/12 capital do petroleo

Estive de carro a contragosto em São Lourenço MG no feriado de finados para encontrar com o povo do fórum DOGs. Isso porque no final de outubro havia estourado os retentores e empenado a roda dianteira de dona stefânia na visita a Bhz. Na oficina o Chico me perguntou como consegui pilotar com a moto naquela condição, com as bengalas completamente sem óleo. “Ainda bem que foi no final da viagem já na volta, não é?” ele perguntou. Quase caiu para trás quando disse que tinha passado num buraco logo subindo a serra no início da viagem, um dia antes.
Apesar de novamente ir num encontro de motos sem moto (joselito sem motão total), sempre é uma boa oportunidade de conhecer pessoas bacanas e lá estava o Zeca do RJ para me chamar para o encontro em Macaé. Tive que declinar inicialmente porque não tinha achado hotel ou pousada para ficar. Complicado. Para ser sincero não sei para que o povo tem essa mania de ficar marcando tudo com antecedência, perde até um pouco da graça da viagem, mas cada um é cada um.
Já estava preparando para ir para uma confraternização geral da empresa onde trabalho, quando a filha do Freitas, outro amigo do povo do Répteis aqui de Vila Velha me ligou querendo saber se eu ia a Macaé. Comentei que não tinha mais vagas em pousadas e ela insistiu, vamos de camping. Não tenho barraca, mocinha. Não tinha problema pois ela tinha barraca. Mulher quando quer carona nem adianta discutir.
Não fosse a previsão de chuva no sábado segundo o climatempo, eu começava a pensar, já tendo avançado a fronteira entre ES e RJ, se realmente seria possível chover. Não havia uma sequer nuvem no céu. Cai alho que dia quente. O jeans surrado estava de boa, mas a jaqueta realmente estava tenso. Devia ter vindo só com uma camisa de manga cumprida. Paciência.
Acho que a única vez que vi uma estrutura de evento tão grande foi no Brasília Moto Capital em idos de 2007, eu e Nuanda atravessando o centro oeste (de carro rsrsrsrsrsrs, nessa época só fazíamos trilha) de Bhz até o Distrito Federal. Passei a primeira entrada do evento, puto por ter errado e continuei dando a volta. E continuei dando a volta, continuei dando a volta, aí mais um pouco e aí uma placa: “entrada mais a frente”. Velho, cabia um Mineirão inteiro mais estacionamento no lugar. Três palcos. Megalomania total.
O calor impedia de fazer qualquer coisa, inclusive montar a barraca foi na base do missão dada é missão cumprida. E ainda nenhum sinal de umidade. Teriam nossos amigos do climatempo se enganado? A primeira cerveja estava quente e a coisa somente mellhorou depois que troquei de boteco (tinha uma centena lá) e passei a tomar uma budzinha na temperatura ideal.
Havia o palco principal onde teria o Nazareth. O palco 2 bem em frente a área dos botecos que se mostrou o melhor inclusive na seleção de bandas (todas muito boas) e o palco 3 lá no fundão do outro lado onde estava rolando o shows mais pesados, inclusive com a diversão garantida do João Gordo e o povo do RDP. Excelente show. Mas e o Nazareth, Fantini? Não gosto então podia nem ter que ficou do mesmo tamanho.
Por volta de 18:00 finalmente São Pedro deixou de sacanear o povo do climatempo e aquele tempo fechado foi chegando devagar até que quando escureceu de vez e já se podia sentir a umidade no ar, começou aquela ventania típica de tempestade. Lembrei que não tinha travado tanto assim a bendita barraca e fui lá correndo encaixar mais travas. E nisso voando barraca, voando banner, voando bandeira, voou até um barbudinho magricela que estava lá de bobeira. Chuva mesmo nem foi tão forte assim para entrada triunfal que ela vez, ficou naquelas chuvinhas chatas que começam, param, recomeçam, diminuem, aumentam e vão até de madrugada.
Nesse interim encontrei com as figuras carimbadas daqui do ES, que estão em todas. De bobeira numa das lojas lá me aparecem o Bart e o Samuka que estavam olhando anéis (sei). Não me perguntem porque. Em seguida ainda achamos o Macedo com seu pessoal do Águias, aproveitei para filar um joaquim daniel e saber dos planos dele e Bart de subir o Atacama. Boa viagem camaradas.
Não achei foi o Zeca, deve estar puto comigo a essa hora. Rsrsrsrs!
Por volta de 03:00 da matina fui durmir já me preparando para o chão duro (sim, tinhámos barraca, mas quem disse que tinha colchão?). Finalmente quando consegui pegar no sono, antes de 05:00 uns desinfelizes que não sabem fechar acampamento e ir embora de boa, começam uma algazarra. Ainda tentei cochilar mais um pouco. Sem sucesso. Cai alho! O jeito era levantar também e ajeitar as tralhas para pegar estrada de volta.
O tempo estava nublado, mas sem sinal de chuva. Ótimo, compensaria o calor do sábado. Viagem mais que tranquila, pouco trânsito. E lá veio ela, nossa velha companheira chuvinha chata de estrada. Nos pegou da divisa até próximo de Iconha, mas era chuva muito fina e de boa, nem incomodou. Como tinha que deixar a filha do Freitas em Vila Velha, após Iconha, peguei a saída para Piúma e assim a Rodovia do Sol.
Não foi uma boa idéia, porque a chuva que havia passado completamente nos pegou no trecho entre Piúma e Meaípe, aí desandou, não pela chuva um pouco mais forte, mas pelos carros jogando o spray de lama e areia na cara. Sei que já tem gente aí se contorcendo no sofá, mas como eu digo, não se vê isso da janela do apartamento. Aí é uma escolha entre uma vida pacata e tediosa ou um pouco de sujeira, diversão e um banho ao final da viagem.


27/10/12 pontes

Escrevi recentemente para um irmão a respeito da importância da criação de pontes entre as pessoas e como admirava essa capacidade nele. De uns tempos para cá tenho batalhado muito esse tipo de coisa e tenho certeza que o motoqueirismo tenha facilitado desenvolver essa faculdade em quem, como eu, não nasceu com ela.
Eu queria e precisava simplesmente retirar a cera dos sapatos novos de dona stefânia. Realmente a inveja mata, mas no caso foi só o bom exemplo do Christian que me deixou com vontade de aproveitar a necessidade de troca dos pneus para colocar um par de faixas brancas. Christian, meu muito obrigado por me deixar na pilha ao ver o resultado na sua moto. E dona stefânia também agradece.
E lá estava eu confabulando para onde ir, tinha planos de ver uns negócios em Sampa e aproveitar para visitar o velho Ghan e de quebra o casal Tavares (nossos irmãos de clã), mas precisaria de mais prazo. Havia ainda um pequeno encontro aqui em Vitória mesmo para ir com o Chico. Ou o churrasco da Pagu. E finalmente tinha o Outubro Negro, festa do calendário oficial do clã em Bhz.
O que quero dizer é que se não estivesse exercitando a difícil mas necessária arte de construir pontes, é provável que teria que ir somente ali no posto do café sozinho mesmo.
Assim resolvi fazer uma surpresa ao irmão Nuanda, indo de supetão para Bhz, afinal somente 600km, viagem rápida. E com certeza teria bastante asfalto para tirar a cera do pneu novo de dona stefânia. A surpresa quase deu certo (houve boatos da minha ida), mas no final vendo a alegria do Nuanda com minha presença compensou ficar só no refrigerante e água para ter condições de voltar no dia seguinte. Isso mesmo, sai sábado cedo, fui na festa, voltei para Casa do Imperador, dormi, domingo cedo já estava voltando. Atravessando pontes estrada afora e pavimentando mais ainda a que tenho com meu querido irmão de clã.


E naturalmente que reencontrar todos os demais irmãos do clã também foi especial, mas azar o de vocês, o aniversário era dele.
Mas como sempre tem algo de inusitado para tornar as viagens mais divertidas, logo na primeira parada em Ibatiba, observando dona stefânia com suas meias de seda, sexy e bandida, vi que os retentores das duas bengalas estavam melejando. Maravilha, aquele buraco subindo a serra doeu mais que na minha coluna. Após alguns cálculos resolvi seguir viagem. Na ida nem atrapalhou muito, exceto em algumas curvas do trecho entre João Monlevade e Bhz, onde percebia que a suspensão já estava um pouco dura para as manobras.
Na volta é que foi a sensação. Lembrei de um outro camarada reclamando sobre dor nas costas. Acho que ele teria morrido no meu lugar. O asfalto da BR381 / BR262 em Minas foi recapeado recentemente e não tem buracos, mas as costelas, invisíveis a olho nu, mas bem sensíveis numa moto custom com perda de óleo nas bengalas, estavam demais. Eu fui contando os solavancos e acho que atingi um recorde pessoal de 35 solavancos por quilômetro. A certo momento pensei até que estava montado na dorothéia e não em dona stefânia. A coisa só melhorou quanto alcancei o Espírito Santo. Com menos trânsito de caminhões, o asfalto está menos desnivelado e assim consegui reduzir a média de solavancos.
Enfim, não foi necessário nenhum analgésico para minha grata surpresa. Tudo bem que tem a praia para dar uma boa relaxada pós viagem, ainda mais nesse calor e com horário de verão.
Ou talvez seja só resultado da sensação de atravessar as pontes que criamos com as pessoas que amamos de coração.


29/09/12 a necessária arte de desplanejar

Eu meio que havia esquecido dona stefânia na oficina do Chico desde a última viagem até Monte Verde MG. Não que houvesse algum problema mecânico (apesar que já é hora da revisão básica com troca de óleo), foi somente para tirar a sujeira que ficou com a chuva fina que peguei na ida.
E aí estou lá vendo o Chico comentando da volta até São Fidelis RJ e que o pessoal da turma dele não podia ir. Tinha reservado quarto duplo e tudo. Mas teria que ir sozinho. Bom, a vantagem de ser motoqueiro é que se decide as viagens na base da oportunidade e não em planejamentos minuciosos: “Aqui, vou com você, precisa chorar mais não.”
No meio da semana confirmei somente a hora de saída no sábado. Como ele tem que cuidar da loja, teríamos que sair a partir de 13:00. Sem problema, afinal seria somente uma perna de 300km. Viagem curta. Aproveitei para resolver uns trem que precisava e que acabei não resolvendo nenhum deles por motivos alheios a minha vontade. Rsrs. Incrível como as coisas são e por isso que já faz tempo que não ligo muito para programações exatas. Algo inclusive que gerou uma discussão com um amigo a respeito da dinâmica da vida.
Mas voltemos a viagem real. Por volta de 12:40 já estávamos cortando a BR101 por sugestão minha. O Chico até pensou em ir pela 3a ponte e Rodovia do Sol e eu: “pagar pedágio para quê?”. Paramos rapidamente no trevo da BR262 para que ele ligasse a goPro. Sim, dessa fez teremos este humilde escriba estrelando um filme no asfalto.
E lá ia eu fazendo toda a pose na filmagem, cortando o asfalto com critério, querendo demonstrar o uso da correta aproximação de curva, contra esterço e tudo que o valha. E eis que São Pedro resolve colaborar com nossa demonstração de pilotagem em estrada e desce uma bela duma chuva. Nem foi muito forte assim. Mas ao menos mostrou algo importante neste caso: diminua a velocidade.
Pouco após o trevo de Guarapari ES, um acidente feio com uma carreta de leite em pó. Ao menos dessa vez não praguejei tanto os catadores, quanto na vez do acidente em Rio Bonito RJ, quando um monte de desinfeliz tentava ser atropelado para catar água sanitária. Demos sorte de poder passar através da inhaca, pois os bombeiros fecharam a pista em seguida.
O que foi até útil, afinal continuamos debaixo da chuva, mas ao menos não tivemos trânsito pesado. Na primeira parada no Posto JR, uns 20km antes da divisa ES RJ e os dois pintos molhados faziam a alegria das atônitas atendentes da lanchonete. Aposto que elas pensaram que assim não andam de moto. Tem gente que conta um monte de lorota que lava a alma (nem sei como se sempre se fica imundo com o pó do asfalto). A verdade é que a chuva na estrada é uma plena lição de humildade. Não importa quem você seja.
Mas como a vida é boa em cima de uma moto, no trecho seguinte já no estado do RJ o clima estava limpo e o sol quebrou nosso galho para nos deixar secos novamente. Passamos um pedaço de Campos RJ e pegamos a estrada em direção a São Fidelis RJ. Que estrada agradável. E olha que passei aqui ano passado no maior aperto voltando de Penedo RJ com o óleo velho, filtro saturado e dona stefânia fritando e não pude aproveitar tanto quanto dessa vez. Recomendo o trecho para todos.

chegamos em sao fidelis

chegamos em sao fidelis

Chegamos são e salvos, mas com a cueca molhada ainda. Foi o tempo de botar a conversa em dia com o Well do Vitória MC que já estava por lá desde sexta e fomos na pousada tomar uma ducha e botar uma cueca seca. Sou motoqueiro, mas sou limpinho! E a noite prometia. Bons shows e diversão garantida como a turma daqui de Vitória que estava por lá. Ainda tive a oportunidade de conhecer nativos da região, pessoal muito gente fina.
No domingo ficamos eu e Chico avaliando se subíamos até Nova Friburgo RJ para conhecer ou se vazávamos de vez. A distância e o horário nos fizeram deixar Nova Friburgo RJ para uma próxima oportunidade. Mas para compensar resolvemos subir de volta a Vitória ES pela estrada que corta o litoral. Basicamente após a saída de Campos RJ, pega-se um trevo em direção a São Francisco de alguma coisa que não lembro mais e pronto, lá estávamos nós numa estrada digna de uma viagem de moto.
Sem certeza de postos, sem realmente saber o caminho correto e principalmente, sem muita correria. Foi uma das melhores opções que tivemos. Pois neste exato momento se rasga qualquer planejamento e se deixa guiar pelo que o asfalto vai apresentando. Uma usina de álcool aqui, uma cidade de calçamento acolá, uma ponte da divisa RJ ES que desemboca numa estrada de terra e…

divisa RJ ES

divisa RJ ES

a ponte

a ponte

alegria, alegria

alegria, alegria

Cara, sacanagem, não deu nem 1km de estrada de terra. Já estava jogando a mão para o céu pela diversão quando vi o asfalto novamente, pena. Mas já compensou a quase emoção e a lembrança da estrada de terra noite adentro na visita a Nova Viçosa BA ano passado. O Chico sugeriu a gente conhecer a praia que fica ali na divisa. Aparentemente é um lugar bonito.

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

Em seguida viemos cortando a chamada Rodovia do Sol que vai atravessando todas as cidades de veraneio que se tem direito no ES: Marataízes, Itapemirim, Iriri, Piúma, Anchieta, Meaípe, Guarapari para ao final alcançar Vila Velha e desembocar novamente em Vitória a partir da 3a ponte. Se uma estrada de moto já é agradável, uma estrada de moto com o oceano a seu lado é mágico.
Ainda bem que não planejei nada, pois teria voltado pela BR101 mesmo e perdido isso tudo.


14/09/12 quem sabe se experimenta com uma full hd

Eu estava na loja / oficina do Chico essa semana comentando sobre como dona stefânia tinha ficado suja no pulo a Monte Verde MG (deixei ela lá para lavar) e aproveitando o dedo de prosa fui conferir a data e a quilometragem da última geral para saber se já era hora de trocar o óleo do cardan.
Ele começou a rir que era uma absurdo só me conhecer a 6 meses e já estar na hora de trocar o óleo do cardan que é a cada 10.000km. Sim, 10.000km de viagens em 6 meses, mais um bocado de boas amizades no mesmo período, como o grande Chico ou a própria Pagu, daqui de Vitória ES.
Mas os últimos 2.000km dessa empreitada somaram na última viagem no fim de semana que passou, com a volta ali na esquina de Monte Verde MG a convite da turma dos DOGs de Bhz, Carlão da Carlinha e Matheus da Zelda. O povo do clã resolveu ir em peso, inclusive o povo que não é DACS (ainda), afinal o clã nasceu bem antes da paixão de alguns por motoqueirismo.
Uma das vantagens de uma viagem longa é experimentar vários climas num mesmo dia, coisa que não se percebe numa viagem de carro hermeticamente fechado em seu ar condicionado e som de dvd. Na estrada o ar é que te condiciona a aceitar o frio do sereno da madrugada ao sair, combinado com o calor escaldante do sol a pino no meio dia, para te entregar a temperatura amena do fim de tarde. Com sorte ainda pode ser presenteado com um pôr do sol.

um pôr do sol de presente

um pôr do sol de presente

Juro que dá para ver da janela do apartamento. Basta dependurar sua tv full hd na janela e escolher algum canal com belas imagens.

talvez fique bom na full hd

talvez fique bom na full hd

No caminho tive a infelicidade de parar em Oliveira MG, porque senão teria uma pane seca em seguida. Não quis arriscar voltar empurrando dona stefânia e ficar com sede. A água de lá não é muito benta. Que o diga o Broto Jr.
E o asfalto em si, tanto da BR262, quanto da BR381, estava convidativo, com uma dose adequada de curvas que tornam a viagem mais animada, já que particularmente não curto muito as infindáveis retas de alguns trechos da BR101 das últimas empreitadas.
Cheguei e já encontrei o pessoal a toda na pousada com mais de meia grade e meia animando a conversa, foi difícil entrar no ritmo. O evento em si ainda estava vazio na noite de sexta e o jeito foi continuar na pousada. Após Mestre Trindade desempenhar seus ofícios de desperdício de bebida e ainda discutirmos ufologia até acabar com as cervejas importadas que o Helton trouxe, resolvemos dormir. Até porque o Carlão da Carlinha já estava para reclamar que não entendia para que tanto barulho as duas da matina.

Vista da Pousada Locanda Belvedere

Vista da Pousada Locanda Belvedere

No sábado o calor estava demais durante o dia e acabou que a turma se espalhou para conhecer a cidade. Monte Verde MG tem uns passeios legais de cavalo, caminhada, trekking e quadricíclo. Ah! Tem aeroporto para quem quiser ir de avião e enviar a moto por carreto. Parte de turma resolveu ir para o quadricíclo, parte resolveu dar uma descansada para a noite e eu fiquei lá passeando com a velha heineken mesmo porque estava com preguiça. Até encontrei com o Peralta e foi bom saber que apesar do susto em Penedo RJ já estava ali para contar a história.
Ainda peguei um resto de final de tarde do evento, com uma banda muito boa cover do Iron Maiden (tinha até o Eddie!) e depois fui dormir. Não deu para ver como foi o evento a noite e madrugada adentro porque já havia combinado com a dona da pousada que ia acordar mais cedo no domingo só para me preparar um café.

Eddie e a Infinity Dreams

Eddie e a Infinity Dreams

Domingo cedo, aquela serração fina e cortante, o vento gelado, atravessei a área do evento que não estava com vontade de pegar o desvio que deixaram por uma estradinha de terra e já estava descendo a sinosa estrada que dá acesso a Monte Verde MG. Parei para ver o nascer do sol, mesmo que seja possível ver na tv full hd.

o sol de um novo dia

o sol de um novo dia

Na volta tive que fazer uma parada emergencial devido a uma tarefa indelegável, o que atrapalhou um pouco a programação que tinha traçado de paradas de abastecimento. Poderia ter segurado até o posto em Oliveira MG, mas se tomando a água já complica, imagina se bate na bunda, aí fudeu de vez. Melhor não arriscar.

aqui é melhor ficar com sede

aqui é melhor ficar com sede

Belo Horizonte MG e metade da viagem ficavam para trás na subida da perigosa BR381 no trecho até João Monlevade MG. O engraçado é que vi dois acidentes de caminhão na reta no trecho Bhz – Sampa, provavelmente porque o motorista dormiu, não tem explicação. Enquato isso na chamada rodovia da morte, nada de mais, graças a um bocado de radares bem posicionados antes das curvas mais travadas.
Final do dia e fazia a última parada em Venda Nova do Imigrante ES, o tempo escureceu e desci a região serrana do ES praticamente no faro. Porque ora era o farol de dona stefânia que não ajudava no breu danado, ora era algum desinfeliz que subia no sentido contrário com o farol alto.
Não importa, completei mais 10.000km de estradas, dando motivo para o Nuanda continuar a me chamar de “iron butt”, estive junto do povo do clã num ótimo fim de semana, ajudei o Carlão da Carlinha a manter sua ranzinice e ainda economizei a grana que teria que gastar numa tv full hd. Perfeito.


07/09/12 copacabana esse fim de semana o mar sou eu

A nova onda agora é comprar uma moto, uma passagem de avião e uma entrada de evento que garante o translado da moto de carretinha enquanto você viaja no conforto dos ares. Tudo muito bacana e granfino. No maior estilo motociclista que se tem direito. Dizem que até se ganha um brinde: tédio.
Como motoqueiro que sou, ainda prefiro vivenciar a estrada e suas incondizentes nuances de clima ao longo do dia, durante um trajeto longo. Fora os mosquistos, sujeira, a possibilidade de uma pane seca e mais uns trocentos itens, caso se inclua quebrar a unha encravada na lista.

sobre peso

sobre peso

Não tão cedo dessa vez como de costume, afinal estava levando garupa, lá estavámos eu e dona stefânia descendo a BR101 em direção a cidade maravilhosa. Aproveitamos o convite de amigos para aproveitar o feriado da pátria e porque não, uma pisada na areia de copacabana. Porque entrar na água já é outra história.
Enquanto vivenciava o calor escaldante que sempre faz no trecho a partir de Campos, pensei na aeromoça servindo o terceiro copo d’água para meu companheiro que faz o mesmo trecho por avião. Acho que vou juntar uns amigos e montar uma empresa de translado de motos: “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”. Pensa bem, viajamos de moto e ainda ganhando. Vou amadurecer a idéia.

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

O rio de janeiro continua a mesma coisa de sempre. Inclusive qualquer lugar para mim é copacabana como na foto. E para minha surpresa, o pessoal que nos recebeu acha que copacabana se tornou uma farofa só. Bem, concordo que estava lotado, mas convenhamos, era feriado. Gostaria ainda de pontuar um restaurante árabe que nos indicaram, não sei o que Faraj, muito bom. Não lembro a rua, mas é nos arredores da entrada da estação de metrô Cantagalo. Bom, salvo engano, mas qualquer coisa é ali no pé da Pavão Pavãozinho.
Sim, estávamos próximos da entrada do morro. Inclusive tem um albergue legal nessa entrada principal. Fora um bocado de botecos legais, bem cariocas, nas quadras próximas. Uma pena que não tinha mineiros suficientes para me acompanhar no chopp gelado.

faltou mineiro

faltou mineiro

No dia seguinte, estava de carona e isso foi um erro, passamos por um trecho do rio que não conhecia, contornando a Pedra da Gávea para sair na Barra da Tijuca. Antes disso tem uma estrada que vem rodeando o penhasco lá que não guardei o nome e o mar lá embaixo. Simplesmente fantástico. Vou ter que ir de novo só para passear ali com dona stefânia que ficou abandonada o feriado todo. Bom motivo para encontrar com o Marcelo que dessa vez não teve como.
No retorno saímos bem mais tarde que o de costume e já esperando pelo alegre sol na região entre Rio Bonito e Campos. Não sem motivo o posto que costumo parar neste trecho se chama Oásis. Mas no domingo estava excepcionalmente mais quente que o normal. Tenho certeza que os companheiros Cidão, Bart e Mikele vão dizer que eu não vi nada até atravessar o deserto, mas estava quente para cai alho!
Indiferente disso tudo, estrada perfeita, feriado muito bom, sendo muito bem recebido pelo pessoal que nos convidou para um fim de semana bacana. E dona stefânia não reclamou nem de ser abandonada na rua ou ter que carregar mais peso na estrada.
Mas é provável que reclame se eu resolver abrir a “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”, afinal não vai gostar de me ver rasgando asfalto por aí com outra motocicleta.