Prudens quid pluma niger secundum

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27/12/14 The voortrekker 03

Havia chovido bem na noite anterior e o tempo amanheceu nublado no dia 27/12. O trecho de hoje entre Durban e Port Elizabeth seria o mais comprido, com praticamente 900 km e um clima mais ameno era bem-vindo. Novamente acordo 04:00 da matina e antes das 05:00 já estava na estrada N2 rumo ao meu destino.

Partindo pela manhã

Partindo pela manhã

Para minha ingrata surpresa começou a garoa fina, dai a pouco a chuva e finalmente chuva forte. Ao longo da viagem toda ficou variando entre nublado, chuva fina e chuva forte. O incauto já deve estar pensando aí o saco de parar toda hora para colocar e tirar a capa de chuva. E aí que lhe pergunto: “Que diabos de capa de chuva?!? Tipo a que está guardada lá em Vitória?”

Tempo nublado

Tempo nublado

De vez em quando a chuva dava uma trégua

De vez em quando a chuva dava uma trégua

E assim em cada parada para abastecer e comer alguma coisa, eu era a atração geral, com a menina da faxina secando o chão por onde eu caminhava. Quase ofereceram uma placa de “cuidado, piso escorregadio” para eu levar comigo.

E quando eu ia praguejando o frio úmido, na subida de uma serra desce aquela neblina fechada. Não sei se foi mais difícil adivinhar o que havia a frente ou segurar a tremedeira para não desequilibrar a moto. E para você que ao passar por isso, estaciona a moto, desiste e clama pelos deuses porque amarga sina, continuei um pouco mais somente para encontrar a visão do paraíso.

Paisagem insólita

Paisagem insólita

Sim, bem aqui no meio da África do Sul tinha aquilo que qualquer mineiro mais se alegra, um’paisage assim iguazin mina’geraes, sô. Iguazin dimai’da’conta. Trem’bão’dimais, ten’basi’naun!

Uai, sô, só’faltô us’cumpadi, u’forn’di’lenha i daquel’amarguinha. Ai’ia’cê assim, bão’dimai’da’conta.

África Gerais

África Gerais

Minas do Sul

Minas do Sul

A partir daí, recarregada a energia com aquela insólita paisagem, que se dane o trânsito caótico em três cidades de beira de estrada (igualzin Manhuaçu, Uai) e a chuva que nos acompanhou até pouco antes de chegar a Port Elizabeth por volta de 17:30. Pensei naquele banho quente e encontrar um boteco bacana.

Na boca de Port Elizabeth

Na boca de Port Elizabeth

Primeiro hotel que o GPS indicou não existia. O segundo lotado. Assim o terceiro, o quarto, o quinto, o quinto dos infernos, todos lotados. Tentei os hostels e nada. Que diabo de lugar é esse?!? Parece que a reforma da beira da praia deu um glamour e virou a febre do momento.

Nisso já era quase 19:00 e eu lá sem um pouso. Resolvi procurar nos hotéis mais distantes e lá fui seguindo o GPS que me entregou numa boca de fumo do capeta. Tenso. Procurei outros hostels nesse pedaço mais afastado e nada, nisso volta a chuva.

Confesso que fiquei preocupado e depois de mais algumas tentativas em vão, achei um motel tosco, chamado Hunter’s Retreat, numa estrada vicinal, não fazia a mínima idéia de onde estava e foi lá que fiquei já por volta de 21:00 todo encharcado.

Para minha alegria não tinha chuveiro, somente uma banheira tosca. Enchi ela de água quente e mergulhei no banho turco. A roupa não teve jeito, muito encharcada, torci do jeito que deu já sabendo que não secaria (ao menos tinha outra muda de calça jeans e camisa).

É meu amigo, vá jogar banco imobiliário no conforto de casa, viajar de moto é mais tenso que cair no Jardim Europa com 04 hotéis. Pensando bem, ao menos no banco imobiliário teria hotéis.

De Durban a Port Elizabeth

De Durban a Port Elizabeth

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26/12/14 The voortrekker 02

Johanesburgo e a África do Sul em geral são locais de disparidade social profunda e mesmo que Mandela tenha feito realizações importantes ao acabar com o apartheid, fica claro que ainda há um longo caminho entre o conforto de Sadton e a decadência do velho centro.

O importante é que a organização herdada dos ingleses é algo muito útil ao país e é visível o tanto que as coisas funcionam bem. Ponto para as estradas, tudo bem que peguei as três principais nessa aventura, N1, N2 e N3, mas as secundárias não deixam a desejar conforme relatos de outras pessoas.

Então vamos a estrada de vez? No dia 26/12, agradecido pela acolhida do Tinoco e família, acordei as 04:00, juntei as tralhas na moto e fui. O destino do dia seria a cidade de Durban através da N3, onde há a maior população indiana fora da Índia. A explicação? Na época os ingleses precisavam de trabalhadores nas fazendas de cana de açúcar e os africanos se recusaram, resultando numa das primeiras importações de mão de obra da história.

Saída para Durban

Saída para Durban

Diante do calor razoável, a paisagem ia se abrindo a minha frente. Confesso que levou algum tempo para cair a ficha: “estou pilotando pela África do Sul, cai alho!”. E o misto de crença e descrença, sonho e realidade, se materializavam em morros nunca vistos e um tapete de asfalto cinzento.

Morros nunca vistos até então

Morros nunca vistos até então

E nessa batida, lá ia eu em meio as caravanas de picapes, vans, ônibus, todos puxando um trailler ou carretinha. A turma aqui gosta mesmo dos esquemas aventura no meio do mato. Inclusive, não faltam lojas com esta finalidade. Prato cheio para quem curte um camping.

Depois que a ficha cai, ainda é surpreendente

Depois que a ficha cai, ainda é surpreendente

Pilotando na mão inglesa

Pilotando na mão inglesa

Meu tapete vermelho é o asfalto

Meu tapete vermelho é o asfalto

O GPS (assim como na Malásia, preferi o ajudante para indicar o caminho dentro das cidades) me entregou no centro de Durban e infelizmente não consegui um ponto para parar e tirar fotos dos prédios. Havia gente demais nas ruas, bem como carros e vans (o transporte público daqui) demais e estava perigoso. Uma pena, é uma arquitetura que merecia registro para ajudar a lembrança depois, paciência. Achei uma das praias sem querer e peguei um hambúrguer de lanche. O Dedé vai reclamar, mas não, não entrei no mar. Ainda precisava achar uma cama e assim encontrei o Smith’s Cottage num topo de morro. Lugar simpático e os donos muito atenciosos. Até ganhei uma lavagem grátis das roupas.

Na orla de Durban

Na orla de Durban

Aproveitei o resto de tempo livre (já tinha decidido por acordar cedo no dia seguinte e continuar viagem) para conhecer um ótimo restaurante italiano e um pub fino nos arredores.

Smith's Cottage

Smith’s Cottage

Da série em Durban e nunca mais

Da série em Durban e nunca mais

Boa também

Boa também

 Tinha saído por volta de 05:00 da manhã de Joanesburgo e alcancei Durban por volta de 15:00, uns 575 km depois.

De Johanesburgo a Durban pela N3

De Johanesburgo a Durban pela N3

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