Prudens quid pluma niger secundum

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03/11/17 strange days ride

Era para ser só mais uma viagem de moto, coisa simples, uma voltinha qualquer para manter o ritmo e a mão firme.

Tanto tampo longe de Hellen Dawson que eu mesmo duvidava se ainda sabia se era a 1a para baixo e as demais para cima e só alegria.

Um breve conversa de boteco no Outbeth em Nacala-a-Velha com os companheiros portugueses, que também fizeram de Moçambique sua segunda casa, me demoveram da idéia de uma volta em Portugal com um pulo em Marrocos.

⁃ Fantini, ouve lá, novembro faz chuvas na terrinha, não há de ser bom.

Apesar de não me importar muito com chuva, eu bem preferia uma viagem à seco dessa vez. A Voortrekker já fora de bom tamanho para provar para mim mesmo de que chuva não é problema.

Para quem já me conhece, sabe o tanto que fiquei triste depois de tanto planejamento e verificação de hotéis, condições de estrada, onde comer bacalhau ao punho e todas as amenidades necessárias para viajar de moto.

Abri o browser e digitei: “onde viajar em novembro?”. Eu particularmente não sei como será o mundo do futuro, uma coisa para mim é certa, computadores saberão mais do que nós e lá na miríade de dados da nuvem a resposta era clara: dez opções diferentes de países que em novembro valeriam uma visita.

Lendo cada explicação dos porquês, clima, temperatura, comida, o que fazer, até um guia de expressões locais, me deparo com o Nepal na lista de países recomendados.

Entre tantas velharias que o Imperador me ensinou a escutar do velho e bom rock ‘n’ roll, Cat Stevens sempre foi algo bacana e eu viajava na música Katmandu:

⁃ Katmandu, I’ll soon be touching you. And your strange, bewildering time, will hold me down.

Fiz mais duas pesquisas (velho, num futuro próximo o próprio smartphone vai dizer: olha, achei essa passagem e essa empresa de aluguel de motos já que quer ir ao Nepal), e por mais incrível que possa parecer, achei passagem aérea num preço bom e três empresas diferentes de aluguel de moto. No Nepal!

Depois de algumas trocas de e-mail, a empresa Parikrama Treks & Expedition me chamou a atenção pela organização, referências e cordialidade. Uma rápida confirmação na Skyscanner e voi-a-la, tudo no esquema.

⁃ Como assim, tudo no esquema, Fantini? Cadê hotel, qual trajeto?

⁃ Velho, eu pedi para dar uma volta no Nepal de moto e a turma da Parikrama me perguntou se eu sabia pilotar, que o resto era com eles.

Sensacional. Aliás mais que agradecido ao Sr Kumar Basnet e ao companheiro de viagem Sr Sujan Basnet que me trataram como príncipe. Eles até comentaram que se tivesse vindo em Setembro, tem uma excursão que fazem todo ano para o Base Camp Norte do Monte Everest que se alcança através do Tibet. Sim, se chega lá de moto. O famoso Base Camp Sul do lado do Nepal, só na caminhada assassina morro acima de 8 dias com paradas para aclimatação e carregando suas tralhas nas costas.

Mas lá estava eu sentando no aeroporto de Nampula / Moçambique, esperando o tempo passar, duas pernas de vôo depois lá estava eu no terminal C do aeroporto de Dubai / EAR, esperando o vôo para Kathmandu. Que choque cultural ver aquela mistura de gente da India, Casaquistão, Rússia e toda a sorte de leste europeu, mundo árabe e Ásia. Quando falo que viajar é melhor que comprar sofá, é por causa desses momentos.

Em Kathmandu, o visto se faz no próprio aeroporto. Há vários terminais para emitir o pedido de visto na hora, uns caixas para pagar a taxa de usd25,00 e depois só se apresentar no guichê de imigração com todos os comprovantes. Processo simples, único porém que uma centena de gringos fizeram a mesma pergunta que eu sobre onde ir em novembro e também devem escutar Cat Stevens. Duas horas de fila para um esquema que se gastou 1 min efetivo em cada etapa, foi muito.

A equipe da Parikrama já estava a minha espera e me levaram ao hotel. No dia seguinte já me trouxeram a moto para um test-ride em Kathmandu: “para acostumar com o tráfego”, segundo Sujan. Velho, lembre de todos os vídeos de trânsito nos países asiáticos que já recebeu. Agora imagine-se dentro do trânsito. Agora está aqui o carismático Fantini, vivendo isso na real. Surreal. Não tem sinal, não tem placa, não tem preferência e ainda assim funciona e flui. Só na prática para compreender como é possível.

Ponto para a moto, uma Royal Enfield Classic 500cc. Confortável, robusta, leve e boa de conduzir. Apesar de seu visual clássico oriundo de design da época da guerra mundial, o conjunto é bem ágil e responde bem aos comandos, o que tornou um pouco menos apavorante a experiência do trânsito caótico.

Depois da devida introdução à milenar arte de usar um veículo automotor no trânsito asiático, começou o devido passeio. Arredores de Kathmandu e depois a estrada no dia seguinte, conhecendo as cidades e a cultura ancestral do Nepal. Suas belas paisagens cercadas de montanhas da cordilheira do Himalaia, caminhões coloridos com suas buzinas musicais, estradas vicinais subindo e descendo serras infinitas, estradas sem pavimento, toda a sorte de gente andando a pé ou tocando búfalos e cabras. Sim, búfalos, a vaca é um animal sagrado e substituíram por búfalos.

⁃ Mas não é praticamente a mesma coisa, Fantini?

⁃ Eu também acho, mas você realmente vai discutir a cultura milenar dos caboclos?

Em Kathmandu conhecemos o centro antigo Hanuman-dhoka Durbar Square com templos e “capelas” em toda esquina e o complexo Buddhapari. Uma pena que o terremoto de 2015 danificou muita coisa e destruiu completamente dois templos.

De Kathmandu partimos para Bhaktapur para conhecer a antiga capital também cheia de templos. De lá terminamos o dia em Nagarkot. Logo na chegada de Nagarkot, havia uma trilha para um templo, 20 min de pedras, valas e raízes e ainda me acostumando com a moto, carregando bagagem, me demoveram da ideia de continuar. Provável que tenha perdido algo espetacular, mas era melhor do que comprar terreno.

De Nagarkot seguimos para Bandipur, não sem antes me perder do Sujan no meio do trânsito caótico na saída para a rodovia. É muita poeira e caminhões e ônibus. Afinal, a aventura só começa quando algo dá errado. Dois telefonemas para confirmar se estava na direção certa, encontrei Sujan e alcançamos nosso destino. Bandipur é muito simpática e criaram um calçadão central onde não passa carros e tem vários restaurantes com comida típica. Gostei de lá, me trouxe lembranças das cidades do interior de Minas Gerais.

E tome cerveja local Gorkha (excepcional) e o tira gosto Sadeko, que pode ter várias opções de base (amendoim, grão de soja ou outra semente crocante) numa mistureba de tomate, pepino, cebola, alho, gengibre, coentro, pimenta, tudo picadinho e um sumo de limão por cima. Velho, cura gripe, sinusite, olho seco, afta, unha encravada, bico de papagaio, acorda defunto, entre outras coisas. O único efeito colateral é que arranca o couro da língua de tão apimentado que é.

De Bandipur partimos para Pokhara. Pokhara é a segunda maior cidade do Nepal e um hub turístico famoso. Realmente a cidade tem uma gama completa de passeios: um lago para pegar canoas, o topo de Sarangkot com vista espetacular do conjunto Annapurna, paraglide, ultraleve, helicóptero, trekking até Base Camp do Annapurna (só 5 dias de caminhada, fácil), no topo do outro morro uma das 70 Peace Pagodas que o zen budismo japonês construiu mundo afora, lojas e mais lojas.

Inclusive as lojas foram providenciais. As luvas da época de trilha que tenho a quase 10 anos, que estava usando junto com a velha jaqueta nas voltas malucas fora do Brasil, finalmente cederam a tanta estrada e poeira. Acabei encontrando um par de luvas confortável por usd6,00. Acho que no Brasil, só pela marca, cobrariam uns R$100,00.

E naturalmente que outra coisa boa era a quantidade de botecos. Começamos em um na beira do lago, partimos para outro na rua principal, desse atravessamos a rua para outro que tinha música ao vivo (banda muito boa com uma mescla de rock mundial e local) e de lá fechamos num pub com palco e tudo com outra banda tocando rock clássico. Fino.

De Pokhara seguimos para Lumbini. Seria o trecho mais longo. Mais de 5h para fazer uns 200 e poucos km. Curvas e mais curvas numa estrada de serra infinita. Literalmente contornamos todas as montanhas possíveis. E lógico que rolou aquele caminho errado básico quase chegando. Dai só mais 1h para encontrar o hotel. Mas compensou demais, pedaço de estrada muito fino.

Lumbini é conhecida por ser a cidade onde nasceu Siddhartha Gautama, sim o Buddha. Para ser sincero, não tem nada na cidade, nem traços do reino que ele renunciou. O único passeio é um complexo de templos e monastérios budistas dentro de um parque fechado. O cansaço foi mais forte e preferi um boteco de leve.

De Lumbini seguimos para Chitwan, como estávamos na parte baixa do Nepal, dessa vez praticamente só retas no trecho e foi possível verificar a velocidade final da Royal Enfield alcançar a marca de 100km/h, onde a estabilidade fica bem comprometida e é possível sentir princípios de chimada. Além disso, a própria condição da estrada, trânsito, animais, pessoas e outros obstáculos na pista, indicavam a cautela de manter a máxima em 80km/h.

Em Chitwan há uma reserva nacional para proteção da floresta. Ponto alto para o passeio de canoa no rio com crocodilos descansando nas margens, alheios (ainda bem) à nossa presença, e o passeio de elefante floresta adentro. Bacana demais, inclusive com a oportunidade de ver 3 rinocerontes asiáticos ali de boa. Faltou o tigre, apesar de vários sinais de sua presença próxima.

De Chitwan partimos para Gorkha, cidade encravada no topo de outra montanha.

Neste trecho tivemos a pior estrada de toda a viagem. Um trecho de 50km do total de 160km estava completamente sem pavimento, o que não era bem o problema. O tenso foi o trânsito parado neste mesmo trecho em ambas as pistas. Foram 3h de muita poeira, ziguezagues infinitos, atravessando “acostamento”, buscando espaços inexistentes nos corredores. Com o cansaço, a tensão, o calor, consegui perder o equilíbrio em dois ziguezagues em baixa velocidade que apesar do tombo, não houve nenhum estrago, a não ser um espelho retrovisor.

Já o pobre Sujan não teve a mesma sorte e numa ultrapassagem entre a fila de carros e motos, pegou uma sequência de valas e caiu feio. Quebrou somente o farol, um empeno no pedal e uma leve luxação no tornozelo que não impediram de seguirmos viagem. Felizmente.

Principal atração em Gorkha é o antigo palácio do rei que unificou o Nepal, até então vários reinos separados, em um único reino de onde o país se originou.

⁃ Ah, Fantini, achei que a atração seria a fábrica da cerveja Gorkha que comentou.

⁃ Eu também, que decepção!

De Gorkha seguimos para Daman em outro topo de montanha. Assim pegamos mais um maravilhoso trecho de serra e estradas vicinais com suas curvas infinitas.

O único porém foi um desinfeliz de um policial que numa barreira improvisada pouco após sairmos de Gorkha, apesar de ter reduzido bem a velocidade, o desinfeliz me entra na frente da moto, de costas para mim, caminhando de boa. Na frenagem para evitar atropelar o boca aberta, os freios travaram e fui ao chão. Bom, só o susto e leve escoriação, com certeza teria sido mais grave se atropelasse o infeliz.

Em Daman, além de uma vista panorâmica da cordilheira do Himalaia, finalmente tivemos frio de verdade na viagem toda. Realmente novembro é uma boa época para visitar o Nepal, com temperaturas amenas na manhã e noite e dias ensolarados.

Daman foi a última cidade dessa peripécia asiática. Havia mais um destino, mas verificações prévias indicando falta de condições do trecho para transitarmos, nos obrigou a eliminar a opção da lista. Assim voltamos a Kathmandu em 25km de muita emoção, com direito àquele trânsito divertido de chegada de cidade, mas sem pavimento, sem placa, sem sinal. Se você acha a Marginal Tietê tenso, você ainda não conheceu esse trecho que faria Freddie Kruger se deliciar em opções para a hora do pesadelo. De qualquer maneira os 10 dias conduzindo a Royal Enfield nas mais diversas condições me deixou menos barriga verde e foi possível acompanhar o Sujan no trânsito caótico sem o perder de vista.

Nos dois dias que restaram da programação, aproveitei para fazer o Mountain Flight e pegar uma vista de cima do Himalaia, que espetáculo, e perambular pelas ruas do famoso bairro Thamel, lotado de lojas e mais lojas de bugingangas e lembranças. Fechamos a viagem com um boteco nesse bairro com mais uma banda tocando o bom e velho rock ‘n’ roll. Aí tira gosto de leve, algo similar ao nosso frango a passarinho, pego um pedaço de pimenta sem ver. Velho, até chorei. Ainda bem que tinha Gorkha.

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Mais de 24h de viagem entre Moçambique e Nepal, atravessando 4 aeroportos, 3 fusos horários, 14 dias, 9 cidades, 952km, um zilhão de curvas fechadas. Nepal, território anexado. RFEIM / CdGP / DACS.


17/05/16 novas pontes

Para mais de ano, comentei aqui sobre a importância da construção de pontes nas nossas relações sociais. Alguém mais afobado vai dizer que isso é muito fácil em se tratando do Fantini. Não só veemente nego, como assumo que isso faz parte de uma decisão pessoal de transformação. Eu era um cara fechado e resolvi não ser mais e sei como não é fácil criar pontes.

Mas você já está aí encucado porque queria ler alguma aventura ou peripécia após longo tempo sem que o humilde aqui escrevesse uma frase sequer é dá de cara com esse papo furado de livro de auto-ajuda.

Pois bem, existe todo o mito de que andar de moto transforma a pessoa. Posso afirmar que te transforma numa pessoa mais suja depois de 1h debaixo de chuva com caminhões levantando água suja na Serra do Cafezal na Regis Bittencurt ou mais fedorenta após 1h no asfalto escaldante da região sul de minas quando entre 11:00 e 14:00 você está lá no meio da Fernão Dias.

Dizer que andar de moto vai te tornar uma pessoa mais legal, somente porque agora tira fotos de tirar o fôlego na estrada. Fotos são para ter boas lembranças, mesmo se for usar os filtros de algum aplicativo para melhorar as fotos de celular.

Foto de paisagem e comida. Duas vezes mais hipster.

Foto de paisagem e comida. Duas vezes mais hipster.


Depois desse tempo razoável sobre duas rodas (e desejo que ainda continue por muito mais tempo, afinal temos que alcançar o Ghan), descobri que ando de moto é para atravessar pontes e alcançar algum amigo, antigo ou novo, que o caminho da vida foi me apresentando para filar comida. Sério.

O famoso Ghan, reza a lenda que aprendou o sorriso interior em Cleveland

O famoso Ghan, reza a lenda que aprendou o sorriso interior em Cleveland

Em todas as viagens e passeios em que não estava caçando alguma estrada nova (onde normalmente estou sozinho), foi para visitar alguém e filar um rango, uma cama e uma ducha. Agora eu lhe pergunto: isso é realmente uma tremenda cara de pau que inventei ou porque tive a felicidade de encontrar pessoas que o santo bateu?

É assim vamos tocando a toada, fazendo aquilo que o ser humano como ser social sempre fez: se relacionar, receber e ser recebido, pavimentando pontes através do respeito, mas que para os habitantes das grandes cidades é a última novidade ou trend, porque essa vida corrida e isolada os fez esquecer disso.

Um agradecimento especial a todos os amigos que me receberam nos últimos dias: Guy Correa em Formiga MG, Tiago Conte em Conselheiro Lafaiete MG, Ghan e família em São José dos Campos SP e Agnelli Cordeiro em Curitiba PR. E naturalmente desculpas aos que não pude visitar neste mesmo período. Não faltarão oportunidades!

Com a benção daquele que tem a pena preta!

Com a benção daquele que tem a pena preta!


Foram 1 semana e alguns dias, 3 estados, 7 cidades, 10 rodovias, mais de 3.000km.


01/02/14 desdobramentos de uma ida à padaria mais próxima

Basicamente já passou de um ano que Hellen Dawson tem sido minha companheira de desventuras, ao invés do malfadado sofá da sala. Na verdade foi em dezembro agora, mas entre outros compromissos e a agitada agenda de festejos de fim de ano, não foi possível dar a menina uma comemoração digna.

Semana passada observei que a padaria da esquina havia passado por uma reforma, bem, pensei com meus botões, vamos lá conferir. Assim sábado cedo, preparei toda a parafernália e aproveitando que Hellen Dawson finalmente tomara um banho (acho que tinha uns 2 ou 3 meses que não lavava), lá me fui em direção à padaria. Como Bilbo Baggins bradei: “I’m going on an adventure!”.

O ronco alto perturbou os vizinhos, o cheiro de gasolina se espalhou pelo ar e passados exatos dois quarteirões ou algo em torno de uns 300m, alcançava meu lendário destino. E para minha grata surpresa, a padaria agora tinha um buffet de café da manhã! Não preciso mais correr o risco de me deslocar para outro bairro onde havia uma padaria mais chique conforme dica de um amigo ortopedista.

Um pão francês com presunto e queijo e uma água de coco depois, acabara-se minha saga. Sim, completada esta árdua missão, me sentido um grande homem, olhei para Hellen Dawson e quase me emocionei! Que grande motociclista eu sou!

Mas aí a ficha caiu e me voltei a minha insignificância de motoqueiro. Sabe, daqueles que usam a moto. Lembrei da última ida ao Bad Service comentando sobre a visita ao Mosteiro Zen em Ibiruçu (comentaremos a respeito em seguida), o Marcelão me deu a dica de que em Buenos Aires havia também uma bela subida de morro onde se tinha uma boa vista da orla de Guarapari. Você não leu incorretamente, estamos falando daquele vórtice espaço temporal que existe no trevo de Guarapari na BR101 que te leva a Buenos Aires.

A 1a visita a Buenos Aires

A 1a visita a Buenos Aires

Resolvera ir pela orla mesmo, ao invés do já batido caminho passando pela Rodovia do Contorno. E lá fui eu já a pleno sol escaldante de 10:30 atravessando trânsito daqui de Jardim Camburi até a Segunda Ponte. E você achando que o trânsito no centro de Vitória seria o ápice, encontra a BR262 em manutenção e meia pista. Dessa vez foi tenso, afinal, além da temperatura ambiente, ainda havia a temperatura do motor rodando sem vento suficiente. Seria um problema, mas, bom, ao menos dois médicos que eu conheço, esse ortopedista e outro psiquiatra, indicam moto como um excelente tratamento para a maioria das doenças e eu não vou discutir com especialistas.

De volta a BR101 e lá vamos nós entre os caminhões e carros que insistem em rodar num sábado, se bem que o país não pode parar e nem todo mundo pode se dar o luxo de largar a visita à padaria para trás. Apesar do calor infernal, o verão trás cores novas à paisagem local e as várias fazendas que marginam a BR101 estavam exuberantes, assim como os conjuntos de morros estilo “pão de açúcar” típicos da região. A energia é fantástica e você compreende porque seus dois amigos médicos recomendam andar de moto.

Chego ao trevo onde se encontra o vórtice temporal e pego a estrada vicinal em direção a Buenos Aires. Que estrada bacana e que paisagem espetacular. Primeira parada em frente a Pedra do Elefante, achei fantástico. E voltamos a estrada vicinal e lá vamos subindo morro. Não é nenhuma serra assassina, mas tem lá seu charme. Fiquei encucado, afinal onde estava a tal vista da orla de Guarapari. Que se dane, tudo em volta já compensava, paisagem muito bacana.

Dentro do vórtice

Dentro do vórtice

Pedra do Elefante

Pedra do Elefante

E assim cheguei na cidade. E vejo uma placa indicando o caminho para uma cachoeira. Nesse calor, boa pedida. Enveredei mais uns 3km de estrada de terra batida de leve e cheguei na trilha que levava até a cachoeira.

já que a moto estava limpa

já que a moto estava limpa

logo ali

logo ali

A cachoeira

A cachoeira

Depois de ficar ali somente apreciando a natureza e o som revigorante da queda d’água e lembrar de outras aventuras nas entranhas de Minas visitando cachoeiras desconhecidas, tive que voltar a realidade e caçar algum lugar para comer porque já era quase 13:00. Mas e o café da manhã, Fantini? Bom, ficou lá na padaria e depois de uns 70km de estrada, eu mereço almoçar, também sou filho de Deus. Lembrei que havia um restaurante bacana um pouco antes da cidade e me encaminhei para lá. Como sábado, domingo e feriado é dia de almoçar tira-gosto conforme o sábio conselho de Dr. Hugo, fiquei na porção mesmo. Recomendo demais o local.

sábado, domingo e feriado é dia de almoçar tira-gosto

sábado, domingo e feriado é dia de almoçar tira-gosto

Em seguida peguei o caminho de volta e para minha grata surpresa fui presenteado com a vista da orla de Guarapari, linda. Pena que não dava parar por falta de acostamento e ser uma descida. Bom, isso significa que se você quiser ver também, esqueça as fotos dos outros, pare de comer essa coxinha aí na padaria e venha ver com seus próprios olhos.


13/06/13 renascimento

Ainda me restavam quatro preciosos dias de viagem e tendo conseguido organizar uma visita a praticamente todo mundo e passeado por estradas praticamente conhecidas, era momento de encontrar comigo mesmo e em seguida partir para o desconhecido logo ali após uma encruzilhada. Desculpe, mas depois que se descobre que “uma viagem só vale a pena quando ela te transforma”, acabamos por buscar novas fornalhas e malearmos nossa alma novamente.

Porque não colocar uma música na vitrola?

Mas antes era prudente pedir a benção (que se mostrou necessária em seguida) daquele que tem a pena preta. E assim, saindo de Itaúna MG, rumei para a entrada de Ouro Preto MG. A velha MG431 que liga Itaúna MG com a BR381 Fernão Dias ficava cada minuto mais distante a medida em que avançava sobre a BR356. Naturalmente que tivemos o velho e bom banho de lama de mineração dos caminhões que trafegam na região de Itabirito MG, nos ensina a sermos humildes.
No trevo entre Ouro Preto MG e Mariana MG pego direção desta última, mas apenas para descer um pequeno trecho de serra até o bairro de Bauxita (não é uma serra do rio do rastro mas tem lá suas traiçoeiras curvas) e de lá pegar a bipolar MG129 ou MG443, que já que não sabe qual sigla deve ter, carinhosamente mantemos sua nomenclatura original de Estrada Real. Um trecho de apenas 32km da estrada completa entre Ouro Preto MG e Ouro Branco MG.

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

Era ainda idos de 2009 quando passei aqui a primeira vez com a saudosa dona stefânia e não tendo culhões para subir para Lavras Novas MG (tem um trevo mais ou menos na metade do trecho), acabei resolvendo subir por um outro trevo, mais a frente que desembocaria num conjunto de antenas.
Imaginei, uai, antenas, deve ser um topo de morro legal com um vista boa e lá me enfiei, moto e tudo. O pedaço de asfalto não durou mais que 200m e me vi enfrentando pela primeira vez uma estrada de terra com uma moto custom. Muita gente teria torcido o nariz, mas lembrei do que significava o DACS para o clã e me embrenhei vereda adentro.

serra de ouro branco

serra de ouro branco

Eventualmente, após pegar um entroncamento errado aqui, outro ali, rodar meio que perdido e lembrando que não tinha tanto combustível assim, consegui acertar o caminho serra acima. Uma estradinha de terra para matar saudade de dorothéia, companheira dos tempos de trilha, com aqueles belos rasgos de enchurrada que insistiam em dividir a atenção com o horizonte mágico a minha volta.

vai dizer que não sentiria saudades também?

vai dizer que não sentiria saudades também?

Praticamente um ano depois, eu acho, levei Nuanda lá também, ele ainda tinha a XT e ficou embasbacado de como eu conseguia subir naquela estrada com dona stefânia. Mas ao longo do caminho ele entendeu de onde tirava a motivação necessária para ir cada metro adiante. No topo do morro, apreciando a alvorada e além, decidimos oficializar que a Divisão de Ações Ciclísticas Sujas do Clã do Gallo Preto, ou DACS para os íntimos, deveria ser reconhecida onde estivéssemos, fosse asfalto ou terra.

estrada real

estrada real

E era essa tradição toda que Srta. Hellen Dawson tinha agora a sua disposição para não se mostrar acanhada a enfrentar uma estrada digna de suas antepassadas que estiveram na segunda guerra mundial (ou você realmente acha que naquela época tinha maxi big ultra mega blaster trail dos infernos?). Naturalmente que os 100kg ou mais a mais do que dona stefânia e também considerando que dessa vez tinha bagagem traziam um tempero para o trem.

subindo a serra

subindo a serra

ainda falta muito?

ainda falta muito?

há algo mais entre o céu e a terra

há algo mais entre o céu e a terra

no topo

no topo

E lá em cima chegamos, para a incredulidade de uma casal que descia num uno velho e parou para me perguntar se eu estava perdido enquanto tirava umas fotos.

Não havia como explicar para eles o quanto eu estava realmente me encontrando.

perdido?

perdido?


10/06/13 adeus à bezerra

Uma parede de neblina insistia em se manter a minha frente. Isso porque já havia avançado bem a BR381 Fernão Dias em direção a Bhz. Acredito que dava para ver aproximadamente uns 10 metros a frente e olhe lá.
Mas, Fantini, de São Paulo a Belo Horizonte é um trecho curto, poderia ter saído mais tarde e evitado o frio cortante da manhã. Bem, isso não estava nos planos de Sabbath, o gato, e eu preferia não ter um hemorragia interna sem explicação.
E se o motor funcionando em temperatura adequada foi a salvação no trânsito travado de São Paulo, agora na neblina gelada senti até saudade do tempo em que cozinhava os bagos em cima da panela de óleo abaixo do banco de Hellen Dawson. Até lembrei da primeira vez que peguei um tempo de inverno com a saudosa dona stefânia a noite, retornando de Bhz para Mariana, idos de 2009. Naquela noite parei umas três vezes e fiquei abraçado no motor em funcionamento antes que pegasse um pneumonia. É, há coisas mais perigosas na vida do que um gato metido a besta.
Cheguei em Bhz na hora do almoço e após rever mãe e descarregar as tralhas na casa do imperador, fui finalmente comprar um capacete novo. O velho zeus aberto companheiro de muitas desaventuras já apresentava sinais dos kms sob chuva, sol, frio, besouro e toda sorte de sujeira possível. Teve até um passarinho suicida que deu um razante na viseira certa vez.

Infelizmente não havia uma cor mais espalhafatosa

Infelizmente não havia uma cor mais espalhafatosa

Em seguida já estava convocando o povo do clã para homenagear nossa querida bezerra morta. Tentamos ir no Vintage 13, mas como era segunda, estava fechado. E assim ficamos no Amarelinho da Savassi mesmo.

Preocupado

Preocupado

Na terça fiquei por conta da família, já que na quarta tinha encaixado uma visita para o Flávio lá em Itaúna MG. Como Itaúna MG fica logo ali a uns 100kms, não tinha motivo para sair muito cedo e finalmente pude pegar um clima agradável para curtir a estrada.
Pena o trecho curto, descendo a BR381 Fernão Dias sentido São Paulo, para logo após a Serra da Pedra Grande em Igarapé MG, pegar a MG431 sentido MG050. Outra opção seria subir a BR262 após Betim MG e pegar a MG050 na altura de Mateus Leme, mas sempre prefiro o caminho da serra por ter uma sequência bacana de curvas.
Já encontrei com o Flávio no supermercado, abastecemos de cerveja e carne e pronto, mais dois dias de preocupação com a coitada da bezerra. Um ótimo adeus à bendita.
E até aqui basicamente pilotando por estradas cuja maioria eram mais que conhecidas, paisagens que apesar das repetidas vezes, não me canso nunca de rever. Sim, desde quinta, dia 30/05 entregue ao que o clima e o asfalto me oferecessem e aproveitando a recepção calorosa de todos os amigos e irmãos. Não sei bem o que dizer a respeito a não ser: experimente também.

#vem para estrada

#vem para estrada


07/06/13 vamos beber a bezerra

Descendo a Bandeirantes a partir de Campinas sentido São Paulo, começo a pensar que tinha sido meio que besteira alterar a injeção da moto. Srta. Hellen Dawson ficou tão solta que de repente já estava acima do limite de velocidade sem esforço algum e isso estava começando a ficar divertido, mas ao mesmo tempo perigoso. Até porque ainda estava me acostumando com o novo regime de giro e potência.
Tem muita gente que vai então dizer, olha o Fantini, sempre tirando onda de motoqueiro doidão e agora se comportando como um frango d’angola pena branca. Isso porque já faz algum tempo que decidi respeitar os três limites:

A estrada – há estradas em que se pode andar no limite, pista livre e há estradas com mais curvas ou trânsito pesado ou asfalto ruim, em que se deve andar na boa.
A máquina – há motos em que se pode fazer curvas com precisão cirúrgica sem muito esforço ou que param com segurança e há motos em que é preciso um pouco mais de treino e domínio da sua dinâmica.
Você mesmo – tem dias em que está com todos os reflexos a flor da pele e tem dias em que o cansaço impede fazer movimentos simples como parar a moto no descanso com segurança.

Acreditem em mim, respeitar esses três limites, estar atento com o que ocorre na estrada, na máquina e em você, garante muito mais sua segurança que qualquer parafernália high tech de última geração. Lógico, use jaqueta, calça, coturno e capacetes bons e confortáveis. Mas o que quero afirmar é que não é preciso gastar uma pequena fortuna para ter segurança ao andar de moto.
E o trânsito de São Paulo numa sexta feira início da noite me faz esquecer as divagações e voltar a atenção aos carros a minha volta e as placas para encontrar o caminho. Aí você já imaginou a situação, moto custom, motor grande fritando sob suas pernas, quase uma vasectomia sem cirurgia e eu também fiquei imaginando.
Se você estava pensando que o melhor de acertar a injeção da moto era ter o motor entregando sua potência real, sinto em lhe informar que o motor trabalhando em temperatura adequada porque a mistura agora está correta é o melhor resultado que se pode esperar. Podia até continuar com a moto presa que nem ligava. Enfrentar o engarrafamento, sem ter tanta possibilidade de aproveitar os corredores porque a maioria só passava moto pequena, sem perder sua capacidade de ser pai um dia, é algo que nos deixa mais tranquilos.
Chego na casa do Hellton e ele empolgado me mostra a nova carteira categoria AB.
– Olha, agora eu tenho duas carteiras! Agora eu tenho duas carteiras e… o que está fazendo.

você tinha duas carteiras

você tinha duas carteiras

– Você tinha duas carteiras, hora de beber a velha com a bênção daquele que tem a pena preta, para se livrar de qualquer mal.

bebendo a carteira

bebendo a carteira

Ainda bem que ainda tinha heineken, já que o mequetrefe do Musquito que chegou em seguida repôs o estoque com skol. Cai alho, Musquito, cai alho! Além de morar em São Caetano que é longe, agora tem mais um motivo para não te visitar.  E assim fechamos a noite comemorando e bebendo a velha carteira do Hellton.
No sábado de manhã fomos dar umas voltas em lojas de motos usadas, o Hellton já tinha adiantado algumas opções e pediu minha opinião. Vimos algumas 125 para começar a brincar e pegar o jeito para coisa, na minha opinião, não é vergonha alguma, é que começando pequeno se pode avançar com calma e se adaptar a motos maiores passo a passo.
Em seguida pergunto se estávamos perto da Johnny Bordados.
– Uai, estamos. Porque?
– Vamos lá, quero ver se tem um esquema que estou precisando.

Johnny Bordados. Recomendo.

Johnny Bordados. Recomendo.

Chegamos e fomos muito mais que bem atendidos pela prestativa Anne, que apesar de só me conhecer por email reconheceu o brasão. Agradeci o respeito e pedi para ver se tinha o esquema que está procurando.
– Estou querendo fazer uma tarjeta, mais ou menos uns 20cm escrito aspirante.
– Sim podemos fazer, se puder esperar uns 30 minutos te entrego ainda agora.
– Perfeito, esperamos um pouco.
Nisso o gordinho do meu lado está pasmo.
– Para de tremer e me dá um abraço aqui, bem vindo ao DACS.

quase chorou

quase chorou

A noite já estávamos novamente comemorando e bebendo a velha carteira, afinal de que adianta ter moto se não tem irmãos e amigos em cada destino para fazer simplesmente isso, comemorar a amizade? Não, café da manhã não conta.
Ainda passei um agradável domingo na companhia do casal Tavares, tirando um pequeno contratempo com um restaurante que não servia carne. Finalmente o Hellton tem a oportunidade de comentar sua opinião sobre a morte da bezerra:
– Você não está percebendo o quanto este é um evento fatídico, a bezerra é o sustento daquela pobre família, produz leite, se pode fazer esterco com seu extrume, aí a bezerra vai e morre, a família fica desamparada. Isso não te preocupa?
– Sim, me preocupa demais, vamos beber a bezerra!
Em seguida já estava novamente descansando para partir para novo destino na segunda cedo. Não antes de um último vil dedo de prosa com Sabath, o gato.
– Cai alho! Qual a explicação lógica de você estar apalpando com as duas patas a minha barriga?

não sei se vou gostar da resposta

não sei se vou gostar da resposta

– Ora, Sr. Fantini, apenas verificando pontos fracos para causar um hemorragia interna, caso o senhor estenda por mais dias a sua estada em meus domínios.

cai alho!

cai alho!

Ainda bem que tinha outro destino no dia seguinte.


06/06/13 bezerras me mordam!

A selva de pedra que é São Paulo a cada visita se torna ainda mais indefectível. Sempre se pode esperar que haverá trânsito, mesmo que seja numa quinta feira às 05:30 da matina. OK, trânsito ainda incipiente comparado com o que ocorre nos horários, digamos, mais comerciais (afinal já peguei trânsito aqui em pleno domingo a tarde), mas ainda assim surpreende nós, meros mortais, que vivemos em cidades mais provincianas.
Mas, Fantini, temos uma cidade 24hs, encontramos qualquer produto a qualquer hora. Isso, tenho que concordar, afinal como a cidade está sempre paralisada, realmente é preciso que o supermercado e a padaria estejam abertos em horários não ortodoxos, quando se consegue finalmente chegar em casa.
Só que meu destino naquele momento era outro. Desde a fatídica sexta feira santa, em que Srta. Hellen Dawson resolvera dar uma pane na bateria (somente porque o distinto aqui ficou com o farol ligado um bocado de tempo enquanto apanhava para montar o bagageiro) estava nos devendo uma visita a Garage Henn.

Garage Henn

Garage Henn

Nem era pela ladainha do Maia de que a moto ia andar mais, que dava para ganhar potência, que devia trocar até a rebimboca da parafuseta, que assim andaria mais que moto japonesa (opa, aposto que vai aparecer algum “entendido” para discutir, rsrs), mas queria somente e basicamente acertar a porcaria da mistura pobre de fábrica que a HD original tem para atender os limites de emissões e etc.
Nisso realmente invejo os amigos de carburadas, bastava regular eu mesmo o maldito carburador, mas com essa maldita injeção, era preciso remapear e por mais simples que isso parece depois que se ver fazer, o melhor é sempre levar em quem conhece e assim rumamos para Campinas SP pela Bandeirantes.
Sim, você que está rindo aí já imaginando: “nossa, será que o Fantini que tanto comenta do frio na estrada neste mês de junho, vai comentar da serração da Bandeirantes?”. Pode continuar rindo, porque não vou comentar. Frio do capeta!
Cheguei um pouco antes da hora da oficina abrir, o que permitiu tomar um café e comer um misto quente enquanto o Paulinho não aparecia.

– Você que é o Fantini?
– Sim.
– Você não é doido igual o Maia, é?
– Não, pode ficar tranquilo.

Revisão dos 32.000km

Revisão dos 32.000km

Depois de discutir as peripécias do Maia e decidir que não iria trocar a rebimboca da parafuseta, deixamos a moto para fazer a revisão dos 32.000km e no dia seguinte faríamos o remapeamento.

– Nossa, Fantini, para que gastar dinheiro com essa moto velha, 32.000km, nossa, que pena hein, que ano é? Não, não me diga, 500km por ano, bem, tem uns 60 anos, é? Você adaptou a injeção?

Deixei o “entendido” conversando sozinho e aceitei o convite do Paulinho para conhecer a cidade. Na verdade ele precisava verificar se achava um portão melhor para a câmara do dinamômetro e lá fomos parar num ferro velho tosco como sempre tem que ser. O Paulinho achou o portão que queria, mas estava sem dinheiro na hora.

– Uai, camarada, não seja por isso, eu te dou o portão e estamos quites no serviço da moto lá.

E assim, mais uma vez o motoqueirismo mostra sua verdadeira face, da camaradagem e da ajuda mútua. Ainda o acompanhei na compra de outras traquinagens tipo “do-it-yourself” que iria instalar lá na tal câmara do dinamômetro. E nisso temos que dar o braço a torcer para o camarada, humildade e simplicidade em pessoa.
A revisão terminou no final do dia e o remapeamento somente no dia seguinte. Resolvemos comemorar o portão novo num pub famoso de Campinas que fiz o favor de esquecer o nome. Mas, não tem erro, basta ir no que estiver mais cheio, é esse. E mais uma vez fico surpreso com a circularidade da vida.

– Fantini, você toma joaquim daniel?
– Uai, claro, não dispenso jamais.
– Então pega aí. O Maia que trouxe de presente.

gentileza gera gentileza

gentileza gera gentileza

Cai alho! O cara gastou tanto aqui que precisa esticar as prestações e rolar a dívida, e aí tem que mimar o credor. Olho com mais cuidado para garrafa, um legítimo Joaquim Gente Fina e, peraí, cai alho! Conheço esse Joaquim, havia dado para o Maia para pagar o que bebemos todo em Prado BA e olha só. Rsrsrs! Sim, gentileza gera gentileza, melhor ainda quando se trata do Joaquim Gente Fina. Nem precisa dizer o tanto que a noite foi boa.

preparativos

preparativos

No dia seguinte Srta. Hellen Dawson já estava sendo devidamente estuprada até o limite enquanto o breguete lá de remapeamento, o tal TTS Mastertune para quem queira saber, ia fazendo as leituras e equalizando os dois cilindros e corrigindo a mistura.

taca fogo na namaguideraz!

taca fogo na namaguideraz!

Três séries de ajustes depois, finalmente o motor pode respirar aliviado e entregar sua potência original e não aquela merrequinha estrangulada de fábrica. Mas sinceridade, tenha em mente que os freios das custom em geral e da HD inclusive não são aquela maravilha e seja consciente.

já dá para alcançar as japonesas

já dá para alcançar as japonesas

– Consciente? Você fala sobre os três limites e.. Fantini, Fantini, peraí!!!

Depois de uma voltinha de teste, despeço do Paulinho e equipe da Garage Henn, realmente mais que recomendado, não só pelo serviço impecável, mas pela pessoa que o camarada é. E isso faz toda a diferença. Fora que me custou apenas um portão usado. Fino!

Ligo para o Hellton:

O Fantini me ligou

O Fantini me ligou

– Frangolino, separa o colchão aí que estou chegando.
– Sério?! Bezerras me mordam!!!


05/06/13 enquanto a bezerra continua morta

São 05:30 da manhã e a esposa acorda de sobressalto com o grito do marido:
– Ele vem! Ele vem!
– Meu deus, calma, quem vem?
– O Fantini, o Fantini vem para São Paulo!
– Mas como você sabe? Ele não estava em Goiânia?
– Programei meu celular para acompanhar as publicações dele no facebook. Já vou até mandar uma mensagem no whatsapp para saber quando ele chega.
– Meu bem, vamos voltar a dormir? Vamos.

A parte divertida de uma longa viagem de moto, mesmo com paradas estratégicas para visitar os amigos e descançar o corpo, é que o clima sempre te surpreende. Eu acreditava que não seria possível passar mais frio quanto o que passei a praticamente uma semana atrás, subindo na quinta de Vitória ES para Três Ranchos GO. Estava enganado.
Enquanto avançava a BR153 com destino à divisa de Goiás com Minas Gerais, para seguir para Uberlândia MG e de lá pegar a BR050 em direção a São Paulo, a espessa neblina da madrugada cortava a jaqueta, a segunda pele, minha pele e calcinava meus ossos. Vejo a saída para Caldas Novas GO e praguejo por estar indo em outra direção.
Aí lembro que não havia abastecido na noite anterior e olho o hodômetro. Tinha ainda garantido 50km de autonomia e assim fui neblina adentro. 40, 45, 49km, nada de posto, quer dizer, passei uns três que estavam no sentido contrário da rodovia. Cai alho, Fantini! E porque não atravessou a pista? Bom, pista dupla com retas infinitas tem suas vantagens. A desvantagem é a mureta central ou uma vala de todo tamanho. Fora a teimosia de não pegar o retorno porque tinha retorno para o posto, mas não tinha retorno para voltar. Fora que estava frio igual na terra do capeta e queria evitar qualquer manobra brusca.
Aos 51km o posto apareceu, minha salvação. Quer dizer, salvaria a autonomia. Com essa temperatura, parar é até pior, porque o corpo esquenta novamente e quando se volta para a estrada, o choque térmico é ainda mais forte. Tudo bem, podem rir do fato de ter deixado o forro da jaqueta para trás lá em Vitória ES. Mais algumas sequências de nada com coisa alguma na paisagem em volta, a solidão tomando conta de seu ser e a divisa de estados surge junto com a ponta do sol para mostrar que sim, você está vivo e não atravessando alguma ponte através do Rio Aqueronte.

Divisa Goiás - Minas Gerais em direção ao trevão

Divisa Goiás – Minas Gerais em direção ao trevão

Logo em seguida há um trevão onde se pode seguir direto para entrar em São Paulo pela estrada que chega a Barretos SP (ninguém recomenda) ou pegar um trecho da BR365 até Uberlândia MG e lá pegar a BR050 (que vira Anhanguera em SP) passando por Ribeirão Preto SP, caminho mais recomendado e por onde fui. E continuou o frio, Fantini? Alguém deve ter perguntado. Sim, continuou lá em Goiás, porque agora começava a esquentar de tal maneira que era impossível acreditar que a poucas horas atrás poderia encontrar um pinguim passeando no acostamento que não acharia estranho.

o sol voltou

o sol voltou

Já passam de 11:00 da manhã. O sujeito está inquieto, reunião tensa na empresa, saca o celular.
– Co jest kurwa? Jesteśmy w spotkaniu! Chcesz stracić piłki!? (1) – esbraveja o chefe polonês.
– Calma chefe, preciso saber do Fantini. Como assim?!? Nenhuma resposta dele, vou mandar outra mensagem.

Entre Campinas SP e Valinhos SP, durante uma parada de abastecimento, resolvo conferir a hora para acompanhar o avanço da viagem e comentar no facebook que estava correndo tudo bem. Vejo umas três mensagens no face e outras cinco no whatsapp. Da mesma pessoa:
“Assim que puder, me liga”
“Chegando em São Paulo, me avisa”
“Já providenciei cerveja”
Bom essa última interessou e respondi um educado: “pensarei no seu caso”, até porque tinha compromissos da pena preta. Mas como havia aberto o celular, resolvo conferir o mapa também, esses trem high tech de hoje facilitam a vida, e vejo que com um pequeno desvio de 150km poderia dar um abraço no velho rabugento lá de São José dos Campos SP e assim peguei a Rodovia Dom Pedro I e segui para lá.
Cheguei ainda no final da tarde, a casa estava com cara de vazia. A moto na garagem, mas o carro não. Isso é sério? O velho é só gogó mesmo! Vejam, compra essa moto enorme só para tirar foto dela enquanto lava na garagem. E depois sai para passear de carro! Trinquei! Pego o celular para ligar para ele e já sacanear até a 3a geração, quando lembro que lá em Três Ranchos GO, uma falha sem explicação apagara a memória de contatos. Trem high tech mão na roda, o cai alho! Ainda tentei conseguir o número de telefone por outras vias, mas acabo descobrindo que ele estava em Jundiaí SP, próximo de onde eu havia pegado o desvio. Paciência.
Pego a Dutra de volta para São Paulo SP e de repente o calor desaparece e encontramos de volta a sensação de estar indo em direção ao Tártaro. E assim novamente a viagem de moto lhe apresenta a sua maior lição: não importa quem você seja, o clima não se interessa por sua insignificância e vai se apresentar do jeito que melhor o convier, indiferente a sua vontade. Se acostume com isso ou venda a moto e compre um sofá e uma televisão full HD.

em direção ao tártaro

em direção ao tártaro

Após ficar perdido pela enésima vez para pegar a saída para Av. Paulista, acho o endereço de onde tinha meu compromisso e o trecho de hoje estava finalizado depois de uns 1.100km e por volta das 19:30. Ligo para o Hellton.

– Fala, que bom que ligou, já estava preocupado. Já está aqui na porta de casa?
– Não.
– Uai, mas está a caminho?
– Não.
– Está perdido de novo?
– Errei o caminho, mas já achei o endereço aqui.
– Endereço? Não vai vir para cá?
– Não.
– Como assim? COMO NÃO?!?
– Sossega, a bezerra continua morta.

(1) Que porra é essa ? Estamos em reunião ! Quer perder as bolas ?!?


31/05/13 a morte da bezerra pt02

Tudo que você espera após uma longa viagem de moto, quem sabe atravessar uns 200km, nossa, muita coisa hein, entre dois municípios próximos, é encontrar a cama quente e arrumada após um belo banho quente naquele hotel com o máximo de estrelas que você marcou com antecedência. Um luxo, recomendado por aquele amigo do café da manhã de sábado porque os croissants do desjejum são divinos.
E você, Fantini, se preocupa em marcar o hotel?
– Hotel? Preocupar?
Por volta de 02:00 da manhã o Nelsão deu o grito porque achava que a gente já tinha tomado muita cerveja de graça e que como ele tinha providenciado uma casa emprestada, se a gente quisesse abrigo, era para ir naquele momento.
O som da televisão no talo por volta de 10:00 da manhã me acordou de supetão e quase bati a cabeça no topo da beliche. Lembrei de uma velha música que preza: “até parece fácil acordar às dez, quando a ressaca me pegou de vez”.
– Cai alho, Nelsão, tá surdo?
– Era para ver se vocês acordavam de vez.
O pão de forma, presunto e queijo, esquentados na chapa elétrica, e a coca cola gelada não se comparavam ao sabor divino do croissant do hotel de sabe se lá quantas estrelas. O pão e a coca tinham um sabor bem melhor.
– Aqui, depois temos que ver o rateio aí do café. – implicou o Nelsão.
– Rateio? Rateio de que? E a honra da minha ilustre presença?
– Ôôô Batman! Esse mineiro é muito atrevido!
Saimos para encontrar com o pessoal do Mojoriders que veio de Catalão GO e estavam numa casa próxima, não sem antes dar uma volta pela cidade.

Recepção fina do Mojoriders

Recepção fina do Mojoriders

– Ôôô mineiro, essa sua moto faz barulho demais.
– Sossega aí, Nelsão.
– Ôôô! Você é muito atrevido!
– Rsrsrsrsrs.

Como um escape pequeno vai fazer barulho?

Como um escape pequeno vai fazer barulho?

Improvisamos um churrasco enquanto o pessoal preparava uma feijoada lá na casa que estavam. Em seguida chegou o Edson Mamão, companheiro do Nelsão.
– Mas você veio mesmo de Vitória ES num tiro só? Ah, não, não! Pára! É mentira. É mentira!
Nem precisa comentar que esse foi nosso mote para tudo que a gente achava um absurdo.
Passamos uma tarde mais que agradável, com pessoas fantásticas, apesar que em certo momento, a coisa ficou tensa e queriam arrancar nossos dentes. Afinal eram dentistas.
– Sabe, Fantini, se tirar esse molar aí e botar um aparelho.
Cai alho! Eu que não quis arrancar os dentes nem quando o Ghan quis me ensinar sobre a felicidade interior. Quanto mais para botar aparelho. Deixa eles tortos mesmo.
Mas o ponto alto foi ver o exímio, o grande, o fantástico, o campeão, ele, sim, ele, Nelsão, o mestre da sinuca. Teve que ir embora com a viola dentro do saco e o rabo entre as pernas após perder feio para os anfitriões. Isso porque era impossível imaginar o Nelsão perder pelo tanto que ele disse que jogava. Trinquei.
– Ôôô! Você é muito atrevido!
– Rsrsrsrsrs.
O evento a noite foi mais do mesmo. Exceto pela cena hilária do Mamão tentando nos acompanhar no gole. Coitado. Parece que teve problemas com o famoso tique de ligar para namorada quando já atravessou todo o mercado negro de Bagdá. Mestre Grilão é categórico: “Filho, sábio aquele que desliga o celular durante a gandaia”.
Nelsão levou ele embora mais cedo e resolvi esticar mais um pouco com o Batman. Aliás, cadê o desinfeliz, sumiu. Tomei mais uma latinha, rodei o evento e nada. Cai alho! Bom, deve ter ido também, vou nessa.
Você já deve estar imaginando aquele banho quente, não? Eu também, mas me deparei com o portão do condomínio completamente fechado, sem controle, sem porteiro, sem cerveja. Acabei cochilando do lado da moto por volta de uns 30 minutos ou mais até que o desinfeliz do Batman aparecesse em seguida com o controle. Depois ele me explicou que foi por um bom motivo.


30/05/13 a morte da bezerra pt01

O que se pode dizer sobre uma viagem de moto que já não tenha sido dito? Alguém sempre tem uma dica, qual moto é melhor para isso, qual moto melhor para aquilo, o que levar, que tipo de roupa usar, quantos quilômetros se avançar por dia e inúmeras outras amenidades que se encontra por aí na opinião dos mais entendidos de plantão e comentaristas de revistas especializadas no assunto.
Talvez aquele camarada que você encontre no café da manhã todo sábado, lhe passe recomendações fundamentais de segurança e indumentária, qual a maneira correta de conduzir a motocicleta e, pasmém, um código completo de sinalizações para indicar o que há de perigo na pista quando se anda em comboio.
E você, Fantini, se preocupa com esse tipo de coisas?
– Desculpe… falou comigo?
– Sim, você não se preocupa com…
– Ah! Sim, estou muito preocupado. Preocupado com a morte da bezerra!
E olha que o Helton, nosso novo aspirante, comentou bastante sobre este evento fatídico, mas deixa isso para quando chegarmos em São Paulo.
– São Paulo! Vai rodar bem então.
– Talvez, mas primeiro vamos para Goiás.
– Goiás?!?

Divisa Minas - Goiás por Araguari

Divisa Minas – Goiás por Araguari

Eu já estava a caminho de Uberlândia MG, após passar o trevo de Araxá MG. Vinha desde Vitória ES quando sai quinta por volta de 05:45 da matina. Estava prestes a ter uma pane seca quando finalmente surgiu uma cidadezinha chamada Santa Luciana MG. Estava difícil controlar a mão trêmula e congelada pelo vento e umidade da chuva fina, quase uma névoa, que vinha me acompanhando desde a divisa entre Espírito Santo e Minas Gerais.
Como era uma chuva bem fina, não chegava a molhar o asfalto, somente ia umedecendo a roupa a ponto de que a sensação de frio chegava ao limite do intolerável. A segunda pele tentava fazer seu papel em vão e comecei a imaginar a oportunidade de comprar um colete de lã fino para usar sob a jaqueta.
Comecei a rir, afinal a jaqueta tem um forro térmico. Um forro térmico que ficou em Vitória ES, dentro da caixa no armário onde está desde que mudei para o clima infernal do litoral capixaba e arredores. Cai alho!
Cheguei em Uberlândia MG por volta de 18:30 conforme previsto. O Aurélio Batman que me aguardava em Três Ranhos GO já estava conhecendo meio mundo no encontro lá (o que nos proporcionou um bocado de cervejas grátis, diga-se de passagem). Mas como é que um camarada anda mais de 1.000km em apenas 13 horas?

Encontro em Três Ranchos GO

Encontro em Três Ranchos GO

Bom, como sai cedo, consegui encaixar a subida da serra até Realeza MG com o trânsito de mineiros descendo de Bhz para a praia. Daí em diante não peguei trânsito praticamente algum, o que dá para fazer a viagem render bem. E também tem a facilidade de já conhecer a estrada, uma vantagem que só tem quem usa sua moto para ir além das esquinas do bairro. Recomendo.
O último trecho entre Uberlândia MG e Três Ranchos GO, pelo contrário, era completamente desconhecido. Conferi o mapa, passaria por Araguari MG, divisa e Catalão GO. Mas uns 200km. Fichinha para quem já tinha feito 1.000km? Mais ou menos pois a partir de 18:30 já havia escurecido bem e para quem já passou por isso, sabe o quanto é ingrato viajar de moto a noite quando o céu está nublado. É um bréu do cai alho! E em estrada desconhecida, melhor ir “na manteiga” como recomenda Mestre Grilão.
Por volta de 21:30 cheguei em Três Ranchos GO e já fui direto para o encontro. Mal parei Hellen Dawson e já tinha um caboclo cabeludo me gritando.
– Porra, padrinho! Veio mesmo. Vem cá mostrar para esses caras aqui que você veio mesmo.
Grande Aurélio Batman. Figura, nos conhecemos em 2009 num outro encontro em Goiânia GO. Preciso professor da arte dos embates. Nunca esquecerei sua técnica de posicionamento estratégico em botecos.
Já tinha conhecido meio mundo do evento. Tudo bem que meio mundo do evento não passava de meia dúzia de gatos pingados. Primeiro evento em cidade pequena é assim mesmo. Mas garantiu boas risadas e muita cerveja.

O pessoal aqui prefere jetski

O pessoal aqui prefere jetski

E aí vem o Nelsão, incrédulo.
– Você não veio de Vitória ES hoje não. Não tem como.
– Uai, é tranquilo, basta acordar cedo, pegar a moto e seguir a direção até aqui.
Na verdade acho que ninguém acreditava que um camarada fosse capaz de rodar mais de 1.000km em um dia, na verdade somou uns 1.300km (quase um iron butt sem fazer muita firula que fazem por aí), somente para encontrar um velho amigo. Bom, se você também não acredita, venda sua moto e procure outro passatempo. Pois é disso que é feito motociclismo, rodar e encontrar amigos. Nada mais.


04/05/13 festa pomerana em santa maria de jetibá

A última tentativa de viagem longa com a srta. Hellen Dawson tinha furado por causa da pane elétrica lá em 28/03. Alguém deve estar se perguntando se logo que voltei de Sampa (já que fui de carro) tive a oportunidade de verificar o que era. Bom, claro que não, porque cheguei de Sampa e praticamente peguei avião em direção a Santiago numa viagem combinada com o Dedé, meu irmão que não vai mais ao médico, ele só vai no borracheiro.

Mas antes de continuar a leitura, recomendamos botar na vitrola um Hoodoo Gurus.

Anexando terrenos andinos

Anexando terrenos andinos

Só fui verificar qual era o motivo de srta. Hellen Dawson empacar no dia 16/04. Isso mesmo mais de 15 dias depois. Para você ver o quanto eu gosto de andar de moto. No final era somente a bateria descarregada por ter ficado com o farol ligado na noite anterior brigando para montar o bagageiro. Resolvi o problema da bateria com uma recarga e preventivamente comprei o famoso cabo de chupeta para o caso de nova emergência.
Como teve a 3a6a! logo em seguida, só fui conseguir uma janela para andar de moto no início de maio. Ligo para o Maia.
– Franga, vamos rodar no sábado.
– Agora só ando com cara de speed.
– Sério? Que cai alho!
– Na verdade nem eles me alcançam agora.
E pensar que o cara era um pacato professor universitário.
Só se convenceu quando comentei da festa pomerana que outro camarada avisou que teria em Santa Maria de Jetibá ES.

Pomerisch Fest 2013

Pomerisch Fest 2013

Mas insistiu para encontramos numa padaria.
– Temos que manter as aparências. Sábado é dia de ir de HD na padaria.
O clima de início de inverno tornou muito mais agradável os passeios aqui na região de Vitória ES. Já não está mais aquele calor infernal e dá até para usar jaqueta de novo. Apesar que acabei indo com a blusa de flanela mesmo.

Mas a jaqueta estava lá para qualquer eventualidade

Mas a jaqueta estava lá para qualquer eventualidade

Subimos pela BR101 sentido norte e na altura de Fundão ES, pegamos a estrada vicinal para Santa Tereza ES. A cada vez que passo nessa estrada, agrado mais dela. Trecho na medida exata para rodar. Curvas para todos os gostos (ok, algumas não são para quem tem medo) e a bucólica Santa Tereza ES.

Estradinha agradável demais da conta

Estradinha agradável demais da conta

Como iríamos um pouco mais adiante, pegamos a saída para outra estradinha vicinal em direção a Santa Maria de Jetibá ES, passando por Garrafão ES. Essa estrada conheci na volta do lagarto e da outra vez havia alguns buracos para atrapalhar o traçado de outra estrada divertida com suas curvas e mais curvas. Mas custom não faz curva, alguém vai argumentar. Realmente não faz não, então a gente força um tiquim só.

Será que estou usando a moto corretamente?

Será que estou usando a moto corretamente?

Mas então Fantini, sofreu para acompanhar o ultra mega blaster dragonzoide motor de 200.000 cavaladas estrelares do companheiro Maia. Companheiro Maia? Uai, é mesmo, cadê o Maia? Tive que parar no acostamento e esperar.
– Velho, estou arrastando as plataformas em toda curva.
– Uai, o estágio 2 não vem com contra-esterço automático também não?
Bom, ele quis me bater. O problema é que tinha que me alcançar primeiro.
Santa Maria de Jetibá ES é tão bucólica quanto Santa Tereza ES, mas a festa pomerana estava agitando a cidade. Ao menos era o que dizia em alto e bom som naqueles alto falantes espalhados em cada poste. Paramos numa farmácia para perguntar sobre hospedagem. Não, não me perguntem se seria mais fácil perguntar no posto, mas a atendente com roupa típica era bem mais simpática que qualquer frentista.
Assim como as caixas do supermercado e todas as mulheres da cidade. De repente comecei a achar que realmente estava na Alemanha, não só pelos trajes, mas porque todo mundo era praticamente ariano.
Como conseguimos uma vaga no hotel local, largamos as motos no estacionamento, compramos um joaquim daniel e fomos aproveitar a festa. Estava bacana mesmo e a banda que tocou anos 80 foi fina. E vai ter alemã assim lá na Alemanha!

Estaríamos na Alemanha?

Estaríamos na Alemanha?

No dia seguinte decidimos voltar pela BR262, então seguimos mais um pouco até o trevo de Afonso Cláudio ES. Como eu disse acima, fizemos ao contrário o trecho que rodamos na volta do lagarto. Mas agora estava bem mais divertido, todos os buracos tapados e jogando poeira no filtro de ar de alto desempenho da Lily Monster. Se continuar assim o coitado do Maia vai ter que voltar a usar capacete fechado.
Fechamos com a descida de Serra Azul ES até Vitória ES. Na verdade fomos em Vila Velha ES para azucrinar o Chico um pouco, já que ele gosta de trabalhar dia sim e dia também.
Valeu a pena demais e é um passeio que dá para fazer em um dia, já que não chega a somar 300km ida e volta a partir de Vitória ES. Recomendo.


28/03/13 a aventura so começa quando algo da errado

Havia já algum tempo que devia uma visita ao Helton, companheiro do clã que mora em São Paulo. A mais ou menos um mês atrás deixamos marcado para o feriado da Semana Santa. Ficou ainda mais tranquilo de ir quando descobri que a empresa resolveu, além da sexta feira, abrir uma folga também na quinta. Perfeito.
Nisso o Maia estava naquele frenesi danado, o que comumente chamamos de fogo no brioco, para acertar o recém adquirido mastertune. E ainda tinha cismado de passar para o tal estágio dois lá com o Paulinho Henn em Campinas.
– E o que diabos é estágio dois? questionei.
– Coisa simples, se troca o comando de válvulas.
– Cai alho.
Realmente concordo que a mapa de injeção original das HDs é muito ruim (coisa para atender legislação de consumo e emissões), o que praticamente mata o motor de 1600cc. E assim tive a idéia de aproveitar o ensejo e fazer o remapeamento da srta. Hellen Dawson.
Nuanda, velho companheiro de batalhas barrentas e a sua maneira responsável por hoje existir o DACS no clã (falo sobre isso novamente numa próxima oportunidade), ainda pretendia fazer uma surpresa ao aparecer do nada lá em Sampa. Pronto, estava tudo organizado.
Srta. Hellen Dawson vinha de um banho de loja considerável, pois aproveitando o par de sapatos novos da Michelin, resolvi dar uma geral na pintura, cromados e rodas. E lá se foi polimento em tudo, modéstia as favas ficou muito bom o serviço na Ayso Motos. Além da nova tatuagem providenciada com o Mestre Marcio Langer. Melhor que isso somente cromando tudo novamente como fez o Chassis com sua Shadow (e essa ficou igual zero km, linda).

Hellen Dawson e sua nova tatuagem

Hellen Dawson e sua nova tatuagem

Na quarta a noite deixei tudo montado e organizado. Quer dizer, apanhei para montar de volta a grelha do bagageiro, pois seu encaixe não bate com o do banco novo. Era acordar cedo na quinta, 04:30 da matina para ser preciso e zarpar rumo à paulicéia. Toda a parafernália de proteção que se tem direito, já que estava chovendo lá fora, viro a chave central, desligo o mata motor, todas as luzes de espia se acendem e se apagam indicando tudo sob controle. Só dar a partida e ouvir a música do escape curto (outro mimo comprado para a menina recentemente).
Então Fantini, só dar a partida. Fantini? A partida.
– Estou tentando! Cai alho! Estou tentando!
Uma, duas, três. A parafernália de proteção começa a pesar e a segunda pele que deveria manter o frio distante começa a se tornar uma sauna. Olha aqui, olha acolá, dá a partida e um “tec-tec-tec” elétrico e maldito do lado esquerdo abaixo do banco. E nada. Bom e isso porque na noite anterior estava funcionando de boa. Cai alho!
Pensei em desmontar a parte elétrica para verificar o que era, provavelmente pelo tipo de sintoma o relé de partida ou a bateria (fiquei com o farol ligado montando a maldita grelha), mas o suor escorrendo dentro do capacete e a frustação daquela melindrada de Srta. Hellen Dawson, empacando feito uma mula de carga só porque estava chovendo, me fez negar tudo aquilo que acredito, subir em casa, tirar toda a couraça, tomar uma ducha, vestir uma bermuda e ir com a Noviça Rebelde, a picape que tomou lugar da antiga Picareta.
Já estava na altura do Rio quando vi a mensagem do Nuanda confirmando que a dragstar dele também havia apresentado problema. Só que mecânico, carburador afogando e moto sem força na alta. Já pensei no giclê de alta. Depois não consegui falar com ele para saber se precisava de ajuda. Isso porque estava na BR101 vindo de Vitória e ele descendo a BR262 (Fernão Dias) a partir de Bhz. E qual o problema? Se precisasse, atravessava no meio das estradinhas vicinais e salvava ele lá onde estivesse. Ou então poderia acabar de negar de vez o que consideramos ser o clã e botar fogo na fúnebre flâmula.

fúnebre flâmula

fúnebre flâmula

E o Maia? A essa altura lá na oficina em Campinas estava se divertindo botando fogo do escape e fazendo o Joaquim Daniel dançar ao som do velho e bom V2. Filho de uma boa mãe!
Cheguei em Sampa e, como sempre, me perdi para chegar na casa do Helton. E olha que não é tão difícil assim chegar na casa dele em Vila Mariana. Depois de errar três vezes porque fui confiar mais no GPS do que na minha memória, instinto e placas (sim, todas indicavam perfeitamente o caminho se tivesse seguido), uma hora depois encontrava com os dois irmãos.
Estendemos a fúnebre flâmula e pronto, um posto avançado do conclave marajoense estava formado. A RFEIM existe onde um membro do clã estiver. O Musquito, outro companheiro que também resolveu morar na selva de pedra nos acompanhou noite adentro, dividindo nossas histórias e mentiras e muita Heineken. Quer dizer, o franga do Musquito trouxe skol.
Como sexta era feriado, decidimos que não tinha muito o que fazer quanto a moto do Nuanda, até porque não tinha ferramentas para verificar o maldito carburador. Começamos a verificar as opções que tinhámos, um reboque de volta a Bhz ficaria muito caro. Mas caro mesmo era demover Nuanda de voltar com a moto naquele estado. Não era seguro.
– Não vou deixar em oficina aqui não, preciso da moto no dia a dia.
Com muito custo conseguimos convencê-lo que poderia pegar a Honda Biz emprestada do Gustavinho.

A honda biz do Gustavinho

– Essa eu queria filmar e…
– Helton, cai alho! Sossega!
Incomodei o camarada Nishida, grande Nishida, para saber se conseguia algum mecânico próximo. Arrumou logo três opções e ainda verificou novamente um reboque para Bhz. Realmente o coração é muito maior que a pessoa. Se bem que ele é baixinho igual eu. Rsrs.
Na sexta a noite fomos encontrar com a Nina, capitã das fumos que vieram de Bhz para o Lollapalooza, e fomos parar lá na tal Vila Madalena. Como estava todo mundo virado de viagem (no caso delas) e cachaçada (a gente), não sobrevimemos ao segundo buteco. É a vai idade. Antigamente durávamos no mínimo três butecos. Mas vai lá.
No sábado cedo, ok, quase cedo, já estávamos na GO a procura de uma oficina para deixar a dragstar do Nuanda. Isso porque as opções que o Nishida passou, coitado, furaram o olho do japonês e estavam fechadas. Pergunta daqui e de lá, descobrimos uma oficina que poderia atender, mas ficava para o lado da Av Cruzeiro do Sul. Não me perguntem detalhes, já viram lá no início que não consigo chegar nem em Vila Mariana sem ficar perdido. Bom, basta indicar que é a Podium Motos. O pessoal foi muito cordial, mas a atendente foi cética.
– Só poderemos olhar a moto segunda.
Eu pensando menos mal, já que conseguimos uma oficina, Nuanda com uma lágrima nos olhos e o Helton já ia zoar novamente a história da Honda Bis. Cai alho! Sossega Helton!
Fomos caçar algo para tapar a fome, não tinha mais o que fazer. Quando já estava acabando o exagerado pastel de 30cm da lanchonete que não lembro o nome, já lá de volta para os lados de Vila Mariana, o telefone do Nuanda toca.
– Ah! Sim, é o Rafael, tá, sério, tá, então tá. Daqui uma hora? Tá, então tá.
– Nem precisa falar, pela sua expressão é da oficina, só falta dizer que a moto está pronta? perguntei.
Olha só, eu sou muito pé atrás com São Paulo. Acho o custo de vida, a tensão do dia a dia atribulado, o trânsito caótico, bom, o conjunto da obra algo que não me agrada. Mas descobrir que uma oficina desmonta o carburador, limpa, regula, monta de novo e entrega num intervalo de três horas (ou menos), isso porque era sábado após um feriado, me faz queimar a língua.
Não é que a moto ficou boa. Alguém vai dizer que a gente deveria ter resolvido por conta própria. Sim, concordo, mas como já havia dito, não possuíamos as ferramentas para tal. Os puristas que nos perdoem.
Resolvido a pior parte, vou saber do Maia se estava tudo bem.
– Velho, instalei um freio novo já que você reclamou que o original não estava muito adequado para a nova potência da moto.
– Mas como assim, era só regular, não precisava trocar.
– É que agora a Lily Monster passa dos 200.
Desliguei o telefone. E pensar que até um mês atrás o cara era um pacato professor universitário.
No domingo cada um caçou seu rumo. Nuanda subiu para Bhz e eu desci a Dutra para o Rio para em seguida pegar a BR101. O Helton acho que ainda estava dormindo quando cheguei em Vitória. O Maia? Velho deve ter chegado no dia anterior ao ultrapassar a barreira do tempo e o espaço. Cai alho!
Srta. Hellen Dawson estava lá impassível. Perdeu a oportunidade de receber fôlego novo com o remapeamento da injeção, mocinha maldita. Mas é assim mesmo, a aventura só começa quando algo dá errado. Se bem que preferi todas as vezes que algo deu errado no meio da viagem e não antes de começá-la.


08/03/13 era para ser mais um teste de abraçadeira

A um pouco mais de um ano atrás estive em Prado BA com o objetivo de verificar se as abraçadeiras que havia trocado do acabamento do escape da saudosa dona stefânia haviam ficado firmes. Sabe como é, essas coisas tem que ser verificadas e nada como uma voltinha de 450km para ter certeza de que havia ficado bem montado.
Ainda tinha combinado de verificar as condições do asfalto para a turma que subiria de Bhz na semana seguinte. Eu também tinha a intenção de voltar no outro fim de semana, mas uma pane na bobina fez dona stefânia ir para o estaleiro e me obrigar a encontrar com o povo de carro mesmo.
Estávamos eu, Nuanda e Hermano, representando o povo do clã e mais três casais amigos nossos que não têm clube. Nos divertimos bastante e sei que tiveram um agradável passeio por terem vindo juntos e voltado juntos.
Dessa vez fui com o pessoal daqui de Vitória: Chico, Marcão e Nilza e o maluco do Jansen, cada um carregando sua bandeira, mas dividindo os mesmos momentos na estrada. Somente o Jansen que teve que voltar um dia antes devido a compromissos de trabalho.

viagem em grupo

viagem em grupo

Ah! E tinha o Maia, mas o doido resolveu viajar a noite sozinho. O que que eu posso fazer se o desinfeliz quer passar por todo e qualquer rito de passagem para ficar citando Nietzsche. Espero que não resolva também pegar uma estrada de terra a noite. Se bem que depois levo ele lá no trecho que já fiz a noite, que sai da BR101 até Nova Viçosa BA, só para ver se ele tem braço mesmo.

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

Como estou com a missão de acabar de vez com os pneus da srta. Hellen Dawson, a voltinha de 450km vinha a calhar, ainda mais que há um grande trecho de reta sem fim para alegria da maioria dos donos de custom. Para minha sorte, há uma pá de curvas para todos os gostos e velocidades, assim poderia gastar também a lateral dos pneus.
E ainda precisava saber se as abraçadeiras do escape novo, trocado na semana anterior, estavam bem fixadas.

nenhuma peça do escape caiu até aqui

nenhuma peça do escape caiu até aqui

Como todo encontro é basicamente a mesma coisa, basta dizer que em Prado BA se tem a praia à disposição. Mas considerando o péssimo atendimento local, cai alho Fantini, pega leve. Ok, considerando o péssimo atendimento que tivemos na barraca que ficamos, acho que era Barraca do Toti, ter a paisagem da praia salvou.
O Maia havia nos dado a missão de conversar com o tal Joaquim Gente Fina, infelizmente e apesar de não ter faltado assunto, ficou ainda um dedo de prosa para terminar com o distinto.

o joaquim gente fina

o joaquim gente fina

Retornamos no domingo. O mesmo calor escaldante da viagem na sexta. Não, não tente isso em casa, mas resolvi ir somente com uma calça e uma blusa jeans surrada e o velho e bom colete do clã para me proteger. Aí, alguém vai levantar o manto da segurança pessoal, que devia dar o bom exemplo e o cai alho a quatro. A única resposta que tenho é que sim, em Minas uso segunda pele, jaqueta, calça de cordura, mas lá o clima permite. A 40°C a sombra, é melhor ir com uma roupa mais arejada para não desidratar e desmaiar em cima da moto.
E deve ter sido o que aconteceu com um casal que o Maia (ele voltou um pouco mais cedo que nós) encontrou estatelado no chão. Procurou saber se estavam bem e se precisavam de alguma coisa. Responderam que não precisava se preocupar, mas pediram que avisasse o companheiro de clube deles.
E lá foi o carismático Maia de posto em posto até achar o distinto 100km depois.
– Cara, pediram para avisar que seu amigo, Daniel, se acidentou.
– Mesmo, nó, que pena. Mas 100kms atrás, né? Tá longe, não adianta nada eu voltar lá, vou seguir.
Por sorte e porque o Maia é um cara de paz, outro membro desse pseudo motoclube também não sofreu um acidente.
Além de realmente estar abismado com a situação, eu não sei o que faria com um espírito de porco desses se tivesse ouvido isso.
Fiquei pensando no ótimo passeio que tivemos a um ano atrás, no passeio desse fim de semana. Fora as outras pequenas voltas que tive aqui por perto de Vitória com o pessoal bacana que tenho conhecido aqui. Mas a cada dia que vejo essas pessoas fantasiadas, menos me cobro por preferir viajar “sozinho”.

Não viajo sozinho

Não viajo sozinho

Afinal, enquanto estiver carregando a fúnebre flâmula, sei que sempre o povo do clã viaja comigo e nunca, nunca abandonamos ninguém.


03/02/13 a rota do lagarto e um pouco mais

Foi final de janeiro agora que a Brojeta, vulgo Juliana, prima do Brojo, aproveitou que pegaria um ponte aérea em VIX para retornar para Bhz depois de longos dias de parmegiana nas praias de Iriri e me chamou para um encontro à mineira, ou seja, num buteco.
– Fantini, esse doutorado ainda me mata, preciso achar alguma coisa que fale sobre as interações das pessoas no dia a dia das calçadas gerando conhecimento e, velho, porque estou perguntando isso a um engenheiro?
Pensei em dizer “já consultou o Mestre Grilo?”, mas estava inspirado:
– Já leu “Emergência – A dinâmica de rede em formigas, cérebros, cidades e softwares” de Steven Johnson? Tem um capítulo inteiro falando sobre isso aí.
Agradeceu, mas não pagou a conta do buteco. Mulheres.
Mais de semana depois, o Fernandinho da Ayso estava reclamando sobre o mal tempo e que estava foda de passear de moto. Mandei ele tirar a bunda mole do sofá e simplesmente pegar a moto e sair por aí. E a partir dessa rápida conversa e sem muita intenção, meio que surgiu a idéia de um pulo até a Rota do Lagarto em Pedra Azul.
– Você topa, Fantini?
– Uai, porque não? Marca aí.
De repente já tinha uns 15 caboclos confirmados e assim como Johnson comenta no livro, de uma interação simples começa a surgir uma ordenação complexa, sem que houvesse alguma liderança ali direcionando o caminho. E aí o que era uma volta até a Rota do Lagarto passou a ser um passeio completo com direito a Festa da Uva em São Bento de Urânia, almoço em Venda Nova do Imigrante e retorno através de Santa Tereza. Cai alho! Nada mal hein, Fernandinho?

O tempo estava ruim

O tempo estava ruim

Cheguei uns 15 minutos mais cedo no ponto de encontro em Camburi porque precisava abastecer a srta. Hellen Dawson, havia uns 4 caboclos que nunca vi mais gordos. E nem se podia dizer que era por causa do mal tempo de domingo. O que estava travando o povo em casa era mesmo o Sambão do Povo na noite anterior, até o Chico parecia japonês com os olhinhos fechados. E aí olho de novo (tudo bem que com 1 hora de atraso) e já estávamos sendo incomodados pelos frentistas porque praticamente fechamos o posto.
Aquilo me deu um frio na barriga lembrando do episódio em Ribeirão Preto SP, quando num ultra mega blaster super bonde de mais de 150 motos (eu no fundo como sempre), começa a chover e metade dos barrigas verdes me param no meio da rodovia para botar capa de chuva. Até hoje a cena de travar os freios da antiga companheira dona stefânia vendo no retrovisor o carro parar a um centímetro de nós me dá calafrios. Ainda bem que choveu canivete e já lavou a calça na mesma hora.

Querendo criar ordem na bagaça

Querendo criar ordem na bagaça

Apesar de confiar na ordem surgindo a partir da base, seguindo o mesmo Johnson, resolvi acrescentar mais umas pequenas regras na condução do grupo, basicamente o que interessa: onde seriam as próximas paradas e distribuição das motos para permitir quem quizesse esticar e quem quizesse andar mais tranquilo convivece em paz. Porque tinha de tudo ali, de CBR 1000 a Biz.
– Fantini, a Biz é da menina do caixa do posto.
– Uai, foi mal então. Essa jabiraca está aí no meio, também!
E assim nós fomos subindo a BR262. Segui atrás em praticamente toda a primeira perna do trajeto, fazendo questão de acompanhar os menos apressados para que não ficassem muito para trás. Primeira parada Posto do Café na entrada para Araguaia. Faltou café.

Faltou café

Faltou café

Passamos rapidamente em São Bento de Urânia para aproveitar um pouco da Festa da Uva. Tirando o fato de dois “guardinhas de trânsito” lá me importunarem enquanto parava a moto na sombra, valeu a visita pelo trecho de estradinha vicinal com curvas bem fechadas. Ainda mais agora que estou praticando as dicas da “Cornering Bible“. Sim, custom também faz curva se você aprender como.

Entrada para Rota do Lagarto

Entrada para Rota do Lagarto

Em seguida mais um trecho da BR262 até a entrada da Rota do Lagarto em Pedra Azul. Posso afirmar que chega a ser tão linda quanto o singelo trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco em Minas. Mas os 30km da estrada real tem algo que aqui em Pedra Azul não tem, tem Minas. E aí já viu, mineiro é patriota até sob tortura. Mas recomendo demais a estradinha da Rota do Lagarto, inclusive vou lá novamente com calma para tirar algumas fotos. Para quem como eu acha que moto foi feita para rodar em qualquer canto, a saída até a BR262 está sendo recapeada e então está só no cascalho. Fino!

Venda Nova do Imigrante

Venda Nova do Imigrante

Voltamos em seguida para a BR262 para alcançar Venda Nova do Imigrante e parar para o almoço. Nesse ponto, parte do comboio debandou, alguns voltando direto para Vitória, outros almoçando em outro ponto. Mas grande parte ficou e fomos então em direção a Santa Tereza. Este trecho de estrada vicinal estava fantástico. Curvas na dose certa com raios variando entre médios e fechados. Não suportei, deixei o espírito tiozão para trás junto com a poeira na cara dos pobres colegas de bonde e fui avançando com srta. Hellen Dawson até a cabeça do comboio. Andei um bom trecho forçando o contra esterço e o controle de aceleração até onde as plataformas permitiam. Diversão garantida. Mas aí percebi que estava abusando andando junto com os mais empolgados e voltei para o segundo grupo onde estavam as trails. O Well do Vitória MC ficou pasmado com o fato de eu conseguir gastar toda a circunferência do largo pneu traseiro. Sim, o pneu largo deixa a dirigibilidade em segundo plano em nome da estética. Com um pouco de paciência e muita prática, dá para se conviver com os dois. Mas, caros companheiros de leitura, não tentem isso em casa, é perigoso para cai alho!

O Well ficou com as pernas bambas

O Well ficou com as pernas bambas

Paramos em Santa Maria de Jetibá porque parte do povo havia ficado muito para trás (viu porque não pode se sair correndo por aí se achando o rei da cocada preta?). Depois viemos a saber que a moto de alguém tinha soltado a corrente. Resolvemos esperar um pouco apesar de que havia chegado a notícia para seguirmos viagem.

Santa Maria de Jetibá

Santa Maria de Jetibá

Nisso um camarada nativo se aproxima e faz a pergunta óbvia que já deixa a gente tenso porque lá vem enxurrada de perguntas esdrúxulas:

– É quantas cilindradas?
– Corre muito não é? Alcança qual velocidade?
– É correia ao invés de corrente, que coisa estranha!
– Tenho um terreno de 250m2 para vender. 65mil. Interessa?

boy that escalated quickly

boy that escalated quickly

– O que?! Cai alho! Boy, that escalated quickly.

Nisso resolvi assaltar o posto onde estávamos, de repente consigo dar uma entrada no terreno que o cara ofereceu.

tentando me tornar 1%

tentando me tornar 1%

Como o povo cuja moto parou não vinha de jeito nenhum e a tentativa de assalto foi frustada porque de 1% não tenho nem o patchzinho, resolvemos pegar estrada e retornar para Vitória. Acabou que passamos direto por Santa Tereza. Direto por assim dizer, porque vai ter que fazer zigue zague assim lá na casa do capeta! O caras querem mesmo que a gente conheça a cidade.
Chegando em Vitória cada um indo para seu bairro, exceto o colega do Vitória MC, Courrier salvo engano, que teve que voltar à barreira policial para pegar o documento da moto porque foi fichado em função do farol de xenon da naked dele. E srta. Hellen Dawson nos sacolejos lá da saída da Rota do Lagarto tinha queimado novamente a porcaria da lanterna traseira (vou ter que botar um led) passou batido. Ninguém pára moto custom. Foi mal aí.

Amigos e iniciativa, não precisa mais nada

Amigos e iniciativa, não precisa mais nada

E assim aquilo que era só para ser uma voltinha com os amigos acabou se transformando num grande passeio e certeza de outros mais a seguir. Steven Johnson tinha razão.


261\13 sempre desconfie de um maia

Eu ainda me questiono porque tantas pessoas levaram a sério a tal profecia Maia e de que o mundo acabaria mesmo em 22\12\12. Aliás o que não falta é profeta e profecia dizendo que o mundo vai acabar algum dia. Bom, talvez algum dia desses eles acertem, até lá prefiro desconfiar de qualquer Maia e aceitar a única certeza que realmente temos. Então aproveite a vida.
Na quarta feira anterior estava eu lá no point organizado pelo pessoal do Bad Service aqui em Vitória ES. Hellen Dawson presa na oficina, por causa de uma estúpida mola de pedal de descanço que resolveu quebrar do nada. Então estava com a Noviça Rebelde.
O camarada se apresenta, todo pomposo:
– Alex Maia. Muito Prazer.
– Bão? Fantini, Gustavo Fantini.
– O nome não é estranho, você está no forum HD?
– Uai, estou.
– Do clã, não é?
– Sim, eu mesmo.
Daí fui descobrir que o camarada até já leu essas presepadas que escrevo e ainda disse que eram boas. Uai, a gente fica até lisonjeado. Mas tive que discordar quando comentou que tinha tirado a carteira agora e já comprado uma moto grande. Nada contra, muito menos a favor, somente acho que é perigoso. Então sempre recomendo começar com uma moto menor.
Mas apesar de toda aparência “coxa”, o Maia era gente boa e merecia um pouco de crédito quando perguntou por onde eu costumava rodar.
– Uai, deixa pré agendado aí para sábado. Vamos lá no Posto do Café. Coisa rápida.
Só depois fui lembrar que não tinha moto para rodar. A sorte é que finalmente o pessoal da oficina do Chico tinha encontrado uma mola adequada para o bendito pedal de descanço. Não que andar por aí com um cardarço segurando o pedal seja depreciativo, mas sabe como é nesse universo da HD.

Ernest Hemingway tentou fazer uma 3a6a!

Ernest Hemingway tentou fazer uma 3a6a!

Combinei com o Maia o horário de 10:00 no sábado, mas acabei atrasando por causa do treino de remo que fiz antes. E lá estava nosso intrépido camarada lendo Ernest Hemingway num posto de gasolina tosco de Cariacica, nem quis comentar. Somente falei que seria melhor, em função do meu atraso, aterar o plano e dar um pulo em Domingos Martins para ver a tal Sommerfest da comunidade alemã lá.

Sommerfest

– Mas qual velocidade nós vamos? (sim, que pergunta mais “coxa”)
– Uai, vamos pegar leve, 80 está de bom tamanho.
Chegamos em Domingos Martins e para minha grata surpresa não tive que socorrer ninguém que, tipo, tivesse atravessado uma curva direto na perigosa velocidade de 60km/h. E naturalmente paramos o trânsito com nossas HDs reluzentes. Sim, tive que segurar o trânsito enquanto o Maia manobrava a moto para parar numa vaga que cabia até uma Dogde Ram. Viu porque é importante começar com uma moto pequena?

Vaga apertada

Vaga apertada

Como eu disse, o camarada era gente boa e aí a gente até abstrai. Mas depois de ter um tempo para conversar e entender a história do sujeito, dono de um opala aqui, ou do tal fiat 147 vs porsche acolá (http://youtu.be/24ixx6_gwQY), comecei a acreditar que não era de todo errado o Maia pular logo numa moto grande, apesar de não recomendar isso a ninguém.
Mas o que me fez realmente acreditar que o cara tem futuro foi quando sugeriu que a festa compensava virar a noite e simplesmente arrumamos um muquifo para dormir. Muquifo sim, porque todos os hotéis e pousadas estavam lotados e conseguimos negociar dois quartos na casa de um nativo lá. A parte engraçada foi encontrar com conhecidos e na hora de ver preço de estadia, descobrir que havíamos pagado metade por um lugar bem mais perto.
Por mais improvável que possa parecer, até encontramos com o pessoal do Pecadores MC de Saquarema, todos de speed. Não pude deixar de zoar a posição “bunda arrebidada” de pilotagem deles. Sim, prefiro ser “cadeirante”.
Muito chopp (agora liberado já que não precisava voltar no mesmo dia), chucrute, loiras, outras loiras, mais loiras e quando estava cansado de ver, mais umas loiras e uma morena, fiquei me questionando como aquele mundaréu de gente se espremia na praça principal para ouvir música típica alemã para lá de meia noite.

Começou assim

Começou assim

Nem era 07:00 da matina direito, acordo com o Maia incomodando por mensagem.
– Temos que tirar as motos da rua, vai ter uma apresentação de tratores alegóricos.
Cai alho! Sim, você leu direito, tratores alegóricos.

Trator Alégorico

Trator Alégorico

– Maia, como é que você sabe disso?
– Bem, lembra aquela história do nível sete?
– Lembro.
– Então. Rolou um nível seis com plus. Estou voltando a pé da casa de um pessoal.
Filho de uma boa mãe! Sempre desconfie de um Maia.


21/12/12 christmas ride

Acho que vou considerar tornar a voltinha de natal algo tradicional. Ano passado estive em Araxá e este ano voltei para Bhz. Se daquela vez enfrentamos eu e saudosa dona stefânia uns bons 700 e poucos km com frio e chuva em cada trecho, dessa vez a nova companheira, srta hellen dawson, teve que enfrentar um escaldante início de verão.
Ao contrário de suas demais conterrâneas, acostumadas com frio e neve nessa época do ano em paragens mais ao norte do mundo, srta hellen dawson foi obrigada a sobreviver a uma viagem iniciada às 12:30. Não, não recomendo a ninguém, ainda mais se considerar que de Vitória a Bhz são pouco mais de 550km, o que deu para vencer em umas 7 horas e pouco. Eu sei que tem muita gente que gasta bem mais tempo e nem é questão de correr, é só questão de aproveitar a estrada.

Granjas reunidas em Bhz

Granjas reunidas em Bhz

Como era um horário bem atípico, sendo a tarde de uma sexta e véspera de natal, a estrada estava bem vazia. O que foi muito útil considerando que para nós dois aquilo era novidade. De um lado eu pela primeira vez a domar aquele exagero de motor em um trecho mais comprido, do outro a moto que acredito não ter ainda conhecido esse trajeto.
A primeira impressão é que realmente o sistema de suspensão “softail” cumpre com o que promete. Aliado a frente gorda, temos uma estabilidade incrível. Como estava muito acostumado com dona stefânia com sua menor altura, suspensão não tão confortável e o garfo dianteiro que não apresentava a mesma rigidez, fiquei realmente muito surpreso com a facilidade de contornar as curvas, algo que sempre preocupa em qualquer moto custom. Ainda mais deste tamanho.
Além disso o motor com fôlego. Fôlego? Melhor é dizer dois pulmões de folga. Foram pontos muito específicos em que tive que fazer uso da 4a marcha. Basicamente fiquei na 6a marcha, reduzindo para 5a quando um regime de rotação um pouco mais alto foi necessário para uma ou outra ultrapassagem. E isso subindo morro inclusive.
E naturalmente devem estar imaginando, o maluco subiu a serra, partindo meio dia, nessa lua, em cima de uma “big twin”, já era, fritou os bagos. Bom, neste caso, um providencial sistema de refrigeração de óleo, instalado pelo antigo proprietário foi de grande valia. Mas vale lembrar que a estrada aberta é o território dessas motos e portanto, o próprio vento se encarregara do recado. Ainda assim foi de grande valia atrás deste ou daquele caminhão onde fomos obrigados a reduzir o ritmo até conseguir ponto para ultrapassar.
Bom, todos estes pontos positivos, mas lógico que tem que ter algum revés, afinal nem tudo na vida são flores. E eu no alto dos meus 1,67m comecei a sentir a dolorosa adaptação a uma moto cuja ergonomia foi pensada para camaradas maiores. Com o banco original e uma grelha para levar a parca bagagem no lugar do banco de garupa, não conseguia achar um bom apoio lombar, o que me obrigou a segurar o corpo com os braços e pés.
Para os braços foi terrível, pois a fatboy vem com aquele maldito guidon cruiser. Que cai alho é aquele? Quem disse que aquela coisa é confortável? O pulso dobrado a viagem toda e ainda fazendo força para segurar o corpo contra o vento. O guidon já era, tinha dado alguma confiança, mas sem chance, terá que ser substituído. O guidon da heritage é o que tem mais me agradado em termos de visual e conforto, vou ter que arrumar um similar.
Para as pernas, bem, apesar do “desconforto” que sentia com as pedaleiras da antiga moto, não achei posição com as plataformas da atual. Isso eu ainda não pensei como resolver, ainda estou pensando numa solução a respeito. Mas acredito que um daqueles bancos que te mantêm mais a frente possam ajudar bastante, coisa que vou ter que olhar.
E nessas horas valeria a pena estar debaixo da neve só para ter uma revenda que realmente prestasse para verificar as peças antes de comprar algo no escuro e esperar pacientemente pela entrega.
Mas de modo geral e comprovado na viagem de volta, já na terça, apesar das várias dores que apareceram pelo corpo todo rsrs, não tem discussão sobre a ciclística e força do motor. E como acaba se trabalhando numa rotação relativamente baixa, o consumo também ficou muito bom comparado com a velocidade média e alguns tiros que dei aproveitando os trechos de reta e estrada vazia.
Só continuo com minha opinião que não justifica o valor que se cobra numa moto nova, mesmo com a opção de utilizar óleo lubrificante para motor diesel em seu motor.
Ah! E sim, se você também mora no litoral, sugiro adquirir o radiador de óleo (que se danem os puristas!), pois realmente terminar uma viagem de pouco mais de 550km com uma panela de óleo fritando debaixo do banco num calor de 40oC não é coisa que desejo para meu pior inimigo.


16/12/12 alguem tem que ficar de boa

Semana passada havia vindo sozinho até o Posto do Café no que podemos dizer ter sido o debut de srta. Hellen Dawson, a americazinha que usurpou o lugar de dona stefânia. Hoje voltei novamente com o companheiro Chico, afinal ele precisava de um esticada de moto, porque vai gostar de trabalhar.
Saímos por volta de 09:30 lá do bairro República em Vitória para alcançar o Posto do Café que fica na beirada da BR262 e marca a saída para as cidades de Araguaia e Alfredo Chaves. O interessante do Espírito Santo é que com pouco mais de 50km sai da região litorânea e se emburaca numa região serrana de clima mais ameno.

Portal para a região de Araguaia e Alfredo Chaves

Ainda bem, pois como na semana anterior, hoje também o clima estava agradável. Agradável se você for de alguma espécie animal de sangue frio, porque estava tenso manter a temperatura normal de 36oC ao custo de muito suor. Como eu sou um camarada que acredita que se deve andar protegido, passei um protetor solar, porque jaqueta sem chance. Além do que, sempre se pode usar um protetor da linha baby cujo cheiro agradável até disfarça o cheiro de gasolina típico após um voltinha dessas.

Exemplo das curvas da região

Exemplo das curvas da região

Enquanto tomávamos um suco de laranja para rebater a perda de líquidos e aproveitávamos o pão de sal com queijo minas passado na chapa, decidimos descer a estradinha vicinal até Alfredo Chaves, passando por Araguaia e com um pulo em Mathilde. Além de uma paisagem agradável de serra, ainda tinha uma série de curvas típicas para treinar o braço.

Estação abandonada de Mathilde antes da reforma

Paramos em Mathilde para ver a antiga estação ferroviária. Reformada e transformada num espécie de memorial e homenagem aos antigos funcionários da rede. Boa mesmo é uma foto antiga com um tiozão oferecendo uma dose de cachaça no meio do povo que estava em frente a estação.

Estação após reforma

Estação após reforma

Desde 1925, bebe inferno!

Desde 1925, bebe inferno!

Passamos ainda por dentro da cidade, onde há ainda um pequeno balneário no rio que corta a região. Infraestrutura bacana que vale pena curtir num fim de semana com direito a chalé e tudo. Mas como Mathilde é uma cidade de primeira, quando engatamos a segunda, já havia acabado.
E desembocou numa bela de uma estrada de terra. Meus olhos até brilharam, afinal eu sou da turma que “mete bem na terra”. Mas como o Chico trocou recentemente de moto, largando uma trail para tirar onda de esportiva, teve que pagar pau e demos meia volta. Cai alho! Voltarei aqui sozinho só para descobrir até onde a estrada vai.

Para quem mete bem na terra

Para quem mete bem na terra

Voltamos para a estrada vicinal e logo alcançamos Alfredo Chaves e em seguida a BR101 já próximo ao trevo de Guarapari de onde pegamos a Rodovia do Sol e o calor escaldante. Almoçamos já de volta em Vitória.
Como o Chico tinha que trabalhar, resolvi pegar um refrescante no Bar do Pezão. Afinal, alguém tem que ficar de boa nessa vida.