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10/06/12 missão itaguara

Fúnebre Flâmula

Quando você se encontra embaixo daquela chuva fina que parece que não vai acabar nunca, pára num posto para abastecer e pensa: “ótimo, essa é a última perna da viagem de volta para casa”, você passa a se questionar o motivo de tanto sacrifício.
A moça do caixa vendo minha situação ainda quis tornar aquela sina mais branda: “O pessoal que está vindo de Vitória disse que a chuva começou lá. Aqui estava tranquilo até agora, a chuva deve estar subindo a serra. Não deve ter mais quando descer.” Eu sabia que ela não tinha muita razão, exceto pelo fato da falta de sentido de cair chuva em pleno Junho, afinal a região serrana do Espírito Santo mantém o mesmo clima entre Ibatiba e Viana. E eu vinha debaixo de chuva desde que comecei a subir a serra. E descendo a chuva me acompanhou até Vitória. Um novo recorde pessoal de estrada na chuva e sem capa. Para a alegria de um companheiro, molhei até a cueca!
Mas aí você se pergunta o que diabos estou fazendo ali? Já tinha um tempo que devia uma visita ao companheiro Isaac em Itaguara MG, onde ele mora durante a semana devido ao trabalho. Não só pela visita ao irmão de clã, mas porque tinha que lhe entregar nossa fúnebre flâmula. Fiquei feliz pela confirmação do Broto Jr que apareceria por lá também, precisava falar com ele. O Nuanda nos trocou pelo Camping & Rock e Hermano estava viajando a trabalho.
Não importa, estava ali, a alguns quilometros de casa (apesar que considero a viagem minha casa), após algumas horas subindo a BR262 e em seguida a Fernão Dias, na companhia dos velhos frangos, conversando sobre o tempo, o espaço, relações sazonais e é claro políticas públicas. Com um pouco mais de discussões como essa já poderemos escrever uma tese de sociologia.
Ainda aproveitei para visitar a família em Belo Horizonte MG. Dedé, meu irmão não só de clã, como de sangue, inventara um churrasco da turma dele. Fui lá para curtir a tarde de sábado antes de descançar para o retorno no domingo. Foi bacana demais não só pela galera do Dedé, todos assíduos frequentadores do borracheiro, mas por encontrar o Binho, um dos amigos leitores dessas histórias para boi dormir que eu escrevo.
Falando sobre a estrada mesmo, bem, o trecho pior até então, que é o entorno de Manhuaçu está sendo recapeado. Isso é um alívio, pois o asfalto nesse ponto estava muito ruim. Na ida resolvi passar por João Monleavade MG, ao invés do caminho de sempre por Ponte Nova MG, só para variar. Apesar da distância mais curta, continua um trecho muito perigoso pelo traçado das curvas e topografia, além do trânsito intenso. Vale a pena evitar.
Na volta, o trecho entre Belo Horizonte MG e Mariana MG, velho conhecido, exige um pouco de atenção devido as obras de recuperação de desmoronamentos em função das chuvas do verão. Mas nada que assuste, basta estar de olhos abertos. E um frio considerável, tanto na vinda como no retorno. Principalmente depois de ficar molhado até a cueca. Cai alho!
Então porque tanto sacrifício? Porque estar ali? A cada abraço dos irmãos que visitamos descobrimos que quem tem um “para quê”, enfrenta qualquer “como”.