Prudens quid pluma niger secundum

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01/01/15 The voortrekker 06

Acordei por volta de 09:00 do dia 01/01 e depois da tarefa indelegável e de um bom banho, arrumei as tralhas e já estava de partida por volta de 11:00. Não vi o Chico e só mais tarde trocamos mensagens, mas fica aqui o abraço e agradecimento pela estadia.

Saída para a estrada N1

Saída para a estrada N1

A estrada N1 que liga Cape Town e Joanesburgo tem aproximadamente 1.400km e por mais que a oportunidade de um “iron butt” era interessante, estava meio tarde para tanto. E se dessa vez não teve chuva, a volta do calor quase de deserto tornou a estrada infindavelmente reta um desafio a mais.

Logo na saída de Cape Town, se atravessa uma região de montanhas

Logo na saída de Cape Town, se atravessa uma região de montanhas

Esse é um dos motivos pelos quais considero viajar de moto algo espiritual. Não se sabe o que teremos pela frente. Ok, tudo aqui era novidade, não é isso. Mesmo em estradas conhecidas, o clima, a estrada em si, que tipo de paisagem, tudo isso ocorre ao largo de nosso controle e exceto pelo destino que se aponta e pela hora que se decide partir, tudo o mais existe indiferente da nossa presença. E isso, em minha pequena opinião, é uma grande lição de humildade.

O kilométrico túnel sob as montanhas

O kilométrico túnel sob as montanhas

 

Região das vinículas

Região das vinículas

 

Outra vinícula. Engraçada que nenhuma tinha o nome para saber qual vinho produzia

Outra vinícula. Engraçada que nenhuma tinha o nome para saber qual vinho produzia

 

Um reta sem fim e o tempo quente e seco

Um reta sem fim e o tempo quente e seco

Aproveitando para fugir do calor por alguns instantes

Aproveitando para fugir do calor por alguns instantes

 

 

 

A preocupação é genuína, muito calor na estrada

A preocupação é genuína, muito calor na estrada

 

As nuvens esqueceram de fazer sombra e queriam somente aparecer na foto

As nuvens esqueceram de fazer sombra e queriam somente aparecer na foto

Paisagem agreste

Paisagem agreste

Mas com sua beleza própria

Mas com sua beleza própria

Já eram mais de 17:00 e o sol castigando como se fosse meio dia

Já eram mais de 17:00 e o sol castigando como se fosse meio dia

A única nuvem que teve pena deste humilde vivente

A única nuvem que teve pena deste humilde vivente

A sombra comprida sinalizava a chegada do pôr do sol

A sombra comprida sinalizava a chegada do pôr do sol

E assim tivemos um belo pôr do sol na estrada por volta das 19:30 e finalmente pousamos na cidade de Colesberg.

O primeiro pôr do sol do ano

O primeiro pôr do sol do ano

Pôr do sol na estrada é sempre algo mágico

Pôr do sol na estrada é sempre algo mágico

No dia 02/01, mais uma madrugada insone para assistir a aurora e de energia renovada alcançar Joanesburgo por volta de 11:00.

Saindo de Colesberg

Saindo de Colesberg

A caminho de Johanesburgo

A caminho de Johanesburgo

O prazer de ver uma aurora, não importa onde se está

O prazer de ver uma aurora, não importa onde se está

O majestoso sol iniciando um novo dia

O majestoso sol iniciando um novo dia

Novamente a paisagem agreste

Novamente a paisagem agreste

De volta à província de Gauteng

De volta à província de Gauteng

Após um providencial almoço, devolvi a moto para o pessoal da Motorrad Executive Rentals e descobri que fui um dos clientes que mais rodou em tão pouco tempo ao redor da África do Sul. Nada mal. Agora é pegar o ônibus de volta a Maputo, de lá o vôo para Nampula e finalmente a van até Nacala.

O pessoal não acreditou quando falei que ia rodar muito com a moto

O pessoal não acreditou quando falei que ia rodar muito com a moto

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Três rodovias nacionais, cinco cidades, sete províncias, dez dias, 4.266km. África do Sul, território anexado. RFEIM / CdGP / DACS.

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26/12/14 The voortrekker 02

Johanesburgo e a África do Sul em geral são locais de disparidade social profunda e mesmo que Mandela tenha feito realizações importantes ao acabar com o apartheid, fica claro que ainda há um longo caminho entre o conforto de Sadton e a decadência do velho centro.

O importante é que a organização herdada dos ingleses é algo muito útil ao país e é visível o tanto que as coisas funcionam bem. Ponto para as estradas, tudo bem que peguei as três principais nessa aventura, N1, N2 e N3, mas as secundárias não deixam a desejar conforme relatos de outras pessoas.

Então vamos a estrada de vez? No dia 26/12, agradecido pela acolhida do Tinoco e família, acordei as 04:00, juntei as tralhas na moto e fui. O destino do dia seria a cidade de Durban através da N3, onde há a maior população indiana fora da Índia. A explicação? Na época os ingleses precisavam de trabalhadores nas fazendas de cana de açúcar e os africanos se recusaram, resultando numa das primeiras importações de mão de obra da história.

Saída para Durban

Saída para Durban

Diante do calor razoável, a paisagem ia se abrindo a minha frente. Confesso que levou algum tempo para cair a ficha: “estou pilotando pela África do Sul, cai alho!”. E o misto de crença e descrença, sonho e realidade, se materializavam em morros nunca vistos e um tapete de asfalto cinzento.

Morros nunca vistos até então

Morros nunca vistos até então

E nessa batida, lá ia eu em meio as caravanas de picapes, vans, ônibus, todos puxando um trailler ou carretinha. A turma aqui gosta mesmo dos esquemas aventura no meio do mato. Inclusive, não faltam lojas com esta finalidade. Prato cheio para quem curte um camping.

Depois que a ficha cai, ainda é surpreendente

Depois que a ficha cai, ainda é surpreendente

Pilotando na mão inglesa

Pilotando na mão inglesa

Meu tapete vermelho é o asfalto

Meu tapete vermelho é o asfalto

O GPS (assim como na Malásia, preferi o ajudante para indicar o caminho dentro das cidades) me entregou no centro de Durban e infelizmente não consegui um ponto para parar e tirar fotos dos prédios. Havia gente demais nas ruas, bem como carros e vans (o transporte público daqui) demais e estava perigoso. Uma pena, é uma arquitetura que merecia registro para ajudar a lembrança depois, paciência. Achei uma das praias sem querer e peguei um hambúrguer de lanche. O Dedé vai reclamar, mas não, não entrei no mar. Ainda precisava achar uma cama e assim encontrei o Smith’s Cottage num topo de morro. Lugar simpático e os donos muito atenciosos. Até ganhei uma lavagem grátis das roupas.

Na orla de Durban

Na orla de Durban

Aproveitei o resto de tempo livre (já tinha decidido por acordar cedo no dia seguinte e continuar viagem) para conhecer um ótimo restaurante italiano e um pub fino nos arredores.

Smith's Cottage

Smith’s Cottage

Da série em Durban e nunca mais

Da série em Durban e nunca mais

Boa também

Boa também

 Tinha saído por volta de 05:00 da manhã de Joanesburgo e alcancei Durban por volta de 15:00, uns 575 km depois.

De Johanesburgo a Durban pela N3

De Johanesburgo a Durban pela N3

Continue seguindo a saga The Groot Trek aqui.


22/12/14 The voortrekker 01

Já era 30/12 quando uma das hóspedes do hostel em que estava em Cape Town viu minha tatuagem no braço esquerdo e perguntou o que significava. Embora ela não conhecesse “O Príncipe” de Nicolai Maquiavel, compreendeu o motivo da tatuagem indicar “La Virtù, La Fortuna”, ou a virtude e a sorte. Maquiavel, embora mal interpretado, é claro ao dizer que ao príncipe virtuoso não importa a sorte, ele dominará qualquer oportunidade.

E assim lá estava eu, vindo a trabalho em Moçambique, um país ainda em construção, não teve como retornar ao Brasil no período de Natal e Ano Novo. Mas como precisava carimbar o meu visto e assim sair do país, estava lá uma oportunidade a ser dominada.

Naturalmente que você já sabe que o Fantini planeja em detalhes toda e qualquer viagem de moto, tipo aproveito uma data, vejo quantos dias disponíveis, olho o mapa, quantos km e pronto.

Mas e o hotel?!?! E a moto?!? Detalhes. Para quem conhece a sina de mochileiro, sabe muito bem que não faltam albergues com uma cama disponível, mesmo no feriado mais badalado e mesmo para um destino muito procurado. Assumo que só fiz a reserva em Joanesburgo e Cape Town por insistência de um amigo e a contra gosto. Já as demais cidades do caminho, mantive o que sempre fiz, chego lá e procuro um lugar para dormir. Particularmente só tive dificuldade em Port Elizabeth.

A moto foi outra história e ponto para o pessoal da Motorrad Executive Rentals, não só atenderam meu pedido de última hora, como me entregaram uma moto em perfeitas condições. Uma BMW F700GS, que de início me senti desconfortável, mesmo sendo o modelo rebaixado de fábrica, por não conseguir apoiar bem os pés. Ao longo da viagem, se mostrou um conjunto excelente de mecânica e para o desespero do Nuanda, sim, recomendo a moto para todos, mas continua minha preferência por Srta Hellen Dawson.

A viagem começou mesmo no dia 22/12 em Nacala, pegando a van de madrugada para o vôo de ligação entre Nampula e Maputo que seria somente a tarde. Em Maputo peguei ônibus da Intercape para Joanesburgo (esse quase perdi por atraso do vôo e teimosia do taxista). No dia 23/12 de madrugada estava no centro velho de Joanesburgo e de lá um taxi para o Monte Fourways Hostel.

Descansei um pouco e peguei a moto ainda de manhã. Aproveitei para comprar uma rede elástica para prender a bagagem, pois o bauleto seria insuficiente (mesmo que tenha trago somente a mochila e uma bolsa pequena).

Companheira da vez

Companheira da vez

Em seguida encontrei com o colega da empresa que conheci em Nacala e por estas inexplicáveis razões, o santo bateu e assim fora convidado a passar o Natal com a família dele. Até que tem explicação, o caboclo é carioca, viveu em JNB devido ao emprego numa empresa de mísseis e casou com uma indiana nascida na África do Sul e hoje trabalha na mineração, improvável assim, o santo tem que bater mesmo.

Monte Casino - misto de casino, hotel e shopping

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Loja de motos em Johanesburgo

Loja de motos em Johanesburgo

Um das várias pilhas de estéril da minas de ouro em Johanesburgo

Um das várias pilhas de estéril das minas de ouro em Johanesburgo

Soccer City

Soccer City

No final, longe de casa, tive a oportunidade de passar um excelente Natal com a família do Tinoco, conhecendo um pouco da história dos indianos na África do Sul e experimentando os sabores típicos de seus temperos (ok, a língua continua queimada devido ao curry picante).

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