Prudens quid pluma niger secundum

Posts com tag “Lhasa

Próximo do céu escarlate: 20/09/19 Lhasa a Shigatse

Sairíamos um pouco mais cedo as 07:45, principalmente porque o café do hotel começa às 07:00, senão era até melhor sair mais cedo, frio por frio, tudo a mesma coisa.

Conforme explicações do guia, pegaríamos outra estrada um pouco mais longa, com menos trânsito e mais paisagens para encher a vista (acho que vou atrasar o grupo novamente com as paradas estratégicas para fotos).

No final, o café só abriu as 07:30, naturalmente impactando a programação inicial e saímos por volta de 08:00. Para sair da cidade, fomos acompanhando o caminhão, e isso me impediu parar para algumas fotos que seriam fantásticas, principalmente do Potala Palace com um pico nevado vem atrás.

O frio ia apertando a medida em que avançamos

Praticamente pegamos o mesmo anel rodoviário em que viemos e pouco após sair da cidade, pegamos um bifurcação para o outro trecho de estrada. Diferente do que viemos, este acompanharia as montanhas com picos glaciais e teríamos uma passagem a 4.900m! Ponto mais que positivo para a vista do lago lá em baixo após a passagem.

Aliás que trecho lindo, principalmente a subida e descida de serra para pegar a passagem, paisagem única e a medida que subíamos ia ficando ainda mais gelado do que já estava. Inclusive hoje está um dos trechos com temperatura mais fria.

A ideia segundo o guia seria rodarmos 70km até encontrar o posto. Bom, o posto estava a 100km, já até larguei para lá essas referências de km dele, o desvio padrão é muito elevado. Após abastecer, paramos numa bodega para almoçar, não fosse os demais turistas estrangeiros que também almoçaram ali, acho que comeria somente uns biscoitos para não arriscar. A priori estamos na metade do caminho.

Parece que estava frio mesmo.

Após o almoço, a indicação era rodarmos mais uns 80km e aguardar no checkpoint policial. No caminho teríamos mais duas passagens, sendo a primeira a 5.000m. Como já estávamos num ponto alto, nem se percebeu a diferença é foi uma rampa rápida. Agora que vista surreal de uma cordilheira de montanhas nevadas. Muito lindo. Ponto negativo para um ponto de parada para tirar fotos. Os caboclos queriam cobrar 50 yuans por cabeça, depois de uma difícil discussão por causa de diferença de língua, fomos embora sem pagar e paramos alguns km depois onde se tinha uma vista mais fantástica ainda.

Fim do maravilhoso trecho de estrada no checkpoint policial

Após o checkpoint policial seria o último trecho de uns 80km, atravessando uma região de fazendas. Uma reta infinita com fazendas intermináveis em ambos os lados, comparado com o maravilhoso trecho anterior, tornou a estrada tão enfadonha que me deu até sono. Custei a achar um ponto que valesse parar para uma fotografia.

Aguardamos o caminhão de apoio numa bifurcação que seria a outra entrada de Shigatse e daqui a pouco estávamos no hotel. Um rápido banho, deixar as coisas preparadas para amanhã (principalmente mais uma camada de roupa) que o plano seria sair cedo às 07:30 e bora para aquele restaurante legal do super hambúrguer de Yak.

Na verdade tinha queijo dessa vez, então pizza time!

Veja a peripécia de ontem aqui. Continue comigo nessa viagem aqui.


Próximo do céu escarlate: 19/09/09 Lhasa

Novamente o plano era fazer o segundo City Tour a partir de 09:30, então tempo mais que suficiente para acordar de boa.

Iniciaríamos pelo Potala Palace, sinceridade ao chegarmos perto e ter a ideia da grandiosidade da estrutura, fiquei boquiaberto. O único porém é que as visitas são separadas por grupos por hora e o nosso ficou para 13:00.

O Palácio Potala é realmente imponente

Assim o guia decidiu nos levar no templo Jokhang que iríamos à tarde. Por acaso é o mesmo templo que passamos por fora ontem quando estávamos perambulando pela rua do centro antigo. Foi uma visita corrida, uma vez que 12:00 deveríamos voltar para o Potala Palace.

Novamente uma riqueza de detalhes incrível nas pinturas na parede e nas estátuas. Uma pena que foi meio corrido.

Voltamos para o Potala Palace e realmente é uma lugar incrível. A grandiosidade da estrutura é fora do comum. O tenso é subir as rampas infinitas. Ao menos a vista é de tirar o fôlego, literalmente.

Vários chineses tiravam foto com o dinheiro na mão, depois que vi que tinha a imagem do palácio na nota e tirei foto também, uai

Até efetivamente entrarmos no palácio, foi possível tirar fotos, uma vez dentro do mesmo, nenhuma foto era permitida. Acredito que duas justificativas sejam plausíveis, a primeira é a questão do flash que sabemos que é nocivo para pinturas antigas. A segunda é uma impressão minha pela quantidade de turistas que perambulam nos locais (principalmente chineses, absurdo a quantidade). Imagina cada um parando e fazendo 500 poses para escolher a melhor foto. Ia gerar engarrafamento.

Neste caso, a organização da visita é bem bolada, se entra por uma extremidade e sai por outra oposta, criando um bom fluxo e com a vantagem de ter um panorama de parte da cidade quando se chega no palácio e outra vista ao sair. Bacana demais.

The Tibet Riders
Creio ser um bom motivo para viajar

Por volta de 14:30 completamos os passeios previstos e então fomos procurar um restaurante para o almoço. O guia indicou o House of Shambhala que lembro ser nos arredores no hotel, passamos na porta ontem ao voltar do centro antigo.

O nome e a explicação dos ingredientes dos pratos é a melhor parte do restaurante. Após comer um delicioso filé de Yak no que podemos chamar de molho madeira, partimos para mais uma perambulação pelas infinitas ruelas do centro antigo.

Um dos companheiros descobriu a existência de uma loja de artesanato feito à mão e imaginamos a ideia de chegar lá e ver a galera fazendo os artesanatos que cansamos de ver na miríade de lojinhas.

A loja chama Dropenling. Para chegar fomos meio que no cheiro e seguindo algumas indicações do guia e do caboclo do House of Shambhala. Alcançamos um pedaço muçulmano do bairro (com direito a mesquita) e o Hotel Heritage que era a referência de localização.

Ao chegar na Dropenling encontramos algo diferente do que esperávamos, apesar de ter vários produtos feitos à mão e num conceito interessante de ajudar a população de baixa renda do interior. Então encontramos bolsas, tapeçaria, mantas, bijuterias e brinquedos de pano bem bacanas. Aliás recomendo demais a visita a quem vier.

E de quebrar no mesmo beco, ouvindo um barulho de calderaria, vamos lá conferir e encontramos vários artesãos malhando bronze para montar as incríveis estátuas que vimos nos monastérios e templos e não podíamos tirar fotos. Sensacional o trabalho dos artesão e finalmente podemos tirar fotos, mesmo que no estado cru, das benditas estátuas.

Finalmente poder tirar fotos das benditas estátuas de Buda

Continuamos caminhando perdidamente até encontrar alguma referência para achar o caminho do hotel. E assim achamos a avenida principal onde ele fica. Parte da galera resolveu descansar, eu e mais dois resolvemos dar uma volta na avenida só para passar o tempo.

Consegui até um ângulo interessante da avenida a partir da passarela com o Potala Palace ao fundo, exceto por um bendito de um poste que ficou no caminho. Voltando para o hotel, numa das esquinas, um grafite me chama a atenção.

O curioso grafite

Depois de conferir mais de perto, olho para o lado e vejo o símbolo da cerveja Vedett, olho com mais calma a vidraça e varias garrafas expostas. Cervejas importadas, praticamente tudo que se possa imaginar e a gente bebendo a Lhasa Beer que é uma porcaria. Foda é que amanhã vamos sair cedo e boteco estava fechado agora à tarde. Caramba! Se soubesse disso ontem!

Fizemos uma hora no hotel para aquela cochilada básica com selo Grilão e depois saímos para jantar novamente no House of Shambhala. Realmente a comida é muito boa e o atendimento muito simpático, recomendo demais.

O restaurante House of Shambhala

Agora é terminar de juntar as coisas, uma chuva fora de hora agora à noite deixou parte da roupa um pouco molhada, amanhã ponho de volta na sacola e estaremos prontos para pegar a estrada de volta a Shigatse as 07:45.

Veja a peripécia de ontem aqui. Continue comigo nessa viagem aqui.


Próximo do céu escarlate: 18/09/19 Lhasa

Dessa vez não foi preciso acordar tão cedo, porque a van para o City tour sairia somente 09:30. A ideia de hoje segundo o guia seria visitar um monastério pela manhã e outro à tarde.

A parte ruim é que a van parece ter o mesmo problema de que um Chevrolet Vectra que tive. Uma conexão do sistema de combustível não veda direito e o vapor de gasolina entra pelo sistema de ventilação. Aí você imagina o perfume para uma pequena viagem de 45km ou 1h30m.

Vista da cidade de Lhasa

Ao menos deu tempo do guia contar um pouco da história de Lhasa e seu povo. Uma coisa interessante é que é tradição ir aos templos pela manhã limpar a mente e o coração e ir nas casas de chá à tarde para confraternizar. Portanto há muitos monastérios e ao menos umas 1.000 casas de chá.

A primeira visita foi no Drepung Monastery que fica bem localizado na encosta de uma montanha com uma ótima vista para o vale, fonte de água, acesso limitado, etc. ou seja, isso era mais uma cidade fortaleza que querem nos enganar dizendo que é um monastério.

Brincadeiras e considerações a parte, o lugar é gigante e foi, até a construção do famoso Potala Palace, a residência oficial do Dalai Lama. Ah, não seria isso então um castelo ou palácio, Fantini? Pois é, deixa na miúda. A construção tem lá seus 300 ou mais anos.

Vistas do imponente Drepung Monastery
A cozinha local era uma parte viva da história do monastério.

Boa parte das áreas internas são proibidas para fotografias e basicamente são salões e mais salões (exceto pela antiga residência oficial do Dalai Lama) adornados com centenas de estátuas e pinturas das várias manifestações de Buda. Uma parte interessante é que o budismo original nasceu na Índia e não tendo muito espaço devido à força do hinduísmo, acabou se assentando no Tibet e partes do Nepal.

Além disso, parte das crenças, budismo e hinduísmo se misturam e é possível ver similaridades em algumas das pinturas e estátuas existentes no monastério.

No caminho para o próximo monastério, entramos num túnel quilométrico muito mais bem conservado que o túnel da Lagoinha em Belo Horizonte. Fico imaginando qual a fonte de investimento, pois por onde rodamos até o momento, só vi indústria de turismo.

Almoçamos em um self-service do mal na porta do segundo monastério. Aliás comida muito boa, fora os chicken nuggets que aqui vem com um palitinho de picolé. É bem interessante, não fosse a questão de gerar mais lixo.

O próximo “monastério” chama-se Sera Monastery, tão gigante quanto o primeiro e ainda com mais cara de que foi realmente uma cidade / castelo no passado. Neste visitamos um salão onde haviam três mandalas feitas de areia colorida. Uma incrível obra no requinte de detalhes e novamente sem poder tirar foto. A melhor aproximação seria os “tapetes” feitos durante a semana santa em algumas cidades do interior de Minas.

Novamente outro monastério que mais parece uma cidade estado antiga

Na sequência de salões, uma grata surpresa, estão realizando o processo de revitalização das incríveis e detalhadas pinturas nas paredes. Neste foi possível ver a riqueza de detalhes que no primeiro monastério estavam apagados pela câmara de poeira e gordura.

Visão das ricas pinturas espalhadas ao longo das paredes dos salões internos

Depois um salão com mais representações das manifestações de Buda, agora com adornos diferentes, inclusive a inusitada presença de dois dragões segurando esferas. Seriam duas esferas de dragão perdidas por aí? Goku ficaria louco. Uma pena não poder tirar uma foto, porque indiferente de crença, essas obras eram realmente incríveis na riqueza de detalhes.

Finalmente fomos assistir ao debate entre os monges que ocorre às 15:00 e seria o ápice da visita. Interessante que os monges tibetanos já a centenas de anos tem o modelo de debate entre os mais novos e os mais velhos como processo de aprendizagem das escrituras sagradas e a gente só foi se dar conta disso a poucos anos, alterando o modelo do professor que ficam falando sozinho, enquanto os alunos escutam e anotam calados sem sequer questionar o que está sendo dito.

Esse monge estava bem empolgado e aparentemente desafiou bem os mestres.

Voltamos para o hotel e como ainda estava cedo, aproveitei para lavar as meias e cuecas, já que o hotel não lava roupas de baixo. Logo em seguida a turma resolveu dar um volta nos arredores do hotel, uma vez que estamos na parte antiga da cidade.

Pegamos uma ruela e fomos caminhando de ruela em ruela com suas lojinhas até chegar num posto de controle policial, após passar, aquela visão incrível de realmente chegar no centro antigo de Lhasa. Sensacional.

Fomos caminhado na Barkhor Street seguindo o fluxo que sempre caminha no sentido horário (aparentemente a rua é circular, até chegar na praça principal e o templo budista Jokhang considerado o mais sagrado pelos tibetanos. Não sem antes parar em algumas lojas aleatoriamente, quando cada um dos caboclos encontrava algo de seu interesse.

Fiquei preocupado por um bom tempo, por não achar nunca uma loja que vendesse imãs de geladeira. Com muita dificuldade achei uma pequena banca onde a moça tinha alguns e consegui completar a missão principal. Na sequência achei uma loja de incensos, porque já sei que um certo carioca lá em Moçambique vai me cobrar.

Continuamos caminhando até achar o restaurante que fica no topo do telhado de um dos prédios conforme dica que o catalão viu com seus contatos. Ao chegar lá, minguem animou a comer e ficamos na cerveja mesmo. Sim, aquela cervejinha fraca Lhasa Beer e ainda quente. Imagina uma das nossas cervejas de milho, quente, final de festa. É a mesma coisa. Ao menos a vista do restaurante compensa.

Voltamos para o hotel através das ruelas com algumas paradas estratégicas em mais lojinhas. Na verdade a turma decidiu ir direto para o jantar e fomos novamente no restaurante de ontem. Dessa vez vou experimentar o strogonoff de Yak.

Veja a peripécia de ontem aqui. Continue comigo nessa viagem aqui.


Próximo do céu escarlate: 17/09/19 Shigatse a Lhasa

O dia começaria às 09:30 para fazermos a última etapa que não conseguimos ontem para tirar a habilitação temporária local. Então combinamos de encontrar as 08:00 no café da manhã. E organizar qual estratégia para seguir para Lhasa assim que liberasse as habilitações por volta de meio dia. Um dos colegas indicou macarrão instantâneo de almoço para ser rápido, acredito que vai ser isso mesmo e depois 6h de estrada.

Uma bela aurora

No final, o processo foi somente proforma. Nos apresentamos, apresentamos a papelada e fomos liberados enquanto o guia organizava as aprovações e assim voltamos para o hotel para aguardar a liberação final.

O guia voltou 12:30 e finalmente voltamos para a estrada. Logo que saímos da cidade, paramos para reabastecer.

Prontos para finalmente pegar a estrada de novo

Seriam 80km até a próxima cidade e depois mais 40km até o checkpoint policial, no final o checkpoint estava a 20km.

A estrada atravessa o vale acompanhando o rio com as imponentes montanhas em volta. Muito bonita a paisagem, agora a preocupação em impor ritmo para conseguirmos chegar em Lhasa antes de escurecer me vez parar menos para fotos.

De volta a estrada

Num dado momento havia um trecho em construção. Basicamente estão duplicando uma estrada que na minha opinião é suficiente para o trânsito que tem. Além disso, há uma super ferrovia sendo construída em paralelo e em vários pontos é possível ver onde fizeram túneis para reduzir a quantidade de curvas (algo que não é bem vindo em ferrovia).

Uma marca registrada da China: obras e mais obras

Após o checkpoint policial, o guia pegou um das motos (um colega passou mal e desde ontem o mecânico vem pilotando). A recomendação é seguirmos ele daqui por diante porque há muitos radares e o limite de velocidade é 60km/h. E assim fomos enfadonhamente por um par de kms até um momento que o próprio guia perdeu a paciência e nos liberou por conta, indicando que em 40km faríamos uma parada no posto. Bom, o posto estava a 50km e isso deu um pouco de frio na barriga.

Abastecidos avançamos mais um pouco até o próximo checkpoint com as montanhas em volta e o rio serpenteando ao lado, atravessando pequenas vilas.

Numa dessas, um maluco saiu do nada da lateral e entrou na pista da rodovia de uma vez (não sei porque me lembrou Moçambique) e ainda bem que consegui reagir a tempo. Agora a 500m outro maluco tentou o mesmo e um carro o acertou. Estavam lá no meio da pista, estatelados.

Já são 18:30 e o sol continua a pino. Só não vou falar que parece sol de 16:30 porque provavelmente é mesmo, não fosse o fuso seguir Beijing.

Trecho muito agradável

O guia novamente pediu para o seguirmos, uma vez que já estávamos próximos a Lhasa. E pior que estávamos mesmo. Daqui a pouco pegamos um super anel rodoviário novinho em folha com direito a ponte estaiada, 3 faixas em cada pista e tudo o mais. Não foi possível parar para fotos, uma pena.

Essa parte mais externa está sendo usada para expansão da cidade e novamente o modelo chinês de conjuntos e mais conjuntos de prédios desponta no horizonte.

Mais um pouco e estamos nas ruas do centro zigue-zagueando no trânsito digamos caótico. Vou ser sincero que se não fosse pela quantidade de carros, nem chamaria de trânsito, fluindo de boa e com bastante espaço para avançarmos com as motos.

Não satisfeito, o guia resolveu seguir por um monte de ruelas antigas e dividíamos o espaço com os pedestres com o cuidado para não atropelar as crianças, para finalmente chegarmos ao hotel as 19:30.

Como saímos sem almoço e o caminhão ainda não tinha chegado com nossa bagagem, resolvemos sair para jantar logo. No intervalo de subir no quarto e deixar capacete e jaqueta, o caminhão chegou e a turma toda foi num restaurante nepalês na esquina da avenida do hotel.

Caminhando pelas ruas de Lhasa

Para minha grata surpresa, adivinha o que tinha no cardápio? Pizza. Pedi o mix de carne de Yak, porco e frango. Sensacional, só faltou o azeite que o caboclo do restaurante explicou que não tinha.

Pizza time!

Veja a peripécia de ontem aqui. Continue comigo nessa viagem aqui.