Prudens quid pluma niger secundum

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08/03/13 era para ser mais um teste de abraçadeira

A um pouco mais de um ano atrás estive em Prado BA com o objetivo de verificar se as abraçadeiras que havia trocado do acabamento do escape da saudosa dona stefânia haviam ficado firmes. Sabe como é, essas coisas tem que ser verificadas e nada como uma voltinha de 450km para ter certeza de que havia ficado bem montado.
Ainda tinha combinado de verificar as condições do asfalto para a turma que subiria de Bhz na semana seguinte. Eu também tinha a intenção de voltar no outro fim de semana, mas uma pane na bobina fez dona stefânia ir para o estaleiro e me obrigar a encontrar com o povo de carro mesmo.
Estávamos eu, Nuanda e Hermano, representando o povo do clã e mais três casais amigos nossos que não têm clube. Nos divertimos bastante e sei que tiveram um agradável passeio por terem vindo juntos e voltado juntos.
Dessa vez fui com o pessoal daqui de Vitória: Chico, Marcão e Nilza e o maluco do Jansen, cada um carregando sua bandeira, mas dividindo os mesmos momentos na estrada. Somente o Jansen que teve que voltar um dia antes devido a compromissos de trabalho.

viagem em grupo

viagem em grupo

Ah! E tinha o Maia, mas o doido resolveu viajar a noite sozinho. O que que eu posso fazer se o desinfeliz quer passar por todo e qualquer rito de passagem para ficar citando Nietzsche. Espero que não resolva também pegar uma estrada de terra a noite. Se bem que depois levo ele lá no trecho que já fiz a noite, que sai da BR101 até Nova Viçosa BA, só para ver se ele tem braço mesmo.

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

Como estou com a missão de acabar de vez com os pneus da srta. Hellen Dawson, a voltinha de 450km vinha a calhar, ainda mais que há um grande trecho de reta sem fim para alegria da maioria dos donos de custom. Para minha sorte, há uma pá de curvas para todos os gostos e velocidades, assim poderia gastar também a lateral dos pneus.
E ainda precisava saber se as abraçadeiras do escape novo, trocado na semana anterior, estavam bem fixadas.

nenhuma peça do escape caiu até aqui

nenhuma peça do escape caiu até aqui

Como todo encontro é basicamente a mesma coisa, basta dizer que em Prado BA se tem a praia à disposição. Mas considerando o péssimo atendimento local, cai alho Fantini, pega leve. Ok, considerando o péssimo atendimento que tivemos na barraca que ficamos, acho que era Barraca do Toti, ter a paisagem da praia salvou.
O Maia havia nos dado a missão de conversar com o tal Joaquim Gente Fina, infelizmente e apesar de não ter faltado assunto, ficou ainda um dedo de prosa para terminar com o distinto.

o joaquim gente fina

o joaquim gente fina

Retornamos no domingo. O mesmo calor escaldante da viagem na sexta. Não, não tente isso em casa, mas resolvi ir somente com uma calça e uma blusa jeans surrada e o velho e bom colete do clã para me proteger. Aí, alguém vai levantar o manto da segurança pessoal, que devia dar o bom exemplo e o cai alho a quatro. A única resposta que tenho é que sim, em Minas uso segunda pele, jaqueta, calça de cordura, mas lá o clima permite. A 40°C a sombra, é melhor ir com uma roupa mais arejada para não desidratar e desmaiar em cima da moto.
E deve ter sido o que aconteceu com um casal que o Maia (ele voltou um pouco mais cedo que nós) encontrou estatelado no chão. Procurou saber se estavam bem e se precisavam de alguma coisa. Responderam que não precisava se preocupar, mas pediram que avisasse o companheiro de clube deles.
E lá foi o carismático Maia de posto em posto até achar o distinto 100km depois.
– Cara, pediram para avisar que seu amigo, Daniel, se acidentou.
– Mesmo, nó, que pena. Mas 100kms atrás, né? Tá longe, não adianta nada eu voltar lá, vou seguir.
Por sorte e porque o Maia é um cara de paz, outro membro desse pseudo motoclube também não sofreu um acidente.
Além de realmente estar abismado com a situação, eu não sei o que faria com um espírito de porco desses se tivesse ouvido isso.
Fiquei pensando no ótimo passeio que tivemos a um ano atrás, no passeio desse fim de semana. Fora as outras pequenas voltas que tive aqui por perto de Vitória com o pessoal bacana que tenho conhecido aqui. Mas a cada dia que vejo essas pessoas fantasiadas, menos me cobro por preferir viajar “sozinho”.

Não viajo sozinho

Não viajo sozinho

Afinal, enquanto estiver carregando a fúnebre flâmula, sei que sempre o povo do clã viaja comigo e nunca, nunca abandonamos ninguém.

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18/05/12 e você acha que já passou por tudo

Já fazia algum tempo que não viajava em grupo, mas a galera que conheci aqui do Ayso Motociclismo e do Vitória MC estava insistindo para ir no encontro em São Mateus que é um dos principais no Espírito Santo. Para ser sincero isso para mim é de menos, importa sempre é a desculpa para pegar uma estrada, seja qual for. Mas estava um pouco apreensivo por pilotar com quem eu não sei como se comporta na estrada.
Não estou sendo rancoroso ou rotulando ninguém, mas no fim das contas cada um tem seu ritmo. E de tão mal acostumado por viajar sozinho, pensava se eu mesmo não seria uma má companhia. Bom, má companhia não fui, mas trouxe a chuva.
Combinamos de encontrar às 14:00 de sexta. Negociei uma folga no serviço, o tempo estava bom. Mas foi chegar no local de concentração e desce aquela garoazinha chata. O Chico me pergunta se não vou colocar capa de chuva. Cai alho! Esqueci em casa, deixa. Mas insistiu tanto que fui lá buscar e aproveitei para trocar o jeans surrado pela calça de cordura para evitar muita sujeira. Evitar mesmo nada, mas fica mais fácil de limpar depois.
Saímos de Vitória debaixo daquela garoa chata, mas nada impossível de sobreviver. De capa? Eu não. É engraçado que quando levo acabo não usando. E fomos até chegar em Fundão, uns poucos kms depois subindo a BR101. E o tempo secou. Maravilha, pensei, esse clima mais ameno e sem chuva. Perfeito, apesar do tempo ainda fechado.
Paramos uns 100km depois na metade do caminho. Teria ido direto se estivesse sozinho, mas é como falei, cada um tem seu ritmo e em grupo tem que respeitar o que o grupo decide.
Chegamos em Linhares e para nossa desagradável surpresa, a chuva resolveu apertar novamente. Dessa vez foi daquelas chuvas finas, que se acredita que não vai fazer diferença. E daí a pouco nada de diminuir a chuva. E depois escurece de vez. E aí caminhão jogando spray de lama na fuça. Bom, nessa altura do campeonato você que está aí se contornando no sofá pensando: “eu até queria comprar um moto”, vou ser sincero, não compre.
Mas como eu acho cada desaventura dessa um motivo para rir depois, lá estava eu e os demais completamente encharcados, se perguntando se não seria melhor fazer igual o camarada do sofá. Não seria não cai alho! Tomei vacina contra gripe exatamente para sobreviver nessas situações.
Chegamos e São Mateus estava debaixo d’água. As ruas onde estava o encontro alagadas. As ruas da pousada alagadas. Conseguimos chegar na pousada usando as calçadas porque na rua só de jetski. Diversão garantida. E chegar e ver o Viana sentado na varanda da pousada enrolado num cobertor foi o máximo. Depois de botar as roupas num varal improvisado e usar a água que ficou no coturno para encher a piscina, juntamos na entrada da pousada e improvisamos um churrasco, além de conhecer outros camaradas que também estavam na mesma pousada.
Por mim já estava de bom tamanho porque curto mesmo é a bangunça com a turma. Mas no dia seguinte, no sábado, fomos para o encontro, o tempo já estava firme lá em São Mateus. Quem veio de Vitória logo cedo nem pegou chuva, mas ao longo do dia ia chegando cada um mais ensopado que o outro devido a chuva na estrada. “Fantini, está chovendo para cacete!”. Tive que responder que ele não viu nada. Chuva de dia é mamão com açucar, de noite e com carreta, já é outro nível.
O encontro estava muito bem organizado, realmente faz jus a fama. Vale a pena. Bandas boas. Muita moto, muita loja de buginganga, muita gente. Muito bom. Saimos umas 10:00 da pousada e só voltamos às 03:00 da matina.
No domingo o povo me acorda desesperado. “Vamos embora mineiro que já são 10:00!”. Levantei correndo, tomei banho correndo, arrumei as coisas correndo, montei tudo na moto correndo e vendo todo mundo de boa, nenhuma moto montada, desconfiei. Olho o relógio, nem 08:30. Cai alho! Mas também tinham combinado de sair logo cedo por volta de 09:00.
O tempo estava agradável, nublado, mas sem chuva, temperatura no ponto. Vínhamos na maciota, 90-100km/h. Daí o estômago começou a reclamar da corrida na pousada para sair no horário. Devia ter me livrado de todo mal por lá mesmo. E agora ali no meio do nada em lugar algum. Segurei, mas não teve jeito, naquele ritmo de viagem e com a tarefa indelegável e a cada momento mais inadiável, não tinha jeito. Acelerei e deixei o povo para trás.
Encontrei um posto uns bons 50km depois. Suando frio. Aquela cara de mal encarado. É provável que o povo que estava no posto pensou, fudeu, o caboclo veio para quebrar a cara de alguém. Nem dei trela, corri para o banheiro e a vida ficou tranquila novamente. Lembrei do companheiro Nuanda e suas últimas crises de tarefa indelegável. Não é algo que se deseje ao seu pior inimigo.
Voltei para a estrada e fui reencontrar com o povo quase de volta em Vitória. Me desculpei por sumir do nada, mas depois de explicar o motivo entenderam. Ainda fechamos com um churrasco em um buteco de bairro.
Mas fique tranquilo que eu já estive sentado no sofá pensando em se comprava uma moto. A cada peripécia como as desse fim de semana, confirmo que foi uma boa decisão que tive.


25/02/12 somente para testar a abraçadeira

Ano passado fiz um escambo com o companheiro Hermano João, me desfazendo de um escape corneta que fazia a voz de dona stefânia desde que a conheci. Peguei um JJ de 2.1/2″ em troca. Fazia parte de uma decisão pessoal de tirar a roupagem “call me a lady” de dona stefânia e deixar ela mais “tell me I’m bitch”. E lá se foram alforjes, sissybar, setas (essas ainda falta trocar as traseiras), banco da garupa. Com o JJ rasgando o verbo, diversão garantida.
Mas como tudo não são flores, uma peça de acabamento do maledeto JJ atrapalha na hora de retirar a tampa para troca do filtro de óleo. E nessa de toda vez afrouxar a abraçadeira metálica (daquelas de parafuso) para tirar a peça, acho que na última viagem à Araxá MG, a danada arrebentou. Isso foi lá no natal, mas final de ano, compromissos em janeiro, visitas a Bhz, viagens pela empresa, me travavam a agenda para arrumar a bagaça. E a peça lá desbeiçada.
Consegui finalmente no último sábado cedo comprar abraçadeiras novas e me pus em mais uma ordinary mechanical class. Que cai alho! Não que fosse difícil montar a abraçadeira, mas a posição não ajudava em nada. Depois de quase perder o dedo indicador esquerdo e a paciência, a maledeta montou. Com todo o esforço feito, resolvi que devia testar se tinha ficado firme. Pensei na promessa de verificar a estrada para Prado BA para a turma de Bhz em função do encontro na outra semana.
Lá estava eu na lua de 13:00 subindo a BR101 sentido BA. Na bagagem somente a sacola de lona com uma muda de roupa e a bandeira do Clã. E a jaqueta! Sim, estava quente para cai alho e impossível de usar a jaqueta. Não, não recomendo isso para ninguém, afinal estava na estrada. Parei em Linhares ES e em seguida em Pedro Canário ES, quase na divisa com BA.
Até aqui a estrada ainda era conhecida e tirando a interminável reta a partir de Linhares ES que até dá dormência no olhos, somente está ruim mesmo o trecho após Pedro Canário ES até uns 15 a 20 km após a divisa. Havia bastante trânsito de treminhões típicos da região de eucaliptos para as empresas de celulose locais, mesmo sendo sábado após o carnaval.
Mas o que me preocupava mesmo era o calor. Estava mais quente que o normal para a época e região. Continuava sem jaqueta, usando só o colete sobre a camisa de malha cumprida. Passei o trevo de Nanuque MG / Nova Viçosa BA, sim aquele que me infurnei numa estrada de terra de 70 km até Nova Viçosa BA numa outra desaventura, e para a alegria da turma de Bhz que virá por Teófilo Otoni MG, a partir desse ponto a estrada está boa, exceto pela falta de acostamento. Basta ter atenção com o trânsito.
E o calor! Cai alho! De repente sumiu e não era por causa do fim do dia, ainda era umas 17:00 no horário de verão. Aí vi um lindo arco íris no lado direito do horizonte. Parei para tirar uma foto. Mirando a câmera vi a tempestade que se formou bem para onde a estrada apontava. Botei a jaqueta, afinal não tinha trago capa de chuva e fui. Foram uns bons 20 ou 30 km debaixo de chuva forte. Ainda bem, não aguentava mais o calor.
Logo apareceria Teixeira de Freitas BA e a saída para Prado BA. Essa estrada leva ainda a Alcobaça BA atravessando campos de eucaliptos e pastos. Bem a cara de estradinhas vicinais do interior de Minas. Muito gostoso esse trecho e com o sol já se pondo, foi um espetáculo a parte.
Prado BA parecia uma cidade fantasma, se tinha algum folião ali, tinha ido embora antes da quarta feira de cinzas. É bem pequena. Se for aparecer muita gente no encontro, vai ser um inferno. Paciência, já combinei de estar aqui novamente com o povo do Clã.
No domingo depois de uma ida rápida à praia para conhecer, peguei estrada para evitar o calor que passei no sábado (saindo depois do almoço). Passei rápido em Alcobaça BA só para conhecer, rendeu uma foto próximo a um farol. E de volta a estradinha agradável e em seguida na BR101. O sol continuava a pino e a água de coco em Pedro Canário ES não adiantou muito.
Resolvi rodar até Itaúnas ES, próximo de Conceição da Barra ES, famosa pelas dunas e pelo forró e parar para almoçar e fugir do sol de meio dia. Peraí, Fantini, li no guia turístico que para chegar lá tem que pegar estrada de terra. E daí? Depois é só jogar um balde de água na moto que lavou está novo. 20 km de pura diversão. Ainda não conhecia Itaúnas (e olha que o Nuanda já havia indicado a mais tempo) e que lugar agradável e muito bonito. Recomendo a visita. Fui com dona stefânia até próximo das dunas e só não avancei mais por causa da areia que começou a ficar fofa. Ia ser complicado manobrar ali.
Subi uma das dunas e mais a frente havia barracas na beira da praia. A calça jeans, o coturno e o calor escaldande me demoveram da idéia de andar uns bons 900 m ou mais até lá. Voltei para a cidade que fica do outro lado do rio e almocei num restaurante próximo a praça ou melhor dizendo gramado da matriz. Lembra muito o quadrado lá de Trancoso BA. Merece um visita com mais tempo na próxima empreitada.
Já eram 14:00 quando pequei a estrada novamente. Nada de abrandar o calor, vamos embora assim mesmo. Depois de pegar um trânsito razoável (pelo jeito haviam sim foliões que esticaram o carnaval), cheguei em Vitória ES no fim do dia.
E a abraçadeira? Alguém deve ter se perguntado. Bom não soltou nos quase 1.000 km de teste. Acho que ficou boa.