Prudens quid pluma niger secundum

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24/12/11 go ride on christmas time

Havia bastante tempo que não pegava uma estrada, desde agosto deste ano na ida a Penedo no RJ. Sim estive em Bhz MG logo em seguida, mas nem conta porque uma pane me fez deixar dona stefânia lá praticamente 1 mês inteiro para só buscá-la no final de setembro.
Em seguida uma revisão mal feita em uma concessionária de Vitória ES, deixou um quase crônico vazamento de óleo na tampa do filtro de óleo, o que me tirou a paciência nos meses seguintes até conseguir resolver na base da justiça com as próprias mãos. Saudade do tratamento digamos vip da concessionária de Mariana MG. Assim não vamos queimar a Yamaha, mas saibam que não vale a pena revisar a moto na concessionária de Vitória ES.
Mas também outros compromissos diminuiram minha cota de fins de semanas livres, tanto para fazer justiça com as próprias maõs, quanto para dar voltas mais longas, afinal fazer pose em todos os botecos da cidade, pagando de cara mau da motocicleta, foi o que não faltou. Tem gente que acha graça. Eu a cada dia me achava mais cômico e me perguntava aonde foram parar aqueles tempos de vento no peito e cheiro de asfalto?
E assim foi até conseguir uma janela com uma volta até Araxá MG para passar o Natal na casa de parentes. Casou perfeito, até na empresa houve folga na segunda (eta empresa danada de boa). Assim teria um dia para ir, um para curtir e um para voltar. Mas do que o necessário, afinal ficaria feliz com somente o dois dias de estrada.
Acordei no sábado cedo, véspera, imaginando que dali a pouco o povo do Clã estaria no tradicional Pré-Natal no Central, nossa confraternização de fim de ano no Mercado Central em Bhz MG, regada a muito fígado acebolado com jiló. Não dava para participar. 900km me separavam do meu destino.
A viagem começou bem, o clima estava ameno, bom ameno para Vitória ES, mas logo estaria subindo a BR262 na região serrana de ES, passando pela linda visão da Pedra Azul. É muito bonito, mas assim que comecei a contornar as sinuosas curvas morro acima um fria neblina tampou toda a paisagem. A couraça segurou a onda, mas lembrei da trupe Nuanda, Hermano e Broto congelando na estrada a caminho de Blumenau SC. Primeira parada em Ibatiba ES e a frente o tempo estava aberto, céu azul.
E que calor dos infernos! Não fosse já estar acostumado com essas surpresas agradáveis do clima numa viagem de moto, talvez tivesse desistido. E o tempo bom e calor me acompanharam até Abre Campo MG na segunda parada e continuaram até Mariana MG já na terceira parada. Mas Fantini, se estava subindo a BR262, como diabos foi parar em Mariana MG e não na BR381 em João Monlevade? Bom eu prefiro quebrar em Rio Casca MG e pegar a estrada por Ponte Nova MG. Além da paisagem bem mais agradável, o pouco trânsito faz a viagem render mais, apesar de ser um trecho mais comprido do que seguir direto até Bhz MG.
E por falar em calor, passei o último quebra mola de Cachoeiro do Campo MG e dá-lhe chuva. Como ainda era início de viagem resolvi arriscar continuar sem capa que secaria em seguida. Me palpite foi tão certo que 2km depois passou a chuva. Era uma tempestade local. E de novo o calor infernal, fiquei seco em questão de minutos. Mas como não pode faltar nada numa viagem de moto, logo após a barreira policial de Itabirito MG, o asfalto estava molhado por outra chuva passageira. A parte divertida é que nesse trecho até a BR040 é região de mineradoras, então imagine a chuva de lama que tomei de todos os carros e caminhões a frente. Realmente não é possível passar por isso pagando de cara mau nos botecos, mas para mim é o que há de melhor, reconhecer que o mundo não gira em volta do nosso umbigo e que devemos enfrentar o que nos vem a frente.
Na BR040 já na região de Nova Lima MG, foi possível dar uma boa esticada descendo a região do Vale da Mutuca. Na verdade aqui ainda é continuação da MG356 que vem desde Ouro Preto MG. Peguei a alça do anel rodoviário em direção a Contagem MG. Daí a pouco já estava em Betim MG. Antigamente eu seguia a BR381 e entrava lá na MG431 em direção a Itaúna MG, passava em Divinópolis MG pela MG050, para só depois baixar na BR262 de novo em Bom Despacho MG.
Mas queria conhecer a BR262 duplicada neste trecho. E assim sai direto depois de Betim MG para o (re)início da BR262 em direção ao Triângulo Mineiro, bem mais da metade da viagem para trás. E que trecho bom, asfalto novo, pista dupla. Torci o cano mesmo até Nova Serrana MG onde houve a quarta parada. O tempo continuava quente, mas havia sinais de chuva. Realmente esse tempo de mormaço não engana. Continuei. A pista dupla cessou, mas daqui para frente o trecho é praticamente todo reto, então nem precisa de pista dupla, quaquer caminhão que se pega no caminho, não demora muito para se ultrapassar.
Fiquei nesse transe, quando o viajar é mais que a viagem e passamos a perceber o entorno de outra forma, o quanto somos pequenos, o quanto nos entregamos as mesquinharias do dia a dia, enquanto ali estava a natureza mostrando toda a sua exuberância, indiferente à minha presença. A subida da Serra da Canastra então? Quando se via uma mar de morros sem fim abaixo, paisagem quebrada somente pela presença de um forte tempestade a frente, hora a estrada apontava para ela, hora desviava, como num jogo de bem-me-quer-mal-me-quer.
Estava tão extasiado que não percebi a km e dona stefânia começou a falhar. Ótimo, vira a chave da reserva. Só que já estava virada. Junior total! Daqui a pouco lá estava eu empurrando dona stefânia no acostamento (tinha visto um posto a pouco) e fui feliz da vida, ainda anestesiado com todo o conjunto da obra e ainda rindo da própria presepada. Pouco antes de uma subida, me aparece uma van daquelas equipes de wheeling (acrobacias de motos). O camarada parou e depois que expliquei meu drama, resolveu tomar uma providência e me ofereceu 2 litros da mais pura. Mais pura gasolina. Agradeci, foi o bastante para alcançar o posto na minha sexta parada, já que a pane seca foi a quinta.
Logo em seguida cheguei em Araxá MG, afinal faltavam somente 50km! Isso mesmo. No total 12h de viagem desde Vitória ES. Passei a noite de sábado e o domingo em excelente companhia, muita diversão e momentos de agradecimento.
Na segunda ainda de madrugada acordei todos da casa com os berros de dona stefânia (ainda tenho que dar um jeito de abafar esse JJ) e voltei para nosso terreiro natural. Estava aquele frio gostoso de antes de amanhecer e o clima indicava que viria chuva. Dito e feito, pouco depois do ponto onde houve a pane seca, lá estava eu parado tentando enfiar a capa de chuva, treco sem jeito. Foram uns bons 150km debaixo de chuva. A vantagem é que esse trecho é muita reta e mesmo a descida da Serra da Canastra é tranquila. Claro que os pneus Bridgestone se mostraram bem mais aderentes que os Pirelli originais, se quiser seguir um conselho, evite os Pirelli, sua aderência é péssima e já me deixaram em bons apuros no mesmo trecho.
Logo em seguida o sol de rachar e haja água de coco em cada parada de volta. Entre Mariana MG e Abre Campo MG foi muito tenso, pois já esta o pico do sol de meio dia. Mas como já passei muito mais raiva vendo a cerveja esquentar debaixo do telhado de amianto dos botecos de Parauapebas PA, mantive-me firme em meu intento. Lógico que em Abre Campo MG foram 3 garrafas de água para compensar, o que somado com os solavancos devido ao péssimo asfalto da BR262 descendo até a divisa do ES, me fizeram parar duas vezes para mijar na beira da estrada em seguida.
Realmente podem esticar o Rally dos Sertões para este trecho que nenhum trilheiro pode dizer que fica devendo a alguma estrada de terra rincão afora. Está realmente sofrível e deixa a pilotagem bastante tensa.
Dessa vez passei Ibatiba ES direto e fui parar em Venda Nova do Imigrante ES e faltavam apenas 120km até Vitória ES. Foram 2 estados, 7 rodovias, 30 cidades, 5 climas diferentes, 1 pane seca, 12 horas para ir, 12 horas para voltar, pouco mais de 1.800km. O corpo já estava reclamando a pouco mais de 150km atrás, mas o espírito iria adiante, com certeza!

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02/07/11 consulta rápida no dentista

Fazem quinze dias que mudei de estado e cidade, vindo parar em Vitória no Espírito Santo. Vamos ver se dessa vez eu paro quieto num canto, empresa nova, vida nova, mas não vem ao caso. Havia trago boa parte da mudança (algumas coisas foram parar em Bhz porque na nova república já havia alguns móveis), mas dona stefânia, tadinha ficou para traz em Mariana. Não satisfeito em abandoná-la a própria sorte durante esses quinze dias, ainda moveram a coitada de garagem, porque na antiga república, a dona resolvera reformar a alvenaria e terminar o revestimento. E eu aqui na fila do embarque para pegar o avião para Bhz com toda a parafernália – capacete, jaqueta, coturno, alfoje, fora o kit de sobrevivência ao relento – protagonista de cenas insólitas, ao menos que você, caro amigo, já tenha visto algum motociclista nesta situação desconfortável. No check-in aceitaram que eu levasse as tralhas como bagagem de mão, menos mal. Depois de um pequeno atraso, embarque. Tive que pedir desculpas aos demais passageiros porque não conseguia enfiar o maldito alforje no compartimento de bagagem e antes que a comissária reclamasse, enfiei ele entre as pernas. O que já é desconfortável, ficou mais ainda. Seriam os 50min mais longos de minha vida, não fosse a sorte de sobrar um assento exatamente ao meu lado! Ser motociclista com fama de mal encarado, tem suas vantagens! Então fomos nós, eu e meu alforje, cada um em seu assento devidamente alojados. No desembarque pai estava lá para me dar carona, bem, quase, perdera o celular que achamos em seguida e sumiu lá no saguão. Encontramos com a mãe do Hugo, ele estava chegando para férias em Bhz (consegue estar mais distante que eu morando no Acre) e não podia deixar de esperar para dar um abraço no velho amigo. Puta coincidência. Igual uma vez em Iriri. Bem, essa de Iriri, foi mais coincidência ainda (mas é outro causo). Retorno para Bhz, família junta, uma visão geral das reformas lá em casa e se esbaldar na melhor feijoada da cidade que fica no quarteirão seguinte lá da rua. Além de bom, é barato. E ainda temos que brigar com a cozinheira para ela colocar pouca comida no prato feito. Muitos amigos já penduraram as chuteiras depois do prato cheio. Pena que o prazo era pouco para ainda pegar um trupico. Pai me levou até Mariana e a ansiedade já era grande. “Acha que ela vai funcionar?” perguntou com seu sutil sarcasmo de sempre. “Cai alho! Claro que vai.” Na verdade gastei mais tempo chamando a proprietária do estacionamento onde dona stefânia estava, do que tentando ligá-la depois dos quinze dias apagada. Uai, ela ligou depois de seis meses sem minha presença enquanto estava no Pará e dessa vez só engasgou para fazer charme. Maravilha de ronco em seguida! Despedi de pai e fui para São João Del Rey. Já havia solicitado um canto no terraço da casa do Daniel Spectro, do Filhos da Revolução, e apesar do incômodo durante o translado aéreo, o kit relento viria bem a calhar. Viria nada! O desinfeliz não deixou eu curtir o espírito da coisa e me alojou num quarto com chuveiro quente e tudo. Muito agradecido, como sempre, pela hospitalidade do companheiro e família. A única ressalva era trazê-lo de volta hoje, porque ontem tinha chegado cedo de Tiradentes, cinco da matina. “Ao menos traz o pão da próxima vez”, reclamaram seus familiares. Depois do café e prosa, fomos para Tiradentes. Estava bombando, estava cheio, estava demais. Achei o povo do Clã por telefone, estavam no Dona Xepa esperando a bóia, cai alho, já era mais de oito da noite, aonde é que eu estava que gastei tanto tempo para chegar? Tentei falar com o Macedo por telefone e nada, só caixa postal, então galera do Rio, fica para próxima. Achei o Billy e o 02, do Banished, e o Peralta do Dogs. O Peralta estava tomando coca-cola! Cara consciente, mas reza a lenda que a cada latinha que comprava, ganhava dois misteriosos copinhos de dose. Galera de sampa, desculpe o pouco tempo de prosa, mas tinha que encontrar com o povo do Clã. Lá estavam Hermano João, Broto “Billie Jean” Jr e Nuanda e suas respectivas. Bom, Broto Jr com sua respectiva baixa resistência ao alcóol protagonizando nossa felicidade. Diga-se de passagem que o tal estabelecimento Dona Xepa é muito bom, bom demais se seu objetivo é ficar mais de hora esperando uma porção de batata frita, linguiça e costelinha. Tudo bem que o evento estava lotado, mas dentro da bodega estava vazio. Com essa demora também, está explicado. Até o chopp já chegava quente na mesa após 5min de translado entre a bomba e a mesa. Todos comidos, fomos para a tenda da Krug Bier, onde o camarada de 4 anos seguidos faz seu show de voz e violão interminável e sem intervalos. O cara deve ter um pacto com algum santo para conseguir ficar direto sem parar, muito bom e o repertório atendia, conforme Hermano João, “gregos e troianos”. “Espartanos também” acrescentei. Ainda encontramos o Ebin, do Rasta Brasil. Saudade quando esse cara tinha moto! “Vamos esperar até janeiro”, frisou comigo. Ademais, estava excepcional! Mesmo para mim que foi uma consulta rápida ao dentista, no dia seguinte cedo viria para Vitória. E quem não foi, simplesmente perdeu! Ah! E o Daniel Spectro sumiu no meio da multidão, minha sorte é que ele resolveu chegar logo depois de mim e evitou que seu pessoal puxasse minha orelha. Eta rapaz danado esse! Born to be uai!