Prudens quid pluma niger secundum

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25/06/10 de volta ao dentista

A região da Estrada Real, que concentra as cidades históricas de Minas da época do ciclo do ouro, tem um clima muito interessante no inverno. Por incrível que pareça faz calor durante o dia, a ponto de incomodar ficar exposto ao sol. Já à noite, a temperatura cai bruscamente e, ao arrepio de alguns amigos meus, faço uso do velho e bom cachecol. Considerando esse clima e não podendo perder o Tiradentes Motorfest no fim de semana (afinal seria um revival da primeira viagem com dona stefãnia), me programei para encontrar com amigos de Bhz, Nuanda, Ebin e Broto Jr, no sábado de manhã e descer para o dentista por volta de 09:00 no Posto Chefão na saída para o RJ. No final do dia subiria para Itaúna, pois também estava devendo uma visita (só tem quase um ano) a outro amigo, Flávio, que mora lá. Sexta logo cedo, aguardando reunião no escritório da empresa em Bhz (a unidade que trabalho fica em Mariana e nem precisa comentar que sai de madrugada de carro para estar cedo em Bhz), me aparece mensagem do Nuanda: “Fui”. Ca ialho, pensei, foi para onde diabos? Liguei para perguntar, não atendeu, mesmo depois de três tentativas. A resposta só vim a saber no meio da reunião com outra mensagem dele: “Tiradentes está demais, gente bonita e chopp da Krug. Se eu fosse você viria agora também”. A vantagem de nossos amigos e que podemos maldizê-los sem que isso gere qualquer intriga, portanto maldito Nuanda, isso lá é mensagem que se manda para alguém que está no meio de uma reunião discutindo um bocado de assuntos, menos moto? Depois ainda insistiu: “Já arrumei um quarto barato para passar a noite. Vem hoje mesmo”. Cai alho, vou dizer que foi um dos dias mais longos que já passei no escritório. Nem o interlúdio com aquela pelada que a seleção fez contra Portugal salvou. Finalmente 17:00 e estou livre. Livre? Bom, livre para voltar para Mariana. Uma ducha rápida (na verdade um chuveiro quente porque já estava frio), separa o essencial na bolsa de sissy-bar, três cuecas, quatro pares de meia, moleton, cachecol (lógico) e umas duas mudas de roupa. Armadura no corpo e pé na estrada. Já eram umas 20:00 quando sai de Mariana em direção a Tiradentes. Tanto o trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco e depois a interligação entre Congonhas e São João Del Rey, são estradas lindas com uma paisagem merecedora de muitas fotos. Bom, isso de dia, a noite e nesta época do ano, eu me perguntava se seria possível o Motul 5100 deixar de ser sintético e dona stefânia voltasse a ferver debaixo das minhas pernas como na época do Yamalube. Tudo bem, tudo bem, não serei tão rabugento, a lua cheia estava linda e era a cereja do bolo. OK, do sorvete. Em compensação acho que estou preparado para qualquer incursão ao Sul do país. Fora que companheiro cornija ficou lá encolhido, praguejando o frio, e nem me incomodou. Mais de 22:00 e chegava em São João Del Rey. Confirmei com o Nuanda onde encontrá-lo em Tiradentes e para lá fui, pela estrada velha mesmo, para o arrepio dos meus ossos que na conjunção do frio com os solavancos realmente pareceu que partiriam a qualquer momento. Tudo bem, o abraço do velho amigo ao encontrármos resolveu o problema. Tiradentes estava demais e principalmente a tenda da Krug Beer estava demais. Podem nossos amigos paulistas exaltar o Pinguim ou nossos companheiros cariocas aplaudir a Devassa, mas Krug Beer é cosa nostra! Chopp perfeito. Fora o camarada na voz e violão que estava muito engraçado com um repertório bem variado, passeando por vários clássicos. Ficamos lá com uma galera que o Nuanda conheceu durante o dia, pessoal muito bacana que vieram de speed. Antes disso, ainda vi o Tuí e o Alexandre Moreira lá na tenda da Motostreet. Por volta das 02:30 consideramos que já era hora de dar um tempo, mesmo porque o show acabara. No caminho para ir embora, não é que vemos novamente o Alexandre, agora acompanhado do Russo. Conseguiram nos segurar até depois de 04:00 da matina contando as peripécias do Russo para sair de Riberão Preto até Tiradentes. Não sei como ele conseguiu, mas deu uma boa volta por dentro da Lagoa de Furnas (até usou balsa), ficou perdido em estrada de terra, uma piada. Estava com a menina que conheçou em Riberão da época do passeio Dragueiro em Jardinópolis. Dois ótimos camaradas. Sábado de manhã, por volta de 07:30 fui agraciado com uma ligação do serviço bem no meio do meu sono embelezador. Informação sobre como estava o andamento de uma obra da empresa. A boa educação me impediu de falar que não queria saber daquilo naquele exato momento, mas foi uma informação pertinente. Segundo tempo de sono, 09:30 liga o Ebin: “Aqui, o Broto Jr não apareceu, como fazemos?”, “Larga a franga para trás” respondi e desliguei. Novamente a vantagem dos amigos é que podemos desligar na cara que ninguém deixa de te pagar cerveja por causa disso. Acordei mesmo por volta de 10:00. Banho e a surpresa de um super café na porta do quarto. Até que a “pousada” que o Nuanda arrumou era muito fina. No outro quarto tinha uma camarada com uma BMW, gente fina, mas não guardei o nome. Voltamos para o encontro e daqui a pouco esbarro com o Peninha, que estava meio com pressa e desapareceu na multidão. Mais um pouco e lá está o Ajota perdidão no meio do povo. Grande Ajota, companheiro de estrada e de muito encontros. Me confidenciou que já estava de olho numa moça de Goiânia. “Mas, Ajota, e a moça de Uberlândia?”, “Fantini, motociclista gosta de uma estrada, temos que ter vários destinos”. Realmente ele tem razão. Demos uma volta pelo evento e como eu disse o calor do dia começou a incomodar. Nenhuma notícia do Ebin ainda. Liguei, fizeram um pit-stop em São João Del Rey. Encontramos novamente a galera de speed de ontem. Vim a saber que uns deles queria mais que todo mundo se fodesse, explico, é dono de motel. Pouco depois de 14:00 despedimos do pessoal, dei um último abraço no Ajota e eu e Nuanda pegamos estrada. Ele tinha compromisso em Bhz e eu ainda tinha mais um asfalto até Itaúna. De dia a vista da estrada entre são João Del Rey e Congonhas é um espetáculo, viemos até num ritmo mais lento, lembrei-me do PE-49. Fomos assim até pouco depois de Lagoa Dourada, onde aceleramos o ritmo pois havia ficado um pouco tarde para nossos objetivos finais. Como ainda estava sem almoço um pequena parada em Congonhas para um pão de queijo. Despedi do Muamba, apesar que ainda dividiríamos a BR040 até o Anel Rodoviário, onde eu desceria para a Cidade Industrial e depois pegaria a Fernão Dias e ele desceria direto para Bhz pela Nossa Senhora do Carmo. Já sozinho na Fernão Dias, passei pelo velho caminho de sempre até Itaúna, passando por Igarapé e depois Itatiauçu. Quando parei para reabastecer na saída de Bhz, o frio já começara a cortar e melhorei minha condição térmica com um cachecol (sim, já deve ter alguém comentando: “cai alho de cachecol, Fantini”, mas faz muita diferença no frio). Cheguei na casa do amigo Flávio e a festa de aniversário da filha dele já estava bombando. O bom foi rever a Michele, uma amiga lá de Itaúna, linda como sempre. Aliás ela estava muito arrumada no vestido de festa e o brutamontes de jardim aqui (no alto dos meus 1,67m) com a armadura toda imunda por uma chuva de barro que tomei de uma carreta na estrada. Um cena típica de qualquer ser motoandante. Muita cerveja depois e ao fim da festa, lá estava eu capotado na cama improvisada na sala da casa. Tudo perfeito. Assisti aos dois excelentes jogos do domingo. Alemanha e Inglaterra, para mim até o momento o melhor jogo da Copa, e Argentina e México. Em seguida despedi do Flávio e família, missão Itaúna cumprida. Novamente a solidão do asfalto em direção a Mariana. Solidão? Lá estava eu com dona stefânia e companheiro cornija, este impagável e novamente praguejando o frio. Emprestei para ele o cachecol.