Prudens quid pluma niger secundum

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17/05/16 novas pontes

Para mais de ano, comentei aqui sobre a importância da construção de pontes nas nossas relações sociais. Alguém mais afobado vai dizer que isso é muito fácil em se tratando do Fantini. Não só veemente nego, como assumo que isso faz parte de uma decisão pessoal de transformação. Eu era um cara fechado e resolvi não ser mais e sei como não é fácil criar pontes.

Mas você já está aí encucado porque queria ler alguma aventura ou peripécia após longo tempo sem que o humilde aqui escrevesse uma frase sequer é dá de cara com esse papo furado de livro de auto-ajuda.

Pois bem, existe todo o mito de que andar de moto transforma a pessoa. Posso afirmar que te transforma numa pessoa mais suja depois de 1h debaixo de chuva com caminhões levantando água suja na Serra do Cafezal na Regis Bittencurt ou mais fedorenta após 1h no asfalto escaldante da região sul de minas quando entre 11:00 e 14:00 você está lá no meio da Fernão Dias.

Dizer que andar de moto vai te tornar uma pessoa mais legal, somente porque agora tira fotos de tirar o fôlego na estrada. Fotos são para ter boas lembranças, mesmo se for usar os filtros de algum aplicativo para melhorar as fotos de celular.

Foto de paisagem e comida. Duas vezes mais hipster.

Foto de paisagem e comida. Duas vezes mais hipster.


Depois desse tempo razoável sobre duas rodas (e desejo que ainda continue por muito mais tempo, afinal temos que alcançar o Ghan), descobri que ando de moto é para atravessar pontes e alcançar algum amigo, antigo ou novo, que o caminho da vida foi me apresentando para filar comida. Sério.

O famoso Ghan, reza a lenda que aprendou o sorriso interior em Cleveland

O famoso Ghan, reza a lenda que aprendou o sorriso interior em Cleveland

Em todas as viagens e passeios em que não estava caçando alguma estrada nova (onde normalmente estou sozinho), foi para visitar alguém e filar um rango, uma cama e uma ducha. Agora eu lhe pergunto: isso é realmente uma tremenda cara de pau que inventei ou porque tive a felicidade de encontrar pessoas que o santo bateu?

É assim vamos tocando a toada, fazendo aquilo que o ser humano como ser social sempre fez: se relacionar, receber e ser recebido, pavimentando pontes através do respeito, mas que para os habitantes das grandes cidades é a última novidade ou trend, porque essa vida corrida e isolada os fez esquecer disso.

Um agradecimento especial a todos os amigos que me receberam nos últimos dias: Guy Correa em Formiga MG, Tiago Conte em Conselheiro Lafaiete MG, Ghan e família em São José dos Campos SP e Agnelli Cordeiro em Curitiba PR. E naturalmente desculpas aos que não pude visitar neste mesmo período. Não faltarão oportunidades!

Com a benção daquele que tem a pena preta!

Com a benção daquele que tem a pena preta!


Foram 1 semana e alguns dias, 3 estados, 7 cidades, 10 rodovias, mais de 3.000km.

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13/06/13 renascimento

Ainda me restavam quatro preciosos dias de viagem e tendo conseguido organizar uma visita a praticamente todo mundo e passeado por estradas praticamente conhecidas, era momento de encontrar comigo mesmo e em seguida partir para o desconhecido logo ali após uma encruzilhada. Desculpe, mas depois que se descobre que “uma viagem só vale a pena quando ela te transforma”, acabamos por buscar novas fornalhas e malearmos nossa alma novamente.

Porque não colocar uma música na vitrola?

Mas antes era prudente pedir a benção (que se mostrou necessária em seguida) daquele que tem a pena preta. E assim, saindo de Itaúna MG, rumei para a entrada de Ouro Preto MG. A velha MG431 que liga Itaúna MG com a BR381 Fernão Dias ficava cada minuto mais distante a medida em que avançava sobre a BR356. Naturalmente que tivemos o velho e bom banho de lama de mineração dos caminhões que trafegam na região de Itabirito MG, nos ensina a sermos humildes.
No trevo entre Ouro Preto MG e Mariana MG pego direção desta última, mas apenas para descer um pequeno trecho de serra até o bairro de Bauxita (não é uma serra do rio do rastro mas tem lá suas traiçoeiras curvas) e de lá pegar a bipolar MG129 ou MG443, que já que não sabe qual sigla deve ter, carinhosamente mantemos sua nomenclatura original de Estrada Real. Um trecho de apenas 32km da estrada completa entre Ouro Preto MG e Ouro Branco MG.

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

Era ainda idos de 2009 quando passei aqui a primeira vez com a saudosa dona stefânia e não tendo culhões para subir para Lavras Novas MG (tem um trevo mais ou menos na metade do trecho), acabei resolvendo subir por um outro trevo, mais a frente que desembocaria num conjunto de antenas.
Imaginei, uai, antenas, deve ser um topo de morro legal com um vista boa e lá me enfiei, moto e tudo. O pedaço de asfalto não durou mais que 200m e me vi enfrentando pela primeira vez uma estrada de terra com uma moto custom. Muita gente teria torcido o nariz, mas lembrei do que significava o DACS para o clã e me embrenhei vereda adentro.

serra de ouro branco

serra de ouro branco

Eventualmente, após pegar um entroncamento errado aqui, outro ali, rodar meio que perdido e lembrando que não tinha tanto combustível assim, consegui acertar o caminho serra acima. Uma estradinha de terra para matar saudade de dorothéia, companheira dos tempos de trilha, com aqueles belos rasgos de enchurrada que insistiam em dividir a atenção com o horizonte mágico a minha volta.

vai dizer que não sentiria saudades também?

vai dizer que não sentiria saudades também?

Praticamente um ano depois, eu acho, levei Nuanda lá também, ele ainda tinha a XT e ficou embasbacado de como eu conseguia subir naquela estrada com dona stefânia. Mas ao longo do caminho ele entendeu de onde tirava a motivação necessária para ir cada metro adiante. No topo do morro, apreciando a alvorada e além, decidimos oficializar que a Divisão de Ações Ciclísticas Sujas do Clã do Gallo Preto, ou DACS para os íntimos, deveria ser reconhecida onde estivéssemos, fosse asfalto ou terra.

estrada real

estrada real

E era essa tradição toda que Srta. Hellen Dawson tinha agora a sua disposição para não se mostrar acanhada a enfrentar uma estrada digna de suas antepassadas que estiveram na segunda guerra mundial (ou você realmente acha que naquela época tinha maxi big ultra mega blaster trail dos infernos?). Naturalmente que os 100kg ou mais a mais do que dona stefânia e também considerando que dessa vez tinha bagagem traziam um tempero para o trem.

subindo a serra

subindo a serra

ainda falta muito?

ainda falta muito?

há algo mais entre o céu e a terra

há algo mais entre o céu e a terra

no topo

no topo

E lá em cima chegamos, para a incredulidade de uma casal que descia num uno velho e parou para me perguntar se eu estava perdido enquanto tirava umas fotos.

Não havia como explicar para eles o quanto eu estava realmente me encontrando.

perdido?

perdido?


02/07/11 consulta rápida no dentista

Fazem quinze dias que mudei de estado e cidade, vindo parar em Vitória no Espírito Santo. Vamos ver se dessa vez eu paro quieto num canto, empresa nova, vida nova, mas não vem ao caso. Havia trago boa parte da mudança (algumas coisas foram parar em Bhz porque na nova república já havia alguns móveis), mas dona stefânia, tadinha ficou para traz em Mariana. Não satisfeito em abandoná-la a própria sorte durante esses quinze dias, ainda moveram a coitada de garagem, porque na antiga república, a dona resolvera reformar a alvenaria e terminar o revestimento. E eu aqui na fila do embarque para pegar o avião para Bhz com toda a parafernália – capacete, jaqueta, coturno, alfoje, fora o kit de sobrevivência ao relento – protagonista de cenas insólitas, ao menos que você, caro amigo, já tenha visto algum motociclista nesta situação desconfortável. No check-in aceitaram que eu levasse as tralhas como bagagem de mão, menos mal. Depois de um pequeno atraso, embarque. Tive que pedir desculpas aos demais passageiros porque não conseguia enfiar o maldito alforje no compartimento de bagagem e antes que a comissária reclamasse, enfiei ele entre as pernas. O que já é desconfortável, ficou mais ainda. Seriam os 50min mais longos de minha vida, não fosse a sorte de sobrar um assento exatamente ao meu lado! Ser motociclista com fama de mal encarado, tem suas vantagens! Então fomos nós, eu e meu alforje, cada um em seu assento devidamente alojados. No desembarque pai estava lá para me dar carona, bem, quase, perdera o celular que achamos em seguida e sumiu lá no saguão. Encontramos com a mãe do Hugo, ele estava chegando para férias em Bhz (consegue estar mais distante que eu morando no Acre) e não podia deixar de esperar para dar um abraço no velho amigo. Puta coincidência. Igual uma vez em Iriri. Bem, essa de Iriri, foi mais coincidência ainda (mas é outro causo). Retorno para Bhz, família junta, uma visão geral das reformas lá em casa e se esbaldar na melhor feijoada da cidade que fica no quarteirão seguinte lá da rua. Além de bom, é barato. E ainda temos que brigar com a cozinheira para ela colocar pouca comida no prato feito. Muitos amigos já penduraram as chuteiras depois do prato cheio. Pena que o prazo era pouco para ainda pegar um trupico. Pai me levou até Mariana e a ansiedade já era grande. “Acha que ela vai funcionar?” perguntou com seu sutil sarcasmo de sempre. “Cai alho! Claro que vai.” Na verdade gastei mais tempo chamando a proprietária do estacionamento onde dona stefânia estava, do que tentando ligá-la depois dos quinze dias apagada. Uai, ela ligou depois de seis meses sem minha presença enquanto estava no Pará e dessa vez só engasgou para fazer charme. Maravilha de ronco em seguida! Despedi de pai e fui para São João Del Rey. Já havia solicitado um canto no terraço da casa do Daniel Spectro, do Filhos da Revolução, e apesar do incômodo durante o translado aéreo, o kit relento viria bem a calhar. Viria nada! O desinfeliz não deixou eu curtir o espírito da coisa e me alojou num quarto com chuveiro quente e tudo. Muito agradecido, como sempre, pela hospitalidade do companheiro e família. A única ressalva era trazê-lo de volta hoje, porque ontem tinha chegado cedo de Tiradentes, cinco da matina. “Ao menos traz o pão da próxima vez”, reclamaram seus familiares. Depois do café e prosa, fomos para Tiradentes. Estava bombando, estava cheio, estava demais. Achei o povo do Clã por telefone, estavam no Dona Xepa esperando a bóia, cai alho, já era mais de oito da noite, aonde é que eu estava que gastei tanto tempo para chegar? Tentei falar com o Macedo por telefone e nada, só caixa postal, então galera do Rio, fica para próxima. Achei o Billy e o 02, do Banished, e o Peralta do Dogs. O Peralta estava tomando coca-cola! Cara consciente, mas reza a lenda que a cada latinha que comprava, ganhava dois misteriosos copinhos de dose. Galera de sampa, desculpe o pouco tempo de prosa, mas tinha que encontrar com o povo do Clã. Lá estavam Hermano João, Broto “Billie Jean” Jr e Nuanda e suas respectivas. Bom, Broto Jr com sua respectiva baixa resistência ao alcóol protagonizando nossa felicidade. Diga-se de passagem que o tal estabelecimento Dona Xepa é muito bom, bom demais se seu objetivo é ficar mais de hora esperando uma porção de batata frita, linguiça e costelinha. Tudo bem que o evento estava lotado, mas dentro da bodega estava vazio. Com essa demora também, está explicado. Até o chopp já chegava quente na mesa após 5min de translado entre a bomba e a mesa. Todos comidos, fomos para a tenda da Krug Bier, onde o camarada de 4 anos seguidos faz seu show de voz e violão interminável e sem intervalos. O cara deve ter um pacto com algum santo para conseguir ficar direto sem parar, muito bom e o repertório atendia, conforme Hermano João, “gregos e troianos”. “Espartanos também” acrescentei. Ainda encontramos o Ebin, do Rasta Brasil. Saudade quando esse cara tinha moto! “Vamos esperar até janeiro”, frisou comigo. Ademais, estava excepcional! Mesmo para mim que foi uma consulta rápida ao dentista, no dia seguinte cedo viria para Vitória. E quem não foi, simplesmente perdeu! Ah! E o Daniel Spectro sumiu no meio da multidão, minha sorte é que ele resolveu chegar logo depois de mim e evitou que seu pessoal puxasse minha orelha. Eta rapaz danado esse! Born to be uai!


25/06/10 de volta ao dentista

A região da Estrada Real, que concentra as cidades históricas de Minas da época do ciclo do ouro, tem um clima muito interessante no inverno. Por incrível que pareça faz calor durante o dia, a ponto de incomodar ficar exposto ao sol. Já à noite, a temperatura cai bruscamente e, ao arrepio de alguns amigos meus, faço uso do velho e bom cachecol. Considerando esse clima e não podendo perder o Tiradentes Motorfest no fim de semana (afinal seria um revival da primeira viagem com dona stefãnia), me programei para encontrar com amigos de Bhz, Nuanda, Ebin e Broto Jr, no sábado de manhã e descer para o dentista por volta de 09:00 no Posto Chefão na saída para o RJ. No final do dia subiria para Itaúna, pois também estava devendo uma visita (só tem quase um ano) a outro amigo, Flávio, que mora lá. Sexta logo cedo, aguardando reunião no escritório da empresa em Bhz (a unidade que trabalho fica em Mariana e nem precisa comentar que sai de madrugada de carro para estar cedo em Bhz), me aparece mensagem do Nuanda: “Fui”. Ca ialho, pensei, foi para onde diabos? Liguei para perguntar, não atendeu, mesmo depois de três tentativas. A resposta só vim a saber no meio da reunião com outra mensagem dele: “Tiradentes está demais, gente bonita e chopp da Krug. Se eu fosse você viria agora também”. A vantagem de nossos amigos e que podemos maldizê-los sem que isso gere qualquer intriga, portanto maldito Nuanda, isso lá é mensagem que se manda para alguém que está no meio de uma reunião discutindo um bocado de assuntos, menos moto? Depois ainda insistiu: “Já arrumei um quarto barato para passar a noite. Vem hoje mesmo”. Cai alho, vou dizer que foi um dos dias mais longos que já passei no escritório. Nem o interlúdio com aquela pelada que a seleção fez contra Portugal salvou. Finalmente 17:00 e estou livre. Livre? Bom, livre para voltar para Mariana. Uma ducha rápida (na verdade um chuveiro quente porque já estava frio), separa o essencial na bolsa de sissy-bar, três cuecas, quatro pares de meia, moleton, cachecol (lógico) e umas duas mudas de roupa. Armadura no corpo e pé na estrada. Já eram umas 20:00 quando sai de Mariana em direção a Tiradentes. Tanto o trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco e depois a interligação entre Congonhas e São João Del Rey, são estradas lindas com uma paisagem merecedora de muitas fotos. Bom, isso de dia, a noite e nesta época do ano, eu me perguntava se seria possível o Motul 5100 deixar de ser sintético e dona stefânia voltasse a ferver debaixo das minhas pernas como na época do Yamalube. Tudo bem, tudo bem, não serei tão rabugento, a lua cheia estava linda e era a cereja do bolo. OK, do sorvete. Em compensação acho que estou preparado para qualquer incursão ao Sul do país. Fora que companheiro cornija ficou lá encolhido, praguejando o frio, e nem me incomodou. Mais de 22:00 e chegava em São João Del Rey. Confirmei com o Nuanda onde encontrá-lo em Tiradentes e para lá fui, pela estrada velha mesmo, para o arrepio dos meus ossos que na conjunção do frio com os solavancos realmente pareceu que partiriam a qualquer momento. Tudo bem, o abraço do velho amigo ao encontrármos resolveu o problema. Tiradentes estava demais e principalmente a tenda da Krug Beer estava demais. Podem nossos amigos paulistas exaltar o Pinguim ou nossos companheiros cariocas aplaudir a Devassa, mas Krug Beer é cosa nostra! Chopp perfeito. Fora o camarada na voz e violão que estava muito engraçado com um repertório bem variado, passeando por vários clássicos. Ficamos lá com uma galera que o Nuanda conheceu durante o dia, pessoal muito bacana que vieram de speed. Antes disso, ainda vi o Tuí e o Alexandre Moreira lá na tenda da Motostreet. Por volta das 02:30 consideramos que já era hora de dar um tempo, mesmo porque o show acabara. No caminho para ir embora, não é que vemos novamente o Alexandre, agora acompanhado do Russo. Conseguiram nos segurar até depois de 04:00 da matina contando as peripécias do Russo para sair de Riberão Preto até Tiradentes. Não sei como ele conseguiu, mas deu uma boa volta por dentro da Lagoa de Furnas (até usou balsa), ficou perdido em estrada de terra, uma piada. Estava com a menina que conheçou em Riberão da época do passeio Dragueiro em Jardinópolis. Dois ótimos camaradas. Sábado de manhã, por volta de 07:30 fui agraciado com uma ligação do serviço bem no meio do meu sono embelezador. Informação sobre como estava o andamento de uma obra da empresa. A boa educação me impediu de falar que não queria saber daquilo naquele exato momento, mas foi uma informação pertinente. Segundo tempo de sono, 09:30 liga o Ebin: “Aqui, o Broto Jr não apareceu, como fazemos?”, “Larga a franga para trás” respondi e desliguei. Novamente a vantagem dos amigos é que podemos desligar na cara que ninguém deixa de te pagar cerveja por causa disso. Acordei mesmo por volta de 10:00. Banho e a surpresa de um super café na porta do quarto. Até que a “pousada” que o Nuanda arrumou era muito fina. No outro quarto tinha uma camarada com uma BMW, gente fina, mas não guardei o nome. Voltamos para o encontro e daqui a pouco esbarro com o Peninha, que estava meio com pressa e desapareceu na multidão. Mais um pouco e lá está o Ajota perdidão no meio do povo. Grande Ajota, companheiro de estrada e de muito encontros. Me confidenciou que já estava de olho numa moça de Goiânia. “Mas, Ajota, e a moça de Uberlândia?”, “Fantini, motociclista gosta de uma estrada, temos que ter vários destinos”. Realmente ele tem razão. Demos uma volta pelo evento e como eu disse o calor do dia começou a incomodar. Nenhuma notícia do Ebin ainda. Liguei, fizeram um pit-stop em São João Del Rey. Encontramos novamente a galera de speed de ontem. Vim a saber que uns deles queria mais que todo mundo se fodesse, explico, é dono de motel. Pouco depois de 14:00 despedimos do pessoal, dei um último abraço no Ajota e eu e Nuanda pegamos estrada. Ele tinha compromisso em Bhz e eu ainda tinha mais um asfalto até Itaúna. De dia a vista da estrada entre são João Del Rey e Congonhas é um espetáculo, viemos até num ritmo mais lento, lembrei-me do PE-49. Fomos assim até pouco depois de Lagoa Dourada, onde aceleramos o ritmo pois havia ficado um pouco tarde para nossos objetivos finais. Como ainda estava sem almoço um pequena parada em Congonhas para um pão de queijo. Despedi do Muamba, apesar que ainda dividiríamos a BR040 até o Anel Rodoviário, onde eu desceria para a Cidade Industrial e depois pegaria a Fernão Dias e ele desceria direto para Bhz pela Nossa Senhora do Carmo. Já sozinho na Fernão Dias, passei pelo velho caminho de sempre até Itaúna, passando por Igarapé e depois Itatiauçu. Quando parei para reabastecer na saída de Bhz, o frio já começara a cortar e melhorei minha condição térmica com um cachecol (sim, já deve ter alguém comentando: “cai alho de cachecol, Fantini”, mas faz muita diferença no frio). Cheguei na casa do amigo Flávio e a festa de aniversário da filha dele já estava bombando. O bom foi rever a Michele, uma amiga lá de Itaúna, linda como sempre. Aliás ela estava muito arrumada no vestido de festa e o brutamontes de jardim aqui (no alto dos meus 1,67m) com a armadura toda imunda por uma chuva de barro que tomei de uma carreta na estrada. Um cena típica de qualquer ser motoandante. Muita cerveja depois e ao fim da festa, lá estava eu capotado na cama improvisada na sala da casa. Tudo perfeito. Assisti aos dois excelentes jogos do domingo. Alemanha e Inglaterra, para mim até o momento o melhor jogo da Copa, e Argentina e México. Em seguida despedi do Flávio e família, missão Itaúna cumprida. Novamente a solidão do asfalto em direção a Mariana. Solidão? Lá estava eu com dona stefânia e companheiro cornija, este impagável e novamente praguejando o frio. Emprestei para ele o cachecol.


15/08/09 royal highway

Olha só como é a vida. O que estava combinado era somente rodar quase sem destino no sábado – na verdade tinha programado finalmente fazer o trecho da estrada real entre Ouro Branco e Ouro Preto – junto com o grande Broto Jr que ainda está se acostumando com sua imperial Viragosa 535.

Bem, cumprindo com minha vida de morador do interior, viajei para Bhz na sexta. Daí a pouco o Broto Jr me liga. Já imaginei: “lá vem ele mijar para trás de novo”. Qual nada, um amigo nosso ia tocar com sua banda no covil dos Vutu’s e não podíamos perder. Quem sou eu para discutir com um amigo, também motociclista, e que ainda me chama para um show de rock numa sede de Motoclube?

Chegamos lá e tenho que reconhecer que o local está muito fino, parabéns para a galera do Vutu’s. Para quem quiser conferir, fica na R. São Paulo 1480 próximo a Av. Bias Fortes no centro. A parte divertida é que o local era uma antiga boite (ou puteiro para os mais ávidos). Sou suspeito para falar do show, afinal a banda Metalzone é de pessoal amigo de longa data, mas para quem curte um black sabbath ou um motorhead pode ir no próximo show de olhos vendados.

Antes de meia noite Broto Jr decide ir embora: “Vou descançar para amanhã.” Até mais e fiquei pensando… Amanhã? E o que diabos tem amanhã? Cai alho, o passeio na estrada real. Acho que as doses de guaraná antartica me deixaram meio grogue. O melhor era ir para casa também e descançar para o sábado.

Às 08:00 em ponto, conforme combinado, lá estava o Broto Jr na porta de casa (quero dizer casa dos meus pais). Logo de cara vi o cabo do hodômetro da Viragosa solto e providenciei o reparo. “Pô, Gustavo, começamos bem, hein?”. Calma, Deus cuida bem dos seus bons filhos, e toda a má sorte foi descarregada neste cabo solto que já está OK. Partimos para a estrada.

Subimos a BR040 em direção a Ouro Branco. Primeiro pit-stop no Topo do Mundo na Serra da Moeda para uma sessão de fotos. Volto a recomendar pela vista e pelo clima. Bom, para aqueles que andam reclamando da rebeldia dos cabelos (saem e não voltam), recomendo não retirar o capacete ou ainda treinar com seu mestre jedi para retirar o capacete e colocar imediatamente um boné. O vento que no local é excelente para a prática de paraglide, também é conhecido por levar os cabelos embora. Sinceridade, se amarrasse uma pipa no sissy bar, era capaz de levantar a dona stefânia.

Voltamos para a estrada, deixamos para a trás a maravilhosa vista e trocamos o vento de arrancar os cabelos pelo vento no peito. Se bem que somente eu troquei, afinal Broto Jr colocou uma bolha na Viragosa. Não sei se dona stefânia ficaria bonita com uma, mas eu prefiro mesmo o vento no peito.

No Viaduto das Almas, as obras para algum dia ligar o novo viaduto já pronto com a pista da BR040 (dizem que entregam em 2010) atrasam um pouco a viagem. Eu não ligo, afinal se já é perigoso de carro passar próximo a caminhões e escavadeiras, de moto então. Já imaginou tomar uma conchada de escavadeira bem no meio da viseira? Fria.

Finalmente Congonhas e logo em seguida a saída para Ouro Branco. Em Ouro Branco um necessário pipi-stop. E então a parte mais esperada, o minúsculo, mas fantástico trecho de 30km da estrada real entre Ouro Branco e Ouro Preto. Reduzimos a marcha e fomos tranquilamente nos atentando a cada detalhe. A vista é algo a parte e a estrada através da serra é um espetáculo.

Paramos próximo a uma das antigas pontes de pedra da estrada original (ficam fora do asfalto para o trãnsito não danificar) para uma sessão de fotos. Se não me engano são no total 5 pontes. Se considerar que foram erguidas a uns 300 anos atrás e ainda estarem lá, temos que respeitar a capacidade dos antigos arquitetos e operários. Eu particularmente acho algo para se orgulhar do ser humano, apesar de todos os nossos defeitos e pecados.

Em seguida passamos em frente a saída para Lavras Novas e continuamos em direção a Ouro Preto. Um novo pit-stop na Praça Tiradentes. Atenção dessa vez foi só pit-stop, não venham nos chamar de vândalos e pessoas sem pudor que se aliviam num patrimônio histórico. Tinha uma galera grande lá também a passeio de moto, provavelmente a caminho de um moto encontro que estava tendo em Ponte Nova.

Seguimos para Mariana onde almoçamos para repor a energia. Como eu tinha que participar de um seminário no domingo e segunda em Bhz e não podia ir com dona stefânia, deixei ela em Mariana e subi de volta para Bhz, acompanhando Broto Jr de picareta.

Com a vontade satisfeita com relação ao passeio na estrada real, ficou uma sensação de que deixamos algo para trás… Ah, é! Foi a má sorte lá no cabo do hodômetro solto.