Prudens quid pluma niger secundum

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13/06/13 renascimento

Ainda me restavam quatro preciosos dias de viagem e tendo conseguido organizar uma visita a praticamente todo mundo e passeado por estradas praticamente conhecidas, era momento de encontrar comigo mesmo e em seguida partir para o desconhecido logo ali após uma encruzilhada. Desculpe, mas depois que se descobre que “uma viagem só vale a pena quando ela te transforma”, acabamos por buscar novas fornalhas e malearmos nossa alma novamente.

Porque não colocar uma música na vitrola?

Mas antes era prudente pedir a benção (que se mostrou necessária em seguida) daquele que tem a pena preta. E assim, saindo de Itaúna MG, rumei para a entrada de Ouro Preto MG. A velha MG431 que liga Itaúna MG com a BR381 Fernão Dias ficava cada minuto mais distante a medida em que avançava sobre a BR356. Naturalmente que tivemos o velho e bom banho de lama de mineração dos caminhões que trafegam na região de Itabirito MG, nos ensina a sermos humildes.
No trevo entre Ouro Preto MG e Mariana MG pego direção desta última, mas apenas para descer um pequeno trecho de serra até o bairro de Bauxita (não é uma serra do rio do rastro mas tem lá suas traiçoeiras curvas) e de lá pegar a bipolar MG129 ou MG443, que já que não sabe qual sigla deve ter, carinhosamente mantemos sua nomenclatura original de Estrada Real. Um trecho de apenas 32km da estrada completa entre Ouro Preto MG e Ouro Branco MG.

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

passeio na estrada real com Broto Jr, bons tempos

Era ainda idos de 2009 quando passei aqui a primeira vez com a saudosa dona stefânia e não tendo culhões para subir para Lavras Novas MG (tem um trevo mais ou menos na metade do trecho), acabei resolvendo subir por um outro trevo, mais a frente que desembocaria num conjunto de antenas.
Imaginei, uai, antenas, deve ser um topo de morro legal com um vista boa e lá me enfiei, moto e tudo. O pedaço de asfalto não durou mais que 200m e me vi enfrentando pela primeira vez uma estrada de terra com uma moto custom. Muita gente teria torcido o nariz, mas lembrei do que significava o DACS para o clã e me embrenhei vereda adentro.

serra de ouro branco

serra de ouro branco

Eventualmente, após pegar um entroncamento errado aqui, outro ali, rodar meio que perdido e lembrando que não tinha tanto combustível assim, consegui acertar o caminho serra acima. Uma estradinha de terra para matar saudade de dorothéia, companheira dos tempos de trilha, com aqueles belos rasgos de enchurrada que insistiam em dividir a atenção com o horizonte mágico a minha volta.

vai dizer que não sentiria saudades também?

vai dizer que não sentiria saudades também?

Praticamente um ano depois, eu acho, levei Nuanda lá também, ele ainda tinha a XT e ficou embasbacado de como eu conseguia subir naquela estrada com dona stefânia. Mas ao longo do caminho ele entendeu de onde tirava a motivação necessária para ir cada metro adiante. No topo do morro, apreciando a alvorada e além, decidimos oficializar que a Divisão de Ações Ciclísticas Sujas do Clã do Gallo Preto, ou DACS para os íntimos, deveria ser reconhecida onde estivéssemos, fosse asfalto ou terra.

estrada real

estrada real

E era essa tradição toda que Srta. Hellen Dawson tinha agora a sua disposição para não se mostrar acanhada a enfrentar uma estrada digna de suas antepassadas que estiveram na segunda guerra mundial (ou você realmente acha que naquela época tinha maxi big ultra mega blaster trail dos infernos?). Naturalmente que os 100kg ou mais a mais do que dona stefânia e também considerando que dessa vez tinha bagagem traziam um tempero para o trem.

subindo a serra

subindo a serra

ainda falta muito?

ainda falta muito?

há algo mais entre o céu e a terra

há algo mais entre o céu e a terra

no topo

no topo

E lá em cima chegamos, para a incredulidade de uma casal que descia num uno velho e parou para me perguntar se eu estava perdido enquanto tirava umas fotos.

Não havia como explicar para eles o quanto eu estava realmente me encontrando.

perdido?

perdido?

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28/03/13 a aventura so começa quando algo da errado

Havia já algum tempo que devia uma visita ao Helton, companheiro do clã que mora em São Paulo. A mais ou menos um mês atrás deixamos marcado para o feriado da Semana Santa. Ficou ainda mais tranquilo de ir quando descobri que a empresa resolveu, além da sexta feira, abrir uma folga também na quinta. Perfeito.
Nisso o Maia estava naquele frenesi danado, o que comumente chamamos de fogo no brioco, para acertar o recém adquirido mastertune. E ainda tinha cismado de passar para o tal estágio dois lá com o Paulinho Henn em Campinas.
– E o que diabos é estágio dois? questionei.
– Coisa simples, se troca o comando de válvulas.
– Cai alho.
Realmente concordo que a mapa de injeção original das HDs é muito ruim (coisa para atender legislação de consumo e emissões), o que praticamente mata o motor de 1600cc. E assim tive a idéia de aproveitar o ensejo e fazer o remapeamento da srta. Hellen Dawson.
Nuanda, velho companheiro de batalhas barrentas e a sua maneira responsável por hoje existir o DACS no clã (falo sobre isso novamente numa próxima oportunidade), ainda pretendia fazer uma surpresa ao aparecer do nada lá em Sampa. Pronto, estava tudo organizado.
Srta. Hellen Dawson vinha de um banho de loja considerável, pois aproveitando o par de sapatos novos da Michelin, resolvi dar uma geral na pintura, cromados e rodas. E lá se foi polimento em tudo, modéstia as favas ficou muito bom o serviço na Ayso Motos. Além da nova tatuagem providenciada com o Mestre Marcio Langer. Melhor que isso somente cromando tudo novamente como fez o Chassis com sua Shadow (e essa ficou igual zero km, linda).

Hellen Dawson e sua nova tatuagem

Hellen Dawson e sua nova tatuagem

Na quarta a noite deixei tudo montado e organizado. Quer dizer, apanhei para montar de volta a grelha do bagageiro, pois seu encaixe não bate com o do banco novo. Era acordar cedo na quinta, 04:30 da matina para ser preciso e zarpar rumo à paulicéia. Toda a parafernália de proteção que se tem direito, já que estava chovendo lá fora, viro a chave central, desligo o mata motor, todas as luzes de espia se acendem e se apagam indicando tudo sob controle. Só dar a partida e ouvir a música do escape curto (outro mimo comprado para a menina recentemente).
Então Fantini, só dar a partida. Fantini? A partida.
– Estou tentando! Cai alho! Estou tentando!
Uma, duas, três. A parafernália de proteção começa a pesar e a segunda pele que deveria manter o frio distante começa a se tornar uma sauna. Olha aqui, olha acolá, dá a partida e um “tec-tec-tec” elétrico e maldito do lado esquerdo abaixo do banco. E nada. Bom e isso porque na noite anterior estava funcionando de boa. Cai alho!
Pensei em desmontar a parte elétrica para verificar o que era, provavelmente pelo tipo de sintoma o relé de partida ou a bateria (fiquei com o farol ligado montando a maldita grelha), mas o suor escorrendo dentro do capacete e a frustação daquela melindrada de Srta. Hellen Dawson, empacando feito uma mula de carga só porque estava chovendo, me fez negar tudo aquilo que acredito, subir em casa, tirar toda a couraça, tomar uma ducha, vestir uma bermuda e ir com a Noviça Rebelde, a picape que tomou lugar da antiga Picareta.
Já estava na altura do Rio quando vi a mensagem do Nuanda confirmando que a dragstar dele também havia apresentado problema. Só que mecânico, carburador afogando e moto sem força na alta. Já pensei no giclê de alta. Depois não consegui falar com ele para saber se precisava de ajuda. Isso porque estava na BR101 vindo de Vitória e ele descendo a BR262 (Fernão Dias) a partir de Bhz. E qual o problema? Se precisasse, atravessava no meio das estradinhas vicinais e salvava ele lá onde estivesse. Ou então poderia acabar de negar de vez o que consideramos ser o clã e botar fogo na fúnebre flâmula.

fúnebre flâmula

fúnebre flâmula

E o Maia? A essa altura lá na oficina em Campinas estava se divertindo botando fogo do escape e fazendo o Joaquim Daniel dançar ao som do velho e bom V2. Filho de uma boa mãe!
Cheguei em Sampa e, como sempre, me perdi para chegar na casa do Helton. E olha que não é tão difícil assim chegar na casa dele em Vila Mariana. Depois de errar três vezes porque fui confiar mais no GPS do que na minha memória, instinto e placas (sim, todas indicavam perfeitamente o caminho se tivesse seguido), uma hora depois encontrava com os dois irmãos.
Estendemos a fúnebre flâmula e pronto, um posto avançado do conclave marajoense estava formado. A RFEIM existe onde um membro do clã estiver. O Musquito, outro companheiro que também resolveu morar na selva de pedra nos acompanhou noite adentro, dividindo nossas histórias e mentiras e muita Heineken. Quer dizer, o franga do Musquito trouxe skol.
Como sexta era feriado, decidimos que não tinha muito o que fazer quanto a moto do Nuanda, até porque não tinha ferramentas para verificar o maldito carburador. Começamos a verificar as opções que tinhámos, um reboque de volta a Bhz ficaria muito caro. Mas caro mesmo era demover Nuanda de voltar com a moto naquele estado. Não era seguro.
– Não vou deixar em oficina aqui não, preciso da moto no dia a dia.
Com muito custo conseguimos convencê-lo que poderia pegar a Honda Biz emprestada do Gustavinho.

A honda biz do Gustavinho

– Essa eu queria filmar e…
– Helton, cai alho! Sossega!
Incomodei o camarada Nishida, grande Nishida, para saber se conseguia algum mecânico próximo. Arrumou logo três opções e ainda verificou novamente um reboque para Bhz. Realmente o coração é muito maior que a pessoa. Se bem que ele é baixinho igual eu. Rsrs.
Na sexta a noite fomos encontrar com a Nina, capitã das fumos que vieram de Bhz para o Lollapalooza, e fomos parar lá na tal Vila Madalena. Como estava todo mundo virado de viagem (no caso delas) e cachaçada (a gente), não sobrevimemos ao segundo buteco. É a vai idade. Antigamente durávamos no mínimo três butecos. Mas vai lá.
No sábado cedo, ok, quase cedo, já estávamos na GO a procura de uma oficina para deixar a dragstar do Nuanda. Isso porque as opções que o Nishida passou, coitado, furaram o olho do japonês e estavam fechadas. Pergunta daqui e de lá, descobrimos uma oficina que poderia atender, mas ficava para o lado da Av Cruzeiro do Sul. Não me perguntem detalhes, já viram lá no início que não consigo chegar nem em Vila Mariana sem ficar perdido. Bom, basta indicar que é a Podium Motos. O pessoal foi muito cordial, mas a atendente foi cética.
– Só poderemos olhar a moto segunda.
Eu pensando menos mal, já que conseguimos uma oficina, Nuanda com uma lágrima nos olhos e o Helton já ia zoar novamente a história da Honda Bis. Cai alho! Sossega Helton!
Fomos caçar algo para tapar a fome, não tinha mais o que fazer. Quando já estava acabando o exagerado pastel de 30cm da lanchonete que não lembro o nome, já lá de volta para os lados de Vila Mariana, o telefone do Nuanda toca.
– Ah! Sim, é o Rafael, tá, sério, tá, então tá. Daqui uma hora? Tá, então tá.
– Nem precisa falar, pela sua expressão é da oficina, só falta dizer que a moto está pronta? perguntei.
Olha só, eu sou muito pé atrás com São Paulo. Acho o custo de vida, a tensão do dia a dia atribulado, o trânsito caótico, bom, o conjunto da obra algo que não me agrada. Mas descobrir que uma oficina desmonta o carburador, limpa, regula, monta de novo e entrega num intervalo de três horas (ou menos), isso porque era sábado após um feriado, me faz queimar a língua.
Não é que a moto ficou boa. Alguém vai dizer que a gente deveria ter resolvido por conta própria. Sim, concordo, mas como já havia dito, não possuíamos as ferramentas para tal. Os puristas que nos perdoem.
Resolvido a pior parte, vou saber do Maia se estava tudo bem.
– Velho, instalei um freio novo já que você reclamou que o original não estava muito adequado para a nova potência da moto.
– Mas como assim, era só regular, não precisava trocar.
– É que agora a Lily Monster passa dos 200.
Desliguei o telefone. E pensar que até um mês atrás o cara era um pacato professor universitário.
No domingo cada um caçou seu rumo. Nuanda subiu para Bhz e eu desci a Dutra para o Rio para em seguida pegar a BR101. O Helton acho que ainda estava dormindo quando cheguei em Vitória. O Maia? Velho deve ter chegado no dia anterior ao ultrapassar a barreira do tempo e o espaço. Cai alho!
Srta. Hellen Dawson estava lá impassível. Perdeu a oportunidade de receber fôlego novo com o remapeamento da injeção, mocinha maldita. Mas é assim mesmo, a aventura só começa quando algo dá errado. Se bem que preferi todas as vezes que algo deu errado no meio da viagem e não antes de começá-la.


08/03/13 era para ser mais um teste de abraçadeira

A um pouco mais de um ano atrás estive em Prado BA com o objetivo de verificar se as abraçadeiras que havia trocado do acabamento do escape da saudosa dona stefânia haviam ficado firmes. Sabe como é, essas coisas tem que ser verificadas e nada como uma voltinha de 450km para ter certeza de que havia ficado bem montado.
Ainda tinha combinado de verificar as condições do asfalto para a turma que subiria de Bhz na semana seguinte. Eu também tinha a intenção de voltar no outro fim de semana, mas uma pane na bobina fez dona stefânia ir para o estaleiro e me obrigar a encontrar com o povo de carro mesmo.
Estávamos eu, Nuanda e Hermano, representando o povo do clã e mais três casais amigos nossos que não têm clube. Nos divertimos bastante e sei que tiveram um agradável passeio por terem vindo juntos e voltado juntos.
Dessa vez fui com o pessoal daqui de Vitória: Chico, Marcão e Nilza e o maluco do Jansen, cada um carregando sua bandeira, mas dividindo os mesmos momentos na estrada. Somente o Jansen que teve que voltar um dia antes devido a compromissos de trabalho.

viagem em grupo

viagem em grupo

Ah! E tinha o Maia, mas o doido resolveu viajar a noite sozinho. O que que eu posso fazer se o desinfeliz quer passar por todo e qualquer rito de passagem para ficar citando Nietzsche. Espero que não resolva também pegar uma estrada de terra a noite. Se bem que depois levo ele lá no trecho que já fiz a noite, que sai da BR101 até Nova Viçosa BA, só para ver se ele tem braço mesmo.

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

nietzsche sempre se irritou porque nunca esteve numa 3a6a!

Como estou com a missão de acabar de vez com os pneus da srta. Hellen Dawson, a voltinha de 450km vinha a calhar, ainda mais que há um grande trecho de reta sem fim para alegria da maioria dos donos de custom. Para minha sorte, há uma pá de curvas para todos os gostos e velocidades, assim poderia gastar também a lateral dos pneus.
E ainda precisava saber se as abraçadeiras do escape novo, trocado na semana anterior, estavam bem fixadas.

nenhuma peça do escape caiu até aqui

nenhuma peça do escape caiu até aqui

Como todo encontro é basicamente a mesma coisa, basta dizer que em Prado BA se tem a praia à disposição. Mas considerando o péssimo atendimento local, cai alho Fantini, pega leve. Ok, considerando o péssimo atendimento que tivemos na barraca que ficamos, acho que era Barraca do Toti, ter a paisagem da praia salvou.
O Maia havia nos dado a missão de conversar com o tal Joaquim Gente Fina, infelizmente e apesar de não ter faltado assunto, ficou ainda um dedo de prosa para terminar com o distinto.

o joaquim gente fina

o joaquim gente fina

Retornamos no domingo. O mesmo calor escaldante da viagem na sexta. Não, não tente isso em casa, mas resolvi ir somente com uma calça e uma blusa jeans surrada e o velho e bom colete do clã para me proteger. Aí, alguém vai levantar o manto da segurança pessoal, que devia dar o bom exemplo e o cai alho a quatro. A única resposta que tenho é que sim, em Minas uso segunda pele, jaqueta, calça de cordura, mas lá o clima permite. A 40°C a sombra, é melhor ir com uma roupa mais arejada para não desidratar e desmaiar em cima da moto.
E deve ter sido o que aconteceu com um casal que o Maia (ele voltou um pouco mais cedo que nós) encontrou estatelado no chão. Procurou saber se estavam bem e se precisavam de alguma coisa. Responderam que não precisava se preocupar, mas pediram que avisasse o companheiro de clube deles.
E lá foi o carismático Maia de posto em posto até achar o distinto 100km depois.
– Cara, pediram para avisar que seu amigo, Daniel, se acidentou.
– Mesmo, nó, que pena. Mas 100kms atrás, né? Tá longe, não adianta nada eu voltar lá, vou seguir.
Por sorte e porque o Maia é um cara de paz, outro membro desse pseudo motoclube também não sofreu um acidente.
Além de realmente estar abismado com a situação, eu não sei o que faria com um espírito de porco desses se tivesse ouvido isso.
Fiquei pensando no ótimo passeio que tivemos a um ano atrás, no passeio desse fim de semana. Fora as outras pequenas voltas que tive aqui por perto de Vitória com o pessoal bacana que tenho conhecido aqui. Mas a cada dia que vejo essas pessoas fantasiadas, menos me cobro por preferir viajar “sozinho”.

Não viajo sozinho

Não viajo sozinho

Afinal, enquanto estiver carregando a fúnebre flâmula, sei que sempre o povo do clã viaja comigo e nunca, nunca abandonamos ninguém.


27/10/12 pontes

Escrevi recentemente para um irmão a respeito da importância da criação de pontes entre as pessoas e como admirava essa capacidade nele. De uns tempos para cá tenho batalhado muito esse tipo de coisa e tenho certeza que o motoqueirismo tenha facilitado desenvolver essa faculdade em quem, como eu, não nasceu com ela.
Eu queria e precisava simplesmente retirar a cera dos sapatos novos de dona stefânia. Realmente a inveja mata, mas no caso foi só o bom exemplo do Christian que me deixou com vontade de aproveitar a necessidade de troca dos pneus para colocar um par de faixas brancas. Christian, meu muito obrigado por me deixar na pilha ao ver o resultado na sua moto. E dona stefânia também agradece.
E lá estava eu confabulando para onde ir, tinha planos de ver uns negócios em Sampa e aproveitar para visitar o velho Ghan e de quebra o casal Tavares (nossos irmãos de clã), mas precisaria de mais prazo. Havia ainda um pequeno encontro aqui em Vitória mesmo para ir com o Chico. Ou o churrasco da Pagu. E finalmente tinha o Outubro Negro, festa do calendário oficial do clã em Bhz.
O que quero dizer é que se não estivesse exercitando a difícil mas necessária arte de construir pontes, é provável que teria que ir somente ali no posto do café sozinho mesmo.
Assim resolvi fazer uma surpresa ao irmão Nuanda, indo de supetão para Bhz, afinal somente 600km, viagem rápida. E com certeza teria bastante asfalto para tirar a cera do pneu novo de dona stefânia. A surpresa quase deu certo (houve boatos da minha ida), mas no final vendo a alegria do Nuanda com minha presença compensou ficar só no refrigerante e água para ter condições de voltar no dia seguinte. Isso mesmo, sai sábado cedo, fui na festa, voltei para Casa do Imperador, dormi, domingo cedo já estava voltando. Atravessando pontes estrada afora e pavimentando mais ainda a que tenho com meu querido irmão de clã.


E naturalmente que reencontrar todos os demais irmãos do clã também foi especial, mas azar o de vocês, o aniversário era dele.
Mas como sempre tem algo de inusitado para tornar as viagens mais divertidas, logo na primeira parada em Ibatiba, observando dona stefânia com suas meias de seda, sexy e bandida, vi que os retentores das duas bengalas estavam melejando. Maravilha, aquele buraco subindo a serra doeu mais que na minha coluna. Após alguns cálculos resolvi seguir viagem. Na ida nem atrapalhou muito, exceto em algumas curvas do trecho entre João Monlevade e Bhz, onde percebia que a suspensão já estava um pouco dura para as manobras.
Na volta é que foi a sensação. Lembrei de um outro camarada reclamando sobre dor nas costas. Acho que ele teria morrido no meu lugar. O asfalto da BR381 / BR262 em Minas foi recapeado recentemente e não tem buracos, mas as costelas, invisíveis a olho nu, mas bem sensíveis numa moto custom com perda de óleo nas bengalas, estavam demais. Eu fui contando os solavancos e acho que atingi um recorde pessoal de 35 solavancos por quilômetro. A certo momento pensei até que estava montado na dorothéia e não em dona stefânia. A coisa só melhorou quanto alcancei o Espírito Santo. Com menos trânsito de caminhões, o asfalto está menos desnivelado e assim consegui reduzir a média de solavancos.
Enfim, não foi necessário nenhum analgésico para minha grata surpresa. Tudo bem que tem a praia para dar uma boa relaxada pós viagem, ainda mais nesse calor e com horário de verão.
Ou talvez seja só resultado da sensação de atravessar as pontes que criamos com as pessoas que amamos de coração.


14/09/12 quem sabe se experimenta com uma full hd

Eu estava na loja / oficina do Chico essa semana comentando sobre como dona stefânia tinha ficado suja no pulo a Monte Verde MG (deixei ela lá para lavar) e aproveitando o dedo de prosa fui conferir a data e a quilometragem da última geral para saber se já era hora de trocar o óleo do cardan.
Ele começou a rir que era uma absurdo só me conhecer a 6 meses e já estar na hora de trocar o óleo do cardan que é a cada 10.000km. Sim, 10.000km de viagens em 6 meses, mais um bocado de boas amizades no mesmo período, como o grande Chico ou a própria Pagu, daqui de Vitória ES.
Mas os últimos 2.000km dessa empreitada somaram na última viagem no fim de semana que passou, com a volta ali na esquina de Monte Verde MG a convite da turma dos DOGs de Bhz, Carlão da Carlinha e Matheus da Zelda. O povo do clã resolveu ir em peso, inclusive o povo que não é DACS (ainda), afinal o clã nasceu bem antes da paixão de alguns por motoqueirismo.
Uma das vantagens de uma viagem longa é experimentar vários climas num mesmo dia, coisa que não se percebe numa viagem de carro hermeticamente fechado em seu ar condicionado e som de dvd. Na estrada o ar é que te condiciona a aceitar o frio do sereno da madrugada ao sair, combinado com o calor escaldante do sol a pino no meio dia, para te entregar a temperatura amena do fim de tarde. Com sorte ainda pode ser presenteado com um pôr do sol.

um pôr do sol de presente

um pôr do sol de presente

Juro que dá para ver da janela do apartamento. Basta dependurar sua tv full hd na janela e escolher algum canal com belas imagens.

talvez fique bom na full hd

talvez fique bom na full hd

No caminho tive a infelicidade de parar em Oliveira MG, porque senão teria uma pane seca em seguida. Não quis arriscar voltar empurrando dona stefânia e ficar com sede. A água de lá não é muito benta. Que o diga o Broto Jr.
E o asfalto em si, tanto da BR262, quanto da BR381, estava convidativo, com uma dose adequada de curvas que tornam a viagem mais animada, já que particularmente não curto muito as infindáveis retas de alguns trechos da BR101 das últimas empreitadas.
Cheguei e já encontrei o pessoal a toda na pousada com mais de meia grade e meia animando a conversa, foi difícil entrar no ritmo. O evento em si ainda estava vazio na noite de sexta e o jeito foi continuar na pousada. Após Mestre Trindade desempenhar seus ofícios de desperdício de bebida e ainda discutirmos ufologia até acabar com as cervejas importadas que o Helton trouxe, resolvemos dormir. Até porque o Carlão da Carlinha já estava para reclamar que não entendia para que tanto barulho as duas da matina.

Vista da Pousada Locanda Belvedere

Vista da Pousada Locanda Belvedere

No sábado o calor estava demais durante o dia e acabou que a turma se espalhou para conhecer a cidade. Monte Verde MG tem uns passeios legais de cavalo, caminhada, trekking e quadricíclo. Ah! Tem aeroporto para quem quiser ir de avião e enviar a moto por carreto. Parte de turma resolveu ir para o quadricíclo, parte resolveu dar uma descansada para a noite e eu fiquei lá passeando com a velha heineken mesmo porque estava com preguiça. Até encontrei com o Peralta e foi bom saber que apesar do susto em Penedo RJ já estava ali para contar a história.
Ainda peguei um resto de final de tarde do evento, com uma banda muito boa cover do Iron Maiden (tinha até o Eddie!) e depois fui dormir. Não deu para ver como foi o evento a noite e madrugada adentro porque já havia combinado com a dona da pousada que ia acordar mais cedo no domingo só para me preparar um café.

Eddie e a Infinity Dreams

Eddie e a Infinity Dreams

Domingo cedo, aquela serração fina e cortante, o vento gelado, atravessei a área do evento que não estava com vontade de pegar o desvio que deixaram por uma estradinha de terra e já estava descendo a sinosa estrada que dá acesso a Monte Verde MG. Parei para ver o nascer do sol, mesmo que seja possível ver na tv full hd.

o sol de um novo dia

o sol de um novo dia

Na volta tive que fazer uma parada emergencial devido a uma tarefa indelegável, o que atrapalhou um pouco a programação que tinha traçado de paradas de abastecimento. Poderia ter segurado até o posto em Oliveira MG, mas se tomando a água já complica, imagina se bate na bunda, aí fudeu de vez. Melhor não arriscar.

aqui é melhor ficar com sede

aqui é melhor ficar com sede

Belo Horizonte MG e metade da viagem ficavam para trás na subida da perigosa BR381 no trecho até João Monlevade MG. O engraçado é que vi dois acidentes de caminhão na reta no trecho Bhz – Sampa, provavelmente porque o motorista dormiu, não tem explicação. Enquato isso na chamada rodovia da morte, nada de mais, graças a um bocado de radares bem posicionados antes das curvas mais travadas.
Final do dia e fazia a última parada em Venda Nova do Imigrante ES, o tempo escureceu e desci a região serrana do ES praticamente no faro. Porque ora era o farol de dona stefânia que não ajudava no breu danado, ora era algum desinfeliz que subia no sentido contrário com o farol alto.
Não importa, completei mais 10.000km de estradas, dando motivo para o Nuanda continuar a me chamar de “iron butt”, estive junto do povo do clã num ótimo fim de semana, ajudei o Carlão da Carlinha a manter sua ranzinice e ainda economizei a grana que teria que gastar numa tv full hd. Perfeito.


25/02/12 somente para testar a abraçadeira

Ano passado fiz um escambo com o companheiro Hermano João, me desfazendo de um escape corneta que fazia a voz de dona stefânia desde que a conheci. Peguei um JJ de 2.1/2″ em troca. Fazia parte de uma decisão pessoal de tirar a roupagem “call me a lady” de dona stefânia e deixar ela mais “tell me I’m bitch”. E lá se foram alforjes, sissybar, setas (essas ainda falta trocar as traseiras), banco da garupa. Com o JJ rasgando o verbo, diversão garantida.
Mas como tudo não são flores, uma peça de acabamento do maledeto JJ atrapalha na hora de retirar a tampa para troca do filtro de óleo. E nessa de toda vez afrouxar a abraçadeira metálica (daquelas de parafuso) para tirar a peça, acho que na última viagem à Araxá MG, a danada arrebentou. Isso foi lá no natal, mas final de ano, compromissos em janeiro, visitas a Bhz, viagens pela empresa, me travavam a agenda para arrumar a bagaça. E a peça lá desbeiçada.
Consegui finalmente no último sábado cedo comprar abraçadeiras novas e me pus em mais uma ordinary mechanical class. Que cai alho! Não que fosse difícil montar a abraçadeira, mas a posição não ajudava em nada. Depois de quase perder o dedo indicador esquerdo e a paciência, a maledeta montou. Com todo o esforço feito, resolvi que devia testar se tinha ficado firme. Pensei na promessa de verificar a estrada para Prado BA para a turma de Bhz em função do encontro na outra semana.
Lá estava eu na lua de 13:00 subindo a BR101 sentido BA. Na bagagem somente a sacola de lona com uma muda de roupa e a bandeira do Clã. E a jaqueta! Sim, estava quente para cai alho e impossível de usar a jaqueta. Não, não recomendo isso para ninguém, afinal estava na estrada. Parei em Linhares ES e em seguida em Pedro Canário ES, quase na divisa com BA.
Até aqui a estrada ainda era conhecida e tirando a interminável reta a partir de Linhares ES que até dá dormência no olhos, somente está ruim mesmo o trecho após Pedro Canário ES até uns 15 a 20 km após a divisa. Havia bastante trânsito de treminhões típicos da região de eucaliptos para as empresas de celulose locais, mesmo sendo sábado após o carnaval.
Mas o que me preocupava mesmo era o calor. Estava mais quente que o normal para a época e região. Continuava sem jaqueta, usando só o colete sobre a camisa de malha cumprida. Passei o trevo de Nanuque MG / Nova Viçosa BA, sim aquele que me infurnei numa estrada de terra de 70 km até Nova Viçosa BA numa outra desaventura, e para a alegria da turma de Bhz que virá por Teófilo Otoni MG, a partir desse ponto a estrada está boa, exceto pela falta de acostamento. Basta ter atenção com o trânsito.
E o calor! Cai alho! De repente sumiu e não era por causa do fim do dia, ainda era umas 17:00 no horário de verão. Aí vi um lindo arco íris no lado direito do horizonte. Parei para tirar uma foto. Mirando a câmera vi a tempestade que se formou bem para onde a estrada apontava. Botei a jaqueta, afinal não tinha trago capa de chuva e fui. Foram uns bons 20 ou 30 km debaixo de chuva forte. Ainda bem, não aguentava mais o calor.
Logo apareceria Teixeira de Freitas BA e a saída para Prado BA. Essa estrada leva ainda a Alcobaça BA atravessando campos de eucaliptos e pastos. Bem a cara de estradinhas vicinais do interior de Minas. Muito gostoso esse trecho e com o sol já se pondo, foi um espetáculo a parte.
Prado BA parecia uma cidade fantasma, se tinha algum folião ali, tinha ido embora antes da quarta feira de cinzas. É bem pequena. Se for aparecer muita gente no encontro, vai ser um inferno. Paciência, já combinei de estar aqui novamente com o povo do Clã.
No domingo depois de uma ida rápida à praia para conhecer, peguei estrada para evitar o calor que passei no sábado (saindo depois do almoço). Passei rápido em Alcobaça BA só para conhecer, rendeu uma foto próximo a um farol. E de volta a estradinha agradável e em seguida na BR101. O sol continuava a pino e a água de coco em Pedro Canário ES não adiantou muito.
Resolvi rodar até Itaúnas ES, próximo de Conceição da Barra ES, famosa pelas dunas e pelo forró e parar para almoçar e fugir do sol de meio dia. Peraí, Fantini, li no guia turístico que para chegar lá tem que pegar estrada de terra. E daí? Depois é só jogar um balde de água na moto que lavou está novo. 20 km de pura diversão. Ainda não conhecia Itaúnas (e olha que o Nuanda já havia indicado a mais tempo) e que lugar agradável e muito bonito. Recomendo a visita. Fui com dona stefânia até próximo das dunas e só não avancei mais por causa da areia que começou a ficar fofa. Ia ser complicado manobrar ali.
Subi uma das dunas e mais a frente havia barracas na beira da praia. A calça jeans, o coturno e o calor escaldande me demoveram da idéia de andar uns bons 900 m ou mais até lá. Voltei para a cidade que fica do outro lado do rio e almocei num restaurante próximo a praça ou melhor dizendo gramado da matriz. Lembra muito o quadrado lá de Trancoso BA. Merece um visita com mais tempo na próxima empreitada.
Já eram 14:00 quando pequei a estrada novamente. Nada de abrandar o calor, vamos embora assim mesmo. Depois de pegar um trânsito razoável (pelo jeito haviam sim foliões que esticaram o carnaval), cheguei em Vitória ES no fim do dia.
E a abraçadeira? Alguém deve ter se perguntado. Bom não soltou nos quase 1.000 km de teste. Acho que ficou boa.


24/10/11 mas bá, esse guri estais a falar de ti

Nosso amigo comunicólogo tentando ser charmoso:

http://download.sgr.globo.com/sgr-mp3/cbn/2011/colunas/papo_111024.mp3


02/07/11 consulta rápida no dentista

Fazem quinze dias que mudei de estado e cidade, vindo parar em Vitória no Espírito Santo. Vamos ver se dessa vez eu paro quieto num canto, empresa nova, vida nova, mas não vem ao caso. Havia trago boa parte da mudança (algumas coisas foram parar em Bhz porque na nova república já havia alguns móveis), mas dona stefânia, tadinha ficou para traz em Mariana. Não satisfeito em abandoná-la a própria sorte durante esses quinze dias, ainda moveram a coitada de garagem, porque na antiga república, a dona resolvera reformar a alvenaria e terminar o revestimento. E eu aqui na fila do embarque para pegar o avião para Bhz com toda a parafernália – capacete, jaqueta, coturno, alfoje, fora o kit de sobrevivência ao relento – protagonista de cenas insólitas, ao menos que você, caro amigo, já tenha visto algum motociclista nesta situação desconfortável. No check-in aceitaram que eu levasse as tralhas como bagagem de mão, menos mal. Depois de um pequeno atraso, embarque. Tive que pedir desculpas aos demais passageiros porque não conseguia enfiar o maldito alforje no compartimento de bagagem e antes que a comissária reclamasse, enfiei ele entre as pernas. O que já é desconfortável, ficou mais ainda. Seriam os 50min mais longos de minha vida, não fosse a sorte de sobrar um assento exatamente ao meu lado! Ser motociclista com fama de mal encarado, tem suas vantagens! Então fomos nós, eu e meu alforje, cada um em seu assento devidamente alojados. No desembarque pai estava lá para me dar carona, bem, quase, perdera o celular que achamos em seguida e sumiu lá no saguão. Encontramos com a mãe do Hugo, ele estava chegando para férias em Bhz (consegue estar mais distante que eu morando no Acre) e não podia deixar de esperar para dar um abraço no velho amigo. Puta coincidência. Igual uma vez em Iriri. Bem, essa de Iriri, foi mais coincidência ainda (mas é outro causo). Retorno para Bhz, família junta, uma visão geral das reformas lá em casa e se esbaldar na melhor feijoada da cidade que fica no quarteirão seguinte lá da rua. Além de bom, é barato. E ainda temos que brigar com a cozinheira para ela colocar pouca comida no prato feito. Muitos amigos já penduraram as chuteiras depois do prato cheio. Pena que o prazo era pouco para ainda pegar um trupico. Pai me levou até Mariana e a ansiedade já era grande. “Acha que ela vai funcionar?” perguntou com seu sutil sarcasmo de sempre. “Cai alho! Claro que vai.” Na verdade gastei mais tempo chamando a proprietária do estacionamento onde dona stefânia estava, do que tentando ligá-la depois dos quinze dias apagada. Uai, ela ligou depois de seis meses sem minha presença enquanto estava no Pará e dessa vez só engasgou para fazer charme. Maravilha de ronco em seguida! Despedi de pai e fui para São João Del Rey. Já havia solicitado um canto no terraço da casa do Daniel Spectro, do Filhos da Revolução, e apesar do incômodo durante o translado aéreo, o kit relento viria bem a calhar. Viria nada! O desinfeliz não deixou eu curtir o espírito da coisa e me alojou num quarto com chuveiro quente e tudo. Muito agradecido, como sempre, pela hospitalidade do companheiro e família. A única ressalva era trazê-lo de volta hoje, porque ontem tinha chegado cedo de Tiradentes, cinco da matina. “Ao menos traz o pão da próxima vez”, reclamaram seus familiares. Depois do café e prosa, fomos para Tiradentes. Estava bombando, estava cheio, estava demais. Achei o povo do Clã por telefone, estavam no Dona Xepa esperando a bóia, cai alho, já era mais de oito da noite, aonde é que eu estava que gastei tanto tempo para chegar? Tentei falar com o Macedo por telefone e nada, só caixa postal, então galera do Rio, fica para próxima. Achei o Billy e o 02, do Banished, e o Peralta do Dogs. O Peralta estava tomando coca-cola! Cara consciente, mas reza a lenda que a cada latinha que comprava, ganhava dois misteriosos copinhos de dose. Galera de sampa, desculpe o pouco tempo de prosa, mas tinha que encontrar com o povo do Clã. Lá estavam Hermano João, Broto “Billie Jean” Jr e Nuanda e suas respectivas. Bom, Broto Jr com sua respectiva baixa resistência ao alcóol protagonizando nossa felicidade. Diga-se de passagem que o tal estabelecimento Dona Xepa é muito bom, bom demais se seu objetivo é ficar mais de hora esperando uma porção de batata frita, linguiça e costelinha. Tudo bem que o evento estava lotado, mas dentro da bodega estava vazio. Com essa demora também, está explicado. Até o chopp já chegava quente na mesa após 5min de translado entre a bomba e a mesa. Todos comidos, fomos para a tenda da Krug Bier, onde o camarada de 4 anos seguidos faz seu show de voz e violão interminável e sem intervalos. O cara deve ter um pacto com algum santo para conseguir ficar direto sem parar, muito bom e o repertório atendia, conforme Hermano João, “gregos e troianos”. “Espartanos também” acrescentei. Ainda encontramos o Ebin, do Rasta Brasil. Saudade quando esse cara tinha moto! “Vamos esperar até janeiro”, frisou comigo. Ademais, estava excepcional! Mesmo para mim que foi uma consulta rápida ao dentista, no dia seguinte cedo viria para Vitória. E quem não foi, simplesmente perdeu! Ah! E o Daniel Spectro sumiu no meio da multidão, minha sorte é que ele resolveu chegar logo depois de mim e evitou que seu pessoal puxasse minha orelha. Eta rapaz danado esse! Born to be uai!


04/06/11 visita ao juquinha

Quase teríamos um bonde antológico subindo para Serra do Cipó para um bate e volta sugerido pelo Hermano João a mais tempo. Tudo combinado, deixei os apetrechos organizados para partir sábado de manhã de Mariana para Bhz. Toda vez me lembro do comentário de um camarada a meu respeito: “Fantini, você é o único cara que eu conheço que viaja para viajar de moto”. Ele tem razão, toda vez que combino com alguém, tenho que me deslocar primeiro, para depois realmente passear.
Para o diabo! Mesmo o conhecido trajeto pela MG356 cortando o caminho para Ouro Preto, somado ao aumento de volume de trânsito com a interdição da saída da BR262/381 em Bhz com a queda da ponte sobre o Rio das Velhas, ou o frio cortante que fazia às 07:00 da matina, não impedem de considerar o deslocamento inicial parte do passeio.
E ainda aproveitei, já que o trecho é conhecido, para aprimorar o contorno de curvas com a utilização de contra-esterço e controle da aceleração. Se você ainda não faz isso e acha que é só subir numa moto e pronto, considere aproveitar todo e qualquer trecho para treinar e aprimorar sua condução. Seu anjo da guarda agradece.
O Nuanda já tinha avisado que compromissos de trabalho haviam reduzido seu fim de semana a somente o domingo. Mas foi chato receber a mensagem do Broto Jr indicando que não poderia vir mais devido a falecimento de um parente. Não pode nem se apresentar no tradicional café da manhã na padaria em frente ao Condomínio JK na Rua Timbiras – tradicional porque era de lá que partíamos para as trilhas e nossa farra na lama.
A atendente perguntou ao Nuanda se queria beber alguma coisa e ele: “pode deixar, vou pegar uma coquinha”. Voltou com um pet de 2 litros. Cai alho!
Partimos eu e Hermano João em direção a Lagoa Santa. Perguntou se iríamos pela Pedro I, mas sugeri irmos pela Cristiano Machado mesmo, até porque precisava abastecer porque meu passeio tinha iniciado a 130km atrás. O trânsito na Praça Raul Soares e depois no pequeno trecho da Andradas / Teresa Cristina até o Complexo da Lagoinha foi tranquilo. Na Cristiano Machado, o que incomoda mesmo é a obrigação de manter a velocidade no máximo a 60km/h. Não rende.
Pegamos a Linha Verde (antiga MG10) e assim pudemos sentir o vento no peito e o cheiro de asfalto. Apesar das críticas e das reclamações inerentes de quem foi expulso da região da Savassi para os lados de cá, ainda acho que o Centro Administrativo Trancredo Neves é uma obra a ser aplaudida pela sua beleza. Acho que um dia vou marcar um passeio só para tirar umas fotos com o imponente conjunto servindo de pano de fundo.
Chegamos a Lagoa Santa e me lembrei de sua aparência de cidade satélite pacada da época em que trabahava na região a bem mais de 9 anos atrás. Hoje tomada pela explosão imobilária de condomínios verdes e pelo trânsito de sitiantes de fim de semana, sua travessia para finalmente pegar a estrada para Serra do Cipó é um certo incômodo. Não importa, o destino justificava qualquer incômodo.
Serra do Cipó. O clima, a beleza natural, as corredezas sobre pedras do rio logo na entrada da região, a imponente serra. Um espetáculo a parte. Uma pena que seria somente um bate e volta, aqui merece um bate e fica para aproveitar o movimento noturno (tinha até um boteco que teria um show de jazz). Bom, mas aí lembrei do trânsito em Lagoa Santa na saída no domingo, rsrsrs e achei melhor o bate e volta saindo no sábado num horário atípico ao rush.
Subimos um trecho da serra para tirar fotos nos mirantes. Não é só as fotos que se tira. É também de se tirar o fôlego! Não, não tivemos que empurrar as motos por pane seca (abastecemos na saída de Bhz), mas a vista é maravilhosa e o mar de morros se estende até aonde a vista alcança.
Já era mais de meio dia e achamos prudente almoçar para voltar em seguida, pois havia a festa junina do Thiago Aguiar a noite. Resolvemos pegar o frango com quiabo a R$10,00 na Taberna do Léo. Recomendo demais. Eu e Hermano João comemos, comemos, empurramos comida para dentro e ainda sobrou. E além de farto, delicioso. Nada a se comparar com a minguada refeição em Honório Bicalho de outras desaventuras.
Mas além do ótimo prato e excelente atendimento, o ponto alto seria a chegada de três pseudos em suas máquinas cromadas e personalizadas com peças originais de fábrica. Tinha um que ostentava jaqueta, capacete, calça, bota, camiseta, bandana e até cueca da marca. Sinceridade, está para nascer gente mais caricata! É capaz de nunca terem pegados um viagem longa, afinal a discussão deles era que a jaqueta esquentava demais. Cai alho! Se eu fosse contar que já torrei debaixo de sol quente para em seguida atravessar 100km debaixo de chuva era capaz de me dizerem que isso não é motociclismo. Rachei! Mas gosto é gosto.
Após o kilo e alguns comentários sobre uma possível visita a Blumenau na Oktober Fest, voltamos e a estrada novamente nos apresentou sua singela combinação de fundo azul escuro com linhas amarelas e brancas. Às vezes numa reta a se perder de vista, em outras logo se perdia o que havia adiante no contorno da curva, até que o belo horizonte surgisse a nossa frente.
Beleza, mas e o Juquinha? Esqueceram de visitá-lo, não? Pois é, não achamos o dito cujo, teremos que voltar a Serra do Cipó outro dia.


25/06/10 de volta ao dentista

A região da Estrada Real, que concentra as cidades históricas de Minas da época do ciclo do ouro, tem um clima muito interessante no inverno. Por incrível que pareça faz calor durante o dia, a ponto de incomodar ficar exposto ao sol. Já à noite, a temperatura cai bruscamente e, ao arrepio de alguns amigos meus, faço uso do velho e bom cachecol. Considerando esse clima e não podendo perder o Tiradentes Motorfest no fim de semana (afinal seria um revival da primeira viagem com dona stefãnia), me programei para encontrar com amigos de Bhz, Nuanda, Ebin e Broto Jr, no sábado de manhã e descer para o dentista por volta de 09:00 no Posto Chefão na saída para o RJ. No final do dia subiria para Itaúna, pois também estava devendo uma visita (só tem quase um ano) a outro amigo, Flávio, que mora lá. Sexta logo cedo, aguardando reunião no escritório da empresa em Bhz (a unidade que trabalho fica em Mariana e nem precisa comentar que sai de madrugada de carro para estar cedo em Bhz), me aparece mensagem do Nuanda: “Fui”. Ca ialho, pensei, foi para onde diabos? Liguei para perguntar, não atendeu, mesmo depois de três tentativas. A resposta só vim a saber no meio da reunião com outra mensagem dele: “Tiradentes está demais, gente bonita e chopp da Krug. Se eu fosse você viria agora também”. A vantagem de nossos amigos e que podemos maldizê-los sem que isso gere qualquer intriga, portanto maldito Nuanda, isso lá é mensagem que se manda para alguém que está no meio de uma reunião discutindo um bocado de assuntos, menos moto? Depois ainda insistiu: “Já arrumei um quarto barato para passar a noite. Vem hoje mesmo”. Cai alho, vou dizer que foi um dos dias mais longos que já passei no escritório. Nem o interlúdio com aquela pelada que a seleção fez contra Portugal salvou. Finalmente 17:00 e estou livre. Livre? Bom, livre para voltar para Mariana. Uma ducha rápida (na verdade um chuveiro quente porque já estava frio), separa o essencial na bolsa de sissy-bar, três cuecas, quatro pares de meia, moleton, cachecol (lógico) e umas duas mudas de roupa. Armadura no corpo e pé na estrada. Já eram umas 20:00 quando sai de Mariana em direção a Tiradentes. Tanto o trecho da Estrada Real entre Ouro Preto e Ouro Branco e depois a interligação entre Congonhas e São João Del Rey, são estradas lindas com uma paisagem merecedora de muitas fotos. Bom, isso de dia, a noite e nesta época do ano, eu me perguntava se seria possível o Motul 5100 deixar de ser sintético e dona stefânia voltasse a ferver debaixo das minhas pernas como na época do Yamalube. Tudo bem, tudo bem, não serei tão rabugento, a lua cheia estava linda e era a cereja do bolo. OK, do sorvete. Em compensação acho que estou preparado para qualquer incursão ao Sul do país. Fora que companheiro cornija ficou lá encolhido, praguejando o frio, e nem me incomodou. Mais de 22:00 e chegava em São João Del Rey. Confirmei com o Nuanda onde encontrá-lo em Tiradentes e para lá fui, pela estrada velha mesmo, para o arrepio dos meus ossos que na conjunção do frio com os solavancos realmente pareceu que partiriam a qualquer momento. Tudo bem, o abraço do velho amigo ao encontrármos resolveu o problema. Tiradentes estava demais e principalmente a tenda da Krug Beer estava demais. Podem nossos amigos paulistas exaltar o Pinguim ou nossos companheiros cariocas aplaudir a Devassa, mas Krug Beer é cosa nostra! Chopp perfeito. Fora o camarada na voz e violão que estava muito engraçado com um repertório bem variado, passeando por vários clássicos. Ficamos lá com uma galera que o Nuanda conheceu durante o dia, pessoal muito bacana que vieram de speed. Antes disso, ainda vi o Tuí e o Alexandre Moreira lá na tenda da Motostreet. Por volta das 02:30 consideramos que já era hora de dar um tempo, mesmo porque o show acabara. No caminho para ir embora, não é que vemos novamente o Alexandre, agora acompanhado do Russo. Conseguiram nos segurar até depois de 04:00 da matina contando as peripécias do Russo para sair de Riberão Preto até Tiradentes. Não sei como ele conseguiu, mas deu uma boa volta por dentro da Lagoa de Furnas (até usou balsa), ficou perdido em estrada de terra, uma piada. Estava com a menina que conheçou em Riberão da época do passeio Dragueiro em Jardinópolis. Dois ótimos camaradas. Sábado de manhã, por volta de 07:30 fui agraciado com uma ligação do serviço bem no meio do meu sono embelezador. Informação sobre como estava o andamento de uma obra da empresa. A boa educação me impediu de falar que não queria saber daquilo naquele exato momento, mas foi uma informação pertinente. Segundo tempo de sono, 09:30 liga o Ebin: “Aqui, o Broto Jr não apareceu, como fazemos?”, “Larga a franga para trás” respondi e desliguei. Novamente a vantagem dos amigos é que podemos desligar na cara que ninguém deixa de te pagar cerveja por causa disso. Acordei mesmo por volta de 10:00. Banho e a surpresa de um super café na porta do quarto. Até que a “pousada” que o Nuanda arrumou era muito fina. No outro quarto tinha uma camarada com uma BMW, gente fina, mas não guardei o nome. Voltamos para o encontro e daqui a pouco esbarro com o Peninha, que estava meio com pressa e desapareceu na multidão. Mais um pouco e lá está o Ajota perdidão no meio do povo. Grande Ajota, companheiro de estrada e de muito encontros. Me confidenciou que já estava de olho numa moça de Goiânia. “Mas, Ajota, e a moça de Uberlândia?”, “Fantini, motociclista gosta de uma estrada, temos que ter vários destinos”. Realmente ele tem razão. Demos uma volta pelo evento e como eu disse o calor do dia começou a incomodar. Nenhuma notícia do Ebin ainda. Liguei, fizeram um pit-stop em São João Del Rey. Encontramos novamente a galera de speed de ontem. Vim a saber que uns deles queria mais que todo mundo se fodesse, explico, é dono de motel. Pouco depois de 14:00 despedimos do pessoal, dei um último abraço no Ajota e eu e Nuanda pegamos estrada. Ele tinha compromisso em Bhz e eu ainda tinha mais um asfalto até Itaúna. De dia a vista da estrada entre são João Del Rey e Congonhas é um espetáculo, viemos até num ritmo mais lento, lembrei-me do PE-49. Fomos assim até pouco depois de Lagoa Dourada, onde aceleramos o ritmo pois havia ficado um pouco tarde para nossos objetivos finais. Como ainda estava sem almoço um pequena parada em Congonhas para um pão de queijo. Despedi do Muamba, apesar que ainda dividiríamos a BR040 até o Anel Rodoviário, onde eu desceria para a Cidade Industrial e depois pegaria a Fernão Dias e ele desceria direto para Bhz pela Nossa Senhora do Carmo. Já sozinho na Fernão Dias, passei pelo velho caminho de sempre até Itaúna, passando por Igarapé e depois Itatiauçu. Quando parei para reabastecer na saída de Bhz, o frio já começara a cortar e melhorei minha condição térmica com um cachecol (sim, já deve ter alguém comentando: “cai alho de cachecol, Fantini”, mas faz muita diferença no frio). Cheguei na casa do amigo Flávio e a festa de aniversário da filha dele já estava bombando. O bom foi rever a Michele, uma amiga lá de Itaúna, linda como sempre. Aliás ela estava muito arrumada no vestido de festa e o brutamontes de jardim aqui (no alto dos meus 1,67m) com a armadura toda imunda por uma chuva de barro que tomei de uma carreta na estrada. Um cena típica de qualquer ser motoandante. Muita cerveja depois e ao fim da festa, lá estava eu capotado na cama improvisada na sala da casa. Tudo perfeito. Assisti aos dois excelentes jogos do domingo. Alemanha e Inglaterra, para mim até o momento o melhor jogo da Copa, e Argentina e México. Em seguida despedi do Flávio e família, missão Itaúna cumprida. Novamente a solidão do asfalto em direção a Mariana. Solidão? Lá estava eu com dona stefânia e companheiro cornija, este impagável e novamente praguejando o frio. Emprestei para ele o cachecol.