Prudens quid pluma niger secundum

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07/09/12 copacabana esse fim de semana o mar sou eu

A nova onda agora é comprar uma moto, uma passagem de avião e uma entrada de evento que garante o translado da moto de carretinha enquanto você viaja no conforto dos ares. Tudo muito bacana e granfino. No maior estilo motociclista que se tem direito. Dizem que até se ganha um brinde: tédio.
Como motoqueiro que sou, ainda prefiro vivenciar a estrada e suas incondizentes nuances de clima ao longo do dia, durante um trajeto longo. Fora os mosquistos, sujeira, a possibilidade de uma pane seca e mais uns trocentos itens, caso se inclua quebrar a unha encravada na lista.

sobre peso

sobre peso

Não tão cedo dessa vez como de costume, afinal estava levando garupa, lá estavámos eu e dona stefânia descendo a BR101 em direção a cidade maravilhosa. Aproveitamos o convite de amigos para aproveitar o feriado da pátria e porque não, uma pisada na areia de copacabana. Porque entrar na água já é outra história.
Enquanto vivenciava o calor escaldante que sempre faz no trecho a partir de Campos, pensei na aeromoça servindo o terceiro copo d’água para meu companheiro que faz o mesmo trecho por avião. Acho que vou juntar uns amigos e montar uma empresa de translado de motos: “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”. Pensa bem, viajamos de moto e ainda ganhando. Vou amadurecer a idéia.

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

copacabana, ipanema ou lagoa rodrigo de freitas?

O rio de janeiro continua a mesma coisa de sempre. Inclusive qualquer lugar para mim é copacabana como na foto. E para minha surpresa, o pessoal que nos recebeu acha que copacabana se tornou uma farofa só. Bem, concordo que estava lotado, mas convenhamos, era feriado. Gostaria ainda de pontuar um restaurante árabe que nos indicaram, não sei o que Faraj, muito bom. Não lembro a rua, mas é nos arredores da entrada da estação de metrô Cantagalo. Bom, salvo engano, mas qualquer coisa é ali no pé da Pavão Pavãozinho.
Sim, estávamos próximos da entrada do morro. Inclusive tem um albergue legal nessa entrada principal. Fora um bocado de botecos legais, bem cariocas, nas quadras próximas. Uma pena que não tinha mineiros suficientes para me acompanhar no chopp gelado.

faltou mineiro

faltou mineiro

No dia seguinte, estava de carona e isso foi um erro, passamos por um trecho do rio que não conhecia, contornando a Pedra da Gávea para sair na Barra da Tijuca. Antes disso tem uma estrada que vem rodeando o penhasco lá que não guardei o nome e o mar lá embaixo. Simplesmente fantástico. Vou ter que ir de novo só para passear ali com dona stefânia que ficou abandonada o feriado todo. Bom motivo para encontrar com o Marcelo que dessa vez não teve como.
No retorno saímos bem mais tarde que o de costume e já esperando pelo alegre sol na região entre Rio Bonito e Campos. Não sem motivo o posto que costumo parar neste trecho se chama Oásis. Mas no domingo estava excepcionalmente mais quente que o normal. Tenho certeza que os companheiros Cidão, Bart e Mikele vão dizer que eu não vi nada até atravessar o deserto, mas estava quente para cai alho!
Indiferente disso tudo, estrada perfeita, feriado muito bom, sendo muito bem recebido pelo pessoal que nos convidou para um fim de semana bacana. E dona stefânia não reclamou nem de ser abandonada na rua ou ter que carregar mais peso na estrada.
Mas é provável que reclame se eu resolver abrir a “Fantini and Brothers Moto Transfer Inc”, afinal não vai gostar de me ver rasgando asfalto por aí com outra motocicleta.

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05/08/12 revelações

Uma das bandas prediletas, afinal passei a adolescência e conheci meus melhores amigos ao som da mesma, é o Pearl Jam. E nada como refletir sobre a última viagem ao som de “Present Tense”. Eddie Vedder e companhia solta em alto e bom tom: “It makes much more sense to live in the present tense”. E a cada dia que passa, é isso que vejo ao pegar a estrada. Não sabemos exatamente o que nos espera, se o asfalto vai estar bom ou ruim, se vai fazer frio ou calor, se vai chover ou não, mesmo que o climatempo dê uma dica.
Novamente como tenho feito ultimamente e honrando o legado daqueles que vieram antes de nós a rasgar o asfalto, decidi ir de última hora a Penedo RJ. Havia um encontro ao lado de casa na Serra ES, mas assim como zoei a carismática Pagu, não vale a pena rodar só na esquina do quarteirão.
E também devia uma visita a turma de SP e RJ do fórum DOG. Aproveitei a desistência do Big Lou e negociei dividir o quarto com o Samuel Crisostomo no hotel que a turma ficaria em Resende RJ, uns 15km do evento. Uma pena saber somente quando cheguei no boteco lá na boca do evento (onde sempre encontramos) que havia um camping legal do lado.
Tive o grande prazer de conhecer o Monstro, o ferroviário que na verdade dirige caminhão. Comentei sobre uma oportunidade numa transportadora de um amigo meu que faz carga de minério, mas ele ficou na dúvida se prefere levar ferro até em Tupi ou até em Juá. Ainda teve o Henriquinho que trouxe toda a família, só não trouxe a sogra porque aí seria demais. Grande camarada que tem mais km nas costas do que muito boca aberta por aí.
Aí me aparece o Figueira. Bom, ele estava conversando com o mestre Ghan e foi fácil reconhecer pela bandeira rosa estampada no colete. “Minha filha que trouxe de Capetown, um luxo!”. O pior que a franga cismou comigo, me pagou cerveja, me pagou tira gosto, me convidou para dormir com ele. O que a idade faz com as pessoas. Reza a lenda que foi ver estrelas no telescópio da dona do camping.


Em seguida chegou a tropa de choque do fórum e foi um grande prazer finalmente conhecer o Macedo (o enrolado que me deixou na mão na vez que estive no Rio no show do Paul, rsrs). Camarada gente fina. Estava acompanhando do Bart, outra figura.
Aí me aparece ele, o meu ídolo mor, meu salvador, mestre Nishida! Sim, o camarada que me doou o par de bullets que enfeita a roupa “tell me i’m bitch” de dona stefânia. Ajoelhei, reverenciei, beijei a mão. Aí a esposa dele reclama: “é melhor deixar de ser bom samaritano com esses motoqueiros”.
Os demais eram Aldo e esposa, o Roberto (que comprou a samamabaia de garagem e agora botou ela para rodar) e esposa (muito simpática inclusive), Zota (que é melhor não ser sorteado com um capacete) e esposa, Emerson e filha. Pior que agora não lembro se era Emerson mesmo, esse pessoal de HD não se mistura com gentalha igual eu. Teve ainda mais dois casais que tive a displicência de não guardar os nomes. Me desculpem, mas a falta de dormir e o abuso de 700km reduziram minha memória.
Nem entrei no encontro, fiquei por ali no boteco com o pessoal só contando lorota e ouvindo mentira. Não tem coisa melhor. Fechamos a noite com um churrasco no hotel. Bom, não durei muito tempo pois estava meio cansado e ia acordar cedo novamente para voltar para Vitória ES. Mesmo porque o papo estava meio estranho. Eu esperando discutir sobre moto, carro, motor, acessório ou o que valha e o pessoal me vem com uma votação sobre homem deve mijar sentado. Eles que são paulistas que se entendam.
Novamente foi um grande prazer estar com essas figuras, mesmo que por poucas horas. Ah! E o Samuel? Nem vi. Pagou o quarto para mim e parece que ia dormir lá na rua do evento. Quando acordei de manhã cedo, lá estava o cara capotado de bruços. Cachaça antes de matar, humilha. Tenso.
Quanto a estrada, no sábado não entendi como havia tanto trânsito logo cedo. Cai alho que tinha caminhão demais no trecho capixaba da BR101. Já próximo do Rio em São Gonçalo e depois na Dutra, lá estavam os cariocas a fazer engarrafamento. Porque esse povo não fica em casa dormindo? Que se dane! A vista e as curvas na Serra das Araras compensam qualquer pista travada de carros e caminhões.


Já no domingo foi um pouco mais tranquilo até próximo de Rio Bonito RJ, onde um caminhão derrubou uma carga de água sanitária e um monte de miseráveis paravam o carro no meio da pista e atravessavam estrada sem olhar para os lados para roubar garrafas de água sanitária. Água sanitária! Em que ponto nós chegamos. A partir daí até Vitória ES, novamente trânsito nas proximidades de cada cidade.
Frio de manhã cedo e calor escaldande ao longo de meio dia. Não importa, a estrada se mostra como ela é, indiferente do que você espera. Nossa única e real autonomia é fazer o corpo acompanhar o espírito enquanto saboremos a paisagem.


08/04/12 não se experimenta no sofa da sala

CdGP DACS

Já passava de 20:00 da noite de domingo quando finalmente cheguei em Vitória ES. Comecei a refletir sobre a viagem. Havia saído de São Paulo SP às 06:30 da manhã com um tempo frio que qualquer um consideraria continuar na cama, enquanto eu ali na infinitude da estrada. Atravessando o Rio de Janeiro RJ, já no calor de meio dia, porque tinha errado a saída da Dutra para a Av. Brasil, pude conhecer a cidade nada maravilhosa, com seus cortiços, ruas estreitas e gente estranha, tão diferente daquelas que insistem em nos mostrar na televisão. No final da tarde já ultrapassava a fronteira em direção ao Espírito Santo, somente para descobrir que muitos resolveram fazer o mesmo que eu, enfrentar a estrada no feriado. Enfrentei eles, o trânsito e a estrada noite adentro.

Viajar de moto não é algo que se experimenta sentado no sofá da sala olhando o tempo passar pela janela. Você decide literalmente experimentar o tempo, o espaço e toda a sorte ou infortúnios que a viagem resolver lhe proporcionar. Sua única participação é atravessar a estrada que liga um destino ao outro.

Helton e Gisele não deram muita bola para meu auto convite: “Camaradas, estou indo para Sampa, separem o sofá para mim”. Começaram a argumentar sobre planejar a visita e tal e… “Camaradas, basta cerveja na geladeira e Buddy Guy na vitrola.”. Dois dias antes de retornar, na sexta cedo já avançara um bom pedaço do Rio de Janeiro. Me lembrei da última vez que estive aqui, subindo a Serra das Araras, dona stefânia bufando o óleo velho e o filtro saturado de um teste de 10.000km. Vou dizer que aquela vez foi sofrida.

E tudo para estar com o Ghan num encontro em Penedo RJ. E como tinha um tempo que não visitava o velho amigo, achei por bem ligar para ele quando estivesse em terras bandeirantes. Se estivesse em casa, passaria para dar um abraço. A essa hora, o povo do clã que resolveu descer de Belo Horizonte MG – Agnelli, Fábio, Rachel, Rubens – já estava em peso na casa do Helton, churrasco na alta preparado pelo Bruno e eu na terceira parada já na Dutra após Rio de Janeiro RJ comendo uma esfirra. Sim, a estrada é ingrata. Mas eu gosto de esfirra.

O Ghan estava em casa e me recebeu em prantos:
– Fantini, KCT! Essa maldita prótese dentária! Não dá mais para me divertir arrancando os dentes com o alicate.
– Uai, se quiser te empresto aquele soco inglês que você me deu lá no Tibet. Resolve na hora.

Agradeci o café e o bom papo e continuei viagem até Vila Mariana, São Paulo SP, onde o povo do clã já estava em outra órbita. Ao menos me acompanharam em duas cervejas. Um grande feito considerando o castelo de latinhas vazias encostado na churrasqueira. Como diz o Nuanda: “esse povo bebe demais…”.

No sábado cedo convenci todo mundo a me acompanhar na General Osório. Tinha duas missões: a) comprar “uns trem” para dona stefânia e b) encontrar com os DOGs de Sampa. A missão (a) foi resolvida em pouco tempo e após visitar meia dúzia de lojas. Já a missão (b), bem, o desinfeliz do Ramone me passa um telefone que estava desligado. Para ajudar a loja da Warrior mudara de endereço e acabei não achando ela. Depois vim a saber que os camaradas não só ficaram me esperando como até me procuraram por lá. Agradeço a preocupação do grande Nishida e do Prof. Hirai por até me ligarem para saber se eu estava vivo. Sim, eu estava, foi somente um completo desencontro.

Depois de uma lasanha de almoço devidamente preparada pela Gisele (o Helton jura que foi ele quem fez), discutir políticas públicas com o Dr. Agnelli e o Dr. Rubens e todo mundo entrar em estado vegetativo para fazer a digestão, resolvi retomar a discussão filosófica da visita anterior com Sabbath, o gato, e seu novo companheiro, Led, o outro gato.

– Sr. Fantini, novamente em minha morada. Vejo que trouxe outros intrusos. Muito irritante.
– Sr. Sabbath, vejo que agora tem um companheiro de morada. Quem é o macho dessa história?
– Malditos humanos!!! Não se tem sossego nessa bagaça!!!
– (rachei)^3!!!

Mais tarde a turma insistiu para tomar mais uma última cerveja de despedida. Declinei. Precisava dormir para retornar no dia seguinte.

Pouco mais de 2.000km, 3 estados, não sei quantas cidades, ao menos 7 climas diferentes, um vazamento de óleo no retorno. Somente para se estar com os amigos. Não se experimenta isso sentado no sofá da sala olhando a paisagem passar pela janela.