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29/09/12 a necessária arte de desplanejar

Eu meio que havia esquecido dona stefânia na oficina do Chico desde a última viagem até Monte Verde MG. Não que houvesse algum problema mecânico (apesar que já é hora da revisão básica com troca de óleo), foi somente para tirar a sujeira que ficou com a chuva fina que peguei na ida.
E aí estou lá vendo o Chico comentando da volta até São Fidelis RJ e que o pessoal da turma dele não podia ir. Tinha reservado quarto duplo e tudo. Mas teria que ir sozinho. Bom, a vantagem de ser motoqueiro é que se decide as viagens na base da oportunidade e não em planejamentos minuciosos: “Aqui, vou com você, precisa chorar mais não.”
No meio da semana confirmei somente a hora de saída no sábado. Como ele tem que cuidar da loja, teríamos que sair a partir de 13:00. Sem problema, afinal seria somente uma perna de 300km. Viagem curta. Aproveitei para resolver uns trem que precisava e que acabei não resolvendo nenhum deles por motivos alheios a minha vontade. Rsrs. Incrível como as coisas são e por isso que já faz tempo que não ligo muito para programações exatas. Algo inclusive que gerou uma discussão com um amigo a respeito da dinâmica da vida.
Mas voltemos a viagem real. Por volta de 12:40 já estávamos cortando a BR101 por sugestão minha. O Chico até pensou em ir pela 3a ponte e Rodovia do Sol e eu: “pagar pedágio para quê?”. Paramos rapidamente no trevo da BR262 para que ele ligasse a goPro. Sim, dessa fez teremos este humilde escriba estrelando um filme no asfalto.
E lá ia eu fazendo toda a pose na filmagem, cortando o asfalto com critério, querendo demonstrar o uso da correta aproximação de curva, contra esterço e tudo que o valha. E eis que São Pedro resolve colaborar com nossa demonstração de pilotagem em estrada e desce uma bela duma chuva. Nem foi muito forte assim. Mas ao menos mostrou algo importante neste caso: diminua a velocidade.
Pouco após o trevo de Guarapari ES, um acidente feio com uma carreta de leite em pó. Ao menos dessa vez não praguejei tanto os catadores, quanto na vez do acidente em Rio Bonito RJ, quando um monte de desinfeliz tentava ser atropelado para catar água sanitária. Demos sorte de poder passar através da inhaca, pois os bombeiros fecharam a pista em seguida.
O que foi até útil, afinal continuamos debaixo da chuva, mas ao menos não tivemos trânsito pesado. Na primeira parada no Posto JR, uns 20km antes da divisa ES RJ e os dois pintos molhados faziam a alegria das atônitas atendentes da lanchonete. Aposto que elas pensaram que assim não andam de moto. Tem gente que conta um monte de lorota que lava a alma (nem sei como se sempre se fica imundo com o pó do asfalto). A verdade é que a chuva na estrada é uma plena lição de humildade. Não importa quem você seja.
Mas como a vida é boa em cima de uma moto, no trecho seguinte já no estado do RJ o clima estava limpo e o sol quebrou nosso galho para nos deixar secos novamente. Passamos um pedaço de Campos RJ e pegamos a estrada em direção a São Fidelis RJ. Que estrada agradável. E olha que passei aqui ano passado no maior aperto voltando de Penedo RJ com o óleo velho, filtro saturado e dona stefânia fritando e não pude aproveitar tanto quanto dessa vez. Recomendo o trecho para todos.

chegamos em sao fidelis

chegamos em sao fidelis

Chegamos são e salvos, mas com a cueca molhada ainda. Foi o tempo de botar a conversa em dia com o Well do Vitória MC que já estava por lá desde sexta e fomos na pousada tomar uma ducha e botar uma cueca seca. Sou motoqueiro, mas sou limpinho! E a noite prometia. Bons shows e diversão garantida como a turma daqui de Vitória que estava por lá. Ainda tive a oportunidade de conhecer nativos da região, pessoal muito gente fina.
No domingo ficamos eu e Chico avaliando se subíamos até Nova Friburgo RJ para conhecer ou se vazávamos de vez. A distância e o horário nos fizeram deixar Nova Friburgo RJ para uma próxima oportunidade. Mas para compensar resolvemos subir de volta a Vitória ES pela estrada que corta o litoral. Basicamente após a saída de Campos RJ, pega-se um trevo em direção a São Francisco de alguma coisa que não lembro mais e pronto, lá estávamos nós numa estrada digna de uma viagem de moto.
Sem certeza de postos, sem realmente saber o caminho correto e principalmente, sem muita correria. Foi uma das melhores opções que tivemos. Pois neste exato momento se rasga qualquer planejamento e se deixa guiar pelo que o asfalto vai apresentando. Uma usina de álcool aqui, uma cidade de calçamento acolá, uma ponte da divisa RJ ES que desemboca numa estrada de terra e…

divisa RJ ES

divisa RJ ES

a ponte

a ponte

alegria, alegria

alegria, alegria

Cara, sacanagem, não deu nem 1km de estrada de terra. Já estava jogando a mão para o céu pela diversão quando vi o asfalto novamente, pena. Mas já compensou a quase emoção e a lembrança da estrada de terra noite adentro na visita a Nova Viçosa BA ano passado. O Chico sugeriu a gente conhecer a praia que fica ali na divisa. Aparentemente é um lugar bonito.

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

em alguma praia da divisa entre RJ e ES

Em seguida viemos cortando a chamada Rodovia do Sol que vai atravessando todas as cidades de veraneio que se tem direito no ES: Marataízes, Itapemirim, Iriri, Piúma, Anchieta, Meaípe, Guarapari para ao final alcançar Vila Velha e desembocar novamente em Vitória a partir da 3a ponte. Se uma estrada de moto já é agradável, uma estrada de moto com o oceano a seu lado é mágico.
Ainda bem que não planejei nada, pois teria voltado pela BR101 mesmo e perdido isso tudo.